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“Moana – Um Mar de Aventuras” (2016)

4 – MOANA – UM MAR DE AVENTURAS

por Renato Félix

Em determinado momento de Moana – Um Mar de Aventuras, o semideus polinésio Maui a chama – com desdém – de princesa. “Não sou uma princesa”, ela retruca. “É a filha do chefe, é a mesma coisa”, rebate ele, e emenda: “Se usa um vestido e tem um bichinho de parceiro, é uma princesa”. A personagem-título de sua nova animação é mais uma tentativa da Disney de dar um passo à frente na modernização do conceito de “princesa”, um patrimônio cultural e de marketing do estúdio desde Branca de Neve, em 1937.

Moana não é uma princesa decorativa: é treinada para um dia governar. Desafia o pai o tempo todo no seu contrasenso de comandar um povo da Polinésia e ter medo do mar. Um dia, o destino faz a menina navegar como seus antepassados para encontrar Maui e reverter uma maldição que chega à sua ilha.

Se em A Princesa e o Sapo (2009), a princesa resiste ao romance por aspirações profissionais (mas se rende no decorrer do filme), se em Valente (2012) a princesa rejeitava seus pretendentes, e se em Frozen (2013) o príncipe se revelava o vilão (e o verdadeiro interesse amoroso estava em segundo plano), nesta progressão agora não há qualquer sinal de príncipe encantado à vista. A relação entre Moana e Maui está mais para irmão mais velho/ irmã caçula.

Mas mesmo com esse esforço de modernização, em termos de narrativa ainda é difícil não relacionar motivações e parte da jornada de Moana às de outras princesas Disney, como Ariel, de A Pequena Sereia (1989, dos mesmos diretores John Musker e Ron Clements) ou Belle, de A Bela e a Fera (1991).

Como Ariel, Moana tem curiosidade pelo mundo além das fronteiras do seu, mas é tolhida pelo pai. As duas possuem, ainda no primeiro terço de seus filmes, uma canção de “eu anseio por mais”, assim como outras princesas Disney. Foi “Part of your world” para Ariel em A Pequena Sereia, “Almost there” para Tiana em A Princesa e o Sapo (outro Musker-Clements), “When will my life begin?” para Rapunzel em Enrolados (2010), e é “How far I’ll go” em Moana.

É uma bela canção (que está indicada ao Oscar) de uma bela trilha, que reflete um cuidado da produção ao trabalhar com a cultura local. As canções ficaram a cargo de uma parceria entre o letrista novaiorquino Lin-Manuel Miranda e o músico Opetaia Foa’i. Dos números musicais, o melhor é “You’re welcome”, em que Maui (Dwayne Johnson no original; o cantor de musical Saulo Vasconcellos, na versão brasileira) bravateia seu heroísmo, com ótimos recursos visuais.

O visual arrebatador é um dos pontos em que Musker e Clements mostram a competência de sempre. Assim como no carisma dos personagens e um humor que sobrevive a certos atalhos fáceis e desnecessários do roteiro, como os bichinhos que não contribuem em nada para a trama (apesar de o galo burro ser ocasionalmente engraçado). Ou como o mar “vivo” que ajuda a heroína, que sempre parece um recurso forçado (embora também tenha ocasionalmente sua graça).

Aliás, a relação de Moana com o mar podia ser mais próxima na introdução da história. Embora ela seja naturalmente atraída por ele e, além disso, seja “a escolhida” desde bebê para reverter a maldição, não há nenhuma cena da garota em intimidade com o mar, mesmo morando em uma aldeia à beira-mar. Nem um simples mergulho.

No fim, Musker e Clements, oriundos das animações feitas à mão, fazem uma estreia muito boa na animação digital. É uma pena, somente, que isso signifique mais uma pá de cal nos longas feitos à mão, que renderam vários dos melhores exemplares do gênero. O último longa para o cinema a sair da própria Disney foi justamente A Princesa e o Sapo, já há seis anos.

Moana – Um Mar de Aventuras. Moana. Estados Unidos, 2016. Direção: John Musker, Ron Clements. Vozes na dublagem original: Auli’i Cravalho, Dwayne Johnson, Rachel House. Vozes na dublagem brasileira: Any Gabrielly, Saulo Vasconcelos, Saulo Javan, Mariana Elisabetsky. No cinema (Cinespaço MAG). Revisão.

Aqui vamos para mais uma lista de títulos nacionais esdrúxulos. Essa é a referente aos lançamentos nos cinemas pessoenses em 2014. Evidente que o post não está em questão a qualidade dos filmes e nem sendo bobo de exigir 100% de fidelidade à tradução literal. Cada caso é um caso, como vemos a seguir.

1. Walt nos Bastidores de Mary Poppins – O título original, Saving Mr. Banks, tem íntima ligação com a trama de Mary poppins e as motivações de P.L. Travers para escrever a história – o que, afinal, é o mote principal do filme. Chamar o título por Disney, porque seria mais “familiar” ao espectador (ou pra puxar a sardinha para a “casa”, já que o filme é da própria Disney), já é ruim, mas toda essa construção “nos Bastidores de Mary Poppins” é péssima. Ainda mais porque esses “bastidores” se resumem ao processo de adaptação do roteiro e composição das músicas. O título resultou enorme, esquisito, desconjuntado. Tudo errado, tudo errado.

2. O Físico – O personagem principal não é físico, nem é um marombado. É médico, que é o que “physician” significa. Esse é da Imagem Filmes.

