007 o Espiao que Me Amava - 03

7 de julho, há 40 anos: É exibido em pré-estreia, em 1977, o filme 007, o Espião que Me Amava. É o 10º filme protagonizado pelo espião britânico James Bond, e o terceiro com Roger Moore no papel. É um dos que melhor dosou os elementos de ação e comédia que caracterizou a fase de Moore como o personagem. A bondgirl era a americana Barbara Bach e a canção-tema foi “Nobody does it better”, com Carly Simon.

 

Rocco e Seus Irmaos - 03

ROCCO E SEUS IRMÃOS
Sem borda - 05 estrelas

Não sou o maior dos admiradores do cinema de Visconti. Não gosto de Sedução da Carne (1954), nem de Morte em Veneza (1971). Mas gosto demais de O Leopardo (1963) e, principalmente, de Rocco e Seus Irmãos. Há muitos anos, eu não o revia, no entanto. Ele não deixa o melhor dos sentimentos ao sair dele.

Visconti não alivia ao contar a história da família Parondi. A chegada com esperanças na mudança do sul pobre da Itália para Milão, metrópole do norte do país, está sempre à sombra dos problemas e com cheiro de tragédia. A intranquilidade é evidenciada no contraste entre os dois irmãos que protagonizam o filme: Rocco (Alain Delon) e Simone (Renato Salvatore).

O filme é dividido em capítulos mais ou menos centrados em cada um dos cinco irmãos, mas o bondoso e correto Rocco e o egoísta e malandro Simone dominam a cena. O conflito explode quando eles se envolvem com a mesma mulher, a prostituta Nadia (Annie Girardot).

Visconti quebra as expectativas quando coloca Rocco, que seria o pilar moral do filme, em situações onde precisa escolher entre a família e “o que é certo”. Ele é empurrado pela trama a fazer escolhas que vão engasgando o espectador que se envolve com a história.

É uma espiral descendente, com Nadia no centro dela. Um dos irmãos mais jovens, Ciro (Max Cartier) acaba ganhando corpo do meio pro fim do filme (que não me lembrava como é longo: 2h57 de duração) ao se tornar um contraponto para Rocco, até o momento mais decisivo para a unidade da família Parondi.

Com bela fotografia em preto-e-branco de Giuseppe Rotunno (principalmente na muito impressionante cena entre Rocco e Nadia na catedral de Milão) e música de Nino Rota, Rocco e Seus Irmãos ainda traz um pouco o gosto do neo-realismo, que Visconti frequentou nos anos 1940, mesmo o diretor já tendo abraçado produções com mais dinheiro e de época nos anos 1950. Mas o que se sobressai é a questão central: até onde ser bom é bom?

Rocco e Seus Irmãos. Rocco i Suoi Fratelli/ Rocco et Ses Frères. Itália/ França, 1960.  Direção: Luchino Visconti. Elenco: Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot, Katina Paxinou, Roger Hanin, Suzy Delair, Claudia Cardinale.

 

Quarrymen - 1957

6 de julho, há 60 anos: Conhecem-se, em 1957, os cantores, compositores e multi-instrumentistas John Lennon e Paul McCartney, que seriam fundadores e líderes dos Beatles. Lennon tinha 16 anos e McCartney, 15, quando Paul viu uma apresentação da banda de John, The Quarrymen, em uma festa na St. Peter’s Church, em Liverpool (a foto do post é desse show, cerca de 15 minutos antes de John e Paul se conhecerem). Ivan Vaughan, membro da banda, apresentou os dois e McCartney tocou três músicas no violão. Duas semanas depois, entraria para a banda e depois levaria George Harrison, formando-se a base do que mais tarde viria a ser os Beatles, banda de rock mais importante da história.

Katy Jurado - Matar ou Morrer

5 de julho, há 15 anos: Morre, em 2002, aos 78 anos, a atriz mexicana Katy Jurado. Ela começou sua carreira em seu país natal, em 1943, em uma era dourada para o cinema mexicano. A partir de 1951, começou a trabalhar em Hollywood, principalmente em faroestes. O maior deles foi Matar ou Morrer (1952), que rendeu a ela um Globo de Ouro, o primeiro para uma latina. Foi indicada ao Oscar por Lança Partida (1954).

