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As aberturas das novelas brasileiras são uma obra de arte à parte. Essa lista reúne as 50 melhores (na minha opinião, claro). Algumas resumem o ponto de partida da trama principal, outras metaforizam o tema central, há aquelas que brilham como peças isoladas. Algumas são em animação em stop motion, outras em CGI, algumas possuem efeitos especiais sofisticados (para suas épocas), outras são perfeitas em sua simplicidade. Podem ser dramáticas, épicas, cômicas, alegres. A mais antiga é de 1970, a mais recente, de 2019. Confira a lista, assista às peças e confira algumas opiniões e informações (muitas delas retiradas do completíssimo site Teledramaturgia, de Nilson Xavier).

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50 – ÓRFÃOS DA TERRA (Globo, 2019)

A novela sobre refugiados teve uma abertura sóbria e simples, no estilo “álbum de retratos”. Mas muito adequada. O grande lance é que as pessoas que aparecem são realmente refugiados, com alguns integrantes do elenco entre eles (informação do de onde tirei outras curiosidades nessa lista). A música-tema também é ideal, talvez inevitável: “Diáspora”, com os Tribalistas. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid. Para ver com créditos, clique aqui.

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49 – CIDADÃO BRASILEIRO (Record, 2006)

A abertura reflete bem uma trama que avança 30 anos no tempo, com “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, como tema, numa versão cantada por Edu e Zizi Possi. Novela de Lauro César Muniz.

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48 – AMOR E REVOLUÇÃO (SBT, 2011-2012)

A novela que se passa nos anos da ditadura militar era péssima de dar vergonha, mas a abertura era muito boa: usou uma canção clássica da época e sobre a época (“Roda viva”, de Chico Buarque, com o MPB-4) e foca nos desaparecimentos e mortes provocadas pelo regime. De maneira meio brega, também, é verdade, reencena aquela imagem da garota que coloca uma flor no cano da arma de um soldado. Mas tudo bem. Novela de Tiago Santiago.

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47 – CHOCOLATE COM PIMENTA (Globo, 2003-2004)

Aberturas de novelas de época muitas vezes recorrem a ilustrações antigas ou num estilo do período retratado. Aqui os desenhos de Sylvia Trenker (e os créditos) evocam os anos 1920 e ganha cores e relevo que lembrar o chocolate. O delicioso tema é cantado por, vejam só, Deborah Blando: “Chocolate com pimenta”, de Aldir Blanc e Mú Pimenta. Novela de Walcyr Carrasco.

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46 – MEU PEDACINHO DE CHÃO (Globo, 2014)

Um tom épico e de fantasia, reflexo do visual altamente rebuscado da novela. Para isso, uma bela animação com gigantes, heróis, vilões, tudo pelos olhos de uma criança. O tema de abertura, instrumental, é composição de Tim Rescala. Novela de Benedito Ruy Barbosa.

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45 – CHEIAS DE CHARME (Globo, 2012)

A divertida animação que resume a trama das empregadas que formam um grupo musical, retratando a história como um show de marionetes. O tema é o sucesso de Gaby Amarantos, “Ex-mai love”. Novela de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. No vídeo, a versão é sem os créditos.

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44 – PASSIONE (Globo, 2010-2011)

A abertura foi criada pelo artista Vik Muniz: instalações com “desenhos” feitos a partir do lixo, trabalho desenvolvido pelo artista que gerou um documentário, Lixo Extraordinário. A música, “Aquilo que dá no coração”, é de Lenine. Novela de Sílvio de Abreu.

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43 – FINAL FELIZ (Globo, 1982-1983)

Essa colagem de cenas de filmes clássicos se faz hoje em casa, com um computador e internet. Mas em época sem home vídeo, era uma prestação de serviço poder rever os beijos clássicos do cinema. Divertido, também, os personagens assistindo na plateia. A música, então, era perfeita: “Flagra”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Novela de Ivani Ribeiro.