3. Débi & Lóide 2 – Débi & Lóide – Dois Idiotas em Apuros deve ser o único caso de um filme que tem duas “partes 2”. Entenda a confusão: o primeiro filme (Dumb & Dumber, no original, ou “burro e mais burro”) é de 1994. Em 2003, foi lançado Dumb and Dumberer – When Harry Met Lloyd (“Burro e ainda mais burro: quando Harry conheceu Lloyd”), um prelúdio sem o elenco original e que aqui virou Debi & Lóide 2 – Quando Débi Conheceu Lóide. Aí, eis que em 2014 Jim Carrey e Jeff Daniels voltam aos personagens. E o título brasileiro da nova continuação, a – na prática – parte 3, o segundo da Imagem Filmes na lista, ignora na cara dura o filme anterior. O original, que faz um trocadilho com o número dois, mas não o usa explicitamente (Dumb and Dumber To), dribla esse problema.

4. O que Será de Nozes? – O protagonista é um esquilo, claro. Esse é do tipo que o cara diz e cutuca o outro com o cotovelo, dizendo: “Hein? Hein?”. Para ser justo, suponho que o original também seja um trocadilho: The Nut Job (de “nose job”, que é como chamam as cirurgias plásticas no nariz). Mesmo assim. Da Diamond Films.

5. Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola – O original significa “Um milhão de maneira de morrer no Oeste”. Mas é uma comédia, então temos que ser engraçados já no título, não é? Obra da Universal.

6. Uma Juíza sem Juízo – Desculpe o meu francês, mas acho que o título original quer dizer “empreendimento de 9 meses”, referindo-se à gravidez inesperada da juíza protagonista do filme. Mas é uma comédia, então (ver o número 4)… Esse é da Mares Filmes.

7. November Man – Um Espião Nunca Morre – O que é um “november man”? Não estou certo, mas como Pierce Brosnan faz um espião que já não é um menino, suponho que seja uma metáfora com o ano no fim. Bom, em português a expressão não faz o menor sentido. Para que deixá-la no título, PlayArte?

8. Transcendence – A Revolução – Outro caso em que a tradução ficou “muito difícil”. Transcendence e não “Transcendência”. Pior é que Portugal nem pra me ajudar aqui: lá também ficou Transcendence com um subtítulo: A Nova Inteligência. Pelo menos é melhor que o nosso, da Diamond.

9. Operação Big Hero – O título original da animação da Disney é o nome do grupo de super-heróis que é formado no filme. O nacional leva “big hero”, sem traduzir (é “grande herói”, muito difícil), a se referir apenas ao robô inflável da história.

10. Hércules – O problema não é o filme se chamar Hércules. O problema é ter dois no mesmo ano com o mesmíssimo título. O primeiro, lançado no começo do ano, no original é “A lenda de Hércules”. O segundo é só Hercules, mesmo, mas no Brasil o outro havia sido lançado há pouco tempo. Custa não confundir o espectador? Aliás, registre-se que o segundo filme é uma continuação da história clássica do semideus grego, com uma trama original. Se chamar só de Hércules, como se fosse a trama clássica dos doze trabalhos e tal, é meio pegadinha. O primeiro é da Diamonds, sua terceira aparição na lista; o segundo, da Paramount.

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RETROSPECTIVA 2014:
Eleição Melhores do Ano
Meus melhores do ano
Musas/ Cinema em 2014
50 filmes que não passaram nos cinemas de João Pessoa em 2014

Chega ao fim nossa 10ª eleição dos Melhores do Ano. Nela, nós (eu e quem mais quis votar) os melhores filmes exibidos nos cinemas de João Pessoa em 2015. O resultado consagrou a animação Divertida Mente, da Pixar – que também ficou em primeiro na minha lista pessoal de melhores do ano.

Veja na imagem o top 10 de 2015 e confira na página da eleição um pouco sobre cada um e a relação completa dos filmes e suas médias. Sabe em que posição terminou o novo Star Wars? E o segundo Vingadores?

Top 10 2015

Procurado Dory, a continuação de Procurando Nemo (2003), ganhou seu primeiro teaser trailer nacional (não sei qual a diferença desse pra um trailer mesmo). A animação segue um deslumbre, mas tudo ainda tem cara de repetição. Vamos ver. O filme, agora, é centrado na busca da peixinha que vive com falta de memória pela família que um dia esqueceu e da qual agora lembrou. Estreia no Brasil em 30 de junho.

A seguir, os meus melhores filmes de 2015, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 163 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (419 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). É um a menos que no ano passado, pertinho do recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro foi de 25,76% dos filmes em cartaz, só um pouco menor que no ano passado, quando chegou a 26,8%, melhor marca desde que começamos a contar. Em números brutos, são 42 este ano contra 44 em 2014. Em 2013, foram 32.

Divertida Mente

Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza: confusão de sentimentos

1 – DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter

A Pixar deu uma aula de emoção dentro da mente de uma pré-adolescente. Acompanha ao mesmo tempo a vida dessa menina cujo mundo vira de cabeça para baixo quando a família se muda de cidade e suas emoções básicas personificadas. Tudo vira uma bagunça quando a Alegria e a Tristeza somem da sala de comando. O lance genial é justamente descobrir a beleza e a importância da Tristeza na vida de todos nós. Crítica no Boulevard

Que Horas Ela Volta

Camila Mardila e Regina Casé: filha e mãe que pensam diferente

2 – QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert

Conseguiu combinar algo dificílimo no cinema brasileiro: a crítica social e o drama de personagens que conquistam o espectador. Regina Casé lembra a grande atriz que é como a Val, empregada em uma casa rica, que recebe a filha que vai prestar o vestibular. A outra mentalidade da moça, que não se acha inferior a ninguém, sacode a vida de patrões e empregados e ajuda o filme a colocar em xeque uma herança social incômoda . Crítica no Boulevard

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorancia

Michael Keaton e a sombra dele mesmo o atormentando

3 – BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñarritu

O falso plano-sequência único (construído a partir de diversos planos-sequência de verdade e efeitos visuais) é de embasbacar. Mas além disso o filme transpira a angústia de seu protagonista e possui grandes interpretações de todo o elenco (Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone à frente) para um mergulho na necessidade e perigos de fazer arte.

