Coluna Cinemascope (#12). Correio da Paraíba, 7/12/2016

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“Último Tango em Paris” (1971)

O vale tudo nas filmagens

por Renato Félix

Maria Schneider falou sobre como tinha sofrido no set de Último Tango em Paris (1973) e de como isso havia deixado sequelas psicológicas em sua vida. Só agora, três anos depois de o próprio diretor Bernardo Bertolucci ter admitido que Marlon Brando e ele tramaram surpreender a jovem atriz na “cena da manteiga” para obter, nas palavras dele, “a reação da menina e não a da atriz”, é que a questão causou repercussão.

Nem vou entrar nos aspectos potencialmente criminosos do fato, já amplamente discutidos na imprensa e nas redes sociais, mas entrar em um aspecto que foi levantado por minha amiga Alana Agra no Facebook: vale tudo para conseguir a melhor atuação, a melhor cena para um filme?

Não são poucos os casos em que os diretores apostam no sofrimento não consentido de seus atores (e equipe) para conseguir o que querem para seus filmes. As histórias são muitas, em diferentes níveis, sem precisar chegar a uma questão tão sórdida como a de um estupro, mas que podem ser igualmente condenáveis se a gente pensar no que alguém precisa passar pela visão de outro.

Entre as que me lembro, está William Friedkin mandando puxar Ellen Burstyn, com toda a força e sem que ela soubesse, para que sua reação (e grito) de dor ao cair fosse real em uma cena de O Exorcista (1973). Ou dando tiros para o ar no set para manter a tensão no elenco e equipe.

Também, entre todas as agruras que Tippi Hedren passou nas mãos de Hitchcock, está a história de ela ter sido avisada só momentos antes da cena que teria amarrados a seus braços e pernas pássaros reais que iriam atacar sua personagem em Os Pássaros (1963).

Caso mais grave: a terrível morte de Vic Morrow e dois atores mirins, atingidos por um helicóptero em uma cena de No Limite da Realidade (1983), de John Landis, filmada fora dos padrões de segurança. Morrow foi decapitado.

FOTO: Último Tango em Paris (1971)

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Margherita Buy e John Turturro em “Mia Madre”

2 – MIA MADRE

por Renato Félix

Sem borda - 04 estrelas Logo no começo de Mia Madre, uma cineasta que dirige um filme sobre questões sociais (uma fábrica italiana comprada por um americano e que pode fechar colocando todos os trabalhadores na rua) se questiona a cerca do ângulo de câmera que está sendo usado, que mensagem ele vai passar. É uma personagem muito comprometida com seu trabalho. Mas há uma tormenta chegando para complicar sua vida: a doença da sua mãe e o astro de Hollywood que vai atuar em seu filme.

Nanni Moretti já possui uma bela carreira construída principalmente sobre o trânsito entre comédia e drama. Aqui, ele pende mais para o drama, quando trata dos conflitos pessoais de Margherita (Margherita Buy): a mãe, a filha, um relacionamento recém-terminado.

Mas há momentos cômicos reservados a John Turturro, como o astro vaidoso a ponto de mentir descaradamente sobre sua carreira (se gaba de ter trabalhado com Kubrick) e que faz questão de atuar em italiano sem saber a língua. Mas, inseguro, tem dificuldades em decorar quase todas as suas cenas.

O filme é o retrato da vida confusa de Margherita, tendo que lidar com tudo isso ao mesmo tempo e dizendo clichês que nem sabe mais o que significam. Como a repetida instrução para que os atores não sejam só o personagem, mas sejam também eles mesmo, o que só deixa o elenco também confuso.

O fio condutor é a provável morte da mãe. O filme todo é uma espécie de despedida, em que os valores dela – uma professora de latim aposentada, que dá suas últimas aulas, já de cama, à neta – vão ficando como legado. Nesse sentido, é bonita  e simbólica a visita de um ex-aluno e o momento em que ela acontece, para mostrar que muito dessa mulher seguirá vivendo.

Mia Madre. Mia Madre. Itália/ Framça/ Alemanha, 2015. Direção: Nanni Moretti. Elenco: Margherita Buy, John Turturro, Giulia Lazzarini, Nanni Moretti. 2º filme. Em DVD.

Coluna Cinemascope (#11). Correio da Paraíba, 30/11/2016.

HUGO

“A Invenção de Hugo Cabret” (2011)

Mergulho na cinefilia

por Renato Félix

É muito difícil encontrar alguém que não goste de cinema. Mas gostar de cinema e ser um cinéfilo são a mesma coisa? A cinefilia pode, ao pé da letra, significar tão somente “amor ao cinema”. Mas, na prática, não seria um mergulho um tanto mais profundo?

