A vilã é um achado visual, mas os excessos atrapalham

Sem borda - 2,5 estrelas

Preguiça amarela

Tendo roubado a cena nos dois Meu Malvado Favorito (2010 e 2013), os ajudantes amarelos do vilão Gru ganharam alguns curtas só para eles e, agora (como Os Pinguins de Madagascar), um longa: Minions (Minions, Estados Unidos, 2015). Eles continuam uma graça, é verdade, e por isso é uma pena que o filme de Kyle Balda e Pierre Coffin, ache na maior parte do tempo que só isso basta.

Há boas ideias no filme, mas quase sempre exploradas com preguiça ou sufocadas por piadas irregulares. É um bom começo, por exemplo, os minions através do tempo, com vários vilões. É algo que poderia tomar mais tempo, mas fica só na introdução.

Ok, situar a trama em 1968 é um grande achado visual. O filme capricha no cenário e lota a tela de referências culturais (a maioria óbvias e citadas sem muita inspiração). O design da vilã Scarlett Overkill, em particular, é ótimo. Mas a personagem – dublada por Sandra Bullock no original e por Adriana Esteves na versão nacional – é cheia de excessos na tentativa de, na marra, ser mais engraçada. O nome dela contém “over”, mas não é necessário ir longe demais nisso. A dupla de cineastas e seus roteiristas ganhariam muito descobrindo que muitas vezes menos é mais.

Há, por exemplo, aquela família que dá carona aos minions para a convenção de vilões em Orlando. Uma subtrama péssima, histérica, sem qualquer graça (e com seus personagens irritantes ainda voltando depois de sua pouca utilidade na trama ter encerrado). É só um dos aspectos de um filme preguiçoso, que vai sempre pelo caminho que parece mais fácil.

Brigando com tudo isso estão os próprios minions: o trio Stuart, Kevin e Bob, designado para deixar o refúgio da raça e procurar seu próximo vilão a servir. E eles fazem o que podem: desfilam charme por entre algumas piadas boas e outras francamente óbvias demais e evitam, pelo menos, que o filme seja uma completa perda de tempo.

Minions. Minions. Estados Unidos, 2015. Direção: Pierre Coffin, Kyle Balda. Vozes na dublagem original: Sandra Bullock, Jon Hamm, Michael Keaton, Allson Janney, Steve Coogan, Jennifer Saunders, Steve Carell. Narração: Geoffrey Rush. Vozes na dublagem brasileira: Adriana Esteves, Vladimir Brichta.

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