Batman V. Superman: Dawn Of Justice

Ben Affleck e Henry Cavill: a luta do título tem motivo tolo e sua resolução virou piada

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, o primeiro encontro no cinema dos  dois principais super-heróis dos quadrinhos, é um filme cheio e vazio ao mesmo tempo.  É soterrado por referências a histórias clássicas dos personagens, mas faltou uma história que as ligasse bem. É repleto de ideias de tramas, mas não consegue desenvolver razoavelmente bem uma sequer.

Com Zack Snyder novamente na direção, os personagens da DC Comics voltam a sofrer com a mão pesada do diretor (como O Homem de Aço já havia sofrido em 2013). Dedicado a imprimir um visual de impacto, Snyder é muito pobre de narrativa – suas câmeras lentas em excesso e gratuitas já viraram uma marca do diretor, mas uma marca negativa.

Criatividade também não é o seu forte: ele tem fervor em copiar grandes momentos dos gibis, mas não em transformá-los em grandes momentos cinematográficos. Basicamente, fica na xerox. Aqui, há citações de Batman, o Cavaleiro das TrevasCrise nas Infinitas TerrasA Morte do Super-Homem e outras, mas parecem espalhadas a esmo.

Várias só farão sentido lá na frente, nos próximos filmes e se revelam incompreensíveis para quem não é íntimo do material original nos quadrinhos. E um pouco disso também vale para as cenas brevíssimas em que aparecem outros heróis (Flash, Ciborgue e Aquaman), algo tão gratuito que, se retirado do filme, não faria a menor falta.

E quando Snyder inventa, se sai ainda pior. O exemplo mais claro aqui é o Lex Luthor vivido por Jesse Eisenberg, uma “atualização” que o transformou em um sub-Mark Zuckerberg (que Eisenberg interpretou em A Rede Social, vocês sabem).

Atualização, aliás, em termos. Depois de leitores de HQ chatos reclamarem por anos a fio do Luthor cômico de Gene Hackman nos filmes do Super-Homem dos anos 1970/ 1980, e de sua releitura por Kevin Spacey em Superman – O Retorno, este filme traz um… Luthor engraçado? Ainda não deu para entender qual a intenção do filme com isso.

O filme não é uma perda total. Há um ou outro momento interessante, ou, como está no começo do texto, premissas boas mal desenvolvidas. O conflito central entre Batman e Superman é pífio. A explicação não convence e a luta em si menos ainda, acontecendo por um motivo tolo e podendo ser evitada por uma frase banal.

Sem falar na já famosa resolução do conflito, uma originalmente boa sacada totalmente desperdiçada por falta de um roteiro minimamente inteligente: uma palavra dita de maneira incrivelmente forçada resolve o assunto e muda o status de “ameaça à humanidade” para “amigo”. Acabou virando piada (e com justiça, é uma cena péssima). Essa pressa está presente em muitos momentos, e pode refletir o excesso de ideias (e seu mal aproveitamento). O desfecho do filme, por exemplo, usa uma carta grande como uma ejaculação precoce.

Curiosamente, a vontade de ser épico o leva a uma contradição: mesmo com a pressa, a edição não sabe como terminar o filme, com alguns incômodos “falsos finais” até a verdadeira cena final.

Em termos de representação dos personagens, o Super-Homem é um caso perdido. O que foi feito em O Homem de Aço se reflete da pior maneira aqui: um personagem apático o tempo inteiro. O Batman de Ben Affleck é decente, e chega a ter alguns momentos muito bons, mas equilibrado com outros totalmente sem brilho (sem falar que é enrolado com muita facilidade e seus motivos para rivalizar com o Super-Homem são muito frágeis). A Mulher-Maravilha é um dos bons momentos do filme – Gal Gadot convence, talvez porque apareça pouco, e dá esperanças para seu filme solo.

Batman vs. Superman insiste em querer ser “sério”, mas só consegue ser sisudo e baixo astral. É preciso lembrar que não há de errado em um filme de super-heróis querer ser sério. Nem leve. Há excelentes exemplares de um lado (Batman, o Cavaleiro das TrevasCapitão América – O Soldado Invernal) e de outro (Homem de FerroOs Vingadores – The Avengers). Mas de um lado ou de outro há que se contar uma boa história. E isso Batman vs. Superman – A Origem da Justiça não faz.

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça. Batman v. Superman – Dawn of Justice. Estados Unidos, 2016. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly HUnter, Gal Gadot, Michael Shannon, Ezra Miller, Jason Momoa.

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