João Batista de Brito faz uma bela retrospectiva de como surgiu a palavra, na Paris dos anos 1940 e 1950, e como ela já era usada para designar um tipo de espectador que era interessado nos filmes como arte e expressão pessoal, para além da diversão. Está no blog dele, Imagens Amadas.

Nada contra o uso do cinema como “diversão e ponto”, porém. Cada espectador espera determinadas coisas de um filme e,  se recebe o que espera, sai satisfeito. É o interesse legítimo desse espectador, mas não do cinéfilo.

O cinéfilo precisa, no mínimo, estar antenado com os lançamentos e os nomes de diretores e atores que os acompanham – de maneira geral, de preferência, e não só do seu gênero de interesse. Não adianta muito conhecer Drew Barrymore porque somos fãs de comédias românticas ou Vin Diesel porque nosso negócio é cinema de ação.

O cinéfilo “hard” gosta de refletir sobre como cada filme é pensado e realizado. Como se portou diante das opções que tinha. Se interessa não só pela mensagem, mas pelos mecanismos que o filme usa para passar essa mensagem. Ele sabe que os diretores é que contam as histórias e procura conhecer uma boa parte deles.

Evidentemente, ninguém é obrigado. Nem é uma questão de status. Mas está mais fácil que nunca ser cinéfilo: os filmes têm comentários em áudio, há livros em abundância de diversos níveis de profundidade, revistas e sites. É só mergulhar.

FOTO: A Invenção de Hugo Cabret (2011)

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Coluna Cinemascope (#10). Correio da Paraíba, 23/11/2016.

Jaws

“Tubarão” (1975)

Antes e depois deles

por Renato Félix

Um dia desses debati com um amigo sobre o fato de Pulp Fiction (1994) ter ou não mudado a história do cinema. Ele achando que sim, eu que não. O filme de Tarantino sem dúvida tem grandes qualidades como cinema, foi a afirmação de um esteta, reprocessou muita coisa, mas isso não é mudar a história. Isso é para pouquíssimos filmes.

É uma afirmação para ser usada, por exemplo, para Viagem à Lua (1902), de George Méliès. O curta que usou os parcos recursos técnicos da época para fazer o espectador viajar ao espaço. Não só afirmou que o caminho maior do cinema seria ali pela fantasia como inaugurou a ficção científica no cinema.

É também para ser atribuído a O Nascimento de uma Nação (1915), de D.W. Griffith, que praticamente instituiu uma gramática da linguagem cinematográfica. Ou O Encouraçado Potemkin (1925), de Sergei Eisenstein, o pilar da edição soviética, que mostrou que a montagem podia ser usada para mais do que emendar uma cena na outra: mas para criar ideias a partir da união das imagens.

Também entra aí Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rossellini, que inaugurou o neo-realismo italiano e levou o cinema pra rua, para fora dos estúdios, e levou atores não profissionais para dentro do cinema. Em 1960, Acossado, de Jean-Luc Godard, abriu o leque do conceito de montagem, apostando no salto das imagens.

Branca de Neve e os Sete Anões (1937) criou um novo mercado: os longas de animação. E Toy Story (1995), a animação por computador, que dominaria o gênero. Sem esquecer de Tubarão (1975), que instituiu o conceito de blockbuster. Esses, sim, mudaram o cinema.

FOTO: Tubarão (1975)

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Coluna Cinemascope (#9). Correio da Paraíba, 16/11/2016.

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“Mestres do Universo” (1987)

Há (quase) 30 anos

por Renato Félix

Todo mundo tem duas primeiras vezes no cinema: a primeira vez em que foi levado pelos pais (ou um tio, ou algum outro adulto) e a primeira vez em que foi por si mesmo (sozinho ou com amigos) e com seu próprio dinheiro (da mesada, economizado do lanche da escola, ou mesmo dado pelos pais). Esta minha “segunda primeira vez” no cinema vai completar 30 anos em 2017.

Foi no antigo Cine Municipal, na época o maior em atividade na cidade, com seus  mais de 900 lugares. O filme, no entanto, não é nada para se orgulhar muito: Mestres do Universo, aquela versão em carne-e-osso do He-Man, com Dolph Lundgren, produzida pela Cannon. Não exija muito, eu tinha 13 anos.

O IMDb me diz que o filme estreou no Brasil em 30 de junho, então é provável que julho tenha sido o mês em que peguei meu dinheirinho (economizado do lanche), fui de ônibus à tarde ao Municipal, no Centro de João Pessoa, assisti o filme e voltei pra casa. No ano seguinte, fui ver mais uns três ou quatro filmes e em 1989 a sala escura me pegou de vez.

Mas 1988 também foi um ano que definiu o cinema para mim. Foi o ano em que vi pela primeira vez um Indiana Jones (o primeiro), um Jornada nas Estrelas (o segundo), um James Bond (Os Diamantes São Eternos, com Sean Connery). Todos na TV, na Tela Quente, que foi lançada em março de 1988 (o filme de estreia foi O Retorno de Jedi, que também vi pela primeira vez aí).

