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Redação

23 de julho, há 3 anos: Morre, em 2014, aos 87 anos, o romancista, ensaísta, poeta e dramaturgo paraibano Ariano Suassuna. Mentor do Movimento Armorial, uma busca por criar uma arte erudita a partir dos elementos culturais populares nordestinos e influências ibéricas, Ariano se tornou familiar principalmente por duas obras: a peça Auto da Compadecida (1955) e o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971). Renovou seu público com as aulas-espetáculo em que contava histórias e dava sua opinião sobre diversos assuntos em palestras pelo Brasil.

Suzy Lopes comanda os saraus desde o início no Empório Café (foto: Bruno Vinelli)

Suzy Lopes comanda os saraus desde o início no Empório Café (foto: Bruno Vinelli)

Certamente ninguém diria que aquelas três moças que entraram no Empório Café em um dia de abril de 2005 e recitaram poemas de improviso para uma plateia que foi pega de surpresa estavam dando início ao que hoje já é uma tradição da programação cultural de João Pessoa. Nesse dia, Suzy Lopes, Mayana Neiva e Priscila Holanda resolveram fazer uma despedida para Mayana, que estava de partida para São Paulo. E hoje, o Café em Verso e Prova, sarau que Suzy Lopes levou à frente como um evento mensal, completa 9 anos.

E muito diferente daquele improviso do começo. Hoje, o sarau se tornou um cenário para manifestações artísticas das mais variadas – exposições, dança, shows de música, cenas teatrais, mas ainda ancorado pelas performances com base em poemas. Hoje, ainda no Empório Café (R. Coração de Jesus, Tambaú, João Pessoa), a partir das 20h, nove performances destes nove anos serão reapresentadas. Como sempre, com entrada franca.

Incluindo a primeiríssima, “Oferta aos novos que poetizam”, de Cora Coralina. Esta e “Chegada do Amor”, de Elisa Lucinda, e “Xerin Xeroso”, de autoria desconhecida, serão interpretados por Suzy Lopes. “Corpeses”, de Gustavo Limeira, será interpretado pelos atores Flávio Lira e Nyka Barros. Raquel Ferreira interpreta o poema “Cântico Negro”, de José Régio. “Arvore da Serra”, de Augusto dos Anjos, será interpretado pelo dramaturgo e encenador Paulo Vieira. “Suzy e o pirulito”, que a atriz Nyka Barros criou para Suzy, que comanda o sarau todas as noites, será apresentado pela própria Nyka. O ator Sávio Farias reapresenta a performance “Diana”, uma homenagem à música brega. E o ator e cantor Jorge Felix reapresenta a canção “Ne me quitte pás” à capela.

Mas como o sarau também é pautado pela interação entre as artes, com muitos convidados, também se apresenta a banda pernambucana Petrônio e as Criaturas. O cantor e compositor Petrônio Lorena responde pela voz, violão e caxixi; Guga Rocha por guitarra, bandolim, monotron e escaleta; Fernando S. pela guitarra; Ulisses Lenhador pelo baixo; e  Philippe Agra pela bateria. O grupo vai lançar o disco Ossos da Alma, espelhado na diversidade sonora que a banda prega, indo do fado ao rock.

Entre as performances e o show, há o momento em que o público pode também participar recitando os poemas que quiserem, um momento muito apreciado do evento, desde que ele começou a ser mensal. E não demorou, desde aquela primeira apresentação, para o convite do Café Empório chegar a Suzy Lopes.

“Um tempo depois, Patricia – que naquele tempo estava à frente do bar – me procurou pra gente passar a fazer um sarau uma vez por mês. E eu topei”, lembra a apresentadora. “Mas achava que seriam no máximo umas quatro edições”.

Nas primeiras edições, o público era formado basicamente pelos amigos da atriz. Mas o boca a boca sobre o evento como um espaço em que o público se divertia, se encantava e ainda podia contribuir participando, não demorou a acontecer. “Um ano depois, no sarau do dia dos namorados, quando cheguei estava tão lotado, tão lotado, que não tinha condição de me apresentar. Só se fosse pendurada nas telhas!”, conta Suzy. “E o sarau só começou depois de 23h quando muitas pessoas desistiram de esperar e foram embora. Lembro que nessa noite saí emocionada de lá, sabendo que a brincadeira tinha dado certo. Mas, mesmo assim, nunca imaginei um dia dar uma entrevista para a materia de quase uma década”.

Nessa edição já haviam exposições, evidenciando as mudanças pelas quais o sarau começava a passar. “Ele foi se transformando”, diz Suzy Lopes. “Na verdade, deixou de ser um sarau. É uma noite de arte”.

E foram mudanças que aconteceram naturalmente, sem muito planejamento. “Simplesmente eu comecei a chamar várias pessoas para participar comigo. Aí começou a ter participações de músicos, de fotógrafos, de dançarinas, de todo tipo de manifestação artistica. E acho que esse foi um grande ganho do evento”, diz ela.

De maneira bem espontânea, como foi a primeira noite. “Mayana ia embora pra São Paulo e eu, ela e Priscila Holanda combinamos de fazermos um sarau pra despedida”, recorda. “Não planejamos o lugar, e fina verdade não planejamos nada. E quando chegou o dia pensamos: ‘vamos pra onde?'”. Decidiram pelo Empório Café. “Era um bar de um amigo e não iríamos ser expulsas (risos). Chegamos e pedimos pra baixar o som (risos). E todo mundo se envolveu”.

Para os dez anos, no ano que vem, dois documentários começam a ser produzidos. Mas há uma comemoração que acontece antes, ainda: o Café em Verso e Prosa já passou das 90 edições; vem aí, este ano, a 100ª. Ao se dar conta, Suzy Lopes diz uma exclamação muito típica sua: “Passada!”.

A Galharufas Companhia de Teatro soltou um teaser da peça que estreia nesta sexta: Mercedes.

Paulo Vieira escreve e dirige e a minha querida amiga Suzy Lopes é a personagem título e faz a assistência de direção. A peça estará em cartaz no Teatro Lima Penante.

