20 – O GAROTO SELVAGEM (L’Enfant Sauvage)

Truffaut partiu de uma história real do seculo XVIII: um garoto há anos sem contato com a civilização, sem falar ou ler, que é pratucamente adotado por um médico que se esforça em civilizá-lo. O filme parece seguir mais o ponto de vista da curiosidade científica que da emoção, mas é bem contado.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut e Jean Gruault, baseado nas memórias de Jean Itard. Elenco: François Truffaut, Jean-Pierre Cargol, Françoise Seigner.

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19 – LOVE STORYUMA HISTÓRIA DE AMOR (Love Story)

“Amar é nunca ter que pedir perdão”. Virou ícone cultural esse melodrama jovem que, ainda por cima, envolve classes sociais e doença grave.
Estados Unidos. Direção: Arthur Hiller. Roteiro: Erich Segal. Elenco: Ryan O’Neal, Ali MacGraw, Ray Milland, Tommy Lee Jones.

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18 – A VIDA ÍNTIMA DE SHERLOCK HOLMES (The Private Life of Sherlock Holmes)

Billy Wilder desenvolveu um filme de mais de três horas e episódico que foi severamente cortado pela United Artists. Ainda assim é um curioso olhar que ele queria muito fazer sobre Sherlock Holmes, levando-o até o monstro de Loch Ness.
Reino Unido/ Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Robert Stephens, Colin Blakely, Geneviève Page, Christopher Lee.

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17 – GIMME SHELTER (Gimme Shelter)

Seria mais um documentário sobre rock, mas o show dos Rolling Stones em uma rodovia terminou em tragédia. O filme começa já fazendo os Stones encararem as filmagens da confusão na plateia, após a ideia infeliz de colocar os Hell’s Angels como seguranças.
Estados Unidos. Direção: Albert Maysles, David Maysles e Charlotte Zwerin.

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16 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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15 – CADA UM VIVE COMO QUER (Five Easy Pieces)

Jack Nicholson é o operário que gosta de tocar piano e tem um relacionamento que não o anima muito, e que volta às raízes: a família rica e musicista. Esse contraste de modos de vida leva a tensões. Nicholson na sua aurora como grande ator, que se consolidaria nos anos 1970.
Estados Unidos. Direção: Bob Rafelson. Roteiro: Carole Eastman, baseado em argumento de Eastman e Bob Rafelson. Elenco: Jack Nicholson, Karen Black, Susan Anspach.

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14 – A MULHER DE TODOS

Helena Ignez é a mulher imparável nessa comédia do cinema marginal (o que parece funcionar melhor), libertária, cafajeste, chegada à linguagem dos quadrinhos e com um Jô Soares inspirado.
Brasil. Direção: Rogério Sganzerla. Roteiro: Rogério Sganzerla, baseado em argumento de Egídio Eccio. Elenco: Helena Ignez, Jô Soares, Stênio Garcia, Paulo Villaça, Antônio Pitanga. Narração: Renato Machado.

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13 – DEIXA ESTAR ou LET IT BE (Let it Be)

É tido como um registro dos Beatles a caminho do fim, com os turbulentos ensaios e gravações do que viria a ser o álbum Let it Be. Tem lá a célebre discussão entre Paul e George (“Eu toco do jeito que você quiser. Se não quiser, também não toco”), mas não há depoimentos ou narração. Não há George abandonando o grupo por alguns dias. A mudança do Twickenham Studios para o prédio da Apple aparece, mas sem qualquer explicação. Boa parte da crise fica mesmo nas entrelinhas pra quem conhece a história da banda. Mas são os Beatles, experimentando e cantando e culminando no show do telhado, que é uma imagem (e som) eterna.
Reino Unido. Direção: Michael Lindsay-Hogg.