Mas tem uma data que não consigo precisar: foi no reveillón de 1987 ou de 1988 que Cantando na Chuva foi exibido como primeiro filme do ano na Globo? Sozinho em casa, o filme transformou uma virada de ano super tranquila em um maravilhamento que me abriu as portas do cinema clássico. Até hoje meu filme preferido e um definidor de quem sou hoje.

FOTO: Mestres do Universo (1987)

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Coluna Cinemascope (#8). Correio da Paraíba, 9/11/2016.

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“Cidadão Kane” (1941)

Clássico é clássico (e vice versa)

por Renato Félix

Os dicionários me dão algumas definições de “clássico”: “que é de estilo impecável”; “próprio para servir nas aulas”, “que de há muito é habitual; inveterado no uso”; “relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina”; “evento ou acontecimento famoso por se repetir com regularidade”.

Só aí já dá para ver que quando falamos em “filme clássico”, alguém pode se perguntar: “Mas ‘clássico’ como?”. Como tudo que estabelece um valor no cinema, essa ideia também é subjetiva e está meio ao gosto do freguês. Ou seja: não há como bater um martelo, o que é clássico para um pode não ser para outro.

É o senso comum (essa entidade também subjetiva) que consagra Cidadão Kane (1941) ou 2001 (1968) como clássicos e, digamos, O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (2001) não. Ou, pelo menos, não ainda.

Isto porque a ideia de filme clássico, em geral, parece combinar o “de estilo impecável” com o “relativo à literatura, às artes e à cultura da Antiguidade greco-latina” (adaptando-se aí para “antiguidade do próprio cinema”). Ou seja: o filme precisaria de um tempo para se confirmar como um “modelo impecável”.

Há variáveis aí, claro. Quanto é esse tempo? Uma vez li em um antigo guia de vídeo da Nova Cultural que eles consideravam 20 anos. É um período que peguei pra mim, a grosso modo. A sensibilidade é que faz a sintonia fina se um filme de mais ou menos 20 anos, como Pulp Fiction (1994) ou Titanic (1997), já é ou não um clássico.

E há ainda aquelas particularidades que ficam à margem. Os “clássicos instantâneos”, os “clássicos dos filmes ruins”, etc. O que não pode é “clássico” significar apenas “um grande filme”. Ou, com essa banalização, teremos que achar uma nova palavra para o que é um clássico.

FOTO: Cidadão Kane (1941)

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Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

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“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

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Coluna Cinemascope (#6). Correio da Paraíba, 26/10/2016

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“O Quarto de Jack” (2015)

Passaram longe

por Renato Félix

Todo ano eu faço uma lista inglória: 50 filmes que estrearam no Brasil, mas que não passaram nos cinemas de João Pessoa. Sempre há um punhado de filmes que, por uma razão ou por outra, acabaram ficando de fora do nosso circuito. A gente sabe o funil da distribuição é algo sério e questões como o número de salas no Brasil, o marketing predatório das grandes empresas em torno dos blockbusters e até mesmo falta de visão e coragem para apostar em determinados títulos acabam influenciando nisso.

Uma parcial mostra que não falamos só de filmes europeus ou “difíceis”. O Quarto de Jack, Oscar de melhor atriz para Brie Larson e que entrou em cartaz no país em fevereiro, passou longe do nosso circuito. No “engarrafamento” do Oscar, naquele período, sobrou para ele, mesmo sendo um dos principais premiados da temporada.

Ser um diretor de prestígio também não garante exibição por aqui. Nem se forem dois. Ave, César!, mais recente filme dos Irmãos Coen, estreou no Brasil em abril, mas o paraibano não pôde ver no cinema essa comédia nos bastidores do cinema dos anos 1950. E olha que o ator principal é George Clooney!

Imagine, então, a dificuldade de um projeto como a trilogia As Mil e uma Noites, do português Miguel Gomes. As partes 2 e 3 foram lançadas no Brasil em maio, mas João Pessoa não viu nenhuma das três no cinema.

É verdade também que a situação melhorou muito de uns anos para cá. O Cinépolis Manaíra ganhou uma sessão de cinema de arte, o Cinespaço MAG colocou em cartaz quase todos os filmes do Festival Varilux e o Cine Banguê voltou este ano com uma programação de fôlego. Pode ser difícil fazer a lista no fim do ano.

