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lena horne, ca. 1940s

30 de junho, há 100 anos: Nasce, em 1917, a cantora, atriz, dançarina e ativista dos direitos civis americana Lena Horne. Desde os 16 anos, belíssima, ela se tornou cantora de nightclubs, sendo depois contratada para filmes em Hollywood. Foi subutilizada em papéis pequenos e em aparições apenas como cantora em musicais da Metro, mas estrelou Uma Cabana no Céu (1943) e Tempestade de Ritmos (1943), ambos de elenco predominantemente negro. Desencantanda com Hollywood, se concentrou em sua carreira de cantora a partir dos anos 1950, se tornando uma das grandes vozes do jazz. Desde os anos 1940 lutou contra a segregação racial nos EUA. Morreu em 2010, aos 92 anos.

Este ano marca os 75 anos do Pernalonga. Para celebrar, já apresentei aqui um top 10 dos desenhos do coelho dirigidos por Chuck Jones, seu maior mestre. Agora, vamos a mais dez antológicos curtas do personagem, um top 10 de seu outro grande diretor: Isadore “Friz” Freleng. Seu começo na animação data dos anos 1920 e ele chegou ao seu auge na mesma época em que Jones: com os curtas do coelho nos anos 1940 e 1950. Seguem os meus 10 preferidos (quatro deles com o Eufrazino!):

“Mutiny on the Bunny” (1950)

10. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Friz Freleng gostava muito de usar o Eufrazino como adversário do Pernalonga. Os cenários podiam mudar e ser, por exemplo, em alto-mar, em que o bigodudo contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio.

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Hare Brush

“Hare Brush” (1955)

9. HARE BRUSH/ TROCA DE SORTE (1955)

Hortelino, louco, pensa que é um coelho. Engana o Pernalonga para ficar em seu lugar no hospital. O coelho, então, é confundido pelo psicólogo (“É o pior caso que já vi!”) e é hipnotizado para voltar a ser o Hortelino. E, como tal, vai á caça do coelho. Basicamente é uma piada só: ver um personagem se comportando como o outro, uma espécie de vingancinha que Freleng proporcionou ao Hortelino, Mas quem resiste à frase “Eu sou Elmer, o milionário. Possuo uma mansão e um iate”?

Assista com som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

Pernalonga - Rhapsody Rabbit

“Rhapsody Rabbit” (1946)

8. RHAPSODY RABBIT/ CONCERTO SEM DÓ (1946)

Todo desenho clássico que se preza tem algum curta envolvendo música clássica. Mickey e Donald têm Mickey, o Maestro (The Band Concert), de 1935. Tom & Jerry têm The Cat Concerto (1947). Pernalonga tem vários deles, de maneiras diferentes, e um dos grandes é este, que coloca o coelho como pianista sofrendo para apresentar uma obra de Liszt (plot semelhante a The Cat Concerto, que veio depois).

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Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

7. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

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“Little Red Riding Rabbit” (1944)

6. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

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“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

5. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente realmente à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

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“A Hare Grows in Manhattan” (1947)

4. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

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“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é curiosamente chamado de Schultz.

Assista com o som original. / Assista com a dublagem da Cinecastro.

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Slick Hare/ O Coelho do Dia/ Coelho Saliente (1947), em que o coelho e Hortelino aprontam confusões em um restaurante cheio de estrelas de Hollywood; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes.

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Assista com a dublagem originalAssista com a dublagem da Cinecastro

A lendária atriz sueca teria completado 100 anos sábado. Ela começou a carreira na Suécia, depois virou estrela em Hollywood, mas não ficou sentada nisso. Sempre perseguiu os bons papéis e os desafios, o que a levou a querer filmar com Rossellini, o papa do neorealismo na Itália. Aí, veio a paixão e ela trocou o marido dentista pelo cineasta italiano, o que levou à ira da turma da moral e dos bons costumes nos EUA.

Depois que a relação acabou (tendo, dela, nascido a futura – lindíssima – atriz Isabella Rossellini), Hollywood recebeu Ingrid de volta de braços abertos. Na maturidade, voltou à Suécia para um encontro de titãs do país com Ingmar Bergman, que não é seu parente. Vencedora de três Oscars, Ingrid morreu em 1982. Aqui estão seus dez grandes momentos, pra mim.

