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Narrativa. “Narrativa” é uma palavra que muita gente tem usado de forma negativa nos últimos tempos.

“Narrativa do golpe”, pra não admitir que foi golpe. “Narrativa de vítima”, pra dizer que a pessoa está inventando ou reforçando uma condição de vítima que ela não tem – ou, pelo menos, não tem tanto assim.

Injustiça com a palavra. “Narrativa” é a belíssima arte de contar histórias. Novelas, filmes, desenhos animados: quanto melhor a narrativa, melhor é.

É a narrativa que me interessa nessas formas de arte. E também foi assim neste BBB.

Um jogo que combina direcionamento e improviso, com regras impostas pela produção e a dinâmica interna imprevisível de seus jogadores, tem narrativa?

Claro. A edição do programa se esforça em construir narrativas e personagens, tornar tudo o mais “novela” possível. Se seu elenco já proporciona isso naturalmente, melhor ainda.

O pessoal da má vontade e aqueles que foram além, mergulhando de cabeça na xenofobia, não demorou a tentar colar em Juliette o rótulo da “narrativa de vítima”. Como se ela não tivesse sofrido de verdade com a exclusão por parte dos outros participantes, liderados pela cantora que se diz educada porque é “de Curitiba”.

Juliette (e sua talentosíssima equipe de maketing aqui fora – que cresceu junto com ela) soube aproveitar esse fato? Sem dúvida, mas o fato existiu e se repetiu.

Mas num reality show como esse, a narrativa pode ser cortada abruptamente. A história pode não pegar, pode tomar um caminho errado, pode definhar. O acaso é uma ameaça constante e que quase nunca falha contra qualquer narrativa mais redonda.

E aí aconteceu o contrário: o acaso ajudou a narrativa. A história que estava sendo contada foi ficando logo cada vez mais evidente, mais forte e até com “turning points” precisos.

Lucas e ela foram excluídos por quase todos os outros. Se viram, se entenderam, se acolheram, se apoiaram. Quando ele não aguentou e pediu para sair, disse para ela: “Ganha essa porra!”.

Primeiro “turning point” importante: ela foi ao seu primeiro paredão, na segunda semana. Poderia ter escapado na prova bate-e-volta, mas não apenas não se salvou, como Karol Conká é que sobreviveu. Na votação popular, houve muita gente que defendeu sua saída porque “ela não saberá jogar contra Karol Conká e seus asseclas”. Que engano.

Ela não saiu, se reorganizou e não baixou a cabeça para os vilões. Firmou uma aliança importante com Sarah e Gil: o G3. Juntos, eles foram derrubando o Gabinete do Ódio, um membro por vez.

Quando Sarah ganhou sua prova do líder, épica, a primeira “final de Copa do Mundo” desse Big Brother, Juliette nos conquistou para valer aqui em casa. Enquanto Sarah distribuía suas pulseiras para o quarto do líder, a despachada da Juliette não se fez de rogada: “Sarah, não esquece de mim, não, pelo amor de Deus!”. E depois ainda se mudou de mala e cuia para o quarto da líder.

Com o Gabinete do Ódio dizimado, novo “turning point”. Diferenças na visão de jogo e Sarah começa a alimentar uma desconfiança quanto a Juliette. Isso evolui para um ranço e contamina Gilberto, que chega ao ápice de questionar, entre outras coisas, a relação da Juliette com suas referências nordestinas.

Põe em dúvida as amizades dela, dizendo que é puro interesse. Põe em dúvida as lágrimas da aliada, nordestina como ele.

Juliette vira alvo de seux ex-aliados, um novo Gabinete do Ódio. Está de novo excluída. De novo, só. Não é prioridade para ninguém.

“Turning point”. Carla Diaz, no quarto secreto após sair em um paredão falso, vê os ataques – e vê também Juliette a defendendo, quando outros falavam mal da, pensavam eles, eliminada. Ao voltar para casa, Carla não faz muita coisa, mas faz isto: fala bem de Juliette para seus aliados, a fechada dupla Camilla e João.

Juliette conversa, conversa. Tenta resolver. Esmaga moralmente Gilberto. Não adianta.

O acaso joga a favor de novo. Juliette ganha na sorte a oportunidade de obrigar alguém a revelar seu voto secreto. Numa jogada perfeita, que saber o voto da Sarah. “Juliette”, ela entrega, sendo então desmascarada.

Depois, quando é colocada no paredão, direciona (querendo ou não – o acaso, de novo?) uma votação aberta que faz com que Sarah também termine no paredão. O duelo de vida e morte termina com a rival derrotada.

Mas essa vitória é disfarçada porque todos os colegas acham que Sarah foi derrotada pela briga com um terceiro elemento, Rodolffo. Ninguém imagina a força de Juliette. Nem ela mesmo sabe.

Ainda coleciona plaquinhas de adjetivos ruins dadas pelo resto do elenco, nas dinâmicas de “jogo da discórdia” do programa. É votada pela casa no confessionário, a amiga Viih Tube a salva. É votada em seguida pela casa em votação aberta, a amiga líder a salva de novo. Mas é puxada ao paredão em um contragolpe. E, na prova bate-e-volta, escapa pela terceira vez na mesma noite.

O acaso a favor da narrativa.

Juliette já havia encontrado em Camilla de Lucas uma nova aliada. Mas tinha a sina de perdedora dentro da casa: não havia ganhado nenhuma prova do líder, nenhuma prova do anjo. Se lamentava por não poder ver fotos ou vídeos da família, privilégios dos vencedores. Reagia mal quando via a vitória escapar por entre os dedos.

Restava uma prova do líder. Na última prova, no último momento possível, ela escolhe o número certo entre três possibilidades e vence. Não sabe, mas essa vitória é comemorada com gritos nas vizinhanças pelo Brasil. O acaso, sempre ele.

Foi outra final de Copa do Mundo.

O que não é acaso é o seu carisma. Potencializado por sua equipe nas redes sociais, é verdade. Mas uma base consistente, que se aliou a uma narrativa de superação de adversidades que se construiu pela dinâmica interna dos participantes, por uma visão inteligente do ambiente adverso e por uma ajudinha do acaso. Carisma misturado com autenticidade, resistência e humor.

Vai à final, ninguém lá dentro sabe direito como. Descobre, num vídeo que resume sua trajetória, que foi mais perseguida do que imaginava (mas ainda menos do que foi na verdade). No discurso final, o apresentador exalta sua resiliência e revela o que aqui fora todos sabiam, mas ela e os outros dois finalistas ainda não. Eles descobriram juntos:

“Você nunca esteve sozinha, em nenhum momento. No palco (pódio) montado pelo público, você nunca saiu do primeiro lugar”.

No show final, lá estava Juliette, a protagonista absoluta do BBB 21, assistindo a Lucas, que estava de volta, de surpresa, cantando em meio a outros ex-BBBs desta edição. Um de frente para o outro, mãos juntas, embora separadas pelo acrílico que isolava o palco. “Eu me lembro de tudo, irmão, eu estava lá também”, dizia a música.

ISSO, compadre, é que é narrativa. Com começo, meio, reviravoltas e final. Final feliz.

“Doze”.

Naquele momento, ela ainda não tinha ganhado nenhuma prova. E esta era a última prova do líder. Era o último momento dela nessa prova do líder. Seus dois adversários também não tinham errado nenhum número. 33,3% de chance de ganhar, 66,6% de perder. Tudo ou nada.

“Doze… Doze… Doze…”

Sentados no sofá, repetíamos o número, naquela tentativa incerta de fazer o pensamento chegar lá. Vai que. Nem pensávamos que tanta gente no Brasil estivesse repetindo a mesma palavra, ao mesmo tempo.

“Doze”, disse Juliette Freire.

Vibração no nosso sofá, vibração na vizinhança. Baggio chutou pra fora. É tetra! É tetra!

Depois vimos que foi assim em tantas vizinhanças pelo Brasil.