FOTO: O Quarto de Jack (2015)

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1 – A BRUXA

por Renato Félix

Sem borda - 04 estrelas

Desenhista de produção e figurinista, Robert Eggers estreou na direção de longas com um belo trabalho em A Bruxa (2015). Aproveitou bem o clima opressivo-religioso da região da Nova Inglaterra, nos Estados Unidos do século XVII, onde aconteceu a paranoia da caça ás bruxas e, desde então, um terreno fértil para inspirar situações de terror. Para isso, seu foco é uma família cujas crenças não são aceitas pela vila em que vivem e que acabam se isolando em uma casa no meio de uma floresta.

A situação da família isolada, em um filme de suspense e/ou terror, não é nenhuma novidade – antes pelo contrário, é um baita clichê. Portanto saber lidar tão bem com essa situação também é mérito de Eggers, autor também do roteiro. Ele evita os sustos fáceis e explora o desconforto, a solidão, o desamparo e os conflitos entre os membros da família.

E aquele entre a jovem Thomasin (Anna Taylor-Joy, praticamente uma estreante) e seus irmãos mais novos é o detonador da trama. Aos seus cuidados, o bebê da família inexplicavelmente some na floresta e circunda a casa. É mais um passo de uma série de fatos que vão assombrando a família e aumentando a tensão entre eles.

Uma hora, os gêmeos menores uma hora dizem que falam com o bode, Black Phillip. Em outro momento, Thomasin, para assustá-los, finge que é uma bruxa – algo que vai se voltar contra ela mais tarde. Se há ou não algo sobrenatural acontecendo, é um mistério que o filme, que afirma usar diálogos e situações ocorridas realmente na época, vai aumentando até perto do final, enquanto a família vai se desintegrando.

A Bruxa aproveita os espaços e a luz natural: é imersivo e claustrofóbico, mesmo nos espaços abertos. Nesse aspecto, como em outros – o perigo à espreita em algum lugar, a paranoia, crianças com elementos sombrios – acaba se assemelhando até a A Fita Branca (2009).

A Bruxa. The Witch. Estados Unidos/ Reino Unido/ Canadá/ Brasil, 2015. Direção: Robert Eggers. Elenco: Anna Taylor-Joy, Ralph Ineson, Kate Dickie, Harvey Scrimshaw. 1º filme. Em DVD.

Coluna Cinemascope (#5). Correio da Paraíba, 19/10/2016.

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“Arizona Nunca Mais” (1987)

Lista, pra que te quero?

por Renato Félix

O cinema completou 120 anos no fim do ano passado e, por isso, publiquei aqui no CORREIO uma lista que chamo pomposamente de “120 filmes para a humanidade”. É uma lista de longas que tentou resumir essa história. Com sua dose de subjetividade, é claro, mas ainda assim tentando dar espaço aos diretores importantes, movimentos, cinematografias de países-chave, gêneros, etc.

Mas aconteceu o seguinte: como havia um prazo, tive que finalizar a lista sem me dar totalmente por satisfeito com ela. Resolvi que faria em seguida uma revisão para publicar no meu blog. Fiz um listão de uns 300 e tantos filmes e fui cortando. O problema é que cheguei a 126, 127 e não consigo mais cortar para fechar nos 120.

Há muita coisa ótima nesse mundão do cinema. E tentar equilibrar tudo é uma tarefa impossível. Como ter menos que quatro Hitchcocks? Quero colocar um irmãos Coen, mas este seria Arizona Nunca Mais (1987), Fargo (1996) ou O Grande Lebowski (1997)? Vale trocar um Kiarostami por A Separação (2012)? É muito ter três George Stevens, mesmo que um deles, Ritmo Louco (1935), seja mais por causa de Fred Astaire e Ginger Rogers?

Curiosamente, em 2001 fiz uma lista de “100 filmes para a humanidade”, para A União. Não me lembro de, 15 anos mais novo, ter muita dificuldade de fechar aqueles 100. Também é verdade que voltei a essa lista recentemente e muitas vezes pensei: “No que diabos eu estava pensando? Como este filme entrou e aqueles não?”.

Listas nunca serão definitivas – nem mesmo as que a gente mesmo faz. A serventia delas é mesmo levantar as discussões e, através delas, das nossas concordâncias e discordâncias, refletirmos mais sobre o cinema (ou o que quer que seja o tema da lista em questão).

Se eu conseguir fechar os 120, aviso.

FOTO: Arizona Nunca Mais (1987)

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Coluna Cinemascope (#4). Correio da Paraíba, 12/10/ 2016

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“A Lenda de Tarzan” (2016)

Uma franquia para chamar de sua

por Renato Félix

Não é segredo para ninguém que Hollywood está combinando uma crise de imaginação com uma crise de coragem. Não fiz o levantamento, mas dá para arriscar que nunca foram feitas tantas continuações e refilmagens quanto este ano. É a aposta no que aparentemente) é seguro: a corrida para ter uma marca que “vende” e se torne uma franquia rentável e longa.

