A lista seria de covers que conseguem reinventar uma música e melhorá-la? Ou só torná-la diferente? Ou só continuar muito boa? Eu não fecho em nenhum critério. Há um pouco de tudo isso nessa lista de música que adoro. O que elas têm em comum: são minhas versões preferidas e não são as originais (embora algumas pareçam ser).

10. “MORE THAN THIS”, 10,000 Maniacs (1997).
Autor: Bryan Ferry. Gravação original: Roxy Music (1982).

O primeiro single do último álbum do Roxy Music, antes de Bryan Ferry partir para a carreira solo voltou às paradas com a ótima e delicada versão do 10.000 Maniacs, estreando uma vocalista nova: Mary Ramsey no lugar de Natalie Merchant.

9. “BETTE DAVIS EYES”, Kim Carnes (1981)
Autoras: Donna Weiss, Jackie DeShannon. Gravação original: Jackie DeShannon (1974)

A versão de Kim Carnes é hoje tão mais conhecida, que mal se sabe que ela é um cover da original de Jackie DeShannon, também ótima e mais próxima de um swing sinatriano.

8. “ALWAYS ON MY MIND”, Pet Shop Boys (1987)
Autores: Johnny Christopher, Mark James e Wayne Carson. Gravação original: Brenda Lee (1972)

A canção de amor country foi reinventada para o sinthpop do Pet Shop Boys. Esta é uma daquelas canções que tem várias versões ótimas, com destaque também para a de Elvis Presley e a de Willie Nelson.

7. “SUSPICIOUS MINDS”, Elvis Presley (1969)
Autor: Mark James. Gravação original: Mark James (1968)

A gravação do próprio compositor não fez sucesso e ela foi oferecida a Elvis. Virou um clássico. Depois, nos anos 1980, o Fine Young Cannibals também regravou.

6. “COMO NOSSOS PAIS”, Elis Regina (1976)
Autor: Belchior. Gravação original: Belchior (1976)

Belchior lançou a música em seu disco de 1976, Alucinação. No mesmo ano, Elis a incluiu no seu show Falso Brilhante e o poder de sua interpretação extraordinária elevou a canção à imortalidade.

5. “SINGIN’ IN THE RAIN”, Gene Kelly (1952)
Autores: Arthur Freed e Nacio Herb Brown. Performance original: Doris Eaton Travis (1929)

Doris Eaton Travis cantou primeiro a canção no palco, em The Hollywood Music Box Revue. Cliff Edwards (o Ukelele Ike) com as Brox Sisters foram dos primeiros a gravá-la, no filme The Hollywood Revue of 1929. Depois Judy Garland (em Um Amor de Pequena, 1940) e Doris Day a regravaram, entre muitos outros. Mas, claro, nenhuma é mais célebre que a de Gene Kelly para Cantando na Chuva, filme criado para desfilar as composições de Freed (produtor do grandes musicais da Metro, inclusive este) e Herb Brown.

4. “I’VE GOT YOU UNDER MY SKIN”, Frank Sinatra e Bono (1993)
Autor: Cole Porter. Gravação original: Virginia Bruce (1936)

Essa canção de Cole Porter foi lançada no filme Nasci para Dançar, com Eleanor Powell, e foi cantada de um jeito meio operístico por Virginia Bruce para James Stewart. Sinatra a cantou pela primeira vez no rádio em 1946. Em 1956, surgiu sua antológica versão com arranjos estilo big band de Nelson Riddle. São os arranjos usados no disco Duets, de 1993, onde Old Blue Eyes divide os vocais com Bono Vox.

3. “GIRLS JUST WANT TO HAVE FUN”, Cyndi Lauper (1983)
Autor: Robert Hazard. Gravação original: Robert Hazard (1979)

É surpreendente encarar o fato de que “Girls just want to have fun” não veio ao mundo pela voz de Cyndi Lauper. Mas o primeiro a gravá-la foi o próprio compositor Robert Hazard, em 1979. Mas isso perdeu-se na história: a canção nasceu mesmo na versão de Cyndi, indicada ao Grammy de gravação do ano e performance vocal pop feminina do ano, e regravada por mais de 30 artistas depois.

2. “TWIST AND SHOUT”, The Beatles (1962)
Autores: Phil Medley e Bert Berns. Gravação original: Top Notes (1961)

Quando a canção foi gravada pela primeira vez ainda era chamada “Shake it up, baby” e era esquisitamente diferente (Medley reclamou muito da produção de Phil Spector). Os Isley Brothers colocaram a canção no mapa com sua gravação de 1962, já do jeito que a conhecemos (e produzida por Medley). E, no ano seguinte, os Beatles tomaram posse dela para sempre. Foi a última faixa do primeiro LP do grupo, registrada no fim de uma sessão de 11 canções gravadas em 10 horas. O efeito disso e do frio do estúdio é audível na voz de John Lennon que, com tudo isso, entregou uma performance definitiva.

1. “TURN, TURN, TURN (TO EVERYTHING THERE IS A SEASON)”, The Byrds (1965)
Autor: Peter Seeger. Gravação original: The Limeliters (1962)

Seeger tirou quase toda a música do Livro do Eclesiastes, da Bíblia. O grupo folk Limeliters lançaram a música, meses antes da versão do próprio Seeger. Marlene Dietrich a regravou em alemão em 1963 (como “Glau, glau, glau”)! Mas em 1965, foi o grupo The Byrds que a tornou um hit internacional com sua versão definitiva e insubstituível, melancólica e admirada pela existência humana na Terra.

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