"Éden"

“Éden”

Estou aqui em Gramado, cobrindo pela primeira vez um dos principais festivais de cinema do país. Cheguei na madrugada de sábado para domingo, então ontem foi meu primeiro dia – o festival ia em seu terceiro.  Encarei, então, uma maratona de quatro longas para me pôr em dia: dois pela manhã (o argentino Puerta de Hierro – El Exilio de Perón e o brasileiro Éden) e mais dois à noite (o uruguaio El Padre de Gardel e o brasileiro Tatuagem). Isso fora os curtas da noite.

A repercussão aqui na serra colocou em polos opostos o filme argentino e o pernambucano Tatuagem. O filme sobre o exílio de Perón – no qual Victor Laplace co-dirige, co-escreve, interpreta Perón e ainda canta um tango – é quadrado e Perón aparece sem defeito algum. Em certa medida, me lembrou nosso Lula, o Filho do Brasil. Mas o peronismo na Argentina é assim: tem torcedores, não analistas.

Já de Tatuagem só ouvi elogios. Mostrando uma cena teatral bas-fond do fim dos anos 1970 em Recife, o filme procura trazer para si mesmo aquela cena tanto libertária quanto hedonista – um microscosmo dentro de um macrocosmo que ainda era o da ditadura. As não-concessões parecem muito naturais no filme: as cenas de paixão homossexual são mostradas como em qualquer situação heterossexual que o cinema já cansou de mostrar (incluindo o sexo).

"Tatuagem"

“Tatuagem”

Éden também foi um bom destaque, com ótimas interpretações de Leandra Leal e João Miguel, mostrando o drama de uma mulher grávida de oito meses entre a morte violenta do marido e o assédio de uma igreja evangélica. E El Padre de Gardel defende o lado do Uruguai na polêmica eterna sobre a nacionalidade de Carlos Gardel: investiga a influência de um certo coronel Carlos Escayola e afirma que Gardel foi um filho ilegítimo entregue a outra pessoa e que cresceu longe dali.

Falta muito ainda para o festival acabar. Até lá, muito frio – mesmo que hoje tenha saído um solzinho. Ontem estava fazendo 8º de tarde – de noite, nem sei. Agora, está 11º – é verão em Gramado!

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