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Johnny Bravo

14 de julho, há 20 anos: É lançada, em 1997, a série animada Johnny Bravo, a segunda produzida pelo canal Cartoon Network. Criada por Van Partible, é centrada em um rapaz musculoso e muito autoconfiante que tenta conquistar mulheres, mas sem sucesso. A série teve quatro temporadas (1997, 1999/2000, 2000/2001 e 2004), e 67 episódios O personagem é inspirado em Elvis Presley e tem o penteado de Brad Pitt em Johnny Suede (1991).

Glow - 2017 - 01

Lindas garotas da luta livre: “Glow”

Coluna Cinemascope (#41). Correio da Paraíba, 5/7/2017 

Mulheres, ringue, anos 1980

por Renato Félix

Antes dessa moda dos vale-tudos e UFC, houve a luta livre, o telecatch. Não cheguei a ver os áureos tempos de Ted Boy Marino e companhia, mas era espectador de um programa americano do gênero, que o SBT exibia lá nos anos 1980. Esses programas combinavam lutas e encenações, os lutadores encarnavam personagens e havia muito mais fantasia que escoriações e sangue.

Lembro até hoje de personagens desse programa. O Sr. Maravilha, a dupla Abelhas Assassinas e, claro, Hulk Hogan, que já era o maioral absoluto ali.

Por isso, parece algo absolutamente natural que os anos 1980 sejam a ambientação da ótima série Glow, que estreou há poucos dias  na Netflix. Mas, mais do que isso, é uma ambientação verdadeira, porque existiu mesmo uma série chamada Glow – Gorgeous Ladies of Wrestling (“Garotas bonitas da luta livre”), que colocava mulheres no ringue, entre 1986 e 1989.

As lutadoras/ atrizes interpretavam personagens como Liberty, Colonel Ninotchka, Zelda the Brain e por aí vai. A série da Netflix meio que reconta como surgiu o show original, com personagens mais ou menos baseados nos verdadeiros nomes. Agora temos Liberty Bell, Zoya the Destroya, Britannica, Beirut the Mad Bomber…

A série consegue reproduzir bastante do aspecto de diversão do período e transita pelo terreno espinhoso do comentário sobre o papel reservado às mulheres no meio artístico naquela época. Alison Brie, ótima atriz da série Mad Men, abre Glow lendo falas fortes para um teste, mas é advertida: “Você está lendo a fala do homem”. A da mulher é tipo “A sua esposa está na linha 2”.

A luta livre, por mais aproveitadora que pareça ser da figura feminina, é, para aquelas personagens, naquele contexto, a oportunidade de desenvolver um trabalho artístico e de ter um reconhecimento. Glow é bem carinhosa com suas personagens, apesar dos golpes da vida.

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João Saldanha

3 de julho, há 100 anos: Nasce, em 1917, o jornalista, escritor e técnico gaúcho de futebol João Saldanha. Apelidado por Nélson Rodrigues como “João Sem Medo”, foi um dos mais importantes jornalistas esportivos do Brasil. Como treinador, esteve à frente do Botafogo campeão carioca de 1957 e da Seleção Brasileira nas eliminatória para a Copa de 1970. Morreu em Roma, em 1990, cobrindo a Copa do Mundo.

sherlock-the-six-thatchers-01

Amanda Abbington, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman, em “Sherlock – The Six Thatchers” (2017)

 03 – SHERLOCK – THE SIX THATCHERS

por Renato Félix

Sem borda - 04 estrelas Antes da estreia da quarta temporada de Sherlock (você sabe, cada episódio da série é um longa-metragem, por isso ele está aqui), os produtores fizeram questão de avisar que seria a mais sombria delas. E eles falavam sério. Mas a grande capacidade narrativa da série garante que, mesmo assim, ela não chega a destoar do tom geral. É o que acontece no episódio de abertura, The Six Thatchers.

O “Thatchers” do título é referente mesmo a Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica. Como sempre, trata-se de uma referência indireta a uma história original de Arthur Conan Doyle (neste caso, o conto “The Adventure of the Six Napoleons”). Aqui, trata-se de seis estátuas únicas e raras da Dama de Ferro, que alguém está destruindo uma a uma.

