O editor Sidney Gusman divulgou hoje as primeiras imagens de Papa Capim – Noite Branca, a 11ª Graphic MSP e a primeira de 2016. Para celebrar (mentira, eu já pretendia publicar isso antes), resolvi fazer meu top 10 da série até agora. É preciso duas observações. Primeiro, é claro que, se tem só 10, nenhuma ficou de fora. Segundo, o nível de todas vai, pra mim, de muito boas a excelente.

Top 10 Graphic MSP - Muralha

10. TURMA DA MATA – MURALHA (2015)

Com a pegada de uma HQ de ação e aventura, Muralha é interessante, tem bom ritmo e criou uma bom ambientação, mas acho que acabou se distanciando demais dos personagens originais, pouco reconhecíveis em seu novo formato. Muitos deles estão mais para clichês genéricos de personagens de filmes de ação (o que é evidenciado em muitos dos diálogos). A HQ é de Artur Fujita (roteiro), Roger Cruz (arte) e Davi Calil (cores).

 

 

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9. ASTRONAUTA – SINGULARIDADE (2014)

A segunda incursão de Danilo Beyruth pelo universo do Astronauta (com perdão do trocadilho) resolveu expandir sua versão, incluindo outros personagens. É uma ótima trama de ficção científica, mas minimizou-se aquilo que é uma das principais características do personagem:a solidão.

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8. PENADINHO – VIDA (2015)

A trama sensível de Paulo Crumbim e Cristina Eiko mistura elementos da ficção de horror com ecos de rock pesado e estética influenciada pelo mangá. A história usa os personagens de Mauricio de Sousa praticamente como eles são nos quadrinhos tradicionais.

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7. CHICO BENTO – PAVOR ESPACIAR (2013)

Esta pode ser a Graphic MSP que mais tem “a cara” de seu autor. É uma HQ muito do Gustavo Duarte, seguindo firme em seu estilo puramente visual (aqui abrindo exceções para alguns balões). Sendo assim, é um deleite para os olhos, com seus traços limpos e cartunescos e quadros cheios de detalhes e referências.

 

 

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6. BIDU – CAMINHOS (2014)

Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho optaram por uma “história de origem”: como Bidu e Franjinha se conheceram. Do ponto de vista do cãozinho, mas com a difícil missão de trazer os diálogos entre os bichos “traduzidos” em desenhos dentro dos balões, como em tantas histórias “mudas” do Mauricio. As onomatopeias muito integradas à ação são um charme a mais na narrativa.

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5. PITECO – INGÁ (2013)

Shiko fez uma bela adaptação do personagem pré-histórico de Mauricio, conseguindo muitas soluções ótimas para as referências originais. E construiu uma narrativa de ação que funciona muito bem, emoldurada por suas ilustrações deslumbrantes.

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4. TURMA DA MÔNICA – LAÇOS (2013)

Coim uma forte pegada Goonies, Vitor e Lu Cafaggi conta uma aventura com os quatro principais personagens de Mauricio. O resultado é exatamente o que se espera dos dois: humor e ternura combinando perfeitamente. Enquanto Vitor desenhou a ação “no presente”, colorida, Lu ficou com os fofíssimos flashbacks que imaginam como o quarteto se conheceu, praticamente ainda bebês.

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3. LOUCO – FUGA (2015)

A mais recentes das Graphic MSPs (até o lançamento de Papa-Capim – Noite Branca), a obra de Rogério Coelho ao mesmo tempo estabelece uma linha narrativa para o mais surrealista personagem do universo mauriciano (criado pelo irmão dele, Márcio) e subverte a narrativa (o personagem atravessa quadrinhos e ressignifica viradas de páginas). E ainda desenvolve metáforas metalinguísticas com a trajetória das próprias criações de Mauricio e do próprio selo Graphic MSP, servindo como o fechamento simbólico de um ciclo para as dez primeiras edições da série.

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2. ASTRONAUTA – MAGNETAR (2013)

A primeira das Graphic MSP é uma aula de como se pode fazer uma grande história de aventuras para todas as idades (coisa que DC e Marvel parecem ter esquecido há tempos). Danilo Beyruth, de quebra, tira proveito da maior característica do Astronauta, sua solidão estelar, e a leva a consequências inéditas para o personagem. E abre a trama já com uma reinvenção: um background do personagem, mostrando sua relação com o avô.

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1. TURMA DA MÔNICA – LIÇÕES (2015)

Os irmãos Vitor e Lu Cafaggi se superaram em Lições. Se Laços jogava a Turma da Mônica em uma aventura, Lições enfrenta desafios narrativos ainda maiores: é basicamente uma comédia dramática que se passa exclusivamente no cotidiano do quarteto. Os Cafaggi fazem de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali seus personagens e ao mesmo tempo não se afastam quase nada das criações originais de Mauricio de Sousa – um equilíbrio difícil. Os flashbacks de Lu estão mais integrados à narrativa “no presente” de Vítor. E, ao separar os personagens por boa parte da história, a trama reforça a união entre eles. E a página final é nada menos do que uma obra-prima.

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