Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

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“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

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