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42 – CHAMPAGNE (Globo, 1983-1984)

Uma tiração de sarro com esse monte de elementos chiques flutuando em volta do casal. Um efeito divertido e fascinante, brincando de ser elegante, muito bem realizado. Com boa parte dos créditos na diagonal e ao som de “Casanova”, de Ritchie. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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41 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1970-1971):

Em época em que as aberturas ainda eram incipientes, embora gráficas, esta focou no aspecto da aventura e da relação entre os irmãos, buscando evocar o espírito dos faroestes, com imagens rebuscadas e congeladas. A novela de Janete Clair tentou mesmo trazer os homens para assistir. O tema sensacional entrou apenas instrumental nos primeiros capítulos, depois com Jair Rodrigues. A composição é de Nonato Buzar e Paulinho Tapajós.

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40 – CORAÇÃO DE ESTUDANTE (Globo, 2002)

A edição valoriza muito essa abertura, seguindo muito o ritmo da canção (“Maria solidária”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, com Beto Guedes). As imagens são um caleidoscópio de objetos que remetem à vida de estudantes universitários, que é o ponta-pé inicial da novela de Emanuel Jacobina.

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39 – SINAL DE ALERTA (Globo, 1978-1979)

Possivelmente um caso único, Sinal de Alerta não tinha uma música na abertura. Em vez disso, sons da metrópole, numa animação por colagem, parecida com aquelas criadas por Terry Gilliam para o grupo Monty Python. Novela de Dias Gomes.

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38 – CARAS E BOCAS (Globo, 2009-2010)

A beleza gráfica da tinta sendo jogada em câmera lenta sobre rostos, junto com as cores fortes e chapadas, forma um conjunto bonito e pra cima. A canção leva o título da novela, com composição de Thallysson Rodrigues e interpretação do grupo Chicas. A novela é de Walcyr Carrasco.

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37 – BOM SUCESSO (Globo, 2019-2020)

Os universos da costura, da Zona Norte do Rio e do amor pelos livros se cruzam na colorida e bonita abertura, que ainda contou com o clássico “O sol nascerá”, de Cartola e Elton Medeiros, numa nova e ótima versão com Zeca Pagodinho e Teresa Cristina. Novela de Rosane Svartman e Paulo Halm. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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36 – RODA DE FOGO (Globo, 1986-1987)

A palavra fogo, gigante, aparece flutuando e incadescente, enquanto animais petrificados ganham vida ao atravessarem as letras. No fim, o contrário acontece com um homem, que vira pedra, num reflexo do protagonista da novela. É muito bom quando o logotipo se integra à abertura de uma maneira mais orgânica. A música é “Pra começar”, de Marina Lima e Antônio Cícero, com Marina. A curiosidade é que ela foi lançada ao vivo e gravada em estúdio só para a abertura da novela de Lauro César Muniz.

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35 – MARRON GLACÉ (Globo, 1979-1980)

A abertura das borboletas, num clipe criativo e colorido, que parte da gravata borboleta do logotipo. A música, bem no clima, criada para a abertura, leva o título da obra e foi composta por Guto Graça Melo, Mariozinho Rocha e Renato Corrêa, na voz de Ronaldo Resedá. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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34 – LAÇOS DE FAMÍLIA (Globo, 2000-2001)

As aberturas de novelas de Manoel Carlos algumas vezes recorreram a clássicos da bossa nova, evocando um certo espírito clássico do Rio de Janeiro (mesmo que a realidade a contrarie, inclusive na novela). Aqui, a escolhida foi “Corcovado”, de Antônio Carlos Jobim (com versão em inglês de Gene Lees), com Astrud Gilberto, João Gilberto, Jobim e Stan Getz. A Zona Sul carioca é retratada em imagens como pinturas animadas, em que manchas de tinta vão formando a cena, de meninas na praia, família na praça até prostitutas no calçadão.

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33 – AS PUPILAS DO SENHOR REITOR (SBT, 1994-1995)

Um grande e elaborado plano-sequência com a visão subjetiva do reitor do título caminhando por sua aldeia portuguesa. O tema é “Canção do mar”, com a portuguesa Dulce Pontes. Novela de Lauro César Muniz.

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32 – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo, 1989)

Abertura com golpe de vista, em que cenários são desmontados em outros pela perspectiva e recebem a inserção do personagem Sassá Mutema caminhando sobre eles. A sequência mostra a evolução política do personagem, de um campo árido a Brasília e até ao espaço infinito. O jogo de perspectiva é real, foi feito em estúdio. A música é “Amarra o teu arado a uma estrela”, de e com Gilberto Gil. Novela de Lauro César Muniz.

