A pianista ucraniana se apresentou com a orquestra ontem e faz recital hoje

A pianista ucraniana se apresentou com a orquestra ontem e faz recital hoje

Um adro superlotado do Centro Cultural São Francisco enfrentou a ameaça da chuva e o longo atraso motivado por isso, mas não deve ter se arrependido: viu uma bela estreia da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, armada com um repertório infalível, e uma apresentação arrasadora da pianista ucraniana Anna Fedorova, que tocou com intensidade o solo do “Concerto para piano nº 2”, de Rachmaninoff (atenção, cinéfilos: é aquele que aparece em Desencanto, de David Lean). Ela ainda deu um bis não programado: uma valsa de Chopin.

Ela se apresenta hoje de novo, às 20h, no Centro Cultural São Francisco, mas ao lado do violinista Alberto Johnson, paraibano radicado na Holanda, e do violoncelista holandês Fred Pot.

A seguir, a entrevista que ela deu ao Caderno 2 do Correio da Paraíba, publicada sábado. Ela fala da vida de concertista profissional e lembra passagens importantes da carreira. que ainda tem muito pela frente (ela só tem 23 anos):

Você é ainda muito jovem e tem uma longa estrada na música pela frente. Quando decidiu se tornar uma pianista profissional?
Nasci em uma família de músicos – meus pais são pianistas e foram meus professores até os 18 anos. Eu sempre estive rodeada por música. Comecei a tocar piano aos 3 ou 4 anos, foi natural pensar que seria minha futura profissão já ali.

É uma vida em quase permanente trânsito, não? Esse aspecto é uma coisa boa ou um sofrimento?
Adoro viajar e adoro minha vida como uma pianista de concerto. A vida é sempre cheia de aventuras, novos conhecimentos, novas impressões e emoções. A única coisa com a qual sofro é o constante transporte de malas pesadas…

Você ainda vive na Ucrânia?
No momento, moro em Londres. Realmente amo essa cidade!

Você gosta de tocar por diversão em casa?
Adoro fazer música com meus amigos.

Música clássica, também? Ou, digamos, algo como jazz?
Pode ser música de câmera, peças para quatro ou talvez seis mãos em um piano, alguns arranjos divertidos.

Para você, qual foi o momento mais memorável da sua carreira até agora?
Eu posso dizer alguns: uma performance recente do 2º de Rachmaninoff na abertura da temporada dos Sunday Morning Concerts Series, no Amsterdam Concertgebouw, com casa lotada e transmissão ao vivo para internet, TV, rádio e telão na praça principal de Amsterdam; uma performance da 1ª de Tchaikovsky diante de 50 mil pessoas no festival Violon sur la Sable, na França; e ter lições e receber o louvor e apoio de alguns músicos como (o pianista alemão) Menahem Pressler e (o pianista e maestro húngaro) Andras Schiff.

Por fim, você gosta de Villa-Lobos?
Sim, eu adoro Villa-Lobos!

Lembra quando conheceu a música dele?
Eu acho que primeiro tive conhecimento dele através de suas obras para violão, há sete ou oito anos.

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