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João Saldanha

3 de julho, há 100 anos: Nasce, em 1917, o jornalista, escritor e técnico gaúcho de futebol João Saldanha. Apelidado por Nélson Rodrigues como “João Sem Medo”, foi um dos mais importantes jornalistas esportivos do Brasil. Como treinador, esteve à frente do Botafogo campeão carioca de 1957 e da Seleção Brasileira nas eliminatória para a Copa de 1970. Morreu em Roma, em 1990, cobrindo a Copa do Mundo.

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O primeiro eu levei
Mas foi no início do jogo
Eram apenas 10 minutos
“A partida vai ser fogo”
Dava pra buscar o empate
Tinha tudo pela frente
“Para se recuperar
É pôr a faca entre os dentes”
Mas o destino, desalmado,
Atingiu meu coração
Quando Klose chutou de novo
Assustado, eu disse: “Não!”

O segundo eu levei
Como quem já esperava
Mas a tal da esperança
O meu peito não deixava
Não podia acreditar
Que veria tal vergonha
A Seleção iria provar
Com uma atuação bisonha
Foi bem duro o adeus do sonho
De ser hexacampeão
A Alemanha entrou na área
E pasmado eu disse: “Não!”

O terceiro eu levei
Mas não deu pra comentar
Pois vieram o quarto e o quinto
Sem tempo pra respirar
“Pelo menos a reação
De Felipão e seu escrete!”
Mas nem isso eles me deram
E vieram o seis e o sete
Se a torcida era coxinha
Já não importava, não
Cada lágrima era minha
Tudo é um só coração

APTOPIX Brazil Soccer WCup Uruguay England

Suarez: o universo reserva a hora certa para os heróis

Continuam aparecendo os personagens com os quais Nelson Rodrigues rechearia sua coluna “Meu personagem da semana”. Eu tenho mais algumas sugestões.

Que tal Klose? O atacante alemão ficou no banco assistindo sua Alemanha massacra Portugal por 4 a 0. “O que estou fazendo aqui?”, ele deve ter pensado. “Não precisam de mim”. Sua perspectiva deve ter sido a de ficar no banco pelos seis jogos seguintes até a glória final alemã.

No hotel, provavelmente pensou em fazer as malas e seguir para o Galeão dali mesmo. Se era para assistir, melhor seria que fosse em casa, com a narração do Galvão Bueno de lá em uma TV 50 polegadas, e com uma caneca de cerveja do lado. Mas resolveu esperar o segundo jogo e, para sua surpresa, viu Gana sair perdendo, mas empatar e virar o jogo contra a Alemanha.

Aí, ouviu o técnico chamar seu nome. Levantou, entrou, correu para a área por trás dos zagueiros e a bola veio imediatamente ao seu encontro. Ao empurrá-la com a sola do pé para as redes, tornou-se recordista de gols em copas, empatado com Ronaldo. E daí? Mais importante foi ter impedido a tragédia nacional completa. Klose está pronto para outra.

E Suarez? Também do banco ele viu ruir o castelo uruguaio contra a Costa Rica, que, no grupo da morte, tornou-se a matadora de campeões do mundo. Ainda recuperando-se de uma contusão, ele nada pôde fazer, a não ser sofrer.

Mas o universo reserva a hora certa para os heróis. E a hora certa era o jogo seguinte, contra a Inglaterra. Luizito Suarez, o homem que há quatro anos, no último minuto da prorrogação das quartas-de-final, salvou o Uruguai ao meter a mão na bola e impedir o desastre: com o gol, Gana se classificaria e eliminaria sua seleção. Tudo menos a derrota: Suarez meteu a mão na bola e foi expulso, mas impediu o gol e deu uma tênue chance ao Uruguai – se Gana perdesse o pênalti. E o cobrador de Gana não poderia fazer outra coisa, senão premiar o heroísmo adversário: chutou no travessão e o ato de Suarez não foi em vão – e será sempre lembrado.

Mas agora, a hora certa era o jogo com a Inglaterra. Faz um mês hoje que Luizito Suarez passou por uma cirurgia no joelho. Não fazia um mês no dia do jogo! Mesmo assim começou jogando e, 39  minutos depois, mostrou que Deus sorri para os heróis. Fez o gol que colocou os uruguaios na frente e, no segundo tempo, o gol de desempate.

Suarez chorou porque sabia o que tinha feito: tinha retornado dos mortos do futebol para salvar o Uruguai e, como em 2010, mantê-lo vivo para mais uma batalha.

