Com muito atraso – mas é melhor do que faltar – os 10 títulos mais esdrúxulos de 2012, entre os filmes exibidos em João Pessoa em 2012. Lembrando mais uma vez: adaptar o título de um filme para a cultura nacional não é um crime, às vezes é realmente necessário, e pode ser feito com inteligência. Não é bem o caso aqui…

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1. Cada um Tem a Gêmea que Merece – A velha história: o título brasileiro tem que ser engraçado senão o público burrinho não percebe que é uma comédia – assim parece pensar as distribuidoras. Jack and Jill, os nomes dos personagens de Adam Sandler naquele que foi considerado um dos piores filmes do ano pela nossa eleição anual, virou um trocadalho do qual alguém deve ter inacreditavelmente rido na reunião de marketing da Columbia.

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2. O Vingador do Futuro – Aqui a culpa nem é da Columbia. Afinal, já que a refilmagem é produzida se escorando no sucesso que o filme fez no passado, que sentido faria mudar o título brasileiro, mesmo que ele fosse uma chupada cara-de-pau de O Exterminador do Futuro, que o Schwarzenegger tinha estrelado antes? Aqui, Scharwa não está, Colin Farrell não fez O Exterminador do Futuro e o título faz menos sentido ainda – a não ser pela ligação com o anterior, mesmo que o discurso oficial de qualquer refilmagem é que ela deve “ser vista como uma obra independente”. A semiótica explica…

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3. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Como é? “Ressurge”? Deve ser a primeira vez que essa palavra é usada em um título de filme no Brasil. “A ascensão do Cavaleiro das Trevas” não chega a ser bom, mas traz muito mais significado ao filme, hein, Warner?

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4. 007 – Operação Skyfall – Historicamente, os títulos originais da série James Bond não usam o 007. Isso é coisa do Brasil. Até aí, tudo bem, nada contra. Como lidar com isso quando o título original é um nome próprio é que são elas. Às vezes, joga-se um “contra” (Goldfinger vira 007 contra Goldfinger; Octopussy vira 007 contra Octopussy), inventa-se algo meio genérico (Moonraker vira 007 contra o Foguete da Morte; Thunderball vira 007 contra a Chantagem Atômica). O que aconteceu com Skyfall, na Columbia, é, no mínimo, curioso: o título não é nem de perto o nome de uma “operação” do agente 007.

Piratas Pirados-02 Piratas Pirados-01

5. Piratas Pirados! – Mais uma dos traduzidores brasileiros tentando ser engraçadinhos no título. O pior é que The Pirates! – Band of Misfists (ou algo como “Os Piratas! – Bando de Desajeitados”) já era engraçado. Mas pra quê sutileza britânica?  (aliás, o título na Inglaterra era The Pirates! In an Adventure with Scientists, o que mais tinha realmente a ver com o filme). No Brasil, ficou o trocadalho – obra da Columbia, já pela quarta vez na lista.

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6. Tinker Bell – O Segredo das Fadas – São dois pontos, e o primeiro é uma questão de princípios: a mudança do nome da personagem Sininho para Tinker Bell. Este é o terceiro longa animado da série estrelada pela personagem saída de Peter Pan e o primeiro a passar nos cinema daqui. O primeiro chegou a ser anunciado nos DVDs com “você sabe o nome dela: Sininho – O Filme“. De repente, ninguém mais sabia o nome dela porque ele foi mudado. A Disney fez isso com o Ursinho Puff/ Pooh, com Caco, o Sapo/ Kermit e daqui a pouco vamos ter que chamar o Pateta de Goofy. O outro ponto é que, sendo todos os personagens fadas, o segredo não é exatamente “das fadas”. Mas, sim, “das asas”, como diz o título original.

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7. Tudo pelo Poder – Vá lá, “Os idos de março” pode ser culturalmente elitista demais para a plateia comum – afinal, é uma citação a Julio Cesar, de Shakespeare. Mas precisava ir para o lado da banalização total, como fez a California…

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8. Battleship – A Batalha dos Mares – A ideia do filme já é ridícula: adaptar para um blockbuster de ação o jogo Batalha Naval – aquele que a geração pré-iPod jogava nos cadernos da escola e o Bozo fazia com o amiguinho de casa pelo telefone. A titulação nacional da Universal esqueceu totalmente que o jogo já tinha um título consagrado no Brasil. Ou não? Alguém iria mesmo assistir um filme porque é baseado naquele jogo? Ou, na verdade, fugiria dele? Então, vamos deixar o título em inglês, pra parecer mais importante, né? E arrematamos com um subtítulo que, redudantemente, diz quase o mesmo que o título em inglês.

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9 . Os Vingadores – The Avengers – Dos mesmos autores de Ponto Final – Match Point e de Tempo de Violência – Pulp Fiction… Qual o sentido de se colocar o título original como subtítulo do filme? Claro que é a Disney querendo familiarizar o nome em inglês do grupo para que, quando o consumidor encontre na loja o produto com o nome “Avengers” saiba do que se trata (que é o mesmo processo de chamar a Sininho de Tinker Bell). Mas pra quê no subtítulo, se em DVD e na TV paga a ordem mudou para The Avengers – Os Vingadores? É redundante, ok, mas é menos estranho.

Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-02 Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-01

10. O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida – Se não bastasse ninguém saber o que é um lorax – o livro do Dr. Seuss é desconhecido por aqui – ainda enfiaram a tal trúfula perdida. Não vou ao google saber o que é uma trúfula, desculpa aí, Universal.

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50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2012

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