Mas esse mistério só entra em cena com o episódio já avançado. A estreia de Rachel Talalay na direção de um episódio da série (ela dirigiu filmes como Tank Girl, 1995, e, recentemente, alguns episódios de séries da DC, como Supergirl e Flash) estabelece um clima antes de mudar de direção.

Começa lidando com a herança do final da terceira temporada: Sherlock (Benedict Cumberbatch) acusado de assassinato e encaminhado para o exílio. Após o interlúdio do episódio especial The Abominable Bride, a série lida com aquele desfecho chocante “elucidando” a situação através das manobras do irmão Mycroft (Mark Gatiss) já no começo deste episódio.

Seguimos com Sherlock resolvendo freneticamente casos menores enquanto aguarda os desdobramentos do que parece ser uma anunciada vingança póstuma de Moriarty. Quando as seis estátuas entram em cena, as complicações da trama vão enredar o passado de Mary Watson (Amanda Abbington), mais uma vez revelando-se uma grande personagem na série. Ela chega a protagonizar um duelo de sagacidade com Sherlock.

Não só ao passado de Mary, mas também às fraquezas de John (Martin Freeman) agora que o casal tem um bebê e o mergulho de Sherlock na própria obsessão são os lembretes sombrios quem vão entremeando o humor e a ação, uma prévia de momentos difíceis que não tardarão a chegar.

Sherlock – The Six Thatchers. Sherlock – The Six Thatchers. Reino Unido, 2017. Direção: Rachel Talalay. Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Amanda Abbington, Mark Gatiss. Download.

top-model

A abertura de Top Model (1989/ 90) é datadíssima, é verdade. Não é preciso dizer como a computação gráfica avançou nesses quase 30 anos, mas ainda sou fascinado pela execução da ideia inspirada (de propósito ou por tabela) nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas – não, não conhecia o nome, fui pesquisar). Gosto do ritmo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera, alguns closes (é a Simone Carvalho ali?), mas nem tanto do congelamento do congelamento de um deles perto do final. A música é uma grande bobagem, gosto bem mais da melodia que da letra (mas a passagem “deixo meus recados por onde você possa passar” é até legal). Quando reprisou no Viva, esperava começar a novela só para ver a abertura toda noite.

Sem borda - 04 estrelas

<< Pedra sobre Pedra

Saiu o trailer de Luke Cage, próxima série da Netflix no universo Marvel – depois das duas de Demolidor e de Jessica Jones (nesta, o personagem já apareceu). Gostei do clima de “herói do bairro” (no caso, o Harlem) e o personagem apareceu muito bem em Jessica Jones, tem bom potencial. Estreia: 30 de setembro.

Eu sei, eu sei: alguns desses personagens são reais. Mas tecnicamente foram ficcionalizados para seus filmes, certo?

Boa Noite e Boa Sorte-08

10 – EDWARD R. MURROW, David Strathairn em Boa Noite e Boa Sorte (2005)

Murrow foi correspondente de rádio na II Guerra e, na TV, comandava o See it Now quando ele e sua equipe resolveram denunciar os desmandos do Comitê de Atividades Antiamericanas liderado pelo senador Joseph McCarthy, história essa contada em Boa Noite e Boa Sorte, título que reproduz seu bordão.

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9 – CHARLES FOSTER KANE, Orson Welles em Cidadão Kane (1941)

Kane usou sua fortuna herdada para comprar um jornal de terceira e, a partir dele, construir um império de imprensa nos EUA. Frase clássica quando mandou um fotógrafo cobrir uma guerra no Caribe e ele ligou dizendo que estava tudo calmo: “Mande as fotos que eu entro com a guerra”. Inspirado (e nem se esforça em disfarçar) em William Randolph Hearst.

Cidade de Deus-02

8 – BUSCAPÉ, Alexandre Rodrigues em Cidade de Deus (2002)

Testemunha da ascensão do tráfico de drogas na Cidade de Deus, um dia Buscapé ganha uma máquina fotográfica e registra a ação dos bandidos para o Jornal do Brasil.

