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Chaves

Entre as histórias que gosto sempre de contar, está esta: em um certo final de ano, estava em um carro com amigos de Larissa – então só ainda minha namorada – e falávamos sobre o que ainda havia para ser feito até o fim do ano. O amigo que estava dirigindo – que, se não me equivoco, estava conhecendo naquela ocasião – disse algo como “Eu vou deixar tudo pra fazer no bolo do final do ano”. Eu respondi:

– Tudinho no montão do fim do ano?

Disse como uma das piadas mais internas de todos os tempos. Uma frase tirada de um único episódio de Chaves, da qual ninguém teria por que lembrar. Disse para o meu divertimento pessoal e secreto. No entanto, o que ouvi de volta foi:

– É isso! Era isso o que eu queria dizer!

Isso dá a dimensão de como a criação de Roberto Gomez Bolaños, o Chespirito, está enraizada no Brasil. Repito: uma única frase de um único episódio, que eu pensei que ninguém iria reconhecer e, no entanto, era a citação que o amigo estava tentando fazer. Devia ter suspeitado desde o princípio.

Ontem mesmo eu disse “Não se misture com essa gentalha, tesouro” para alguém (e também usei para uma amiga aecista, nas eleições). Não posso ouvir alguém me dizendo “Que milagre você por aqui!” sem responder (e não interessa se a pessoa vai entender ou não) “Vim lhe trazer esse humilde presentinho”. Quando eu cometo um erro bobo, sempre digo pra mim mesmo “Que burro! Dá zero pra ele”.

Este ano ChavesChapolim comemoraram 30 anos de exibição no Brasil. O SBT até tentou tirar Chespirito do ar algumas vezes, mas sempre foi vencido pela verdade dos fatos: nada do que colocava no lugar dava mais audiência do que os episódios reprisados à exaustão, já conhecidos em detalhes pelo público trintão e quarentão e que ainda divertia os menores que iam conhecendo o programa.

Eu acompanhei esses 30 anos de perto. E vi este ano a TV a cabo, onde desenhos modernosos e novíssimos costumam escantear os clássicos, render-se a Chespirito. ChavesChapolim passam não em um, mas em DOIS canais fechados: o TBS e o Boomerang. O horário é o começo da madrugada, o que não podia ser melhor para mim e outros adultos: depois de chegar do trabalho, em casa, já relaxado, o controle remoto sempre acaba parando sem querer querendo em um desses canais.

“Chiquinha, não me ajude!”, “Já chegou o disco voador” e “O senhor não vai morrer. Vão é matar o senhor” foram alguns bordões que Astier Basílio e eu contrabandeamos para as redações em que trabalhamos juntos. Também são frases de episódios isolados.

Assim como “É você, Satanás?”, “Aqui é apenas outro gato!”, “Que bonita a sua roupa”, “Aritmética ou geometria?”… Os bordões, claro, pegaram, muitos por repetição. Mas me espanta mesmo são essas frases ditas uma vez – ou algumas vezes em um único episódio – e que são (aí, sim, em episódios que vão e voltam há 30 anos) imediatamente reconhecíveis por tanta gente.

Também me lembro que, na universidade, o professor Carmelio Reynaldo defendeu a série (então, considerada por muita gente apenas como coisa de baixa qualidade) dizendo que os diálogos faziam brincadeiras inteligentes com a linguagem. Eu acho que, entre as quedas e golpes a la Tom & Jerry, tem mesmo muito isso.

– Chaves, o correto é “O Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– “Quico e eu”.
– Não, o senhor não estava.

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– O burro vai na frente.
– Pode passar.

Todo Seu Madruga mesclado com Che Guevara em uma camisa, toda menina chamada de Chiquinha quando faz maria-chiquinha no cabelo, todo refresco de tamarindo que alguém pergunta se tem sabor de groselha, todo aquele que sai no carnaval ou uma festa à fantasia vestido de Polegar Vermelho, toda vez que alguém dá uma dentro e diz “Não contavam com a minha astúcia” – tudo isso é um atestado à imortalidade do Chespirito, que assumiu esse apelido que deriva de “pequeno Shakespeare”.

Imortal quando era vivo, não vai ser a morte que vai atrapalhar. Afinal, é melhor morrer do que perder a vida.