Ruy Castro escreveu em “O Vermelho e o Negro – Pequena Grande História do Flamengo” que o clube “inspira um rubro-negro do Guaporé a reagir como um rubro-negro do Leblon(com os mesmos gestos e expletivos, e ao mesmo tempo).

Juliette fez a mesma coisa.

Em tantas casas, em tantas regiões diferentes, brasileiros reagiram da mesma forma e no mesmo instante. Antes do BBB 20, fazia muitos anos que não assistia ao programa. Mas me dou o direito de duvidar que tenha acontecido algo semelhante.

Juliette é uma representante admirável da Paraíba e do Nordeste. Não só porque fala sobre as coisas boas daqui o tempo todo, mas por ser o que é. Todo mundo conhece aqui conhece algumas juliettes. Que falam daquele jeito, que têm um pouco ou muito dessa presença. Eu conheço quem já morou pelo mundo todo, mas sempre manteve sua identidade, seu jeito de falar, suas referências presentes, sua cidade natal consigo. E de um jeito muito natural, sem nada de forçado.

Mas Juliette derrubou divisas e se tornou um fenômeno do Brasil.

Conquistou empatia no começo, quando foi covardemente excluída, menosprezada, ridicularizada por uma galera liderada por alguém que se dizia educada “por ser de Curitiba”. Sofreu uma xenofobia braba.

Mas se reorganizou, enfrentou os agressores, se uniu a uma resistência e ajudou a escorraçar os vilões. Depois, sempre com uma leitura inteligente do ambiente onde estava, detectou a mudança em seu grupo, quando começou a ser excluída de novo.

Amassou moralmente Gilberto na academia. E quando foi perguntada sobre de quem gostaria de saber o voto, marcou um golaço: “Sarah”, desmascarando a ex-aliada.

Quando foi ao paredão, marcou outro golaço ao chamar a agora rival para o confronto direto. E venceu.

Com tagarelice e resiliência, foi arrumando confusões e resolvendo, virando alvo e se safando. Tentava tanto resolver os problemas que às vezes isso mesmo virava um problema. Teve que enfrentar a má vontade até da Folha de S. Paulo.

Mas enfrentou e fez isso, sobretudo, com muito carisma. E carisma não se ensina, nem se aprende. Quem tem, tem.

Então, ela disse “doze”. E vibramos todos, ligados na mesma emoção de uma narrativa especial a esse ponto: da única liderança vir no último momento possível, com todas as probabilidades contra.

Vencedora. Protagonista. Campeã.

Meu comentário na CBN nesta sexta foi sobre a estreia de Druk Mais uma Rodada, de Tomas Vinterberg, com duas indicações importantes ao Oscar, dicas do Festival Sesc Melhores Filmes, online e gratuito e com homenagem a Marcelia Cartaxo, a volta da novela O Salvador da Pátria no canal Viva, e a estreia de Radioactive, cinebiografia de Marie Curie na Netflix. Ouça aqui!

(foto: Mads Mikkelsen em Druk Mais uma Rodada)

As aberturas das novelas brasileiras são uma obra de arte à parte. Essa lista reúne as 50 melhores (na minha opinião, claro). Algumas resumem o ponto de partida da trama principal, outras metaforizam o tema central, há aquelas que brilham como peças isoladas. Algumas são em animação em stop motion, outras em CGI, algumas possuem efeitos especiais sofisticados (para suas épocas), outras são perfeitas em sua simplicidade. Podem ser dramáticas, épicas, cômicas, alegres. A mais antiga é de 1970, a mais recente, de 2019. Confira a lista, assista às peças e confira algumas opiniões e informações (muitas delas retiradas do completíssimo site Teledramaturgia, de Nilson Xavier).

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50 – ÓRFÃOS DA TERRA (Globo, 2019)

A novela sobre refugiados teve uma abertura sóbria e simples, no estilo “álbum de retratos”. Mas muito adequada. O grande lance é que as pessoas que aparecem são realmente refugiados, com alguns integrantes do elenco entre eles (informação do de onde tirei outras curiosidades nessa lista). A música-tema também é ideal, talvez inevitável: “Diáspora”, com os Tribalistas. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid. Para ver com créditos, clique aqui.

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49 – CIDADÃO BRASILEIRO (Record, 2006)

A abertura reflete bem uma trama que avança 30 anos no tempo, com “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, como tema, numa versão cantada por Edu e Zizi Possi. Novela de Lauro César Muniz.

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48 – AMOR E REVOLUÇÃO (SBT, 2011-2012)

A novela que se passa nos anos da ditadura militar era péssima de dar vergonha, mas a abertura era muito boa: usou uma canção clássica da época e sobre a época (“Roda viva”, de Chico Buarque, com o MPB-4) e foca nos desaparecimentos e mortes provocadas pelo regime. De maneira meio brega, também, é verdade, reencena aquela imagem da garota que coloca uma flor no cano da arma de um soldado. Mas tudo bem. Novela de Tiago Santiago.

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47 – CHOCOLATE COM PIMENTA (Globo, 2003-2004)

Aberturas de novelas de época muitas vezes recorrem a ilustrações antigas ou num estilo do período retratado. Aqui os desenhos de Sylvia Trenker (e os créditos) evocam os anos 1920 e ganha cores e relevo que lembrar o chocolate. O delicioso tema é cantado por, vejam só, Deborah Blando: “Chocolate com pimenta”, de Aldir Blanc e Mú Pimenta. Novela de Walcyr Carrasco.

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46 – MEU PEDACINHO DE CHÃO (Globo, 2014)

Um tom épico e de fantasia, reflexo do visual altamente rebuscado da novela. Para isso, uma bela animação com gigantes, heróis, vilões, tudo pelos olhos de uma criança. O tema de abertura, instrumental, é composição de Tim Rescala. Novela de Benedito Ruy Barbosa.

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45 – CHEIAS DE CHARME (Globo, 2012)

A divertida animação que resume a trama das empregadas que formam um grupo musical, retratando a história como um show de marionetes. O tema é o sucesso de Gaby Amarantos, “Ex-mai love”. Novela de Filipe Miguez e Isabel de Oliveira. No vídeo, a versão é sem os créditos.

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44 – PASSIONE (Globo, 2010-2011)

A abertura foi criada pelo artista Vik Muniz: instalações com “desenhos” feitos a partir do lixo, trabalho desenvolvido pelo artista que gerou um documentário, Lixo Extraordinário. A música, “Aquilo que dá no coração”, é de Lenine. Novela de Sílvio de Abreu.

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43 – FINAL FELIZ (Globo, 1982-1983)

Essa colagem de cenas de filmes clássicos se faz hoje em casa, com um computador e internet. Mas em época sem home vídeo, era uma prestação de serviço poder rever os beijos clássicos do cinema. Divertido, também, os personagens assistindo na plateia. A música, então, era perfeita: “Flagra”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho. Novela de Ivani Ribeiro.

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42 – CHAMPAGNE (Globo, 1983-1984)

Uma tiração de sarro com esse monte de elementos chiques flutuando em volta do casal. Um efeito divertido e fascinante, brincando de ser elegante, muito bem realizado. Com boa parte dos créditos na diagonal e ao som de “Casanova”, de Ritchie. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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41 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1970-1971):

Em época em que as aberturas ainda eram incipientes, embora gráficas, esta focou no aspecto da aventura e da relação entre os irmãos, buscando evocar o espírito dos faroestes, com imagens rebuscadas e congeladas. A novela de Janete Clair tentou mesmo trazer os homens para assistir. O tema sensacional entrou apenas instrumental nos primeiros capítulos, depois com Jair Rodrigues. A composição é de Nonato Buzar e Paulinho Tapajós.

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40 – CORAÇÃO DE ESTUDANTE (Globo, 2002)

A edição valoriza muito essa abertura, seguindo muito o ritmo da canção (“Maria solidária”, de Fernando Brant e Milton Nascimento, com Beto Guedes). As imagens são um caleidoscópio de objetos que remetem à vida de estudantes universitários, que é o ponta-pé inicial da novela de Emanuel Jacobina.