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12 – A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter)

David Lean ficou quase 15 anos sem dirigir um filme depois que esse não foi bem recebido. Realmente parece agigantado sem muita razão de ser. É uma história de amor e adultério simples, embora com paisagens embasbacantes e um fundo histórico – como havia sido, cinco anos antes, Doutor Jivago, na Rússia dos tempos da Revolução. Esse ultimo quesito, porém (revoltas na Irlanda contra a Inglaterra em 1916), é bem menos presente na trama. Mas é bonito, Lean não precisava ter passado esse tempo todo longe.
Reino Unido. Direção: David Lean. Roteiro: Robert Bolt. Elenco: Sarah Miles, Robert Mitchum, Christopher Jones, Trevor Howard, John Mills, Leo McKern.

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11 – INVESTIGAÇÃO SOBRE UM CIDADÃO ACIMA DE QUALQUER SUSPEITA (Indagine su un Cittadino al di Sopra di Ogni Sospetto)

Chefe da divisão de homicídios da polícia mata a amante e vai deixando pistas pelo caminho, parecendo querer ver se a polícia consegue passar por cima dos pré-julgamentos e pegá-lo. Um clássico dos filmes políticos, uma bofetada na hipocrisia das instituições, retratando uma ambiente de opressão italiana a tudo que não era reacionário.
Itália. Direção: Elio Petri. Roteiro: Elio Petri e Ugo Pirro. Elenco: Gian Maria Volontè, Florinda Bolkan, Gianni Santuccio.

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10 – TRISTANA, UMA PAIXÃO MÓRBIDA (Tristana)

Buñuel deixa o surrealismo um pouco de lado e vai para um registro meio seco para mostrar um caso de obsessão amorosa de um homem rico por uma bela e pobre jovem. Uma tragédia muda, no entanto, o jogo de forças. Deneuve linda, mesmo quando não é para ser.
Espanha/ Itália/ França. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luís Buñuel e Julio Alessandro, do romance de Benito Pérez Galdós. Elenco: Catherine Deneuve, Fernando Rey, Franco Nero.

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9 – BANZÉ NA RÚSSIA (The Twelve Chairs)

O humor maluco de Mel Brooks servindo-se de uma história clássica já adaptada até pela Atlântida no Brasil. É antes de se concentrar nas sátiras ao próprio cinema, que viria logo a seguir. Aqui, os alvos são a ganância inerente aos homens e as contradições da União Soviética pós-Revolução Russa. Como na placa da Rua Marx, Engels, Lenin & Trotsky, em que o nome de Trostky aparece riscado.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Mel Brooks, baseado no romance de Ilya Ilf e Yevgeni Petrov. Elenco: Ron Moody, Frank Langella, Dom DeLuise, Mel Brooks.

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8 – DOMICÍLIO CONJUGAL (Domicile Conjugal)

Interessante como Truffaut estreou o personagem Antoine Doinel como seu alter-ego em um drama tão tocante como Os Incompreendidos (1959) e depois retornou a ele em comédias românticas leves como esta. Este é o quarto filme com Doinel, que arruma problemas para seu casamento ao se envolver com outra mulher.
França. Direção: François Truffaut. Roteiro: François Truffaut, Claude de Givray e Bernard Revon. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Claude Jade, Hiroko Berghauer.

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7 – A ESTRATÉGIA DA ARANHA (Strategia del Ragno)

O filho volta à sua cidadezinha natal para se envolver na história misteriosa do pai, herói local, líder da resistência contra os fascistas, morto há muitos anos. Grande fotografia de Vittorio Storaro e Franco Di Giacomo, cujo ponto alto é aquele plano sequência soberbo no começo, em que o filho está parado na praça e, quando anda, vemos que ele encobria o busto do pai. E, enquanto caminha, acaba sendo coberto por ele.
Itália. Direção: Bernardo Bertolucci. Roteiro; Bernardo Bertolucci, Marilù Parolini e Eduardo de Gregorio, baseado em conto de Jorge Luis Borges. Elenco: Giulio Brogi, Alida Valli, Pippo Campanini.

