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Famosos ‘quem?’

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema - e se dá bem

A Marvel já aposta em seu lado B no cinema – e se dá bem

No começo de Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, Estados Unidos, 2014; em cartaz em JP, CG e Patos), um personagem é preso é se apresenta com um dos codinomes mais pomposos do universo: “Starlord”. Mas a resposta é “Quem?” e, consciente ou não, isso dá o parâmetro de como essa nova produção com personagens da Marvel foi recebida pelos não iniciados na HQ, enquanto o filme ia sendo divulgado.

Também é uma demonstração, de saída, de que o filme vai combater isso com muito bom humor. E funciona: ninguém precisa saber nem de longe quem são Peter Quill (ou o tal Starlord, vivido por Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Drax, o Destruidor (Dave Bautista), Rocket (um guaxinim com voz de Bradley Cooper) e Groot (uma árvore ambulante com voz de Vin Diesel – cuja única fala é “I am Groot” repetidas vezes) para se interessar pelos personagens depois de apresentados e de firmada a relação entre eles.

Certamente, uma sacada que ajuda a aproximar o espectador é a abdução de Quill ainda criança nos anos 1980, mantendo as referências de seu tempo muito vivas com ele 20 anos depois, no espaço. Em vez das sinfonias de John Williams dando o suporte épico para viagens espaciais, a trilha desfila sucessos antigões com o pretexto de estarem na fita k7 que Quill leva consigo: de “Hooked on a feeling”, com Blue Swede, a “I want you back”, com o Jackson 5, canção esta que não deixa de apostar no desejo do público por uma continuação (que os créditos já fazem questão de anunciar). Assim, quando um local estranho e soturno é desbravado por Quill nos créditos de abertura, ele dançar ao som de “Come on and get your love”, do Redbone, deixa a plateia em casa, mesmo que a história seja nos confins do espaço.

O descompromisso com muita profundidade dramática e a determinação de não se levar a sério acabam ajudando bastante. Depois da ótima abertura, o filme patina um pouco até engrenar de novo, mas boas piadas conseguem sempre manter o nível. No fim, quando o mesmo personagem do começo (Djimon Hounsou que, como Glenn Close, não tem nada a fazer em termos de atuação aqui) reencontra Quill e o chama de Starlord, é sinal de que nós espectadores também já devemos saber também quem ele é.

Guardiões da Galáxia. (Guardians of the Galaxy). EUA, 2014. Direção: James Gunn. Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Djimon Hounsou, John C. Reilly, Glenn Close, Beniicio del Toro. Vozes: Bradley Cooper, Vin Diesel.

* Versão estendida de crítica publicada em julho no Correio da Paraíba.

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