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7 – JOE BRADLEY, Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu (1953)

Bradley trabalha para um serviço de notícias em Roma até que dá de cara com um furo: a princesa (Audrey Hepburn) que está em visita oficial, mas fugiu para viver a cidade. Sem dizer que a reconheceu, se oferece para ciceroneá-la e fazer uma reportagem exclusiva.

Montanha dos Sete Abutres

6 – CHUCK TATUM, Kirk Douglas em A Montanha dos Sete Abutres (1953)

Preso ao jornaleco de uma cidadezinha, Tatum descobre que um homem está preso em uma mina. Ele logo começa a manipular o xerife, a esposa do cara e a cidade inteira, fazendo a situação virar um circo e controlando a situação para sua matéria o levar de volta ao topo. “Eu posso cuidar de grandes notícias ou pequenas notícias. E se não houver notícias, eu saio e mordo um cachorro”, diz ao seu editor.

Quase Famosos-04

5 – WILLIAM MILLER, Patrick Fugit em Quase Famosos (2000)

Miller é um adolescente que escreve para uma revista quando recebe uma ligação da Rolling Stone pedindo uma pauta. Ele sugere a banda em ascensão Stillwater e de repente se vê acompanhando a turnê do conjunto e mergulhado no mundo do rock dos anos 1970. O diretor-roteirista Cameron Crowe semibiografa a própria história.

Hildy Johnson

4 – HILDY JOHNSON, Rosalind Russell em Jejum de Amor (1940) e Jack Lemmon em A Primeira Página (1974)

A peça já tinha rendido um filme em 1931, mas estas são as duas versões clássicas: Hildy é o repórter que abandona o emprego para se casar e levar uma vida pacata, mas é convencido pelo editor a cobrir a execução de um assassino de policiais. O editor usa cada truque para não perder seu repórter, que não resiste ao vício da adrenalina da cobertura. Em Jejum de Amor, o detalhe é que o repórter é uma mulher. E aí o editor quer tanto manter a repórter quanto evitar que sua ex-mulher se case de novo.

Todos os Homens do Presidente-07

3 – BOB WOODWARD E CARL BERNSTEIN, Robert Redford e Dustin Hoffman em Todos os Homens do Presidente (1976)

Uma das histórias mais famosas do jornalismo: Woodward e Bernstein, do Washington Post, fazem o trabalho de formiguinha de investigar uma invasão à sede do Partido Democrata e descortinam o escândalo que ficou conhecido como Watergate e provocou a renúncia do presidente Richard Nixon.

Homem que Matou o Facinora-64

2 – DUTTON PEABODY, Edmond O’Brien em O Homem que Matou o Facínora (1962)

Peabody é o, como ele mesmo diz, “dono, editor, redator e faxineiro” do jornal de uma cidade sem lei do velho oeste. Ele testemunha a luta de um advogado idealista (James Stewart) e trazer a civilização ao lugar, mas isso implica em enfrentar o grande bandido Liberty Valance (Lee Marvin). Ao dar com uma história que vai incriminar Valance e o avisam para não publicar, ele não titubeia: “É notícia. E eu sou um jornalista”.

Lois Lane

1 – LOIS LANE, Margot Kidder em Superman – O Filme (e mais três filmes) e Teri Hatcher em Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman, entre outras atrizes

Lois Lane surgiu junto com o Super-Homem, nos quadrinhos, em 1938. Já trabalhava no Planeta Diário, mas era infeliz: fazia uma coluna de fofocas. Com o tempo, se tornou a melhor repórter dos quadrinhos, amplamente reconhecida, tão talentosa quanto abelhuda e agitada. Sua importância não deve ser subestimada: é um ícone, um símbolo do reconhecimento do talento feminino antes que o feminismo ganhasse corpo. Teve revista própria, versões para rádio, livros, desenhos animados e, claro, cinema e TV. Atualmente, é vivida por Amy Adams no cinema. A versão clássica é a de Margot Kidder, na série de filmes do Super-Homem de 1978 a 1987. Ela mostrou o domínio da personagem desde os testes: é visível como é melhor que as adversárias. Na TV, a melhor versão é a Teri Hatcher na série em que Lois vinha (com toda a justiça) antes do super-herói no título.

