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Sessao Coruja-01

Nhô_Quim

Há 145 anos, Angelo Agostini publicava na Vida Fluminense “As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Noite”, considerada a primeira história em quadrinhos brasileira. Agostini foi um italiano que seguiu a carreira de cartunista no Brasil desde o começo da Guerra do Paraguai. É nome seminal da HQ brasileira: 30 de janeiro passou a ser, desde 1984, o Dia do Quadrinho Nacional e um dos principais prêmios de quadrinhos no Brasil leva o nome de Angelo Agostini.

Guido Crepax

O quadrinista italiano Guido Crepax nasceu há 80 anos, em 1933. Sua obra máxima, claro, é Valentina, a sensual personagem com penteado a la Louise Brooks criada em 1965, sempre envolvida em aventuras eróticas e psicodélicas, bem no espírito da década. Crepax publicou vários álbuns com a personagem, que ia envelhecendo com as histórias – a última foi publicada em 1995. Valentina gerou um filme em 1973 (Baba Yaga, baseado no álbum de 1971) e uma série de TV em 1989. Crepax morreu em 2003.

Em história desconcertante, Horácio encara o futuro de sua espécie

Em história desconcertante, Horácio encara o futuro de sua espécie

Quando os dinossauros andavam sobre a Terra, um deles era dado a pensar sobre os mistérios da vida e do mundo. Pelo menos é assim na visão de Mauricio de Sousa, criador do Horácio, seu personagem mais pessoal: até hoje, ao contrário de seus outros personagens, Mauricio é o único que desenha e escreve as histórias do dinossaurinho verde. Agora, estes fortes tempos autorais estão de volta com Horácio e Seus Amigos Dinossauros – Vol. 1 (2013), o primeiro de uma série que pretende republicar todas as páginas dominicais estreladas pelo personagem.

“Horácio, pra mim, é uma série atemporal”, contou ao CORREIO. “Vai sair agora em álbuns e, no futuro, continuará sendo publicado ou animado com os mesmos resultados de público. Não segue a linha popular da Mônica. mas é marcante”.

Este primeiro volume compila quadrinhos que saíram originalmente entre 1963 e 1965 – ou seja, comemora 50 anos da série – e, de fato, eles têm uma outra pegada – muitas vezes surpreendente. “É a divulgação dos meus tempos de exercícios com temas não usuais em histórias lançadas originalmente em publicações dirigidas às crianças”.

Lucinda, eterna pretendente, estreia logo nas primeiras páginas

Lucinda, eterna pretendente, estreia logo nas primeiras páginas

Já nos primeiros domingos, a série fugiu da piada pura e simples. Há bastante humor, claro, mas Mauricio trocou piadas fechadas por páginas seriadas que duravam várias semanas (a história mais longa da edição durou 19 semanas, ou seja: quase cinco meses!). E os temas combinavam o suspense do “próximo capítulo” e um tom bem presente de mistério.

“Não foi planejado”, diz o autor, revelando que o Horácio era produzido sob pressão. “Como, no estúdio, o Horácio ‘sobrava’ pra mim (para roteiro e desenho) e eu andava sempre muito ocupado, deixava a produção das suas páginas para a última hora. Entregava a página semanal, em alguns casos, duas horas antes do fechamento do prazo do jornal – o suplemento infantil Folhinha de São Paulo. Não tinha tempo de elocubrar muito, planejar melhor a história e seu desenvolvimento. Consequentemente as ideias tinham que brotar na hora e serem resolvidas no ato. Então eu tinha que ousar”.

As dificuldades acabaram fazendo brotar um trabalho genial. “Começava a escrever e desenhar a página sem planejamento. Desenvolvia a história à medida que brotavam figuras e textos. Ia ‘vivendo’ as situações, com a responsabilidade de encontrar a fala seguinte, a ação imediata. Saindo da ideia estopim, passando para o meio e rezando para chegar com coerência a um desfecho no fim de uma página ou de uma sequência de páginas”, recorda. “Se eu acreditasse em produção psicografada, diria que o que acontecia – uma vez por semana, às quintas-feiras – era algo mais ou menos parecido. E isso durante quase 30 anos”.

Mastodontes defendem sua "pureza racial": uma surpreendente referência ao nazismo

Mastodontes defendem sua “pureza racial”: uma surpreendente referência ao nazismo

Daí surgiram tramas que sempre partiam da solidão algo chapliniana do Horácio para fazê-lo ser forçado a se casar, ser levado ao espaço e lidar com árvores que ganham consciência e planejam a dominação do mundo. O lugar do nascente ser humano no planeta volta e meia e tema de observação. E, em outra história, o dinossauro pensa que é um mastodonte e é discriminado por outros que defendem uma “pureza racial” – é bom lembrar que as HQs são de 1963, e o nazismo havia levado o mundo à II Guerra menos de 25 anos antes.

Mas as duas tramas mais surpreendentes mostram Horácio sendo capturado pelos napões, um povo que viveu feliz tanto tempo que passa a desejar que algum animal os devore e aterrorize, e sendo levado a encarar o futuro de sua raça por uma névoa mágica que prevê o futuro.

Mauricio também já tinha criado o Piteco, mas tinha um interesse especial menos pela pré-história do que pelos quadrinhos que a usavam como cenário. “Histórias sobre a pré-história e suas figuras rotineiramente mostradas em muitas histórias em quadrinhos do passado me pareciam muito interessantes. Mas dezenas de outros temas também me eram interessantes”, diz, falando com sinceridade sobre sua opção pelo cenário. “Talvez o que me levou a ir buscar a ambientação pré-histórica foi, mais uma vez, minha falta de tempo. Produzia demais, varava noites criando, desenhando. Então, quando fiz meu planejamento de personagens e ambientes que deveriam compor a variedade de gêneros que eu necessitava para fazer frente à concorrência estrangeira, pensei numa história que não me obrigasse a usar cenários detalhados, sofisticados, com carros, edifícios, vestuário. Fui buscar no barroco dos traços soltos o estilo que eu tinha tempo de fazer com traços rápidos. E quando fui dividindo o trabalho com a equipe, fiquei com a opção Horácio”.

