You are currently browsing the tag archive for the ‘Anos 1940’ tag.

20 – BOM MOMENTO PARA UMA MOEDA (A Good Time for a Dime)

Depois de ser coadjuvante do Mickey de 1934 a 1938, Donald passou a “estar mais focado” na carreira solo. Era um personagem que provou segurar sozinho um curta animado, como este em que experimenta as diferentes atrações de um parque. O destaque é o surpreendente striptease da Margarida no nickelodeon da “Dança dos Sete Véus”. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King, Dick Lundy (não creditados). Roteiro não creditado. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

***

19 – UMA NOITE NO RIO (That Night in Rio)

Alice Faye e Don Ameche são os protagonistas dessa comédia de identidades trocadas, passada num Rio de Janeiro de fantasia. Mas o filme, até pela locação, foi feito para Carmen Miranda, em sua segunda produção em Hollywood. Ela canta quatro músicas e o diretor finalmente descobre como filmá-la, dando espaço para sua dança, em vez de “prendê-la” em closes. Onde ver: DVD, YouTube (dublado).
Estados Unidos. Direção: Irving Cummings. Roteiro: George Seaton, Bess Meredyth e Hal Long, com diálogos adicionais de Samuel Hoffenstein, adaptação de Jessie Ernst, baseado em peça de Rudolph Lothar e Hans Adler. Elenco: Alice Faye, Don Ameche, Carmen Miranda, S.Z. Sakall, Bando da Lua, Maria Montez.

***

18 – MADEIRA (Timber)

Outro ótimo curta do Donald dirigido por Jack King. Desta vez com o Bafo-de-Onça como antagonista e patrão, o forçando a trabalhar como lenhador. Muito movimentado e com ótimas gags. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King (não creditado). Roteiro: Carl Barks e Jack Hannah (não creditados), com argumento de Frank Tashlin (não creditado). Vozes na dublagem original: Clarence Nash, Billy Bletcher.

***

,

17 – SARGENTO YORK (Sergeant York)

A história real de um rapagão do interior que se torna um católico fervoroso e, depois (contra a vontade até o momento decisivo) em herói de guerra é dirigida cheia de solenidade por Hawks. Um herói relutante é um personagem que não é o habitual do diretor, mais chegado aos profissionais do perigo. A trama da I Guerra foi levada ao cinema, claro, de olho na entrada americana na II Guerra. Cooper ganhou aqui seu primeiro Oscar. Acima da idade para o papel, ele relutou em aceitar o personagem que tinha uma bondade irreal – até conhecer o verdadeiro York, que pediu pessoalmente ao ator para interpretá-lo. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Abem Finkel, Harry Chandlee, Howard Koch e John Huston, com Sam Cowan (não creditado), baseado no diário de Alvin C. York. Elenco: Gary Cooper, Walter Brennan, Joan Leslie, Margaret Wycherly, Ward Bond.

***

16 – SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra)

Bogart faz um bandido que sai da cadeia e aceita o serviço de um assalto. Mas ele está cansado, pensando em parar. Tem aspirações de um vida classe média ao lado de uma menina virginal de uma família que conhece e à qual se afeiçoa. Mas ele tem futuro? O filme vende firme a redenção do bandido, que só faz mal a outros bandidos. E Bogart e Ida Lupino estão ótimos. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Raoul Walsh. Roteiro: John Huston e W.R. Burnett, baseado em romance de Burnett. Elenco: Humphrey Bogart, Ida Lupino, Arthur Kennedy, Henry Travers.

***

15 – SUPERMAN ou SUPER-HOMEM ou O SUPER-HOMEM Nº1 (Superman)

A animação dos Estúdios Fleischer foi a primeira adaptação para o cinema do personagem de Jerry Siegel e Joe Shuster, contando com as vozes do programa de sucesso no rádio, e as introduções “Mais rápido que uma bala…” e “É um pássaro! É um avião!”. Feita através de rotoscopia, a animação é de encher os olhos, mas ainda melhoraria nos episódios seguintes, assim como a trama que, aqui, enfoca um cientista louco. Onde ver: extra no DVD Superman – O Filme (edição tripla); DVD Superman de Max Fleischer – 1941-1942; DVD Superman em A Humanidade em Perigo; YouTube (som original e dublado).
Estados Unidos. Direção: Dave Fleischer e Steve Muffati (não creditado). Roteiro: Seymour Kneitel e Izzy Sparber, e Jay Morton (não creditado), baseado em personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster. Vozes na dublagem original: Bud Collyer, Joan Alexander, Jack Mercer.

***

14 – AMOR À PRIMEIRA VISTA (The Nifty Nineties)

Mickey, símbolo máximo da Disney, vinha perdendo espaço nos curtas animados do estúdio, sendo ofuscado por seus coadjuvante (Donald, Pateta e Pluto). Passou por uma pequena reinvenção em 1941, com um visual mais rebuscado, mais magro e com cabeça, mãos e pés maiores. Esse curta é um charme só: Mickey e Minnie num encontro romântico no final do século 19. A atmosfera é um encanto: o par vai a um show de vaudeville (cujos artistas homenageiam os animadores Ward Kimball e Fred Moore), veem um melodrama contado em slides (antepassado do cinema), passeiam em um carro cuja velocidade máxima é tipo 20km/h. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman, Ward Kimball, Fred Moore, Clarence Nash.

***

13 – DIVERSÃO DE HOLLYWOOD (Hollywood Steps Out)

Este curta animado da Warner satiriza vários astros e estrelas do cinema dos anos 1940: Bing Crosby, James Stewart, Greta Garbo, Cary Grant, Dorothy Lamour, Groucho Marx e muitos outros. Uma inspirada alopração. Onde ver: DVD Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3; YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Melvin Millar. Vozes na dublagem original: Dave Barry, Sara Berner, Mel Blanc.

***

12 – QUE ESPERE O CÉU (Here Comes Mr. Jordan)

Divertida fantasia sobre o além, em que um boxeador morre, mas, na verdade, é levado antes da hora. Porém, não pode voltar ao seu corpo, porque foi cremado. É feito um arranjo para que retorne em outro corpo: o de um milionário assassinado. Bem divertido, consegue naturalizar seus absurdos, apoiado em um elenco carismático. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Alexander Hall. Roteiro: Sidney Buchman e Seton I. Miller, baseado na peça de Harry Segall. Elenco: Robert Montgomery, Claude Rains, Evelyn Keyes, Edward Everett Horton.

***

11 – O PEQUENO FURACÃO (The Little Whirlwind)

Esse foi o curta em que o Mickey estreou seu novo visual, mais magro, com cabeça, mãos e pés maiores e com as célebres orelhas com efeito de relevo. O ratinho segura o desenho sozinho, tentando limpar as folhas de um quintal para ganhar um bolo da Minnie, mas enfrentando um furacãozinho bagunceiro. Muito movimentado, com um visual muito bonito. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman.

***

10 – AO COMPASSO DO AMOR (You’ll Never Get Rich)

Depois de encerrar a série de filmes em parceria com Ginger Rogers na RKO, Fred Astaire encontrou outra parceira à altura em Rita Hayworth, na Columbia. Eles produziram magia juntos em dois filmes, este foi o primeiro. Toda a trilah é de Cole Porter, com destaque para “So near and yet so far”, o melhor momento de Astaire e Rita no filme. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Sidney Lanfield. Roteiro: Michael Fessier e Ernest Pagano. Elenco: Fred Astaire, Rita Hayworth, Robert Benchley.

***

9 – SUSPEITA (Suspicion)

O quase sempre afável Cary Grant aqui é escalado por Hitchcock como o ameaçador marido de Joan Fontaine (que levou o Oscar de melhor atriz). Ela desconfia que ele quer matá-la e, para ressaltar isso, Hitch cria alguns momentos antológicos, como Grant subindo a escada com o copo de leite, cuja iluminação, através de um truque, chama a atenção do espectador diretamente para ele. Onde ver: DVD, Belas Artes a la Carte, Looke.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Samson Raphaelson, Joan Harrison e Alma Reville, baseado em romance de Anthony Berkeley. Elenco: Cary Grant, Joan Fontaine, Cedric Hardwicke.

***

8 – DUMBO (Dumbo)

Depois que os ambiciosos Pinóquio e Fantasia não foram bem nas bilheterias, Walt Disney apostou em um longa mais simples e infantil, basicamente uma Silly Symphony estendida. Dumbo é isso, uma fantasia leve e sentimental de um elefantinho desprezado por ter orelhas imensas, mas que uma hora descobre que consegue voar por causa delas. Funciona bem demais e ainda tem aquela cena pré-psicodélica do delírio dos elefantes rosa, provocado por um porre. Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Ben Sharpsteen (supervisão), Samuel Armstrong (sequência), Norman Ferguson (sequência), Wilfred Jackson (sequência), Jack Kinney (sequência), Bill Roberts (sequência), John Elliott (não creditado). Roteiro: argumento de Joe Grant e Dick Huemer, com desenvolvimento de história de Bill Peet, Aurelius Bataglia, Joe Rinaldi, Vernon Stallings e Webb Smith, com direção de história de Otton Englander, baseado em livro de Helen Aberson e Harold Pearl. Vozes na dublagem original: Edward Brophy, Cliff Edwards, Sterling Holloway, Verna Felton.

***

7 – O DIABO E A MULHER (The Devil and Miss Jones)

O diabo é um magnata tão rico que nem lembra que é dono também de uma loja de departamentos. A mulher é a
Srta. Jones, uma funcionária da loja, do setor de sapatos. Quando ele se emprega lá secretamente para descobrir quem está liderando protestos dos trabalhadores contra o dono, por melhores condições de trabalho, ela acolhe o “novato”. E o patrão acaba vendo na pele os problemas de seus funcionários. Um dos vários filmes da época sobre as questões trabalhistas, aqui ancorado em elenco sólido e ótimos roteiro e direção. Onde ver: DVD digipack Comédias Clássicas.
Estados Unidos. Direção: Sam Wood. Roteiro: Norman Krasna. Elenco: Jean Arthur, Charles Coburn, Robert Cummings, Spring Byington, Edmund Gwenn, S.Z. Sakall.