pedra-sobre-pedra

Ah, os anos 1990… Parecia que não havia limites para a nudez na TV. A prova é a abertura antológica de Pedra sobre Pedra (1992), com uma esplendorosa Mônica Fraga se confundindo com a paisagem de pedras e árvores do interior do Nordeste. E a música de Dominguinhos cantada por Fagner dita o ritmo seguido perfeitamente pelas imagens. Uma pérola.
Sem borda - 05 estrelas

Brega & Chique <<
>> Top Model

O apresentador anuncia a vencedora como melhor atriz em série/ drama e… a vencedora está no banheiro. Cena de comédia absurda de algum filme de Mel Brooks? Pois aconteceu mesmo com Christine Lahti, que venceu por Chicago Hope em 1998. Robin Williams irrompeu no palco e fez um stand up comedy até Christine chegar – muito ofegante e sem controlar o riso.

Amanhã (domingo) tem mais uma cerimônia de entrega dos Globos de Ouro. O blog vai lembrar aqui alguns dos momentos memoráveis da cerimônia (alguns listados pelo IMDB).

Para começar, Ving Rhames ganhando em 1998 como melhor ator de minissérie ou telefilme pelo papel-título de Don King – Only in America. Para começar, para quem é acostumado com o homenzarrão de Pulp Fiction e dos filmes de Missão Impossível vai vê-lo chorando como um bebê a caminho do palco. E, lá, ele convoca ao palco a lenda viva Jack Lemmon (que concorria por Doze Homens e uma Sentença e foi derrotado por Rhames). Aplaudido de pé, Lemmon é surpreendido quando Rhames resolver dar para ele o Globo de Ouro que acabava de ter ganho! Surpresas, risadas, choro na plateia e um Jack Lemmon sem ação. “Esse é um dos momentos mais maravilhosos, legais e doces que já tive na vida”.

Depois do sucesso de Demolidor, cresceu a expectativa em torno dos novos passos da Marvel com a Netflix. E esse novo passo é Jessica Jones, a nova série dessa parceria, que teve seu primeiro trailer completo lançado. São 13 episódios em que Jessica (Krysten Ritter) tenta viver como detetive depois do fim trágico de sua carreira como super-heroína. O lançamento é em 20 de novembro.

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Para quem ainda não teve oportunidade e para quem tem TV por assinatura, chegou a hora de assistir à sensacional série britânica Sherlock. Benedict Cumberbatch e Martin Freeman são Sherlock Holmes e o Dr. John Watson em versões atualizadas, com tramas vividas na Londres de hoje (favor não confundir com Elementary). A série já tem três temporadas, cada uma com três episódios de cerca de uma hora e meia cada, e um especial de Natal foi anunciado para dezembro.

Antes disponível apenas na pouco acessível BBC HD em home video ou nos downloads da vida, o primeiro episódio, “Um estudo em rosa”, foi ao ar esta madrugada no Cineclube Arte1, à 0h30. Já teve uma reprise às 8h. Haverá outra daqui a pouco, às 16h.

É ficar de olho nas prováveis reprises e na exibição dos próximos episódios.

Em três temporadas (com três telefilmes em cada), a série Sherlock nos fez ver naturalmente o detetive de Arthur Conan Doyle como um personagem da modernidade. Mas aí veio a surpresa: um episódio especial de Natal que se passará na ambientação clássica de Holmes, a Era Vitoriana. A brincadeira coloca o mesmo elenco com seus personagens em outros tempos, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman à frente como Sherlock e Watson. Agora saiu o primeiro trailer e, como fã da série, eu continuo curiosíssimo para ver isso.

Bons tempos em que trilha de comercial era “Carinhoso”.

O Netflix divulgou o primeiro trailer de Narcos, seriado de José Padilha com Wagner Moura como Pablo Escobar. Parece que tem uma boa pegada!

Serão 10 episódios, disponíveis a partir de 28 de agosto.