Ingrid Bergman - Indiscreta

“Indiscreta” (1955)

10. INDISCRETA (1958), de Stanley Donen

No segundo encontro com Cary Grant, Ingrid estrela uma comédia-romãntica do co-diretor de Cantando na Chuva. Seus papéis mais famosos eram sempre dramáticos, então é ótimo vê-la mostrando talento em algo mais leve. Já Cary Grant era um especialista no ramo. No filme, Ingrid começa um relacionamento com ele, mas descobre que ele mentia, e, enfurecida, quer vingança.

Ingrid Bergman - Joana d'Arc-02

“Joana d’Arc” (1948)

9. JOANA D’ARC (1948), de Victor Fleming

Com o diretor de …E o Vento Levou (1939) e O Mágico de Oz (1939), ela se arriscou aos 33 anos a viver a adolescente francesa que chegou a liderar o exército do país contra os ingleses na Guerra dos Cem Anos, guiada, segundo ela, por Deus, e morrendo na fogueira após ser presa. Foi sua quarta indicação ao Oscar.

“Assassinato no Expresso Oriente” (1974)

8. ASSASSINATO NO EXPRESSO ORIENTE (1974), de Sidney Lumet

Num elenco cheio de estrelas, Ingrid teve papel de destaque como uma das passageiras do trem onde ocorre o crime investigado por Hercule Poirot, nesta adaptação do livro mais clássico de Agatha Christie. Tanto que ela ganhou o Oscar de atriz coadjuvante, sua terceira estatueta.

Por Quem os Sinos Dobram-06

“Por Quem os Sinos Dobram” (1943)

7. POR QUEM OS SINOS DOBRAM? (1943), de Sam Wood

Depois da heroína romântica de Casablanca, Ingrid mostrou que não ia ficar surfando em um registro apenas. Cortou os cabelos para viver a moça que teve os pais mortos por franquistas na trama de Ernest Hemingway que se passa durante a Guerra Civil Espanhola. Foi sua primeira indicação ao Oscar.

“Anastácia, a Princesa Esquecida” (1956)

6. ANASTÁCIA, A PRINCESA ESQUECIDA (1956), de Anatole Litvak

O filme marcou a volta de Ingrid aos Estados Unidos, após os anos na Itália. A recepção não poderia ser melhor: um papel que deu a ela seu segundo Oscar de melhor atriz. Ela interpreta a mulher com amnésia que é treinada para se passar pela princesa que teria escapado do massacre dos Romanov durante a revolução russa.

“Sonata de Outono” (1978)

5. SONATA DE OUTONO (1978), de Ingmar Bergman

Na maturidade, Ingrid voltou à sua Suécia natal para atuar em um drama do maior cineasta do país, e com o mesmo sobrenome (embora não fossem parentes). Ela interpreta a pianista famosa, uma mãe dura com uma relação dificílima com a filha vivida por Liv Ullman. Foi sua sétima e última indicação ao Oscar.

“À Meia-Luz” (1944)

4. À MEIA-LUZ (1944), de George Cukor

Ingrid é a moça frágil enredada em uma trama na qual o marido (antes gentil, depois cada vez mais sinistro) faz de tudo para que ela enlouqueça. Primeiro Oscar da atriz, que está estupenda como a mulher que vai gradativamente perdendo o controle sobre si mesma. A história inspirou a trama de Daniel Filho e Renata Sorrah em Rainha da Sucata, lembram?

“Stromboli” (1950)

3. STROMBOLI (1950), de Roberto Rossellini

Encantada com neo-realismo italiano, Ingrid resolveu tomar parte daquilo. Se ofereceu para filmar com o diretor e o resultado foi Stromboli, o encontro do neo-realismo com uma superestrela de Hollywood. Ela é a mulher que se casa com um pescador e vai morar nessa vila, Stromboli, sempre ameaçada por um vulcão. Ingrid faria outros cinco filmes com Rossellini.