***

6 – COMO ERA VERDE MEU VALE (How Green Was My Valley)

Na virada do século, no País de Gales, o cotidiano de uma família onde pai e filhos, assim como toda a vila, trabalham na mina local. A história é vista em retrospectiva pelo filho mais novo, já adulto. De novo John Ford alia a força dos laços familiares a um trama sobre a vida e desafios dos trabalhadores. Nostálgico e sentimental, mais até do que o normal para o diretor, que de novo compõe belas imagens míticas. Onde ver: DVD, YouTube (dublado), YouTube (som original, com legendas).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Philip Dunne, baseado no romance de Richard Llewellyn. Elenco: Walter Pidgeon, Maureen O’Hara, Roddy McDowall, Sarah Allgood, Anna Lee, Donald Crisp, Barry Fitzgerald.

***

5 – AS TRÊS NOITES DE EVA (The Lady Eve)

Barbara Stanwyck em estado de graça com uma golpista que tem um jovem e ingênuo milionário (Henry Fonda) na mira durante uma viagem de navio. Só que ela se apaixona de verdade por ele, mas ele descobre a farsa inicial e a despreza. Tempos depois, ela consegue a oportunidade de se vingar, reaparecendo na mansão da família dele como uma lady inglesa. Grande comédia, cheia de idas e vindas, num ano especial tanto para Barbara quanto para o diretor Preston Sturges. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Preston Sturges. Roteiro: Preston Sturges e Monckton Hoffe, baseado em peça de Hoffe. Elenco: Barbara Stanwyck, Henry Fonda, Charles Coburn.

***

4 – ADORÁVEL VAGABUNDO (Meet John Doe)

Um Frank Capra em ótima forma, mais uma vez em seus temas humanistas. A abertura já é sensacional: o jornal que troca de direção, simbolizado pela placa original sendo retirada à britadeira, com close na expressão “free press” sendo detonada letra por letra. Em seguida, o garoto que sai da sala do novo editor e “convida” os jornalistas da vez a serem demitidos simplesmente apontando o dedo, fazendo um assovio e o gesto de garganta cortada. Barbara Stanwyck é um deles, mas vira o jogo quando inventa, em sua última coluna, um desempregado em desespero que afirma que vai se atirar de um prédio em protesto contra a as condições sociais no país. A repercussão a faz não só recuperar seu emprego, mas manter a farsa junto com o jornal, encontrando no pobretão vivido por Gary Cooper alguém para personificar o “João Ninguém” fictício. Surge um movimento social que os poderosos não demoram a querer manipular. Onde ver: DVD, YouTube.
Estados Unidos. Direção: Frank Capra. Roteiro: Robert Riskin, com contribuições aos diálogos de Myles Connolly, de um argumento de Richard Connell e Robert Presnell Sr. Elenco: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Walter Brennan.

***

3 – CONTRASTES HUMANOS (Sullivan’s Travels)

Preston Sturges faz um belo tributo a seu gênero de ofício, a comédia, na trama do diretor de cinema que faz muito sucesso divertindo as plateias com seus filmes, mas que acha que, naquele momento de crise nos EUA, precisa dizer algo importante: quer fazer um épico dramático sobre os desvalidos. Mas o que ele sabe sobre ser pobre? Resolve, então, passar alguns dias vivendo como um dos inúmeros sem teto que vagam pelo país. Sturges surpreendentemente vai da comédia rasgada ao drama e, através do drama, mostra a importância da comédia. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Preston Sturges. Elenco: Joel McCrea, Veronica Lake, Robert Warwick.

***

2 – RELÍQUIA MACABRA ou O FALCÃO MALTÊS – RELÍQUIA MACABRA (The Maltese Falcon)

Estreia na direção de John Huston e estreia também do filme noir como gênero. Huston pescou o livro de Dashiell Hammet dos direitos de adaptação que a Warner já tinha (e que já havia filmado duas vezes) e construiu uma narrativa direta como o próprio detetive Sam Spade, que podia até podia até estar de caso com a mulher do sócio, mas não ia deixar barato o assassinato dele. Desvendar o crime implica em se envolver na caçada internacional de uma turma de golpistas por uma estatueta lendária, histórica e de ouro. George Raft declinou do papel principal porque achou que o filme não tinha importância. Mas ele acabou se revelando feito do “material do que são feitos os sonhos”. Onde ver: DVD, blu-ray, Apple TV.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Huston, baseado em romance de Dashiell Hammett. Elenco: Humphrey Bogart, Mary Astor, Peter Lorre, Sydney Greenstreet.

***

1 – CIDADÃO KANE (Citizen Kane)

Consagrado através dos anos como “o mais importante filme já feito”, muito do que era um compêndio de revoluções narrativas em Cidadão Kane já foi absorvido, reprocessado e subvertido pelo próprio cinema. O que fica é a arte maravilhosa de contar uma história, começando pela opção de começar pela morte do protagonista, para depois resumir sua vida e então ver o que está por trás dos fatos pelos depoimentos de quem o conheceu. Mas também pela disposição feroz de fazer cada cena algo inspirado, criativo, inteligente. Orson Welles e seus colaboradores (principalmente o co-roteirista Herman J. Maniewicz e o diretor de fotografia Gregg Toland) buscaram ferozmente soluções imaginativas. Planos-sequência (com vários planos dentro do plano), profundidade de campo (combinando megacloses e personagens minúsculos ao fundo, criados na câmera ou combinados com projeção de fundo), o uso expressivo do forte contraste entre luz e sombra, os pontos de vista de baixo pra cima, o humor de comédia maluca alternando com o melodrama. Uma maravilha na qual em cada segundo há algo para se comentar: do “Proibida a entrada” do começo ao “Proibida a entrada” do final. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Google Play, YouTube Filmes, Looke, Microsoft Store, Apple TV.
Estados Unidos. Direção: Orson Welles. Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Everett Sloane, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead.

***

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente. Esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

***

OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

BOLA DE FOGO
⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 31

Branca de Neve de ‘corpo perturbador’

A trama de um homem cerebral e comedido que tem vida posta de pernas para o ar por causa de uma mulher que aparece de repente em sua vida não era exatamente nova em Hollywood. Nem mesmo na carreira de Howard Hawks: o diretor havia lançado o maluco Levada da Breca três anos antes.

Mas, agora, não é só um homem: são oito. E a mulher é, mais do que nunca, uma tentação: Barbara Stanwyck é a liberada cantora de boate que, envolvida com um gangster e procurada pela polícia, vai encontrar abrigo em uma casa onde estão oito professores que se dedicam há anos à elaboração de uma enciclopédia.

Com roteiro de Billy Wilder e Charles Brackett (Wilder começaria a dirigir seus próprios filmes naquele mesmo ano), o filme tira um sarro da situação central de Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Uma paródia safadinha que concentra suas piadas nessa colisão de dois mundos, com Cooper tentando manter como pode a dignidade diante do “corpo perturbador” de Barbara (palavras do personagem).

Com uma situação divertida bem explorada em ótimos diálogos (o professor vivido por Cooper está interessado nas gírias da cantora para sua pesquisa), o filme é uma demonstração da perícia do versátil Hawks na comédia. É grande diversão com excelente elenco (Barbara foi indicada ao Oscar).

Onde ver: DVD, Oldflix

Ball of Fire, 1942.
Direção: Howard Hawks. Elenco: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Henry Travers, Dana Andrews, S.Z. Sakall, Richard Haydn, Dan Duryea

CIDADÃO KANE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 56

Uma narrativa para além das revoluções

Lançado há 80 anos, as revoluções narrativas que “Cidadão Kane” compilou dentro de si já foram absorvidas, reprocessadas, diluídas e subvertidas ao longo do tempo. Para um espectador de hoje, que não se esforçar em buscar o olhar do tempo em que o filme foi feito, pode ser desafiador encontrar esses elementos inovadores.

Fora isso, o que sobra então? Revendo o filme de Orson Welles, é um grande prazer reencontrar uma extrema habilidade narrativa. essas “revoluções” nada mais eram do que uma busca incansável por narrar cada cena de uma maneira criativa, inteligente e surpreendente. E esse modo vigoroso de contar a história sobrevive através desses oito décadas, não só numa revisita cinéfila a “Kane”, mas também em alguns dos melhores cineastas da atualidade.

Steven Spielberg, por exemplo, é um cineasta que sempre pensa: “Como posso deixar essa cena mais interessante?”. E isso de uma maneira que isso esteja adequado à narrativa, que tudo no fim não seja apenas um festival de momentos elaborados mal colados um no outro.

Diversos planos diferentes ligados por um plano-sequência que não se percebe, se o espectador não estiver realmente prestando atenção à câmera. Tem muito em Spielberg e tem em “Cidadão Kane”.

Por exemplo, a emblemática cena em que o pequeno Charles Foster Kane brinca na neve, a câmera recua e revela estar dentro da casa onde seus pais, recém-milionários, estão entregando seu destino a um banco para que a empresa seja tutora do garoto até a idade adulta.

Enquanto o debate sobre o futuro de Charles acontece em primeiro plano, o garoto continua em cena o tempo todo, lá no fundo, lá fora, visto pela janela.

Esse recurso da profundidade de campo já não era comum, numa época em que o padrão era desfocar o fundo para que o público prestasse atenção só nos atores em primeiro plano.

Mas a cena é também um plano-sequência em que a câmera começa no garoto, recua dois cômodos dentro da casa até depois de uma mesa e, em seguida e sem cortes, avança até a janela novamente.

O plano seguinte é visto pelo lado de fora, com a mãe em close chamando Charles pela janela, depois a família saindo em plano geral pela porta, para encontrarem Charles no meio da neve, onde se desenrola o diálogo. De novo, tudo sem cortes.

