Coluna Cinemascope (#15). Correio da Paraíba, 28/12/2016.

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“Guerra nas Estrelas” (1977)

A Força da princesa

por Renato Félix

Eram os meados dos anos 1970 e a ideia de princesa ainda era a da mocinha de vestido longo presa em uma torre à espera do cavaleiro que iria salvá-la e com quem ela invariavelmente casaria. Ou da mocinha pobre encontrada (e salva) por um príncipe que se casaria com ela. E aí apareceu Carrie Fisher.

Ela própria uma princesa na corte de Hollywood (filha da atriz Debbie Reynolds e do cantor Eddie Fisher), também aparece como princesa, a Leia Organa de Guerra nas Estrelas (1977) e suas continuações. Naquele primeiro filme da série, ela foi demolindo o estereótipo: peitava Darth Vader logo no começo, e, presa, assistia seu planeta ser explodido e era torturada (mas não revelava a informação que os vilões queriam).

E quando o cavaleiro aparecia em sua cela para salvá-la, ela é quem tomou as rédeas da situação: tomou a arma e explodiu uma parede, dizendo “Alguém tem que salvar nossas peles”. Em O Retorno de Jedi (1983), escravizada e humilhada por Jabba naquele biquíni de metal, matou ela mesma o gangster na operação de fuga dos rebeldes.

Leia, naqueles anos 1970 e 1980, era o contrário do que uma princesa parecia dever ser. Comandava operações militares, tinha espírito de liderança, não levava desaforo para casa. Uma grande personagem, personificada de maneira eterna em Carrie Fisher, que nos deixou ontem.

Hoje até o Disney Channel tenta desfazer a imagem de princesa que a própria Disney consolidou dos anos 1930 aos 1950. Com o slogan “Sou princesa, sou real”, tenta vender a ideia de que ser princesa é lutar por seus ideais e para realizar seus sonhos e tal. Bonitinho, mas quarenta anos antes, Carrie Fisher já era a princesa que representava isso.

FOTO: Guerra nas Estrelas (1977)

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