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Haya Harareet, em “Ben-Hur” (1959)

A atriz Haya Harareet, a Esther de Ben-Hur (1959), morreu ontem, dia 3, na Inglaterra, aos 89 anos. Nascida na Palestina, em 1931, ela começou a se destacar em concursos de beleza e fez seu primeiro filme em Israel: Colina 24 Não Responde… (1955). Quatro anos depois, estava no principal papel feminino de Ben-Hur, filmado em boa parte na Itália, onde Haya fez alguns filmes antes de encerrar sua curta carreira como atriz de cinema: seu último longa, o oitavo, é de 1964 (ela ainda apareceu em um curta britânico de 1974). Ela ainda co-escreveu o roteiro de Todas as Noites às Nove (1967), dirigido por seu segundo marido, Jack Clayton, com quem passou a morar na Inglaterra.

20 – CARNAVAL NO FOGO

É o filme que estabeleceu o modelo clássico das chanchadas (não sou eu quem digo, é o Sérgio Augusto, no Este Mundo É um Pandeiro), com muita confusão no Copacabana Palace, trocas de identidade, números musicais com artistas do rádio, José Lewgoy de vilãozão, Eliana como a mocinha que dá bordoadas, e, claro, Oscarito e Grande Otelo. Não apenas isso, mas Oscarito e Grande Otelo na antológica cena do balcão de Romeu e Julieta. Otelo estava vivendo uma tragédia indizível: na noite anterior à filmagem da cena, a esposa do ator tinha matado uma filha do casal e se matado. Bebeu sem parar, foi filmar mesmo assim aos bagaços e entregou uma performance antológica.
Brasil. Direção: Watson Macedo. Roteiro: Alinor Azevedo e Watson Macedo, de argumento de Anselmo Duarte. Elenco: Oscarito, Anselmo Duarte, Eliana Macedo, José Lewgoy, Grande Otelo, Adelaide Chiozzo, Wilson Grey, Jece Valadão, Dircinha Batista, Bené Nunes.

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19 – RIO BRAVO ou RIO GRANDE (Rio Grande)

A melhor coisa de John Ford não está em seus filmes sobre cavalaria, mas de novo ele se aproveita do cenário para tratar da relação entre os personagens: um coronel que vê o próprio filho (que ele não vê desde que o rapaz era um bebê) ingressar como soldado em suas fileiras para o difícil combate com os índios, e a mãe do rapaz, que vai lá buscá-lo. O conflito interno entre o dever com a família e o dever com o exército é o cerne do personagem de John Wayne. Além do mais, é o filme que viabilizou o posterior (e maravilhoso) Depois do Vendaval e é o primeiro dos cinco filmes de Wayne com Maureen O’Hara – então a gente tem que agradecer. O título brasileiro é curioso. O Rio Grande do original virou Rio Bravo aqui. Acontece que o rio que é fronteira dos EUA com o México é chamado de Grande do lado americano e Bravo do lado mexicano – e a tradução brasileira optou pelo nome do México. Quando anos depois Hollywood lançou um filme chamado Rio Bravo (Onde Começa o Inferno, aqui), deu-se a confusão. Em DVD, o filme de Ford chegou a sair com o título original: Rio Grande.
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: James Kevin McGuiness, baseado em conto de James Warner Bellah. Elenco: John Wayne, Maureen O’Hara, Ben Johnson, Claude Jarman Jr, Victor McLaglen.

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18 – BONITA E VALENTE (Annie Get Your Gun)

Annie Oakley, atiradora que foi estrela do show de Buffalo Bill no velho oeste e foi adotada pelo chefe índio Touro Sentado, inspirou um musical no teatro produzido por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com músicas de Irving Berlin, e, depois, este filme da MGM. Judy Garland começou a filmar, mas foi demitida. Busby Berkeley também começou dirigindo e recebeu o bilhete azul. Muita confusão, mas o filme sobrevive com cenas ótimas como “There’s no business like show business” e “Anything you can do, I can do better’.
Estados Unidos. Direção: George Sidney, Busby Berkeley (não creditado). Roteiro: Sidney Sheldon, baseado em peça musical de Herbert Fields e Dorothy Fields. Elenco: Betty Hutton, Howard Keel, Louis Calhern, J. Carrol Naish.

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17 – PÂNICO NAS RUAS (Panic in the Streets)

Inesperada atualidade para esse filme: uma caçada policial a um assassino, mas o motivo principal é que ele está infectado com uma doença e pode contaminar a cidade. Kazan estava ainda nos primeiros anos de sua grande carreira como diretor.
Estados Unidos. Direção: Elia Kazan. Roteiro: Richard Murphy, argumento de Edna Anhalt e Edward Anhalt, e adaptação de Daniel Fuchs. Elenco: Richard Widmark, Paul Douglas, Barbara Bel Geddes, Jack Palance, Zero Mostel.

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16 – ESSE PINGUIM É UMA FRIA (8 Ball Bunny)

“Com licença. Tem algum trocado para ajudar um compatriota americano um pouco sem sorte?”. Azar deu o Pernalonga, ao dar de cara com um pinguim e se comprometer a levá-lo para casa – na Antártida. A viagem rende um dos melhores curtas do coelho, o tempo todo esbarrando no Humphrey Bogart maltrapilho do começo de O Tesouro de Sierra Madre.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Dave Barry.