Chaves

Entre as histórias que gosto sempre de contar, está esta: em um certo final de ano, estava em um carro com amigos de Larissa – então só ainda minha namorada – e falávamos sobre o que ainda havia para ser feito até o fim do ano. O amigo que estava dirigindo – que, se não me equivoco, estava conhecendo naquela ocasião – disse algo como “Eu vou deixar tudo pra fazer no bolo do final do ano”. Eu respondi:

– Tudinho no montão do fim do ano?

Disse como uma das piadas mais internas de todos os tempos. Uma frase tirada de um único episódio de Chaves, da qual ninguém teria por que lembrar. Disse para o meu divertimento pessoal e secreto. No entanto, o que ouvi de volta foi:

– É isso! Era isso o que eu queria dizer!

Isso dá a dimensão de como a criação de Roberto Gomez Bolaños, o Chespirito, está enraizada no Brasil. Repito: uma única frase de um único episódio, que eu pensei que ninguém iria reconhecer e, no entanto, era a citação que o amigo estava tentando fazer. Devia ter suspeitado desde o princípio.

Ontem mesmo eu disse “Não se misture com essa gentalha, tesouro” para alguém (e também usei para uma amiga aecista, nas eleições). Não posso ouvir alguém me dizendo “Que milagre você por aqui!” sem responder (e não interessa se a pessoa vai entender ou não) “Vim lhe trazer esse humilde presentinho”. Quando eu cometo um erro bobo, sempre digo pra mim mesmo “Que burro! Dá zero pra ele”.

Este ano ChavesChapolim comemoraram 30 anos de exibição no Brasil. O SBT até tentou tirar Chespirito do ar algumas vezes, mas sempre foi vencido pela verdade dos fatos: nada do que colocava no lugar dava mais audiência do que os episódios reprisados à exaustão, já conhecidos em detalhes pelo público trintão e quarentão e que ainda divertia os menores que iam conhecendo o programa.

Eu acompanhei esses 30 anos de perto. E vi este ano a TV a cabo, onde desenhos modernosos e novíssimos costumam escantear os clássicos, render-se a Chespirito. ChavesChapolim passam não em um, mas em DOIS canais fechados: o TBS e o Boomerang. O horário é o começo da madrugada, o que não podia ser melhor para mim e outros adultos: depois de chegar do trabalho, em casa, já relaxado, o controle remoto sempre acaba parando sem querer querendo em um desses canais.

“Chiquinha, não me ajude!”, “Já chegou o disco voador” e “O senhor não vai morrer. Vão é matar o senhor” foram alguns bordões que Astier Basílio e eu contrabandeamos para as redações em que trabalhamos juntos. Também são frases de episódios isolados.

Assim como “É você, Satanás?”, “Aqui é apenas outro gato!”, “Que bonita a sua roupa”, “Aritmética ou geometria?”… Os bordões, claro, pegaram, muitos por repetição. Mas me espanta mesmo são essas frases ditas uma vez – ou algumas vezes em um único episódio – e que são (aí, sim, em episódios que vão e voltam há 30 anos) imediatamente reconhecíveis por tanta gente.

Também me lembro que, na universidade, o professor Carmelio Reynaldo defendeu a série (então, considerada por muita gente apenas como coisa de baixa qualidade) dizendo que os diálogos faziam brincadeiras inteligentes com a linguagem. Eu acho que, entre as quedas e golpes a la Tom & Jerry, tem mesmo muito isso.

– Chaves, o correto é “O Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– “Quico e eu”.
– Não, o senhor não estava.

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– O burro vai na frente.
– Pode passar.

Todo Seu Madruga mesclado com Che Guevara em uma camisa, toda menina chamada de Chiquinha quando faz maria-chiquinha no cabelo, todo refresco de tamarindo que alguém pergunta se tem sabor de groselha, todo aquele que sai no carnaval ou uma festa à fantasia vestido de Polegar Vermelho, toda vez que alguém dá uma dentro e diz “Não contavam com a minha astúcia” – tudo isso é um atestado à imortalidade do Chespirito, que assumiu esse apelido que deriva de “pequeno Shakespeare”.

Imortal quando era vivo, não vai ser a morte que vai atrapalhar. Afinal, é melhor morrer do que perder a vida.