Aldine Muller-02

Uma das musas máximas da pornochanchada, Aldine Muller completa 60 anos (nasceu em 1953). Gaúcha, foi para São Paulo para ser atriz e, em 1974, era figurante na TV Tupi quando foi convidada para rodar um filme. Chegando lá – na Boca do Lixo – descobriu que teria que fazer cenas de nudez e de sexo. Não negou fogo e Clube dos Infiéis (1974) foi só o primeiro de uma lista que incluiria títulos como Pesadelo Sexual de um Virgem (1975), Dezenove Mulheres e um Homem (1977), Ninfas Diabólicas (1978), Bem Dotado, o Homem de Itu (1978), A Mulher que Inventou o Amor (1979), Convite ao Prazer (1980) e Elite Devassa (1984). Foi uma das atrizes mais lindas do gênero e também uma das mais talentosas. A partir dos anos 1980, começou a fazer também televisão e seus dotes como atriz foram melhor notados, em novelas ou na Escolinha do Professor Raimundo. Foi capa da Playboy duas vezes – uma delas em um ensaio mezzo-lésbico com Zaira Bueno, em 1983 – e, sempre em forma, foi capa da Sexy, em 2000, aos 46 anos. Atualmente, ela tem sua própria companhia de teatro e se dedica aos palcos.

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Há 345 anos, em 1668, estreava a peça O Avarento, de Molière. L’Avare, no original, é sobre um velho obcecado por seu dinheiro e interessado em casar com uma jovem que está apaixonada pelo filho dele. O personagem principal é o modelo que gerou desde Ebenezer Scrooge, de A Canção de Natal, de Charles Dickens, até o Tio Patinhas. A peça já ganhou montagens em todo o mundo – no Brasil, ficou famosa a versão com Paulo Autran, em 2006 – a última peça com o grande ator.

Hoje ainda tem Improvável em João Pessoa. Na esteira, publico aqui a entrevista que fiz com Anderson Bizzocchi para o Correio da Paraíba de quinta passada, estendida e com o tempo atualizado.

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Daniel, Anderson e Elidio: os "Backstreet Boys do improviso"

Os comediantes vivem com medo de que as piadas de seus shows acabem parando no YouTube e o público já saiba como é o espetáculo. Mas isso não acontece com a Cia. Barbixas de Humor e o Improvável. Semanalmente, uma cena é postada – simplesmente porque, como trata-se de um espetáculo de improviso, nenhuma apresentação é igual à outra. O espetáculo está sendo apresentado em João Pessoa neste sábado e domingo, no Teatro Paulo Pontes. Quinta, uma prévia muito especial pôde ser vista na internet: pela primeira vez o espetáculo foi transmitido na íntegra on line e ao vivo. “Muita gente sempre reclamava que a gente só colocava um vídeo por semana no YouTube”, conta Anderson Bizzocchi, integrante do trio que forma os Barbixas, por telefone, de São Paulo.

Ele e os outros dois do trio – Daniel Nascimento e Elidio Sanna – foram entrevistados pelos fãs no programa + Ao Vivo. Na sequência, a apresentação do Improvável foi transmitida ao vivo, no YouTube, no Google + e no Orkut.

Improvável funciona a partir de jogos de improvisação. Há um mestre de cerimônia que comanda os jogadores e colhe ao acaso situações com a plateia. É inspirado em exeriências anteriores, como o programa de TV Whose Line Is it Anyway?, que teve versões britânica e americana, e as peças nacionais Zenas Improvisadas e Jogando no Quintal (que já se apresentou em João Pessoa).

No começo, para facilitar a divulgação do projeto, os Barbixas decidiram colocar um vídeo no youtube. “Na época, o YouTube estava começando, era uma coisa nova”, lembra Anderson. “E isso substituía levar o DVD fisicamente aos produtores. Podíamos mandar um e-mail com um link dizendo “esse é o nosso trabalho, veja”.

Mas eles foram surpreendidos com o sucesso: os vídeos passaram a ser cada vez mais vistos pelos internautas. “A gente percebeu  que poderia ser um produto forte”, conta. “E toda quinta colocamos um vídeo novo na rede, desde 2008”.

Resultado: o Improvável virou um canal no YouTube, com quatro milhões de acessos por mês e a recente inclusão entre as 100 webséries mais vistas do mundo. Como são quatro jogadores, além do mestre, os Barbixas recebem sempre dois convidados – e grandes nomes do humor já fizeram participações.

Para João Pessoa, como Daniel Nascimento não pôde vir, serão três os convidados para compor o time: Fábio Lins, Andrei Moscheto e Edú Nunes.

Anderson afirma que, nos cinco anos em que apresentam o espetáculo, eles buscam o aperfeiçoamento. “O aperfeiçoamento das técnicas de improvisação e da nossa relação como grupo. Você epera muito a resposta do companheiro”, diz.

Ele conta que o jogo do “troca” e as “cenas improvisadas” são os momentos mais esperados. No primeiro, os participantes precisam, ao comando do mestre, mudar a última coisa que disseram na cena. No segundo, situações escritas pela plateia na entrada do teatro são sorteadas e precisam ser improvisadas na hora. “Esses eu posso dizer que são quase fixos. Estão em 90% das apresentações”, diz ele.

Anderson fez faculdade de rádio e TV, assim como Daniel. O trio, no entanto, já se conhecia na adolescência. “A gente sempre falava que tinha sido na universidade porque não tinha muita graça dizer que se conhecia na adolescência”, brinca.

Os Barbixas já estiveram na TV, no começo do Quinta Categoria, na MTV, e no É Tudo Improviso, na Bandeirantes. Agora, se preparam para lançar o primeiro DVD. Está em fase de finalização, com a gravação de duas apresentações feitas em 2010, na cidade de Santo André. Na TV, eles havia reduzido suas participações na segunda temporada de É Tudo Improviso e já não apareciam mais na terceira.

“O convite inicial da Band foi para a Cia. Barbixas e eles quiseram aumentar o elenco”, conta ele, sobre o começo do projeto. “Ao término da primeira temporada, percebemjos que nossos compromissos no teatro estavam ficando para trás. A gente não estava conseguindo conciliar”. Eles foram se revezando na atração até a saída amigável, deixando o programa a cargo de Márcio Ballas, Cristiane Wersom, Mariana Amberllini, que formavam o elenco fixo com os Barbixas na primeira temporada, e outros colegas. “Mas a TV interessa, sim”, reafirma o ator, deixando portas abertas para o futuro.

O sucesso impressiona. Inclusive, as manifestações românticas das garotas – como se pode ver em diversos comentários da entrevista com Elidio Sanna aqui mesmo no Boulevard, em 2009. “A gente tem esse carinho, que a gente agradece muito”, diz, rindo. “O pessoal da MTV disse – e nós não concordamos! – que somos os Backstreet Boys da improvisação. Veja como somos velhos! Não somos nem os ‘Justin Biebers’!”.