A marca é importante porque já reduz a necessidade de convencer o público a ir ao cinema pela história em si. O personagem principal já faz esse trabalho. É por isso que volta e meia aparece um filme com Sherlock Holmes, Drácula, Tarzan (teve um este ano) ou os grandes superheróis como Super-Homem, Batman e Homem-Aranha.

Não é por acaso que, tendo acertado o tom com os heróis dos quadrinhos no cinema, estes tenham se tornado uma mina de ouro. Ao ponto de suas criadoras terem virado, por si só, uma grife. O nome “Marvel” ficou tão conhecido que já garante um cartão de visitas para heróis menos conhecidos como os Guardiões da Galáxia ou Deadpool.

Mas a busca pela franquia ideal tem levado os estúdios a desenterrarem séries que há muito já não apareciam. Este ano tivemos um reboot de Caça-Fantasmas, 27 anos depois
do segundo e – até então – último filme. E também vimos a volta de Jason Bourne, 10 anos depois de Matt Damon ter estrelado o terceiro e – até então – último filme com o
personagem (O Legado Bourne, de 2012, já era uma tentativa de levar a série adiante sem o personagem, mas – atenção – com o nome/ marca).

E este ano ainda vem Animais Fantásticos e Onde Habitam, um derivado da franquia Harry Potter, que terminou no oitavo filme e deixou a Warner orfã. Já pensam em continuações claro. E a Disney não comprou uma das marcas mais famosas do mundo para deixar na estante levando poeira: tem um novo Star Wars no fim do ano, como todo mundo sabe. E no ano que vem também.

FOTO: A Lenda de Tarzan (2016)

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Coluna Cinemascope (#3). Correio da Paraíba, 5/10/2016.

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“O Homem que Matou o Facínora” (1962)

A crítica não é uma pessoa só

por Renato Félix

Sempre gosto de contar essa história. Peter Bogdanovich, diretor do clássico A Última Sessão de Cinema (1971) lançou um livro de críticas de filme e convidou outro crítico para escrever o prefácio. Aí o convidado (não lembro o nome) lascou lá: “Peter é um ótimo crítico, a não ser por achar que O Homem que Matou o Facínora é um dos melhores filmes de todos os tempos, quando todo mundo sabe que é um dos piores”.

É mais ou menos isso. O João Batista de Brito, que me contou o causo (se me lembro bem; ele deve até ter esse livro, que, aliás, também não lembro qual é), deve contar melhor essa história.

Enfim, o que interessa é isso: não é interessante que dois críticos que se admiram divirjam tanto a respeito de um filme a ponto de um deles considerar como “um dos melhores” e outro como “um dos piores”?

Bem, na verdade, não é nada incomum. Muitas vezes se fala “a crítica” como se esta fosse uma pessoa só, ou uma entidade misteriosa em que todos os integrantes pensam do mesmo jeito. Não deveria ser necessário dizer que não, não é assim.

A arte é subjetiva e o cinema não é diferente. Muitas vezes os motivos que alguém pode considerar qualidades em um filme são exatamente os motivos que outro considera uma fraqueza.

Mesmo seu crítico de cabeceira vai divergir de você várias vezes. Não há nada de mais nisso. O papel da crítica é estimular a reflexão do leitor, mesmo que os dois não estejam de acordo. Cabe ao leitor entender os motivos daquela opinião (e ao crítico cabe se fazer entender) e formar a sua com base maior do que um “gostei/ não gostei”.

Em tempo: estou com o Bogdanovich, claro.

FOTO: O Homem que Matou o Facínora (1962)

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Coluna Cinemascope (#2). Correio da Paraíba, 28/9/2016.

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“Superman II – A Aventura Continua” (1980)

Final aberto: você decide

por Renato Félix

Outro dia revi Superman II e me lembrei da questão interessante envolvendo os três kryptonianos do filme. Questão que ficou adormecida durante mais de 30 anos (até ser despertada pela infame cena de O Homem de Aço, 2013), aparentemente com cada espectador guardando para si o que achava: eles morrem ou não?

Você lembra: depois que o trio de vilões perde seus poderes, é jogado em um fosso na Fortaleza da Solidão, base do herói no Ártico. Somem na névoa (que está bem próxima à beira) ao cair e não voltam ao filme depois disso.

O filme deixa esse final dos personagens em aberto, deixando que o espectador imagine o desfecho. E aí preenchemos muitas vezes com elementos que trazemos conosco. Acostumados a filmes onde James Bond (ou Rambo ou Schwarzenegger) matam bandidos sem culpa, não chega a ser supresa que se faça a associação automática: os vilões sumiram de cena, logo morreram.

No entanto, é preciso colocar esse processo condizente com a narrativa do filme. Teria aquele Super-Homem, de Christopher Reeve, matado a sangue frio três indivíduos sem poderes – e depois agir como se nada tivesse acontecido? Acho que não. Logo, o desfecho dos vilões teria que ser outro, dos muitos possíveis na situação que o filme deixou em aberto.