Messi

Faz falta um Nelson Rodrigues. Com todas as contradições que ele tinha, uma delas era a de não conseguir enxergar nada em campo, mas farejar o drama para o seu “personagem da semana”, em sua coluna. O que ele já teria de material neste começo de Copa do Mundo!

Poderia ser Fred. Acostumado a receber beijos em troca de nada em sinais de trânsito, ele teve que dar explicações à República após ser acusado de se jogar na área incriminando o zagueiro croata. O replay mostrou que não foi pênalti, mas Nelson há décadas já tinha resposta para isso: “O videotape é burro”. E exaltaria o jogador: talvez não haja heroísmo maior que o de oferecer-se em sacrifício à vilania pela glória de seus companheiros.

Poderia ser Diego Costa. Diego Costa, o brasileiro menos brasileiro do mundo. Vaiado em sua ex-terra por aqueles que, tivesse ele dito “sim” ao invés de “não”, o carregariam nos ombros. Ele não viu que talvez o banco de reservas nacional contivesse mais glória acumulada que mil ataques titulares espanhóis. A consciência do fato se deu de forma dramática e as vaias certamente não o irritaram, mas certamente o entristeceram de perceber que está do lado errado do mundo.

Poderia ser Casillas. Aquele que uma vez foi celebrado como o melhor goleiro do mundo, poderia hoje ser eleito o melhor goleiro dos três patetas. Sua imagem de vencedor máximo, erguendo a taça do mundo há quatro anos, foi trocada por um semblante derrotado, desnorteado, incapaz de reagir e de entender o que acontecia, enquanto mais e mais gols holandeses passavam por ele em direção à meta. Estaria sua namorada jornalista atrás do gol?, perguntaram alguns. Ele próprio deveria estar torcendo que não: não há fracasso pior que o fracasso diante da mulher amada.

Poderia ser a Costa Rica inteira. Menosprezada, em um grupo onde os outros três somam oito títulos mundiais. De quem se esperava que sua única contribuição ao grupo seria verificar com alguma matemática de alta precisão quanto gols levaria de cada campeão para que seus saldos definissem a colocação no grupo. O primeiro gol sofrido estava dentro do roteiro. Mas a partir de um pênalti não marcado a seu favor, a Costa Rica rebelou-se: levou seus cidadãos ao portão do palácio do fidalgo Uruguai e o destronou do feudo. De tochas e espadas na mão, eles agora marcham para enfrentar a Rainha Inglaterra e o papado italiano.

Poderia ser Messi. O Maracanã estava dividido entre argentinos e nós – brasileiros e bósnios, unidos como uma nação separada pelo Atlântico e por meia Europa. Fruto de nossas rivalidades ancestrais em nossas próprias cidades e que se unem para ampliarem-se internacionalmente quando se trata da Argentina. Era fácil torcer contra a Argentina até meados do segundo tempo. Mas como, depois de dar um passe, receber de volta, avançar imparavelmente, fazer um bósnio atropelar o outro como se este fosse um sérvio, Messi armar o chute com a perna esquerda, como não torcer para que aquela bola entrar? Nesses dois ou três segundos, nos argentinizamos todos, uma licença mais do que poética na nossa rivalidade.

APTOPIX Brazil Soccer WCup Brazil Croatia

Impressões de ontem:

1 – MERECEMOS GANHAR. O time começou nervoso, a pressão era grande, mas conseguiu dominar os nervos e ir buscar o placar.

2 – NÃO FOI PÊNALTI, CLARO. Mas pelo ângulo do juiz, acho que pareceu mesmo penalti. Não marcar mudaria o resultado do jogo? Bem, o futebol é aquela velha caixa de bombons de Forrest Gump, mas claro que a possibilidade de terminar vencendo mesmo sem aquele penalti era o mais provável. A merda é que corremos o risco de se falar nisso a Copa inteira.

3 – A CERIMÔNIA DE ABERTURA: NHÉ. A parte brasileira do encerramento das Olimpíadas de Londres foi mil vezes melhor. Os três patetas cantando aquela tranqueira de música oficial também não ajudou. MAS: abertura de Copa nunca é um graaaaande evento, mesmo, a gente fica acostumado com Olimpíadas, que é diferente, mais grandioso. Então, podia ser melhor, mas é aquilo ali mesmo, meio chinfrim.

4 – XINGAMENTOS A DILMA: ridículo. Pareceu pirraça de menino de oito anos. Cresçam.

5 – PROTESTOS: já faz tempo que deixaram de dizer o que deve ser dito.

6 – “A GLOBO NÃO MOSTRA”. Besteira. Mostrou e até Galvão falou dos protestos no intervalo. O que não ia acontecer é o jogo ser interrompido pra transmitir ao vivo os quebra-quebras, ora.