A Companhia de Dança Deborah Colker apresentou seu novo espetáculo Tatyana em agosto, em João Pessoa. Foi quando a entrevistei por telefone para o Correio. Hoje, o espetáculo estreia em São Paulo e aproveito para colocar aqui a entrevista.

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Deborah Colker, contadora de histórias

Deborah Colker: "No palco, você tem um Pushkin que, na verdade, é a Deborah"

Os avós de Deborah Colker, tanto paternos quanto maternos, eram russos. Isso não a fez ter um especial interesse pela cultura daquele país. “Mas é algo com que eu tenho intimidade”, contou a coreógrafa ao CORREIO, por telefone, do Rio. “Desde pequenininha ouço o meu avô lendo contos do Dostoiévsky e outros autores”. Pois foi baseado em uma obra de Alexandre Pushkin, considerado o pai da moderna literatura russa, que ela concebeu o novo espetáculo Tatyana.

O espetáculo é uma adaptação do romance Eugene Onegin (no original, Evguêni Oniéguin), de 1833, escrito em versos que foi adaptado por Tchaikovsky para uma ópera em 1837. Deborah enfrentou o desafio de transformar os versos de Pushkin em passos de dança. E, se o balé clássico sempre teve por base contar histórias, não é o caso da dança contemporânea. Tatyana é seu primeiro espetáculo com uma história com começo, meio e fim.

“Na verdade, isso não caiu de paraquedas na minha mão. ‘Eu não disse: ‘Ah, agora tá na hora da dança conteporânea lidar com a literatura!’”, explica Deborah. “Meus outros espetáculos eram sobre ideias. Casa era sobre o cotidiano; 4 x 4 era sobre dança e artes plásticas; Velox era dança e esportes; Rota era a gravidade… E era um espetáculo que questionava a condição humana. Era sobre o desejo, e desejos podem ser os mais terríveis,
os mais perversos”.

Na preparação do , Deborah passou a estudar filosofia com seus bailarinos. “O ser humano conta uma história de vida. E eu quero que cada bailarino tenha  uma história e falar de valores éticos, amizade, amor, amadurecimento. Isso começou a se desenvolver dentro de mim desde 2003”.

Árvore, símbolo da aristocracia rural, foi criada por Gringo Cardia

A evolução dessa ideia a levou a Pushkin. “Toda a cultura russa do século XIX é impressionante”, diz ela. “Na poesia tinha Maiakovsky, na música Tchaikovsky e todos os compositores, no romance Dostoiévsky, Tolstói…”.

Mas ainda havia o desafio da adaptação. “Até que ponto você quer que o  público entenda essa história?”, ela pergunta, como se tivesse questionado a si  mesma. “Se o público entender, é mais gostoso, enriquecedor. Mas a dança  contemporânea pode não contar uma história, embora esteja contando outras coisas”.

As diferenças para o balé clássico são evidentes. “O mundo clássico se apropria da pantomima, da mímica”, explica Deborah. “Isso, pra mim, não era relevante”. Ela elaborou sobre a história, resumindo tudo aos dois casais principais: Oniéguin e Tatyana, e Vladimir e Olga. E vários bailarinos  interpretam ao mesmo tempo os personagens. “Todos os homens são Onegin e todas as mulheres são Tatyana”, diz. “Cada bailarino tem uma faceta da personalidade, um movimento diferente”.

O cenário tem uma grande árvore metálica, criada pelo cenógrafo Gringo Cardia. “A árvore é o lugar da aristocracia rural. É uma abordagem muito diferente. E posso te dizer que me cocei para fazer essa abordagem diferente”, conta Deborah Colker.

"Todos os homens são Onegin e todas as mulheres são Tatyana"

Para fazer algo tão diferente, foi preciso conhecer bem a obra original. “Eu mergulhei muito no livro”, confirma ela. “Foi muito bacana fazer meus bailarinos lerem Pushkin. A gente leu cada capítulo, improvisou, viu o que era
importante. Fiquei dois anos debruçada em cima desse livro”.

Curiosamente, Eugene Onegin já foi adaptado para balé clássico por John Cranko, como Onegin. “A minha adaptação pega seis capítulos do livro, a dele dois”, diferencia. “Eu trago do livro a sequência do sonho, a superstição, a colheita e a sequência da carta de uma maneira diferente. E não é uma história de amor: é uma história da vida, de transformação”.

Em Tatyana, Deborah Colker também voltou a dançar, o que não pôde fazer nos últimos espetáculos, até pelas ocupações com o Cirque du Soleil, para o qual dirigiu Ovo. “Era impossível estar em dois países ao mesmo tempo”, diz. “Quando eu comecei a fazer Tatyana, todo mundo perguntava: ‘Você vai dançar?’. E dizem que faz a maior diferença!”.

Mas o começo da coreografia não previa a participação de Deborah: apenas um bailarino faria Pushkin. “Mas havia toda uma parte ligada aos cinco sentidos, muito sutis. E ninguém tava conseguindo fazer do jeito que eu queria. Aí, comecei a fazer”.

A brincadeira de interpretar o narrador reflete uma relação do autor e sua obra: Pushkin e o livro e Deborah e o espetáculo. “Pushkin era um autor que interferia, se apaixonava e sofria com os personagens”, diz Deborah. “Então, no palco, você tem um Pushkin, que, na verdade, é a Deborah”.

* Publicado no Correio da Paraíba

Leia mais:

Entrevista com Deborah Colker sobre 4 por 4

* Os shows de Rafinha Bastos em Campina e em João Pessoa lotaram seis sessões. Minha entrevista com o humorista saiu no Correio de sexta, mas só pude colocá-la no ar hoje, desculpem. Mas coloco aqui um adendo: soube que ele visitou Shaolin duas vezes enquanto esteve em Campina Grande e, além da força dada ao colega paraibano, disse que quer vê-lo recuperado para ser convidado para a bancada do CQC.

A entrevista ainda vale. Fiquem aí com ela:

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"Descontextualizada, qualquer piada perde a graça e vira agressão", diz o humorista

“Estamos vivendo um momento muito especial onde as pessoas começam a entender o que eu faço. Estou à frente de um movimento muito especial”. Assim Rafinha Bastos define a ebulição em torno do humor no Brasil. Maior expoente dos novos comediantes brasileiros, pioneiro no país do stand up (que é tradição nos Estados Unidos, mas ainda relativamente novidade aqui), irreverente e implacável, ele recentemente se dividiu entre a alegria de ser matéria de capa de um caderno do New York Times como o grande nome deste segmento do humor (a bordo, também, de ter sido apontado como a pessoa mais influente do mundo no twitter) e explicações na polícia por conta de uma piada feita em um show. O novo show tem um nome que tira proveito da polêmica: Péssima Influência. O anterior, A Arte do Insulto, do solo que ficou em cartaz de 2007 a 2010, já é um sucesso em DVD.