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31 – ESPERANÇA (Globo, 2002-2003)

Mais uma novela de imigrantes by Benedito Ruy Barbosa, muito calcada no sucesso anterior, Terra Nostra. Mas a abertura aqui é melhor: com belas fusões entre um piano e um conjunto de malas, com cenas de época ou com tratamento de época. O tema musical foi cantado primeiro em italiano (com Laura Pausini), mas também teve versões em hebraico (Gilbert), espanhol (Alejandro Sánz) e português (Fama Coral), refletindo as diversas colônias de imigrantes retratados na trama.

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30 – ÉRAMOS SEIS (Globo, 2019-2020)

Uma animação 3D que simula figuras de papel e mostra o tempo correndo na cidade de São Paulo, em volta da casa da família protagonista. Não só o crescimento da cidade, mas a efervescência política. O tema instrumental foi composto por Rafael Langoni e Victor Pozas. Novela de Ângela Chaves. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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29 – QUATRO POR QUATRO (Globo, 1994-1995)

Quatro mulheres esgrimistas que se unem em uma só para se vingar dos homens que maltrataram cada uma. É um bom reflexo da trama central da novela: a vingança de quatro mulheres unidas contra os homens que as sacanearam. A música, também, tudo a ver: “Picadinho de macho”, de Aldir Blanc e Tavito, com Sandra de Sá. Novela de Carlos Lombardi.

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28 – VELHO CHICO (Globo, 2016)

A abertura mostra uma ilustração em madeira entalhada. O artista gráfico Mello Menezes criou o desenho e Samuel Casal fez o entalhe na madeira. Cada entalhe foi registrado, para formar uma animação em stop motion. Caetano Veloso regravou sua “Tropicália” para a abertura, com arranjos de Tim Rescala que reforça o tom épico e mítico da novela de Benedito Ruy Barbosa.

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27 – BRILHANTE (Globo, 1981-1982)

Uma modelo, um gato, espelhos. Essa combinação bem filmada virou uma abertura icônica. A canção, “Luiza”, foi composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim especialmente para a novela de Gilberto Braga.

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26 – ORGULHO E PAIXÃO (Globo, 2018)

As histórias da novela são lindamente ilustradas em uma animação 2D, que apresenta algumas tramas (inspiradas nos livros de Jane Austen) ao som de “Doce companhia”, com Lucy Alves. Novela de Marcos Bernstein. A abertura no vídeo a seguir está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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25 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1995)

O remake do clássico de Janete Clair também teve uma nova versão da música-tema, em tons ainda mais épicos e agora cantada por Milton Nascimento. As belíssimas imagens combinam a dureza da mineração, a água, cavalos em disparada.

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24 – LOCOMOTIVAS (Globo, 1977)

Uma abertura icônica: a modelo é maquiada e penteada em ritmo acelerado para surgir no final esplendorosa, mas com uma luva de boxe com a qual acerta a câmera. A música é o samba-funk “Maria-fumaça”, da banda Black Rio. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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23 – CORDEL ENCANTADO (Globo, 2011)

A trama básica é apresentada através de uma animação inspirada na estética do cordel e das xilogravuras. A mistura com os contos-de-fadas é representada por elementos dos livros pop-up. Gilberto Gil compôs “Minha princesa cordel” para a abertura e a canta com Roberta Sá. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid.

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22 – SELVA DE PEDRA (Globo, 1986)

Quando o remake de um dos maiores sucessos de Janete Clair foi planejado, Boni ordenou que não queria nada de “Rock and roll lullaby” na trilha. Este tinha sido a icônica canção do casal romântico da primeira versão. A abertura, a cidade de arranha-céus que brota do chão foi feita em maquete, com o elenco no reflexo dos edifícios espelhados. No final, vistos de cima, 2.800 maquetes formavam o rosto de Tony Ramos, o protagonista. A canção escolhida inicialmente foi “Demais”, com Verônica Sabino, mas não teve jeito: já no segundo capítulo, Boni mudou de ideia e pediu uma versão instrumental de “Rock and roll lullaby” para ocupar a abertura. A composição é de Barry Mann e Cynthia Weil, e a nova versão foi creditada a Freesounds (a original é cantada por B.J. Thomas).