7 – “SE O BRASIL PERDER A COPA, DILMA PODE NÃO SE ELEGER”. Besteira. Dilma tem vantagem suficiente para não depender da Copa.

8 – “SE O BRASIL GANHAR A COPA, DILMA VAI SE ELEGER”. Besteira. Dilma tem vantagem suficiente para não depender da Copa.

9 – POLARIZAÇÃO CHATA DEMAIS: é uma merda um país onde até sua opinião sobre a cerimônia de abertura de um torneio esportivo mede seu grau de apoio ou oposição ao governo. Você pode votar contra a Dilma e curtir a Copa, meu filho. Você pode votar na Dilma e achar que o governo precisa, sim, melhorar em muitas áreas e ser criticado por isso, meu filho.

10 – OSCAR. Roubou uma bola no meio de dois croatas e deu o passe para o gol de empate, deu o passe que resultou no penalti maroto, fez o terceiro gol. Pra mim, o nome do jogo.

11 – NEYMAR. Quanto tinha que resolver, resolveu (com um golaço, inclusive). Tem tudo pra ir longe.

Leônidas da Silva

Leônidas da Silva nasceu há 100 anos, em 1913. E desculpe, você que acha o contrário, mas aqui futebol é arte. O carioca Leônidas, atacante do Vasco, Botafogo,  Flamengo e São Paulo, foi artilheiro da Copa do Mundo de 1938. Mas ele também é o criador de um dos lances mais bonitos, mais espetaculares do futebol: a bicicleta (para os não iniciados, aquele lance em que o craque joga o corpo para trás e “deita-se” no ar, chutando a bola por cima do corpo). Os registros contam que ele criou o lance em 1932. Ele tinha o apelido de Diamante Negro – donde a Lacta criou o famoso chocolate em sua homenagem.

1 – Brasil perde por 2 a 0 para Honduras e é eliminado da Copa América em 2001.

2 – Brasil perde por 4 a 0 para o Chile e é eliminado da Copa América de 1987 na primeira fase.

3 – Com dois homens a mais, o Brasil perde para Camarões na prorrogação e é eliminado das Olimpíadas de 2000, em Sidney.

4 -Às vésperas da Copa de 1990, na Itália, o Brasil faz uma amistoso-treino contra a Seleção da Umbria – formada por jogadores da terceira divisão italiana… e perde por 1 a 0.

5 – O Brasil erra todos os quatro pênaltis que cobra contra o Paraguai e é eliminado da Copa América em 2011.

Nada melhor que numa Copa começar com um golaço

Começou de novo. E talvez a Copa do Mundo nunca tenha sido tão importante para um continente inteiro como é, agora, para a África. Esse conjunto de países que sofre com o olhar enviezado do resto do mundo. Chegou a hora de olhar diferente.

Esse olhar diferente certamente passa pela alegria contagiante dos torcedores da África do Sul. Por mais que a expressão “alegria contagiante” seja um clichê daqueles, não há outra expressão, é exatamente essa. Com o perdão dos mexicanos, ou quem apostou em algum bolão e pensou no próprio dinheiro, fomos todos Bafana Bafana hoje.

Vibramos com o gol de – meu Deus, como é mesmo o nome? – Tshabalala. Que bom uma Copa começar com um golaço desses! Não que o jogo tenha sido essas coisas todas, mas teve emoções, sem dúvida. Pressão dos dois lados, bola na trave. Mas ficou a sensação de que dá, de que a África do Sul pode ir um pouco além da lógica nesta Copa.

Eles próprios sabem muito bem disso, desde aquela Copa do Mundo de Rúgbi de 1995, onde os jogadores sul-africanos não eram nem de longe favoritos, mas foram preenchidos com um fervor imenso e sofreram a ação do apoio incomensurável de uma torcida fanática a inacreditavelmente ponto de se tornarem campeões.

Não que eu ache que isso vá acontecer de novo – embora em 1995, também ninguém achasse. Mas, num grupo tão complicado, que pode sobrar uma vaguinha na segunda fase, pode.

Muita luta, pouco futebol

Aliás, ainda mais depois do segundo jogo. Não vi tudo, mas deu pra perceber que Uruguai e França lutaram bastante, mas mostraram pouco futebol.  O 0 a 0 chocho deixou tudo igual.

Ou melhor: igual, não. África do Sul e México estão na frente por terem marcado um golzinho cada um. Não é nada, não é nada, foi por causa de um golzinho marcado que a Itália ficou na frente de Camarões no grupo A em 1982 e eles se classificaram e não os africanos. E todos sabemos no que deu.