Há diversos outros exemplos, ainda mais intrigantes: Shane morre ou não no fim de Os Brutos Também Amam (1953), qual o destino que Tom Hanks vai tomar na encruzilhada final de Náufrago (2000)? Quais os problemas dos filhos que Marty vai encontrar no futuro depois do fim de De Volta para o Futuro (1985)? Bom, esse é um final aberto que a parte II explicou.

Em tempo: há uma edição exibida apenas na TV nos EUA que mostra policiais do Ártico prendendo Lex Luthor e os kryptonianos. Logo, não morreram.

FOTO: Superman II – A Aventura Continua (1980)

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Coluna Cinemascope (#1). Correio da Pataíba, 21/9/2016.

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“A Lista de Schindler” (1993)

Pra quê você vê um filme?

por Renato Félix

Se eu perguntar para que você vê um filme, a  maioria seguramente vai responder: “Para me divertir”. É uma resposta justa, mas genérica. Quase todo mundo viu A Lista de Schindler (1993) e imagino que – a menos que você seja nazista – não foi para “se divertir”. Se cada um cavar um pouquinho mais dentro de si, pode chegar a uma resposta sobre o que exatamente espera de um filme.

Por exemplo. Uma amiga certa vez me disse que teve vontade de ver determinado filme quando assistiu ao trailer, mas se desinteressou ao ler a sinopse. Ou seja: para ela, é o assunto do filme que interessa a ela, mais até do que as cenas que ela já tinha visto.

Em outra ocasião, um amigo crítico contou que respondeu à célebre pergunta “por que os críticos gostam do que ninguém gosta?” da seguinte maneira: explicou que os críticos assistem a muitos filmes por muitos anos e, por isso, gostam quando são surpreendidos, quando veem algo diferente da média. Pode não ser assim com todos os críticos (comigo, não é), mas é uma teoria que faz sentido.

Certamente não faltam os espectadores que só entram no cinema para ver algo se mexendo na tela com algum ritmo de edição e barulho, o suficiente para manter sua atenção, sem exigir muito esforço. Ou que espera um arroubo emocional. Ou algo que o faça refletir sobre a sociedade. Há vários motivos e nenhum está errado: se o filme der o que você espera, vai sair satisfeito.

Mas é importante compreender que muito da sua experiência depende do que você espera. No meu caso, o que me atrai é a narrativa: a maneira como o filme conta sua história. Pode ser qualquer história: de Branca de Neve e os Sete Anões (1937) a O Exorcista (1973). Já se fez essa pergunta? Pra que você assiste a um filme?

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Jerry Lewis nunca foi uma figura fácil de lidar. Mas o pobre do jornalista do Hollywood Reporter pegou o comediante num particular e espetacular mau dia e piorou tudo com demoras e começando bem mal as perguntas. E depois…

“Nunca pensou em se aposentar?”
“Por quê?”

“Em nenhum momento pensou que talvez fosse o momento?”
“Por quê?”

“Como faz para continuar tendo ideias?”
“Trabalhando nisso”

“Com faz para que o público continue indo a seus espetáculos?”
“Aviso que vou estar lá e eles aparecem”.

Resultado: o melhor mau humor dos últimos tempos (se você não é o entrevistador). Vem repercutindo já há alguns dias (Seinfeld escreveu: “Queria que tivesse sido eu”), mas vale o registro:

 

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O INVENTOR DA MOCIDADE

Sem borda - 04 estrelas

A primeira cena de O Inventor da Mocidade, antes dos créditos, mostra a porta da frente de uma casa e Cary Grant quase saindo dela, quando é interrompido pela voz (suponho) do diretor: “Ainda não, Cary”. Já é uma amostra de que o disparate total vai dar a ordem nessa comédia maluca temporã, da mesma dupla diretor-ator do clássico Levada da Breca (1938), mas produzida e lançada em anos em que Jerry Lewis já começava a dominar o gênero.

Cary Grant foi um ator que se saía tão bem quanto galã romântico quanto num aloprado papel cômico como este: um cientista dedicado a criar uma fórmula para o rejuvenescimento e que, por acidente, tem seu preparo remisturado por um dos macacos do laboratório. Testando o produto em si mesmo, o cientista rejuvenesce mentalmente até a infância.

Cary se entrega bravamente ao papel, assim como Ginger Rogers, que interpreta sua esposa e também é afetada pela fórmula em determinado momento. Tudo vai num crescendo cada vez mais em direção ao mais desenfreado absurdo. Só não chega a romper as barreiras da realidade (bem, a da proposta pelo filme) como os filmes vindouros de Mel Brooks e do trio Zucker-Abrahams-Zucker.