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15 – O MATADOR (The Gunfighter)

A fama de rápido no gatilho pode parecer bacana, mas cobra um preço. É sobre isso este filme, um exemplar do que ficou sendo chamado de faroeste psicológico: um pistoleiro chega a uma cidadezinha e sua mera presença leva turbulência ao lugar. Alguns querem vingança, outros querem fama. Ele não quer briga, só reencontrar a humanidade que já teve e deixou para trás.
Estados Unidos. Direção: Henry King. Roteiro: William Bowers e William Sellers, argumento de William Bowers e André De Toth. Elenco: Gregory Peck, Helen Westcott, Millard Mitchell, Jean Parker, Karl Malden.

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14 – A ILHA DO TESOURO (Treasure Island/ Robert Louis Stevenson’s Treasure Island)

Primeiro filme da Disney totalmente com atores, é uma aventurona que adapta um dos maiores clássicos literários do gênero. E não decepciona: é uma produção bem cuidada, movimentada e até violenta para os padrões de hoje do cinema infanto-juvenil.
Estados Unidos/ Reino Unido. Direção: Byron Haskin. Roteiro: Lawrence Edward Watkin, baseado em romance de Robert Louis Stevenson. Elenco: Bobby Driscoll, Robert Newton, Basil Sidney, Walter Fitzgerald.

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13 – OS ESQUECIDOS (Los Olvidados)

Buñuel começou seu exílio no México com este filme, já uma pedrada na sociedade do país adotivo. Com atmosfera neo-realista, o cineasta espanhol conta a história de garotos marginalizados e a violência ao seu redor sem economizar nas tintas. Pessoas no país não gostaram nada de ver suas mazelas expostas de tal maneira.
México. Direção: Luís Buñuel. Roteiro: Luis Alcoriza e Luís Buñuel. Elenco: Alfonso Mejía, Roberto Cobo, Estela Inda, Miguel Inclán.

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12 – O GAROTO FABULOSO (Gerald McBoing-Boing)

Nem Warner, nem Disney, nem MGM: foi a UPA que surpreendeu e ganhou o Oscar de curta de animação com este primor de grafismo. Baseado na obra do Dr. Seuss, o filme conta a história do garoto que não falava, só dizia ‘boing’.
Estados Unidos. Direção: Robert Cannon. Roteiro: Bill Scott e Phil Eastman, baseado em história de Dr. Seuss. Narração na dublagem original: Marvin Miller.

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11 – WINCHESTER 73 (Winchester 73)

Anthony Mann ajudou a reinventar a carreira de Jimmy Stewart. Consagrado como bom moço, tímido e idealista, aqui ele é durão, amargo e vingativo. Sua carreira também não vinha bem das pernas e esta redefinição veio bem a calhar.
Estados Unidos. Direção: Anthony Mann. Roteiro: Robert L. Richards e Borden Chase, de argumento de Stuart N. Lake. Elenco: James Stewart, Shelley Winters, Dan Duryea, Millard Mitchell.

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10 – O SEGREDO DAS JÓIAS (The Asphalt Jungle)

Um dos grandes filmes de roubo da história. John Huston mostra uma coleção de personagens antes, durante e depois de um muito arquitetado assalto a uma joalheria. De quebra, duas beldades daquelas: Jean Hagen (que dali a dois anos seria a inesquecível Lina Lamont de Cantando na Chuva) e ninguém menos que Marilyn Monroe (em papel pequeno, mas roubando a cena).
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow e John Huston, baseado em romance de W.R. Burnett. Elenco: Sterling Hayden, Sam Jaffe, Louis Calhern, Jean Hagen, Marilyn Monroe, James Whitmore, Jack Warden, Marc Lawrence.

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9 – NASCIDA ONTEM (Born Yesterday)

Judy Holliday ganhou o Oscar com essa interpretação com a qual já tinha arrasado no teatro: a amante de um político brutalhão e corrupto que deve receber uma aula de etiqueta de um jornalista, mas acaba adquirindo cidadania e o poder de pensar. Holliday conseguiu outro feito raro: foi indicada ao Globo de Ouro a melhor atriz de comédia (que ganhou) e de drama pelo mesmo papel.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Albert Mannheimer, baseado em peça de Garson Kanin. Elenco: Judy Holliday, William Holden, Broderick Crawford, Howard St. John, Frank Otto.

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8 – STROMBOLI (Stromboli, Terra di Dio)

Ingrid Bergman largou o estrelato em Hollywood para fazer filmes neo-realistas na Itália. Foi parar numa ilhota vulcânica primitiva como a mulher linda e sofisticada entre os aldeões brutalizados — um choque cultural inevitável.
Itália/ Estados Unidos. Direção: Roberto Rossellini. Roteiro: Roberto Rossellini, com colaboração de Sergio Amidei, Gian Paolo Callegari, Art Cohn, Renzo Cesana e Félix Morlión. Elenco: Ingrid Bergman, Mario Vitale, Renzo Cesana.