A discussão a respeito dos limites do humor vai longe. Mas Rafinha tem uma posição firme a respeito. “Eu sou comediante. Comediante faz piada. É simples assim”, diz ele, em entrevista ao CORREIO, falando do processo em que foi acusado de apologia ao estupro (ele teve que prestar depoimento à polícia no começo de agosto). “Nunca subi num palanque. Tudo foi dito no palco, um ambiente que por si só já carrega uma desconstrução. Descontextualizada, qualquer piada perde a graça e vira agressão”.

Rafinha também fala sério nos programas em que participa na TV. Entre um mar de piadas na bancada do CQC, ele se mostrava combativo e sério no quadro “Proteste Já” e em matérias no Congresso Nacional. E esse é o tom que aparece mais em A Liga. Nesses momentos, também aparece seu lado jornalista – e já houve quem dissesse que a comédia stand up, por lidar principalmente com o cotidiano, tem um pouco de jornalismo. Mas ele não embarca muito nessa.

“Eu sequer gosto destes rótulos. O que é jornalismo? O que é humor? Quando você me vê no Congresso e vê o Bonner no CQC, fica claro que as fronteiras são muito tênues”, diz, referindo-se a erros de William Bonner no Jornal Nacional que foram parar no quadro “Top Five”. Também nunca considerou o “Proteste Já” ou A Liga como exemplos do contrário do que muitas pessoas o acusam. “Não pensei sobre isso. Filosofia atrapalha o trabalho. Tenho piadas a fazer”, afirma.

O sucesso no twitter não é estranho a Rafinha Bastos. Estrela na TV e nos palcos, foi na internet que seu sucesso começou, depois que morou nos Estados Unidos, onde chegou até a jogar na liga universitária de basquete (ele tem 2,10m).     A Página do Rafinha surgiu como um meio de fazer humor esportivamente, mas deu mais do que certo.

“Eu sempre investi na internet porque ali tive a liberdade de fazer o que quis”, conta o humorista. “Foi a primeira oportunidade que tive de fazer comédia sem nenhuma restrição. A web é a minha casa e tenho muita vontade de continuar produzindo para o veículo”. Produzir para a internet trouxe ensinamentos. “Ensinou que as pessoas se sentem mais próximas quando você estabelece uma ligação mais humana e real com elas. Isso é fundamental”, diz.

O primeiro show de Rafinha Bastos na Paraíba deveria ter acontecido em agosto de 2009, em João Pessoa, mas um problema envolvendo a produção nacional e a produção local levou ao cancelamento da apresentação na véspera da data marcada. “Tive alguns problemas e cancelei o show, mas agora estou voltando muito empolgado. Faz tempo que estou para ir a Paraíba. O povo sempre me cobra. Vai ser muito legal”, promete.

O show, no entanto, é outro. Na época, era A Arte do Insulto que ainda estava em cartaz. A Paraíba foi o único estado que não viu o show anterior, mas Rafinha não pensa em misturar os dois espetáculos para essa apresentação. “Eu não pensei sobre isso. Acho que vou fazer o show novo mesmo e levar o DVD do antigo pra quem quiser assistir em casa”, diz. “Estou ansioso pra finalmente pisar no palco da Paraíba”.

* Publicada no Correio da Paraíba de 2/ 9/ 2011.

Leia outras entrevistas com o pessoal do CQC:

Marco Luque
Marco Luque (2)
Oscar Filho
Rafinha Bastos (1)
Felipe Andreoli
Rafael Cortez
Danilo Gentili

No meio de muita polêmica – até ameaçado de prisão ele foi recentemente por causa de uma piada – Rafinha Bastos tem um show marcado para João Pessoa: dias 3 e 4 de setembro, no Teatro Paulo Pontes. Pouco mais de dois anos depois do show que não houve, tendo sido cancelado um dia antes da apresentação, que seria no Forrock.

Agora, com nova produção local, o público pessoense e o próprio humorista ganham uma segunda chance de reencontro. Dos CQC‘s, só faltava ele, Marcelo Tas e Monica Iozzi aparecerem aqui – e os dois últimos nem têm espetáculos do gênero.

O show que virá já é outro. Na época, seria A Arte do Insulto, que foi lançado em DVD recentemente. Agora será – como você pode ver pelo cartaz – o Péssima Influência. Os ingressos serão vendidos na Skiler do Manaíra Shopping e já podem ser reservados pelo e-mail incenareserva@gmail.com.

Também há informações circulando sobre a volta de Marco Luque (no que provavelmente seria um show de personagens, mais no estilo do que ele fazia no Terça Insana) e de Oscar Filho. Bem, enquanto o show do Rafinha não vem, você pode reler a pequena entrevista que fiz com o Rafinha Bastos.

O pernambucano Murilo Gun estrelou o primeiro show de stand up realizado por aqui com esse nome, no restaurante Yassay do MAG Shopping  (junto  com o paraibano Alysson Vilela e o brasiliense radicado em Pernambuico Nil Agra). Veio outras vezes aqui e acabou dando uma sumida, atarefado com apresentações por todo o país.

Agora, ele estará de volta, abrindo a temporada de stand up de 2011 em João Pessoa. O novo show solo de Murilo, Propaganda Enganosa, vai ser apresentado no Terraço Brasil, às 20h do dia… Bem, a newsletter do Murilo esquece de dizer o dia da apresentação!

Como o show está entre o de Recife, no dia 19, e o de Curitiba, no dia 22, pela lógica a data aqui é 20 ou 21.

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Atualização: Murilo confirmou pelo twitter que o show é dia 20.

Cláudio Torres Gonzaga: um stand up conversado

Eu entrevistei o Cláudio Torres Gonzaga em 2009 (em agosto ou setembro). O texto nunca foi publicado porque o show que estava marcado para aquela época acabou adiado. Mas ele se apresenta hoje em João Pessoa (no Teatro Paulo Pontes, às 20h), com o Comédia em Pé (ao lado de Fábio Porchat, Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto. Assim, acho que vale a publicação, enfim, do papo com o humorista e roteirista de A Grande Família.

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Muita gente fazia teatro antes do stand up. É o seu caso, certo?

Na verdade, tenho um trabalho de ator no teatro por muitos anos. Eu admirava quem fazia humor de personagens, mas nunca tive a capacidade de fazer vozes ou imitações.

E como você conheceu o formato do stand up?