“Interlúdio” (1946)

2. INTERLÚDIO (1946), de Alfred Hitchcock

Segundo dos três filmes que fez com Hitchcock, ela é obrigada a espionar para os americanos um grupo nazista no Rio de Janeiro. E, para isso, é levada até a casar com o chefe deles. Suspense, espionagem, romantismo em um Rio de back projection e um dos mais notáveis beijos do cinema.

Antes do primeiro lugar, algumas menções honrosas: Intermezzo – Uma História de Amor (1939); O Médico e o Monstro (1941); Quando Fala o Coração (1945); Os Sinos de Santa Maria (1945); Europa 51 (1952); Romance na Itália (1954); Flor de Cacto (1969).

“Casablanca” (1942)

1. CASABLANCA (1942), de Michael Curtiz

Ingrid é Ilsa Lundl, que aparece no Rick’s Cafe Americaine, em Casablanca, no Marrocos, e transforma a vida do dono do bar, Rick (Humphrey Bogart) num inferno. Eles viviam um romance em Paris, bem quando os nazistas invadiram, mas na hora da fuga ela deu o cano e ele nunca se recuperou. E quem vai censurá-lo? Ilsa tem sua justificativa: era casada com um líder da resistência, achava que tinha ficado viúva e, de repente, fica sabendo que o marido estava vivo. Além do compromisso de esposa, se fez valer o compromisso com a causa. Agora, estão todos em Casablanca, ela e o marido tentando chegar a salvo na América e Rick de posse dos salvo-condutos que podem viabilizar isso. Conta-se que, como o roteiro era escrito e reescrito o tempo todo, Ingrid não sabia com quem iria terminar ou por quem deveria estar apaixonada. O que ajudou a compor sua personagem dividida neste clássico imortal. Imortal como a atriz.

“O que é que há, velhinho?”, dizia um certo coelho cinza para um certo caçador há 75 anos. No curta A Wild Hare (1940), de Tex Avery, Pernalonga aparecia pela primeira vez completamente desenvolvido, após dois anos de protótipos aparecendo em quatro curtas da Warner. Foram vários os animadores a contribuir para o estrelato do coelho, mas quatro se destacam: Bob Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson.

Juro que tentei fazer um top 10, mas não consegui (no CORREIO, fui mais objetivo e saiu um). Assim, optei por três top 10 do Pernalonga: um só com os desenhos de Chuck Jones (todos com roteiro de Michael Maltese), outro só com Friz Freleng, e um terceiro com os demais diretores.

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). O alvo do coiote, aqui, é o coelho, a quem ele aristocraticamente se apresenta já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Assista com o som original

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Assista com o som original

“Rabbit Seasoning” (1952)

8. RABBIT SEASONING/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese), este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

“Rabbit Hood” (1949)

7. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Assista com o som original / Cena com a dublagem da Cinecastro

“Bully for Bugs” (1953)

6. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Assista com o som original

“Beanstalk Bunny” (1955)

5. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

De novo Pernalonga, Patolino e Hortelino juntos, mas numa ambientação diferente. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Assista com o som original

“Ali Baba Bunny” (1957)

4. ALI BABA BUNNY/ O TESOURO DE ALI BABÁ (1957)

A parceria com Patolino tem mais um grande momento. Os dois por acaso chegam à caverna dos tesouros roubados de Ali Babá. Mas há um guarda brutamontes que tenta liquidá-los. O coelho só quer sair dali, mas é claro que o pato ganancioso pira diante de tal fortuna. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 35º lugar.

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“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Assista com o som original

“Rabbit Fire” (1951)

2. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Assista com o som original

Bônus! O desenho dublado por mim!

Antes do primeir lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; What’s Opera, Doc? (1957), primeiro lugar na eleição dos 50 melhores cartoons; Bunny Hugged (1951), no mundo da luta livre; Hare-Raising Hare (1946), a estreia do monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster.