Carnaval no Fogo

Há 20 anos morria o ator Grande Otelo. Um dos maiores artistas do cinema nacional, Sebastião Bernardes de Sousa Prata se tornou ídolo com as chanchadas da Atlântida, fazendo dupla imortal com Oscarito, nos anos 1950. Mas estava no show business desde os oito anos, em circos e teatros, quando começou a ser conhecido como o “pequeno Otelo”, referência ao personagem de Shalespeare. Estreou no cinema em 1935 e na Atlântida em 1943 com Moleque Tião, um pouco a sua própria cinebiografia. A competitividade entre Otelo e Oscarito marcou o estilo da dupla, já que nenhum queria ser escada do outro – explicitado na comédia dramática A Dupla do Barulho (1953). Com Nélson Pereira dos Santos, fez o compositor sofrido de Rio, Zona Norte (1957), pré-Cinema Novo. Continuou a transição pós-chanchada com Assalto ao Trem Pagador (1962) e, depois, Macunaíma (1969). Ele continuou fazendo cinema, mas um grande faixa de público o identificava na fase final da carreira graças ao seu personagem em A Escolinha do Professor Raimundo, na TV.

Aldine Muller-02

Uma das musas máximas da pornochanchada, Aldine Muller completa 60 anos (nasceu em 1953). Gaúcha, foi para São Paulo para ser atriz e, em 1974, era figurante na TV Tupi quando foi convidada para rodar um filme. Chegando lá – na Boca do Lixo – descobriu que teria que fazer cenas de nudez e de sexo. Não negou fogo e Clube dos Infiéis (1974) foi só o primeiro de uma lista que incluiria títulos como Pesadelo Sexual de um Virgem (1975), Dezenove Mulheres e um Homem (1977), Ninfas Diabólicas (1978), Bem Dotado, o Homem de Itu (1978), A Mulher que Inventou o Amor (1979), Convite ao Prazer (1980) e Elite Devassa (1984). Foi uma das atrizes mais lindas do gênero e também uma das mais talentosas. A partir dos anos 1980, começou a fazer também televisão e seus dotes como atriz foram melhor notados, em novelas ou na Escolinha do Professor Raimundo. Foi capa da Playboy duas vezes – uma delas em um ensaio mezzo-lésbico com Zaira Bueno, em 1983 – e, sempre em forma, foi capa da Sexy, em 2000, aos 46 anos. Atualmente, ela tem sua própria companhia de teatro e se dedica aos palcos.

Que eu me lembre, a palavra “brega” não era tão disseminada no vocabulário nacional até que essa novela das sete entrou no ar. Brega & Chique (1987) mostrava uma divertida e bem sacada inversão, ao fazer a ricaça vivida por Marília Pêra perder a fortuna (e a pose) e a mulher de subúrbio Glória Menezes virar uma nova-rica. Muita risada garantida, com um elenco que ainda tinha Marco Nanini antes da TV Pirata e, por tabela, da associação com o núcleo Guel Arraes. A abertura alterna mulheres em versões brega e chique de um jeito que a gente nem sabe bem onde começa um e termina o outro (ainda mais se tratando dos divertidos anos 1980). A edição ágil e algo sexy ganham pontos, assim como a música antológica do Ultraje a Rigor. A abertura teve problemas de censura – em boa parte da novela havia uma impagável folhinha de parreira que o politicamente correto fez a Globo incluir para encobrir a bunda do cidadão, no final. E lembram da Doris Giesse? Ela está entre as moças que aparecem.
Sem borda - 04 estrelas

Elas por Elas <<
>> Pedra sobre Pedra

 

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O reencontro de antigas amigas de colégio era o mote de Elas por Elas (1982). A abertura muito bacana se passa nos anos 1950, em preto-e-branco, numa festa da juventude das personagens (lembra a da minissérie Anos Dourados, que é posterior). Ao som da ótima música-tema dos Fevers, elas vão emergindo maduras das imagens congeladas e transformadas em fotografias: Aracy Balabanian, Ester Góes, a linda Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma e Maria Helena Dias. Os detalhes das cenas da festa (como a cara de desaprovação de duas velhotas para toda aquela agitação) enriquecem a peça.

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A Viagem <<
>> Brega & Chique

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