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21 – A PRÓXIMA VÍTIMA (Globo, 1995)

Ao som de “Vítima”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho (originalmente de 1985), que, além do título também fala de São Paulo, a abertura mostra pessoas em lugares paulistanos desaparecendo ao som de tiros e de seus rostos serem mudados para os do elenco da novela. Perfeito casamento com a obra de Sílvio de Abreu.

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20 – A HISTÓRIA DE ANA RAIO E ZÉ TROVÃO (Manchete, 1990-1991)

Ana Raio e Zé Trovão era uma novela itinerante, gravada em diversas partes do Brasil, de norte a sul, com o drama se desenrolando em uma caravana que cruzava o país. A abertura refletia essa aventura (dos personagens e da própria equipe), num plano-sequência com vários cenários estilizados, cheios de detalhes, e culminando nos dois cavalos empinados que simbolizam o casal protagonista. A canção é “Raio e trovão”, com o grupo Sagrado Coração da Terra. Novela de Marcos Caruso e Rita Buzzar.

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19 – TROPICALIENTE (Globo, 1994)

Aberturas com golpes de vista são bem legais, e a de Tropicaliente é bem alto astral, refletindo o cenário das praias nordestinas, onde se passa a trama. Quase nada de CGI: quase tudo feito na câmera. Elba Ramalho canta “Coração da gente”, de Nando Cordel e João Wash. Novela de Walther Negrão.

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18 – TOP MODEL (Globo, 1989-1990)

Modelos desfilando é uma ideia óbvia, mas a abertura se inspirou nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas) para colocar as top models em um espaço sem gravidade, andando pelas passarelas de lado ou de cabeça para baixo. O ritmo é ótimo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera. O tema de abertura é “Eu só quero ser feliz”, com o grupo Buana 4. Novela de Walther Negrão e Antônio Calmon.

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17 – ROQUE SANTEIRO (Globo, 1985-1986)

A interação entre homens e natureza, através de golpes de vista com o uso de chroma-key e miniaturas. Boias-frias andando sobre folhas, tratores sobre milhos, barcos navegando em asas de borboletas… Criativo e divertido, mesmo que as miniaturas no final sejam evidentes. “Santa fé”, de Moraes Moreira, é o tema de abertura. Novela de Dias Gomes.

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16 – ESTÚPIDO CUPIDO (Globo, 1976-1977)

A novela que se passava nos anos 1950 usou o clássico maravilhoso de Celly Campello (de 1959) para embalar cartões recortados que deslizavam e interagiam. Totalmente no clima da novela, agitada e divertida, sem afetação nenhuma. Novela de Mário Prata.

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15 – VALE TUDO (Globo, 1988-1989)

Novela de Gilberto Braga, Vale Tudo discutia a ética no Brasil. A partir disso, a abertura trazia uma saraivada acelerada de imagens do país, embalada pela explosiva “Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Pedrosa, na voz de Gal Costa (que regravou a canção especialmente para a abertura).

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14 – MULHERES DE AREIA (Globo, 1993)

Água e areia simbolizavam as gêmeas rivais da trama, resumidas na abertura na modelo Mônica Carvalho. Quando a novela passou no Vale a Pena Ver de Novo, a nudez de Mônica teve que ser amenizada por tarjas que desfocavam as partes superior e inferior da tela. A canção-tema era “Sexy Iemanjá”, de Pepeu Gomes e Tavinho Paes, cantada por Pepeu. Novela de Ivani Ribeiro.

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13 – VAMP (Globo, 1991-1992)

Caçadores de vampiros. que entram em cena dançando numa sátira ao clipe de “Thriller”, estão em busca de um cão preto que persegue Cláudia Ohana. Charme e bom humor, com a adição de “Noite preta”, com Vange Leonel (dela com Cilmara Bedaque, perfeita para a abertura), resultaram em uma das mais lembradas aberturas dos anos 1990. Novela de Antônio Calmon.

