Ah, o Oscar é uma festa chata e longa, blá-blá-blá. Pra mim, nunca foi. Sempre me diverti e acho que alguns grandes momentos compensam os muitos “pro meu pai, pra minha mãe e pra você” dos discursos. Vamos a 10 dos meus momentos preferidos da cerimônia do Oscar (e que fique claro que alguns eu li sobre e depois pude vê-los via YouTube. Não sou tão velho).

10. MICHAEL MOORE: ‘QUE VERGONHA, SENHOR BUSH’

Em 2002, todos já esperavam a vitória de Tiros em Columbine como melhor documentário. O suspense estava no discurso que o combativo cineasta Michael Moore faria. E ele não decepcionou: ‘Fazemos não-ficção em um um tempo em que temos resultados eleitorais fictícios, que elegeram um presidente fictício, que nos manda para uma guerra por motivos fictícios. Que vergonha, Senhor Bush!’. Depois de sair do palco, o apresentador Steve Martin emendou: ‘Michael Moore foi visto sendo colocado no porta-malas de um carro ali fora’.

9. A COMÉDIA DE BLAKE EDWARDS 

Em 2004, o cineasta Blake Edwards (de, entre outros, os filmes da série A Pantera Cor-de-Rosa) foi homenageado com um Oscar honorário. Entrou no palco de cadeira de rodas, por causa da perna engessada. E…

8. KAZAN CAUSA CONTROVÉRSIA

A decisão da Academia de conceder um prêmio pelo conjunto da obra ao grande Elia Kazan, em 1999, foi polêmica porque muita gente não perdoou o cineasta por ter dedurado colegar ao Comitê de Atividade Antiamericanas, na asquerosa caça às bruxas do macartismo, nos anos 1950. Teve gente que aplaudiu de pé, gente que aplaudiu (mas não de pé) e gente que cruzou os braços.

7. STANLEY DONEN SAPATEANDO

Um dos mestres dos musicais americanos, Stanley Donen foi premiado por um Oscar honorário em 1997. Ele não só agradeceu: cantou e sapateou “cheek to cheek” com a estatueta. Maravilha!

6. O NÚMERO DE ABERTURA DE HUGH JACKMAN

Os números de musicais de abertura do Oscar variam de qualidade, mas o de 2009 surpreendeu: muita gente não conhecia o talento para musicais de Hugh Jackman (mestre de cerimônias naquele ano). Ele apresenta os indicados do ano em um antológico número “sem recursos”.

6. DAVID NIVEN E O HOMEM NU

Foi em 1974. David Niven era o mestre de cerimônias e estava apresentando Elizabeth Taylor quando um homem nu passa correndo pelo palco. Niven não perdeu o rebolado: “Não é fascinante pensar que, provavelmente, a única risada que este homem vai conseguir em sua vida é por tirar a roupa e mostrar suas deficiências?”. E Liz, quando entra: “Um ato muito difícil para entrar na sequência”.

5. INGRID BERGMAN SE DESCULPA COM VALENTINA CORTESE

Em 1975, Ingrid Bergman ganhou seu terceiro Oscar, o de coadjuvante por Assassinato no Orient Express. Mas muita gente achava que Valentina Cortese deveria vencer, por A Noite Americana. Ingrid também.

3. A AMÉRICA PEDE PERDÃO A CHAPLIN

Nos anos 1950, Charles Chaplin (Charles Chaplin!) foi praticamente escorraçado da América no período da infame caça às bruxas do macartismo. 20 anos depois, em 1972, ele retorna, para, emocionadíssimo, ser homenageado com um Oscar pelo conjunto da obra e receber uma das maiores ovações da história do prêmio. Era uma maneira da América pedir perdão a um dos maiores cineastas da história.

2. WOODY ALLEN HOMENAGEIA NOVA YORK

Woody Allen já ganhou quatro Oscars e foi indicado outras 16 vezes, mas nunca compareceu à cerimônia. Quando os prêmios eram entregues às segundas, a desculpa brincalhona dele é de que segunda era justamente a noite em que tocava clarinete com sua banda de jazz. Mas ele esteve presente em uma cerimônia, pela primeira e única vez: a de 2002, ano em que o Oscar prestou uma homenagem a Nova York após os atentados de 11 de setembro. E Allen deu um show, fazendo uma brilhante apresentação de stand-up: “Quando me ligaram e disseram que era da Academia, entrei em pânico imediatamente achando que queriam meus Oscars de volta”.

 

1.  A RECUSA DE MARLON BRANDO

Era a volta por cima de Marlon Brando. Depois de ter que fazer um teste para o papel de Don Corleone em O Poderoso Chefão, seu segundo Oscar de melhor ator em 1973. Mas o controverso ator não estava lá. Em seu lugar, mandou a índia Sacheen Littlefeather (que depois, soube-se, era uma atriz interpretando uma índia) recusar a estatueta em seu nome e ler uma declaração sua protestando contra a maneira como os nativos americanos eram tratados pela indústria cinematográfica.

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