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39 – SINAL DE ALERTA (Globo, 1978-1979)

Possivelmente um caso único, Sinal de Alerta não tinha uma música na abertura. Em vez disso, sons da metrópole, numa animação por colagem, parecida com aquelas criadas por Terry Gilliam para o grupo Monty Python. Novela de Dias Gomes.

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38 – CARAS E BOCAS (Globo, 2009-2010)

A beleza gráfica da tinta sendo jogada em câmera lenta sobre rostos, junto com as cores fortes e chapadas, forma um conjunto bonito e pra cima. A canção leva o título da novela, com composição de Thallysson Rodrigues e interpretação do grupo Chicas. A novela é de Walcyr Carrasco.

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37 – BOM SUCESSO (Globo, 2019-2020)

Os universos da costura, da Zona Norte do Rio e do amor pelos livros se cruzam na colorida e bonita abertura, que ainda contou com o clássico “O sol nascerá”, de Cartola e Elton Medeiros, numa nova e ótima versão com Zeca Pagodinho e Teresa Cristina. Novela de Rosane Svartman e Paulo Halm. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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36 – RODA DE FOGO (Globo, 1986-1987)

A palavra fogo, gigante, aparece flutuando e incadescente, enquanto animais petrificados ganham vida ao atravessarem as letras. No fim, o contrário acontece com um homem, que vira pedra, num reflexo do protagonista da novela. É muito bom quando o logotipo se integra à abertura de uma maneira mais orgânica. A música é “Pra começar”, de Marina Lima e Antônio Cícero, com Marina. A curiosidade é que ela foi lançada ao vivo e gravada em estúdio só para a abertura da novela de Lauro César Muniz.

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35 – MARRON GLACÉ (Globo, 1979-1980)

A abertura das borboletas, num clipe criativo e colorido, que parte da gravata borboleta do logotipo. A música, bem no clima, criada para a abertura, leva o título da obra e foi composta por Guto Graça Melo, Mariozinho Rocha e Renato Corrêa, na voz de Ronaldo Resedá. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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34 – LAÇOS DE FAMÍLIA (Globo, 2000-2001)

As aberturas de novelas de Manoel Carlos algumas vezes recorreram a clássicos da bossa nova, evocando um certo espírito clássico do Rio de Janeiro (mesmo que a realidade a contrarie, inclusive na novela). Aqui, a escolhida foi “Corcovado”, de Antônio Carlos Jobim (com versão em inglês de Gene Lees), com Astrud Gilberto, João Gilberto, Jobim e Stan Getz. A Zona Sul carioca é retratada em imagens como pinturas animadas, em que manchas de tinta vão formando a cena, de meninas na praia, família na praça até prostitutas no calçadão.

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33 – AS PUPILAS DO SENHOR REITOR (SBT, 1994-1995)

Um grande e elaborado plano-sequência com a visão subjetiva do reitor do título caminhando por sua aldeia portuguesa. O tema é “Canção do mar”, com a portuguesa Dulce Pontes. Novela de Lauro César Muniz.

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32 – O SALVADOR DA PÁTRIA (Globo, 1989)

Abertura com golpe de vista, em que cenários são desmontados em outros pela perspectiva e recebem a inserção do personagem Sassá Mutema caminhando sobre eles. A sequência mostra a evolução política do personagem, de um campo árido a Brasília e até ao espaço infinito. O jogo de perspectiva é real, foi feito em estúdio. A música é “Amarra o teu arado a uma estrela”, de e com Gilberto Gil. Novela de Lauro César Muniz.

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31 – ESPERANÇA (Globo, 2002-2003)

Mais uma novela de imigrantes by Benedito Ruy Barbosa, muito calcada no sucesso anterior, Terra Nostra. Mas a abertura aqui é melhor: com belas fusões entre um piano e um conjunto de malas, com cenas de época ou com tratamento de época. O tema musical foi cantado primeiro em italiano (com Laura Pausini), mas também teve versões em hebraico (Gilbert), espanhol (Alejandro Sánz) e português (Fama Coral), refletindo as diversas colônias de imigrantes retratados na trama.

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30 – ÉRAMOS SEIS (Globo, 2019-2020)

Uma animação 3D que simula figuras de papel e mostra o tempo correndo na cidade de São Paulo, em volta da casa da família protagonista. Não só o crescimento da cidade, mas a efervescência política. O tema instrumental foi composto por Rafael Langoni e Victor Pozas. Novela de Ângela Chaves. No vídeo a seguir, a abertura está sem créditos. Para ver com créditos, clique aqui.

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29 – QUATRO POR QUATRO (Globo, 1994-1995)

Quatro mulheres esgrimistas que se unem em uma só para se vingar dos homens que maltrataram cada uma. É um bom reflexo da trama central da novela: a vingança de quatro mulheres unidas contra os homens que as sacanearam. A música, também, tudo a ver: “Picadinho de macho”, de Aldir Blanc e Tavito, com Sandra de Sá. Novela de Carlos Lombardi.

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28 – VELHO CHICO (Globo, 2016)

A abertura mostra uma ilustração em madeira entalhada. O artista gráfico Mello Menezes criou o desenho e Samuel Casal fez o entalhe na madeira. Cada entalhe foi registrado, para formar uma animação em stop motion. Caetano Veloso regravou sua “Tropicália” para a abertura, com arranjos de Tim Rescala que reforça o tom épico e mítico da novela de Benedito Ruy Barbosa.

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27 – BRILHANTE (Globo, 1981-1982)

Uma modelo, um gato, espelhos. Essa combinação bem filmada virou uma abertura icônica. A canção, “Luiza”, foi composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim especialmente para a novela de Gilberto Braga.

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26 – ORGULHO E PAIXÃO (Globo, 2018)

As histórias da novela são lindamente ilustradas em uma animação 2D, que apresenta algumas tramas (inspiradas nos livros de Jane Austen) ao som de “Doce companhia”, com Lucy Alves. Novela de Marcos Bernstein. A abertura no vídeo a seguir está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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25 – IRMÃOS CORAGEM (Globo, 1995)

O remake do clássico de Janete Clair também teve uma nova versão da música-tema, em tons ainda mais épicos e agora cantada por Milton Nascimento. As belíssimas imagens combinam a dureza da mineração, a água, cavalos em disparada.

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24 – LOCOMOTIVAS (Globo, 1977)

Uma abertura icônica: a modelo é maquiada e penteada em ritmo acelerado para surgir no final esplendorosa, mas com uma luva de boxe com a qual acerta a câmera. A música é o samba-funk “Maria-fumaça”, da banda Black Rio. Novela de Cassiano Gabus Mendes.

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23 – CORDEL ENCANTADO (Globo, 2011)

A trama básica é apresentada através de uma animação inspirada na estética do cordel e das xilogravuras. A mistura com os contos-de-fadas é representada por elementos dos livros pop-up. Gilberto Gil compôs “Minha princesa cordel” para a abertura e a canta com Roberta Sá. Novela de Thelma Guedes e Duca Rachid.

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22 – SELVA DE PEDRA (Globo, 1986)

Quando o remake de um dos maiores sucessos de Janete Clair foi planejado, Boni ordenou que não queria nada de “Rock and roll lullaby” na trilha. Este tinha sido a icônica canção do casal romântico da primeira versão. A abertura, a cidade de arranha-céus que brota do chão foi feita em maquete, com o elenco no reflexo dos edifícios espelhados. No final, vistos de cima, 2.800 maquetes formavam o rosto de Tony Ramos, o protagonista. A canção escolhida inicialmente foi “Demais”, com Verônica Sabino, mas não teve jeito: já no segundo capítulo, Boni mudou de ideia e pediu uma versão instrumental de “Rock and roll lullaby” para ocupar a abertura. A composição é de Barry Mann e Cynthia Weil, e a nova versão foi creditada a Freesounds (a original é cantada por B.J. Thomas).