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12 – TIETA (Globo, 1989-1990)

O corpaço nu de Isadora Ribeiro se “desdistorcia” para compor com a natureza de Mangue Seco, na Bahia. A abertura começa só ao som do vento, para depois entrar “Tieta”, de Paulo Debétio e Boni, com Luiz Caldas, e terminar com a imagem da silhueta da modelo andando insinuante em direção à câmera. Um clássico sensual, que traduz totalmente a novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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11 – BREGA & CHIQUE (Globo, 1987)

Com a novela de Dias Gomes tratando da dicotomia entre uma personagem rica e outra pobre que invertiam as posições, a abertura alterna mulheres em versões brega e chique de um jeito que a gente nem sabe bem onde começa um e termina o outro. A edição ágil e algo sexy ganham pontos, assim como a música antológica do Ultraje a Rigor (“Pelado”). A abertura teve problemas de censura – em parte da novela havia uma impagável folhinha de parreira que a Globo incluiu para encobrir a bunda do cidadão, na cena final. Doris Giesse está entre as moças que aparecem. Novela de Cassiano Gabus Mendes. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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10 – O CRAVO E A ROSA (Globo, 2000-2001)

Para uma novela romântica que se passava nos anos 1920, a abertura da novela de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira teve a ótima sacada de brincar com o cinema mudo. Outro grande acerto é a música é “Jura”, de Sinhô, gravada pela primeira vez em 1928, aqui em uma nova versão com Zeca Pagodinho.

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9 – A FAVORITA (Globo, 2008-2009)

A abertura é uma animação estilizada que conta a trama central, num estilo que lembra os cartazes e aberturas de Saul Bass para filmes como Um Corpo que Cai e Anatomia de um Crime. Na trilha, o tango “Pá bailar”, do grupo Bajofondo. Novela de João Emanuel Carneiro.

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8 – PAI HERÓI (Globo, 1979)

Antológica abertura com a montagem de um quebra-cabeças em que, no final, uma parte fica faltando: a silhueta do pai de uma criança. Embalada pela música “Pai”, de Fábio Jr. Novela de Janete Clair.

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7 – O DONO DO MUNDO (Globo, 1991-1992)

A cena de Charles Chaplin satirizando Hitler em O Grande Ditador, no balé com o globo terrestre, é a base da abertura da novela centrada em um vilão que começa destruindo um casamento seduzindo a noiva no dia da cerimônia. A sequência recebe uma intervenção com belas mulheres dentro do globo. Com “Querida”, composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim, não tinha como dar errado. Novela de Gilberto Braga.

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6 – PEDRA SOBRE PEDRA (Globo, 1992)

Os anos pós-ditadura militar, com o fim da censura, foram de exacerbação da liberdade. Um dos destinos a que isso levou foi a um show de nudez nas aberturas de novelas. Tieta, Mulheres de Areia e, um pouco mais discretamente (ou menos indiscreta), O Dono do Mundo deslumbraram o espectador com corpos de belas mulheres; enquanto Brega & Chique ousou colocar um bonitão de bunda de fora às 19h. A abertura de Pedra sobre Pedra foi o auge. Mônica Fraga desfila em nudez quase total, com seu corpo se fundindo e se misturando às paisagens naturais de pedras e árvores da Chapada Diamantina. Na trilha, a antológica versão de “Pedras que cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, na voz de Fagner. Novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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5 – TI TI TI (Globo, 1985-1986)

Hans Donner, o homem do design gráfico por trás de muitas das melhores aberturas da Globo, criou, com sua equipe, este grande clássico: lápis coloridos, tesouras, fitas métricas e agulhas que brigam entre si, espelhando a divertida rivalidade entre dois costureiros que conduzia a novela de Cassiano Gabus Mendes. Tudo sem computadores: imãs e fios foram usados para animar os objetos. A canção-título, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi repaginada para a abertura pelo grupo Metrô. A original embalou a abertura da refilmagem de 2010, que também refez a abertura, desta vez em CGI (mas a original é bem melhor).

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4 – POR AMOR (Globo, 1997-1998)

Com mãe e filha protagonistas interpretadas por atrizes que são mesmo mãe e filha, a abertura aproveitou brilhantemente o fato. Fotos das duas, juntas ou separadas, foram usadas num mosaico. Mas não só isso: a execução foi um primor, com os rostos de uma e da outra se fundindo. Tudo ao som do MPB-4 e do Quarteto em Cy cantando “Falando de amor”, de Antônio Carlos Jobim. Novela de Manoel Carlos.