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7 – PATETA NO TRÂNSITO ou MOTORMANIA (Motor Mania)

O Sr. Andante e o Sr. Volante são as duas faces de uma mesma pessoa que é o Dr. Jekyll quando pedestre e vira o Mr. Hyde quando entra no carro. Ainda é a melhor tradução dos humores de boa parte do trânsito em qualquer lugar do mundo. O curta é daquela série da Disney em que todos os personagens são versões do Pateta, numa sátira da sociedade. E este é eterno.
Estados Unidos. Direção: Jack Kinney. Roteiro: Dick Kinney e Milt Schaffer. Vozes na dublagem original: Bob Jackman, John McLeish.

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6 – O COELHO DE SEVILHA (Rabbit of Seville)

O final dos anos 1940 e o começo dos anos 1950 foi a época mais incrível do Pernalonga. Seus dois melhores diretores – Chuck Jones e Friz Freleng – estavam no máximo e deram ao seu astro o melhor material em que trabalhar. Aqui, a eterna perseguição do Hortelino ao coelho invade o palco de uma ópera que está para começar e se desenrola freneticamente ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha.
Estados Unidos. Direção: Chuck Jones. Roteiro: Michael Maltese. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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5 – CINDERELA ou A GATA BORRALHEIRA (Cinderella)

Em apuros financeiros, a Disney recorreu à fórmula com que fez sucesso em Branca de Neve e os Sete Anões (1937): uma garota oprimida por uma madrasta, bondosa a ponto de conversar com os bichinhos, e que, no fim, vive feliz para sempre com seu príncipe. Com a ajuda de uma fada madrinha, como em Pinóquio (1940). O estilo de conto-de-fadas é cativante, mas o que torna o filme memorável, mesmo, é a animação maravilhosa, em cenas como a de Cinderela esfregando o chão e as bolhas de sabão repetindo sua imagem, ou sua corrida em desespero para a escuridão e saindo ao fundo para o jardim, vista através da grande janela. Para rapidez, o estúdio filmou tudo com uma atriz antes – os desenhistas disseram depois que não gostaram muito disso, e usaram só o que achavam que deviam. No Brasil, o filme foi exibido nos cinemas (na estreia e em reprises até os anos 1990) de A Gata Borralheira.
Estados Unidos. Direção: Wilfred Jackson, Hamilton L. Luske, Clyde Geronimi. Roteiro: Bill Peet, Erdman Penner, Ted Sears, Winston Hibler, Homer Brightman, Harry Reeves, Ken Anderson, Joe Rinaldi, Maurice Rapf (não creditado), Frank Tashlin (não creditado). Vozes originais: Ilene Woods, Eleanor Audley, Verna Felton. Vozes na dublagem brasileira: Simone de Morais, Tina Vita, Olga Nobre, Aloysio de Oliveira.

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4 – MORTALMENTE PERIGOSA (Gun Crazy/ Deadly Is the Female)

17 anos antes de Bonnie & Clyde, o filme, e 16 anos após a morte do casal real de assaltantes de banco, houve Mortalmente Perigosa. Clássico exemplar do filme B: com baixo orçamento, mas muita personalidade e grandes ideias narrativas. Aqui, o fio condutor é o amor bandido entre um atirador e sua esposa que parece gostar demais do crime. Além da tensão sexual e psicológica entre os protagonistas, há cenas como a do assalto a banco, mostrado num plano-sequência. Com a câmera sempre dentro do carro, ela mostra desde a chegada do casal à cidade até a fuga.
Estados Unidos. Direção: Joseph H. Lewis. Roteiro: MacKinlay Kantor e Dalton Trumbo (como Millard Kaufman), com argumento de Kantor. Elenco: Peggy Cummins, John Dall, Berry Kroeger, Anabel Shaw, Harry Lewis

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3 – RASHOMON (Rashomon)

Foi no Festival de Veneza que Rashomon mostrou ao ocidente a qualidade do cinema que se fazia no Japão. A história do samurai e sua esposa surpreendidos por um ladrão na floresta (o que terminou com a morte do marido) é contada quatro vezes, de maneira muito diferente dependendo do ponto de vista de quem conta. A verdade é a contada pela mulher, pelo ladrão, pelo fantasma do morto ou por um observador de fora, que estava passando na hora? Kurosawa disse que Rashomon espelhava a vida, e a vida não tinha sentido.
Japão. Direção: Akira Kurosawa. Roteiro: Akira Kurosawa e Shinobu Hashimoto, baseado em história de Ryunosuke Akutagawa. Elenco: Toshiro Mifune, Machiko Kyo, Masayuki Mori, Takashi Shimura.

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2 – A MALVADA (All About Eve)

Uma atriz está para ser laureada nas primeiras cenas de A Malvada. “Saberemos tudo sobre Eve”, diz o narrador. Então vemos sua aparição quase como uma gatinha escondida num beco chuvoso, uma fã ardorosa que cai nas graças de uma amiga da estrela do teatro, de quem Eve é devota. O que acontece entre um ponto e outro é um dos grandes filmes da história, capitaneado por duas atrizes esplêndidas: Bette Davis e Anne Baxter. Entre os coadjuvantes, a competência de sempre de Celeste Holm, uma brilhante Thelma Ritter, um refinadamente odioso George Sanders e uma iniciante Marilyn Monroe. A bordo de um roteiro que entrega um diálogo antológico após outro. Narrado quase todo o tempo por flashbacks de personagens diferentes, é um mergulho fascinante e duro no mundo do teatro. Ganhou o Oscar de melhor filme e outros cinco, partindo de 14 indicações (recorde até hoje).
Estados Unidos. Direção: Joseph L. Mankiewicz. Roteiro: Joseph L. Mankiewicz, baseado em conto de Mary Orr (não creditada). Elenco: Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe, Thelma Ritter, Marilyn Monroe, Gregory Ratoff, Barbara Bates.

