Pra mim, mais vale um clipe ruim de uma música boa do que um clipe excelente de uma música intragável. Se eu gostar da música, até me divirto com o que o clipe tem que equivocado ou ridículo e consigo enxergar o (pouco) que ele tem de bom. Aqui temos dez clipes que músicas que gosto muito, mas que estão longe, muito longe de ser uma obra-prima. E, mesmo assim, eu me divirto muito com eles.

10 – TRUE COLORS, Cyndi Lauper (1986)

Quando os clipes de Cyndi abraçavam a esculhambação com humor, era muito divertido (“Girls just want to have fun”; “The Goonies ‘r’ good enough”). Aqui tentaram poetizar a coisa. Não funcionou. E ela ainda coloca o namorado da época como galã do clipe, longe de convencer.

9 – RIGHT BETWEEN THE EYES, Wax (1986)

Típico clipe dos anos 1980 que peca pelo excesso. Uma saraivada de imagens que, ok, são engraçadas ao tentar traduzir literalmente a letra. Muita coisa de cinema mudo, inclusive Nosferatu. Mas não pode ter algum sentido as cenas aleatórias de ruas de cidades ou o segmento com os Thunderbirds ou uma mulher colocando uma roupa na secadora em alta velocidade ou um canguru ou a Terra vista do espaço ou…

8 – THIS TIME I KNOW IT’S FOR REAL, Donna Summer (1989)

Tem animação para dar e vender nesse clipe da rainha das pistas de dança, até demais. É muito engraçado ver esses dançarinos com gestos de que estão correndo, mas parados, o movimento sendo a luzes que passam no fundo. Ok, é dança, não é 100 metros rasos, mas essa animação toda é bem over. Detalhe para os mapas, que traçam a rota de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

7 – I’M STILL STANDING, Elton John (1983)

Foi uma fase muito boa de clipes de Elton John. Dirigidos por Russell Mulcahy, “Sad songs” e “I guess that’s why they call it the blues” são excelentes. Mas é muito difícil imaginar o que diabo queriam com “I’m still standing”. Filmado em Cannes, é pura piração. Parece uma brainstorm filmada.

6 – I WANNA DANCE WITH SOMEBODY, Whitney Houston (1987)

O videoclipe é meio uma terra sem lei. Não há regras sobre montagem, continuidade, ter sentido, nada disso. Por isso há clipes (e havia muitos nos anos 1980) como este, que acredita que quanto mais coisas, melhor. Whitney aparece em um monte de cenários e situações (e penteados) diferentes que vão se alternando freneticamente, nada tendo a ver umas com as outras (tem até uma citação de Fred Astaire dançando com pares de sapatos vazios, cena de Ciúme, Sinal de Amor).

5 – TYPICAL MALE, Tina Turner (1986)

Tina Turner sensualizando com um pé gigantesco. O que dizer? Destaque para a cena do fone gigante e a televisão mais falsa que você jamais verá num videoclipe. Ainda bem que o final é feliz.

4 – MAMMA MIA, Abba (1975)

Ainda era a aurora dos videoclipes e o Abba desenvolveu um visual muito particular, calcado na simetria entre os integrantes do quarteto (sempre dirigidos por Lasse Hallström). Mas dá tudo errado em “Mamma mia”: as garotas não estão lá muito bonitas, o não-cenário não ajuda, parece ter sido tudo feito às pressas. Sobra o jogo com a simetria, que é legal.

3 – WALK LIKE AN EGYPTIAN, The Bangles (1986)

As cenas no palco são bacanas. Na rua, com as pessoas imitando as poses egípcias, o clipe cai no ridículo várias vezes. Mas o pior é o inacreditável efeito de multiplicar (e distorcer!) a imagem do quarteto fazendo esse simulacro de dança egípcia!

2 – TOTAL ECLIPSE OF THE HEART, Bonnie Tyler (1983)

E lá vai Bonnie Tyler como a professorinha assombrada em um colégio por garotos de olhos brilhantes, ninjas (!!!), muita luz vinda de trás, tarzans dançarinos, um anjo que parece ter saído de Barbarella. O diretor é o mesmo Russell Mulcahy de “I’m still standing”.

1 – WAKE ME UP BEFORE YOU GO-GO, Wham! (1984)

George Michael de shortinho, essas camisas com mensagens (“Choose life” para a dupla; “Go-go” para as backing vocals e a banda), chapéu de legião estrangeira, as divisões de tela que distorcem a imagem, o efeito strobe, os congelamentos de imagem, a luz negra. Enfim, obra-prima. Este deve ter sido o clipe que inspirou ‘Pop! Goes my heart’, do filme Letra & Música.

 

 

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