Essa busca pelo mais interessante já vem desde o primeiro segundo, onde a montagem começa da placa “Proibida a entrada” para “pular o muro” da propriedade nababesca de Kane, mostrar seus detalhes (sempre o castelo no lado superior direito da imagem) e terminar com o moribundo personagem, e o superclose de sua boca murmurando “Rosebud”.

Primeiro a morte, depois a vida contada em um cinejornal. Então, a equipe desse veículo, numa sala de projeção decide que precisam saber se a última palavra do magnata possui um significado oculto. Nessa cena, os personagens são todos mostrados em silhueta, ou na contraluz.

São momentos já muito comentados, assim como vários outros. O teto do jornal Inquirer, num tempo em que os cenários dos filmes quase não mostravam os tetos dos ambientes por dentro. Aí também, um plano-sequência com três ou quatro planos dentro dele.

Ou o momento em que Kane passa o controle do jornal para o banco: dois personagens à mesa, um de frente para o outro em primeiro plano, Kane de pé, entre eles, caminha para o fundo da sala, onde fica minúsculo abaixo de janelas que, agora vemos, são enormes.

O close na cantora de ópera, que se abre para o plano geral do palco e depois sobre muito até chegar a dois trabalhadores que assistem tudo lá de cima, e fazem sua crítica demolidora ao que ocorre lá embaixo (efeito conseguido pelo movimento de câmera mais uma trucagem que emenda dois planos com um cenário-miniatura entre eles).

Há também as passagens de tempo. O banqueiro que deseja “Feliz natal. Charles” e completa “e um feliz ano novo” numa cena que é um salto de mais de dez anos.

O casamento, que é mostrado da lua de mel à indiferença total em segundos, em sucessivos cafés da manhã: da proximidade ao distanciamento físico, e onde a esposa até termina lendo o jornal concorrente.

Ou Kane ambicionando a equipe do jornal concorrente, numa foto exposta numa vitrine, e a foto se torna a cena da equipe agora contratada pelo personagem e sendo novamente fotografada, simbolizando sua vitória.

O personagem passando derrotado por dois espelhos, gerando um reflexo infinito.

Ou Kane em primeiro plano, datilografando, o amigo Jedediah mais atrás e Bernstein lá no fundo, em silhueta, na porta iluminada.

Como esta, a composição das imagens e sempre saborosa: quem está na luz e quem está nas sombras; personagens em close e no extremo fundo do quadro ao mesmo tempo (conseguidos pelo trabalho de câmera e luz de Gregg Toland ou por efeitos combinados como a projeção de fundo); fusões em que a primeira imagem e a segunda se combinam em um jogo de luz e escuridão.

Isso tudo para seguir um roteiro (de Herman J. Mankiewicz e Welles) que também fugia do formato começo-meio-fim: começa com a morte do protagonista, resume sua vida do começo ao fim pelo cinejornal e, depois, mostra o que estaria por trás dos fatos pelos flashbacks dos coadjuvantes entrevistados por um dos repórteres.

Ao invés dos flashbacks contarem a vida de Kane em ordem cronológica, eles são quase temáticos: a riqueza e a falência; o jornal; as mulheres e a política; o isolamento. No fim, o mistério a ser desvenda, que guia a trama, só revela que um homem nunca consegue ser compreendido em sua totalidade.

A isso tudo que o filme contém, soma-se aquilo que aconteceu fora do set. Como Welles era o gênio do rádio aos 25 anos e chegou a Hollywood com poder para fazer o filme que quisesse e como quisesse, despertando a inveja de meio mundo; como Mankiewicz escreveu a primeira versão do roteiro se inspirando no poderoso e temido magnata da imprensa William Randolph Hearst, de quem já havia usufruído da hospitalidade várias vezes (entre outras coisas, o jornalismo sensacionalista e controverso, a aventura política, o castelo construído para a amante, de quem ele tentou alavancar a carreira); de como o roteirista teve que brigar para ter crédito no filme (história contada em “Mank”, da Netflix).

Há muitos, muitos detalhes em “Cidadão Kane” que valem observações e comentários. Cada cena é inspirada, tecnica ou narrativamente. E é isso o que garante sua permanência e sua influência ainda hoje.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

“Citizen Kane”, 1941.
Direção: Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead, Everett Sloane.

A VOLTA DE FRANK JAMES ou O RETORNO DE FRANK JAMES
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 10

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte de Jesse do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda como o agora protagonista. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. E tem a estreia da belíssima Gene Tierney.

Onde ver: DVD, YouTube

The Return of Frank James, 1940
Direção: Fritz Lang. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

A CARTA
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 9

Na primeira cena, um plano sequência numa bucólica noite de um cenário exótico. Então, aparece ninguém menos que Bette Davis descarregando a arma num infeliz. Ela conta ao marido e ao advogado: o sujeito a atacou e ela o matou em legítima defesa. Mas uma carta misteriosa e uma chantagem podem complicar seu julgamento. Wyler, um grande diretor, e Bette Davis, uma atriz inigualável, numa história de verdades e mentiras, esplendidamente fotografada, mas guiada pelas regras de crime e castigo do Código Hays: é uma versão mais moralista que outra de 1929, baseada na mesma peça.

Onde ver: DVD, YouTube

The Letter, 1940
Direção: William Wyler. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Setephenson, Gale Sondergaard.

2. ‘BEGIN THE BEGUINE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Eleanor Powell e Fred Astaire. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Cole Porter.

Às vezes, tudo o que é preciso é um casal incrível e uma grande música. Eleanor Powell, a melhor entre as mulheres, e Fred Astaire, o melhor entre os homens, só se encontraram em um filme, esse filme. E nem é um filme muito bom, não deve estar nem entre os 50 melhores musicais da MGM. Quase tudo de Melodia da Broadway de 1940 poderia ser descartado, menos (e jamais!) as cenas em que Fred e Eleanor trocam passos, olhares, sorrisos, carisma e talento puro. Já vimos uma dessas cenas (a cena da jukebox) nessa lista, mas essa daqui é inigualável. Eles não cantam. Não há cenário, além de um palco basicamente vazio e escuro, com umas luzinhas e um espelho ao fundo, e com um chão que os reflete. Nem é uma dança romântica como as de Fred e Ginger. Eles até fazem isso em outro momento, mas aqui Fred e Eleanor são mais é espelhos um do outro, se convidam, se desafiam. Fazem tudo o que fazem em dois únicos e impressionantes planos-sequência. Por 46 segundos, nem de música precisam: ela é cortesia unicamente do ritmo e da velocidade dos pés da dupla. Que gigantes! E olhe que Eleanor nem gostava de sapateado no início da carreira, teve que aprender a contragosto. Esse número é para se revisto várias vezes: olhando o conjunto, depois só os pés, depois só as mãos, depois só os rostos… E até prestando atenção no reflexo ao fundo, que mostra de costas os dois dançando. Quando esse número é apresentado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), Frank Sinatra o introduz dizendo: “Vocês nunca vão ver algo assim de novo”. E ele estava absolutamente certo.

***

LEIA MAIS:

1 <<
>> 3
>> 4
>> 5
>> 6
>> 7
>> 8
>> 9
>> 10
>> 11 — 20
>> 21 — 30
>> 31 — 40
>> 41 — 50
>> 51 — 60
>> 61 — 70
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180
>> 181 — 190
>> 191 — 200

8. ‘THE TROLLEY SONG’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Charles Walters. Coreografia: Paul Jones. Música de Hugh Martin e Ralph Blane.

Não chega a ser uma regra escrita na pedra, mas o musical clássico muitas vezes apresenta o número desta maneira: quem canta (e eventualmente dança) é quem está conectado na mesma emoção. Quem não está, fica alheio. Isso é exemplar em “The trolley song”. A garotada vai passear de bonde até onde estão sendo construídos os pavilhões para a Feira Mundial de St. Louis. A personagem de Judy Garland está esperando que o vizinho de quem ela está a fim apareça. Mas chega a hora, e nada do rapaz. Todo mundo canta feliz, mas ela passa pela turma calada e cabisbaixa. É só quando o sujeito aparece correndo atrás do bonde que Judy começa a cantar e domina a cena. E aí Vincente Minelli começa a compor quadros diferentes dentro do mesmo plano sequência, com os coadjuvantes levantando ou sentando ou trocando de lado para formarem uma moldura colorida para Judy, magnífica. A canção virou (como “Over the rainbow”) assinatura da atriz/ cantora. E até João Gilberto gravou.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
>> 9
>> 10
>> 11 — 20
>> 21 — 30
>> 31 — 40
>> 41 — 50
>> 51 — 60
>> 61 — 70
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180
>> 181 — 190
>> 191 — 200

Isadore “Friz Freleng” é outro dos grandes diretores do Pernalonga. Ele, para começar, lançou o Eufrazino em 1945 e o usou várias vezes como antagonista do coelho, em diversos cenários (velho oeste, navio pirata, Roma antiga, Inglaterra medieval, deserto do Saara, guerra da independência dos EUA…).

Também foi com Freleng que o coelho ganhou seu único Oscar. Friz ficava entre a elegância da narrativa de Jones e a piração completa de Robert Clampett. São dele também os principais curtas de Frajola e Piu-Piu e também, já fora da Warner, os primeiros e melhores curtas da Pantera Cor-de-Rosa (que ele continuou produzindo depois, mesmo que não mais dirigindo).