Todo mundo faz a relação óbvia entre Dunga e aquele anão da Branca de Neve. Mas depois de ontem ficou claro que ele é, na verdade, outro personagem.

Com o tempo, ele só mudou o penteado pra disfarçar…

Juca Kfouri comenta o Brasileiro de 1987, bem explicadinho e com todos os pingos nos “is” nesse vídeo aí embaixo. E a CBF que se dane! De novo, sempre e quantas vezes forem necessárias.

Os antiflamenguistas que renegam o próprio passado e os pernambucanos bairristas até a medula farão ouvidos de mercador, como sempre, mas quem liga pra eles? Viva a revolução, abraçada por milhões e milhões, pela imprensa, pelos cidadãos de bem!

O site - aham - oficial da Fifa

Corriere della Sera, Itália

Clarín, da Argentina

O Estado de S. Paulo, São Paulo

Correio Braziliense, Brasília

Época, São Paulo

Tribuna do Norte, Rio Grande do Norte

Foi festa em São Paulo.

Foi festa em Belém e na tribo dos Kariri-Xocó.

Foi festa no Rio, claro.

Foi festa no Brasil inteiro.

O Brasil ficou feliz!

Porque o Flamengo não é só um clube carioca. É um clube de dimensões continentais. Com uma torcida maior que a população de vários países, como disse Ruy Castro, flamengo de altíssima estirpe e autor de O Vermelho e o Negro – Pequena Grande História do Flamengo. O Brasil comemorou este hexacampeonato, que se avizinhava há três anos – depois de um terceiro e de um quinto lugares. O título veio, e não sem sofrimento – e venceu o melhor, coisa que um campeonato de pontos corridos nunca põe em dúvida.

Um sexto título que coroou Petkovic, gênio da bola, que o próprio Flamengo não queria quando ele insistiu em ser contratado como negociação da astronômica dívida do clube com ele. Agora, o clube deve mais essa, porque Pet foi nome fundamental da conquista. E Adriano, outro desacreditado? E Ronaldo Angelim, que encarnou Rondinelli para marcar de cabeça o gol do título?

E Andrade, o grande Andrade? Um dos maiores bastiões éticos do futebol brasileiro, tão querido que a torcida flamenga perdoou seu campeonato brasileiro vencido no Vasco em 1989, depois de ter participado das quatro conquistas rubro-negras até então: 1980, 1982, 1983 e 1987. Sem a confiança do próprio clube, também teve que conquistá-la na marra, pegando um time cambaleante e  orientando-o para o caminho das vitórias.

E, de novo, o Flamengo mostrou que é um time de chegada. Outra reta final de tirar o fôlego, assumindo a liderança só na penúltima rodada.

Uma reta final emocionante desse brasileiro de pontos corridos, para calar a boca dos imbecis que ainda defendem a volta do mata-mata, que premia o melhor de dois jogos, e não o melhor do campeonato inteiro.

Um hexa pra entrar para a história. Comemorado em todo o Brasil, para calar a boca até de quem ousou contestar nosso status de mais querido do Brasil. Que outro clube comove tantos, em tantos lugares? Até na Antártida, cara!

Eu tenho certeza que a África do Sul ganhou a sede da Copa do Mundo porque um dos argumentos foi…

Que animadinha, hein, Charlize?

…”Nós vamos colocar a nossa conterrânea Charlize Theron como assistente de palco no sorteio dos grupos!”. Nenhuma censura: eu votaria com eles.

Mas sobre os grupos… Ok, estamos no segundo grupo da morte. A Coréia do Norte não deve ser um problema, mas todo mundo diz que a Costa do Marfim é o melhor time da África nesse momento e Portugal, bem, é Portugal. Estamos preocupados? Bem, sejamos sinceros: eles é que devem estar com as mãos nas cabeças. Não será bolinho, mas o Dinga foi consciente: assim não terá essa história de “já ganhou”.

Pra mim, o grupo a morte mesmo é o A: África do Sul, México, Uruguai e França. Henry que vá treinando a mãozinha, que se eles bobearem…

E vamos que vamos que hoje é dia de hexa!

Como diria a Eliana (ops, a Ana Hickmann), tudo é possível

Sim, amigo, você está vendo direito. O colorado Rafinha Bastos conclama os torcedores do Internacional a torcerem pelo Grêmio no domingo, no jogo contra o Mengão no maracanã. Como vocês sabem, é a saia justa da semana no Brasileirão: o Inter precisa da vitória do co-irmão para ser campeão. O Inter torcendo para o Grêmio? O Grêmio ajudando o Inter? Veja com seus próprios olhos e ouça com seus próprios ouvidos:

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