Cheguei a ver fora do país. Aqui, a gente foi o primeiro grupo.

E por que vocês resolveram apostar no formato de grupo?

Eu achava que um grupo iria diminuir as dificuldades e valorizar as capacidades de cada um. Assim, no primeiro ou no segundo shows participaram o Bruno Motta, o Rafinha, o Diogo Portugal.

E isso foi quando, exatamente?

Foi em 2005. A formação atual está desde 2006, quando entrou o Léo Lins.

Você, como comediante, acha a comédia mais difícil que fazer do que o drama?

Não acho nem que seja mais difícil ou mais fácil. Se eu tiver que fazer uma cena dramética, é impossível pra mim. Não é que a comédia seja fácil, mas é o que eu me sinto à vontade fazendo.

Depois de tanto tampo no stand up, ainda existe aquela tensão antes de entrar no palco?

Toda vez eu fico tenso. Mas essa tensão é importante. Se você estiver calmo nessa hora, não é bom. Aí, nos primeiros minutos do show, você vai sentindo a platéia.

É um responsabilidade e tanto, não? Você sozinho no palco e a platéia.

Meus amigos atores dizem: ‘Puxa, como é que você faz isso?’. E, se não dá certo, você não pode dizer que o texto não é bom, a direção não é boa – 0 porque é tudo você.

Eu percebi que os comediantes têm estilos ligeiramente diferentes ao fazer stand up e o seu, por exemplo, é mais “conversado”.

É, tem uma linha que parece mais uma conversa, uma coisa mais intimista. Eu preciso que o meu texto tenha uma boa piada. Tem outros comediantes que podem tirar o humor do físico ou das vozes.

Quando você se apresenta com o Comédia em Pe, como os textos de cada um é menor do que no solo, os shows variam muito de texto?

São diferentes, mas muito em função do público-alvo. Aqui no Rio, a gente faz shows regulares em três bairros diferentes e tem que adaptar os textos ao público. Você tem que se perguntar: ‘Você tá escrevendo pra quem?’.

Você também é redator de A Grande Família, que é um tipo de humor diferente. A maneira de criar esse humor também é diferente?

O jeito de observar é o mesmo. Eu uso ele para fazer humor em qualquer veículo. Se o cara que escreve humor não viver, não tiver uma vida comum, ele não pode escrever humor porque acaba se distanciando de um mundo real. Fazer a piada é encontrar um reflexo para a vida. Agora, como o  programa é muito antigo, a relação entre a redação e o elenco é muito natural. Você começa a escrever e os personagens falam muito ao seu ouvido.

E você criou um programa que eu nunca vi, porque só passava no Rio e eu já morava aqui, mas sobre o qual li uma materiazinha na Veja há muitos anos e achei tão legalk que nunca mais esqueci: o Paquetá Connection (uma paródia do Manhattan Connection que exibido pela antiga TV Rio)!

Ah, é! Ele tinha um repercussão cultural tão grande que a gente levou da televisão para o teatro. Isso foi em 1999 e 2000. Foi uma semente do stand up, na verdade. A diferença é que ele era todo improvisado. Quem sabe a gente um dia não coloque alguma coisa no you tube?

De cima pra baixo: Léo Lins, Paulo Carvalho, Fábio Porchat, Cláudio Torres Gonzaga e Murilo Couto; o Comédia em Pé pega a estrada

Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat, Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto. É o Comédia em Pé, grupo pioneiro do stand up no Brasil, que vai se apresentar finalmente em João Pessoa: será  dia 25, no Teatro Paulo Pontes, às 20 horas.

Couto, que esteve na temporada passada de Malhação (não sei se está nessa – desculpe, não assisto), não está relacionado na página do grupo entre os integrantes. Pelo jeito, substitui Fernando Caruso, que não vem.

Porchat, por sua vez, já é conhecido do público pessoense: fez um show engraçadíssimo no MAG Shopping, na aurora do gênero por aqui. Ouso dizer que foi uma das três melhores apresentações de stand up que vi por aqui (outra foi a de Marco Luque e a terceira, a escolher).

Já o Cláudio Torres Gonzaga deve dizer “Consegui!” depois que o show acabar. Ele já teve duas “quase apresentações” em João Pessoa. Primeiro, um solo em junho de 2009 em um festival que também traria Porchat dois dias depois – o festival foi cancelado. Dois meses depois, seria uma apresentação do próprio Comédia em Pé – também cancelada (poucos dias antes do que seria a data marcada aconteceu a confusão da apresentação cancelada do Rafinha Bastos).

Os ingressos já estão sendo vendidos na loja Skyler, do Manaíra Shopping, e reservados pelo e-mail da produção (incenareserva@gmail.com).

No no palco estarão Cláudio Torres Gonzaga, Fábio Porchat (que já fez um show antológico no MAG Shopping), Paulo Carvalho, Léo Lins e Murilo Couto (substituindo Fernando Caruso, que não vem).

*** Adendo: os ingressos custam R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia).

Marco Luque tinha show hoje em João Pessoa, mas passou direto e se apresenta em Natal

Só para quem ainda não percebeu: o show do Marco Luque em João Pessoa, que seria hoje, foi adiado. Ainda não tem data. Para quem não lembra, as datas apareceram na seção “agenda” do blog dele – primeiro,  como 21 em Campina Grande e 22 em João Pessoa. Depois, mudou para 21 em João Pessoa e não se falou mais em Campina.

Quando surgiu a história do cancelamento, a produção local informou que ele já estava com pauta para as datas. Cheguei a pensar que seria alguma pauta do CQC, mas não: a pauta é no Teatro Vila Hall, do Hotel Vila do Mar, em Natal. Os shows lá são hoje, às 20h30 e amanhã, às 19h30.

Ainda não foi informada uma nova data para João Pessoa e/ ou Campina.

Danilo, implacável: "Nunca fiz teatro, sou hetero"

O capeta em forma de guri, o Barnabé de Santo André ou outro epíteto qualquer criado pelo Marcelo Tas no CQC. Danilo Gentili foi, desde o começo, um dos destaques do programa, arrebatando prêmios de melhor humorista e revelação do ano na comédia no fim daquele ano de 2007.

Ele quase veio a João Pessoa em julho do ano passado,  mas o show foi adiado por causa de compromissos com o CQC. Agora, não só o show no Teatro Paulo Pontes foi confirmado para domingo, às 19 horas, como uma segunda sessão foi aberta às 21 horas. E, ocupadíssimo, entre uma gravação e outra para o programa, ele conseguiu um tempinho para responder rapidinho umas perguntinhas por e-mail.