Vamos, então, ao melhor de Friz:

Pernalonga - Little Red Riding Rabbit

“Little Red Riding Hood” (1944)

10. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - A Hare Grows in Manhattan

“A Hare Grows in Manhattan” (1944)

9. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn, há uma delas. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta e inspirou o título e a gag final. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

***

Stage Door Cartoon

“Stage Door Cartoon” (1944)

8. STAGE DOOR CARTOON/ CAÇADA NO PALCO (1944)

A caçada de Hortelino a Pernalonga vai parar dentro de um teatro onde há um show de vaudeville. Essas apresentações populares de variedades foi tema precioso nos curtas do coelho, o próprio Freleng voltou a ele outras vezes. Dançarinas de can-can, uma apresentação de piano, Shakespeare e até um número de strip-tease estão no programa. E o Pernalonga fazendo Hortelino saltar de um trampolim imenso em um copinho d’água.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

***

Slick Hare

“Slick Hare” (1947)

7. SLICK HARE/ O COELHO DO DIA/ COELHO SALIENTE (1947)

Agora o confronto entre Pernalonga e Hortelino é num restaurante frequentado por estrelas de Hollywood. O careca é o dono do lugar, Humphrey Bogart exige coelho para o jantar e Pernalonga se vira, entre outras coisas, sambando após uma apresentação de Carmen Miranda. O desenho remete ao clássico Hollywood Steps Out (1941), de Tex Avery, que é todo com caricaturas de estrelas do cinema da época.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com o som original.

***

Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

6. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - Mutiny on the Bunny-02

“Mutiny on the Bunny” (1950)

5. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Eufrazino contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor, com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio, só para ele afundar de novo em seguida.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - Bugs Bunny Rides Again

“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

4. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente mais à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - Big House Bunny

“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é chamado de Sam Schultz.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - Bugs and Thugs-03

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Roman Legion Hare (1955), Pernalonga contra o centurião Eufrazino na Roma antiga; Hare Brush/ Troca de Sorte (1955), com “Eu sou o senhor Elmer, o milionário. Eu tenho uma mansão e um iate”; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes; Rhapsody Rabbit/ Concerto sem Dó (1946), Pernalonga toca piano e é atrapalhado por um rato.

***

Pernalonga - High Diving Hare-03

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

Em 27 de julho de 1940, há exatos 80 anos, as plateias dos cinemas ouviam pela primeira vez a frase “O que é que há, velhinho?”. Era a estreia de O Coelho Selvagem (A Wild Hare) e do Pernalonga, já enfrentando o caçador Hortelino (que abre o desenho com a também clássica “Fiquem bem tietos. Estou taçando toelhos“).

Direção de Tex Avery, roteiro de Rich Hogan, culminando o que vinha sendo desenvolvido em três ou quatro desenhos a partir de 1938 com um coelho protótipo, que só seria o Pernalonga formado realmente em A Wild Hare.

Diferentes diretores foram responsáveis por desenvolver o coelho em sua fase clássica: de 1940 a 1964, 24 anos e 178 cartoons. Avery, Robert Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson foram os principais. Esta semana, vou fazer quatro top 10 para cada diretor (vou combinar Avery e Clampett porque dirigiram menos em quantidade).

Começando por Chuck Jones.

Jones, pra mim, é o maior. Um gênio da narrativa cômica, ele evolui de maneira impressionante durante seus anos na Warner. É visível a diferença entre seus desenhos dos anos 1940, mas próximo do estilo alucinado de seus colegas, e os dois anos 1950, quando os cenários vão ficando cada vez mais estilizados e ele desenvolve um humor que surge da economia de movimentos.

Não por limitação de grana ou pressa, como seria mais tarde com Hanna-Barbera na TV, mas para realçar expressões e movimentos específicos. Ele levaria esse estilo para sua ótima série de Tom & Jerry, que faria na MGM nos anos 1960.

Além do Pernalonga, ele era responsável na Warner pelos curtas do Papa-Léguas e do Pepe le Gambá e criou clássicos absolutos que nem tinham personagens famosos e recorrentes, como Sapo da Sorte (One Froggy Evening), aquele do sapo cantor.

Vamos a seu incrível top 10:

Pernalonga - Operation Rabbit

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). Três anos depois, Jones reutilizou o personagem pela primeira vez tendo como alvo, agora, o coelho, e dando a ele uma voz. O coiote, cheio de si, se apresenta ao Pernalonga já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

***

Pernalonga - Haredevil Hare-02

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ PERNALONGA NA LUA/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

***

Pernalonga - Beanstalk Bunny-13

“Beanstalk Bunny” (1955)

8. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

Em 1951, Jones e o roteirista Michael Maltese tiveram a ideia genial de juntar Pernalonga, Patolino e Hortelino num mesmo desenho. Aqui, a ambientação já não é o “temporada de coelho versus temporada de pato”. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

***

Pernalonga - Rabbit Seasoning

“Rabbit Seasoning” (1952)

7. RABBIT SEASONING/ TEMPORADA DE CAÇA/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da melhor trilogia da história do cinema: a Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese). Este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

O desenho dublado por mim

***

Pernalonga - Rabbit Hood-03

“Rabbit Hood” (1949)

6. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: ele vende o terreno ao xerife (que só cai em si quando já está erguendo a casa) e, fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Trecho no YouTube, com a dublagem da Cinecastro

***

Whats Opera Doc

“What’s Opera, Doc?” (1957)

5. WHAT’S OPERA, DOC?/ QUE ÓPERA, VELHINHO?/ VAI DE ÓPERA, VELHINHO? (1957)

Na já mencionada eleição com mil animadores, este ficou com o primeiríssimo lugar. Não é difícil imaginar os motivos. É ousado ao ser narrado do início ao fim tirando sarro da linguagem operística wagneriana (arranjo de Milt Franklyn), com direito a final trágico (“O que vocês queriam de uma ópera?”, pergunta o Pernalonga no desfecho). Tem desempenhos vocais extraordinários de Mel Blanc e Arthur Q. Bryan. E o estupendo visual gráfico estilizado que Chuck Jones imprimiu em seus desenhos do coelho (layouts de Maurice Noble) a partir de meados dos anos 1950, com seu estilo de animação particular, que tira o humor da economia de movimentos. Uma beleza!

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

***

Pernalonga - Bully for Bugs

“Bully for Bugs” (1953)

4. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

***

Bugs Bunny

“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

***

Pernalonga - Rabbit of Seville-02

“Rabbit of Seville” (1950)

2. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original.

***

Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; Ali-Baba Bunny (1957), com Pernalonga e Patolino na caverna de tesouros de Ali Babá; Water, Water Every Hare (1946), com o monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster; Mississipi Hare (1949), “Eu tenho cinco ases, filho”, “Eu tenho só seis ases, filho”; 8 Ball Bunny (1950), em que Pernalonga atravessa o mundo para levar um pinguim à Antártida e esbarra com Humphrey Bogart, “um semelhante americano um pouco sem sorte”; Rabbit Punch (1950), no mundo do boxe; Baton Bunny (1959), onde o coelho é um maestro.

***

Rabbit Fire

“Rabbit Fire” (1951)

1. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Em DVD: Aventuras com Patolino e Gaguinho.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

O desenho dublado por mim.

Grease - Nos Tempos da Brilhantina -21

John Travolta em “Grease — Nos Tempos da Brilhantina” (1978)

40. ‘42ND STREET’, de Rua 42 (1933)
Com Ruby Keeler, Dick Powell e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

Depois de uma introdução com Ruby Keeler sozinha no palco, o número começa para valer: a vida na feérica Rua 42 de Nova York é encenada musicalmente, com sua agitação, seu balançado e até suas tragédias humanas. Tudo com a brilhante coreografia de Busby Berkeley.

***

39. ‘MY OLD KENTUCKY HOME’, de A Mascote do Regimento (1935)
Com Bill “Bojangles” Robinson e Shirley Temple. Direção: David Butler. Música de Stephen Foster.

Histórico: pela primeira vez um par formado por um homem negro e uma mulher branca dançam juntos no cinema. Esse tabu racista foi quando o ás do sapateado Bill “Bojangles” Robinson, 57 anos, estende a mão para a estrelinha mirim Shirley Temple, 7 anos, e eles sobem e descem os degraus de uma escada de mãos dadas. A dança nos degraus eram uma marca pessoal de Robinson e, nesta cena, ele ensina Shirley a dançar como ele. E ela é uma ótima aluna.

***

38. ‘DENTIST!’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Steve Martin, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Howard Ashman e Alan Menken.

Qual seria o emprego ideal para um sádico? Para este filme, a resposta é óbvia: dentista! Steve Martin deita e rola nesta participação especial, fazendo sofrer pacientes e enfermeiras, em um número hilariante e cruel.

***

37. ‘SUNDAY JUMPS’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Música de Burton Lane.

Astaire não era só um dançarino. Era praticamente um músico com os pés. Aqui, além da noção impressionante de ritmo, que ele mostra na prática, ainda tem um de seus momentos antológicos: ele dança com um guarda-chapéus e, como disse Gene Kelly em Era uma Vez em Hollywood (1974), “como de costume, ele fez seu parceiro parecer ótimo”.

***

36. ‘MOON RIVER’, de Bonequinha de Luxo (1961)
Com Audrey Hepburn. Direção: Blake Edwards. Canção de Henry Mancini e Johnny Mercer.

Em uma reunião de produção, alguém quis tirar essa canção do filme. Audrey Hepburn se levantou e disse: “Só por cima do meu cadáver”. Ela estava absolutamente certa. Sentada em sua janela, dedilhando um violão e observada pelo vizinho que logo estará apaixonado, Holly Golightly mostra um lado menos festeiro, mas encantador. A canção ganhou um Oscar e virou um ícone, associada para sempre à atriz.

***

35. ‘NEW YORK, NEW YORK’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Leonard Bernstein, Adolph Green e Betty Comden.

6 da manhã em Nova York. Marinheiros saem em disparada de seu navio loucos para aproveitar suas 24 horas de folga em Manhattan. Nossos três protagonistas não perdem tempo e, num tempo em que os filmes eram sempre rodados dentro do estúdio, eles cantam sua canção nas locações reais da cidade (atenção: não é a mesma “New York, New York” do filme do Scorsese de 1977, que depois virou ícone como parte do repertório de Frank Sinatra). As cenas em locação eram raríssima na época, mas Gene Kelly e Stanley Donen fizeram questão. E os marinheiros vão fazendo planos do que vão aprontar por lá, entre visitar pontos turísticos e arranjar namoradas. Afinal, “New York, New York: it’s a wonderful town!”.