 

kylie 2

4 de julho, há 30 anos: É lançado, em 1987, o single “The loco-motion”, que lançou também a carreira em discos da cantora, compositora, dançarina e atriz australiana Kylie Minogue. A canção era uma regravação da música de Gerry Goffin e Carole King, originalmente lançada em 1962 por Little Eva. Em seguida, Kylie lançou “I should be so lucky”. Hoje ela é a artista da música de maior sucesso da Austrália.

 

João Saldanha

3 de julho, há 100 anos: Nasce, em 1917, o jornalista, escritor e técnico gaúcho de futebol João Saldanha. Apelidado por Nélson Rodrigues como “João Sem Medo”, foi um dos mais importantes jornalistas esportivos do Brasil. Como treinador, esteve à frente do Botafogo campeão carioca de 1957 e da Seleção Brasileira nas eliminatória para a Copa de 1970. Morreu em Roma, em 1990, cobrindo a Copa do Mundo.

James Stewart

2 de julho, há 20 anos: Morre, em 1997, aos 89 anos, o ator americano James Stewart. Um dos grandes nomes do cinema americano, muitas vezes interpretando o perfil perfeito do homem bom e honesto, ele era um preferido de diretores como Frank Capra (que o dirigiu em três filmes, o mais importante sendo A Felicidade Não Se Compra, 1946), Alfred Hitchcock (quatro filmes, entre eles Janela Indiscreta, 1954, e Um Corpo que Cai, 1958) e Anthony Mann (oito filmes, entre eles Winchester 73, de 1950). Fez outros grandes filmes com outros grandes cineastas, como O Homem que Matou o Facínora (1962), com John Ford, e Núpcias de Escândalo (1940), com George Cukor, com o qual ganhou o Oscar.

Dando sequência a essa retrospectiva atrasada do que esteve em cartaz nos cinemas de João Pessoa, faço a primeira de uma nova lista: das atuações que considerei melhores em 2016. Resolvi também que não vou separar por atores e atrizes porque, como disse o Chris Rock, “não é atletismo”.

Elle - 04

1 – ISABELLE HUPPERT (Elle)

Huppert engrandece papéis que não são tão grandes e agiganta os papéis maiores, que é o caso em Elle. Ela é Michèle Leblanc, violentada em sua própria casa por um mascarado invasor. Depois, ela vai se preparando para o retorno do agressor – de seu próprio jeito. É, sem dúvida, uma das maiores atrizes do nosso tempo.

Regresso-05

2 – LEONARDO DICAPRIO (O Regresso)

DiCaprio só faltou comer o pão que o diabo amassou para esse papel: um caçador que é atacado por um urso e deixado para morrer na floresta por seus companheiros. Mas sobrevive e se arrasta por quilômetros e quilômetros, no inverno, para se vingar. Uma jornada visceral para o personagem e para o ator.

Aquarius - 01

3 – SÔNIA BRAGA (Aquarius)

O Brasil reencontrou-se com uma grande Sônia Braga no filme de Kléber Mendonça Filho. Ela contribui decisivamente para que este filme seja ainda melhor que o anterior do diretor, o já muito elogiado O Som ao Redor. Aqui, Sônia constrói uma grande personagem que ancora as ações e fascina o espectador.

Filho de Saul - 01

3 – GÉZA RÓHRIG (Filho de Saul)

Uma experiência de narrativa bem particular, a produção húngara é quase toda registrada em close do personagem principal ou de seu ponto de vista subjetivo. É claro que isso exige um trabalho intenso de atuação de seu ator principal. O húngaro Róhrig, que também é poeta corresponde plenamente em seu primeiro (e aparentemente até agora único) longa.

Chegada - 03

5 – AMY ADAMS (A Chegada)

A grande injustiça do Oscar deste ano foi a não inclusão de Amy Adams entre as indicadas a melhor atriz. Ela interpreta muito bem a personagem de uma linguista com uma missão inédita e decisiva para a humanidade, enquanto lida com seus dramas pessoais.

Carol - 06

6 – CATE BLANCHETT (Carol)

Cate já é um monumento da arte da atuação. Em Carol, ela entrega de novo um grande personagem: a mulher da alta roda que se apaixona por uma balconista. Mas são os anos 1950, ela é casada e tem que pôr na balança a possibilidade de o marido ficar com a guarda do filho.

