10 – MARROCOS (Morocco)

Depois de O Anjo Azul na Alemanha, Marlene Dietrich e Joseph von Sternberg deram sequência à parceria em Hollywood. Marlene é magnética, protagoniza uma escandalosa sequência em que tasca um beijo numa moça, mas o filme não vai muito além disso, chegando a um final duro de engolir.
Estados Unidos. Direção: Joseph von Sternberg. Roteiro: Jules Furthman, baseado em peça de Benno Vigny. Elenco: Marlene Dietrich, Gary Cooper, Adolphe Menjou.

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9 – LÁBIOS SEM BEIJOS

Saído de Cataguazes para a Cinédia, no Rio, Humberto Mauro assumiu a direção deste drama romântico mudo, de história simples: garota se apaixona por rapaz com fama de Don Juan, depois de se desentenderem. Um equívoco de identidades faz a moça achar que ele se envolveu com a irmã dela. Imagens bonitas do Rio, em planos às vezes inspirados, como o vento na rua, na abertura.
Brasil. Direção: Humberto Mauro. Roteiro: Adhemar Gonzaga. Elenco: Lelita Rosa, Paulo Morano, Didi Viana.

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8 – A IDADE DO OURO (l’Age d’Or)

Segundo filme da parceria surrealista entre Luís Buñuel e Salvador Dalí, aqui eles já não se entenderam tão bem quanto em Um Cão Andaluz (1929). É mais linear, com ideias mais concatenadas, mas ainda visualmente instigante, embora muito longo para tanta viagem.
França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Salvador Dalí. Elenco: Gaston Modot, Lya Lys.

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7 – OS GALHOFEIROS (Animal Crackers)

A chegada do cinema falado poderia ser saudada só pela possibilidade dos filmes dos Irmãos Marx. Neste, o segundo, eles aprontam numa mansão onde há uma recepção a um explorador famoso e há o roubo de uma obra de arte. Ideias desconexas e humor demolidor. A música em homenagem ao Capitão Spaulding virou tema do quiz show de Groucho Marx na TV e, depois, revisitada em Todos Dizem Eu Te Amo (1996), de Woody Allen.
Estados Unidos. Direção: Victor Heerman. Roteiro: Morrie Ryskind, baseado em peça de Ryskind, George S. Kaufman, Bert Kalmar e Harry Ruby. Elenco: Groucho Marx, Harpo Marx, Chico Marx, Zeppo Marx, Lillian Roth, Margaret Dumont.

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6 – ASSASSINATO (Murder!)

Um dos primeiros filmes falados de Hitchcock, também é tido como o primeiro em que pensamentos de um personagem são ouvidos pelo espectador. A trama já é super Hitch: um integrante de um júri que condena uma acusada passa a investigar o caso antes que pode inocentar a moça antes que ele seja executada.
Reino Unido. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Alma Reville, da adaptação de Alfred Hitchcock e Walter C. Mycroft, baseado em romance de Clemence Dane e Helen Simpson. Elenco: Herbert Marshall, Norah Baring, Phyllis Konstam.

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5 – TERRA (Zemlya)

O filme soviético celebra o esforço coletivo de uma comunidade rural de se manter enquanto isso desagrada a poderosos vizinhos donos de terras. Há momentos visuais poderosos, de contemplação de paisagens da natureza e paisagens do rosto humano. Além de momentos dramaticamente fortes, como os camponeses urinando no trator recém adquirido que parou no meio da estrada e precisa de água. E a nudez da moça enlutada pelo noivo, líder assassinado. Coisas de que a censura não gostou.
União Soviética. Direção e roteiro: Aleksandr Dovzhenko. Elenco: Stepan Shkurat, Semyon Svashenko, Yelena Maksimova.

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4 – A PATRULHA DA MADRUGADA (The Dawn Patrol)

É o filme que Anjos do Inferno queria ser. Howard Hawks já coloca no centro sua trama recorrente de heróis profissionais que fazem seu trabalho a todo custo, seja qual for o risco envolvido. Aqui, enquanto aviadores arriscam o pescoço em missões suicidas, seu comandante sofre pela responsabilidade e pressão terrível de mandá-los sabendo que muitos não voltarão. Hawks brilhante nas cenas de ação e no drama.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Dan Totheroh, Howard Hawks e Seton I. Miller, baseado na história de John Monk Saunders. Elenco: Richard Barthelmess, Douglas Fairbanks Jr., Neil Hamilton.

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3 – SEM NOVIDADES NO FRONT (All Quiet on the Western Front!)

A I Guerra vista pelo lado de jovens alemães idealistas que se alistam, mas só encontram miséria, sofrimento e morte nos campos de combate. Ganhou o Oscar de melhor filme e chegou a ser censurado pelo contundente tom antibelicista. Fora isso, tem tomadas muito inspiradas, como o discurso patriótico em sala de aula, com uma parada imponente passando na rua, ao fundo. Ou a morte através do plano da mão que tenta alcançar uma flor.
Estados Unidos. Direção: Lewis Milestone. Roteiro: George Abbott, Del Andrews (adaptação), Maxwell Anderson (adaptação e diálogos), C. Gardner Sullivan (supervisão), Walter Anthony (não creditado) e Lewis Milestone (não creditado), baseado em romance de Eric Maria Remarque. Elenco: Louis Wolheim, Lew Ayres, John Wray.

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2 – O ANJO AZUL (Der Blaue Engel)

O encontro mágico entre Marlene Dietrich e o diretor Joseph von Sternberg na Alemanha, que rendeu outros seis filmes em Hollywood. Marlene interpreta Lola-Lola, a cantora de um espetáculo que vira o objeto de desejo e obsessão de um orgulhoso professor moralista. Eles se casam, a vida dele vai degringolando até perder completamente a dignidade. A combinação de ar desinteressado e pernas lendárias de Marlene já estavam aí definindo sua persona.
Alemanha. Direção: Josef von Sternberg. Roteiro: Carl Zuckmayer, Karl Vollmöller, Robert Liebmann e Josef von Sternberg (não creditado), adaptação do romance de Heinrich Mann. Elenco: Emil Jannings, Marlene Dietrich, Kurt Gerron.

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1 – SOB OS TETOS DE PARIS (Sous le Toits de Paris)

Na abertura, o filme começa mostrando telhados para depois descer sobre uma rua onde pessoas cantam até se deter sobre uma moça em uma porta. Um plano sequência antológico para 1930, um tempo do qual se fala muito das limitações que o som impunha à imagem naquele começo de cinema falado. O filme, na verdade, é parcialmente mudo, com cartelas, e parcialmente com diálogos sonoros e canções. As sacadas visuais contam com beleza a história de um vendedor de partituras que se apaixona por uma polonesa, mas é preso e ela fica dividida entre ele e o melhor amigo.
França. Direção e roteiro: René Clair. Elenco: Albert Préjean, Pola Illéry, Edmond T. Greville.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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