***

34. ‘SUMMER NIGHTS’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com John Travolta, Olivia Newton-John, Barry Pearl, Dinah Manoff, Didi Conn, Jeff Conaway, Kelly Ward, Stockard Channing, Jamie Donnelly e Michael Tucci . Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A magia do musical: Olivia e Travolta estão separados, mas unidos pela canção. Eles, que se conheceram e se apaixonaram nas férias, agora estão na mesma escola, mas não sabem disso. Contam aos amigos como foi esse namoro (ele, particularmente, exagera ao contar vantagem). O “ele disse, ela disse” vai e volta para um e para outro, com suas versões do que rolou. Apenas uma sobreposição de imagens vai uni-los no final do dueto.

***

33. ‘JUKEBOX DANCE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Fred Astaire e Eleanor Powell. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Walter Ruick.

Os personagens de Fred Astaire usaram esse truque mais de uma vez: fingir que não sabe dançar para que a moça o ensine e, aí, ele dá show. O encontro entre Fred, o melhor entre os homens, e Eleanor, a melhor entre as mulheres, só aconteceu neste filme. Como se pode ver neste número, que bom que este filme foi feito. Eleanor Powell era tão genial que até intimidava Astaire, que achava que ela talvez fosse melhor até do que ele.

***

32. ‘THE GIRL HUNT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz.

Uma criativa e espirituosa versão musical dos romances policiais de detetives particulares, com um Fred Astaire que resistia a experimentar coisas novas (segundo o coreógrafo Michael Kidd), mas que arrasou como sempre, e uma não menos do que esplêndida Cyd Charisse. O ponto alto é a investigação no nightclub, onde Fred e Cyd traduzem em passos e movimentos o jogo perigoso (mas animado) de sedução entre seus personagens.

***

31. ‘MY FAVORITE THINGS’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

Na peça original, a canção que Maria canta para as crianças para afastar o medo da tempestade é “The lonely goatherd”. “My favorite things” é cantada em outro momento por Maria… e com a madre superiora! Foi o roteirista Ernst Lehmann que resolveu rearranjar a posição das canções e ele estava mais do que certo: “My favorite things” é o argumento ideal para afastar os maus pensamentos das crianças. Quando o filme foi feito, a canção já havia virado um clássico também do jazz, depois John Coltrane a gravou em 1961 no álbum homônimo.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
>> 41 — 50
>> 51 — 60
>> 61 — 70
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

***

49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

***

48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

***

47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

***

46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

***

45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

***

44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

***

43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

***

42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

***

41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
>> 51 — 60
>> 61 — 70
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

My Fair Lady - 12

Audrey Hepburn em “I could have dance all night”, de “My Fair Lady” (1964)

60. ‘FLESH FAILURES/ LET THE SUNSHINE IN’, de Hair (1979)
Com John DeRobertas, Grand L. Bush, Beverly D’Angelo, John Savage, Treat Williams, Don Dacus, Annie Golden, Cheryl Barnes e coro. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A apoteose do filme – em uma canção forte, que bate direto – mostra os soldados americanos indo para o Vietnã, jovens que marcham até serem engolidos pela completa escuridão representada pela entrada do avião militar. Quem canta, aparece primeiro como um anônimo que nem se identifica na multidão de soldados, até se aproximar da câmera. O drama adicional é do hippie que está lá por engano, tendo tomado o lugar do amigo para que este curtisse um último bom momento com a namorada antes de partir – mas não houve tempo para a troca ser desfeita. Essa troca é uma mudança do filme em relação à peça.

***

59. ‘YOU’RE THE ONE THAT I WANT’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com Olivia Newton-John e John Travolta. Direção: Randal Kleier. Coreografia: Patricia Birch. Canção de John Farrar.

A resolução final do romance entre os personagens de Olivia e Travolta, onde ele resolve ser mais certinho para ficar com ela, mas ela é que deixa de ser a boazinha absoluta para ficar com ele. Sobra carisma e química entre os dois.

***

58. ‘AFTER YOU GET WHAT YOU WANT, YOU DON’T WANT IT’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Marilyn Monroe. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

Um dos grandes momentos de Marilyn nesse filme de grande elenco, que incluía Ethel Merman, Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. O número é uma apresentação para uma plateia, mas Marilyn, em ascensão no estrelato, domina a cena completamente. Não dá para tirar os olhos dela. Ainda mais nesse vestido.

***

57. ‘EASTER PARADE’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Uma inversão no clichê de gênero: em vez do homem cantar para a garota, ela é quem o corteja. Judy chega a fazer Fred sentar no colo dela! É uma reconciliação, mas a personagem de Judy mostra aos poucos, com muito charme, que está tudo bem. A canção de Irving Berlin é uma delícia e na voz de Judy, é difícil ficar melhor. E tem esses passinhos na escada, no final, uma graça. Era Fred voltando à Metro e para ficar (substituindo aqui Gene Kelly, escalado para o filme, mas que havia quebrado o tornozelo) e Judy em seus últimos anos no estúdio: foi, infelizmente, o único filme em que contracenaram (os dois estiveram no elenco de Ziegfeld Follies, de 1945, mas o filme era em esquetes e eles não apareceram juntos na mesma cena).

***

56. ‘ON THE TOWN’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen, Ann Miller e Betty Garrett. Direção: Gene Kelly, Stanley Donen. Canção de Rioger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Pela primeira vez no filme, o sexteto protagonista (os marinheiros e as namoradas que paqueram em suas 24 horas de folga em Nova York) estão juntos na mesma cena. O cenário é o alto do Empire State (de mentirinha, claro, no estúdio da Metro). O encontro não deixa por menos, com uma grande apresentação de humor e dança, com carisma para dar e vender. É o começo de uma grande noite.

***

55. ‘FUNNY FACE’, de Cinderela em Paris (1957)
Com Fred Astaire e Audrey Hepburn. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Fred Astaire e Eugene Loring. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

E se Audrey Hepburn fosse contratada da Metro? Pode-se ter boa ideia aqui, nesse musical da Paramount, mas que tem na equipe boa parte da turma da MGM (incluindo o diretor e o astro Astaire). O resultado, na prática, um musical da Metro feito na Paramount. E um momento especial é este, com o fotógrafo vivido por Fred revelando seu trabalho com a livreira vivida por Audrey. A cena de música e a dança no quarto escuro, com o processo de revelação incluído na cena, é para rever mil vezes. Audrey foi bailarina na juventude e mostra toda sua graça aqui.

***

54. ‘SHADOW WALTZ’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Dick Powell, Ruby Keeler e côro. Direção: Marvyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Busby Berkeley parecia não ter limites. Em “Shadow waltz”, ele colocou dezenas de garotas com violinos em um cenário de plataformas curvas. Ao apagar as luzes, o contorno dos violinos se mostram iluminados e aí começam as evoluções, em círculo e até na forma de um violino gigante. Que criador de imagens marcantes ele foi!

***

53. ‘THE SOUND OF MUSIC’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Após aquela “overture” pelas montanhas da Áustria e aquela tomada de tirar o fôlego de helicóptero se aproximando daquele pontinho que vira a Julie Andrews, segue-se uma declaração de intenções do filme: a fraulein Maria cantando seu amor pela música. Ainda não sabemos nada dela, mas já sabemos isso, o essencial que vai fazer diferença na vida de todos no filme. O filme também já mostra que não vai economizar nas paisagens embasbacantes.

***

52. ‘YOU WERE MEANT FOR ME’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Don Lockwood, o ator vivido por Gene Kelly, quer declarar seu amor para Kathy Selden, a jovem atriz vivida por Debbie Reynolds. Mas diz que não consegue se não tiver o cenário adequado. Num estúdio, uma aulinha de mágica de Hollywood: luz do luar de um refletor, brisa noturna de ventiladores… E um dos mais bonitos números românticos do cinema. Debbie Reynolds penou nas mãos de Gene Kelly, um obcecado pela perfeição. Um dia, Fred Astaire a pegou chorando num canto da MGM e ela contou suas dificuldades. Então, ele ensaiou e deu dicas a ela. Como se vê aqui, ela aprendeu mais do que bem.

***

51. ‘I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: Geotge Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Logo depois de ‘The rain in Spain’, a pobre e inculta florista Eliza Doolittle está nas nuvens: finalmente mostrou que pode falar direito e potencial para ser uma dama, aos olhos de seu irascível professor. É levada pela governanta para dormir, mas quem conseguiria assim tão rápido? Durante todo o processo (subir escadas, trocar de roupa, se lavar), ela só canta que “poderia dançar a noite inteira”). Audrey, em um de seus pontos  mais altos em ser adorável.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
>> 61 — 70
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 101 — 110
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

***

69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

***

68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

***

67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

***

66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

***

65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

***

64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

***

63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

***

62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

***

61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
>> 71 — 80
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 101 — 110
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Novica Rebelde - 09

Julie Andrews em “I have confidence in me”, de “A Noviça Rebelde” (1965)

80. ‘SPRINGTIME FOR HITLER/ HEIL MYSELF’, de Os Produtores (2005)
Com John Barrowman, Gary Beach, Uma Thurman e coro. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Uma ridicularização implacável do nazismo na figura de um musical da Broadway que o glorifica, a primeira parte é a refilmagem encorpada do número do filme original de 1968, Primavera para Hitler. Quando Hitler entra em cena, interpretado na peça pelo diretor gay Roger DeBris (por sua vez, vivido por Gary Beach), é a parte nova para Os Produtores e igualmente antológica e hilariante. O uso da expressão “Heil myself” é um tributo de Brooks a Ernst Lubitsch, que sacaneou Hitler com essa expressão em Ser ou Não Ser (1942), refilmado em 1983 como Sou ou Não Sou, com o próprio Mel Brooks no papel principal.

***

79. ‘WE BOTH REACHED FOR THE GUN’, de Chicago (2002)
Com Richard Gere, Renée Zellweger, Christine Baranski. Direção e coreografia: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Primor de metáfora, uma coletiva de imprensa manipulada por um advogado espertalhão é retratada como um show de ventriloquismo e marionetes, através de um delicioso ragtime, ritmo muito identificado com a época em que o filme se passa. Como acontece na narrativa de Chicago, o filme alterna entre o registro realista e o de fantasia, como musical.