Daisy Riodley, John Boyega (e BB8): filme confia (e faz bem em confiar) nos novos personagens

Daisy Ridley, John Boyega e BB-8 sustentam muito bem o filme

4 – STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, de J.J. Abrams

Com cerca de meia hora já adentradas do episódio VII de Guerra nas Estrelas, o espectador pode se dar conta de que nenhum dos personagens clássicos apareceu ainda e ele está acompanhando apenas as aventuras do novos rostos da série (Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e, claro, o andróide BB-8). Um início corajoso que compensa muito uma rendição excessiva à trilogia original na repetição de certas situações. No fim, há um equilíbrio admirável entre essa herança que nos fez esquecer a trilogia-prelúdio e esperar ansiosamente pelo que o futuro reserva. Crítica no Boulevard

Mad Max - Estrada da Fúria-08

5 – MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller

É incrível pensar que, 30 anos depois, a franquia Mad Max voltaria com o mesmo diretor e uma disposição de se reinventar radicalmente. Semelhante ao segundo filme, o personagem principal é metido em uma situação onde ele é quase testemunha: a fuga de mulheres usadas como reprodutora pelo líder de uma cidade que detém o poder através da posse de um líquido precioso. O que nos anos 1980 era a gasolina, refletindo a crise do petróleo, agora é água. As fugitivas são lideradas por uma feroz Charlize Theron com um braço só. A trama se resume a uma gigantesca fuga sobre rodas pelo deserto, uma estilizada ode ao movimento com o visual alucinado do qual Miller é mestre. Diário de filmes no Boulevard

Pequeno Principe-2015-05

6 – O PEQUENO PRÍNCIPE, de Mark Osborne

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há trilha irrestistível, com canções de Camille.

Mistress America-12

7 – MISTRESS AMERICA, de Noah Baumbach

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há a trilha irresistível, com canções de Camille.

Perdido em Marte

8 – PERDIDO EM MARTE, de Ridley Scott

Não é de hoje que Hollywood é fascinada com a paisagem marciana. E Scott não deixa de usar o que pode dessa paisagem em um filme que também se arrisca e acerta ao passar um tempo considerável apenas com Matt Damon em cena. O bom humor de seu personagem faz não só sua vida menos difícil como ajuda também o espectador nessa travessia.

 

Conto da Princesa Kaguya-04

9 – O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata

A história da princesinha que nasce em um broto de bambu e é encontrada por um lavrador é contada por delicadeza ímpar nessa produção do Studio Ghibli. Um dos filmes mais bonitos do ano.

Ponte dos Espioes-10

10 – PONTE DOS ESPIÕES, de Steven Spielberg

No auge da guerra fria, o advogado de uma companhia de seguros é jogado dentro de uma trama em que precisa defender um espião soviético capturado nos EUA e depois negociar sua troca por outro, americano, preso na Alemanha Oriental. A recriação de um clima paranoico dos dois lados e descobrir a humanidade no “inimigo” são alguns dos méritos desse thriller.

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Este ano marca os 75 anos do Pernalonga. Para celebrar, já apresentei aqui um top 10 dos desenhos do coelho dirigidos por Chuck Jones, seu maior mestre. Agora, vamos a mais dez antológicos curtas do personagem, um top 10 de seu outro grande diretor: Isadore “Friz” Freleng. Seu começo na animação data dos anos 1920 e ele chegou ao seu auge na mesma época em que Jones: com os curtas do coelho nos anos 1940 e 1950. Seguem os meus 10 preferidos (quatro deles com o Eufrazino!):

“Mutiny on the Bunny” (1950)

10. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Friz Freleng gostava muito de usar o Eufrazino como adversário do Pernalonga. Os cenários podiam mudar e ser, por exemplo, em alto-mar, em que o bigodudo contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio.

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Hare Brush

“Hare Brush” (1955)

9. HARE BRUSH/ TROCA DE SORTE (1955)

Hortelino, louco, pensa que é um coelho. Engana o Pernalonga para ficar em seu lugar no hospital. O coelho, então, é confundido pelo psicólogo (“É o pior caso que já vi!”) e é hipnotizado para voltar a ser o Hortelino. E, como tal, vai á caça do coelho. Basicamente é uma piada só: ver um personagem se comportando como o outro, uma espécie de vingancinha que Freleng proporcionou ao Hortelino, Mas quem resiste à frase “Eu sou Elmer, o milionário. Possuo uma mansão e um iate”?

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Rhapsody Rabbit

“Rhapsody Rabbit” (1946)

8. RHAPSODY RABBIT/ CONCERTO SEM DÓ (1946)

Todo desenho clássico que se preza tem algum curta envolvendo música clássica. Mickey e Donald têm Mickey, o Maestro (The Band Concert), de 1935. Tom & Jerry têm The Cat Concerto (1947). Pernalonga tem vários deles, de maneiras diferentes, e um dos grandes é este, que coloca o coelho como pianista sofrendo para apresentar uma obra de Liszt (plot semelhante a The Cat Concerto, que veio depois).

Assista com som original.

Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

7. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Little Red Riding Rabbit” (1944)

6. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

Assista com o som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

5. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente realmente à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

Assista com o som original.

“A Hare Grows in Manhattan” (1947)

4. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

Assista com o som original.

“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é curiosamente chamado de Schultz.

Assista com o som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

Assista com o som original

Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Slick Hare/ O Coelho do Dia/ Coelho Saliente (1947), em que o coelho e Hortelino aprontam confusões em um restaurante cheio de estrelas de Hollywood; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes.

