Você que vai ao cinema em João Pessoa e gosta mesmo de cinema – e não só de passar duas horas numa sala escura com alguma coisa se mexendo na tela à sua frente – enfrenta desde os mal-educados com seus celulares até as luzinhas azuis do chão do Box Cinépolis. Não é uma vida fácil, mas já foi pior: provavelmente você sentiu uma sutil melhora na programação este ano.

Foram 179 filmes nos cinemas este ano (a soma entre os 150 que entraram regularmente em cartaz, os 16 do Festival Varilux de Cinema Francês e os 13 da duas mostras Noite de Estreia que só passaram nesses eventos). 150 filmes não é nenhuma maravilha: já atingimos 165 em 2007. Mas é melhor que os 140 de 2010.

Fora das mostras, tivemos menos nacionais que no ano passado: 27 contra 29. Mas ainda bem acima de 2010, que foram só 19. Este ano, a porcentagem foi de 18%, mesmo patamar de 2011 (18,3%).

A seguir, minha lista dos 10 melhores do ano. Depois, mais 10, totalizando 20 filmes pelos quais valeu bem a pena ter saído de casa para encarar o cinema.

1 - "A Separação", de Ashgar Farhadi

1 – “A Separação”, de Ashgar Farhadi

O brilhante filme iraniano partiu de um dilema moral para mostrar um Irã com um conflito no cotidiano entre pensamentos modernos e antiquados, e uma história que ganha contornos de mistério e onde verdades e mentiras ganham pesos gigantescos. Um roteiro afiadíssimo, com reviravoltas que fariam Raymond Chandler sorrir.

2 - "O Artista", de Michel Hazanavicius

2 – “O Artista”, de Michel Hazanavicius

É indizível a ousadia de se fazer um filme mudo no século XXI. Mais do que isso, um filme que mimetiza os códigos narrativos do cinema na era muda. O Artista é plenamente feliz nessa brincadeira, mas o que faz dele um grande filme é que ele vai além disso e dialoga com essa herança. Ele brinca com a ausência do som e até com o som, presente em momentos cirurgicamente eloqüentes. Crítica no Boulevard.

3 - "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese

3 – “A Invenção de Hugo Cabret”, de Martin Scorsese

Antes, ninguém associaria o nome de Martin Scorsese a um filme infantil, mas quem seria mais talhado para levar essa história à tela do que ele, o mais cinéfilo dos cineastas? A história do menino que vive em um relógio se cruza com a de um velhinho que ele descobre ser simplesmente George Méliès, o inventor da magia do cinema. Difícil um cinéfilo não se emocionar com essa história que, no caso de Méliès, é real.

4 - "Raul - O Início, o Fim e o Meio", de Walter Carvalho

4 – “Raul – O Início, o Fim e o Meio”, de Walter Carvalho

O documentário de Walter Carvalho é muito impressionante, resultado de uma incansável pesquisa e de uma edição que coloca na tela praticamente todo mundo que foi alguém na história de Raul Seixas (“praticamente” porque faltou Jerry Adriani, entrevistado, mas de fora da montagem final). O resultado é que a história do ídolo é contada de praticamente todos os lados, mostrando seu gênio e suas contradições de maneira emocionante.

5 - "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge", de Christopher Nolan

5 – “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de Christopher Nolan

O fim da trilogia foi a continuação de um movimento firme que levou os filmes do Homem-Morcego a algo mais que um filme de super-herói. Agora, o herói precisa se reencontrar em meio à convulsão social e reencontrar a si mesmo. Não é melhor que O Cavaleiro das Trevas, uma obra-prima, mas é o mais ambicioso da série. Tem a coragem de pôr um ponto final na história, consegue transformar o péssimo Bane das HQs em um vilão de muito respeito e tem em Anne Hathaway outra Mulher-Gato memorável.

6 - "Moonrise Kingdom", de Wes Anderson

6 – “Moonrise Kingdom”, de Wes Anderson

Quem conhece Wes Anderson sabe que os filmes dele se passam em um universo muito específico. Algo como uma realidade aumentada, exagerada, desproporcional. Aqui, esse estilo está a serviço de uma historinha de amor entre um casal de 12 anos de idade

7 - "Os Vingadores - The Avengers", de Joss Whedon

7 – “Os Vingadores – The Avengers”, de Joss Whedon

Juntar muito super-heróis importantes – vários deles protagonistas de seus próprios filmes – em uma mesma produção parecia que só podia dar errado. Mas a Marvel soube preparar o terreno, gerar expectativa e, principalmente, teve coragem de deixar o roteiro e a direção nas mãos de um homem só: Joss Whedon. Funci0nou que é uma beleza: o filme tem espaço para todo mundo, é supermovimentado, o humor é ótimo. Crítica no Boulevard.

8 - "Intocáveis", de Olivier Nakache e Eric Toledano

8 – “Intocáveis”, de Olivier Nakache e Eric Toledano

Extraordinário sucesso de bilheteria na França e não é difícil descobrir os motivos. A história edificante não tem nada de pieguice, e é temperada não só com bom humor, mas também com uma incorreção política cada vez mais rara. Menos influência direta na bilheteria deve ter a redução para o microcosmo da sociedade francesa hoje e suas tensões entre elite e imigrantes pobres.

9 - "A Música Segundo Tom Jobim", de Nélson Pereira dos Santos

9 – “A Música Segundo Tom Jobim”, de Nélson Pereira dos Santos

O projeto sai do trivial dos documentários musicais: aqui, a estrela é a música, pura e simplesmente. Um fenomenal trabalho de garimpo encontrou interpretações da música de Tom por cantores de vários países, desfilados aqui um após outro. É um deleite e uma demonstração na prática do alcance de um dos maiores nomes da arte brasileira.

10 - "Pina", de Wim Wenders

10 – “Pina”, de Wim Wenders

Apaixonado pela arte da bailarina e coreógrafa Pina Bausch, Wim Wenders prestou a ela este tributo: mesclou depoimentos com a recriação de suas coreografias – às vezes, no palco, mas muitas vezes levadas à rua ao ar livre. Também foi a melhor demonstração que não é só de blockbusters e filmes B que vive o 3D.

Mais dez filmes:

Pele que Habito-02Polissia007 - Operacao Skyfall

11 – A Pele que Habito
12 – Polissia
13 – 007 – Operação Skyfall

MelancoliaCopia FielAventuras de PiOs Descendentes

14 – Melancolia
15 – Cópia Fiel
16 – As Aventuras de Pi
17 – Os Descendentes

937950-Girl With The Dragon Tattoo, TheValenteRomanticos Anonimos

18 – Millennium – Os Homens que Não Amavam as Mulheres
19 – Valente
20 – Românticos Anônimos – Crítica no Boulevard

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RETROSPECTIVA 2012:

Eleição Melhores do Ano 2012
Musas de 2012
50 filmes que não foram exibidos em João Pessoa em 2012
Os títulos mais esdrúxulos de 2012

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