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21 – A PRÓXIMA VÍTIMA (Globo, 1995)

Ao som de “Vítima”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho (originalmente de 1985), que, além do título também fala de São Paulo, a abertura mostra pessoas em lugares paulistanos desaparecendo ao som de tiros e de seus rostos serem mudados para os do elenco da novela. Perfeito casamento com a obra de Sílvio de Abreu.

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20 – A HISTÓRIA DE ANA RAIO E ZÉ TROVÃO (Manchete, 1990-1991)

Ana Raio e Zé Trovão era uma novela itinerante, gravada em diversas partes do Brasil, de norte a sul, com o drama se desenrolando em uma caravana que cruzava o país. A abertura refletia essa aventura (dos personagens e da própria equipe), num plano-sequência com vários cenários estilizados, cheios de detalhes, e culminando nos dois cavalos empinados que simbolizam o casal protagonista. A canção é “Raio e trovão”, com o grupo Sagrado Coração da Terra. Novela de Marcos Caruso e Rita Buzzar.

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19 – TROPICALIENTE (Globo, 1994)

Aberturas com golpes de vista são bem legais, e a de Tropicaliente é bem alto astral, refletindo o cenário das praias nordestinas, onde se passa a trama. Quase nada de CGI: quase tudo feito na câmera. Elba Ramalho canta “Coração da gente”, de Nando Cordel e João Wash. Novela de Walther Negrão.

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18 – TOP MODEL (Globo, 1989-1990)

Modelos desfilando é uma ideia óbvia, mas a abertura se inspirou nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas) para colocar as top models em um espaço sem gravidade, andando pelas passarelas de lado ou de cabeça para baixo. O ritmo é ótimo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera. O tema de abertura é “Eu só quero ser feliz”, com o grupo Buana 4. Novela de Walther Negrão e Antônio Calmon.

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17 – ROQUE SANTEIRO (Globo, 1985-1986)

A interação entre homens e natureza, através de golpes de vista com o uso de chroma-key e miniaturas. Boias-frias andando sobre folhas, tratores sobre milhos, barcos navegando em asas de borboletas… Criativo e divertido, mesmo que as miniaturas no final sejam evidentes. “Santa fé”, de Moraes Moreira, é o tema de abertura. Novela de Dias Gomes.

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16 – ESTÚPIDO CUPIDO (Globo, 1976-1977)

A novela que se passava nos anos 1950 usou o clássico maravilhoso de Celly Campello (de 1959) para embalar cartões recortados que deslizavam e interagiam. Totalmente no clima da novela, agitada e divertida, sem afetação nenhuma. Novela de Mário Prata.

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15 – VALE TUDO (Globo, 1988-1989)

Novela de Gilberto Braga, Vale Tudo discutia a ética no Brasil. A partir disso, a abertura trazia uma saraivada acelerada de imagens do país, embalada pela explosiva “Brasil”, de Cazuza, George Israel e Nilo Pedrosa, na voz de Gal Costa (que regravou a canção especialmente para a abertura).

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14 – MULHERES DE AREIA (Globo, 1993)

Água e areia simbolizavam as gêmeas rivais da trama, resumidas na abertura na modelo Mônica Carvalho. Quando a novela passou no Vale a Pena Ver de Novo, a nudez de Mônica teve que ser amenizada por tarjas que desfocavam as partes superior e inferior da tela. A canção-tema era “Sexy Iemanjá”, de Pepeu Gomes e Tavinho Paes, cantada por Pepeu. Novela de Ivani Ribeiro.

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13 – VAMP (Globo, 1991-1992)

Caçadores de vampiros. que entram em cena dançando numa sátira ao clipe de “Thriller”, estão em busca de um cão preto que persegue Cláudia Ohana. Charme e bom humor, com a adição de “Noite preta”, com Vange Leonel (dela com Cilmara Bedaque, perfeita para a abertura), resultaram em uma das mais lembradas aberturas dos anos 1990. Novela de Antônio Calmon.

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12 – TIETA (Globo, 1989-1990)

O corpaço nu de Isadora Ribeiro se “desdistorcia” para compor com a natureza de Mangue Seco, na Bahia. A abertura começa só ao som do vento, para depois entrar “Tieta”, de Paulo Debétio e Boni, com Luiz Caldas, e terminar com a imagem da silhueta da modelo andando insinuante em direção à câmera. Um clássico sensual, que traduz totalmente a novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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11 – BREGA & CHIQUE (Globo, 1987)

Com a novela de Dias Gomes tratando da dicotomia entre uma personagem rica e outra pobre que invertiam as posições, a abertura alterna mulheres em versões brega e chique de um jeito que a gente nem sabe bem onde começa um e termina o outro. A edição ágil e algo sexy ganham pontos, assim como a música antológica do Ultraje a Rigor (“Pelado”). A abertura teve problemas de censura – em parte da novela havia uma impagável folhinha de parreira que a Globo incluiu para encobrir a bunda do cidadão, na cena final. Doris Giesse está entre as moças que aparecem. Novela de Cassiano Gabus Mendes. No vídeo a seguir, a abertura está sem os créditos. Para ver com os créditos, clique aqui.

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10 – O CRAVO E A ROSA (Globo, 2000-2001)

Para uma novela romântica que se passava nos anos 1920, a abertura da novela de Walcyr Carrasco e Mário Teixeira teve a ótima sacada de brincar com o cinema mudo. Outro grande acerto é a música é “Jura”, de Sinhô, gravada pela primeira vez em 1928, aqui em uma nova versão com Zeca Pagodinho.

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9 – A FAVORITA (Globo, 2008-2009)

A abertura é uma animação estilizada que conta a trama central, num estilo que lembra os cartazes e aberturas de Saul Bass para filmes como Um Corpo que Cai e Anatomia de um Crime. Na trilha, o tango “Pá bailar”, do grupo Bajofondo. Novela de João Emanuel Carneiro.

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8 – PAI HERÓI (Globo, 1979)

Antológica abertura com a montagem de um quebra-cabeças em que, no final, uma parte fica faltando: a silhueta do pai de uma criança. Embalada pela música “Pai”, de Fábio Jr. Novela de Janete Clair.

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7 – O DONO DO MUNDO (Globo, 1991-1992)

A cena de Charles Chaplin satirizando Hitler em O Grande Ditador, no balé com o globo terrestre, é a base da abertura da novela centrada em um vilão que começa destruindo um casamento seduzindo a noiva no dia da cerimônia. A sequência recebe uma intervenção com belas mulheres dentro do globo. Com “Querida”, composta e interpretada por Antônio Carlos Jobim, não tinha como dar errado. Novela de Gilberto Braga.

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6 – PEDRA SOBRE PEDRA (Globo, 1992)

Os anos pós-ditadura militar, com o fim da censura, foram de exacerbação da liberdade. Um dos destinos a que isso levou foi a um show de nudez nas aberturas de novelas. Tieta, Mulheres de Areia e, um pouco mais discretamente (ou menos indiscreta), O Dono do Mundo deslumbraram o espectador com corpos de belas mulheres; enquanto Brega & Chique ousou colocar um bonitão de bunda de fora às 19h. A abertura de Pedra sobre Pedra foi o auge. Mônica Fraga desfila em nudez quase total, com seu corpo se fundindo e se misturando às paisagens naturais de pedras e árvores da Chapada Diamantina. Na trilha, a antológica versão de “Pedras que cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, na voz de Fagner. Novela de Aguinaldo Silva, Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares.

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5 – TI TI TI (Globo, 1985-1986)

Hans Donner, o homem do design gráfico por trás de muitas das melhores aberturas da Globo, criou, com sua equipe, este grande clássico: lápis coloridos, tesouras, fitas métricas e agulhas que brigam entre si, espelhando a divertida rivalidade entre dois costureiros que conduzia a novela de Cassiano Gabus Mendes. Tudo sem computadores: imãs e fios foram usados para animar os objetos. A canção-título, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, foi repaginada para a abertura pelo grupo Metrô. A original embalou a abertura da refilmagem de 2010, que também refez a abertura, desta vez em CGI (mas a original é bem melhor).

