Primeiro, retrospectivas do ano em geral vêm em janeiro. Portanto, desculpem, este ano as minhas serão agora em março. Mas, enfim, tradição é tradição – mesmo que seja de mim pra mim mesmo.

Como todos os anos, esta lista se refere apenas a filmes exibidos comercialmente nos cinemas de João Pessoa. E aproveito para fazer aquele balanço de todo ano. 398 filmes estrearam no Brasil em 2013. Em João Pessoa, foram 189 filmes (contra 179 em 2012) – 151 efetivamente em cartaz (contra 150 em 2012), mais 38 em eventos como o Festival Varilux de Cinema Francês (14), as duas mostras Noite de Estreia (18) e a mostra Fugindo do Carnaval (seis – esta, um evento que infelizmente já não se repetiu em 2014).

As mostras deram uma arejada no circuitão, mas, mesmo sem elas, o sinais de variedade continuam subindo. Considerando só os 151 filmes (ainda bem abaixo dos 165, recorde estabelecido em 2007), 70,2% são em língua inglesa (a participação diminuiu um pouquinho: foi 74% no ano passado), 21,2% em português (em 2012, foi 18%) e 8,6% em outras línguas (também subiu, era 7,3% no ano passado).

Vamos, então, aos meus dez melhores filmes de 2013, entre os que foram exibidos nos cinemas de João Pessoa, e pelos quais valeu a pena sair de casa, pagar estacionamento, enfrentar os mal-educados com seus celulares, etc:

Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, em "Amor"

Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant

1 – AMOR, de Michael Haneke

A secura habitual do diretor alemão a serviço do amor, desta vez. os octogenários Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva interpretam um casal cuja devoção é testada cruelmente pelos efeitos da velhice. Ganhou o Oscar e o Bafta de filme de língua não inglesa e a Palma de Ouro em Cannes.

Adam Driver e Greta Gerwig em "Frances Ha"

Adam Driver e Greta Gerwig

2 – FRANCES HA, de Noah Baumbach

Com um espírito que namora a Nouvelle Vague, o filme brilha também pelo humor cativante de sua protagonista, vivida e escrita por Greta Gerwig (co-roteirista, junto com o diretor). Frances não tem direito onde morar, não tem direito uma carreira, não tem direito um relacionamento. O filme mostra, então, a busca por um rumo. Crítica no Boulevard.

GRAVITY

Sandra Bullock

3 – GRAVIDADE, de Alfonso Cuarón

Poucas vezes um filme no espaço conseguiu reproduzir tão bem a sensação de não haver um “em cima” e um “embaixo”. E Sandra Bullock, atuando boa parte sozinha na tela, dá vida a uma bela metáfora do renascimento. Crítica no Boulevard.

Isabelle Allen e Hugh Jackman

Isabelle Allen e Hugh Jackman

4 – OS MISERÁVEIS, de Tom Hooper

O melhor musical dos últimos 40 anos (desde Cabaret) levou ao cinema o musical nascido na França partindo de uma técnica arriscada: os atores cantaram no set, deixando a emoção interferir na técnica de cantar. E deu muito certo, rendendo performances incríveis de Hugh Jackman, Anne Hathaway e Samantha Barks. Crítica no Boulevard.

Mads Mikkelsen e Annika Wedderkopp

Mads Mikkelsen e Annika Wedderkopp

5 – A CAÇA, de Thomas Vinterberg

O filme ético do ano. A vida de um bom homem em processo de destruição por uma mentira infantil. A narração exemplar de Vinterberg dribla habilmente o melodrama, mas não perde a emoção. Foi exibido no cinemas pessoenses em apenas um dia – em uma mostra chamada Fugindo do Carnaval, antes mesmo de entrar em cartaz para valer no país. Mostra que não retornou em 2014…

Gustavo Jahn e Irma Brown

Gustavo Jahn e Irma Brown

6 – O SOM AO REDOR, de Kléber Mendonça Filho

Diversas tramas paralelas formam um vigoroso painel da classe média brasileira e suas pequenezas herdadas das casas grandes e senzalas. Aclamado diversas vezes no Brasil e no mundo (entrou nos dez mais de um crítico do New York Times e nos 40 mais da revista FilmComment), passou primeiro em João Pessoa na mostra Noite de Estreia e depois entrou para valer em cartaz.

Chris Hemsworth e Daniel Brühl

Chris Hemsworth e Daniel Brühl

7 – RUSH – NO LIMITE DA EMOÇÃO, de Ron Howard

Os americanos costumam ligar mais para a chatice da Fórmula Indy, mas Howard soube captar bem a emoção da Fórmula 1 dos anos 1970, época em que, a cada corrida, os pilotos realmente arriscavam o pescoço. E extraiu um vibrante filme da rivalidade histórica entre o austríaco Niki Lauda e o inglês James Hunt.

Tom Hanks

Tom Hanks

8 – CAPITÃO PHILLIPS, de Paul Greengrass

Tom Hanks volta a ter um papel à altura de seu talento em uma história real narrada naquele tom de documentário no qual Greengrass é um especialista. Outro acerto é não ser ufanista: o filme dá plena voz aos piratas somalianos que tomam o navio americano do qual Phillips é o capitão. E reparem o medo quando ele descobre que os fuzileiros estão para “resolver” o caso.

Ben Affleck

Ben Affleck

9 – ARGO, de Ben Affleck

A trama de resgate de reféns americanos no Irã poderia ser mais uma se não fosse a excelente reprodução dos anos 1970 também no estilo e a piscadela sobre o mundo do cinema. Argo é também bem narrado demais, constrói um ótimo suspense em situações aparentemente banais e o clímax é o cinema falando de si mesmo.

Gael García Bernal

Gael García Bernal

10 – NO, de Pablo Larraín

Outro filme da mostra Noite de Estreia. A produção chilena também mimetiza um estilo da época de sua história: foi filmado em U-Matic, formato de vídeo do fim dos anos 1980. Uma boa sacada para um olhar político perspicaz a respeito da campanha pelo voto “não” no plebiscito sobre a permanência ou não do ditador Pinochet no poder.

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MAIS RETROSPECTIVA 2013:

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