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1 – CREPÚSCULO DOS DEUSES (Sunset Blvd.)

“Você é Norma Desmond. Você era grande!”. “Eu SOU grande. Os filmes é que ficaram pequenos”. Billy Wilder deu uma sapatada na cara de Hollywood com essa história tortuosa do roteirista fuleira que se envolve com uma estrela do cinema mudo, aposentada contra a vontade quando os filmes passaram a ser falados. É cheio de piadas internas: Gloria Swanson tinha sido mesmo uma estrela dos filmes mudos, Erich von Stroheim foi um dos grandes diretores dela, Cecil B. De Mille e a colunista Hedda Hopper interpretam a si mesmos, Buster Keaton faz uma ponta. Billy dá um nó tático narrativo desde o começo ao fazer o filme ser narrado por um morto, enche o filme de frases antológicas e o encerra com um dos melhores e terríveis finais já vistos. “Tudo bem, Sr. DeMille, estou pronta para o meu close-up”.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder, Charles Brackett e D.M. Marshman Jr. Elenco: William Holden, Gloria Swanson, Erich von Stroheim, Nancy Olson, Fred Clark, Jack Webb, Cecil B. DeMille, Buster Keaton, Hedda Hopper, H.B. Warner.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

1. ‘SINGIN’ IN THE RAIN’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Muita gente que me conhece está agora dizendo: “Mas é óbvio”. Mas juro que não foi tão óbvio assim. “Singin’ in the rain” passou boa parte do tempo fora do primeiro lugar. Mas o peso de sua importância foi decisivo num desempate, assim como o fato de que o número está totalmente integrado à narrativa da história (não é mostrado como uma apresentação num palco). Aqui, Don Lockwood, o personagem de Gene Kelly, diz através da música aquilo que está sentido e dança para sublinhar isso. Quem nunca teve vontade de, numa alegria imensa, sair correndo e pulando? “Singin’ in the rain” é isso. Além disso, é cheio de perícias técnicas que permitiram ao número ser a referência que é hoje. Há o fato de que leite foi misturado à água para que a chuva pudesse ser melhor vista na tela. Que buracos foram cavados no chão, para que água fosse acumulada exatamente onde a coreografia pedia. Que Gene Kelly gravou com febre. Que a música já havia aparecido seis ou quatro vezes antes em filmes da Metro e esta eclipsou todas as outras para sempre. E o resultado é uma obra-prima de técnica e emoção, com Kelly jogando e pegando o guarda-chuva no ar, se equilibrando no meio-fio, flutua para se agarrar a um poste, brincando com biqueiras e vitrines, pulando em poças e sendo silenciosamente repreendido por um policial com cara de poucos amigos. Do primeiro ao último segundo, uma maravilha.

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6. ‘MOSES SUPPOSES’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Betty Comden, Adolph Green e Roger Edens.

Eu me lembro como se fosse hoje o impacto de assistir a “Moses supposes”, na primeira vez que vi Cantando na Chuva, na TV, no réveillon de 1988. A energia, temperada com muita irreverência, era irresistível. Dava vontade de levantar e dançar junto pela sala. A música era, então, uma novidade. A trilha do filme era quase toda feita de antigas canções de Arthur Freed e Nacio Herb Brown, mais duas criadas especialmente para o filme: “Make’em laugh” e “Moses supposes”. No contexto de atores do cinema mudo sendo treinados em dicção para atuar no cinema falado, os personagens de Donald O’Connor e Gene Kelly subvertem uma aula a partir dos trava-línguas propostos pelo sisudo professor. Eles sapateiam sobre uma mesa, brincam com cadeiras e cortinas, jogam o professor para lá e para cá. Uma farra, mas com uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E a câmera é exemplar, dançando com O’Connor e Kelly, os seguindo sem descanso, para um lado, para o outro, para cima e para baixo.

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9. ‘DANCING IN THE DARK’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Na história de A Roda da Fortuna, os personagens de Fred Astaire e Cyd Charisse se estranham de cara. Ele, um sapateador; ela, uma bailarina clássica; ambos colocados lado a lado para estrelarem um pretensioso musical da Broadway. Este é o momento no qual eles finalmente entram em sintonia. Sem uma única palavra (falada ou cantada), em um Central Park de estúdio. Não pelo diálogo, não pela canção: a comunicação e o entendimento vem exclusivamente através da dança, em um dos mais belos duetos de movimento da história do cinema.