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4 – POR AMOR (Globo, 1997-1998)

Com mãe e filha protagonistas interpretadas por atrizes que são mesmo mãe e filha, a abertura aproveitou brilhantemente o fato. Fotos das duas, juntas ou separadas, foram usadas num mosaico. Mas não só isso: a execução foi um primor, com os rostos de uma e da outra se fundindo. Tudo ao som do MPB-4 e do Quarteto em Cy cantando “Falando de amor”, de Antônio Carlos Jobim. Novela de Manoel Carlos.

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3 – DANCIN’ DAYS (Globo, 1978-1979)

Nenhuma abertura representou melhor sua época. O espetacular sucesso d’As Frenéticas (composto por Nelson Motta e Rubens Queiroz), que batizou a novela, foi inspirado na discoteca Frenetic Dancing Days, de Motta. Numa montagem com fotos de pessoas dançando numa discoteca, os créditos do elenco, do autor Gilberto Braga e do diretor Daniel Filho apareciam em fontes diferentes, piscando, como em letreiros neon. É irresistível.

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2 – DEUS NOS ACUDA (Globo, 1992-1993)

No ano do impeachment de Collor, a novela de Sílvio de Abreu falava da ética do brasileiro, da corrupção, mas no registro da sátira. A abertura antológica deitou e rolou: uma festa chique começa a afundar num mar de lama, que vira um redemoinho, que se revela um ralo no mapa do Brasil. Um prodígio cenográfico, com a parte da festa dispensando o CGI (os atores estavam em uma espécie de gaiola suspensa que ia afundando nessa piscina coberta de lama artificial, feita de isopor ralado). O tema musical, usado de modo irônico, é a clássica “Canta Brasil”, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, lançada originalmente em 1941 por Francisco Alves e cantada aqui por Gal Costa na gravação de 1981.

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1 – ELAS POR ELAS (Globo, 1982)

A novela de Cassiano Gabus Mendes partia do reencontro de sete amigas de colégio, que não se viam há anos. A abertura, então, capturou a ideia de maneira brilhante: uma festa nos anos 1960, as imagens em preto-e-branco são congeladas em fotos e das garotas nas fotos saem as versões atuais e coloridas das personagens (Aracy Balabanian, Ester Góes, Sandra Bréa, Mila Moreira, Eva Wilma, Maria Helena Dias e Joana Fomm). A canção-tema foi feita para a novela, mas evocando os anos 1960: “Elas por elas” foi composta por Augusto César e Nelson Motta, gravada pelo grupo The Fevers. Com o nome inicial de “Coisas da vida”, ela depois foi rebatizada como “Elas por elas” por causa do sucesso da novela.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

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VEJA TAMBÉM:

Meu recorte exclui aberturas mais antigas, quando essa arte ainda estava em evolução. Também só listamos aberturas da Globo porque, francamente, a concorrência seria desleal.

10 – FELICIDADE (1991)

A maneira como o arco-íris transforma o tédio em alegria é muito engraçada de tão ruim. Faltou um esforço. Novela de Manoel Carlos. Tema de abertura: “Felicidade”, com Roupa Nova, de Kiko e Orlando Morais.

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9 – A INDOMADA (1997)

É Maria Fernanda Cândido, antes da carreira de atriz, que corre superando obstáculos toscos de maneira também bem tosca. Ela encarna elementos da natureza contra barreiras de ferro e concreto. Novela de Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Tema instrumental “Maracatudo”, de Sérgio Mendes.

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8 – ZAZÁ (1997)

Com todo o respeito à dona Fernanda, ela de piloto nesses transportes voadores de animação, sobre imagens aéreas do Rio não funcionou. Nem mesmo Rita Lee no tema musical (“Dona Doida”, composta com Roberto de Carvalho) foi muito feliz. Novela de Lauro César Muniz.

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7 – A LEI DO AMOR (2016)

Riponga em excesso, com essas fitas vermelhas citando uma tradição chinesa, etc. e tal. Nem Ney Matogrosso cantando Villa-Lobos (“O trenzinho do caipira”) salva. Novela de Maria Adelaide Amaral e Vicente Villari.

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6 – AVENIDA BRASIL (2012)

Nada mais que um baile muitíssimo vagamente ligado à novela, com focos de luz coloridos ao fundo (ah, faróis de carros!… Estão numa avenida, então… Hum-rum…). A música (há quem goste) é “Vamos dançar com tudo” (“com tudo” em vez da palavra original, provavelmente porque a emissora não quis “kuduro” repetido todo dia no horário nobre), com Robson Moura e Lino Krizz. Rendeu ao menos uma hashtag no Twitter: #oioioi. Novela de João Emanuel Carneiro.

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5 – AGORA É QUE SÃO ELAS (2003)

Cores fortes, uma animação digital xarope e enjoativa e fotos do elenco, o que é quase sempre sinal de pouquíssima inspiração. Música (também pouco inspirada) de Lulu Santos (“Já é”). Novela de Ricardo Linhares.

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4 – O PROFETA (2006)

Fotos dos atores nessa geleca. O tema, também péssimo, é “Além do olhar”, com Ivo Pessoa. Parece coisa das piores novelas do SBT. Novela de Duca Rachid, Thelma Guedes e Júlio Fischer.

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3 – OLHO NO OLHO (1993)

Não se pode dizer que a abertura não combina com a novela: é tão ridícula quanto. Sabe quem é o paranormal soltando raiozinhos pelos olhos? Ricardo Macchi, que depois seria o inesquecível cigano Igor! Não podia mesmo dar certo. Tema de abertura: “Magnificat”, com Rútila Máquina. Novela de Antônio Calmon.

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2 – SENHORA DO DESTINO (2004)

A câmera passeia por totens digitais de pessoas comuns em preto-e-branco. No meio delas, estão os personagens da novela, coloridos. Era pra parecer que eles são gente comum? É uma abertura preguiçosa demais, desinteressante na ideia e na execução. É preguiçosa a ponto de nem editarem direito o tema de abertura, terminando no meio de uma frase. O tema, aliás, é “Encontros e despedidas”, com Maria Rita, de Fernando Brant e Milton Nascimento. Novela de Aguinaldo Silva.

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1 – VILA MADALENA (1999)

Nosso primeiro lugar chegou a posto porque é simplesmente uma não-abertura. Eu disse que o auge da preguiça era a abertura de Senhora do Destino? Não, é esta: resolveram não fazer abertura nenhuma. Apenas jogaram clipes com músicas da trilha sonora, trocados semanalmente, e os créditos do elenco por cima. Inacreditável. Novela de Walther Negrão.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que aberturas você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!).

Bacurau - 06

Nesta segunda tem Bacurau em Tela Quente. Mais uma oportunidade para ver ou rever o filme brasileiro mais comentado de 2019, e vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro há poucas semanas.

Ótima oportunidade para ver ou rever, e com a interessante opção dos estrangeiros dublados, que, ao julgar pelo comercial é a que vai ao ar. Mas também tem toda uma questão simbólica de um filme como esse ocupar um espaço geralmente destinado ao que o diretor Kléber Mendonça Filho chama de “filme de boneco”: os filmes de ação e super-heróis.

Para os paraibanos, aquele orgulho de rever os seis atores da Paraíba no elenco, fazendo um ótimo trabalho: Thardelly Lima, Suzy Lopes, Ingrid Trigueiro, Buda Lira, Dani Barbosa e Jamila Facury.

Escrevi sobre o “filme de boneco” de Kléber e Juliano Dornelles: leia aqui.

Em novembro de 2013, eu tive a alegria de entrevistar o Daniel Azulay para o Correio da Paraíba. Ele estava lançando um curso de desenho on line e se preparava para comemorar os 40 anos da sua Turma do Lambe-Lambe. Ele morreu na sexta passada, após uma luta contra a leucemia de ter contraído o coronavírus.

