Suzy Lopes comanda os saraus desde o início no Empório Café (foto: Bruno Vinelli)

Suzy Lopes comanda os saraus desde o início no Empório Café (foto: Bruno Vinelli)

Certamente ninguém diria que aquelas três moças que entraram no Empório Café em um dia de abril de 2005 e recitaram poemas de improviso para uma plateia que foi pega de surpresa estavam dando início ao que hoje já é uma tradição da programação cultural de João Pessoa. Nesse dia, Suzy Lopes, Mayana Neiva e Priscila Holanda resolveram fazer uma despedida para Mayana, que estava de partida para São Paulo. E hoje, o Café em Verso e Prova, sarau que Suzy Lopes levou à frente como um evento mensal, completa 9 anos.

E muito diferente daquele improviso do começo. Hoje, o sarau se tornou um cenário para manifestações artísticas das mais variadas – exposições, dança, shows de música, cenas teatrais, mas ainda ancorado pelas performances com base em poemas. Hoje, ainda no Empório Café (R. Coração de Jesus, Tambaú, João Pessoa), a partir das 20h, nove performances destes nove anos serão reapresentadas. Como sempre, com entrada franca.

Incluindo a primeiríssima, “Oferta aos novos que poetizam”, de Cora Coralina. Esta e “Chegada do Amor”, de Elisa Lucinda, e “Xerin Xeroso”, de autoria desconhecida, serão interpretados por Suzy Lopes. “Corpeses”, de Gustavo Limeira, será interpretado pelos atores Flávio Lira e Nyka Barros. Raquel Ferreira interpreta o poema “Cântico Negro”, de José Régio. “Arvore da Serra”, de Augusto dos Anjos, será interpretado pelo dramaturgo e encenador Paulo Vieira. “Suzy e o pirulito”, que a atriz Nyka Barros criou para Suzy, que comanda o sarau todas as noites, será apresentado pela própria Nyka. O ator Sávio Farias reapresenta a performance “Diana”, uma homenagem à música brega. E o ator e cantor Jorge Felix reapresenta a canção “Ne me quitte pás” à capela.

Mas como o sarau também é pautado pela interação entre as artes, com muitos convidados, também se apresenta a banda pernambucana Petrônio e as Criaturas. O cantor e compositor Petrônio Lorena responde pela voz, violão e caxixi; Guga Rocha por guitarra, bandolim, monotron e escaleta; Fernando S. pela guitarra; Ulisses Lenhador pelo baixo; e  Philippe Agra pela bateria. O grupo vai lançar o disco Ossos da Alma, espelhado na diversidade sonora que a banda prega, indo do fado ao rock.

Entre as performances e o show, há o momento em que o público pode também participar recitando os poemas que quiserem, um momento muito apreciado do evento, desde que ele começou a ser mensal. E não demorou, desde aquela primeira apresentação, para o convite do Café Empório chegar a Suzy Lopes.

“Um tempo depois, Patricia – que naquele tempo estava à frente do bar – me procurou pra gente passar a fazer um sarau uma vez por mês. E eu topei”, lembra a apresentadora. “Mas achava que seriam no máximo umas quatro edições”.

Nas primeiras edições, o público era formado basicamente pelos amigos da atriz. Mas o boca a boca sobre o evento como um espaço em que o público se divertia, se encantava e ainda podia contribuir participando, não demorou a acontecer. “Um ano depois, no sarau do dia dos namorados, quando cheguei estava tão lotado, tão lotado, que não tinha condição de me apresentar. Só se fosse pendurada nas telhas!”, conta Suzy. “E o sarau só começou depois de 23h quando muitas pessoas desistiram de esperar e foram embora. Lembro que nessa noite saí emocionada de lá, sabendo que a brincadeira tinha dado certo. Mas, mesmo assim, nunca imaginei um dia dar uma entrevista para a materia de quase uma década”.

Nessa edição já haviam exposições, evidenciando as mudanças pelas quais o sarau começava a passar. “Ele foi se transformando”, diz Suzy Lopes. “Na verdade, deixou de ser um sarau. É uma noite de arte”.

E foram mudanças que aconteceram naturalmente, sem muito planejamento. “Simplesmente eu comecei a chamar várias pessoas para participar comigo. Aí começou a ter participações de músicos, de fotógrafos, de dançarinas, de todo tipo de manifestação artistica. E acho que esse foi um grande ganho do evento”, diz ela.

De maneira bem espontânea, como foi a primeira noite. “Mayana ia embora pra São Paulo e eu, ela e Priscila Holanda combinamos de fazermos um sarau pra despedida”, recorda. “Não planejamos o lugar, e fina verdade não planejamos nada. E quando chegou o dia pensamos: ‘vamos pra onde?'”. Decidiram pelo Empório Café. “Era um bar de um amigo e não iríamos ser expulsas (risos). Chegamos e pedimos pra baixar o som (risos). E todo mundo se envolveu”.

Para os dez anos, no ano que vem, dois documentários começam a ser produzidos. Mas há uma comemoração que acontece antes, ainda: o Café em Verso e Prosa já passou das 90 edições; vem aí, este ano, a 100ª. Ao se dar conta, Suzy Lopes diz uma exclamação muito típica sua: “Passada!”.

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