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Assista com a dublagem originalAssista com a dublagem da Cinecastro

“O que é que há, velhinho?”, dizia um certo coelho cinza para um certo caçador há 75 anos. No curta A Wild Hare (1940), de Tex Avery, Pernalonga aparecia pela primeira vez completamente desenvolvido, após dois anos de protótipos aparecendo em quatro curtas da Warner. Foram vários os animadores a contribuir para o estrelato do coelho, mas quatro se destacam: Bob Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson.

Juro que tentei fazer um top 10, mas não consegui (no CORREIO, fui mais objetivo e saiu um). Assim, optei por três top 10 do Pernalonga: um só com os desenhos de Chuck Jones (todos com roteiro de Michael Maltese), outro só com Friz Freleng, e um terceiro com os demais diretores.

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). O alvo do coiote, aqui, é o coelho, a quem ele aristocraticamente se apresenta já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Assista com o som original

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Assista com o som original

“Rabbit Seasoning” (1952)

8. RABBIT SEASONING/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese), este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

“Rabbit Hood” (1949)

7. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Assista com o som original / Cena com a dublagem da Cinecastro

“Bully for Bugs” (1953)

6. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Assista com o som original

“Beanstalk Bunny” (1955)

5. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

De novo Pernalonga, Patolino e Hortelino juntos, mas numa ambientação diferente. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Assista com o som original

“Ali Baba Bunny” (1957)

4. ALI BABA BUNNY/ O TESOURO DE ALI BABÁ (1957)

A parceria com Patolino tem mais um grande momento. Os dois por acaso chegam à caverna dos tesouros roubados de Ali Babá. Mas há um guarda brutamontes que tenta liquidá-los. O coelho só quer sair dali, mas é claro que o pato ganancioso pira diante de tal fortuna. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 35º lugar.

Assista com o som original

“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Assista com o som original

“Rabbit Fire” (1951)

2. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

Antes do primeir lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; What’s Opera, Doc? (1957), primeiro lugar na eleição dos 50 melhores cartoons; Bunny Hugged (1951), no mundo da luta livre; Hare-Raising Hare (1946), a estreia do monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster.

“Rabbit of Seville” (1950)

1. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada  e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Assista com o som original

Assista com uma orquestra tocando a música ao vivo

Assista com a dublagem da Cinecastro

O que entra na quinta, o que fica até quarta e o que continua em cartaz nos cinemas paraibanos (João Pessoa, Campina Grande, Patos e Remígio).

Estreias 08.20

JOÃO PESSOA

Entram quinta em JP:
– ‘O PEQUENO PRÍNCIPE’ (Cinépolis Manaíra [3D dub]; Cinespaço MAG [3D leg, 3D dub]; Cinesercla Tambiá [3D dub])
– ‘LINDA DE MORRER’ (Cinépolis Manaíra [2D em port]; Cinespaço MAG [2D em port]; Cinesercla Tambiá [2D em port])
– ‘EXORCISTAS DO VATICANO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])

Volta em JP:
– ‘A DOCE VIDA’ (Cinespaço MAG [2D leg])

Só até quarta em JP:
– ‘HOMEM-FORMIGA’ (Cinépolis Manaíra [3D leg, 3D dub])
– ‘QUE MAL EU FIZ A DEUS?’ (Cinépolis Manaíra [2D leg]; Cinespaço MAG [2D leg])
– ‘MINIONS’ (Cinépolis Manaíra [3D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘JOGADA DE MESTRE’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘SOBRENATURAL – A ORIGEM’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘VOO 7500’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘PIXELS’ (Cinépolis Manaíra [2D dub, 3D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])

Continuam em JP:
– ‘MISSÃO IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinespaço MAG [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘O CONTO DA PRINCESA KAGUYA’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘SOBRE AMIGOS, AMOR E VINHO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– ‘QUARTETO FANTÁSTICO’ (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinespaço MAG [2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘A ESCOLHA PERFEITA 2’ (Cinépolis Manaíra [2D leg]; Cinespaço MAG [2D leg]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ‘CARROSSEL – O FILME’ (Cinépolis Manaíra [2D em port]; Cinesercla Tambiá [2D em port])

 

CAMPINA GRANDE (Cinesercla Partage)

Entram quinta em CG:
– ‘LINDA DE MORRER’ [2D em port]

Só até quarta em CG:
– ‘MINIONS’ [2D dub]

Continuam em CG:
– ‘MISSÃO IMPOSSÍVEL – NAÇÃO SECRETA’ [2D leg, 2D dub]
– ‘QUARTETO FANTÁSTICO’ [2D dub])
– ‘A ESCOLHA PERFEITA 2’ [2D leg]
– ‘CARROSSEL – O FILME’ [2D em port]
– ‘PIXELS’ [2D dub]

 

PATOS (Cine Guedes)

Não enviou a programação.

 

 

 

REMÍGIO (Cine RT)

Continuam em Remígio:
– ‘DIVERTIDA MENTE’ [2D dub]
– ‘O EXTERMINADOR DO FUTURO – GENESIS’ [2D dub]
– ‘MEU PASSADO ME CONDENA 2’ [2D em port]

A vilã é um achado visual, mas os excessos atrapalham

Sem borda - 2,5 estrelas

Preguiça amarela

Tendo roubado a cena nos dois Meu Malvado Favorito (2010 e 2013), os ajudantes amarelos do vilão Gru ganharam alguns curtas só para eles e, agora (como Os Pinguins de Madagascar), um longa: Minions (Minions, Estados Unidos, 2015). Eles continuam uma graça, é verdade, e por isso é uma pena que o filme de Kyle Balda e Pierre Coffin, ache na maior parte do tempo que só isso basta.

Há boas ideias no filme, mas quase sempre exploradas com preguiça ou sufocadas por piadas irregulares. É um bom começo, por exemplo, os minions através do tempo, com vários vilões. É algo que poderia tomar mais tempo, mas fica só na introdução.

