Coluna Cinemascope (#5). Correio da Paraíba, 19/10/2016.

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“Arizona Nunca Mais” (1987)

Lista, pra que te quero?

por Renato Félix

O cinema completou 120 anos no fim do ano passado e, por isso, publiquei aqui no CORREIO uma lista que chamo pomposamente de “120 filmes para a humanidade”. É uma lista de longas que tentou resumir essa história. Com sua dose de subjetividade, é claro, mas ainda assim tentando dar espaço aos diretores importantes, movimentos, cinematografias de países-chave, gêneros, etc.

Mas aconteceu o seguinte: como havia um prazo, tive que finalizar a lista sem me dar totalmente por satisfeito com ela. Resolvi que faria em seguida uma revisão para publicar no meu blog. Fiz um listão de uns 300 e tantos filmes e fui cortando. O problema é que cheguei a 126, 127 e não consigo mais cortar para fechar nos 120.

Há muita coisa ótima nesse mundão do cinema. E tentar equilibrar tudo é uma tarefa impossível. Como ter menos que quatro Hitchcocks? Quero colocar um irmãos Coen, mas este seria Arizona Nunca Mais (1987), Fargo (1996) ou O Grande Lebowski (1997)? Vale trocar um Kiarostami por A Separação (2012)? É muito ter três George Stevens, mesmo que um deles, Ritmo Louco (1935), seja mais por causa de Fred Astaire e Ginger Rogers?

Curiosamente, em 2001 fiz uma lista de “100 filmes para a humanidade”, para A União. Não me lembro de, 15 anos mais novo, ter muita dificuldade de fechar aqueles 100. Também é verdade que voltei a essa lista recentemente e muitas vezes pensei: “No que diabos eu estava pensando? Como este filme entrou e aqueles não?”.

Listas nunca serão definitivas – nem mesmo as que a gente mesmo faz. A serventia delas é mesmo levantar as discussões e, através delas, das nossas concordâncias e discordâncias, refletirmos mais sobre o cinema (ou o que quer que seja o tema da lista em questão).

Se eu conseguir fechar os 120, aviso.

FOTO: Arizona Nunca Mais (1987)

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