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Microcosmo colegial

Sophia Corral e Pedro Maia: afetividade inocente nos anos 1980

Sophia Corral e Pedro Maia: afetividade inocente nos anos 1980 (foto: Agnes Cajaíba)

O momento político brasileiro durante a transição para a Nova República – o fim do período mililtar, as Diretas Já, a eleição indireta de Tancredo, sua internação na véspera da posse e a morte dias depois – é a ambientação de Depois da Chuva (Brasil, 2013), longa baiano de Cláudio Marques e Marília Hughes. Centrado em um adolescente, Caio (Pedro Maia), o filme reduz esse panorama político e comportamental ao microcosmo de um colégio.

Caio tem um espírito rebelde, questionando a professora em sala de aula, curtindo o punk rock e ligando-se a jovens anarquistas. Faz amizade com uma garota nova na escola, Fernanda (Sophia Corral), que logo fica bastante próxima e torna um ponto de apoio quando as coisas começam a dar errado na escola e em casa, com os pais separados. E também com seu amigo anarquista.

O filme tenta combinar questionamentos políticos um tanto maduros com uma postura muito mais inocente no campo afetivo – a ponto de as duas coisas não combinarem totalmente. O filme vai bem quando trata de Caio e Fernanda. Resvala mais do que devia nos clichês quando usa a política estudantil para debater a política nacional, mas é eloquente em seu final desesperançoso com o futuro (ou seja: o presente de hoje).

Depois da Chuva (Brasil, 2013). Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes. Elenco: Pedro Maia, Sophia Corral, Aícha Marques, Talis Castro.

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