Os napões: após anos pacíficos, desejam simplesmente ser devorados por um predador

Os napões: após anos pacíficos, desejam simplesmente ser devorados por um predador

A maior parte dessas histórias não é vista desde sua publicação original. Algumas foram redesenhadas para caber nas revistas Mônica e Cebolinha nos anos 1970 (incluindo uma atualização dos traços dos personagens) ou na edição especial que leva o mesmo nome que essa e foi publicada em 1993.

Mauricio conta, também, que deseja voltar a escrever e desenhar o Horácio – o que a atividade na condução da Mauricio de Sousa Produções e a aprovação de roteiros tem impedido já há algum tempo. “Realmente ando com sede e fome de voltar a criar novas situações para meu dinossaurinho verde”, revela. “Tenho pensado em muitos temas. E todos  estão à espera de um processo de delegação em curso no estúdio. Pretendo me afastar de algumas atividades internas – já estou treinando meus segundos nessas áreas – para voltar a criar. Principalmente agora, às voltas com o início da produção de um longa metragem em 3D do Horácio. E empurrado pela publicação da série de álbuns com suas primeiras histórias”.

HORÁCIO E SEUS AMIGOS DINOSSAUROS - VOL. 1, de Mauricio de Sousa. Panini Books, 168 páginas. R$ 46.

HORÁCIO E SEUS AMIGOS DINOSSAUROS – VOL. 1, de Mauricio de Sousa. Panini Books, 168 páginas. R$ 46.

Veja a linha do tempo publicada na edição deste domingo do Caderno 2 do Correio. E, abaixo, a entrevista que fiz com Mauricio de Sousa sobre a personagem:

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Qual o principal momento na trajetória da Mônica, como personagem, para o senhor? A publicação da primeira revista em 1970, a homenagem de quadrinistas de todo o mundo nos 30 anos…
Sem dúvida a primeira revista publicada. É o sonho de todo desenhista ter seus personagens em uma publicação de banca. O personagem já era popular pelas publicações em jornais e aparições nos desenhos comerciais da cica. A revista saiu no tempo certo.

Existe uma “tradição” nos seus personagens de coadjuvante tomarem o lugar dos protagonistas. Caso do Chico Bento e do Horácio. Em que momento o senhor percebeu que era a Mônica – e não o Cebolinha – a personagem principal da série?
 Tem personagens que o público adota e quer ver mais. Foi assim com a Mônica. Os leitores viviam pedindo mais historinhas com ela. Então ganhou cada vez mais destaque até a série virar Turma da Mônica e não Turma do Cebolinha. Talvez por isso ele viva bolando seus planos infalíveis para voltar ao poder na rua.
Como o senhor lidou com sua filha enquanto o sucesso da personagem ia crescendo?
Até que ela entrou na escola, eu evitava passar pra ela informações sobre o personagem e seu sucesso crescente. Mas um dia ela descobriu tudo pela boca das coleguinhas de classe. Daí me questionou. Eu confirmei e durante muito tempo ela aceitava bem o sucesso do personagem e do pai… mas se recusava a reconhecer seu gênio forte e pavio curto. Hoje, quando a Mônica personagem já está mais suave, mais feminina, ela já aceita a situação.
Em que medida o ‘politicamente correto’ tem causado problemas para a criação das histórias (que eram muito mais livres tempos atrás)?
O Cebolinha não desenha mais nos muros. desenha em papel e cola nos muros ou paredes. a Mônica suavizou as coelhadas. o nho lau não usa mais espingarda… São algumas das transformações no comportamento e hábitos dos personagens através dos anos. Mas tudo isso foi resultado de uma conscientização dos leitores, nossa, da população em geral. Que foi se instalando nos hábitos e na consciência de todos nós. O chamado politicamente correto já é outra coisa, com um viés mais radical e coercitivo. Da forma como se estabelece, às vezes cerceia criatividade e espalha insegurança. Vale mais seguirmos o bom senso e os conhecimentos que nos chegam.
Depois do sucesso da Mônica Jovem, foi anunciada a intenção de uma série da Mônica adulta. O que o senhor pode adiantar sobre isso?
Esse é um projeto para daqui uns 3 anos quando teremos uma equipe montada para desenvolver uma série ao estilo folhetim. Com os personagens vivendo situações do tempo em que vive o leitor. Planejamos uma série onde os personagens envelheçam com o leitor. Vivam sua realidade social, política, econômica. Tudo temperado com muito humor e criatividade.

Mônica é, hoje, diretora comercial da Mauricio de Sousa Produções (foto: Bruno Honda Leite/ Divulgação MSP)

Ela tinha apenas dois anos e andava para lá e para cá pela casa agarrada ao seu coelho de pelúcia (amarelo) quando seu pai, o desenhista Mauricio – que estava tentando criar figuras femininas para suas tiras de jornal -, se inspirou nela, criando a personagem de quadrinhos mais conhecida do Brasil. Mônica, a personagem, completa 50 anos no ano que vem. E Mônica Sousa, a filha do Mauricio e hoje diretora comercial da Mauricio de Sousa Produções, falou ao CORREIO sobre seu “relacionamento” com a versão de papel e adiantou alguma coisa do que virá no ano do cinquentenário.

Em 1963, Mauricio de Sousa estava em plena ascenção como quadrinista, mas foi alertado para o fato de que, em suas tiras, não havia personagens femininas. A solução, ele encontrou dentro de casa, inspirando-se nas filhas e suas personalidades: Magali, Mônica e, a mais velha, Mariângela (que virou a Maria Cebolinha, irmã do Cebolinha).

Com dois anos ela, claro, não tinha a menor ideia do que viria pela frente. Ela começou a se dar conta de que tinha virado uma personagem de HQ na escola. “Nas reuniões de pais e mestres as pessoas reconheciam o meu pai, mas eu não entendia a proporção daquilo”, conta. “Comecei a entender quando comecei a frequentar programas de televisão com meu pai”.

