Este ano marca os 75 anos do Pernalonga. Para celebrar, já apresentei aqui um top 10 dos desenhos do coelho dirigidos por Chuck Jones, seu maior mestre. Agora, vamos a mais dez antológicos curtas do personagem, um top 10 de seu outro grande diretor: Isadore “Friz” Freleng. Seu começo na animação data dos anos 1920 e ele chegou ao seu auge na mesma época em que Jones: com os curtas do coelho nos anos 1940 e 1950. Seguem os meus 10 preferidos (quatro deles com o Eufrazino!):

“Mutiny on the Bunny” (1950)

10. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Friz Freleng gostava muito de usar o Eufrazino como adversário do Pernalonga. Os cenários podiam mudar e ser, por exemplo, em alto-mar, em que o bigodudo contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio.

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Hare Brush

“Hare Brush” (1955)

9. HARE BRUSH/ TROCA DE SORTE (1955)

Hortelino, louco, pensa que é um coelho. Engana o Pernalonga para ficar em seu lugar no hospital. O coelho, então, é confundido pelo psicólogo (“É o pior caso que já vi!”) e é hipnotizado para voltar a ser o Hortelino. E, como tal, vai á caça do coelho. Basicamente é uma piada só: ver um personagem se comportando como o outro, uma espécie de vingancinha que Freleng proporcionou ao Hortelino, Mas quem resiste à frase “Eu sou Elmer, o milionário. Possuo uma mansão e um iate”?

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Rhapsody Rabbit

“Rhapsody Rabbit” (1946)

8. RHAPSODY RABBIT/ CONCERTO SEM DÓ (1946)

Todo desenho clássico que se preza tem algum curta envolvendo música clássica. Mickey e Donald têm Mickey, o Maestro (The Band Concert), de 1935. Tom & Jerry têm The Cat Concerto (1947). Pernalonga tem vários deles, de maneiras diferentes, e um dos grandes é este, que coloca o coelho como pianista sofrendo para apresentar uma obra de Liszt (plot semelhante a The Cat Concerto, que veio depois).

Assista com som original.

Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

7. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Little Red Riding Rabbit” (1944)

6. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

Assista com o som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

5. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente realmente à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

Assista com o som original.

“A Hare Grows in Manhattan” (1947)

4. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

Assista com o som original.

“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é curiosamente chamado de Schultz.

Assista com o som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Slick Hare/ O Coelho do Dia/ Coelho Saliente (1947), em que o coelho e Hortelino aprontam confusões em um restaurante cheio de estrelas de Hollywood; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes.

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Assista com a dublagem originalAssista com a dublagem da Cinecastro

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