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6 – WOODSTOCK – 3 DIAS DE PAZ, AMOR E MÚSICA (Woodstock)

Mais do que registrar os três dias de um festival de rock que se tornou mítico, o documentário teve a sagacidade de traduzir o estado de espírito de quem estava no palco, nos bastidores, na plateia e nos arredores. O uso da câmera dividida só reforça a sensação de que estava acontecendo muito mais do que todo mundo estava percebendo.
Estados Unidos. Direção: Michael Wadleigh.

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5 – PEQUENO GRANDE HOMEM (Little Big Man)

Em uma época de revisionismo do western e de reavaliação da figura do nativo norte-americano na tela, o herói é uma figura nada heroica que aprende a ser um índio, se torna um pistoleiro de araque e acaba integrando a tropa do General Custer rumo à batalha de Little Big Horn. O filme tem humor e senso de grandeza.
Estados Unidos. Direção: Arthur Penn. Roteiro: Calder Willingham, baseado no romance de Thomas Berger. Elenco: Dustin Hoffman, Faye Dunaway, Chief Dan George, Martin Balsam.

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4 – PATTON – REBELDE OU HERÓI? (Patton)

É praticamente um Lawrence da Arábia americano, no sentido de ser a grandiosa cinebiografia de um militar que ama o que faz. Politicamente incorreto, irascível, visceral e um gênio do teatro de guerra, Patton é um grande personagem. A abertura, com o general discursando para as tropas na frente de uma imensa bandeira americana, é icônica. Tanto quanto a cena em que ele esbofeteia um soldado traumatizado porque não admite tal fraqueza (depois é obrigado a se desculpar).
Estados Unidos. Direção: Franklin J. Schaffner. Roteiro: Francis Ford Coppola e Edmund H. North, baseado nos livros de Ladislas Farago e Omar N. Bradley. Elenco: George C. Scott, Karl Malden, Stephen Young.

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3 – M.A.S.H. (M.A.S.H.)

Um trio de cirurgiões em um hospital de campanha se defende da violência da guerra com atitudes irreverentes e iconoclastas. A guerra é a da Coreia, nos anos 1950, mas Robert Altman quase não menciona: ele queria que o público associasse ao Vietnã. Também incentivou o elenco a improvisar bastante. O espírito do filme é tão irreverente quanto seus personagens.
Estados Unidos. Direção: 1robert Altman. Roteiro: Ring Lardner Jr., baseado em romance de Richard Hooker. Elenco: Donald Sutherland, Elliot Gould, Tom Skerritt, Sally Kellerman, Robert Duvall.

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2 – O CONFORMISTA (Il Conformista)

O filme acompanha um fascista italiano que precisa cumprir a missão de assassinato de um antigo professor, na França. Apesar de sua dedicação ao fascismo, memórias de infância e as relações tanto com sua recém-esposa quanto com a mulher do professor, ambas extremamente atraentes e que se tornam ligadas uma à outra, complicam tudo. Um belíssimo filme político de Bertolucci, embalado numa fotografia descomunal de Vittorio Storaro.
Itália/ França/ Alemanha Ocidental. Direção e roteiro: Bernardo Bertolucci, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Jean-Louis Trintignant, Stefania Sandrelli, Dominique Sanda.

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1 – O JARDIM DOS FINZI CONTINI (Il Giardino dei Finzi Contini)

De Sica mostra o fascínio de um jovem por uma família rica judia, enquanto o fascismo avança na Itália. É o registro de um idílio que vai se desfazendo, de uma ilha de beleza no meio de um mar de horror que a vai engolindo. O fascínio não é só pela família, mas pela bela mulher que, encastelada, não parece ver o que está acontecendo até ser tarde demais. Como a sociedade, aliás.
Itália/ Alemanha Ocidental. Direção: Vittorio de Sica. Roteiro: Ugo Pirro e Vittorio Bonicelli, além de, não creditados, Vittorio de Sica, Cesare Zavattini, Franco Brusati, Alain Katz, Tullio Pinelli e Valerio Zurlini, baseado no livro de Giorgio Bassani. Elenco: Lino Capolichio, Dominique Sanda, Fabio Teste, Helmut Berger.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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