Ray Charles e The Blues Brothers - Shake a tail feather

“Shake a tail feather”, Ray Charles e The Blues Brothers
De Otha Hayes, Verlie Rice e Andre Williams.

A canção é de 1963, lançada pelo grupo The Five Du-Tones. Mas esta versão é a de Ray Charles, com os Blue Brothers, em uma cena de Os Irmãos Cara de Pau (1980). Versão que vai desfilando um monte de estilos de dancinhas dos anos 1960.

Música de ontem: ‘Sweeter than fiction’, Taylor Swift

Taylor Swift - Sweeter than fiction

“Sweeter than fiction”, Taylor Swift
De Taylor Swift e Jack Antonoff
Álbum: One Chance – The Incredible True Story of Paul Potts: Motion Picture Soundtrack (2013)

Música do filme Apenas uma Chance, foi indicada ao Globo de Ouro de canção original. O filme conta a história real de um cantor de ópera amador que encontrou o sucesso ao participar do British Got Talent. Antonoff, guitarrista do Fun, disse que o filme tinha uma pegada John Hughes e isso o inspirou.

Música de ontem: “Meu caro barão”, Chico Buarque e os Trapalhões

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

Saltimbancos Trapalhões

“Meu caro barão”, Chico Buarque e Os Trapalhões
De Sergio Bardotti/ Luis Enriquez Bacalov/ Chico Buarque

Música da trilha de Os Saltimbancos Trapalhões (1981) é mais um encontro de um dos maiores compositores brasileiros e nosso mais querido grupo de comediantes. Os Trapalhões não são cantores, mas a música se enquadra bem ao quarteto, quase declamando a “carta datilografada” sem acentuação para seu patrão. Mas talvez por essas limitações a versão do disco tem menos Trapalhões e mais Chico do que a versão do filme.

E vale lembrar essas versão deste ano com Renato Aragão e o elenco de Os Saltimbancos Trapalhões no teatro:

Música anterior: “You’re so vain”, Carly Simon

Carly Simon - You're so vain

“You’re so vain”, Carly Simon (2010)
Álbum: No Secrets (1972) e Never Been Gone (2009). Direção: Brett Bisogno.

A canção de Carly Simon (uma das minhas preferidas de todos os tempos) foi lançada em 1972 e nunca teve um clipe oficial. Mas em 2010 o site da cantora criou um concurso para a criação do clipe, disponibilizando a imagem de Carly interpretando a música em tela verde para ser usada pelos candidatos. O vencedor mesclou a canção original de 1972 e a nova versão de 2009. Basicamente segue um homenzinho engraçado (o próprio diretor) que anda dançando e lembra uma mistura de Zach Galifianakis, o ministro dos passes engraçados do Monty Python ou o Animando do Marcos Magalhães.

Clipe anterior: “What’s your sign”, Des’Ree

Des'Ree - What's your sign-03

“What’s your sign?”, Des’Ree (1998)
Álbum: Supernatural. Direção do clipe: Mike Lipscombe.

Uma câmera que desfila em cenários com cores modificadas para sépia, na maioria em planos-sequência, com velocidade mais lenta. E a bela cantora britânica entrando e saindo de cena até o final metalinguístico.

Clipe anterior: “Oh father”, Madonna
Meus 40 clipes preferidos

Top 5 - 11.12

Com três semanas de votação, a foto acima traz o top 5 até agora. Já chegamos à lista de março e, com ela, chegam mais filmes que concorreram ao Oscar deste ano. E 12 Anos de Escravidão estreia assumindo a segunda posição, a o,05 de distância do líder O Lobo de Wall Street. O filme de Scorsese permanece na frente porque sua média melhorou.