“Rabbit of Seville” (1950)

1. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada  e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Assista com o som original

Assista com uma orquestra tocando a música ao vivo

Assista com a dublagem da Cinecastro

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Filme-se a lenda

Henry Fonda é Wyatt Earp, Cathy Dows é Clementine: ela é a civilização chegando a Tombostone

Henry Fonda é Wyatt Earp, Cathy Dows é Clementine: ela é a civilização chegando a Tombostone

John Ford dizia a propósito de Paixão dos Fortes (My Darling Clementine, Estados Unidos, 1946) que tinha ouvido a história de Wyatt Earp da boca do próprio. Não se sabe o que exatamente o ex-xerife contou a ele, mas parece mais ser uma bravata de Ford, na linha da frase assinatura do filme que faria 16 anos depois, O Homem que Matou o Facínora (1962): “Quando a lenda é mais interessante que a verdade, publique-se a lenda”. Mas não é uma bravata: o diretor conheceu mesmo Earp, nos seus primeiros tempos de diretor em Hollywood.

Ford não está interessado na verdade, e, sim, na lenda. Considerado o Homero do cinema, ele construiu uma mitologia sobre o velho oeste americano. Por isso, as polêmicas em torno da vida de Wyatt Earp são deixadas de lado aqui. O vemos, com seus irmãos, chegando aos arredores de Tombstone, conduzindo gado. Embora o nome da cidade seja icônico (significa “tumba” ou “lápide”), ela existe mesmo – a dublagem brasileira a traduziu de modo bem curioso: Cemitério.

Ele não está interessado em confusão, apenas em fazer a barba sossegado na cidade. Mas nem isso ele consegue: um bêbado atirando no saloon em frente mostra que a polícia, ali, é incapaz de resolver até o mais simples problema – ainda de espuma na cara, é ele que domina o atirador e o arrasta pelos calcanhares. Mas só aceita o convite para ser xerife quando está emocionalmente envolvido: os Clanton, pai e filhos, barões de gado locais, roubam seu rebanho e matam James, o mais novo dos Earp, que ficou tomando conta enquanto os três mais velhos foram a Tombstone.

Uma cidade onde um adolescente é morto covardemente por causa de gado precisa de redenção. É o plano maior de Wyatt Earp, embalado na rivalidade entre os Earp e os Clanton e na espera até que o inevitável ajuste de contas aconteça – no agora famoso Ok Corral. Entre esses momentos, se constrói a história da amizade entre Wyatt Earp e John “Doc” Holliday, pistoleiro e médico (na verdade, dentista) que comanda o jogo em Tombstone (um relacionamento ao qual inúmeros faroestes voltariam pelas décadas seguintes). Se a princípio, os dois deveriam estar em lados opostos, logo o respeito mútuo põe a casa em ordem. O xerife deixa claro a Holliday que o enfrentaria se fosse preciso, mas não é nele que está interessado.

Henry Fonda interpreta Wyatt Earp como um homem cansado da violência de outras épocas e que procura um novo estilo de vida. Embora não fuja da ação, não a procura: gosta de ficar balançando sobre as pernas traseiras de uma cadeira na varanda em frente à delegacia, vendo o movimento de uma cidade ainda em construção. A chegada da civilização ao Oeste é um tema caro a Ford e o cotidiano de Tombstone rumo ao progresso ganha muito espaço no filme: como na cena da dança, no tablado da igreja que ainda está em construção, e o cômico personagem do ator shakespeariano (Alan Mowbray, ainda por cima inglês) que chega com sua trupe à cidade.

Victor Mature é Doc Holliday – provavelmente o tuberculoso mais em forma do mundo (o ator seria Sansão na superprodução de Cecil B. DeMille, dois anos depois). É outro personagem que encontrou em Tombstone um local ideal para fugir do passado. Arranjou até uma garota: Chihuahua (Linda Darnell, que faz jus ao nome), a mexicana que faz as vezes de cantora do saloon de Doc – e que, no filme, substitui a verdadeira mulher de Doc. É violento e bêbado, mas há mais neste homem desesperançado: não é qualquer um que recita Shakespeare de cor, como faz quando salvam o inglês de ser atormentado pelos Clanton.

A Clementine do título não existe na história verdadeira. É mais um elemento icônico que Ford e os roteiristas Samuel G. Engel e Winston Miller (que se basearam na biografia de Earp por Stuart N. Lake) puseram em Paixão dos Fortes. A mulher distinta que contrasta com a aparência mundana de Chihuahua. O filme vai mostrar que isso não é à toa: Clementine (Cathy Downs) parece um oásis de delicadeza na aridez do Oeste (Ford filmou tudo no seu querido Monument Valley). Se os homens maus não abalam Wyatt Earp e Doc Holliday, é Clementine quem consegue desconcertar os heróis e levá-los a momentos impensáveis: o xerife dança com ela na cena do baile da igreja, uma cena memorável de toda a filmografia de John Ford. A cena final mostra que a professora é mais um elemento da chegada da civilização àquela região dos Estados Unidos. Não é à toa que é ela quem está no título do filme (a partir da canção folk de 1884).