Trumbo - 06

7 – BRYAN CRANSTON (Trumbo – Lista Negra)

Cranston tem a difícil missão de ir encontrando no cinema personagens que falam jus ao status de grande ator que adquiriu na série Breaking Bad. Conseguiu um ponto com a cinebiogragfia de Dalton Trumbo, roteirista de Hollywood que foi perseguido nos EUA dos anos 1950 por ser comunista e ganhou um Oscar sem ninguém saber.

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8 – MARK RUFFALO (Spotlight – Segredos Revelados)

Um ator consistente, que sempre entrega atuações muito boas, Ruffalo construiu um tipo particular e com certa sutileza no Mike Rezendes, o jornalista interpretado por ele em Spotlight. Ruffalo poderia muito bem ter ganhado o Oscar.

Chocolate - 2015 - 04

9 – OMAR SY (Chocolate)

Depois de Intocáveis, Omar Sy se tornou um astro na França e bastante conhecido fora dela. Em seus filmes seguintes por aqui, continuou entregando ótimas atuações, a bordo de muito carisma. Em Chocolate, ele interpreta o primeiro palhaço negro da França e tem a oportunidade de atuar em números clássicos de circo.

Oito Odiados-07

10 – JENNIFER JASON LEIGH (Os Oito Odiados)

Jennifer Jason Leigh entrou para o time de atores de quem Tarantino fez o mundo lembrar como são bons. Ela está por aí desde o começo dos anos 1980, em aparições sempre eficientes seja em Picardias Estudantis (1982) ou Mulher Solteira Procura… (1992). Em um filme cheio de gente em quem não se pode confiar, ela é desde o começo uma das mais perigosas.

— MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Pernalonga - What_s Opera, Doc-02

1º de julho, há 60 anos: É lançado, em 1957, o curta animado Vai de Ópera, Velhinho? (What’s Opera, Doc?), de Chuck Jones. Estrelado por Pernalonga e Hortelino, numa paródia do estilo e temáticas das óperas de Wagner (em especial, O Anel dos Nibelungos, mas há trechos que remetem a O Holandês Voador entre outras obras do compositor alemão), o desenho animado foi eleito o melhor de todos os tempos, em 1994, em uma eleição com mil membros da indústria de cinema de animação. Também foi o primeiro curta de animação eleito para preservação pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Além de ser um dos três únicos curtas em que Hortelino derrota Pernalonga, é o último com o personagem troca-letras dirigido por Jones.

 

lena horne, ca. 1940s

30 de junho, há 100 anos: Nasce, em 1917, a cantora, atriz, dançarina e ativista dos direitos civis americana Lena Horne. Desde os 16 anos, belíssima, ela se tornou cantora de nightclubs, sendo depois contratada para filmes em Hollywood. Foi subutilizada em papéis pequenos e em aparições apenas como cantora em musicais da Metro, mas estrelou Uma Cabana no Céu (1943) e Tempestade de Ritmos (1943), ambos de elenco predominantemente negro. Desencantanda com Hollywood, se concentrou em sua carreira de cantora a partir dos anos 1950, se tornando uma das grandes vozes do jazz. Desde os anos 1940 lutou contra a segregação racial nos EUA. Morreu em 2010, aos 92 anos.

Jayne Mansfield - 1963

29 de junho, há 50 anos: Morre, em 1967, aos 34 anos, a atriz americana Jayne Mansfield. Um dos principais símbolos sexuais do cinema nos anos 1950 e 1960, parecida com Marilyn Monroe, fez sucesso com comédias como Sabes o que Quero (1956), a grande maioria enfatizando seu corpo. Quando a carreira decaiu, foi a primeira estrela a aparecer nua em um filme de Hollywood, em Promises, Promises (1963). Morreu em um acidente automobilístico.

The Supremes - 02 - 1967

28 de junho, há 50 anos: Apresenta-se pela primeira vez como The Supremes with Diana Ross, em 1967, o grupo americano The Supremes. A série de shows no Flamingo Hotel, em Las Vegas, foi o primeiro passo para mudança definitiva de nome para Diana Ross & The Supremes. Também foram os últimos dias de Florence Ballard no trio. Ela seria demitida e substituída por Cindy Birdsong a partir de 1º de julho, ainda em Las Vegas.

Whitney - 1987

27 de junho, há 30 anos: Estreia no primeiro lugar da parada da Billboard, em 1987, o disco Whitney, o segundo da carreira de Whitney Huston. Foi o primeiro disco de uma cantora a estrear já em primeiro lugar. O álbum catapultou a cantora ao estrelato internacional, com quatro singles atingindo o primeiro lugar: “I wanna dance with somebody”, “Didn’t we almost have it all”, “So emotional” e “Where do broken hearts go”.

