APTOPIX Brazil Soccer WCup Uruguay England

Suarez: o universo reserva a hora certa para os heróis

Continuam aparecendo os personagens com os quais Nelson Rodrigues rechearia sua coluna “Meu personagem da semana”. Eu tenho mais algumas sugestões.

Que tal Klose? O atacante alemão ficou no banco assistindo sua Alemanha massacra Portugal por 4 a 0. “O que estou fazendo aqui?”, ele deve ter pensado. “Não precisam de mim”. Sua perspectiva deve ter sido a de ficar no banco pelos seis jogos seguintes até a glória final alemã.

No hotel, provavelmente pensou em fazer as malas e seguir para o Galeão dali mesmo. Se era para assistir, melhor seria que fosse em casa, com a narração do Galvão Bueno de lá em uma TV 50 polegadas, e com uma caneca de cerveja do lado. Mas resolveu esperar o segundo jogo e, para sua surpresa, viu Gana sair perdendo, mas empatar e virar o jogo contra a Alemanha.

Aí, ouviu o técnico chamar seu nome. Levantou, entrou, correu para a área por trás dos zagueiros e a bola veio imediatamente ao seu encontro. Ao empurrá-la com a sola do pé para as redes, tornou-se recordista de gols em copas, empatado com Ronaldo. E daí? Mais importante foi ter impedido a tragédia nacional completa. Klose está pronto para outra.

E Suarez? Também do banco ele viu ruir o castelo uruguaio contra a Costa Rica, que, no grupo da morte, tornou-se a matadora de campeões do mundo. Ainda recuperando-se de uma contusão, ele nada pôde fazer, a não ser sofrer.

Mas o universo reserva a hora certa para os heróis. E a hora certa era o jogo seguinte, contra a Inglaterra. Luizito Suarez, o homem que há quatro anos, no último minuto da prorrogação das quartas-de-final, salvou o Uruguai ao meter a mão na bola e impedir o desastre: com o gol, Gana se classificaria e eliminaria sua seleção. Tudo menos a derrota: Suarez meteu a mão na bola e foi expulso, mas impediu o gol e deu uma tênue chance ao Uruguai – se Gana perdesse o pênalti. E o cobrador de Gana não poderia fazer outra coisa, senão premiar o heroísmo adversário: chutou no travessão e o ato de Suarez não foi em vão – e será sempre lembrado.

Mas agora, a hora certa era o jogo com a Inglaterra. Faz um mês hoje que Luizito Suarez passou por uma cirurgia no joelho. Não fazia um mês no dia do jogo! Mesmo assim começou jogando e, 39  minutos depois, mostrou que Deus sorri para os heróis. Fez o gol que colocou os uruguaios na frente e, no segundo tempo, o gol de desempate.

Suarez chorou porque sabia o que tinha feito: tinha retornado dos mortos do futebol para salvar o Uruguai e, como em 2010, mantê-lo vivo para mais uma batalha.

Anúncios