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10. ‘MAKE’EM LAUGH’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Música de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Donald O’Connor interpreta Cosmo Brown, o amigo comediante do galã Don Lockwood (Gene Kelly). Para animar o parceiro, ele diz que o show deve continuar – e o show dele, no caso, é fazer rir. O’Connor ganhou este solo no filme e não desperdiçou: dá tudo de si em um número inesquecível. Faz caretas, leva tombos, dança com um boneco (e apanha dele), dá saltos mortais (dois seguidos, subindo correndo pelas paredes). Fumante inveterado, o ator-dançarino ficou uma semana no hospital para se recuperar. Só que a filmagem foi comprometida e ele, de volta, precisou fazer os saltos de novo… E a música é um caso à parte. Foi pedido a Arthur Freed e Nacio Herb Brown esta nova canção com a comédia como tema. Quando foi entregue, a melodia da dita cuja era igualzinha a ‘Be a clown’, de Cole Porter… Cole nunca reclamou, ainda bem.

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Pai, mãe e filho vivem em uma casa de arquitetura modernosa e impessoal. Mas o menino tem um tio, o Sr. Hulot, que vive em um outro bairro: pobre, bagunçado, mas muito mais humano. Hulot apresenta ao menino este outro lado da vida.

Meu Tio é a obra-prima de Tati, que usa Hulot para apresentar sua visão de mundo. Mais uma vez ele faz um filme puramente visual, praticamente sem nenhum diálogo importante e com um tema musical que se repete.

A arquitetura cheia de pose e nada prática dá pano para muito riso e debate. Assim como a necessidade de ostentar um status (a mulher liga a fonte sempre que chega uma visita – mas se é o irmão, Hulot, ela logo desliga).

Assim como o contraste com a área pobre, com uma vila labiríntica, ruínas de muros (em contraposição aos muros altos das casas ricas), e cachorros vadios que correm soltos pelas ruas (como as crianças).

Tati nunca perde de vista o foco em seus personagens. É algo com que o filme seguinte, Playtime, sofreria. Mas aqui o equilíbrio é perfeito.

Diário de Filmes 2020: 22
MEU TIO (Mon Oncle, 1958)
Direção: Jacques Tati. Elenco: Jacques Tati, Alain Bécourt, Jean-Pierre Zola, Adrienne Servantie.
⭐⭐⭐⭐⭐

Em DVD: na coleção Jacques Tati, do selo Obras-Primas do Cinema

As Férias do Sr. Hulot é o segundo longa de Jacques Tati e o primeiro com o personagem que ele interpretaria aí e em mais três filmes posteriores. Como ele também voltaria a fazer, não há bem uma história, mas uma situação estabelecida na qual ele desfila uma série de esquetes e personagens, observando com humor a relação entre as pessoas, convenções sociais e modismos.

Ancorado pelo gentil e desengonçado Hulot vai, como tanta gente, a um balneário. Não é um filme mudo, mas os diálogos são muito poucos e quase nenhum com alguma importância.

Mesmo a trilha é franciscana: consiste basicamente de um mesmo tema musical que se repete ocasionalmente. O humor é basicamente visual e, nisso, muito preciso.

Como a cena em que Hulot tenta pintar um bote à beira-mar e nunca acha a lata de tinta porque o mar a leva para o outro lado do barquinho. Ou sua luta para segurar as rédeas de um cavalo, que o faz aparecer e desaparecer de cena por trás de um casebre — uma aula de pantomima.

Diário de Filmes 2020: 17
AS FÉRIAS DO SR. HULOT (Les Vacances de Monsieur Hulot, 1953)
Direção: Jacques Tati. Elenco: Jacques Tati, Nathalie Pascaud, Micheline Rolla.
⭐⭐⭐⭐

Em DVD: na Coleção Jacques Tati, do selo Obras-Primas do Cinema.

Isadore “Friz Freleng” é outro dos grandes diretores do Pernalonga. Ele, para começar, lançou o Eufrazino em 1945 e o usou várias vezes como antagonista do coelho, em diversos cenários (velho oeste, navio pirata, Roma antiga, Inglaterra medieval, deserto do Saara, guerra da independência dos EUA…).

Também foi com Freleng que o coelho ganhou seu único Oscar. Friz ficava entre a elegância da narrativa de Jones e a piração completa de Robert Clampett. São dele também os principais curtas de Frajola e Piu-Piu e também, já fora da Warner, os primeiros e melhores curtas da Pantera Cor-de-Rosa (que ele continuou produzindo depois, mesmo que não mais dirigindo).

Vamos, então, ao melhor de Friz:

Pernalonga - Little Red Riding Rabbit

“Little Red Riding Hood” (1944)

10. LITTLE RED RIDING RABBIT/ UM CHAPEUZINHO VERMELHO DIFERENTE/ CHAPEUZINHO VERMELHO, PERNALONGA E O LOBO MAU (1944)

Mais assemelhado ao Pernalonga de Bob Clampett que ao de Chuck Jones, esta sátira a Chapeuzinho Vermelho é demolidora e não deixa pedra sobre pedra. Começa pela própria Chapeuzinho, uma adolescente chata de galochas, que leva Pernalonga em sua cesta para a vovozinha. O duelo do coelho, claro, será com o lobo, vestido como a velha. É o primeiro curta a creditar mel Blanc como dublador.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - A Hare Grows in Manhattan