Françoise Dorléac

26 de junho, há 50 anos: Morre, em 1967, aos 25 anos, a atriz francesa Françoise Dorléac. Era a irmã um ano mais velha de Catherine Deneuve, com quem havia acabado de estrelar o musical Duas Garotas Românticas. Dorléac já havia feito filmes com Truffaut (Um Só Pecado, 1964) e filmou O Homem do Rio (1964), que se passa no Brasil. Morreu em um acidente automobilístico em uma estrada na cidade francesa de Nice.

Duas Garotas Romanticas - 01

Cores e música: Catherine Deneuve e Fraçoise Dorléac

DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS
Sem borda - 04 estrelas

Bem mais do que em Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), fica evidente em Duas Garotas Românticas (1967) o amor que o cineasta Jacques Demy tinha pelos musicais de Hollywood. A começar pelo formato, que troca os diálogos 100% cantados do filme anterior pela tradicional alternância entre diálogos e canções. Passa pela presença no elenco de grandes nomes do gênero nos EUA: George Chakiris e, principalmente, Gene Kelly. E se consagra pelo uso exuberante e apaixonado da dança, do que Chakiris foi craque e Kelly, um gênio.

Mas eles não são os atores principais, são um suporte de luxo. O protagonismo é todo das irmãs Catherine Deneuve e Françoise Dorléac, que interpretam gêmeas que ensinam dança e canto (Dorléac, que morreu três meses após o lançamento do filme, em um acidente, era um ano mais velha que Deneuve). A chegada de uma feira itinerante à sua cidade, Rochefort, vai agitar o fim de semana em que decidiram que vão tentar a vida artística em Paris.

As duas atrizes, assim como quase todo o elenco, são dubladas nas canções. A exceção é Danielle Darrieux, que interpreta a mãe da dupla, comandando um café que se torna um núcleo da trama, uma ciranda amorosa em que os vários personagens vão se cruzando enquanto isso não acontece aos casais destinados um ao outro.

Kelly é dublado nas canções e em parte dos diálogos, mas não em todos: em boa parte, ele mesmo fala em francês. O espectador versado em musicais percebe logo a diferença e pode estranhar, a princípio.

Mas a entrada de Kelly no filme, no meio da trama, é um golpe de misericórdia de um espetáculo adorável que já vinha funcionando bem. O homem parece ter luz própria e sublinha a credibilidade do filme.

Demy, também roteirista, não se acomoda com sua ciranda amorosa e faz experimentações em diversos momentos. Faz um uso exuberante das cores que é evidente como inspiração de La La Land (2017). Coloca vários dos números musicais ao ar livre, começando pelo dos créditos de abertura, em uma balsa suspensa.

Em outra cena, Catherine Deneuve anda pelas calçadas da cidade, enquanto o mundo dança à sua volta, em um grande plano sequência em que ela atravessa ruas e dobra esquinas. E há a cena do jantar em que não há música, mas os diálogos são rimados. E Gene Kelly faz uma citação, com Françoise Dorléac, da coreografia que dançou à beira do Rio Sena em Sinfonia de Paris (1951).

Há outras citações no filme, como Deneuve e Dorléac evocando, no número apresentado na feira, Marilyn Monroe e Jane Russell em Os Homens Preferem as Louras (1953), de Howard Hawks. Aí e em outro momentos do filme sobrou charme.

DUAS GAROTAS ROMÂNTICAS. Les Demoiselles de Rochefort. França, 1967. Direção: Jacques Demy. Elenco: Catherine Deneuve, Françoise Dorléac, George Chakiris, Gene Kelly, Jacques Perrin, Michel Piccoli, Danielle Darrieux.

 

Blow Up - Depois Daquele Beijo-21

David Hemmings em “Blow Up”: a captura enigmática de uma atmosfera

BLOW UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO
Sem borda - 04 estrelas

Há um mistério em Blow Up e ele é bem mais o próprio filme que o assassinato que o fotógrafo Thomas, vivido por David Hemmings, parece descobrir nas ampliações de fotos despretensiosas tiradas por ele num parque. Como bom mistério, o diretor Michelangelo Antonioni deixa pistas verdadeiras e falsas e convida o espectador a desvendar os sentidos do que desenrola na tela.