Na época em que inspirou o personagem, com seu coelhinho original (amarelo!). (foto: Arquivo pessoal/ divulgação MSP)

Mas se a Mônica dos quadrinhos não aguenta ser chamada de “baixinha, gorducha e dentuça”, é de se esperar que a de verdade também se irritasse com as infalíveis brincadeiras dos amiguinhos ao ser comparada com a personagem. “Chegou uma fase pré-adolescente em que eu não gostava muito, não”, confessa, rindo. “Mas eu tenho um relacionamento muito bom com a personagem”.

Mônica Sousa, hoje com 51 anos, começou a trabalhar nas empresas do pai como vendedora em uma das antigas Lojinhas da Mônica. “Comecei na Lojinha da Mônica da Paulista com a Augusta, como vendedora”, conta. “Éramos eu, a Magali e a Mariângela. Eu fazia faculdade de Desenho Industrial, na época, mas apaixonei pela área comercial”. Ela se tornou assistente de gerente e, de lá, foi para a Mauricio de Sousa Produções como gerente comercial.

“Fui gerente de produtos por mais de dez anos”, completa. Ela atendia o segmento de alimentos, um dos vários em que a marca da Turma da Mônica aparece estampada em produtos – uma ação de merchadising extremamente bem realizada por Mauricio de Sousa já desde os anos 1960 e que, em uma via de mão dupla, ajudou a popularizar ainda mais os personagens. Agora, Mônica está há 11 anos na direção comercial e licenciamento da empresa. “É muito fácil trabalhar em uma empresa em que você acredita no que está fazendo”, afirma, lembrando a filosofia para a aprovação dessas parcerias: “Produtos que nós daríamos para os nossos filhos”.

O primeiro coelho, amarelo, presente da madrinha, não existe mais. Mas o segundo, azul, sim. “Ele tá bem acabadinho”, diz ela. “E o amarelo vai ser relançado no ano que vem”. É só uma das muitas ações já planejadas para o cinquentenário da Mônica.

Ela não gostava muito de ser comparada à personagem na pré-adolescência. “Mas temos um bom relacionamento”, diz. (foto: Marcela Beltrão/ Divulgação MSP)

Produtos clássicos voltarão às lojas: a primeira boneca da Mônica, de vinil, lançada pela Troll nos anos 1970, a Estrelinha Mágica lançada pela Tec Toy na esteira do filme de 1988. “Também tem uma boneca da Mônica que trocava o rostinho”, adiciona ela. “Sairão quatro livrões. Um deles, com todas as capas de aniversário até agora – todas as vezes em que ela fez sete anos. E estamos pensando em um com ilustradores internacionais”. E ela continua: “Vai ter uma exposição no MuBE, em maio”, adianta Mônica, referindo-se ao Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo – onde também aconteceu a exposição dos 50 anos de quadrinhos de Maurício de Sousa, em 2009. “Além de atividades nas redes sociais”.

É a preparação de um aniversário e tanto. De certa forma, não deixa de ser mais um aniversário também para a Mônica de verdade. “Acho que foi um presente que ganhei ter sido a filha inspiradora da personagem. Eu só tive sorte do meu pai fazer esse desenho”.

Mais:

- Entrevista com Mauricio de Sousa (em quatro partes)
- Mauricio fala sobre Osamu Tezuka
Entrevista com Sidney Gusman, editor do Universo HQ e do álbum MSP 50.
- Meu presente de casamento feito pelo Mauricio!
- Crítica do MSP 50
- Crítica de Turma da Mônica – Romeu e Juleta
- Crítica de Bidu – 50 Anos
- Assista o Comic Show sobre Maurício de Sousa

Com “Lôcas”, “Love and Rockets” volta a ser publicada no Brasil

Se hoje há um cenário independente importante nos quadrinhos americanos, muito se deve a Love and Rockets. A revista capitaneada pelos irmãos Gilbert e Jaime Hernandez mostrou que existia uma via a percorrer onde autores poderiam ter toda a liberdade na condução de uma história – e se divertir, divertindo os leitores no processo. Agora, Love and Rockets retorna ao Brasil através do álbum Lôcas – Maggie, a Mecânica (Gal Editora, 152 páginas), que compila as primeiras histórias de uma das séries que compunham Love and Rockets: Hopper 13 (ou Locas), de Jaime Hernandez.

O primeiro volume de Love and Rockets é de 1981. E teve 50 edições até 1996, com a colaboração ocasional de outro dos irmãos Hernandez, Mario. Neste ano, Gilbert e Jaime passaram a publicar seus personagens separadamente, até o retorno, em 2001, para Love and Rockets  – Volume 2. A essa altura a série já estava consagrada como um clássico dos quadrinhos – de qualquer estilo.

Jaime Hernandez conversou por e-mail sobre Lôcas, as aventuras de duas garotas comuns – Maggie e Hopey – envolvidas às vezes com um cotidiano bastante comum e, em outras, com situações fantásticas. Ele conta, também do que ama o filme Orfeu Negro e gosta de outras coisas no Brasil. “Como poderia não gostar do Zé do Caixão?”, pergunta.

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Hopey e Maggie: as “Betty e Verônica” de Hernandez em “Lôcas”

Quando Love and Rockets começou, o mercado de quadrinhos nos Estados Unidos era muito diferente. O que você acha que mudou nos quadrinhos independentes desde então?

Difícil dizer, porque realmente não havia muito de um mercado de quadrinhos independentes, na época. 30 anos depois, há um grande número de artistas que fazem o trabalho em seus próprios termos, do seu próprio jeito. Agora, mais do que nunca na história dos quadrinhos.

As primeiras histórias de Lôcas estão sendo publicadas agora no Brasil. O que você lembra sobre o que os primeiros passos da série?

O que mais me lembro é que eu estava me divertindo muito. Não havia regras e ninguém para nos dizer o que não fazer.

Fale um pouco sobre Maggie e Hopey. Como você criou as meninas?