Da mesma forma, o filme é cheio de cenas icônicas: o juramento por dias melhores que Wyatt faz na lápide de James; o confronto moral entre Earp e Holliday, um medindo o outro antes que sua aliança não declarada seja firmada; a determinada caminhada dos heróis até o local do duelo, para os “negócios de família”. Tudo isso mesclando o cotidiano na barbearia, no saloon e na missa com a viva sensação de que algo maior está acontecendo nas entrelinhas daquelas ações tão casuais.

Talvez Ford não estivesse contando a história de Wyatt Earp e Doc Holliday, mas, em um nível maior, a história dos Estados Unidos. Ou então, como conta o historiador John Mack Faragher no livro Passado Imperfeito, o historiador do cinema John Tuska perguntou uma vez a John Ford o motivo de, tendo conhecido pessoalmente o velho Wyatt Earp, descartar os fatos como exatamente aconteceram. Com a rabugice que lhe era peculiar, Ford devolveu: “O senhor gostou do filme?”. Tuska não teve outra opção a não ser admitir que Paixão dos Fortes era um de seus filmes favoritos. “Que mais quer, então?”.

Paixão dos Fortes. (My Darling Clementine). Estados Unidos, 1946. Direção: John Ford. Elenco: Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature, Walter Brennan, Tim Holt, Cathy Downs, Ward Bond, Alan Mowbray, John Ireland, Roy Roberts, Jane Darwell, Grant Withers, Mae Marsh.

Aurora Miranda e Pato Donald em "Você Já Foi à Bahia?"

Um grande feito: Aurora Miranda e Pato Donald em “Você Já Foi à Bahia?”

Unir pessoas reais a personagens animados não é novidade nenhuma, o cinema brinca disso desde os primórdios. Em Você Já Foi à Bahia? (1944), a Disney consegue um grande feito ao fazer Aurora Miranda cantar “Os quindins de Iaiá” para Donald e Zé Carioca nas ruas de uma Salvador animada. Aurora, irmã de Carmen e uma grande cantora brasileira da era do rádio, marcou sua trajetória no cinema com esta participação. A cena, no vídeo, é toda a sequência do pato e do papagaio na Bahia, começando pela divertidíssima interpretação de Zé (misturando inglês e português) para “Você já foi à Bahia?”, de Dorival Caymmi. “Os quindins de Iaiá” começa em 2min40seg.

Você Já Foi á Bahia? (1944), dirigido por Norman Ferguson, roteiro de Homer Brightman, Ernest Terrazas, Ted Sears, Bill Peet, Ralph Wright, Elmer Plummer, Roy Williams, William Cottrell, Del Connell, James Bodrer; “Os quindins de Iaiá” composta por Ary Barroso.

James Stewart e Donna Reed: reencontro com a própria vida

Reencontro com a própria vida: James Stewart e Donna Reed em “A Felicidade Não Se Compra”

Um Frank Capra mais capriano do que nunca e um James Stewart fenomenal. Essa combinação foi fundamental para que A Felicidade Não se Compra se tornasse um favorito dos natais americanos e de inúmeros cinéfilos. Nâo é um filme natalino, propriamente, é um filme sobre a amizade, sobre um homem tão bom que não consegue não ajudar os outros. E que, quando precisa, é lembrado de como foi e é importante para tanta gente. Seu reencontro com a própria vida e o reconhecimento dos amigos a quem ajudou foi copiada, citada, imitada e ainda faz muita gente chorar.

A Felicidade Não se Compra (1946), dirigido por Frank Capra; roteiro de Frances Goodrich, Albert Hackett e Frank Capra, de história de Philip Van Doren Stern; cenas adicionais de Jo Swerling e contribuição não creditada de Michael Wilson.

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