Segue aqui o resultado daquele nosso papo, onde ele fala de sua trajetória e de como desenhar pode ajudar na formação das crianças. “A coisa mais fascinante da vida é a imaginação. A criança não pode ficar presa a uma coisa só, como um animal amestrado“.

Daniel Azulay

Desenhando uma vida

Daniel Azulay há décadas se dedica a incentivar crianças a desenhar; agora, lança um curso virtual e se prepara para comemorar os 40 anos da Turma do Lambe-Lambe

Ele está há muito tempo afastado da televisão, mas sua figura ainda é sinônimo de desenhar para muita gente que assistia ao programa A Turma do Lambe-Lambe nos anos 1970 e 1980, na TVE e na Bandeirantes. Ao telefone, conversando com o CORREIO, Daniel Azulay logo lembra que esteve em Campina Grande nos anos 1980 com o show de seus personagens.

Ele nunca esteve parado, na verdade: manteve oficinas de desenho, um projeto social e, agora, lança um curso de desenhos com vídeos pela internet justamente o que era uma das grandes atrações de seu programa. “A televisão foi uma semente que germinou e deu frutos”, conta.

O Diboo (www.diboo.com.br) está sendo anunciado como o primeiro curso online de desenho voltado para o público infantil lançado no Brasil, aproveitando a metodologia que Azulay aperfeiçoou em mais de 30 anos de trabalho, nos quais ele sempre tentou desmistificar a ideia de que, para desenhar, é preciso essa coisa indefinível chamada talento.

“É como dizer que, para ler e escrever, a criança precisa ser intelectual”, diz. “Desde que o mundo é mundo, o homem se comunica pela imagem”.

Além disso, ele tenta promover o desenho e, por tabela, o estímulo da imaginação – como forma de sociabilizar a criança.

“Hoje, se os pais não cuidarem, a criança vai ficar sem relacionamento social, rapaz!”, afirma. “Num aeroporto, vi uma mãe e três filhos e ninguém conversava com ninguém. O desenho aproxima e liberta a pessoa, rapaz”.

E fala dos games eletrônicos: “Não pode ficar escravo de coisa nenhuma, muito menos de um equipamento. É preciso estimular a imaginação, fazer esportes e desfrutar de tudo – inclusive da tecnologia. É só os pais terem vontade e dedicação. Não pode abandonar ou terceirizar o garoto. O tempo dele é precioso”.

TEMPLATE_IMPAR.inddA turma do Lambe-Lambe – com personagens como a galinha Xicória, a vaca Gilda, a coruja Professor Pirajá, o elefante Bufunfa, os garotos Piparote, Ritinha, Damiana e Pita, nomes familiares para muita gente – vai completar 40 anos em 2014 e Daniel Azulay prepara a comemoração. Os personagens surgiram em tiras de jornal, o que os levou à TV. Chegou a ter mais de 100 produtos licenciados, lembra o desenhista. No programa, Azulay contracenava com suas criações e ensinava a desenhar e a montar brinquedos com objetos de casa, a sucata doméstica. O sucesso na TV rendeu uma revista em quadrinhos pela Editora Abril.

“Vai sair um almanaque de 100 páginas pela Ediouro”, adianta. “E estamos com o projeto de um livro, um musical e um filme”. Com a TV a cabo em busca de programação nacional e canais inteiros dedicados à criança, poderia pintar o regresso da Turma do Lambe-Lambe à TV, mas Azulay garante que não planeja isso. “A produção de TV é muito trabalhosa. Eu tenho mil atividades”, conta. “E as emissoras hoje buscam uma audiência fácil e rápida. A TV aberta, então, tem uma programação muito pouco criativa. Falta aparecer a cara da criança na TV”.

Turma do Lambe-LambeEle esteve de volta à TV em 1996, com a Oficina de Desenho Daniel Azulay, que fez sucesso por quatro anos na Band-Rio e depois passou a ser transmitido em cadeia nacional. Na TV paga, ele ainda desenvolveu um programa para o canal pago Futura em 2004 e 2005, Azuela do Azulay, que foi premiado no Japão. E a Turma do Lambe-Lambe ainda voltou na TV Rá-Tim-Bum em 2006 e 2007.

Daniel Azulay também desenvolveu nestes anos um trabalho com arte contemporânea premiado: chegou a receber uma carta do presidente do MoMA, de Nova York. “Tem muito elemento da infância, do inconsciente. ‘Funny faces'”, diz. Esse trabalho também pode ser visto no site oficial do desenhista.

O que continua impressionando em Daniel Azulay, mesmo por telefone, é que suas mil atividades parecem ser um reflexo de uma hiperatividade que sempre o deixou parecido com seus próprios desenhos. “Adoraria fazer um show aí. Você não me dá os contatos de alguns produtores para a gente conversar?”, emenda.

“A coisa mais fascinante da vida é a imaginação”, filosofa. “A criança não pode ficar presa a uma coisa só, como um animal amestrado”.

Através de seus personagens e seus cursos, Daniel Azulay fez parte da vida de inúmeras crianças, ajudando a ampliar sua sensibilidade e a fazer a imaginação de cada uma sair de suas mentes e ganharem traços no papel. E continua fazendo.

* Matéria publicada no Correio da Paraíba, em 22 de novembro de 2013.

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Guerra dos Sexos - 1983 - 02

Por um ou dois segundos, a câmera mostra o nada. Logo, alguém entra na imagem de baixo pra cima, em close, e solta alguma expressão de surpresa tipo: “Como assim??” ou “Mas não é possível!”. Era o personagem sentado e levantando, atônito.

A repetição desse efeito narrativo deve ter sido a primeira vez que eu notei um toque de diretor numa novela. Era Jorge Fernando.

Um rei numa fase gloriosa das novelas das sete. Um cara que, associado a Sílvio de Abreu escrevendo, firmou a pura comédia como gênero nas telenovelas. Ele, claro, passeou por outros horários e estilos, mas foi aí que ele me marcou. Algumas das minhas novelas preferidas foram dirigidas por ele, a saber:

1 – GUERRA DOS SEXOS (1983/1984). Escrita por Sílvio de Abreu. A audácia de reunir os monstros sagrados Paulo Autran e Fernanda Montenegro numa comédia rasgada, com direito àquela antológica e inacreditável cena pastelão do café da manhã estrelando dois ícones do mais sério teatro nacional. Genial.

2 – QUE REI SOU EU? (1989), Escrita por Cassiano Gabus Mendes. Uma volta satírica às novelas tipo Gloria Magadan, misturando comédia, aventura e fantasia. Lembro que Jorge usou muito os espelhos, principalmente nas cenas de monólogo.

3 – A PRÓXIMA VÍTIMA (1995). Escrita por Sílvio de Abreu. Uma combinação do folhetim com o suspense, onde o cinéfilo Sílvio de Abreu passeou à vontade.

4 – CAMBALACHO (1986). Escrita por Sílvio de Abreu. Outro clássico da comédia na TV, novamente com Fernanda Montenegro. Agora, ao lado de Guanfrancesco Guarnieri, como uma dupla de trambiqueiros.

5 – VAMP (1991/1992). Escrita por Antônio Calmon. Uma novela aloprada, que, em certo momento, tinha vampiro, fantasma, anjo, o escambau. E alopração o Jorge Fernando abraçava e transformava muitas vezes em clássico.

MENÇÃO HONROSA: RAINHA DA SUCATA (1990). Escrita por Sílvio de Abreu. Depois dos sucessos das sete, a dupla autor/diretor foi responsável pela novela nas oito que celebraria os 25 anos da Globo. Fizeram uma novelona com um elencão, sem medo do melodrama, mas com personagens inesquecíveis (a Dona Armênia de Aracy Balabanian, o galã Fagundes fazendo aquele professor gago) e teve aquela cena sensacional do suicídio de Laurinha Figueroa, inspirado em “Amar Foi Minha Ruína”: o corpo caindo do alto do prédio, enquanto a filha brilhava cantando “Cabaret” no palco da casa noturna que ficava no térreo.