***

78. ‘THE RAIN IN SPAIN’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (com voz de Marni Nixon), Rex Harrison e Wilfrid Hyde-White. Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Massacrada pelo tirânico professor de fonética, a florista pobre Eliza Doolittle finalmente consegue articular uma frase corretamente: “The rain in Spain stays mainly in a plain”. A euforia que toma conta de todos é um momento muito especial de My Fair Lady e o ponto de virada da trama da florista que o professor quer fazer virar dama.

***

77. ‘THEY ALL LAUGHED’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Ginger Rogers e Fred Astaire. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gerswhin e Ira Gershwin.

Na trama de Vamos Dançar?, Fred dança balé clássico e finge que é russo. O encontro com Ginger é o choque de dois mundos, e esse choque acontece para valer em “They all laughed”, delicinha de canção dos Gershwin. Ginger canta na primeira parte, depois os dois se estranham na dança, depois Fred mostra quem é e o que sabe. Depois, o que vem é magia.

***

76. ‘A HARD DAY’S NIGHT’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

A abertura de A Hard Day’s Night é antológica, reproduzindo a histeria da beatlemania com toques de nonsense e dando o tom do que virá no filme: a reprodução cômica do que seria um dia no cotidiano agitado dos Beatles, com um ar meio de documentário. O apuro visual de Richard Lester fez essas imagens ficarem clássicas.

***

75. ‘JUMPIN JIVE’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Cab Calloway e os Nicholas Brothers. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Cab Calloway, Jack Palmer e Frank Froeba.

Você nunca vai ver no cinema alguma coisa igual aos Nicholas Brothers. De uma agilidade inacreditável eles faziam coisas que nem superstars do calibre de Ferd Astaire e Gene Kelly se atreviam. Infelizmente, o racismo jogava contra: para não incomodar as plateias segregacionistas de alguns estados, os grandes filmes reservavam a eles apenas participações especiais, que podiam ser cortadas nas exibições nesses lugares. Eles tinham melhor espaço em filmes de elenco negro e destinados ao público negro como este Tempestade de Ritmos. Antecedidos pelo inimitável Cab Calloway, os Nicholas sapateiam e saltam um sobre o outro, saltam por cima da orquestra, saltam subindo e descendo uma escada. Um assombro.

***

74. ‘BLACK BOYS/ WHITE BOYS’, de Hair (1979)
Com Laurie Beechman, Debi Dye, Ellen Foley, Johnny Maestro, Fred Ferrara, Jim Rosica, Vincent Carella, Nell Carter, Charlayne Woodard, Trudy Perkins, Chuck Patterson, H. Douglas Berring, Russell Costen, Kenny Brawner e The Stylistics. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot.

O número mais irreverente e iconoclasta de Hair faz um paralelo genial entre garotas num parque falando abertamente sobre seus desejos a respeito de rapazes de outra cor… e militares numa junta de alistamento avaliando os novos recrutas. A seriedade na face de alguns dos militares enquanto cantam o que cantam dá ainda mais graça à coisa toda.

***

73. ‘SUDDENLY SEYMOUR’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Rick Moranis, Ellen Greene, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Dois sofredores do mundo, o funcionário de uma floricultura testemunha o desencanto da mulher que ama, mas que só se envolve com homens abusivos. Sua declaração de amor é uma pérola de sentimento dentro da galhofa deste ótimo musical cômico. Rick Moranis está ótimo, mas Ellen Greene (reprisando seu papel dos palcos) é sensacional.

***

72. ‘ANOTHER DAY OF SUN’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Reshma Gajjar, Hunter Hamilton, Damian Gomez, Candice Coke e elenco (vozes de Angela Parrish, Nick Baxter, Marius De Vries, Briana Lee e Sam Stone). Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Quantos sonhos a chatice de um engarramento esconde? Em outro dia comum de sol e carros parados em Los Angeles, as aspirações ganham vida quando os motoristas saem de seus carros e começam a contar daquilo que os levaram até a cidade: o sonho de vencer em Hollywood. Filmado numa autoestrada real, com três planos-sequência com cortes escondidos para que pareça tudo um único plano. É uma declaração de intenções do filme: abrindo com este número, sem qualquer dos personagens principais, já estão aqui o estilo narrativo, o estilo visual e o tema central.

***

71. ‘I HAVE CONFIDENCE’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

O carisma avassalador de Julie é combinado com a paisagem de tirar o fòlego de Salzburgo, captada através dos enquadramentos rigorosos e incríveis de Wise. Reparem, no começo, o recuo da câmera que mostra que a fraulein Maria está enquadrada entre as grades do portão. Ou quando ela vem do fundo do quadro, com os prédios ao fundo, e a câmera faz outro recuo para mostrar o ônibus para onde ela vai. Ou ela cantando na janela, com a paisagem refletida no outro vidro. Ou quando ela desde do ônibus e dá meia volta indo para o fundo do quadro. Fora a música, um canto de otimismo com violão na mão e saltinhos meio desengonçados no ar, que começa na dúvida e termina na autoconfiança plena.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
>> 81 — 90
>> 91 — 100
>> 101 — 110
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Amor Sublime Amor - 04

Natalie Wood em “I feel pretty”, de “Amor, Sublime Amor” (1961)

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

***

89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

***

88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

***

87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

***

86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

***

85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

***

84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

***

83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

***

82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

***

81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
>> 91 — 100
>> 101 — 110
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

SOME LIKE IT HOT (1959)

Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe em “Runnin’ wild”, de “Quanto Mais Quente Melhor” (1959)

100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

***

99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem. Não é por acaso que, em Guardiões da Galáxia, o herói espacial egresso dos anos 1980 diz que havia na Terra uma lenda chamada “Footloose”.

***

98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

***

97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

***

96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

***

95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mau comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

***

94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

***

93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

***

92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

***

91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
81 — 90 <<
>> 101 — 110
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

La La Land - Cantando Estações - 09

Emma Stone, Jessica Rothenberg, Sonoya Mizuno e Callie Hernandez, em “Somewhere in the crowd”, de “La La Land – Cantando Estações” (2017)

110. ‘PART OF YOUR WORLD’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Jodi Benson. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

A melhor das canções “eu quero” das animações da Disney: em uma belíssima animação à mão, Ariel mostra seu refúgio secreto com sua coleção de objetos da superfície que atiçam sua curiosidade por esse lugar onde “os pais não repreendem as filhas”.

***

109. ‘TICO-TICO NO FUBÁ’, de Alô, Amigos! (1942)
Com José Oliveira. Direção: Wilfred Jackson, Jack Kinney, Hamilton Luske e Bill Roberts. Canção de Zequinha de Abreu.

No Brasil, Zé Carioca apresenta o samba ao Pato Donald, numa combinação magistral do clássico “Tico-tico no fubá” e uma inspirada animação dos estúdios Disney, em que o cenário do Rio de Janeiro vai se desenhando à frente dos personagens.

***

108. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Canção de Matt Malneck, Fud Livingston e Gus Kahn.

“Estou cansada do amor”, canta Marilyn num momento baixo astral de sua personagem. A canção dos anos 1930 está conectada à época em que o filme se passa. A interpretação de Sugar Kane comove Joe, o personagem de Tony Curtis, que acaba revelando seu disfarce de Josephine — de uma maneira e tanto.

***

107. ‘MOVIN’ RIGHT ALONG’, de O Mundo Mágico dos Muppets (1979)
Com Jim Henson e Frank Oz. Direção: James Frawley. Canção de Paul Williams e Kenny Archer.

Dois muppets cruzando a América a bordo de um Studebaker: Caco, o Sapo (nada de Kermit aqui) e o urso Fozzy viajam para Los Angeles para trabalhar no mundo do entretenimento. Carisma não falta, de jeito nenhum. O filme era um prólogo do The Muppet Show, da TV, mostrando como os personagens se conheceram.

***

106. ‘SOMEONE IN THE CROWD’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Callie Hernandez, Sonoya Mizuno, Jessica Rothenberg e Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

A primeira metade desse número é uma obra-prima: sem cortes, freneticamente através dos cômodos da casa, cada um com uma cor dominante, assim como os vestidos das moças. Um show de direção e coreografia parta ver e rever sempre.

***

105. ‘CHIM-CHIM CHEREE’, de Mary Poppins (1964)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews, Karen Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Para tranquilizar os irmãos assustados e perdidos, o agora limpador de chaminés Bert os leva para casa e mostra, na companhia de Mary Poppins, a beleza de Londres à noite vista dos telhados. A canção ganhou o Oscar daquele ano.

***

104. ‘TWIST AND SHOUT’, de Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Com Matthew Broderick (voz de John Lennon). Direção: John Hughes. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Bert Berns e Phil Medley.

“O que você acha que o Ferris vai fazer agora?”. É a pergunta a ser feita durante todo o Curtindo a Vida Adoidado. Neste momento do filme, ele já está sobre um carro alegórico da Von Steuben Day Parade (que, aliás, existe mesmo: é realizada anualmente em Chicago em homenagem a um barão da Prússia que deu uma força aos americanos na guerra pela independência). Sua dublagem da canção dos Beatles é tão contagiosa que faz dançar todo mundo em volta. Até quem não era ator ou figurante contratado, como os trabalhadores nos andaimes e o lavador de janelas, que se deixaram embalar pela música e foram filmados pela câmera de John Hughes.

***

103. ‘THE SPANISH INQUISITION’, de A História do Mundo – Parte I (1981)
Com Mel Brooks, Jackie Mason e Ronny Graham. Direção: Mel Brooks. Coreografia: Alan Johnson. Canção de Mel Brooks e Ronny Graham.