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Olá, Danilo! Ao contrário de outros colegas do CQC como Marco Luque, o Andreoli e o Rafael Cortez, você chegou ao programa já com uma estrada no stand up (assim como o Rafinha e o Oscar). A experiência como repórter do programa te ajudou em alguma coisa no palco, além da popularidade?

No palco, não. Acho que o palco e a comédia e a inexperiência em TV ajudaram! A popularidade ajuda nas platéias! Já enchia teatros, hoje muito mais! Hoje consigo levar minha comédia para muito mais gente.

Já li você dizendo que faz humor desde criança, mas chegou a fazer teatro antes de se arriscar sozinho ao microfone?

Nunca fiz teatro, sou hetero! Eu sempre gostei de humor e fui atrás do que eu queria. Tive sorte de encontrar parceiros que me ajudaram no começo.

Outros humoristas falam que o stand up é particularmente difícil porque não se usa “máscaras”, é você encarando o público sozinho. Foi especialmente difícil no começo ou tirou de letra?

Sempre é difícil! Hoje é difícil. Temos de nos esforçar muito pra manter o corpo em forma, usar roupas sensuais e técnicas de sedução.

Quem são seus ídolos no stand up? Tem alguém que você admira especialmente?

Vários humoristas, entre eles George Carlin, Seinfeld, Bill Cosby, Chico Anysio, entre outros.

Você fez muito sucesso logo no começo do CQC. Aquele boom de popularidade te incomodou de alguma forma, você estranhou aquilo ou o saldo foi tão positivo que nem teve problema nenhum?

Não tive problema nenhum. Apenas vantagens, hoje não preciso mais pagar pra sair com mulheres.

Você sempre deixou claro que segue uma visão bem definida da comédia, e tem lidado com confusões nos últimos tempos por causa disso. Você acha que não há limites pra tentar fazer rir? O que você pensa a respeito?

Eu sou humorista! Faço piadas. As pessoas é que fazem confusão, as pessoas levam para outros lados. Mas o que faço é piada!

Você acha que o brasileiro, de maneira geral, ainda precisa aprender a lidar bem com o humor? Sei que você tem posições bem críticas sobre como o brasileiro lida com seus interesses – ao dar pouca importância à política, por exemplo. Acha que isso tem ligação?

No Brasil as pessoas querem dar uma de politicamente corretas o tempo todo. Isso afeta a inteligência e o senso crítico.

Por último: sempre que leio entrevistas suas em jornais e revistas, fica uma certa impressão de que você está tirando a maior onda. Você procura ser engraçado também nessas horas ou fala sério e é só impressão?

Acho que ninguém deve se levar tão a sério.

***

Leia outras entrevistas com repórteres do CQC:

Marco Luque
Marco Luque (2)
Oscar Filho
Rafinha Bastos
Felipe Andreoli
Rafael Cortez

Ele já é bem conhecido do que assiste o Comédia MTV e assistia ao Furfles, também da MTV: Fábio Rabin apresenta amanhã em João Pessoa seu solo de stand up O Sem Noção. Ele é um dos nomes de destaque dessa onda e vai fazer um show em João Pessoa amanhã.

O show é no Teatro Paulo Pontes, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 50 (inteira) e R$ 20 (meia). A abertura será de Vinícius Lyra, do grupo local Comédia de 4.

Juliana, Malta, Dussek, Inez, Beatriz e Del Penho: "Sassaricando" em Natal

Eu tenho o DVD e já fui ver em Recife. Mas eles estão de volta, desta vez em Natal, e lá vou eu pegar a “ponte terrestre” de novo: Sassaricando – E o Rio Inventou a Marchinha, delicioso espetáculo criado por Sérgio Cabral e Rosa Maria Araújo, com direção cênica de Cláudio Botelho e coreografia de Renato Vieira, estará em cartaz nesta sexta e sábado no Teatro Alberto Maranhão, às 21 horas.

No palco, Eduardo Dussek, Inez Viana (no lugar que já foi de Soraya Ravenle), Alfredo Del Penho, Pedro Paulo Malta, Juliana Diniz e Beatriz Faria (substituindo Ivana Domenico, que já havia substituído Sandra Kogut) interpretam marchinhas imortais de Braguinha, Lamartine Babo, Mário Lago,  João Roberto Kelly, Noel Rosa, Haroldo Lobo…

Você conhece um monte delas, pode apostar: “Aurora”, “Ala-la-ô”, “Marcha do Cordão do Bola Preta”, “Grau dez”, “Tomara que chova”, “Yes, nós temos banana”, “O teu cabelo não nega”… E tem dezenas ótimas a descobrir. E são interpretadas mesmo, já que tudo tem um acento cênico muito forte. O espetáculo estreou no Rio em 2007 e segue firme até hoje.

Os ingressos custam 30 reais (com meia entrada para estudantes e idosos). Veja abaixo uns trechinhos em uma matéria do Ziriguidum.com que está no YouTube (são do DVD, ou seja, ainda com a Soraya):

Rapidinho, só para lembrar que Rogério Morgado participa do show do Comédia de 4, hoje, em João Pessoa. O comediante quase virou um dos CQCs: chegou à semifinal da escolha do oitavo elemento, e teve muita gente que achou que ele ia ganhar o emprego. Bem, o concurso serviu para torná-lo um rosto familiar para quem gosta de stand-up.

Hoje Rogério é um convidado do grupo local formado por Alysson Vilela, Paiva Cassarotti, Vinícius Lyra e o importado Nil Agra (cuja base é em Recife). Outro convidado é o gente boa Murilo Gun, que, com Agra e Vilela, introduziu os shows de stand up em João Pessoa, naquelas apresentações no restaurante Yassay do MAG Shopping, em 2007. Murilo tem se dividido entre o Tripé da Comédia, em Recife, e os shows que tem feito com grupos o Rio e de São Paulo.

O show é no Teatro Ednaldo do Egypto, às 20 horas. Os ingressos custam 30 (inteira) e 15 reais (meia). Será o maior show de stand up da Paraíba – pelo menos em número de comediantes dividindo o palco…

E atualizando: anunciaram há alguns dias que a data de Marco Luque em João Pessoa mudou de 22 para 21 de maio, hein? Ainda não tenho informações se o show em Campina Grande, que seria dia 21, mudou de data ou não vai mais acontecer. Já Danilo Gentili segue confirmado para dia 2 de maio.