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3 – DANCIN’ DAYS (Globo, 1978-1979)

Nenhuma abertura representou melhor sua época. O espetacular sucesso d’As Frenéticas (composto por Nelson Motta e Rubens Queiroz), que batizou a novela, foi inspirado na discoteca Frenetic Dancing Days, de Motta. Numa montagem com fotos de pessoas dançando numa discoteca, os créditos do elenco, do autor Gilberto Braga e do diretor Daniel Filho apareciam em fontes diferentes, piscando, como em letreiros neon. É irresistível.

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2 – DEUS NOS ACUDA (Globo, 1992-1993)

No ano do impeachment de Collor, a novela de Sílvio de Abreu falava da ética do brasileiro, da corrupção, mas no registro da sátira. A abertura antológica deitou e rolou: uma festa chique começa a afundar num mar de lama, que vira um redemoinho, que se revela um ralo no mapa do Brasil. Um prodígio cenográfico, com a parte da festa dispensando o CGI (os atores estavam em uma espécie de gaiola suspensa que ia afundando nessa piscina coberta de lama artificial, feita de isopor ralado). O tema musical, usado de modo irônico, é a clássica “Canta Brasil”, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, lançada originalmente em 1941 por Francisco Alves e cantada aqui por Gal Costa na gravação de 1981.

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1 – ELAS POR ELAS (Globo, 1982)

A novela de Cassiano Gabus Mendes partia do reencontro de sete amigas de colégio, que não se viam há anos. A abertura, então, capturou a ideia de maneira brilhante: uma festa nos anos 1960, as imagens em preto-e-branco são congeladas em fotos e das garotas nas fotos saem as versões atuais e coloridas das personagens (Aracy Balabanian, Ester Góes, Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma, Maria Helena Dias e Joana Fomm). A canção-tema foi feita para a novela, mas evocando os anos 1960: “Elas por elas” foi composta por Augusto César e Nelson Motta, gravada pelo grupo The Fevers. Com o nome inicial de “Coisas da vida”, ela depois foi rebatizada como “Elas por elas” por causa do sucesso da novela.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

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VEJA TAMBÉM:

Meu comentário para a CBN sobre Liga da Justiça de Zack Snyder. Tem coisas melhores que a versão finalizada por Whedon? Tem. Tem coisas piores? Tem também.

Para ouvir, clique aqui.

Meu recorte exclui aberturas mais antigas, quando essa arte ainda estava em evolução. Também só listamos aberturas da Globo porque, francamente, a concorrência seria desleal.

10 – FELICIDADE (1991)

A maneira como o arco-íris transforma o tédio em alegria é muito engraçada de tão ruim. Faltou um esforço. Novela de Manoel Carlos. Tema de abertura: “Felicidade”, com Roupa Nova, de Kiko e Orlando Morais.

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9 – A INDOMADA (1997)

É Maria Fernanda Cândido, antes da carreira de atriz, que corre superando obstáculos toscos de maneira também bem tosca. Ela encarna elementos da natureza contra barreiras de ferro e concreto. Novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Tema instrumental “Maracatudo”, de Sérgio Mendes.

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8 – ZAZÁ (1997)

Com todo o respeito à dona Fernanda, ela de piloto nesses transportes voadores de animação, sobre imagens aéreas do Rio não funcionou. Nem mesmo Rita Lee no tema musical (“Dona Doida”, composta com Roberto de Carvalho) foi muito feliz. Novela de Lauro César Muniz.

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7 – A LEI DO AMOR (2016)

Riponga em excesso, com essas fitas vermelhas citando uma tradição chinesa, etc. e tal. Nem Ney Matogrosso cantando Villa-Lobos (“O trenzinho do caipira”) salva. Novela de Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari.

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6 – AVENIDA BRASIL (2012)

Nada mais que um baile muitíssimo vagamente ligado à novela, com focos de luz coloridos ao fundo (ah, faróis de carros!… Estão numa avenida, então… Hum-rum…). A música (há quem goste) é “Vamos dançar com tudo” (“com tudo” em vez da palavra original, provavelmente porque a emissora não quis “kuduro” repetido todo dia no horário nobre), com Robson Moura e Lino Krizz. Rendeu ao menos uma hashtag no Twitter: #oioioi. Novela de João Emanuel Carneiro.