Usar o musical como forma de demolir uma instituição é um talento particular de Mel Brooks. Aqui, o alvo é a inquisição espanhola, onde as maiores atrocidades são narradas sob o ponto de vista de saltitantes religiosos liderados por Mel em pessoa, que tentam converter judeus com citações a O Poderoso Chefão e Busby Berkeley, frades com joelhos à mostra, freiras nadadoras. Antológico.

***

102. ‘SOBBIN’ WOMEN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Ao ver seus seis irmãos de baixo astral porque a paquera com seis garotas da cidade acabou numa monumental briga com outros seis caras, o irmão mais velho Adam ajuda como pode: contando a história que aprendeu num livro, a dos romanos que simplesmente raptaram mulheres sabinas e que, com o tempo, elas acabaram gostando dos raptores (ele confunde “sabine women” com “sobbin’ women”, “chorosas”). Logo, se está na história, basta fazer o mesmo, não é? Um conselho errado, claro, defendido com vigor e talento.

***

101. ‘ISN’T THIS A LOVELY DAY (TO BE CAUGHT IN THE RAIN)?’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Direção de dança: William Hetzler. Canção de Irving Berlin.

Uma vez Ginger disse: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto”. Aqui, ela não está de salto alto, mas a piada nunca foi tão verdadeira. A brincadeira da cena, depois que Fred tenta quebrar o gelo cantando, é que ela aceita dançar com ele, porém imitando-o. De calças, Ginger faz quase um espelho de Fred, é uma dança de casal que não é de casal. Só no final ele a toma nos braços — mas ela também não deixa de conduzir em um momento.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
81 — 90
 <<
91 — 100 <<
>> 111 — 120
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Encantada-23

Amy Adams em “That’s how you know”, de “Encantada” (2007)

120. ‘I LOVE LOUISA’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire, Nanette Fabray, Oscar Levant, Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Fred Astaire havia cantado “I love Louisa” em um musical da Broadway de 1931, que levava o mesmo nome original (The Band Wagon) e que Fred protagonizou com sua irmã, Adele (no último musical que fizeram juntos, antes de ela deixar a carreira para se casar). Foi uma das três canções que sobreviveram da trilha da peça para esta versão do cinema, que criou uma história nova (no teatro, o show era de esquetes). Essa brincadeira alemã, no filme, está na festinha com que a equipe da versão musical de Fausto alivia o clima de uma estreia desastrosa. Às vezes, basta uma música ótima, um grande diretor, um coreógrafo que faça dançar um quarto lotado e um gigantesco talento para que um número seja uma delícia. Só isso. More beer!

***

119. ‘SEASONS OF LOVE’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Anthony Rapp, Adam Pascal, Rosario Dawson, Jesse L. Martin, Tracie Thoms, Idina Menzel, Wilson Jermaine Heredia, Taye Diggs. Direção: Chris Columbus. Canção de Jonathan Larson.

“Seasons of love” é uma canção tão poderosa que, no musical de teatro, está localizada no meio da apresentação e o filme a trouxe para os créditos de abertura (cantada por seus oito personagens principais num palco, diante de uma plateia vazia). Uma decisão que funciona muito bem: a letra funciona como uma carta de intenções do que virá pela frente, nesta modernização de La Bohème para a era da Aids. Como você mede os quinhentos e vinte cinco mil e seiscentos minutos que vive num ano?

***

118. ‘HAIR’, de Hair (1979)
Com Don Dacus, Treat Williams e Dorsey Wright. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

Um canto de amor aos cabelos longos que marcavam o movimento hippie, a ponto de ter batizado o musical histórico que o retratou nos palcos e no cinema. No filme, é um momento delirante dentro de um presídio, combinado com cenas da rua com Williams e muitos cabelos ao vento.

***

117. ‘CAI CAI’, de Uma Noite no Rio (1941)
Com Carmen Miranda. Direção: Irving Cummings. Canção de Roberto Martins.

Embora as coreografias sejam assinadas por Hermes Pan, muito dificilmente ele deu algum pitaco aqui. Carmen, em seu segundo filme, faz aquilo que sabia fazer como ninguém e fazia desde sua carreira no Rio de Janeiro: movia as mãos, usava expressões faciais, ia pra lá e pra cá e, combinando isso, brilhava. Em Serenata Tropical, seu primeiro filme, o diretor Irving Cummings parece não saber muito como filmar aquilo: a prendia num cenário e desperdiçava closes em vez de flagrar o máximo de seus movimentos. Ele melhora muito no seguinte: ainda é sempre basicamente Carmen cantando para uma plateia, mas Cummings abre a câmera e a mostra inteira ou de meio corpo, com edição e câmera discretas que bastam segui-la.

***

116. ‘SHALL WE DANCE?’, de O Rei e Eu (1956)
Com Deborah Kerr (com voz de Marni Nixon) e Yul Brynner. Direção: Walter Lang. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Esta visão eurocêntrica de como uma professora inglesa ajudou o Rei do Sião a se modernizar inclui esta bela cena de aula de dança, onde uma alta voltagem sexual (para a época e para o tipo de filme) aparece.

***

115. ‘SHAKE YOUR TAIL FEATHER’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Ray Charles e The Blues Brothers. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Otha Hayes, Andre Williams e Verlie Rice.

Essa canção dos anos 1960 ganha versão de Ray Charles em uma das participações especiais de Os Irmãos Cara de Pau. A música irresistível tem ótima participação cênica da Blues Brothers Band e “contamina” a vizinhança, com as pessoas numa divertida coreografia na frente da loja do Ray. Seria um flashmob?

***

114. ‘THE LONELY GOATHERD’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Angela Cartwright, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Bil Baird e Cora Baird, famosos manipuladores de marionetes nos EUA, são os grandes protagonistas ocultos desse adorável número em que Maria e as crianças fazem um show de bonecos para uma seleta plateia. Marc Breaux assina a coreografia do filme. Terá feito também a coreografia dos bonequinhos?

***

113. ‘CIRCLE OF LIFE’, de O Rei Leão (1994)
Com Carmen Twillie, Lebo M e côro. Direção: Roger Allers e Rob Minkoff. Canção de Elton John e Tim Rice.

Um dos melhores começos de filmes de todos os tempos, “Circle of life” introduz o espectador, sem qualquer diálogo, ao mundo africano onde o leão é o rei, os outros animais são os súditos, e um príncipe é apresentado. Antológico.

***

112. ‘THAT’S HOW YOU KNOW’, de Encantada (2007)
Com Amy Adams e Patrick Dempsey. Direção: Kevin Lima. Canção de Alan Menken e Stephen Schwartz.

O barato em Encantada é que é uma sátira, mas também uma afirmação carinhosa dos contos-de-fadas da Disney. E isso implica, claro, em um número musical que invada o mundo real, capitaneado por uma luminosa Amy Adams.

***

111. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Todos Dizem Eu Te Amo (1997)
Com Goldie Hawn e Woody Allen. Direção: Woody Allen. Coreografia: Graciela Daniele. Canção de Gus Kahn, Matty Malneck e Fud Livingston.

Esta canção dos anos 1930 (que Marilyn já havia cantado na tela em Quanto Mais Quente Melhor) é recorrente nesse musical leve, divertido e propositalmente meio desajeitado de Woody Allen. E a ela é reservado o belo momento final, cantada por uma adorável Goldie Hawn, que, à beira do Sena, dança e flutua.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
81 — 90
 <<
91 — 100
 <<
101 — 110 <<
>> 121 — 130
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Mary Poppins … the original and best?

Julie Andrews em “A spoonful of sugar”, de “Mary Poppins” (1964)

130. ‘BE OUR GUEST’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Jerry Orbach e Angela Lansbury. Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Os longas de animação da Disney quase sempre foram musicais, mas pouco tinham tanta alma de musical como A Bela e a Fera. O filme parece ter nascido como espetáculo da Broadway (para onde efetivamente foi, depois) e “Be our guest” bebe diretamente na fonte de Busby Berkeley e seus delírios musicais nos filmes dos anos 1930, com seus caleidoscópios e balés aquáticos.

***

129. ‘STEREOPHONIC SOUND’, de Meias de Seda (1957)
Com Janis Paige e Fred Astaire. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Hermen Pan. Canção de Cole Porter.

Em 1957, a tela larga e o som esteofônico eram armas que o cinema ainda estava começando a usar para enfrentar a concorrência da televisão. Este número de Meias de Seda tira onda brilhantemente com isso, dando a receita: diz que “Lassie seria só um cachorro como os outros” se não aparecesse em Cinemascope e latisse em estéreo, ou que antes o dançarino dançava números íntimos e de rosto colado com a parceira “e agora ele nem sabe se ela está por perto”, de tanto que eles precisam se esticar para ocupar a tela toda.

***

128. ‘COUNT ON ME’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Frank Sinatra, Betty Garrett, Ann Miller, Jules Munshin, Alice Pearce e Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Roger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Gene Kelly está na pior e seus amigos tentam levantar seu astral com uma série de tolices, do quilate de “como disse a calculadora, pode contar comigo”. Gene não resiste, é claro: no meio do número ele já está dançando com todo mundo. Como resistir a tantas palhaçadas alegres e com esse pessoal?

***

127. ‘SCHOOL OF ROCK’, de Escola de Rock (2003)
Com School of Rock. Direção: Richard Linklater. Canção de Mike White e Sammy James Jr.

Rock é coisa de criança nesse ótimo filme, onde Jack Black é um roqueiro frustrado que vira professor numa escola chique e leva os meninos que só tocavam música clássica a montar uma banda. As crianças tocam mesmo e o número, muito divertido, cita visualmente “Boys don’t cry’, do The Cure, apenas uma das inúmeras referências roqueiras do filme. A School of Rock tem Black no vocal, Joey Gaydos Jr. na guitarra, Becca Brown no baixo, Robert Tsai nos teclados, Kevin Alexander Clark na bateria e, nos backing vocals, Maryam Hassan, Caitlin Hale e Aleisha Allen. Város deles seguiram carreira na música.

***

126. ‘A SPOONFUL OF SUGAR’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews, Katharine Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Canção de Robert B. Sherman e Richard M. Sherman.

