Veja a linha do tempo publicada na edição deste domingo do Caderno 2 do Correio. E, abaixo, a entrevista que fiz com Mauricio de Sousa sobre a personagem:

03.03 - Monica 50-02-linha

Qual o principal momento na trajetória da Mônica, como personagem, para o senhor? A publicação da primeira revista em 1970, a homenagem de quadrinistas de todo o mundo nos 30 anos…
Sem dúvida a primeira revista publicada. É o sonho de todo desenhista ter seus personagens em uma publicação de banca. O personagem já era popular pelas publicações em jornais e aparições nos desenhos comerciais da cica. A revista saiu no tempo certo.

Existe uma “tradição” nos seus personagens de coadjuvante tomarem o lugar dos protagonistas. Caso do Chico Bento e do Horácio. Em que momento o senhor percebeu que era a Mônica – e não o Cebolinha – a personagem principal da série?
 Tem personagens que o público adota e quer ver mais. Foi assim com a Mônica. Os leitores viviam pedindo mais historinhas com ela. Então ganhou cada vez mais destaque até a série virar Turma da Mônica e não Turma do Cebolinha. Talvez por isso ele viva bolando seus planos infalíveis para voltar ao poder na rua.
Como o senhor lidou com sua filha enquanto o sucesso da personagem ia crescendo?
Até que ela entrou na escola, eu evitava passar pra ela informações sobre o personagem e seu sucesso crescente. Mas um dia ela descobriu tudo pela boca das coleguinhas de classe. Daí me questionou. Eu confirmei e durante muito tempo ela aceitava bem o sucesso do personagem e do pai… mas se recusava a reconhecer seu gênio forte e pavio curto. Hoje, quando a Mônica personagem já está mais suave, mais feminina, ela já aceita a situação.
Em que medida o ‘politicamente correto’ tem causado problemas para a criação das histórias (que eram muito mais livres tempos atrás)?
O Cebolinha não desenha mais nos muros. desenha em papel e cola nos muros ou paredes. a Mônica suavizou as coelhadas. o nho lau não usa mais espingarda… São algumas das transformações no comportamento e hábitos dos personagens através dos anos. Mas tudo isso foi resultado de uma conscientização dos leitores, nossa, da população em geral. Que foi se instalando nos hábitos e na consciência de todos nós. O chamado politicamente correto já é outra coisa, com um viés mais radical e coercitivo. Da forma como se estabelece, às vezes cerceia criatividade e espalha insegurança. Vale mais seguirmos o bom senso e os conhecimentos que nos chegam.
Depois do sucesso da Mônica Jovem, foi anunciada a intenção de uma série da Mônica adulta. O que o senhor pode adiantar sobre isso?
Esse é um projeto para daqui uns 3 anos quando teremos uma equipe montada para desenvolver uma série ao estilo folhetim. Com os personagens vivendo situações do tempo em que vive o leitor. Planejamos uma série onde os personagens envelheçam com o leitor. Vivam sua realidade social, política, econômica. Tudo temperado com muito humor e criatividade.
Anúncios