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No limite

Nathalia Dill e Lívia de Bueno: entrega do elenco é ponto para o filme

Não é um equilíbrio fácil aquele que Paraísos Artificiais (Brasil, 2012) busca. Em uma trama fortemente ambientada no mundo da música eletrônica, o diretor Marcos Prado quer mostrar que as drogas são uma realidade – mas não quer estigmatizar a cena e tampouco se mostrar “a favor” do consumo. O  mais provável é que os espectadores achem que o filme está de um lado ou de outro.

O que fica claro é que há uma tentativa de retratar uma parcela de jovens que faz do viver intensamente, no limite, um estilo de vida. Alternando-se em três tempos narrativos diferentes, o filme mostra os prazeres e possíveis consequências disso através de três personagens: Erika (Nathalia Dill), a amiga/ namorada Lara (Lívia de Bueno) e Nando (Luca Bianchi), e seu encontro durante uma rave (daquelas que duravam dias) em uma praia afastada de Pernambuco. A tentativa de isenção do filme vem através de um personagem mais velho, Mark (Roney Villela), com jeitão de guru da contracultura, que semeia mensagens como “as drogas fazem com você o que você quer que elas façam”.

É o que vem em flashbacks, em lembranças principalmente de Erika, que reencontra Nando em Amsterdã – mas ele não se lembra dela. Mas mesmo essas cenas na Europa são o passado: o filme começa com Nando saindo do presídio, no Rio. Vamos, então, descobrir como ele chegou lá e o que virá a seguir.

O filme joga pontas soltas e vai amarrando-as. Mas, na prática, o espectador não tem muita dificuldade em antever revelações através das pistas que são dadas – por que determinado personagem não aparece em determinada parte do filme, por exemplo. Isso não chega a comprometer porque a razão do filme, afinal, não é qualquer surpresa ou mistério.

No retrato dessas vidas no limite e após o limite, o filme é até bem feliz. As cenas de consumo de drogas e as fortes cenas de sexo ajudam, com ponto para a entrega do bom trio de atores, para a direção de fotografia de Lula Carvalho (filho de Walter e sobrinho de Vladimir, ambos paraibanos) e para a montagem de Quito Ribeiro.

* Publicado no Correio da Paraíba, em 15/5/2012

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