Deborah Colker não toca piano em '4 por 4' hoje, porque tem compromissos em NY com o Cirque du Soleil

A Cia. de Dança Deborah Colker volta a João Pessoa com 4 por 4 – a apresentação é hoje, no Teatro Paulo Pontes, às 20h30. O espetáculo já foi apresentado aqui – acho que em 2002 – e volta depois de uma remontagem onde passou por umas mudanças. Mas ele permanece com seu sentido de traçar um diálogo entre danças e artes plásticas e mantém seus segmentos: a pintura “Povinho”, de Victor Arruda, as instalações “Mesa”, do coletivo Chelpa Ferro, e “Cantos”, de Cildo Meireles, e a intervenção “Vasos”, de Gringo Cardia.

Conversei com Deborah ontem, por telefone, para a matéria que está publicada hoje, no Jornal da Paraíba. É a quarta ou quinta vez que a entrevisto – a primeira foi frente a frente e as demais, por telefone. Esta também, porque Deborah está indo para Nova York para cuidar de uma temporada lá do espetáculo que dirigiu para o Cirque du Soleil. A seguir, está a entrevista em versão estendida falando do 4 por 4, do Cirque, da dança como comunicação e da falta que faz dançar.

***

É a segunda vez que o 4 por 4 vem a João Pessoa, mas li em algum lugar que se trata de um espetáculo “novo”.
Eu fiz uma remontagem em outubro de 2009, para uma apresentação no New York City Center, em Nova York. A gente escolheu o 4 por 4 porque tem esse diálogo da dança contemporânea com as artes plásticas e é um desafio de produção estética. Mas a reestréia foi com apresentações em Duque de Caxias – uma delas para 5 mil pessoas.

E o que foi que mudou no espetáculo?
O momento do piano, por exemplo, que geralmente eu toco, mas que não vou tocar aí em João Pessoa. Eram duas bailarinas nesse momento e agora são quatro. No “Povinho”, que têm pinturas feitas à mão pelo Victor Arruda, o figurino era bicolor. As bailarinas usavam saiote rosa e blusa vermelha; os bailarinos usavam calça laranja e blusa azul marinho. Era que nem uma história em quadrinhos, sabe? Que nem uma caixa de lápis, que nem uma bala daquelas coloridas. O fato de não ser monocromático fazia com que eles ficassem perdidos na pintura. Em outros momentos, não mudei nada esteticamente, mas mudei coreograficamente. É muito legal trazer o espetáculo para onde você está agora.

Você mudou o espetáculo apenas, digamos, perifericamente, ou o sentido também mudou?
Não, mudei apenas perifericamente. O fundamental no 4 por 4 continua sendo o diálgo das artes plásticas com a dança. Trazer as artes plásticas para dentro da dança e aí ela vira outra coisa.

Você sentiu que esse diálogo tem trazido outro público para o espetáculo? Por exemplo, o pessoal das artes plásticas que não tem ligação com a dança, mas vai ver por causa dos artistas…
Ah, muito. Aqui no Rio, principalmente, e em São Paulo… Artistas, diretores de museus… É um perfil da companhia: ter um público misturado. Aliás, é um trunfo da companhia atingir um público bem variado, do mais erudito ao popular.

A gente uma vez conversou sobre a dança como forma de comunicação, então você acha que sua forma de se comunicar através da dança talvez seja menos abstrata do que a média da dança contemporânea?
(Pensa) Olha… Eu não posso afirmar que é menos abstrato, porque faz parte do mundo da dança a abstração. Como a comunicação se estabelece com o público é uma escolha do público. Eu abro um monte de janelas, proponho um monte de coisas. A obra dos vasos, por exemplo, fala sobre restrição, sobre ter um espaço restrito e encontrar um mundo livre. Mas restrição é uma idéia. O público se relaciona com a idéia, mas muita gente olha e só acha que é bonito. Às vezes, eu sou mais direta, mas às vezes não.

Essa relação com o espaço é também outra característica dos seus espetáculos. Você acha que isso facilita a relação com o público?
Pra mim, cada espaço novo me leva para um caminho de movimento diferente. E adoro quando o pessoal me pergunta na rua: ‘E aí, tá com espetáculo novo? O que é que vai aprontar agora?’. Ma snos últimos espetáculo, o e o Cruel, eu busquei um novo espaço, um espaço de sentidos, de entrar na alma humana, na condição humana. Acho que é assim mesmo, como numa viagem: você tá com a mala cheia de coisas, mas elas caem pela estrada ou não servem mais e você vai deixando, e você foi para a frente. E começa a precisar de coisas novas.

E como vai o espetáculo que você dirigiu para o Cirque du Soleil?
Ah, estou indo para Nova York porque o Ovo estréia lá dia 9 de abril.

E como foi a experiência? Dirigir um espetáculo numa companhia que não é a sua…
É, uma companhia que não é a minha, e que faz espetáculos enormes, gigantescos e um comprometimentos com outros mundos, platéias, línguas misturadas… Foi – e ainda é – maravilhoso lidar com tudo isso. Foi instigante e às vezes desesperador. Mas o espetáculo tem uma assinatura bastante brasileira, bastante feminina, bastante Deborah. Eu me reconheço ali.

Você acha, então, que conseguiu imprimir seu estilo?
Acho que ele me afirma como artista. É bacana ter entrado nessa estrutura tão grande e ter aprendido muita coisa. E acho que dei muito de mim também. E isso de ser a primeira mulher e primeira latino-americana a dirigir o Cirque… Parece piada, mas é verdade!

O que o espetáculo tem de mais seu?
A música mudou muito, o Cirque usava uma música muito marcada. E a própria maneira como contei a história. E que bom que o título ficou Ovo, em português. Vai ser boa essa viagem, sinto saudades do Ovo, sabia?

E você voltou a dançar (na entrevista anterior que fiz com ela, Deborah se disse angustiada porque os compromissos não davam mais tempo para que ela dançasse nos espetáculos)?
Ai, que pergunta difícil! (risos)… Consegui fazer a “Mesa” e o piano no 4 por 4 em Salvador e quase fiz o “Povinho”. Eu não sei se consigo mais dançar. Fiz dois espetáculos sem a minha presença, o Cruel e o Ovo e eu adoro só dirigir. Tem um lado bom em ficar do lado de fora: você vê as coisas com mais nitidez. Mas também é bom estar dentro. Me lembro do Velox, por exemplo, quando os bailarinos achavam que não ir dar e eu ficava lá, pendurada na parede, experimentando, criando…

Além do 4 por 4, a companhia está em cartaz com quais espetáculos?
A gente vai ao Reino Unido com o Cruel, no dia 23 de abril. Será uma turnê de 65 dias pela Europa.