Eu queria criar minhas próprias Betty e Veronica (personagens da série em HQ Archie). Minhas próprias Lucy e Ethel (personagens da série de TV I Love Lucy). Minhas próprias Abbott e Costello. Duas amigas para escrever sobre. Duas personagens para metralhar diálogos. Eu também estava encantado com o estilo e a atitude das meninas punk do sul da Califórnia naquela época.

As garotas e seus problemas: do aluguel atrasado a… dinossauros!

Seus irmãos e você discutem ideias? Ou cada um trabalha em suas próprias histórias?

Trabalhamos em nossas próprias histórias, mas conversamos uns com os outros sobre elas de vez em quando.

Você colocou Orfeu Negro em uma lista de seus filmes favoritos. Talvez saiba que este filme é inspirado em uma peça de teatro brasileira de Tom Jobim & Vinicius de Moraes.

Meu irmão me mostrou há alguns anos e eu amei. Eu tenho um DVD dele e vejo de vez em quando. Eu adoro a forma como a música dá o tom de uma parte da história.

O que mais você sabe sobre o Brasil?

Outro filme favorito meu é Pixote. Levei anos para conseguir um DVD, mas finalmente consegui. Esse ainda me bate pra valer quando assisto. E, naturalmente, há o Zé do Caixão. Como poderia não gostar do Zé do Caixão?

* Publicada no Correio da Paraíba, em 12 de agosto de 2012

Liniers: quinto álbum de ‘Macanudo’ no Brasil e exposição no Rio

Desde a Mafalda de Quino um quadrinho argentino não alcançava uma razoável popularidade entre os leitores brasileiros. Mas outra garotinha portenha também vem ganhando cada vez mais fãs, embora dividindo o protagonismo de sua tira com outros personagens engraçados e comoventes. Enriqueta faz parte do elenco de Liniers, o quadrinista argentino que se tornou um dos mais importantes nomes da HQ na América Latina. Ele acaba de ter lançado no Brasil o quinto volume da coletânea de sua tira Macanudo e uma exposição no Rio está celebrando sua obra através dos originais do artista.

O quadrinho argentino tem forte história no país vizinho e vai bem além de Quino e Liniers. No Brasil já saíram tiras de Gaturro e, recentemente, a clássica ficção científica El Eternauta. O sucesso de Macanudo pode estar fazendo parte de uma aproximação maior entre os dois países nessa área. “Espero que sim”, disse Liniers, ao CORREIO, do Rio, onde esteve para a abertura da exposição Macanudismo. “Eu teria gostado muito de ler Angeli ou Laerte na minha adolescência. Tomara que livros, música, cinema, tudo pule estas fronteiras com mais facilidade”.

Fellini e Enriqueta: humor e amor pelos livros

Macanudo (que quer dizer algo como “bacana” ou “legal”) é publicado originalmente no jornal La Nación, de Buenos Aires, desde 2002. Começou a se tornar popular no Brasil ainda pela internet e chegou a ser publicada na Folha de S. Paulo. Os álbuns chegaram às livrarias por aqui em 2008. Em 2010 foi lançado Bonjour, produção anterior de Liniers, que saía semanalmente em Página 12.

Foi a quadrinista Maitena, autora de Mulheres Alteradas (cuja série também foi publicada no Brasil), que o levou à mudança da tira semanal para a nova série diária. E o que começou em Bonjour, ele firmou em Macanudo: não muitos personagens fixos, uma observação do mundo que se alterna entre o humor, a ternura e a melancolia, e o diálogo com a cultura pop.

O nonsense poético é marca forte do argentino

“Comecei Macanudo sem  saber para onde ela iria”, diz o quadrinista. “E ainda não sei para onde vai. O trabalho de um artista é como uma viagem em que importa muito pouco o destino”. Ir com o vento explica a postura de não se prender demais aos personagens, mesmo os mais populares. “Macanudo muda sempre porque eu mudo sempre”, conta. “Estamos vivos, isso é mudar”.

Ele faz parte de uma geração de autores para jornal que desenvolveu uma narrativa onde a obrigação da piada nas tiras de humor diminuiu e o trabalho pode seguir outros caminhos, mais existenciais. “Desapareceram alguns preconceitos sobre esta forma narrativa”, avalia. “Acredito que isso faz com que o panorama seja muito mais variado e rico. Vale tudo!”

Liniers, pintando um painel na abertura da exposição “Macanudismo” (foto: Kadu Ferreira)

Suas sessões de autógrafo no Brasil são concorridíssimas. Isso se repetiu no volume 5, na abertura de Macanudismo (foram mais de 4h30 de autógrafos). “Pra mim a importância da obra de Liniers é conseguir fazer com que as pessoas tenham um momento de alegria e ternura – e também de nonsense e mistério – no seu cotidiano”, diz Bebel Abreu, pessoense que é a curadora da exposição que está na Caixa Cultural até setembro. “O fato de ele ser um autor absurdamente prolífico e generoso também me motivou a trazer a mostra para o Brasil”.

Ela conta que as redes sociais são uma demonstração da popularidade do artista argentino. “Percebemos que ele tem fãs ardorosos no Brasil, mas muita gente está conhecendo seu trabalho agora…”, conta ela. “Apostamos que a mostra vai levar seu trabalho a muitas outras pessoas que não tinham tido contato ainda. Tivemos grande alegria em sair com destaque nas mais diversas mídias cariocas e mesmo paulistanas. E pela primeira vez em muito tempo vejo as pessoas escrevendo em seus blogs e sites, muito mais bacana que copiar e colar o release, que é o que acontece em 90% dos projetos culturais”.

Para os paraibanos, a ótima notícia é que Macanudismo estará na Caixa Cultural Recife na sequência: de 18/9 a 18/11. Será uma oportunidade e tanto para apreciar ainda mais a obra de Liniers e suas influências confessas para personagens como a leitora voraz Enriqueta e seu gato Fellini, os pinguins, a vaca cinéfila, os duendes, o casal Lorenzo e Terezita, o misterioso homem de negro.