Mary Poppins chega chegando na vida dos irmãos Jane e Michael. Os coloca de cara para arrumar o quarto, mas faz uma magicazinha pra mostrar que a tarefa pode não ser tão chata: “Com um pouco de açúcar, até o remédio é um prazer”, como diz a versão brasileira da canção. Pode ser que as coisas não se arrumem sozinhas num estalar de dedos, mas sem dúvida o trabalho é bem melhor ouvindo Julie Andrews cantar.

***

125. ‘THEY CAN’T TAKE THAT AWAY FROM ME’, de Ciúme, Sinal de Amor (1949)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Charles Walters. Coreografia: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Fred Astaire e Ginger Rogers se consagraram como a maior dupla de dança da história do cinema em nove filmes na RKO, de 1933 a 1939. Depois, ela foi ser atriz dramática (ganhou um Oscar) e ele seguiu em “carreira solo”, sem outra parceira fixa. Mas se reencontraram para um revival dez anos depois, na Metro. E este número justifica o reencontro. Dançando um número que Fred já havia cantado para Ginger em Vamos Dançar?, em 1937 (sem dançar; usar a canção de novo foi sugestão dela), eles mostram que química maravilhosa não se desfaz facilmente.

***

124. ‘THE NIGHT THEY INVENTED CHAMPAGNE’, de Gigi (1958)
Com Leslie Caron, Louis Jordan e Hermione Gingold. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

Gigi, o papel que, na Broadway, revelou Audrey Hepburn em 1951, teve Leslie Caron no filme vencedor de nove Oscars. Bastante requintado e pomposo, para dar uma amaciada na história da garota que é educada para ser uma cortesã e é amiga de um jovem playboy que ainda a vê como criança neste animado número, onde ele promete levá-la à praia depois de perder no baralho (ela rouba)! Leslie foi dublada nas canções do filme por Betty Wand, mas o vídeo abaixo mostra a voz original da atriz cantando. Mas você pode ver a versão original do filme com a voz de Wand dublando Leslie Caron (a imagem widescreen está estreitada e invertida).

***

123. ‘HOW COULD YOU BELIEVE ME WHEN I SAID I LOVED YOU WHEN YOU KNOW I’VE BEEN A LIAR ALL MY LIFE?’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire e Jane Powell. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Astaire e Jane Powell interpretam um casal de irmãos que têm uma carreira junto nos palcos – como Fred e sua irmã Adele, antes da carreira dele no cinema. Muito divertido, com Jane Powell substituindo bem Judy Garland, que ia fazer o filme, mas foi demitida pela Metro. O número realmente lembra bastante a química cômica de Fred e Judy em “A couple of swells”, de Desfile de Páscoa (1948).

***

122. ‘ZERO TO HERO’, de Hércules (1997)
Com Lillias White, Vanéese Y. Thomas, Cheryl Freeman, LaChanze e Roz Ryan. Direção: John Musker, Ron Clements. Canção de Alan Menken e David Zippel.

As musas gregas contam como Hércules passou de um zero à esquerda a herói e superastro pop (com direito até a merchandising). O longa é irregular, mas esta ideia é ótima: as musas são representadas como um grupo musical, unindo um estilo Supremes e música gospel.

***

121. ‘YOUNG AND HEALTHY’, de Rua 42 (1933)
Com Dick Powell e Toby Wing. Direção: Lloyd Bacon. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

No ano de 1933, Busby Berkeley fez as marcantes coreografias de três filmes: Belezas em Revista (com aquele balé aquático), Cavadoras de OuroRua 42. “Young and healthy” é um representante de seus caleidoscópios humanos, mas num crescendo: começa com Dick Powell sozinho em um palco vazio; então, surge uma garota (Toby Wing) para quem ele canta; aí, o banco em que estão sentados desce e eles ficam no chão; de cima, a câmera os mostra girando; então surgem os dançarinos, que, deitados no chão e em volta, giram no sentido inverso; logo, Wing está à frente de uma fila de louras; então, garotas e rapaes evoluem para os caleidoscópios humanos vistos em 90 graus em plataformas giratórias que se movimentam em sentido contrário; por fim, as louras formam outra fila e a câmera passa por um túnel de pernas. Ufa!

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
81 — 90 <<
91 — 100 <<
101 — 110
 <<
111 — 120 <<
>> 131 — 140
>> 141 — 150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Bonita como Nunca-06

Rita Hayworth e Fred Astaire, em “I’m old fashioned”, de “Bonita como Nunca” (1942)

140. ‘WHEN THE MIDNIGHT CHOO-CHOO LEAVES FOR ALABAM’’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

A delicinha Mitzi Gaynor era limitada por seu próprio estúdio, a Fox, cujo alcance nos musicais não era tanto. Mas ela sempre deu conta do recado, e um de seus momentos especialmente divertidos é esse: com Donald O’ Connor, como dois irmãos que trabalham no teatro musical, fazendo uma paródia caseira de um número apresentado no início do filme por Ethel Merman e Dan Dailey, seus pais no filme.

***

139. ‘XANADU’, de Xanadu (1980)
Com Olivia Newton-John. Direção: Robert Greenwald. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Jeff Lynne.

Kitsch até dizer chega, explodindo em neon, Xanadu não é lá essas coisas como filme. Mas o momento bem virada anos 1970/ anos 1980 desse nímero, com uma grande música, tem uma Olivia Newton-John cheia de graça, conseguindo aparecer no meio dessa poluição visual de dançarinos, patinadores, equilibristas…

***

138. ‘PUTTIN’ ON THE RITZ’, de O Jovem Frankenstein (1974)
Com Gene Wilder e Peter Boyle. Direção: Mel Brooks. Canção de Irving Berlin.

O doutor Frankenstein vai mostrar sua criatura ao público, seu prodígio científico. E como ele faz isso? Num palco, cantando e dançando com ela um clássico de Irving Berlin! Puro Mel Brooks, um apaixonado por musicais que sempre dava espaço para um número em seus filmes.

***

137. ‘AUDITION (THE FOOLS WHO DREAM)’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Mia conta uma história de sua tia em Paris, que se torna um hino aos “tolos que sonham” — ela própria inclusa. Uma transição delicada e perfeita do diálogo para a canção, do cenário para apenas Emma Stone num foco de luz e uma câmera que, lentamente, vai até ela, dá a volta por trás dela e retorna ao ponto principal. Se feito com talento, não precisa muito mais que isso pra ser brilhante e inesquecível.

***

136. ‘I’M OLD FASHIONED’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Fred Astaire. Direção: William A. Seiter. Diretor de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Bonita como Nunca foi o segundo e último filme estrelado por Astaire e Rita Hayworth, mostrando de novo que eles eram perfeitos juntos. É charme que não acaba mais e um final gracinha.

***

135. ‘I’M WISHING/ ONE SONG’, de Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
Com Adriana Caselotti e Harry Stockwell. Direção: David Hand. Canções de Frank Churchill e Larry Morey.

Sim, claro, é datado: a princesa esperando pelo seu príncipe que vai resgatá-la. Deem um desconto, é 1937. A canção se tornou um ícone que resiste, graças à elegância de uma animação que ainda bota no bolso a maioria do que é feito hoje e a encenação graciosa com o eco do poço e ao pássaro que leva o beijo da Branca de Neve ao príncipe.

***

134. ‘IF I ONLY HAD A NERVE/ WE’RE OFF TO SEE THE WIZARD’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Bert Lahr, Judy Garland, Ray Bolger, Jack Haley e a voz de Buddy Ebsen. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Depois de “If I only had a brain”, com o Espantalho, e “If I only had a heart”, com o Homem de Lata, é a vez do Leão covarde cantar sua canção. A diferença é que ela emenda com a icônica “We’re off to see the wizard” (onde a voz do Homem de Lata ainda é a de Buddy Ebsen, que teve alergia à maquiagem e foi substituído na filmagem por Jack Haley). “We’re off to see the wizard” já havia sido cantada três vezes antes, mas esta é a primeira em que estão os quatro juntos, por isso é um momento marcante.

***

133. ‘SHALL WE DANCE?’, de Vamos Dançar (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Depois de ter perdido Ginger, o personagem de Fred lida com isso apresentando um número com várias dançarinas usando máscaras da amada. O que ele não espera é que a verdadeira está lá e ele vai ter que encontrá-la para fazerem, como sempre, mágica juntos. É o delicioso final de Vamos Dançar?, candidato a melhor filme da maior dupla de dançarinos do cinema.

***

132. ‘HELLO, DOLLY’, de Alô, Dolly (1969)
Com Barbra Streisand e Louis Armstrong. Direção: Gene Kelly. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Jerry Herman.

O grande momento (grande mesmo: mais de sete minutos) de Alô, Dolly, em que a casamenteira atrevida é recebida com pompa e circunstância no restaurante pela infinidade de garçons do lugar. A cereja é a pequena participação do gigante Louis Armstrong. O vídeo abaixo infelizmente não mostra o número todo, mas a canção dá pra ouvir aqui.

***

131. ‘CHANSON D’UN JOUR D’ÉTÉ’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain) e Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Irmãs no filme e na vida real e irresistíveis, Deneuve e Françoise Dorleac fazem essa apresentação no palco de uma quermesse. Quem resiste quando, no refrão, elas esquecem a plateia e cantam para nós, do outro lado da câmera? Demy namora muito o musical hollywoodiano nesse filme.

***

LEIA MAIS:

1 <<
2 <<
3 <<
4 <<
5 <<
6 <<
7 <<
8 <<
9 <<
10 <<
11 — 20 <<
21 — 30 <<
31 — 40 <<
41 — 50 <<
51 — 60 <<
61 — 70 <<
71 — 80 <<
81 — 90 <<
91 — 100 <<
101 — 110 <<
111 — 120 <<
121 — 130 <<
>> 141 —150
>> 151 — 160
>> 161 — 170
>> 171 — 180

>> 181 — 190
>> 191 — 200

Páginas

Sigam-me os bons (no Twitter)