Betse de Paula apresenta "Revelando Sebastião Salgado" (foto: Cleiton Thiele)

Betse de Paula apresenta “Revelando Sebastião Salgado” (foto: Cleiton Thiele)

O verão durou um dia em Gramado. Digo isso porque brincamos ontem que o verão tinha chegado quando um sol apareceu e a temperatura subiu para… ahn… 14 graus segundo os termômetros da rua, Hoje, uma chuvinha, mas também uma neblina de não ver o outro lado da rua.

É o prenúncio de uma noite mais fria ainda, mas esperemos que não dentro do Palácio dos Festivais. Hoje é o dia da homenagem a Sargento Getúlio, filme que ganhou aqui há 30 anos. O diretor Hermano Penna, figuraça, já está por aqui – o encontrei ontem no tapete vermelho e ele me recebeu com a mesma expansividade de quando conversamos no Cine-PE – e Lima Duarte também.

Hoje já conversei com Hilton Lacerda, diretor de Tatuagem, que, por enquanto, parece correr na frente em direção ao Kikito. Aguardem a entrevista dele no CORREIO e também de Irandhir Santos, que me contou que volta a morar em João Pessoa em 2014 – eu já disse isso?. Me contaram que o Luiz Carlos Merten e a Maria do Rosário Caetano tiveram suas restrições ao filme, mas, entre os jornalistas, o agrado foi quase geral. As do Merten estão lá no blog dele. Eu mesmo saí meio assim, mas comecei a gostar mais à medida que refletia sobre. Mas não acho que seja pra todo público.

Ontem a noite de longas foi de dois documentários. O argentino é Venimos de Muy Lejos, que aborda os imigrantes dos bairros de Catalinas Sur e de La Boca, partindo da montagem teatral da peça que dá nome ao filme, montada no próprio bairro. A peça parece ser ótima e seu registro no filme é bonito, mas a coisa se perde em focos demais: ficção, documentário, peça no palco, peça em cenários reais e até um parte documental sobre a própria produção do filme.

O problema de Revelando Sebastião Salgado já é outro: o foco muito específico, ou, para ser mais preciso, o solitário ponto de vista do biografado no documentário de Betse de Paula. Não há um contraditório – e há críticas sobre o trabalho de Salgado, aquela coisa de explorar a miséria, sobre o que ele poderia ter falado. Mas ele conta muito bem sua história, e suas fotos estão lá, então o filme não é ruim, não.

Vindo pra Gramado, não pude ainda rever pagando o Vendo ou Alugo, da Betse, que entrou em cartaz no fim de semana – incluindo aí em João Pessoa. É simpático, ri várias vezes e tem uma Marieta Severo magnífica, além do quarteto que se forma com Nathalia Timberg, Carmen Verônica, Ilka Soares e Daisy Lúcidi. Não costumo dizer “vá ver” ou “não vá ver”, mas acho que esse merecia uma chance.

Aguardemos a noite, agora. Nos longas, teremos Repare Bem, documentário da portuguesa Maria de Medeiros (vocês lembram dela como atriz em Henry & June ou Pulp Fiction). Segundo consta, ela chegou ontem. A competição nacional é com o drama A Bruta Flor do Querer.

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