Ok, situar a trama em 1968 é um grande achado visual. O filme capricha no cenário e lota a tela de referências culturais (a maioria óbvias e citadas sem muita inspiração). O design da vilã Scarlett Overkill, em particular, é ótimo. Mas a personagem – dublada por Sandra Bullock no original e por Adriana Esteves na versão nacional – é cheia de excessos na tentativa de, na marra, ser mais engraçada. O nome dela contém “over”, mas não é necessário ir longe demais nisso. A dupla de cineastas e seus roteiristas ganhariam muito descobrindo que muitas vezes menos é mais.

Há, por exemplo, aquela família que dá carona aos minions para a convenção de vilões em Orlando. Uma subtrama péssima, histérica, sem qualquer graça (e com seus personagens irritantes ainda voltando depois de sua pouca utilidade na trama ter encerrado). É só um dos aspectos de um filme preguiçoso, que vai sempre pelo caminho que parece mais fácil.

Brigando com tudo isso estão os próprios minions: o trio Stuart, Kevin e Bob, designado para deixar o refúgio da raça e procurar seu próximo vilão a servir. E eles fazem o que podem: desfilam charme por entre algumas piadas boas e outras francamente óbvias demais e evitam, pelo menos, que o filme seja uma completa perda de tempo.

Minions. Minions. Estados Unidos, 2015. Direção: Pierre Coffin, Kyle Balda. Vozes na dublagem original: Sandra Bullock, Jon Hamm, Michael Keaton, Allson Janney, Steve Coogan, Jennifer Saunders, Steve Carell. Narração: Geoffrey Rush. Vozes na dublagem brasileira: Adriana Esteves, Vladimir Brichta.

Saiu o primeiro trailer do próximo filmes da Disney/ Pixar: O Bom Dinossauro. O filme parte da seguinte premissa: e se o meteroro que erradicou os dinossauros tivesse errado o alvo? O trailer é um clipe emotivo focando a amizade entre um dinossauro desengonçado e uma criança humana das cavernas. Parece meio convencional, por enquanto, mas a premissa dá pano pra manga. Mas depois de Divertida Mente, a responsabilidade é grande. É o longa filme de Peter Sohn dirigindo. A estreia no Brasil é 17 de dezembro.

Divertida Mente

Raiva (Léo Jaime), Nojinho (Dani Calabresa), Alegria (MIá Mello), Medo (Otaviano Costa) e Tristeza (Katiuscia Canoro): a sala de controle da mente está prestes a sair do controle

Sem borda - 05 estrelas

Roda viva de emoções

Na sala de controle da mente de uma menina de 11 anos, as emoções trabalham juntas para manter tudo sobre controle. Riley é uma criança feliz, então a Alegria domina a cena, secundada pela Raiva, o Nojinho e o Medo, enquanto a Tristeza é sempre deixada meio de escanteio, sem muito o que fazer. Mas a menina precisa enfrentar uma nova realidade, o que balança o coreto de suas emoções, que viram uma bagunça. É o tema de Divertida Mente (Inside Out, Estados Unidos, 2015), animação da Disney/ Pixar atualmente em cartaz.

Depois de alguns filmes meio no piloto automático, a Pixar entrega um filme no nível de excelência de Procurando Nemo (2003), Ratatouille (2007), Wall-E (2008) e Toy Story 3 (2010). Na direção, o mesmo Pete Docter que supera seus já ótimos Monstros S.A. (2001) e Up – Altas Aventuras (2009).

A imaginação do que acontece por dentro de Riley quando ela muda de Minnesota, onde viveu a infância, para uma desconhecida e a princípio problemática San Francisco, é nada menos que brilhante. É uma mudança difícil, para não dizer traumática.

Agora pense nos seus filhos: se tudo correr bem, as crianças são mesmo dominadas pela alegria em seus primeiros anos. Mas chega inevitavelmente o momento em que as coisas ficam confusas e é preciso encarar a tristeza por alguma coisa. Nós, claro, evitamos como podemos que a tristeza domine nossos pequenos. É dessa forma que a Alegria age no filme: ela nem mesmo entende por que a Tristeza está ali e, para evitar que Riley fique para baixo, a todo custo impede a Tristeza de fazer alguma coisa.

O filme, no fundo, é sobre isso: descobrir a importância (e até a beleza) da tristeza em nossas vidas. Entender que – apesar de querermos – ninguém é feliz sempre e ficar triste faz parte da vida, e uma parte importante. Como cenário está o momento de mudança dessa garota, em que sua personalidade (visível através das “ilhas” de honestidade, família, hóquei e bobeira) está mudando e as memórias de infância vão ficando para trás.

Crescer não é fácil pra ninguém, mas aqui isso é mostrado de maneira até épica (já que as escalas são maiores no mundo “dentro da mente”). Acidentalmente expulsas da sala de controle, Alegria e Tristeza precisam voltar com memórias fundamentais de Riley. Enquanto isso, as emoções da garota ficam confusas e a levam a atitudes extremas que ela não tinha antes. O que é mostrado em cenas grandiosas, como uma ilha de personalidade ruindo ou em detalhes como a cor do “céu” em sua mente.

A dupla passa pelo arquivo de memórias, a terra da imaginação, o trem do pensamento, a escuridão do subconsciente, os sonhos e pelas memórias que vão sendo apagadas para sempre. Tudo é orquestrado por um roteiro firme e ostentando um design elaborado.

Sem dúvida, é um filme que tem o mérito de não tentar agradar as crianças pelo caminho mais fácil. Embora não deixe de ter personagens fofinhos e cores vivas, ele não se acomoda no encantamento infantil e busca um “algo a mais” muito bem-vindo. Mesmo que o filme vá em direção àquele clímax grandiloquente já esperado da aventura, a resolução é inteligente e o conjunto é um primor.