‘Macanudo’ 5 sai, mais uma vez, pela Zarabatana

“Muitíssimas influências”, confirma. “Não só de quadrinistas, mas também Woody Allen, Monty Python, (o escritor americano Kurt) Vonnegut, Bob Dylan, Chaplin, Steinbeck e Stephen King!”. A lista continua com os argentinos admirados por ele. “Adoro artistas como Maitena, Quino, Fontanarossa, Caloi, Max Cachimba, Solano López, (Carlos) Trillo, (Horacio) Altuna, (Carlos) Nine… É uma lista muito longa”.

Uma grande combinação para criar esse clima de nonsense e mistério desta obra-prima que é Macanudo.

Safiri e Mônica contracenam na revista Turma da Mônica Jovem

Foi em 1984 que Mauricio de Sousa e Osamu Tezuka (ou Tezuka Osamu, como se diz no Japão) se conheceram. Foi o nascimento de uma bela amizade entre os dois quadrinistas, separados por meio mundo. Celebrando esta amizade, o brasileiro conduziu sua equipe em uma bela homenagem ao maior nome dos quadrinhos japoneses: um encontro inédito entre os personagens das duas produtoras em duas edições da Turma da Mônica Jovem (a segunda, a número 44, está atualmente nas bancas).

As versões adolescentes de Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali encontram Astro Boy, Kimba, o leão branco e a Princesa Safiri (de A Princesa e o Cavaleiro) em uma aventura na Amazônia. “Tezuka me deixou envergonhado quando disse que eu precisava conhecer a Amazônia, como ele conheceu em sua viagem para o Brasil”, revela Mauricio de Sousa. “Eu, brasileiro, ainda não conhecia de perto a maior floresta do mundo”. Mauricio conta como surgiu a amizade entre os dois artistas, da negociação para o crossover de importância inédita nos quadrinhos brasileiros e dos planos já em andamento para a Turma da Mônica retribuir a visita aos personagens de Tezuka. A entrevista foi publicada hoje no Caderno 2 do Correio da Paraíba.

***

Mauricio e Tezuka no Japão, em 1985

- Do que você se recorda do dia em que conheceu Tezuka?

- Nosso primeiro encontro foi quando Tezuka esteve no Brasil em 1984, convidado pela Fundação Japão e visitou nosso estúdio. Foi quando me convidou para visitar o estúdio dele, também. Fiz isso no ano seguinte, em viagem também oferecida pela Fundação Japão. Na ocasião, sugeri que desejava estudar a vida das crianças japonesas em seus diversos aspectos.

- Como era a amizade de vocês? Diria que ele foi o que se tornou mais próximo entre todos os mestres da HQ que conheceu?

- Tezuka Osamu  não está entre nós desde 1989. Mas nos seus últimos anos de vida surgiu entre nós uma amizade, uma camaradagem que poucas vezes tive com outra pessoa. Em outra viagem, mais planejada, quando Tezuka completava 50 anos de profissão e fez uma festa, tive a honra de acompanhá-lo numa viagem por todos os pontos que marcaram sua vida. Desde a distante cidade de Takarazuka, com seu gigantesco teatro à moda do Radio City de Nova York, os parques em que ele brincava em criança, a escola, e depois seus estúdios, em Tóquio, seu museu particular, sua família, sua casa… Era um retorno, uma viagem de nostalgia que ele nunca havia feito na vida, um momento de descanso para um artista que fazia meio século não parava de trabalhar. Mas também tive um longo período de aproximação com Will Eisner. Com encontros no Brasil e nos EUA.

- Você escreveu que resolveu conhecer melhor a Amazônia por sugestão do próprio Tezuka…

- Tezuka me deixou envergonhado quando disse que eu precisava conhecer a Amazônia, como ele conheceu em sua viagem para o Brasil. Eu, brasileiro, ainda não conhecia de perto a maior floresta do mundo. Foi aí que surgiu a ideia de fazermos juntos um desenho animado com nossos personagens. Com fundo ecológico, usando a Amazônia como cenário. Anos mais tarde visitei a Amazônia não só para conhecê-la, mas para pesquisar por conta. Naturalmente quando tivemos a ideia não existia ainda a Turma da Mônica Jovem. O estilo próximo ao mangá da TMJ ajudou na composição com os personagens do Tezuka.

Primeiro encontro entre os personagens: Turma da Mônica consola personagens de Tezuka após a morte do criador, em 1989

- Que cuidados foram necessários para combinar os universos de todos esses personagens?

- Primeiro contatamos a família de Tezuka para retomar esse assunto. Foram muito simpáticos e marcaram um encontro no Festival de Livros Infantis de Bologna, na Itália. Contei tudo sobre os encontros com Tezuka e eles foram receptivos à ideia. Aprovaram a participação dos principais personagens de Tezuka na trama – Kimba, o leão branco; a princesa Safiri; e o Astro Boy. Desenvolvemos a história em nossos estúdios assim como os traços dos personagens de Tezuka. Tudo foi enviado para o Japão já com tradução para o japonês. Essa troca de mensagens e material gráfico foi perfeita. Pediram para adaptar uma coisa aqui e outra ali. Mas aprovaram tudo.

- Para finalizar: há algum plano de a história ser publicada também no Japão?

- Estamos iniciando negociação com editoras japonesas para publicar essa história também no Japão. E daqui a alguns meses sairá uma nova história apenas com a Turma da Mônica Jovem viajando para o Japão. Nessa história queremos mostrar como o Japão se reergueu das catástrofes do ano passado e está lindo e preparado para receber visitantes. Principalmente nossos jovens brasileiros.

Renato Guedes, ilustrador da Marvel, está em João Pessoa para autografar seu livro (hoje, no MAG Shopping) e dar uma palestra (amanhã, no auditória azul da Funesc). Esta é a entrevista que fiz com ele, publicada hoje, no Correio da Paraíba.