“A Hare Grows in Manhattan” (1944)

9. A HARE GROWS IN MANHATTAN/ INFÂNCIA EM MANHATTAN/ TRAPALHADAS DE UM COELHO (1947)

Pernalonga não tem uma origem fixa, graças a Deus. Nesta animação cujo título faz referência ao livro e filme A Tree Grows in Brooklyn, há uma delas. O filme de Elia Kazan, que aqui se chama Laços Humanos, havia saído dois anos deste curta e inspirou o título e a gag final. O astro Pernalonga (o curta começa com um passeio visual pela propriedade suntuosa com piscina, mas cuja casa mesmo ainda é uma toca no chão) conta a uma repórter de fofocas sobre sua infância no East Side, onde é perturbado por uma gangue de cães. A cidade de Nova York é uma bela co-protagonista.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Stage Door Cartoon

“Stage Door Cartoon” (1944)

8. STAGE DOOR CARTOON/ CAÇADA NO PALCO (1944)

A caçada de Hortelino a Pernalonga vai parar dentro de um teatro onde há um show de vaudeville. Essas apresentações populares de variedades foi tema precioso nos curtas do coelho, o próprio Freleng voltou a ele outras vezes. Dançarinas de can-can, uma apresentação de piano, Shakespeare e até um número de strip-tease estão no programa. E o Pernalonga fazendo Hortelino saltar de um trampolim imenso em um copinho d’água.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

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Slick Hare

“Slick Hare” (1947)

7. SLICK HARE/ O COELHO DO DIA/ COELHO SALIENTE (1947)

Agora o confronto entre Pernalonga e Hortelino é num restaurante frequentado por estrelas de Hollywood. O careca é o dono do lugar, Humphrey Bogart exige coelho para o jantar e Pernalonga se vira, entre outras coisas, sambando após uma apresentação de Carmen Miranda. O desenho remete ao clássico Hollywood Steps Out (1941), de Tex Avery, que é todo com caricaturas de estrelas do cinema da época.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com o som original.

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Pernalonga - Show Biz Bugs

“Show Biz Bugs” (1957)

6. SHOW BIZ BUGS/ SHOW INFERNAL/ DUELO DE VAIDADES (1957)

Pobre Patolino. No show que divide com Pernalonga no teatro seu nome vem em letras minúsculas, seu camarim é o banheiro e, por mais que faça no palco o mesmo que o coelho ou melhor, só recebe da plateia um silêncio sepulcral ou ocasionalmente um tomate. A disputa entre os dois é ótima: com destaque para os pombos treinados que saem voando ou aquele número de mágica de cortar uma pessoa ao meio para o qual Patolino se oferece para demonstrar a fraude (“O turbante dele também é falso! É uma toalha de banho”).

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Mutiny on the Bunny-02

“Mutiny on the Bunny” (1950)

5. MUTINY ON THE BUNNY/ O MOTIM (1950)

Eufrazino contrata o coelho como seu único tripulante. Não é o primeiro com o pirata Eufrazino, mas é o melhor, com o começo impactante do marinheiro aos frangalhos fugindo e alertando para a câmera: “Eu já fui um ser humano”. E tem a impagável sequência em que Eufrazino remenda sozinho e seguidas vezes seu navio, só para ele afundar de novo em seguida.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Bugs Bunny Rides Again

“Bugs Bunny Rides Again” (1948)

4. BUGS BUNNY RIDES AGAIN/ PERNALONGA ATACA DE NOVO/ PERNALONGA ATACA OUTRA VEZ (1948)

O oeste é o lar de Eufrazino, onde ele se sente mais à vontade. E este curta alopradíssimo é quase um resumo das piadas possíveis com clichês do gênero. O enredo é simples: Eufrazino aparece na cidade tocando o terror e o Pernalonga aceita enfrentá-lo. A partir daí, o coelho subvertendo a realidade de maneira frenética, cortando o baralho no poquer com um facão ou fazendo um show de vaudeville quando Eufrazino atira em seu pés gritando “Dance!”. Que ritmo tem esse desenho!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Big House Bunny

“Big House Bunny” (1950)

3. BIG HOUSE BUNNY/ COELHO NA PRISÃO (1950)

O coitado do Eufrazino não se dá bem nem mesmo quando está do lado certo da lei. Carcereiro em uma prisão, dá o azar de o Pernalonga aparecer lá fugindo de caçadores. Começa prendendo o coelho, quando acha que ele era um preso tentando fugir. A partir daí a sucessão de gags é quase ininterrupta, com destaque para a fuga cujo túnel vai dar em uma selva que se revelam as plantas da sala do diretor da penitenciária. Eufrazino (que originalmente chama-se Yosemite Sam) aqui é chamado de Sam Schultz.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Bugs and Thugs-03

“Bugs and Thugs” (1954)

