Coluna Cinemascope (#16). Correio da Paraíba, 4/1/2017

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A importância (ou não) dos prêmios

por Renato Félix

O Globo de Ouro já é domingo, o primeiro grande momento da temporada de prêmios do cinema em 2017 – que naturalmente vai culminar no Oscar, no fim de fevereiro. Com ela, começa também a temporada de reclamações sobre o Oscar – tanto do que a Academia vai ou não indicar, quanto as de que se dá importância demais a ele.

Bem, há duas maneiras de se observar a questão. Em termos de mérito artístico, o Oscar realmente não é garantia de nada, não deveria “ter importância”, digamos assim. Assim como, aliás, qualquer prêmio, incluindo os de festivais como Cannes, Berlim, Veneza, Gramado, etc. Festivais (que geralmente gozam de “status artístico” maior) e seus júris também se equivocam e muito.

Uma diferença do Oscar para os festivais é que estes são lançadores de filmes: neles começa a jornada do filme que ainda chegará aos cinemas, e que pode chegar laureado com a Palma de Ouro, por exemplo. O Oscar é um prêmio de fim de temporada: e, assim, provoca uma “torcida” porque o público certamente já viu alguns dos filmes – e, se estiver nos  EUA, pode até já ter visto todos os principais concorrentes.

É esse aspecto que cria um frisson. Cannes ou Berlim só provocam torcida para quem está lá, em um microcosmo, acompanhando tudo in loco. Para quem está aqui, resta acompanhar as notícias e se informar sobre os vencedores depois de escolhidos.

Como um Festival de Cannes pode dar um apoio na largada da carreira de um filme (que já chega nos cinemas com, digamos, a Palma de Ouro no cartaz), o Oscar pode mudar carreiras de artistas – essa importância esses eventos têm. É claro que ambos podem não dar em nada e até atrapalhar. Aí também não são exatamente uma garantia.

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