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Renato Guedes: "Fazer o Superman mudou minha carreira"

Responda rápido: quais são os maiores heróis das histórias em quadrinhos? Super-Homem, Batman, Capitão América, Wolverine estariam entre eles? Pois o paulista Renato Guedes desenhos estes e mais alguns em sua trajetória invejável como artista das duas maiores editoras do gênero nos Estados Unidos: DC e Marvel. Primeiro, na DC, onde ele desenhou por anos títulos ligados ao Super-Homem. Agora, na Marvel, onde ilustra Vingadores Secretos. Com o filme dos Vingadores estreando hoje nos cinemas, ele está em João Pessoa pela primeira vez, convidado pelo Studio Made in PB, para uma exposição de seus trabalhos e para conversar com o público. Hoje, no MAG Shopping, ele autografa o livro Renato Guedes Artbook, enquanto permanece em cartaz a exposição Os Maiores Heróis da Terra, com alguns de seus trabalhos.

O livro traz trabalhos feitos tanto para a DC quanto para a Marvel. “Mostra muita coisa passo a passo, os esboços. É mais voltado para o backstage da coisa”, contou  o desenhista ao CORREIO, por telefone, de São Paulo. “Muitas vezes é um trabalho duro e o leitor não sabe”. Muitas edições especiais encadernadas já trazem, como extras, esboços e o processo de criação dos desenhistas. “Dessa certa forma, isso valoriza essa etapa da criação”, afirma.

Os Vingadores no traço de Guedes: trabalho atual

Sobre os novos tempos na Marvel, ele contou que a mudança não foi tão grande. “As duas editoras trabalham de maneira similar”, disse. Na Marvel, ele começou em Wolverine. “Essa foi uma das minhas vontades de mudar”, disse ele. “Ter um desafio novo, fazer uma coisa que era o oposto do Superman”. Vingadores Secretos, que ainda não está saindo no Brasil com seu traço, é outro desafio: seu primeiro trabalho em revista periódica estrelado por um grupo.

Guedes estudou na antiga Fábrica de Quadrinhos (hoje, Quanta Acadenmia de Arte), trabalhava principalmente com publicidade junto com HQ antes da carreira internacional. Assinou com a agência Art & Comics em 2002, e fez trabalhos para editoras americanas independentes e testes para a DC e a Marvel. Acabou contratado pela DC para a revista Smallville, baseada na série de TV. Daí, passou para os títulos do Homem de Aço e arredores: Adventures of Superman, Superman e Action Comics, além de Supergirl.

“A escolha profissional nem sempre é o que você mais gosta, mas, no caso do Superman, eu fiquei à vontade”, diz ele, concordando que chegar a desenhar a Action Comics, histórico título onde o Homem de Aço estreou em 1938, é um reconhecimento em si mesmo. “Ele é o mais icônico dos heróis. Fazer o Superman mudou completamente a minha carreira”.

O Super-Homem no traço "europeu" do desenhista

A arte de Guedes se destaca pela beleza e por não ser poluída. “Muitas pessoas dizem que é um desenho meio europeu”, afirma. “Eu tenho um estilo que é beaseado nas minhas influências, dos mais variados possíveis. Manara, Moebius, Katsuhiro Otomo. Mas também ilustradores como Normal Rockwell… É o que sai naturalmente, é o que eu sei fazer”.

Por incrível que pareça, nessa visita finalmente Renato Guedes vai conhecer o paraibano Mike Deodato, seu companheiro de Marvel (atualmente em New Avengers). “É engraçado isso. Muitos amigos que até moram em São Paulo eu só encontro em conevenções em outros mpaís. E o Deodato, nunca encontrei”, diz.

No sábado, o evento será no Espaço Cultural, onde Renato Guedes vai apresentar uma palestra, no Auditório Azul, a partir das 14h. Gratuita, mas com vagas limitadas (inscrições através do e-mail palomadiniz.studiomadeinpb@gmail.com).

Paulo Ramos e seu novo livro, no lançamento paulista: o que tiras e piadas têm em comum?

Desde 2006, o jornalista Paulo Ramos cobre e analisa o mercado de histórias em quadrinhos através do Blog dos Quadrinhos. Esse tempo de observação, além de sua pesquisa na USP já rende livros teóricos e jornalísticos interessantes sobre a área. Paulo esteve em João Pessoa em 2010 para lançar Bienvenido – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos, e agora volta para o lançamento de Faces do Humor – Uma Aproximação entre Piadas e Tiras (Zarabatana Books), cuja sessão de autógrafos será hoje, na gibiteria Comic House, em Tambaú, às 18h.

O livro aborda as tiras de jornal e sua relação com o humor. “A ideia surgiu após perceber que as tiras cômicas usavam de artifícios muito parecidos com os das piadas para provocar o efeito de humor”, conta ele. “Tanto tiras quanto piadas são narrativas curtas com desfecho inesperado, que leva ao humor. Não é a única aproximação entre ambas, mas seguramente é a principal”.

"As Cobras", de Luís Fernando Veríssimo

Faces do Humor vai um pouco mais fundo, ao investigar se tiras cômicas são piadas. “Para poder fazer uma aproximação entre piadas e tiras, foi necessário, antes de tudo, entender exatamente como se processa o humor e como ele é utilizado nas piadas em si”, diz. “A definição de piada, por exemplo, é bem difícil de ser feita. A palavra agrega diferentes possibilidades de uso: piada pode ser brincadeira, uma narrativa curta com desfecho inesperado, uma maneira jocosa de se referir a alguém. Após essa discussão, é que pudemos adentrar no terreno dos quadrinhos e das tiras”.

Para analisar as relações entre essas duas formas de produção do humor, Paulo Ramos se debruça sobre a produção de alguns dos melhores quadrinistas nacionais do gênero. “Procurei utilizar vários exemplos para tornar a leitura mais acessível. E divertida, já que a maioria dos casos são piadas e tiras”, conta. “Isso ocorre desde o início até o final da obra. Nos capítulos finais, faço uma análise mais detalhada em quatro séries de tiras: As Cobras, de Luis Fernando Veríssimo; Cascão, de Mauricio de Sousa; Classificados, de Laerte; Níquel Náusea, de Fernando Gonsales. Em cada uma delas, procuro investigar um aspecto diferente”.