2. BUGS AND THUGS/ PERNALONGA E OS BANDIDOS (1954)

O melhor dos curtas em que o coelho contracena com a dupla de gangsters Rocky e Mugsy. Ele vai ao banco sacar uma cenoura de seu cofre e depois pega um taxi, que é na verdade o carro dos dois assaltantes. Ele acaba sendo levado como refém. Visualmente é um desenho belíssimo (como a cena em que Rocky manda Mugsy dar cabo do coelho, vista apenas em silhueta por trás de uma janela no covil dos bandidos), de narrativa ágil, com ótimas piadas e ainda tem essa cena antológica em que Pernalonga convence os bandidos de que a casa está cercada e os esconde no forno enquanto finge ser interrogado do lado de fora (“Eu acenderia o gás se ele estivesse no forno? Eu acenderia este fósforo se eles estivessem no forno?”). Pessoalmente, me rendeu um bordão que sempre uso: “É possível, coelho, é possível…”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Vol. 2.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Knighty Knight Bugs/ Cavaleiro Pernalonga (1958), único Oscar vencido por Pernalonga, em uma aventura na Inglaterra medieval; Roman Legion Hare (1955), Pernalonga contra o centurião Eufrazino na Roma antiga; Hare Brush/ Troca de Sorte (1955), com “Eu sou o senhor Elmer, o milionário. Eu tenho uma mansão e um iate”; Ballot Box Bunny/ Pernalonga em Campanha/ Disputa Acirrada (1951), em que Pernalonga e Eufrazino disputam uma eleição; Baseball Bugs/ O Campeão de Beisebol/ Beisebol com Pernalonga (1946), em que Pernalonga sozinho enfrenta um time de brutamontes; Rhapsody Rabbit/ Concerto sem Dó (1946), Pernalonga toca piano e é atrapalhado por um rato.

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Pernalonga - High Diving Hare-03

“High Diving Hare” (1949)

1. HIGH DIVING HARE/ PRATICANDO MERGULHO/ MERGULHO DE ALTO RISCO (1949)

Promotor de um show no velho oeste, Pernalonga entra em apuros quando sua principal atração, Ousadino, que mergulha de um trampolim altíssimo em uma tina d’água, não aparece. Eufrazino, na plateia, força o coelho a fazer o número. Aí começa o duelo de tenacidade dos dois: Eufrazino empurrando o coelho escada acima sob a mira de uma arma, o coelho fazendo com que o enfezado é que caia lá de cima. A cena se repete freneticamente, o coelho sempre dando um jeito engraçadíssimo e enganar o oponente. Até a frase definitiva: “Eu sei que isso desafia a lei da gravidade, mas, sabe, eu nunca estudei leis…”. Um clássico absoluto de Freleng!

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Vol. 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

Em 27 de julho de 1940, há exatos 80 anos, as plateias dos cinemas ouviam pela primeira vez a frase “O que é que há, velhinho?”. Era a estreia de O Coelho Selvagem (A Wild Hare) e do Pernalonga, já enfrentando o caçador Hortelino (que abre o desenho com a também clássica “Fiquem bem tietos. Estou taçando toelhos“).

Direção de Tex Avery, roteiro de Rich Hogan, culminando o que vinha sendo desenvolvido em três ou quatro desenhos a partir de 1938 com um coelho protótipo, que só seria o Pernalonga formado realmente em A Wild Hare.

Diferentes diretores foram responsáveis por desenvolver o coelho em sua fase clássica: de 1940 a 1964, 24 anos e 178 cartoons. Avery, Robert Clampett, Friz Freleng, Chuck Jones e Robert McKimson foram os principais. Esta semana, vou fazer quatro top 10 para cada diretor (vou combinar Avery e Clampett porque dirigiram menos em quantidade).

Começando por Chuck Jones.

Jones, pra mim, é o maior. Um gênio da narrativa cômica, ele evolui de maneira impressionante durante seus anos na Warner. É visível a diferença entre seus desenhos dos anos 1940, mas próximo do estilo alucinado de seus colegas, e os dois anos 1950, quando os cenários vão ficando cada vez mais estilizados e ele desenvolve um humor que surge da economia de movimentos.

Não por limitação de grana ou pressa, como seria mais tarde com Hanna-Barbera na TV, mas para realçar expressões e movimentos específicos. Ele levaria esse estilo para sua ótima série de Tom & Jerry, que faria na MGM nos anos 1960.

Além do Pernalonga, ele era responsável na Warner pelos curtas do Papa-Léguas e do Pepe le Gambá e criou clássicos absolutos que nem tinham personagens famosos e recorrentes, como Sapo da Sorte (One Froggy Evening), aquele do sapo cantor.

Vamos a seu incrível top 10:

Pernalonga - Operation Rabbit

“Operation: Rabbit” (1952)

10. OPERATION: RABBIT/ OPERAÇÃO: COELHO (1952)

O coiote, que aqui se apresenta como “Willie E. Coyote, gênio”, só havia aparecido uma vez no então único desenho do Papa-Léguas (Fast and Furry-ous, 1949). Três anos depois, Jones reutilizou o personagem pela primeira vez tendo como alvo, agora, o coelho, e dando a ele uma voz. O coiote, cheio de si, se apresenta ao Pernalonga já no começo, levando sua própria porta. A dupla contracenou outras quatro vezes, mas esta aqui é a que marcou.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

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Pernalonga - Haredevil Hare-02

“Haredevil Hare” (1948)

9. HAREDEVIL HARE/ PERNALONGA NA LUA/ COELHO HERÓICO/ COELHO ESPACIAL (1948)

Pernalonga conhece um novo rival: Marvin, o Marciano (aqui, ainda sem nome). O começo já é ótimo, com o coelho sendo lançado em pânico ao espaço pela Nasa. Em Marte, ele conhece o sujeitinho que quer explodir a Terra porque “está atrapalhando sua vista de Vênus”.