E vale lembrar que a dublagem brasileira também faz um ótimo trabalho, com Miá Mello (Alegria), Katiuscia Canoro (Tristeza), Dani Calabresa (Nojinho), Léo Jaime (Raiva) e Otaviano Costa (Medo) sempre soando como personagens e nunca como celebridades contratadas.

Divertida Mente é uma animação que torna visíveis conceitos complexos e abstratos. Não possui romance ou vilões propriamente ditos. E mostra a incrível roda viva interna que todos nós acabamos sendo uma vez ou outra.

Divertida Mente. Inside Out. Estados Unidos, 2015. Direção: Pete Docter. Vozes na dublagem brasileira: Miá Mello, Katiuscia Canoro, Dani Calabresa, Otaviano Costa, Léo Jaime.

Em um ano com Godard em 3D, o novo da Pixar e o novo Guerra nas Estrelas tem que ter espaço nos destaques para Snoopy & Charlie Brown – Peanuts, o Filme, que a Blue Sky lança em novembro. Eu não posso deixar de sorrir a cada trailer. Mais um foi lançado hoje.

Tom e Jerry - 1946 - The Cat Concerto

‘The Cat Concerto’, 1946: fase mais clássica e um dos sete Oscars da dupla

Perseguição sem fim

Qual o tempo de vida médio de um gato? E de um camundongo? Bom, isso não importa para Tom & Jerry. A dupla chega aos 75 anos de criação em plena forma: estrelando uma nova série animada que estreou no ano passado no Canadá e nos Estados Unidos. Seus clássicos também passam diariamente na TV e estão disponíveis em DVD e blu-ray. É uma perseguição sem fim.

Tom e Jerry - 2014

‘O Show de Tom & Jerry’: a nova (e muito boa) versão da dupla

A nova série, O Show de Tom & Jerry, teve sua primeira temporada exibida pelo Cartoon Network no ano passado e agora faz parte do canal Boomerang (diariamente às 10h e às 22h), que também exibe as versões antigas. E são várias essas versões. A nova animação propõe um diálogo maior com os clássicos dirigidos por Hanna-Barbera nos anos 1940 e 1950, inclusive usando os mesmos efeitos sonoros, mas Tom & Jerry mudaram bastante ao longo dos anos.

'Puss gets the boot', 1940: a estreia de Tom (ainda Jesper) e Jerry

‘Puss gets the boot’, 1940: a estreia de Tom (ainda Jesper) e Jerry

Para começar, os primeiros 161 episódios com a dupla foram produções feitas para o cinema. William Hanna e Joseph Barbera dirigiram o primeiro deles, Puss Gets the Boot, e os 113 seguintes para a Metro-Goldwyn-Mayer. O primeiro deles deveria ser apenas um curta isolado. Tom aparecia com outro nome: Jasper. E o nome de Jerry nem aparecia. O desenho ainda é exibido e fácil de reconhecer: é aquele em que o ratinho se aproveita da ameaça da dona da casa, Mammy Two Shoes (a mulher de meia-idade negra de quem só vemos suas pernas e o avental – seu rosto só aparece uma vez na série, e a jato), de expulsar o gato se algum vaso for quebrado e enlouquece o bichano derrubando tudo até conseguir quebrar alguma coisa.

Esse curta, indicado ao Oscar, foi produzido por Rudolh Ising. Fred Quimby produziu a série até 1955, período em que a animação da série passou a ter traços mais leves, mas ágeis e o nível de violência subiu gradativamente, espelhando as animações loucas de Tex Avery, também diretor na Metro.

Também é o período em que Tom & Jerry se tornaram os personagens mais premiados do Oscar. Seus filmes venceram sete vezes a categoria de melhor curta de animação: The Yankee Doodle Mouse (1943), Mouse Trouble (1944), Quiet, Please! (1945), The Cat Concerto (1946), The Little Orphan (1948), The Two Mouseketeers (1952) e Johann Mouse (1953). Além desses, a série teve outras seis indicações. A fama era tanta que apareceram no filme Marujos do Amor (1945; Jerry dança com Gene Kelly) e ao lado de Esther Williams em Salve a Campeã (1953).

'Busy Buddies', 1957: traços mais leves e família branca

‘Busy Buddies’, 1957: traços mais leves, Cinemascope e família branca

Em 1956, Quimby se aposentou e a dupla Hanna-Barbera assumiu também a função de produtora. A série teve uma mudança grande no visual a partir daí.

Mammy Two Shoes já não aparecia desde 1952. Visto como um estereótipo racista, suas aparições foram editadas e até substituídas por uma mulher branca quando alguns episódios foram para a TV. Mammy, no entanto, foi depois considerada inofensiva: e até uma qualidade do desenho em mostrar uma personagem negra que vivia bem, num período em que o estereótipo dominava. A personagem voltou na série de TV de 2006, mas branca.

Outras cenas, traziam os personagens com a cara pintada de preto para emendar no estereótipo, atitude comum na época, mas que depois se tornou uma séria ofensa racial nos Estados Unidos. Alguns episódios foram limados de compilações em DVD e depois inseridos, mas com aviso sobre o “possível material ofensivo”. O Cartoon Network do Brasil  chegou a censurar dois curtas.

A partir de 1954, os donos de Tom, passam  a ser um casal branco. Em 1956, a mostrar o rosto. Os traços passam a ser mais finos, as cores mais claras e o design reflete bem mais os anos 1950. A produção passou de vez a ser produzida na tela larga do Cinemascope, a tentativa do cinema de combater a concorrência da TV.

'Switchin' kittin'', 1961: fase bem menos requintada, produzida em Praga

‘High steaks’, 1962: fase bem menos requintada, produzida em Praga

Mas a MGM fechou seu estúdio de animação em 1957. Em 1961, encomendou 13 episódios à Rembrandt Films, que produziu os curtas em Praga, Tchecoslováquia (hoje, República Tcheca). Animação com bem menos refinamento, produzida por William L. Snyder e dirigida por Gene Deitch, americano trabalhando em Praga, que havia sido animador da UPA e nem mesmo gostava de Tom & Jerry. Tom agora era o mascote de um homem nervoso e coadjuvantes recorrentes como o cão Spike, o gato Butch e o camundongo Espeto deixaram de aparecer.