O filme começa e termina com um grupo de mímicos em cena. A princípio, eles cruzam gratuitamente o caminho do fotógrafo, que vinha de fotografar desvalidos, como um deles, mas entra em seu carrão e parte para o estúdio, onde vai conduzir sessões com belas modelos. No fim, ele os reencontra naquele clássico jogo de tênis sem bola. Mas que, ainda assim, sai da quadra e que ele recolhe no gramado e devolve. Para em seguida ouvirmos o som da bola inexistente.

Enigmático (é baseado em conto de Julio Cortázar, que faz uma ponta no filme), Blow Up deixa a cargo do espectador dar tratos à bola para decifrar enigmas como esse. O fotógrafo amplia as fotos, percebe um rosto assustado, descobre um homem armado nos arbustos, vê o que pode ser um corpo caído nas imagens granuladas. Quem matou? Quem morreu? Por que motivo? Houve mesmo um crime?

Em termos de narrativa, sobressaem-se os planos belos e rigorosos de Antonioni. No pano de fundo, mas talvez até de maior importância, está a captura de um momento particular da história da capital inglesa: a atmosfera efervescente da Swinging London, a moda, a música.

Talvez Blow Up seja um filme maior pela soma das partes (o show de rock dos Yardbirds com a plateia impassível, mas que se solta quando Jeff Beck destrói sua guitarra; a sessão de fotos com a realmente famosa modelo Veruschka, pelo chão; além das já citadas) do que pelo todo. Ou será maior pelo todo, tão sedutor quanto enigmático?

Blow Up – Depois Daquele Beijo. Blowup. Reino Unido/ Itália/ Estados Unidos, 1966. Direção: Michelangelo Antonioni. Elenco: David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles, Jane Birkin, Veruschka von Lehndorff, The Yardbirds (Jeff Beck, Jimmy Page, Keith Relf).

A seguir, os meus melhores filmes de 2016, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

O número de filmes em cartaz em João Pessoa explodiu em 2016: foram 258 estreias contra as 163 de 2015 e 164 de 2014. O recorde anterior, desde 2006, ano em que o Boulevard começou a fazer esse acompanhamento, havia sido 165 em 2007. Os motivos determinantes para esse aumento são a inauguração do novo Cine Banguê, que vem servindo filmes que não passam nos demais cinemas, e alguma diversidade no Cinépolis e no Cinespaço.

THE REVENANT

1 – O REGRESSO, de Alejandro González Iñarritu

Iñarritu é um diretor que arrisca muito em suas narrativas, nem sempre com sucesso. Mas quando acerta, entrega coisas belas como este O Regresso, a jornada selvagem e espiritual de um homem em busca de outro que o deixou para morrer, aós ter sido atacado por um urso. A interpretação visceral de Leonardo DiCaprio foi, com toda a justiça, premiada com o Oscar, o Globo de Ouro, o SAG e o Bafta. Crítica no Boulevard

Elle - 03

2 – ELLE, de Paul Verhoeven

Isabelle Huppert matadora, para variar, em um filme desconcertante e doentio – Paul Verhoeven sendo Paul Verhoeven. Isabelle é uma mulher fria e cerebral que é estuprada dentro de casa por um mascarado e lida ao seu modo com a possibilidade de um novo ataque.

Aquarius - 06

3 – AQUARIUS, de Kléber Mendonça Filho

Sônia Braga é a única moradora que restou em um antigo prédio que uma construtora quer demolir. Mas ela luta pelo direito de preservar suas memórias afetivas. Uma bela defesa de que coisas – como discos ou um apartamento – podem não ser apenas “coisas”.

Zootopia - 06

4 – ZOOTOPIA – ESSA CIDADE É O BICHO, de Byron Howard e Rich Moore

No que parecia apenas mais uma sátira de bichinhos se comportando como seres humanos, desenrola-se uma imaginação bem cuidada de como seria essa cidade levando-se em consideração as características dos animais antropomorfizados, uma história policial instigante e uma crítica surpreendente e dura aos preconceitos de quem se acha o mocinho.

Spotlight - 01

5 – SPOTLIGHT – SEGREDOS REVELADOS, de Tom McCarthy

Com uma história que tinha tudo para mergulhar no melodrama, essa trama que conta a investigação jornalística que expôs o escândalo de pedofilia da Igreja de Boston é contida e precisa em sua narrativa. Crítica no Boulevard

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6 – CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, de Anthony Russo e Joe Russo

Um filme de super-heróis que reflete sobre si mesmo, sobre o gênero e seus personagens. E coloca os dois personagens principais do universo cinematográfico da Marvel com o peso dramático acumulado em todos estes anos e filmes.