O Inventor da Mocidade injustamente acabou ficando injustamente para a história como “um filme de Marilyn Monroe”. Marilyn estava às vésperas de se tornar a grande estrela que foi: no ano seguinte emplacaria três filmes de sucesso que redefiniram sua carreira. Aqui, embora estampe as capas de DVDs e blu-rays do filme, ainda é coadjuvante.

Mas seu papel também tem destaque: é a secretária sexy da empresa para a qual Cary trabalha e divide com ele algumas das loucuras em que ele se mete. Seu brilho é evidente no meio de duas estrelas consagradas como Cary e Ginger. O próprio Howard Hawks viu logo: a colocou em Os Homens Preferem as Loiras (1953), fez ela canta “Diamonds are a girl’s best friend” e criou um momento antológico que ajudou a consolidar o mito.

Monkey Business. Estados Unidos, 1952. Direção: Howard Hawks. Elenco: Cary Grant, Ginger Rogers, Marilyn Monroe, Charles Coburn, Hugh Marlowe. Visto em DVD.

Pra mim, mais vale um clipe ruim de uma música boa do que um clipe excelente de uma música intragável. Se eu gostar da música, até me divirto com o que o clipe tem que equivocado ou ridículo e consigo enxergar o (pouco) que ele tem de bom. Aqui temos dez clipes que músicas que gosto muito, mas que estão longe, muito longe de ser uma obra-prima. E, mesmo assim, eu me divirto muito com eles.

10 – TRUE COLORS, Cyndi Lauper (1986)

Quando os clipes de Cyndi abraçavam a esculhambação com humor, era muito divertido (“Girls just want to have fun”; “The Goonies ‘r’ good enough”). Aqui tentaram poetizar a coisa. Não funcionou. E ela ainda coloca o namorado da época como galã do clipe, longe de convencer.

9 – RIGHT BETWEEN THE EYES, Wax (1986)

Típico clipe dos anos 1980 que peca pelo excesso. Uma saraivada de imagens que, ok, são engraçadas ao tentar traduzir literalmente a letra. Muita coisa de cinema mudo, inclusive Nosferatu. Mas não pode ter algum sentido as cenas aleatórias de ruas de cidades ou o segmento com os Thunderbirds ou uma mulher colocando uma roupa na secadora em alta velocidade ou um canguru ou a Terra vista do espaço ou…

8 – THIS TIME I KNOW IT’S FOR REAL, Donna Summer (1989)

Tem animação para dar e vender nesse clipe da rainha das pistas de dança, até demais. É muito engraçado ver esses dançarinos com gestos de que estão correndo, mas parados, o movimento sendo a luzes que passam no fundo. Ok, é dança, não é 100 metros rasos, mas essa animação toda é bem over. Detalhe para os mapas, que traçam a rota de A Volta ao Mundo em 80 Dias.

7 – I’M STILL STANDING, Elton John (1983)

Foi uma fase muito boa de clipes de Elton John. Dirigidos por Russell Mulcahy, “Sad songs” e “I guess that’s why they call it the blues” são excelentes. Mas é muito difícil imaginar o que diabo queriam com “I’m still standing”. Filmado em Cannes, é pura piração. Parece uma brainstorm filmada.

6 – I WANNA DANCE WITH SOMEBODY, Whitney Houston (1987)

O videoclipe é meio uma terra sem lei. Não há regras sobre montagem, continuidade, ter sentido, nada disso. Por isso há clipes (e havia muitos nos anos 1980) como este, que acredita que quanto mais coisas, melhor. Whitney aparece em um monte de cenários e situações (e penteados) diferentes que vão se alternando freneticamente, nada tendo a ver umas com as outras (tem até uma citação de Fred Astaire dançando com pares de sapatos vazios, cena de Ciúme, Sinal de Amor).

5 – TYPICAL MALE, Tina Turner (1986)

Tina Turner sensualizando com um pé gigantesco. O que dizer? Destaque para a cena do fone gigante e a televisão mais falsa que você jamais verá num videoclipe. Ainda bem que o final é feliz.

4 – MAMMA MIA, Abba (1975)

Ainda era a aurora dos videoclipes e o Abba desenvolveu um visual muito particular, calcado na simetria entre os integrantes do quarteto (sempre dirigidos por Lasse Hallström). Mas dá tudo errado em “Mamma mia”: as garotas não estão lá muito bonitas, o não-cenário não ajuda, parece ter sido tudo feito às pressas. Sobra o jogo com a simetria, que é legal.

3 – WALK LIKE AN EGYPTIAN, The Bangles (1986)

As cenas no palco são bacanas. Na rua, com as pessoas imitando as poses egípcias, o clipe cai no ridículo várias vezes. Mas o pior é o inacreditável efeito de multiplicar (e distorcer!) a imagem do quarteto fazendo esse simulacro de dança egípcia!