  • Jorge Fernando morreu na noite de domingo, 27/10, aos 64 anos.

Falta um mês para a segunda temporada de The Crown ser disponibilizada para Netflix. O trailer mostra os anos 1950 e os conflitos constantes de Elizabeth II e o marido, e as questão de anacronia da monarquia britânica. Estreia: 8 de dezembro.

Matt LebLanc

25 de julho, há 50 anos: Nasce, em 1967, o ator e produtor americano Matt LeBlanc. Para sempre conhecido por interpretar o conquistador bobalhão Joey Tribbiani no seriado Friends (1994-2004), LeBlanc não obteve o mesmo sucesso ao levar o personagem para uma série própria, Joey (2004-2006). Depois de cinco anos sem atuar, voltou bem ao interpretar a si mesmo na série Episodes, que terá sua quinta temporada e pelo qual ganhou o Globo de Ouro de ator em série de comédia ou musical, em 2012. Foi indicado cinco vezes ao Globo de Ouro (duas por Friends, um por Joey e duas por Episodes) e sete vezes ao Emmy (três por Friends, quatro por Episodes).

Johnny Bravo

14 de julho, há 20 anos: É lançada, em 1997, a série animada Johnny Bravo, a segunda produzida pelo canal Cartoon Network. Criada por Van Partible, é centrada em um rapaz musculoso e muito autoconfiante que tenta conquistar mulheres, mas sem sucesso. A série teve quatro temporadas (1997, 1999/2000, 2000/2001 e 2004), e 67 episódios O personagem é inspirado em Elvis Presley e tem o penteado de Brad Pitt em Johnny Suede (1991).

Glow - 2017 - 01

Lindas garotas da luta livre: “Glow”

Coluna Cinemascope (#41). Correio da Paraíba, 5/7/2017 

Mulheres, ringue, anos 1980

por Renato Félix

Antes dessa moda dos vale-tudos e UFC, houve a luta livre, o telecatch. Não cheguei a ver os áureos tempos de Ted Boy Marino e companhia, mas era espectador de um programa americano do gênero, que o SBT exibia lá nos anos 1980. Esses programas combinavam lutas e encenações, os lutadores encarnavam personagens e havia muito mais fantasia que escoriações e sangue.

Lembro até hoje de personagens desse programa. O Sr. Maravilha, a dupla Abelhas Assassinas e, claro, Hulk Hogan, que já era o maioral absoluto ali.

Por isso, parece algo absolutamente natural que os anos 1980 sejam a ambientação da ótima série Glow, que estreou há poucos dias  na Netflix. Mas, mais do que isso, é uma ambientação verdadeira, porque existiu mesmo uma série chamada Glow – Gorgeous Ladies of Wrestling (“Garotas bonitas da luta livre”), que colocava mulheres no ringue, entre 1986 e 1989.

As lutadoras/ atrizes interpretavam personagens como Liberty, Colonel Ninotchka, Zelda the Brain e por aí vai. A série da Netflix meio que reconta como surgiu o show original, com personagens mais ou menos baseados nos verdadeiros nomes. Agora temos Liberty Bell, Zoya the Destroya, Britannica, Beirut the Mad Bomber…

A série consegue reproduzir bastante do aspecto de diversão do período e transita pelo terreno espinhoso do comentário sobre o papel reservado às mulheres no meio artístico naquela época. Alison Brie, ótima atriz da série Mad Men, abre Glow lendo falas fortes para um teste, mas é advertida: “Você está lendo a fala do homem”. A da mulher é tipo “A sua esposa está na linha 2”.

A luta livre, por mais aproveitadora que pareça ser da figura feminina, é, para aquelas personagens, naquele contexto, a oportunidade de desenvolver um trabalho artístico e de ter um reconhecimento. Glow é bem carinhosa com suas personagens, apesar dos golpes da vida.

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João Saldanha

3 de julho, há 100 anos: Nasce, em 1917, o jornalista, escritor e técnico gaúcho de futebol João Saldanha. Apelidado por Nélson Rodrigues como “João Sem Medo”, foi um dos mais importantes jornalistas esportivos do Brasil. Como treinador, esteve à frente do Botafogo campeão carioca de 1957 e da Seleção Brasileira nas eliminatória para a Copa de 1970. Morreu em Roma, em 1990, cobrindo a Copa do Mundo.

sherlock-the-six-thatchers-01

Amanda Abbington, Benedict Cumberbatch e Martin Freeman, em “Sherlock – The Six Thatchers” (2017)

 03 – SHERLOCK – THE SIX THATCHERS

por Renato Félix

Sem borda - 04 estrelas Antes da estreia da quarta temporada de Sherlock (você sabe, cada episódio da série é um longa-metragem, por isso ele está aqui), os produtores fizeram questão de avisar que seria a mais sombria delas. E eles falavam sério. Mas a grande capacidade narrativa da série garante que, mesmo assim, ela não chega a destoar do tom geral. É o que acontece no episódio de abertura, The Six Thatchers.

O “Thatchers” do título é referente mesmo a Margaret Thatcher, ex-primeira ministra britânica. Como sempre, trata-se de uma referência indireta a uma história original de Arthur Conan Doyle (neste caso, o conto “The Adventure of the Six Napoleons”). Aqui, trata-se de seis estátuas únicas e raras da Dama de Ferro, que alguém está destruindo uma a uma.

Mas esse mistério só entra em cena com o episódio já avançado. A estreia de Rachel Talalay na direção de um episódio da série (ela dirigiu filmes como Tank Girl, 1995, e, recentemente, alguns episódios de séries da DC, como Supergirl e Flash) estabelece um clima antes de mudar de direção.

Começa lidando com a herança do final da terceira temporada: Sherlock (Benedict Cumberbatch) acusado de assassinato e encaminhado para o exílio. Após o interlúdio do episódio especial The Abominable Bride, a série lida com aquele desfecho chocante “elucidando” a situação através das manobras do irmão Mycroft (Mark Gatiss) já no começo deste episódio.

Seguimos com Sherlock resolvendo freneticamente casos menores enquanto aguarda os desdobramentos do que parece ser uma anunciada vingança póstuma de Moriarty. Quando as seis estátuas entram em cena, as complicações da trama vão enredar o passado de Mary Watson (Amanda Abbington), mais uma vez revelando-se uma grande personagem na série. Ela chega a protagonizar um duelo de sagacidade com Sherlock.

Não só ao passado de Mary, mas também às fraquezas de John (Martin Freeman) agora que o casal tem um bebê e o mergulho de Sherlock na própria obsessão são os lembretes sombrios quem vão entremeando o humor e a ação, uma prévia de momentos difíceis que não tardarão a chegar.

Sherlock – The Six Thatchers. Sherlock – The Six Thatchers. Reino Unido, 2017. Direção: Rachel Talalay. Elenco: Benedict Cumberbatch, Martin Freeman, Amanda Abbington, Mark Gatiss. Download.

top-model

A abertura de Top Model (1989/ 90) é datadíssima, é verdade. Não é preciso dizer como a computação gráfica avançou nesses quase 30 anos, mas ainda sou fascinado pela execução da ideia inspirada (de propósito ou por tabela) nas Penrose Stairs (essa construção surrealista das escadas – não, não conhecia o nome, fui pesquisar). Gosto do ritmo, começando pelo take inicial rente à “passarela” e o caminhar da modelo se afastando da câmera, alguns closes (é a Simone Carvalho ali?), mas nem tanto do congelamento do congelamento de um deles perto do final. A música é uma grande bobagem, gosto bem mais da melodia que da letra (mas a passagem “deixo meus recados por onde você possa passar” é até legal). Quando reprisou no Viva, esperava começar a novela só para ver a abertura toda noite.