Bruxa - 03

7 – A BRUXA, de Robert Eggers

Famílias isoladas à mercê do sobrenatural não são exatamente uma novidade, mas este filme consegue imprimir um clima opressor e tanto. Crítica no Boulevard

Cinco Gracas - 03

8 – CINCO GRAÇAS, de Deniz Gamze Ergüven

Cinco irmãs jovens e cheias de vida vítimas de um tio que as prende em casa e as obriga a casamentos arranjados. O filme nos leva a procurar tanto quanto elas uma saída.

Filho de Saul - 03

 

9 – FILHO DE SAUL, de Lázló Nemes

Filmado quase todo em close, é uma experiência que nos faz acompanhar de perto o drama pesado e doloroso de um homem que tenta impedir que o filho morto seja incinerado pelo nazistas. Ao menos isso.

ARRIVAL

 

10 – A CHEGADA, de Denis Villeneuve

Uma ficção científica que recusa a pirotecnia e celebra o poder da comunicação. Denis Villeneuve evoca o Spielberg de Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

+ 10: A Grande Aposta, de Adam McKay; Deadpool, de Tim Miller; Mia Madre, de Nanni Moretti; Café Society, de Woody Allen; Sully, o Herói do Rio Hudson, de Clint Eastwood; Rogue One – Uma História Star Wars, de Gareth Edwards; Star Trek – Sem Fronteiras, de Justin Lin; Carol, de Todd Haynes; Jogo do Dinheiro, de Jodie Foster; Animais Fantásticos e Onde Habitam, de David Yates.

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MAIS RETROSPECTIVA 2016:

Eleição Melhores do Ano 2016
– 50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2016

Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

HER

Namoro virtual: Joaquin Phoenix em “Ela”

ELA
Estrelas-04 juntas-site

A relação das pessoas com inteligências artificiais são um tema caro ao cinema, desde Metrópolis (1926), passando por filmes como Blade Runner (1982), D.A.R.Y.L. (1985), O Exterminador do Futuro (1984), Inteligência Artificial (2001), Simone (2002), Eu, Robô (2004). Com diferenças de temas e gêneros. Ela (2013) aborda um viés pouco comum: o romance.

Na história, Theodore (Joaquin Phoenix) é o redator de uma empresa especializada em criar cartas falsamente manuscritas e pessoais para seus clientes. Solitário desde que a esposa (Rooney Mara) decidiu se divorciar, ele compra um novo sistema operacional que interage com o dono em um nível pessoal inédito, adaptado ao cliente e evoluindo a partir do diálogo entre eles.

“Samantha” (voz de Scarlett Johansson) se mostra atenciosa, bem humorada, super competente e curiosa. Pode, nesse futuro em que já é banal falar com máquinas, acontecer o amor entre uma pessoa e um sistema operacional? Há diferença nisso para um namoro com uma pessoa distante via internet? Essa inteligência artificial, na medida em que aprende e demonstra sentimentos e prazer, é uma “pessoa sem corpo”? Essa relação é o reflexo de uma humanidade cada vez mais atenta a seus equipamentos eletrônicos que às pessoas à sua volta?

E se essas inteligências artificiais passarem a tomar suas próprias decisões? Qual o passo seguinte? Se elas se comunicarem entre si?

Todas essas questões são tratadas pelo filme de maneira delicada, envolvendo a relação entre Theodore e Samantha, com as idas e vindas que muitos casais conhecem bem. O filme de Spike Jonze tem a sacada de escolher a atriz ideal para a “mocinha”: Scarlett Johansson tem uma voz marcante e sedutora. Aliás, em termos de voz, destaque também para a engraçada participação de Kristen Wiig, a “Gatinha Sexy” que Theodore encontra em uma sala de bate-papo.

Ela. Her. Estados Unidos, 2013. Direção e roteiro: Spike Jonze. Elenco: Joaquin Phoenix, Amy Adams, Chris Pratt, Rooney Mara, Olivia Wilde. Vozes: Scarlett Johansson, Kristen Wiig.