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5 – AGORA É QUE SÃO ELAS (2003)

Cores fortes, uma animação digital xarope e enjoativa e fotos do elenco, o que é quase sempre sinal de pouquíssima inspiração. Música (também pouco inspirada) de Lulu Santos (“Já é”). Novela de Ricardo Linhares.

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4 – O PROFETA (2006)

Fotos dos atores nessa geleca. O tema, também péssimo, é “Além do olhar”, com Ivo Pessoa. Parece coisa das piores novelas do SBT. Novela de Duca Rachid, Thelma Guedes e Júlio Fischer.

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3 – OLHO NO OLHO (1993)

Não se pode dizer que a abertura não combina com a novela: é tão ridícula quanto. Sabe quem é o paranormal soltando raiozinhos pelos olhos? Ricardo Macchi, que depois seria o inesquecível cigano Igor! Não podia mesmo dar certo. Tema de abertura: “Magnificat”, com Rútila Máquina. Novela de Antônio Calmon.

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2 – SENHORA DO DESTINO (2004)

A câmera passeia por totens digitais de pessoas comuns em preto-e-branco. No meio delas, estão os personagens da novela, coloridos. Era pra parecer que eles são gente comum? É uma abertura preguiçosa demais, desinteressante na ideia e na execução. É preguiçosa a ponto de nem editarem direito o tema de abertura, terminando no meio de uma frase. O tema, aliás, é “Encontros e despedidas”, com Maria Rita, de Fernando Brant e Milton Nascimento. Novela de Aguinaldo Silva.

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1 – VILA MADALENA (1999)

Nosso primeiro lugar chegou a posto porque é simplesmente uma não-abertura. Eu disse que o auge da preguiça era a abertura de Senhora do Destino? Não, é esta: resolveram não fazer abertura nenhuma. Apenas jogaram clipes com músicas da trilha sonora, trocados semanalmente, e os créditos do elenco por cima. Inacreditável. Novela de Walther Negrão.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

A VERDADE
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 14

Quatro anos antes, Brigitte Bardot apareceu para o mundo (e como veio ao mundo) em E Deus Criou a Mulher. Em A Verdade, ela tentou dar um passo para um desafio dramático maior. Esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, ainda com doses generosas do corpo de Bardot.

Onde ver: DVD, YouTube

La Verité, 1960.
Direção: Henri-Georges Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

O GAROTO
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 13

100 anos de risos e, talvez, uma lágrima

100 anos este ano de O Garoto. “Um filme com um sorriso – e, talvez, uma lágrima”, diz a primeira cartela do filme, primeiro longa dirigido por Charles Chaplin. O espírito já está posto desde o princípio: a comédia misturada com o melodrama, que Chaplin sabia fazer como ninguém.

Talvez fosse um aviso, para o espectador que estivesse esperando só as risadas. Mas o drama é que abre o filme, com a mulher que se vê obrigada a abrir mão de seu bebê. Ela tenta deixá-lo com uma família rica, mas, por circunstâncias do destino, ele vai parar nos braços do paupérrimo Carlitos, que até tenta, mas não consegue se livrar dele naquele primeiro momento.

Alguns anos depois, vem a famosa cena que mostra o entrosamento entre esse pai e esse filho. Eles trabalham juntos: Carlitos é o vidraceiro que providencialmente aparece para consertar as janelas que o moleque quebra.

São transgressores contra uma sociedade que não os entende e logo se voltará contra eles quando tenta separá-los. Vem aí a grande sequência dramática do filme: o garotinho chorando no caminhão pelo pai e Carlitos correndo pelos telhados para alcançá-lo. Merece, sem dúvida, a lágrima prometida no começo do filme.

É tocante, ainda mais quando se pensa na infância miserável e sem pai do próprio Chaplin. O retrato da vizinhança pobre vem da lembrança de seus próprios dias difíceis em Londres: a pobreza, a mãe com problemas mentais, a possibilidade de ir parar num orfanato (chegando a fugir da polícia para evitar isso). De uma maneira ou de outro, tudo isso está no filme.