Sem borda - 04 estrelas

<< Pedra sobre Pedra

Saiu o trailer de Luke Cage, próxima série da Netflix no universo Marvel – depois das duas de Demolidor e de Jessica Jones (nesta, o personagem já apareceu). Gostei do clima de “herói do bairro” (no caso, o Harlem) e o personagem apareceu muito bem em Jessica Jones, tem bom potencial. Estreia: 30 de setembro.

Eu sei, eu sei: alguns desses personagens são reais. Mas tecnicamente foram ficcionalizados para seus filmes, certo?

Boa Noite e Boa Sorte-08

10 – EDWARD R. MURROW, David Strathairn em Boa Noite e Boa Sorte (2005)

Murrow foi correspondente de rádio na II Guerra e, na TV, comandava o See it Now quando ele e sua equipe resolveram denunciar os desmandos do Comitê de Atividades Antiamericanas liderado pelo senador Joseph McCarthy, história essa contada em Boa Noite e Boa Sorte, título que reproduz seu bordão.

MBDCIKA EC019

9 – CHARLES FOSTER KANE, Orson Welles em Cidadão Kane (1941)

Kane usou sua fortuna herdada para comprar um jornal de terceira e, a partir dele, construir um império de imprensa nos EUA. Frase clássica quando mandou um fotógrafo cobrir uma guerra no Caribe e ele ligou dizendo que estava tudo calmo: “Mande as fotos que eu entro com a guerra”. Inspirado (e nem se esforça em disfarçar) em William Randolph Hearst.

Cidade de Deus-02

8 – BUSCAPÉ, Alexandre Rodrigues em Cidade de Deus (2002)

Testemunha da ascensão do tráfico de drogas na Cidade de Deus, um dia Buscapé ganha uma máquina fotográfica e registra a ação dos bandidos para o Jornal do Brasil.

Princesa e o Plebeu-07

7 – JOE BRADLEY, Gregory Peck em A Princesa e o Plebeu (1953)

Bradley trabalha para um serviço de notícias em Roma até que dá de cara com um furo: a princesa (Audrey Hepburn) que está em visita oficial, mas fugiu para viver a cidade. Sem dizer que a reconheceu, se oferece para ciceroneá-la e fazer uma reportagem exclusiva.

Montanha dos Sete Abutres

6 – CHUCK TATUM, Kirk Douglas em A Montanha dos Sete Abutres (1953)

Preso ao jornaleco de uma cidadezinha, Tatum descobre que um homem está preso em uma mina. Ele logo começa a manipular o xerife, a esposa do cara e a cidade inteira, fazendo a situação virar um circo e controlando a situação para sua matéria o levar de volta ao topo. “Eu posso cuidar de grandes notícias ou pequenas notícias. E se não houver notícias, eu saio e mordo um cachorro”, diz ao seu editor.

Quase Famosos-04

5 – WILLIAM MILLER, Patrick Fugit em Quase Famosos (2000)

Miller é um adolescente que escreve para uma revista quando recebe uma ligação da Rolling Stone pedindo uma pauta. Ele sugere a banda em ascensão Stillwater e de repente se vê acompanhando a turnê do conjunto e mergulhado no mundo do rock dos anos 1970. O diretor-roteirista Cameron Crowe semibiografa a própria história.

Hildy Johnson

4 – HILDY JOHNSON, Rosalind Russell em Jejum de Amor (1940) e Jack Lemmon em A Primeira Página (1974)

A peça já tinha rendido um filme em 1931, mas estas são as duas versões clássicas: Hildy é o repórter que abandona o emprego para se casar e levar uma vida pacata, mas é convencido pelo editor a cobrir a execução de um assassino de policiais. O editor usa cada truque para não perder seu repórter, que não resiste ao vício da adrenalina da cobertura. Em Jejum de Amor, o detalhe é que o repórter é uma mulher. E aí o editor quer tanto manter a repórter quanto evitar que sua ex-mulher se case de novo.

Todos os Homens do Presidente-07

3 – BOB WOODWARD E CARL BERNSTEIN, Robert Redford e Dustin Hoffman em Todos os Homens do Presidente (1976)

Uma das histórias mais famosas do jornalismo: Woodward e Bernstein, do Washington Post, fazem o trabalho de formiguinha de investigar uma invasão à sede do Partido Democrata e descortinam o escândalo que ficou conhecido como Watergate e provocou a renúncia do presidente Richard Nixon.

Homem que Matou o Facinora-64

2 – DUTTON PEABODY, Edmond O’Brien em O Homem que Matou o Facínora (1962)

Peabody é o, como ele mesmo diz, “dono, editor, redator e faxineiro” do jornal de uma cidade sem lei do velho oeste. Ele testemunha a luta de um advogado idealista (James Stewart) e trazer a civilização ao lugar, mas isso implica em enfrentar o grande bandido Liberty Valance (Lee Marvin). Ao dar com uma história que vai incriminar Valance e o avisam para não publicar, ele não titubeia: “É notícia. E eu sou um jornalista”.

Lois Lane

1 – LOIS LANE, Margot Kidder em Superman – O Filme (e mais três filmes) e Teri Hatcher em Lois & Clark – As Novas Aventuras do Superman, entre outras atrizes

Lois Lane surgiu junto com o Super-Homem, nos quadrinhos, em 1938. Já trabalhava no Planeta Diário, mas era infeliz: fazia uma coluna de fofocas. Com o tempo, se tornou a melhor repórter dos quadrinhos, amplamente reconhecida, tão talentosa quanto abelhuda e agitada. Sua importância não deve ser subestimada: é um ícone, um símbolo do reconhecimento do talento feminino antes que o feminismo ganhasse corpo. Teve revista própria, versões para rádio, livros, desenhos animados e, claro, cinema e TV. Atualmente, é vivida por Amy Adams no cinema. A versão clássica é a de Margot Kidder, na série de filmes do Super-Homem de 1978 a 1987. Ela mostrou o domínio da personagem desde os testes: é visível como é melhor que as adversárias. Na TV, a melhor versão é a Teri Hatcher na série em que Lois vinha (com toda a justiça) antes do super-herói no título.

pedra-sobre-pedra

Ah, os anos 1990… Parecia que não havia limites para a nudez na TV. A prova é a abertura antológica de Pedra sobre Pedra (1992), com uma esplendorosa Mônica Fraga se confundindo com a paisagem de pedras e árvores do interior do Nordeste. E a música de Dominguinhos cantada por Fagner dita o ritmo seguido perfeitamente pelas imagens. Uma pérola.
Sem borda - 05 estrelas

Brega & Chique <<
>> Top Model

O apresentador anuncia a vencedora como melhor atriz em série/ drama e… a vencedora está no banheiro. Cena de comédia absurda de algum filme de Mel Brooks? Pois aconteceu mesmo com Christine Lahti, que venceu por Chicago Hope em 1998. Robin Williams irrompeu no palco e fez um stand up comedy até Christine chegar – muito ofegante e sem controlar o riso.

Amanhã (domingo) tem mais uma cerimônia de entrega dos Globos de Ouro. O blog vai lembrar aqui alguns dos momentos memoráveis da cerimônia (alguns listados pelo IMDB).

Para começar, Ving Rhames ganhando em 1998 como melhor ator de minissérie ou telefilme pelo papel-título de Don King – Only in America. Para começar, para quem é acostumado com o homenzarrão de Pulp Fiction e dos filmes de Missão Impossível vai vê-lo chorando como um bebê a caminho do palco. E, lá, ele convoca ao palco a lenda viva Jack Lemmon (que concorria por Doze Homens e uma Sentença e foi derrotado por Rhames). Aplaudido de pé, Lemmon é surpreendido quando Rhames resolver dar para ele o Globo de Ouro que acabava de ter ganho! Surpresas, risadas, choro na plateia e um Jack Lemmon sem ação. “Esse é um dos momentos mais maravilhosos, legais e doces que já tive na vida”.

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