"Cascão", de Maurício de Sousa

Paulo Ramos desenvolveu a pesquisa para o doutorado na Faculdade de Letras da USP, defendido em 2007. Nos quatro anos até o lançamento de Faces do Humor, que chegou às livrarias em agosto de 2011, o jornalista atualizou o material e adaptou o texto para se dirigir a todos os leitores (e não só os da academia).

Um novo livro já está a caminho: uma antologia dos textos publicados no Blog dos Quadrinhos, com o título Revolução do Gibi – A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil, com mais de 500 páginas e editado pela Devir. O lançamento está previsto para abril ou maio, em 20 temas. “Cada um deles compôs um capítulo da obra. Lidas em sequência, essas informações ajudam a entender o atual momento do mercado brasileiro de quadrinhos e os motivos que levaram a esse novo cenário”.

Um panorama abragente como nunca se viu em uma publicação do tipo no Brasil.

"Classificados", de Laerte

- Você acredita que, para o púbico em geral, as tiras são identificadas principalmente com o humor, embora não faltem exemplos de outros gêneros (como aventura e tiras existenciais)? O livro tenta desmistificar isso?

Diria que, no Brasil, as tiras são associadas quase exclusivamente ao humor. Pelo menos, do ponto de vista do público em geral. O livro procura mostrar como se dá o funcionamento dessa forma de tiras, sem dúvida a mais conhecida e produzida no país.  Mas a obra também ajuda a entender as outras maneiras de produção de tiras, como as seriadas, as cômicas seriadas e as livres.

- Que assuntos são abordados no livro?

Como o tema é amplo, foi necessário fazer um passeio por diferentes campos do conhecimento. O leitor irá encontrar exposições sobre as diferentes teorias do humor, com correntes da Linguística que preocupam com o texto, com as diferentes maneiras de produção das histórias em quadrinhos, com estratégias de leitura de uma tira. Tudo para preparar o terreno para a análise em si, que procura demonstrar que as tiras cômicas usam estratégias semelhantes às piadas para a produção do efeito de humor.

- Bienvenido e Leitura dos Quadrinhos também estarão sendo vendidos. Como andam as trajetórias desses livros?

Os dois tiveram uma ótima repercussão. Prova disso é que ambos venceram o Troféu HQMix, A Leitura dos Quadrinhos em 2010 e Bienvenido em 2011. A Leitura dos Quadrinhos já foi reimpresso e chegou até a ser adotado para a formação de professores de todo o estado de São Paulo. Bienvenido está quase esgotado. Os dois estarão à venda neste sábado, em João Pessoa, mas vai haver pouquíssimos exemplares de cada um.

Sem pensar muito e sem uma ordem específica.

Holly Golightly

“Se eu conseguisse encontrar um lugar para morar que me fizesse sentir como na Tiffany’s então… então aí eu compraria alguns móveis e daria um nome ao gato!”

Scarlett O'Hara

RHETT BUTLER: “Já pensou em se casar só por diversão?”
SCARLETT: “Casamento, diversão? Fiddle-dee-dee! Diversão para os homens, você quer dizer”

Lulu

“Você vai ter que me matar para se livrar de mim”

Lucy Van Pelt

CHARLIE BROWN: “Bem, Lucy, a vida tem seus altos e baixos, você sabe.”
LUCY: “Mas por quê? Por que deveria? Por que minha vida não pode ser toda de ALTOS? Se eu quer toda de ALTOS, por que não posso tê-los?… Por que não posso ir de um ALTO para outro ALTO? Por que não posso ir de ALTO para MAIS ALTO AINDA?… Eu não quero nenhum baixo! Eu só quero altos e altos e altos e altos!”

Lois Lane

CLARK KENT: “Eu não devia ter perdido a paciência.”
LOIS: “Bom, você tem esse direito. Eu perco a minha a cada… o quê?”
CLARK: “Três, quatro minutos”.

Louise Sawyer

“Voê vai deixá-la ir, seu imbecil de merda, ou eu vou espalhar sua cara feia por todo esse carro bacana!”

Annie Hall

ANNIE: “Às vezes, eu me pergunto como eu me sairia sob tortura.”
ALVY SINGER: “Você? Tá brincando? Se a Gestapo tomasse o seu cartão da Bloomingdale’s, você contaria tudo”.

Beatrice

DON PEDRO: “Para ser feliz, nada como você; porque, sem dúvida, nasceu em uma hora feliz.”
BEATRICE: “Não, sério, meu senhor, minha mãe chorou; mas certamente havia uma estrela dançando quando eu nasci”.

Hermione Granger

HERMIONE: “Agora, se vocês não se importam, vou para a cama antes que você surjam com outra ideia brilhante que nos mate. Ou pior, que nos faça ser expulsos”
RONY WEASLEY: “Ela tem que escolher melhor suas prioridades!”

Maria

“Sabe como a Irmã Berthe me manda beijar o chão toda vez que temos um desentendimento? Bem, ultimamente tenho beijado o chão toda vez que a vejo chegando, para ganhar tempo”.

Maria Alice

PAULO: “Se não fosse meu
o segredo do teu corpo
eu gritaria pra todo mundo.

De teus cabelos, agrestes
sob os quais faz noite escura.

Tua boca
que é um poço com um berço
no fundo onde nasci.

De teus dedos,
longos como gritos.

Teu corpo,
para compreendê-lo, Maria Alice,
é preciso muita convivência.

Teu sexo
um rio, onde navega o meu barco
ao vento de sete paixões.

Longo caminho,
poucos viajantes o percorreram impunemente.

E tua alma.
Tua alma é teu corpo, Maria Alice”.

½

Um filme com medo

Ryan Reynolds não tem culpa nos problemas do filme

Lanterna Verde (Green Lantern, EUA, 2011) é um filme de super-herói, mas lembra muito Guerra nas Estrelas (1977). Ele introduz um universo espacial, regido por um monte de conceitos novos com que o espectador tem que se familiarizar enquanto se maravilha com o visual e se diverte com a aventura. Infelizmente, muito pouco disso tudo acontece n0 filme do herói da DC Comics.