A química entre Chaplin e Coogan é admirável e vem da relação que o cineasta cultivou com o astro mirim fora dos sets: o levava a parques de diversões e a passeios. Essa proximidade por ter vindo da infância sem pai de Charlie ou do fato de que ele mesmo havia perdido há pouco tempo um filho, de seu casamento com Mildred Harris: o bebê morreu três dias depois de nascer. De qualquer forma, resultou em uma relação sincera de carinho que foi captada perfeitamente pelo filme.

Chaplin relançou o filme em 1971. Com a reedição, ficou mais curto: de 1h08 para 50min, eliminando cenas que o diretor naquele momento considerou excessivamente sentimentais (todas envolvendo o sofrimento da mãe, vivida por Edna Purviance, parceira de longa da data de Chaplin em seus filmes). O Garoto ganhou também uma bela trilha sonora composta por Chaplin.

O filme, que foi concebido como curta e foi crescendo na duração durante a produção, mudou a carreira de Chaplin. Ele já tinha criado a United Artists em 1919 (seu próprio estúdio, em sociedade com o diretor D.W. Griffith e os astros Douglas Fairbanks e Mary Pickford) e O Garoto seria um dos últimos produtos de seu contrato com a First National. O sucesso estrondoso redirecionou sua carreira para os longas-metragens.

E ainda em 1921 as memórias que estão por todo lado em O Garoto ganham vida quando Chaplin visita a Inglaterra, para onde não tinha voltado desde 1912, quando viajou para os Estados Unidos. Foi quando reencontrou sua mãe, a quem mantinha sob cuidados em seu país natal, e a levou para morar com ele e o irmão Sidney nos EUA.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, YouTube

The Kid, 1921
Direção: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Jackie Coogan, Edna Purviance.

ROSAS DE SANGUE
⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 12

Roger Vadim aborda a história insinuante de Carmilla, a vampira de Karnstein, com a esposa da vez, a dinamarquesa Annette Stroyberg (na época, Annette Vadim). Vadim era ótimo em revelar atrizes lindas, mas não era lá um grande diretor. O filme é correto, tem um certo ar erótico entre suas duas atrizes, mas pouco mais que isso. Carmilla voltou outras vezes ao cinema, como a principal representante do filão das vampiras lésbicas.

Et Mourir de Plaisir, 1960
Direção: Roger Vadim. Elenco: Annette Stroyberg, Mel Ferrer, Elsa Martinelli.

TIO BOONMEE, QUE PODE RECORDAR SUAS VIDAS PASSADAS
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 11

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, o filme tailandês é um exercício livre sobre memórias e tradições, episódico e em tom de fábula. E metaforizando, segundo o diretor, as transformações pelas quais o cinema vinha passando ali naquela época (o digital substituindo a película, o que influía no próprio jeito de filmar). É aparentemente enigmático, esquisito, mas talvez porque para nossa sociedade ocidental não seja tão natural a ideia de fantasmas que nos visitam quando a morte se aproxima, entre outros elementos fantásticos como homens-macacos e sexo com peixes. O mais interessante é que o filme trata tudo isso com naturalidade e serenidade.

Onde ver: DVD

Loong Boonmee Raleuk Chat, 2010
Direção: Apichatpong Weerasethakul. Elenco: Thanapat Saisaymar, Jenjira Pongpas, Wallapa Mongkolprasert

A VOLTA DE FRANK JAMES ou O RETORNO DE FRANK JAMES
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 10

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte de Jesse do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda como o agora protagonista. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. E tem a estreia da belíssima Gene Tierney.

Onde ver: DVD, YouTube

The Return of Frank James, 1940
Direção: Fritz Lang. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

A CARTA
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 9

Na primeira cena, um plano sequência numa bucólica noite de um cenário exótico. Então, aparece ninguém menos que Bette Davis descarregando a arma num infeliz. Ela conta ao marido e ao advogado: o sujeito a atacou e ela o matou em legítima defesa. Mas uma carta misteriosa e uma chantagem podem complicar seu julgamento. Wyler, um grande diretor, e Bette Davis, uma atriz inigualável, numa história de verdades e mentiras, esplendidamente fotografada, mas guiada pelas regras de crime e castigo do Código Hays: é uma versão mais moralista que outra de 1929, baseada na mesma peça.

Onde ver: DVD, YouTube

The Letter, 1940
Direção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Setephenson, Gale Sondergaard.

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