2 – TOTAL ECLIPSE OF THE HEART, Bonnie Tyler (1983)

E lá vai Bonnie Tyler como a professorinha assombrada em um colégio por garotos de olhos brilhantes, ninjas (!!!), muita luz vinda de trás, tarzans dançarinos, um anjo que parece ter saído de Barbarella. O diretor é o mesmo Russell Mulcahy de “I’m still standing”.

1 – WAKE ME UP BEFORE YOU GO-GO, Wham! (1984)

George Michael de shortinho, essas camisas com mensagens (“Choose life” para a dupla; “Go-go” para as backing vocals e a banda), chapéu de legião estrangeira, as divisões de tela que distorcem a imagem, o efeito strobe, os congelamentos de imagem, a luz negra. Enfim, obra-prima. Este deve ter sido o clipe que inspirou ‘Pop! Goes my heart’, do filme Letra & Música.

 

 

 

Assim como treino é treino e jogo é jogo, trailer é trailer e filme é filme. Mas não posso deixar de dizer que esse trailer de Homem-Aranha – De Volta ao Lar me passa a melhor das impressões. Um visual simples e direto, economizando nas firulas e com bom destaque para os personagens (mais que aos efeitos). Robert Downey Jr. marcando ótima presença e Michael Keaton assumindo de vez o Birdman (ele faz o vilão Abutre). Estreia no Brasil em 6 de julho.

top-10-12-07

Top 10 (até agora)

Mais uma parcial da nossa eleição Melhores do Ano 2016. Desta vez, estão computadas notas para as estreias em JP de janeiro a abril (mas os filmes de abril ainda não conseguiram quórum para figurar na classificação).

Em relação à parcial passada, A Bruxa passou de 3º para 2º, Cinco Graças entra na lista em 3º, dois filmes do Oscar fecham o top 5 e Zootopia subiu de 10º para 6º; Trumbo e A Garota Dinamarquesa saíram do top 10.

Veja, a seguir, os 23 filmes que até agora conseguiram o quórum mínimo:

Filho de Saul – 4,545
A Bruxa – 4,428
Cinco Graças – 4,333
Spotlight – Segredos Revelados – 4,142
O Regresso – 4,083

Boi Neon – 4
Zootopia – Essa Cidade É o Bicho – 4
A Grande Aposta – 3,947
Os Oito Odiados – 3,888
Para Minha Amada Morta – 3,875

O Bom Dinossauro – 3,833
A Garota Dinamarquesa – 3,818
Trumbo – Lista Negra – 3,615
Creed, Nascido para Lutar – 3,578
Boa Noite, Mamãe – 3,571

Carol – 3,5
Deadpool – 3,421
Califórnia – 3,285
Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o Filme – 3,181
Joy, o Nome do Sucesso – 2,571

Batguano – 2,444
Batman Vs. Superman – A Origem da Justiça – 1,944
A 5ª Onda – 1,666

Lembrando, você pode votar de três maneiras:
– Acesse o álbum de fotos na minha página no Facebook. Para cada mês, há uma foto com a lista dos filmes;
– Acesse o álbum de fotos na página do Boulevard do Crepúsculo no Facebook. Também há uma foto para cada mês;
– Ou acesse a página da votação no blog. Lá estão todas as listas.

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CREED, NASCIDO PARA LUTAR

Estrelas-03 e meia juntas-site

Creed é, antes de tudo, uma simpática e bonita declaração de amor à série Rocky (que completou 40 anos ontem). Isso, partindo de um ponto de vista inteligente: não o próprio Rocky, mas o filho de um antigo rival e depois amigo. Adonis é filho de Apollo Creed (chamado na dublagem brasileira com o engraçado título de Apollo Doutrinador), gosta e leva jeito par ao boxe e abandona um emprego para seguir no esporte.

Não quer expor a relação com o pai campeão, mas vai pedir ajuda a Rocky para treiná-lo. Não há muita novidade na trama (Rocky é reticente, mas acaba convencido e se afeiçoa pelo rapaz quase como um pai – como acontece, por exemplo, em Menina de Ouro, de Eastwood). Mas Ryan Coogler consegue demonstrar seu carinho pelos personagens.

A trilha “namora” a música emblemática de Bill Conti para a série original o tempo todo, até render-se no inevitável final, que cita Rocky de forma muito mais direta e até desnecessária. Mas é um beco sem saída: em sua grande luta, se Adonis vence, é um grande clichê do cinema; se perde, mas se torna um vencedor moral, é uma situação que a própria série Rocky tornou um clichê próprio.

Creed. Estados Unidos, 2015. Direção: Ryan Coogler. Elenco: Michael B. Jordan, Sylvester Stallone, Tessa Thompson.

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