Enquanto o primeiro filme da saga de George Lucas é muito hábil (e confiante nessa habilidade) em ambientar o espectador, Lanterna Verde é bem desajeitado e medroso. Lucas começava a trama pelo meio da ação, após um letreiro que explicava só o básico do básico. A plateia só ia saber exatamente o que era um jedi, por exemplo, lá pelo meio do filme.

Já o filme de Martin Campbell sabe que há muita informação para passar, mas tem medo de deixar o espectador “perdido” e, portanto, “incomodado”. Precisa, então, começar com um texto em off que começa com o princípio dos tempos, diz o que é um lanterna verde, que há uma tropa deles, um planeta azul chamado Oa e serezinhos azuis que são os guardiões do universo, que forjaram anéis que dão forma ao pensamento de que o usa e… ufa! Se o público já estiver desinteressado no fim da introdução, quem pode censurar?

A história começa de verdade com um alienígena que vem parar na Terra, moribundo, e um piloto de aviões ousado no limite da irresponsabilidade, Hal Jordan (Ryan Reynolds). Como a iminente morte de seu portador, o anel recruta um substituto e esse é Jordan, escolhido por qualidade que nem sabe que tem. Uma delas é a força de vontade, necessária para sobrepujar o medo. E se um lanterna verde tem que vencer o medo, é irônico que o filme seja assim tão covarde.

Há vários outros aspectos que mostram bem isso. O filme teve medo, por exemplo, não só de centrar sua história na Terra, mas de não ser “espacial” o bastante – e exagerou. E, apesar de Peter Sasgaard ter sido elogiado no filme, seu vilão é descartado antes do clímax em prol de uma entidade que envovia perigo ao planeta inteiro (logo, efeitos visuais grandiosos), mas é bem menos convincente ou interessante.

Campbell, que tem no currículo três bem-sucedidas reinvenções cinematográficas de heróis (Zorro, em A Máscara do Zorro, 1998, e duas vezes James Bond, em 007 contra GoldenEye, 1995, e 007 – Cassino Royale, 2006), se perdeu na mitologia complicada do herói nos quadrinhos. Não administrou bem as informações, nem equlibrou devidamente humor e drama. E o visual é interessante, mas vai pouco além disso.

Mas há acertos também. Jordan é um herói que tem o que aprender e crescer. E é um personagem sem medo, a não ser um: o de não conseguir corresponder às expectativas dos outros. Ryan Reynolds não é um grande ator, mas tampouco compromete – não tem a menor culpa nos problemas que o filme apresenta.

No saldo de gols, Lanterna Verde não é o desastre que andaram falando, mas fica a desejar. Ou fica a desejar, mas é o desastre que andaram falando. Depende de como você o encara.

Lanterna Verde. Green Lantern. EUA, 2011. Direção: Martin Campbell. Elenco: Ryan Reynolds, Blake Lively, Mark Strong, Tim Hobbins, Angela Bassett. Vozes na dublagem original: Geoffrey Rush, Michael Clarke Duncan.

Mike Deodato seguiu sua linha super-herói para uma reinvenção dramática do Anjinho

O Astronauta ganhou um impactante de Shiko

Klevisson Viana se inspirou no visual e narrativa dos folhetos de cordel para o Chico Bento

Para Ana Koehler, a Mônica continua gorducha depois que cresce

Carlos Ruas, do "Um Sábado Qualquer", transforma Cebolinha e Monica em Adão e Eva

Desenhista da Liga da Justiça, Ed Benes levou a turma, já crescida, à praia

Lederly Mendonça rebuscou o visual do Penadinho

Adão Iturrusgarai narra em primeira pessoa sua relação com a turma

Rogério Coelho também criou uma versão muito pessoal do Horácio

Will Leite apostou nas maluquices do Cebolinha e o Louco

Sam Hart surpreendeu na escolha: foi de Lorde Coelhão!

Estas aí acima são algumas das páginas já liberadas do MSP Novos 50, álbum que fecha trilogia MSP 50. O lançamento será na 15ª Bienal do Livro do Rio, que começa hoje, no Riocentro. O Maurício de Sousa estará lá, autografando a edição no estande da Panini – e outras coisas em estandes de outras editoras. Veja aí os dias e horários e mande um alô por mim se aparecer lá.

Sábado, dia 3
Verus (Record) – 13h às 15h
Globo – 16h às 18h
Girassol – 19h às 21h

Domingo, dia 4
Ave-Maria – 13h às 15h
Panini – 16h às 18h
Melhoramentos – 19h às 21h

Sábado, dia 10
Girassol (Record) – 13h às 15h
Melhoramentos – 16h às 18h
Panini – 19h às 21h

Domingo, 11
Ave-Maria – 13h às 14h30
Globo – 15h30 às 17h

Vocês já viram a capa no novo álbum, né?

Finalmente a HQ Mundo Fantasma será lançada no Brasil. A Gal Editora soltou na web um trailer do álbum, apostando firme nos elogios da imprensa especializada. Foi um dos marcos dos anos 1990, na ascenção do quadrinho independente americano – por alguma razão inexplicável, nunca havia saído no Brasil. O trailer é bem bonito, confiram:

E, aqui, uma resenha do Universo HQ sobre a edição original americana.

Em tempo: o quadrinho já rendeu um ótimo filme em 2001, que saiu por aqui como Ghost World – Aprendendo a Viver, e que já foi visto em DVD baratíssimo nas Americanas da vida. Com uma Scarlett Johnasson antes da fala e um roteiro indicado ao Oscar, aí vai o trailer:

A HQ vai pra estante, com certeza. O filme já está lá.

Vocês sabem que eu não sou de me gabar, mas… que se dane, desta vez eu vou me gabar!

Obrigado a minha esposinha Larissa Claro, que tramou tudo às minhas costas, e ao Sidney Gusman, por ter se preocupado em tornar isso possível.

…E obrigado ao Maurício de Sousa, claro, por ter dedicado um pouquinho do seu tempo para esse presentaço! E por ser quem é e por tudo o que fez nesses quase 52 anos de carreira.

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