Confira a classificação com os 23 filmes que até agora atingiram o quórum mínimo de quatro notas:

O Lobo de Wall Street – 4,25
12 Anos de Escravidão – 4,2
Blue Jasmine – 4
Azul É a Cor Mais Quente – 3,818
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,769 

O Menino e o Mundo – 3,75
Tatuagem – 3,6
Trapaça – 3,416
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Uma Aventura Lego – 3,333

Caçadores de Obras-Primas – 3,142
RoboCop – 3,142
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,133
A Menina que Roubava Livros – 2,75
Confissões de Adolescente – 2,75

Ninfomaníaca – Volume 2 – 2,571
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,4
Morro dos Prazeres – 2,25
Alemão – 2,25
47 Ronins – 2,166

Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,75
300 – A Ascensão do Império – 1,75
Rio 2 – 1,75

Quatro filmes estão com três notas, pertinho de integrar a lista: Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal; Tarzan – A Evolução da Lenda; Caminhando com Dinossauros; Frankenstein – Entre Anjos e Demônios; S.O.S. – Mulheres ao Mar

A lista de abril já está no ar, com esses filmes abaixo e outros.

04 - abril

PARA VOTAR: Qualquer um pode participar. Basta dar suas notas para todos os filmes da relação que você viu. As listas são divididas por meses, postadas uma por semana. Não há prazo: você pode votar nas listas anteriores e também acrescentar notas a filmes que só viu depois. Há três locais para votar: os comentários da página da votação aqui no blog, o álbum de fotos no meu perfil do Facebook, o álbum de fotos no perfil do Boulevard no Facebook.

Estreias 11.06

Interestelar, de Christopher Nolan, Uma Viagem Extraordinária, de Jean-Pierre Jeunet, Mil Vezes Boa Noite, com Juliette Binoche, Made in China, com Regina Casé, November Man – Um Espião Nunca Morre, com Pierce Brosnan, e a animação A Mansão Mágica são as seis estreias de hoje nos cinemas paraibanos. Confira mais sobre eles, sobre os demais filmes em cartaz, locais, horários e trailers na nossa página de Programação dos cinemas.

03 - março

Tem gente que já sabe, mas quem não sabe que fique sabendo: já começou a eleição dos Melhores do Ano 2014.

Quem já votou nas oito edições anteriores saber como é: todo mundo pode participar, dando notas para todos os filmes que estão nas relações de estreias de cada mês (a lista é referente às estreias em João Pessoa, mas podem participar pessoas de qualquer lugar).

A cada semana, a listas de um mês é postada aqui ou aqui. Hoje entrou a de março. Janeiro e fevereiro já renderam apuração, atualizada semanalmente (ou não, se eu não puder manter o ritmo).

Com duas semanas e a lista de janeiro e fevereiro, 12 filmes conseguiram as quatro notas mínimas para classificação. Scorsese lidera, com Woody Allen em segundo:

Top 5 - 11.03

O Lobo de Wall Street – 4,2
Blue Jasmine – 4,062
Tatuagem – 3,875
Uma Aventura Lego – 3,8
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,666

RoboCop – 3,5
Trapaça – 3,3
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,23
Caçadores de Obras-Primas – 3,2
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,75

A Menina que Roubava Livros – 2,714
47 Ronins – 2,25

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Apenas começando

Chaplin, ainda sem ser Carlitos

Chaplin, à direita, ainda sem ser Carlitos

A estreia de Charles Chaplin no cinema (não o primeiro que rodou, mas o primeiro que chegou às telas) foi aqui, em Carlitos Repórter. O título brasileiro parece ser maroto, já que o comediante não faz aqui seu famoso personagem, o Vagabundo. Mas provavelmente é só porque “Carlitos” na época era um abrasileiramento do nome de Charles Chaplin mesmo (Charlie, Carlitos). Chaplin interpreta um fanfarrão que disputa com outro sujeito uma moça e, depois, um emprego em um jornal.

Muito corre-corre e muita briga no humor típico da Keystone, ainda nos primórdios da linguagem cinematográfica (quase todos os planos são mostrando o ambiente inteiro e todo mundo de corpo inteiro, não há closes). Nesse momento do curta, uma piada que mostra que a visão sobre o jornalismo continua em muitos aspectos a mesma desde então: acontece um acidente de carro não fatal e o repórter chega primeiro à vítima – mas em vez de socorrê-la, ele chega antes é para tirar uma foto e conseguir umas falas dela. Chaplin já mostra em alguns momentos as expressões que usaria muito no verdadeiro Carlitos.

Carlitos Repórter (Making a Living, Estados Unidos, 1914). Direção: Henry Lehrman (sem crédito). Elenco: Charles Chaplin, Henry Leehrman, Minta Durfee.

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