Bonitinha mas Ordinaria

Recife, PE – Depois muitos anos entre o pomposo anúncio do elenco e vir à luz, o novo Bonitinha, mas Ordinária é até uma boa notícia. Dirigido por Moacyr Góes, está acima da média do diretor no cinema e é bastante superior à versão mais conhecida, a de Braz Chediak de 1981, com Lucélia Santos (o que, na prática, não chega a ser tão difícil).

Há vários “senões”, a começar por trazer a trama para os dias atuais, coisa que não funciona o tempo todo. Alguns valores da peça de Nelson Rodrigues parecem datados demais no filme – quantos realmente acham hoje em dia que a solução para a filha que foi estuprada por cinco negrões é o casamento urgente com um quase desconhecido?

O elenco é um trunfo importante. João Miguel parece começar o filme hiperatuando, mas depois se ajusta no dilema moral de Edgard, que é a razão de ser da peça e do filme. Leandra Leal, como Ritinha, é a competência de sempre. Letícia Colin se defende bem em um papel difícil, onde convive com a sombra de Lucélia (que produziu uma interpretação icônica em 1981, muito maior do que o filme em si). E ainda há León Góes, ótimo como Peixoto, o demônio que guia os passos de Edgard por seu inferno pessoal.

Fica também o registro de um final que pesa a mão na leveza, digamos assim. Acaba apelando, e acho que desagradou a maior parte dos colegas aqui. De qualquer forma, o debate sobre já vai começar e talvez haja mais a dizer sobre ele depois.

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