Coluna Cinemascope (#4). Correio da Paraíba, 12/10/ 2016

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“A Lenda de Tarzan” (2016)

Uma franquia para chamar de sua

por Renato Félix

Não é segredo para ninguém que Hollywood está combinando uma crise de imaginação com uma crise de coragem. Não fiz o levantamento, mas dá para arriscar que nunca foram feitas tantas continuações e refilmagens quanto este ano. É a aposta no que aparentemente) é seguro: a corrida para ter uma marca que “vende” e se torne uma franquia rentável e longa.

A marca é importante porque já reduz a necessidade de convencer o público a ir ao cinema pela história em si. O personagem principal já faz esse trabalho. É por isso que volta e meia aparece um filme com Sherlock Holmes, Drácula, Tarzan (teve um este ano) ou os grandes superheróis como Super-Homem, Batman e Homem-Aranha.

Não é por acaso que, tendo acertado o tom com os heróis dos quadrinhos no cinema, estes tenham se tornado uma mina de ouro. Ao ponto de suas criadoras terem virado, por si só, uma grife. O nome “Marvel” ficou tão conhecido que já garante um cartão de visitas para heróis menos conhecidos como os Guardiões da Galáxia ou Deadpool.

Mas a busca pela franquia ideal tem levado os estúdios a desenterrarem séries que há muito já não apareciam. Este ano tivemos um reboot de Caça-Fantasmas, 27 anos depois
do segundo e – até então – último filme. E também vimos a volta de Jason Bourne, 10 anos depois de Matt Damon ter estrelado o terceiro e – até então – último filme com o
personagem (O Legado Bourne, de 2012, já era uma tentativa de levar a série adiante sem o personagem, mas – atenção – com o nome/ marca).

E este ano ainda vem Animais Fantásticos e Onde Habitam, um derivado da franquia Harry Potter, que terminou no oitavo filme e deixou a Warner orfã. Já pensam em continuações claro. E a Disney não comprou uma das marcas mais famosas do mundo para deixar na estante levando poeira: tem um novo Star Wars no fim do ano, como todo mundo sabe. E no ano que vem também.

FOTO: A Lenda de Tarzan (2016)

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