'The Unshrinkable jerry Mouse', 1964: a fase de Chuck Jones, com tudo o que ele herdou dos Looney Tunes

‘The Unshrinkable Jerry Mouse’, 1964: a fase de Chuck Jones, com tudo o que ele herdou dos Looney Tunes

Muito melhor foi a versão de Chuck Jones, de 1963 a 1967, que trazia muito do que o diretor havia feito com os Looney Tunes na Warner Bros. (a semelhança entre Tom e o Coiote que caçava o Papa-Léguas é inegável). Jones, que havia sido demitido da Warner, havia criado a independente Sib Tower 12 Productions.

Muitas vezes brilhante e com personalidade própria, esses 34 desenhos têm cores vivias, um grande uso da música, personagens muito expressivos e o timing cômico típico de Jones, que produziu todos e dirigiu a maior parte deles. Reunidos, são um pequeno clássico dentro do universo de Tom & Jerry, o suficiente para serem lançados em uma coleção própria (no Brasil, em dois volumes, onde eles finalmente puderam ser vistos em widescreen, após muitos anos sendo exibidos na TV com as bordas cortadas). Foram os últimos curtas de Tom & Jerry para o cinema (até ser lançado um curta isolado em 2005).

'The Tom & Jerry Show', 1975: amiguinhos na primeira série de TV

‘The Tom & Jerry Show’, 1975: amiguinhos na primeira série de TV

A dupla passou a ter uma nova vida na TV. Primeiro com a exibição dos curtas já existentes. Oito anos depois do último curta de Chuck Jones, vieram as produções para a televisão, começando com The Tom and Jerry Show (1975-1977), produção da Hanna-Barbera que praticamente zerou a violência do desenho, fazendo com que o gato e o rato (agora de gravata borboleta) fossem, na maior parte dos episódios, bons amigos e até parceiros em vários empregos (como veterinários e entregadores)!

Uma fórmula tipo Zé Colmeia-Catatau que durou 48 episódios.

'The Tom and Jerry Comedy Show', 1980: série produzida pela Filmation tinha animação e trilha paupérrimas

‘The Tom and Jerry Comedy Show’, 1980: série produzida pela Filmation tinha animação e trilha paupérrimas

Seguiu-se uma péssima série da Filmation em 1980, que voltou à dinâmica da perseguição, mas era mal desenhada e abusava de uma paupérrima e repetitiva trilha sonora. Repetitivos também eram os movimentos dos personagens, uma limitação típica da Filmation. A série, pelo menos, se esforçou e trazer velhos coadjuvantes de volta.

'Tom & Jerry Kids', 1990: de volta à Hanna-Barbera, na moda da infantilização de personagens

‘Tom & Jerry Kids’, 1990: de volta à Hanna-Barbera, na moda da infantilização de personagens

Uma nova encarnação de Tom & Jerry só apareceria dez anos depois e novamente pela batuta da Hanna-Barbera. Foi Tom & Jerry Kids (1990-1994), um desenho feito na esteira das diversas infantilizações de velhos astros do desenho animado (como Os Flintstones nos Anos Dourados e O Pequeno Scooby-Doo, ambos também da Hanna-Barbera). Não era de passar vergonha, mas também não marcou. Teve quatro temporadas, mais que as duas séries animadas anteriores.

'Aventuras de Tom e Jerry', 2006: bom esforço para voltar ao estilo original

‘Aventuras de Tom e Jerry’, 2006: bom esforço para voltar ao estilo original

Aventuras de Tom & Jerry, já na Warner, em 2006, seria uma tentativa de voltar ao estilo original. A série durou até 2008 e foi a primeira dos personagens na TV produzida em widescreen e primava por uma atualização das situações, investindo em referências pop modernas. Agora, é a vez de O Show de Tom & Jerry tentar se aproximar dos velhos clássicos da dupla.

'Tom & Jerry e o Mágico de Oz', 2011: um bom longa da dupla, direto para vídeo

‘Tom & Jerry e o Mágico de Oz’, 2011: um bom longa da dupla, direto para vídeo

A dupla voltou ao cinema em 1992, mas em um longa-metragem. Tom & Jerry – O Filme tinha uma novidade e tanto: os personagens descobriam que podiam falar. Foi interessante, mas felizmente eles voltaram à rotina da comédia sem diálogos mesmo em longas seguintes. De 2002 para cá, 10 novos longas produzidos direto para vídeo foram lançados (como o muito bom Tom & Jerry e o Mágico de Oz, de 2011, uma refilmagem em animação bastante fiel do clássico de 1939, com o gato e o rato inseridos na trama).

Tudo isso prova que o público vai sempre torcer para que Jerry escape – para, assim, a perseguição nunca acabar. (Renato Félix)

* Versão estendida de matéria publicada em 20 de fevereiro no Correio da Paraíba.

Primo da Roça (Country Cousin, 1936)
Direção: Wilfred Jackson. Produção: Walt Disney.
Vencedor do Oscar de curta de animação de 1937.

A série Silly Symphonies emplaca mais um Oscar. Aqui, o filme começa com a carta em que um primo convida o outro para viver a boa vida da cidade. O do interior aceita o convite e aí vemos que se trata de um ratinho. O que ele encontra na cidade não é, assim, a vida na flauta vendida pelo primo de fraque e cartola, mas que, mesmo bem vestido, ainda tem que driblar o gato para conseguir um pouco de comida. Uma brincadeira com o falso glamour e a vida de aparências que, em Hollywood, já era comum. Não seria surpresa se o curta tiver inspirado Tom & Jerry, que só surgiria em 1940.

http://br.youtube.com/watch?v=3U7adg_yPLM

Aurora Miranda e Pato Donald em "Você Já Foi à Bahia?"

