A coisa com a que mais discordo no Globo de Ouro é essa separação entre “drama” e “musical ou comédia”. A separação em “drama” e “comédia” por si só pode ter o pretexto de dar mais visibilidade à comédia, sempre preterida pelo drama nessa premiações (por exemplo, sabe qual foi a última comédia a ganhar o Oscar de melhor filme? E o melhor ator em uma comédia? E a melhor atriz? Pensa aí).

Porém, o que essa separação realmente faz é criar um gueto para a comédia. Repare como o “grande vencedor” do Globo é sempre o que ganha na categoria “drama”. A comédia fica sendo como uma segunda divisão, menos importante.

Pior é colocar “musical ou comédia”. Por que os musicais deveriam concorrer com as comédias? Se há uma sepração entre “drama” e “comédia”, por que Os Miseráveis, um musical dramático, deve disputar um prêmio de melhor filme com Moonrise Kingdom, uma comédia? O resultado: Os Miseráveis ganhou, fazendo com que dois dramas (e nenhuma comédia) tenham sido premiados como melhor filme no Globo de Ouro do ano passado.

O que mostra, de novo, que a comédia é desprezada.

Isto posto, vamos conhecer os cinco indicados a melhor filme/ musical ou comédia no Globo de Ouro 2015 (lista completa no IMDb):

Globo de Ouro - filme comédia

FILME/ MUSICAL OU COMÉDIA: Birdman; O Grande Hotel Budapeste; Um Santo Vizinho; Caminhos da Floresta; Pride.

Birdman, do espanhol Alejandro González-Iñarritú, tem Michael Keaton como um ator famoso por interpretar um super-herói e desistiu de voltar para um quarto filme para se reinventar dirigindo uma peça na Broadway. O filme gira em torno da acidentada noite de estreia, onde ele deve lidar com seu passado, sua filha, um ator difícil, um crítico do New York Times. O filme tira proveito da metalinguagem, afinal todo mundo lembra que Michael Keaton foi o Batman nos dois filmes de Tim Burton em 1989 e 1992 e sua carreira não demorou a desandar depois disso. Indicado também a melhor direção, ator/ musical ou comédia (Keaton), ator coadjuvante (Edward Norton), atriz coadjuvante (Emma Watson), roteiro (Iñarrituú, Nicolás Giacobone, Alexander Dinelaris e Armando Bo) e trilha sonora original (Antonio Sanchez). Estreia no Brasil: 22 de janeiro.

O Grande Hotel Budapeste é a nova joia de Wes Anderson. O filme se passa numa Europa imaginária, em um hotel no entre-guerras, onde o conciérge (Ralph Fiennes) e seu novo boy (Tony Revolori) se veem às voltas com uma pintura renascentista roubada e a fortuna de uma família em jogo. Tem todas as qualidades dos melhores filmes de Anderson: seus planos muito particulares e simetricamente rigorosos, aquela mistura de comédia maluca e atmosfera de contos-de-fadas e um elenco impressionante (Willem Dafoe, Saoirse Ronan, Harvey Keitel, Edward Norton, Jude Lawm Bill Murray, Tilda Swinton, Léa Seydoux…). Indicado também a direção, ator/ musical ou comédia (Fiennes) e roteiro (Anderson). Estreou no Brasil em julho, mas vergonhosamente para os exibidores locais não entrou em cartaz em João Pessoa.

Um Santo Vizinho é a estreia na direção de longas de Theorore Melfi, com Bill Murray no papel principal. Fala da amizade de um garoto de 12 anos cujos pais acabaram de se separar com o vizinho do lado: um misantropo e hedonista veterano da Guerra do Vietnã. O elenco ainda tem Melissa McCarthy, Naomi Watts e Rafinha Bastos. Ok, não é o Rafinha Bastos, mas o padre-professor do trailer parece muito com ele! Indicado também a ator/ musical ou comédia. Estreia no Brasil prevista só para 5 de fevereiro.

Caminhos da Floresta é de Rob Marshall (de Chicago, 2003), baseado no musical de Stephen Sondheim, que estreou na Broadway em 1987. Um padeiro e sua esposa, sem filhos e amaldiçoados por uma bruxa, precisam procurar ítens mágicos dos contos-de-fadas. E aí encontram Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, Rapunzel, João (do pé de feijão) e outros dos irmãos Grimm. Meryl Streep é a bruxa, Emily Blunt é a esposa do padeiro, Anna Kendrick é Cinderela, Johnny Depp é o Lobo Mau.  Indicado também a atriz/ musical ou comédia (Emily) e atriz coadjuvante (Meryl). Estreia no Brasil em 29 de janeiro.

Pride, de Matthew Warchus. A história de um grupo de ativistas gays que apoiam os mineiros na greve em que enfrentaram o governo de Margaret Thatcher na Inglaterra de 1984 – com os mineiros ficando bem relutantes em receber tal apoio. Bill Nighy e Imelda Staunton estão no elenco. Ainda sem estreia prevista no Brasil.

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