Duas Garotas Romanticas - 11

“Duas Garotas Românticas”: sessões em dois domingos

Antes tinham saído os filmes, agora saíram os horários. Confira a programação em João Pessoa do Festival Varilux do Cinema Francês, que vai de 8 a 21 de junho e este ano acontece em dois cinemas: no Cinespaço, do MAG Shopping, e no Cinépolis, do Manaíra Shopping.

No Cinespaço, serão as quatro sessões tradicionais; no Cinépolis, só duas, à noite. O clássico, Duas Garotas Românticas, será exibido só no Cinespaço, mas em duas ocasiões (nos dois domingos). Confira no post anterior mais sobre os filmes e veja os trailers.

QUINTA, 8

Cinespaço
14:30 – Amanhã
16:50 – Frantz
19:05 – Na Cama com Victoria
21:05 – Coração e Alma

Cinépolis
19:00 – A Vida de uma Mulher
21:30 – Rodin

***

SEXTA 9

Cinespaço
14:30 – Uma Agente Muito Louca
16:35 – O Filho Uruguaio
18:35 – Um Instante de Amor
20:55 – Uma Família de Dois

Cinépolis
19:00 – Tour de France
21:30 – Coração e Alma

***

SÁBADO 10

Cinespaço
14:30 – A Viagem de Fanny
16:25 – Amanhã
18:45 – Rodin
21:05 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama

Cinépolis
19:00 – Na Cama com Victoria
21:30 – Uma Família de Dois

***

DOMINGO 11

Cinespaço
14:30 – Tour de France
16:25 – Perdidos em Paris
18:10 – Duas Garotas Românticas
20:35 – Frantz

Cinépolis
19:00 – Um Instante de Amor
21:30 – Tal Mãe, Tal Filha

***

SEGUNDA 12

Cinespaço
14:30 – Um Perfil para Dois
16:30 – Coração e Alma
18:30 – O Reencontro
20:50 – Na Vertical

Cinépolis
19:00 – Coração e Alma
21:30 – Um Perfil para Dois

***

TERÇA 13

Cinespaço
14:30 – Um Instante de Amor
16:50 – Rodin
19:10 – Uma Agente Muito Louca
21:15 – Na Cama com Victoria

Cinépolis
19:00 – Na Vertical
21:30 – Frantz

***

QUARTA 14

Cinespaço
14:30 – A Vida de uma Mulher
16:50 – Tal Mãe, Tal Filha
18:45 – A Viagem de Fanny
20:40 – Perdidos em Paris

Cinépolis
19:00 – Uma Família de Dois
21:30 – Tal Mãe, Tal Filha

***

QUINTA 15

Cinespaço
14:30 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
16:55 – O Filho Uruguaio
18:55 – A Vida de uma Mulher
21:15 – Tal Mãe, Tal Filha

Cinépolis
19:00 – Perdidos em Paris
21:30 – O Reencontro

***

SEXTA 16

Cinespaço
14:30 – O Reencontro
16:50 – Amanhã
19:10 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
21:35 – Tour de France

Cinépolis

19:00 – Uma Agente Muito Louca
21:30 – O Filho Uruguaio

***

SÁBADO 17

Cinespaço
14:30 – Perdidos em Paris
16:15 – Uma Agente Muito Louca
18:20 – Uma Família de Dois
20:35 – O Reencontro

Cinépolis
19:00 – Rodin
21:30 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama

***

DOMINGO 18

Cinespaço
14:30 – Duas Garotas Românticas
16:55 – A Viagem de Fanny
18:50 – Um Instante de Amor
21:10 – Rodin

Cinépolis
19:00 – Frantz
21:30 – Um Perfil para Dois

***

SEGUNDA 19

Cinespaço
14:30 – Frantz
16:45 – Na Cama com Victoria
18:45 – Tal Mãe, Tal Filha
20:40 – Um Perfil para Dois

Cinépolis
19:00 – A Viagem de Fanny
21:30 – Tour de France

***

TERÇA 20

Cinespaço
14:30 – Coração e Alma
16:30 – Um Perfil para Dois
18:30 – Tour de France
20:25 – Na Vertical

Cinépolis
19:00 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
21:30 – Na Cama com Victoria

***

QUARTA 21

Cinespaço
14:30 – Uma Família de Dois
16:45 – Rock’n Roll – Por Trás da Fama
19:10 – Frantz
21:25 – A Vida de uma Mulher

Cinépolis
19:00 – Amanhã
21:30 – Perdidos em Paris

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