Só com o Cruel?
“Só com o Cruel?”?? E você acha pouco (risos)? Imagina o trabalho que dá viajar com esse cenário todo (risos). Ah, e o Mix vai para Washington em outubro.

E já está preparando um espetáculo novo?
Comecei a montar desde novembro.

É para esse ano?
Não, para o começo do ano que vem. Mas desse eu não posso falar nada, agora.

Ok. Deborah, obrigado pela entrevista e um beijo!
Obrigada a você. E manda um beijo pra João Pessoa! Adoro essa cidade, que tem um dos passeios de barcos mais lindos que já fiz na vida!

Saíram as informações para o show de Danilo Gentili em João Pessoa. O humorista – que quase veio uma vez, em julho do ano passado, mas teve que adiar por compromissos com o CQC – vai apresentar Volume 1 no Teatro Paulo Pontes, dia 2 de maio, às 19 horas. Alguns dos CQCs começaram a se aventurar no stand-up depois de surgir o programa, mas não é o caso de Danilo, veterano no estilo desde o Comédia ao Vivo e o Clube da Comédia.

Os ingressos já podem ser reservados pelo e-mail incenareserva@gmail.com

Vai ser um mês cheio de CQCs por aqui. Está na agenda de Marco Luque a volta a Campina Grande no dia 21 e a João Pessoa no dia 22. Ainda não há informações de lugar, mas estou investigando.

Fora aqueles papos que já ouvimos há algum tempo falando sobre a volta do Oscar Filho, a vinda de Marcelo Adnet e uma possível apresentação do Improvável em João Pessoa. Ainda esperamos confirmação.

E olha só: pode ser até que Rafinha Bastos também acabe vindo uma hora dessas. O imbroglio daquele show que não aconteceu está a caminho da resolução. Esperemos. Quem sabe ainda temos chance de ver A Arte do Insulto antes que o Rafinha aposente de vez o show?

Um irreverente consciente

Rafael: sem entrar em certas ilhas

“Só comecei a me sentir mais confortável depois que saí do eixo do stand up”, conta o comediante Rafael Cortez, que apresenta seu solo De Tudo um Pouco hoje, no Teatro Paulo Pontes, em João Pessoa. “Eu nem digo que meu show é de stand up porque eu quebro as regras: tem uma parte de anedotário popular, improviso, tem muita interação. Tem um roteiro, mas eu nunca sigo”.

Rafael Cortez conversou com a reportagem do JORNAL DA PARAÍBA por telefone, do aeroporto em São Paulo, partindo para o roteiro de shows do fim de semana, que começou em Uberlândia, ontem. É um dos integrantes do CQC que não tinha experiência no stand up. Para melhorar no programa, resolveu encarar o palco sozinho. “Fazendo uma reflexão do trabalho que eu fazia, eu me valia de presença de espírito, cara de pau e simpatia, enquanto os meninos tinham experiência em renovar piadas e observar as coisas em volta com irreverência”, conta. “No final de 2008, resolvi que faria stand up em 2009 para ter esse olhar irreverente sobre as coisas. Pra mim, seria um laboratório, um trampolim pra melhorar meu trabalho no CQC. Acabei encontrando um segmento generoso, com pessoas muito carinhosas”.

Se a cara de pau é um de suas armas no CQC, não é de hoje. Foi com ela que ele conseguiu um lugar entre os repórteres do programa. “Me chamaram pra ser produtor”, lembra. “Mas na hora das entrevista para o emprego, disse que não queria mais aquilo e só aceitaria se fosse para ser repórter”. O resultado: Cortez fez o teste e entrou para o quadro. “Já havia sido produtor de TV antes e não tinha gostado”, revela.

Antes do programa ele havia acabado de sair de um grupo de teatro infantil que integrou por quatro anos e trabalhava como jornalista da Editora Abril. “Era com produção de conteúdo para celular”, lembra. “Quando trabalhava na editora, era legal, mas quando passei a trabalhar em casa, passou a ser uma rotina chatíssima, fiquei infelicíssimo”. Foi aí que enviou currículo para vários lugares – um deles, se oferecendo como produtor, para o então ainda inédito CQC.

Cortez também é violonista e até pensou em unir os lados de humorista e músico no palco, mas não funcionou. “Eu toco violão erudito e isso não cabe na comédia”, diz. Mas ele está em processo de gravação de seu primeiro CD instrumental, com 12 composições próprias. “Vai reunir peças desde a minha primeira composição, em 1996, passar por uma fase experimental, quando estudei com Badi Assad… Eu estou muito orgulhoso dele”, conta.

“Na verdade, eu nem me acho músico”, continua. “A definição correta é violonista, mesmo. O instrumento é tão complexo que você tem que viver pra ele”. O disco instrumental será lançado ainda neste semestre, mas Rafael Cortez também tem composto canções com letras. “Mas esse trabalho ninguém viu”, afirma. “Esse eu só lanço se a Maria Bethânia gravar”.

Rafael Cortez lança o disco como um nome já conhecido na área do humor e da televisão – e que, como os demais integrantes do CQC, já tem a admiração de uma legião de fãs. Mas ele tenta com firmeza não deixar a fama subir à cabeça. “Eu acho que o nosso trabalho dentro do CQC nunca pode se confundir com essa coisa de celebridades”, afirma. “Eu desconfio desse mundo mesmo”.

Por outro lado, ele também acredita que parte disso é inevitável. “É um reflexo do mundo em que a gente vive. O Brasil é assim mesmo”, diz. “Se você está na televisão, acaba virando pauta. Mas o que a gente tenta fazer no programa é uma crítica construtiva expondo a celebridade. Eu tenho uma postura muito crítica e evito convites do tipo ‘Venha à nossa festa’, ‘vá a esta ilha’, ‘venha sair com estas pessoas’… A coisa mais importante pra mim ainda é o CQC“.

O assédio do fãs, no entanto, para ele, não é problema. “O assédio é ótimo, porque revela que as pessoas gostam do programa”, avalia, dizendo que o trabalho também tem isso como objetivo. “Se as pessoas querem me buscar no aeroporto, se querem tirar foto, eu vou tirar”.

O humorista tem priorizado o Nordeste em suas apresentações – e, depois de João Pessoa, ainda passa por Recife, amanhã, e Natal, nos dias 28 e 29. “Rio, São Paulo, Porto Alegre já têm uma grande oferta de shows e nós vamos muito a esses lugares fazer matérias”, explica. “Quero ir a lugares onde nunca fui e fazer o show para pessoas que não tem a oportunidade de ver a gente de perto”.

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