Recife, PE – Imitando o Merten: pela procedência, vocês sabem de onde estou escrevendo. Cheguei sábado aqui ao Cine-PE para fazer a cobertura para o CORREIO. Vi dois longas no sábado e mais um ontem à noite, além das coletivas pela manhã e uma ou outra exclusiva.

No sábado, vimos o documentário Orgulho de Ser Brasileiro, muito ambicioso, que rendeu uma acalorada discussão na manhã seguinte. A proposta de discutir o tema, e com ele todos os principais problemas do Brasil, parece grande demais para um filme. A escolha dos entrevistados para discutir esses problemas também entrou na berlinda. O diretor Adalberto Piotto justificou dizendo que convidou cerca de 30 pessoas e quem aceitou está no filme, e esta seria a razão para que Fernando Henrique esteja lá e Lula ou Dilma não. A gente pode, a partir daí, discutir longamente sobre o poder que o diretor tem ou não de editar seu filme para que certos pontos de vista apareçam mais ou menos e o que a decisão de  evitar essa edição prejudica ou não o filme. Ou as razões para que não haja pessoas do povo mesmo dando suas opiniões – já que o filme é basicamente um festival de opiniões – e se perca tempo, por exemplo, com uma socialite corretora de imóveis que disse ter testemunhado a depressão de seu vizinho Collor em Miami, arrancando gargalhadas da plateia.

Ainda no sábado, tivemos a divertida comédia de Betse de Paula: Vendo ou Alugo. É uma comédia rasgada, liderada por Marieta Severo no papel principal, com um elenco que tem ainda Nathalia Timberg, Sílvia Buarque e Marcos Palmeira. Funciona bastante bem a maior parte do tempo: é uma família de quatro mulheres de gerações diferentes que precisam vender a grande casa onde moram. A família já foi rica, mas já está há anos na decadência. Se não venderem a casa, ela vai a leilão no dia seguinte. O problema é que ela está bem mal conservada e fica na entrada de uma favela.

A partir daí, a trama se desenrola em vários personagens e núcleos, quase sempre dentro da casa e no espaço de um dia. A cenografia – o filme foi realmente rodado dentro de uma casa, me disse a diretora – é um personagem à parte. E o núcleo das senhoras do poquer é um arraso: um show de Nathalia, Carmem Verônica, Ilka Soares e Daisy Lúcide. Também é o dia da pacificação do morro, aumentando a confusão e reumindo um pouco o Rio de Janeiro naquela casa: o encontro de morro e asfalto, tudo junto e misturado. O filme tem data de estreia para agosto.

Marieta foi homenageado pelo festival e, na manhã seguinte, mostrou sua mágica na coletiva. Elegante, à vontade, bem humorada. Os colegas parecem ter se divertido muito com o filme, os comentários foram positivos o tempo todo. E fez nascer um debate sobre a comédia nacional, e seu comprometimento ou não com uma reflexão sobre a vida no país. Debate que voltou na coletiva sobre o documentário Mazzaropi, agora pela manhã, e que a Abraccine já anunciou aqui que pretende levar além.

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