Coluna Cinemascope (#11). Correio da Paraíba, 30/11/2016.

HUGO

“A Invenção de Hugo Cabret” (2011)

Mergulho na cinefilia

por Renato Félix

É muito difícil encontrar alguém que não goste de cinema. Mas gostar de cinema e ser um cinéfilo são a mesma coisa? A cinefilia pode, ao pé da letra, significar tão somente “amor ao cinema”. Mas, na prática, não seria um mergulho um tanto mais profundo?

João Batista de Brito faz uma bela retrospectiva de como surgiu a palavra, na Paris dos anos 1940 e 1950, e como ela já era usada para designar um tipo de espectador que era interessado nos filmes como arte e expressão pessoal, para além da diversão. Está no blog dele, Imagens Amadas.

Nada contra o uso do cinema como “diversão e ponto”, porém. Cada espectador espera determinadas coisas de um filme e,  se recebe o que espera, sai satisfeito. É o interesse legítimo desse espectador, mas não do cinéfilo.

O cinéfilo precisa, no mínimo, estar antenado com os lançamentos e os nomes de diretores e atores que os acompanham – de maneira geral, de preferência, e não só do seu gênero de interesse. Não adianta muito conhecer Drew Barrymore porque somos fãs de comédias românticas ou Vin Diesel porque nosso negócio é cinema de ação.

O cinéfilo “hard” gosta de refletir sobre como cada filme é pensado e realizado. Como se portou diante das opções que tinha. Se interessa não só pela mensagem, mas pelos mecanismos que o filme usa para passar essa mensagem. Ele sabe que os diretores é que contam as histórias e procura conhecer uma boa parte deles.

Evidentemente, ninguém é obrigado. Nem é uma questão de status. Mas está mais fácil que nunca ser cinéfilo: os filmes têm comentários em áudio, há livros em abundância de diversos níveis de profundidade, revistas e sites. É só mergulhar.

FOTO: A Invenção de Hugo Cabret (2011)

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