Um grande feito: Aurora Miranda e Pato Donald em “Você Já Foi à Bahia?”

Unir pessoas reais a personagens animados não é novidade nenhuma, o cinema brinca disso desde os primórdios. Em Você Já Foi à Bahia? (1944), a Disney consegue um grande feito ao fazer Aurora Miranda cantar “Os quindins de Iaiá” para Donald e Zé Carioca nas ruas de uma Salvador animada. Aurora, irmã de Carmen e uma grande cantora brasileira da era do rádio, marcou sua trajetória no cinema com esta participação. A cena, no vídeo, é toda a sequência do pato e do papagaio na Bahia, começando pela divertidíssima interpretação de Zé (misturando inglês e português) para “Você já foi à Bahia?”, de Dorival Caymmi. “Os quindins de Iaiá” começa em 2min40seg.

Você Já Foi á Bahia? (1944), dirigido por Norman Ferguson, roteiro de Homer Brightman, Ernest Terrazas, Ted Sears, Bill Peet, Ralph Wright, Elmer Plummer, Roy Williams, William Cottrell, Del Connell, James Bodrer; “Os quindins de Iaiá” composta por Ary Barroso.

Mae Questel e Max Fleischer

Mae Questel e Max Fleischer

A atriz Mae Questel nasceu em 1908, faria 105 anos hoje. Ela fez história no cinema de animação, sendo a voz original de – ninguém menos que – Betty Boop e Olívia Palito, nos curtas dos irmãos Fleischer. Com Betty Boop, ela imortalizou a expressão boop-oop-a-doop, citada até por Marilyn Monroe cantando “I wanna be loved by you” em Quanto Mais Quente Melhor. Questel fez Betty de 1931 a 1939 e reencontrou a personagem em 1988, numa participação em Uma Cilada para Roger Rabbit. Ela teve uma aparição memorável na tela: foi a mãe judia possessiva e controladora desaparecendo em um número de mágica e reaparecendo no céu de Manhattan no segmento de Woody Allen para Contos de Nova York.

Max-Fleischer-and-Betty

O animador e produtor Max Fleischer nasceu em 1883, há 130 anos. Com os irmãos Dave e Joe, fundou o Fleischer Studios, dedicado ao cinema de animação. Ele criou a rotoscopia, sistema em que se desenhava sobre quadros filmados com atores, facilitando o processo e melhorando os movimentos da animação. O estúdio virou uma marca de qualidade e graça com as séries de Betty Boop (que teve problemas com a censura), PopeyeSuper-Homem, além dos desenhos musicais do estilo “siga a bolinha”. Apesar dos sucessos, os Fleischer tiveram problemas financeiros e perderam o estúdio para a Paramount em 1942, que o rebatizou como Famous Studios. Ele continuou trabalhando com animação e morreu em 1972.

https://www.youtube.com/watch?v=TfKTC0yAKmM

Vince Guaraldi

Há 85 anos, em 1928, nasceu o compositor e pianista americano Vince Guaraldi. Ele é mais conhecido por suas músicas e arranjos inovadores como trilha de um desenho animado – no caso, a série dos personagens da tira Peanuts, de Charles M. Schulz. Guaraldi compôs temas antológicos para muitos personagens e situações, a partir do especial de 1965, O Natal de Charlie Brown. Na verdade, antes disso: sua relação com a obra de Schulz começou com sua trilha para um documentário de TV sobre a tira. Guaraldi compôs a trilha de 17 especiais da série e mais o longa Charlie Brown & Snoopy (1968). “Linus & Lucy” se tornou a música-tema da série. Vince Guaraldi tem curiosas ligações com o Brasil. Lançou em 1962 um disco com músicas de Tom Jobim e Luiz Bonfá: Jazz Impressions of ‘Black Orpheus’, inspirado no filme que adaptava a peça de Tom e Vinícius. E lançou o disco Vince Guaraldi, Bola Sete and Friends em 1963 – o violonista brasileiro Bola Sete já tinha tocado com Dizzy Gillespie nessa época e integrou o Vince Guaraldi Trio. O autor das músicas de Snoopy, Charlie Brown e sua turma, tão importantes para a série animada, morreu em 1976, aos 47 anos, no mesmo dia em que terminou de gravar a trilha de É o Dia da Árvore, Charlie Brown.

A Flecha do Amor (Who Killed Cock Robin?, 1935)
Direção: David Hand. Produção: Walt Disney.
Indicado ao Oscar de curta de animação de 1936

Mais um título da série Sinfonias Ingênuas que, junto às similares dos outros estúdios, dominaram a premiação nesses primeiros anos da categoria no Oscar. No DVD da série, o próprio Walt Disney aparece explicando que a animação se baseia em versos infantis muito antigos e que acabaram perdendo um pouco o sentido. Aqui, vira um “desenho de tribunal musical”, onde os pássaros tentam descobrir quem matou Cock Robin com uma flechada. A parte mais divertida é a caricatura de Mae West.

Indicado ao Oscar 1936: O Dragão de Chita <<
>> Vencedor do Oscar 1937: Primo da Roça

Meu Amigo Totoro

Hayao Miyazaki é um gênio da animação japonesa e um de seus trabalhos mais marcantes, Meu Amigo Totoro, foi lançado em 1988, há 25 anos. A história das duas filhas de um professor, no Japão do anos 1950, que fazem amizade com espíritos da floresta possui o quociente de ternura e beleza que seriam as marcas consagradas de Miyzazaki, um gênio da animação japonesa – admirado, entre outros pelo pessoa da Pixar.

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