Mazzaropi

Recife, PE – Celso Sabadin faz um sempre bem-vindo resgate em Mazzaropi, exibido na segunda. Oscarito e Grande Otelo já passaram por esse processo de reabilitação e Zé Trindade também começou a passar por ele. Outro grande comediante, Mazzaropi fez sucesso no cinema como ator, impôs o seu tipo caipira, entrou na aventura de produzir e dirigir os próprios filmes e dominou um nicho e uma região do Brasil. O filme de Sabadin, jornalista de cinema há anos que estreia na direção de cinema, conquista fácil a plateia por saber explorar o humor de Mazzaropi e apesar da longa discussão inicial sobre o que é ser caipira.

O filme apresenta a trajetória de Mazzaropi, mas também chega a discutir um pouco que cinema era esse. Não falta quem diga das precariedades de produção e mesmo da qualidade sofrível da maioria dos filmes. Um dos depoimentos diz que ele seria ainda maior se tivesse tido um bom diretor. Outros (e ele mesmo, no único depoimento que o diretor e os produtores encontraram em sua pesquisa) afirmam que, se não fizesse daquele jeito, ele nunca teria conseguido fazer dinheiro com um filme o suficiente para bancar outro, como faz dos anos 1960 ate morrer, em 1980.

O filme toca, inclusive, em uma informação que o grande público desconhecia: a de que Mazza era homossexual. Eu mesmo me surpreendi ano passado quando Astier Basílio me contou essa, que ele tinha ouvido de José Neumanne Pinto. No meio cinematográfico, no entanto, o fato era conhecido, e Mazzaropi gostava de dar em cima de seus galãs, como conta David Cardoso. O tema é tratado no filme com elegância e carinho, graças ao depoimento dse Marly Marley.

Minha única ressalva é o fato de as cenas de filmes só estarem creditadas no fim do filme. Se o espectador gostar de alguma cena em especial e quiser saber de que filme ela é (e muitas cenas aparecem fora do contexto cronológico), vai ficar difícil. No debate, Sabadin justificou dizendo que queriam evitar o excesso de informação no filme.

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