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Pernalonga - Beanstalk Bunny-13

“Beanstalk Bunny” (1955)

8. BEANSTALK BUNNY/ O COELHO E O PÉ DE FEIJÃO (1955)

Em 1951, Jones e o roteirista Michael Maltese tiveram a ideia genial de juntar Pernalonga, Patolino e Hortelino num mesmo desenho. Aqui, a ambientação já não é o “temporada de coelho versus temporada de pato”. Agora, o pato é o João do pé-de-feijão e a planta cresce a partir dos feijões mágicos que ele joga desavisadamente na toca do sonolento coelho. Hortelino é o gigante. Há diálogos maravilhosos (“É mentira! Meu nome é Aloísio! Ele é o João: João Coelho”), grande ritmo, humor visual de primeira (para fugir de uma redoma com um cortador de vidro, a dupla corta suas exatas silhuetas).

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

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Pernalonga - Rabbit Seasoning

“Rabbit Seasoning” (1952)

7. RABBIT SEASONING/ TEMPORADA DE CAÇA/ CAÇA AO PATO (1952)

Segundo da melhor trilogia da história do cinema: a Trilogia da Caça (dirigida por Jones e escrita por Michael Maltese). Este é aquele do “Vai atirar nele agora ou vai esperar até chegar em casa?”. Em termos de ritmo de comédia, é tão bom quanto o primeiro, Rabbit Fire (1951). E o terceiro, Duck! Rabbit! Duck! (1953) não fica atrás. Na eleição de 50 melhores cartoons, a partir de uma votação entre mil animadores, ficou em 30º lugar.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro

O desenho dublado por mim

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Pernalonga - Rabbit Hood-03

“Rabbit Hood” (1949)

6. RABBIT HOOD/ PERNALONGA HOOD/ COELHO HOOD/ PERNALONGA EM SHERWOOD (1949)

Pernalonga ataca o canteiro real de cenouras e tem que se ver com o Xerife de Nottingham. Mas João Pequeno aparece ao longo do episódio anunciando solenemente: “Não se aflija! Não tema! Porque Robin Hood não tarda a chegar!”. Não que o coelho precise: ele vende o terreno ao xerife (que só cai em si quando já está erguendo a casa) e, fingindo ser o rei, ele destroça o xerife enquanto o sagra cavaleiro seguidas vezes em mais uma sequência antológica (“Levante Sir Royal do Bife! Levante Cavaleiro da Abóbora! Levante, seu cavaleiro idiota!”)..

Trecho no YouTube, com a dublagem da Cinecastro

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Whats Opera Doc

“What’s Opera, Doc?” (1957)

5. WHAT’S OPERA, DOC?/ QUE ÓPERA, VELHINHO?/ VAI DE ÓPERA, VELHINHO? (1957)

Na já mencionada eleição com mil animadores, este ficou com o primeiríssimo lugar. Não é difícil imaginar os motivos. É ousado ao ser narrado do início ao fim tirando sarro da linguagem operística wagneriana (arranjo de Milt Franklyn), com direito a final trágico (“O que vocês queriam de uma ópera?”, pergunta o Pernalonga no desfecho). Tem desempenhos vocais extraordinários de Mel Blanc e Arthur Q. Bryan. E o estupendo visual gráfico estilizado que Chuck Jones imprimiu em seus desenhos do coelho (layouts de Maurice Noble) a partir de meados dos anos 1950, com seu estilo de animação particular, que tira o humor da economia de movimentos. Uma beleza!

Em DVD: Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

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Pernalonga - Bully for Bugs

“Bully for Bugs” (1953)

4. BULLY FOR BUGS/ COELHO TOUREIRO/ PERNALONGA, O TOUREIRO (1953)

Colocar o herói como toureiro foi um expediente muito usado nas animações clássicas. Nenhum se saiu tão bem quanto o Pernalonga, que foi parar em uma arena ao tomar o caminho errado para um festival de cenouras (“Eu sabia que devia ter virado à esquerda em Albuquerque”). O olhar assassino do touro torna o duelo memorável, assim como as artimanhas do coelho para iludi-lo (como aproveitar uma dança para estapear o bicho).

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

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Bugs Bunny

“Long-Haired Hare” (1949)

3. LONG-HAIRED HARE/ MAESTRO PERNALONGA (1949)

Um dos maiores momentos da comédia em todos os tempos, entre animações e seres humanos: a imitação que Pernalonga faz do maestro Leopold Stokowski, regendo o tenor Giovanni Jones, com quem tem uma rusga em pleno recital do sujeito no Hollywood Bowl. Tudo começa porque o ensaio de Jones é atrapalhado seguidas vezes pelo coelho, atacando “Raining night at Rio” no banjo, depois tocando harpa e uma tuba.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original

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Pernalonga - Rabbit of Seville-02

“Rabbit of Seville” (1950)

2. RABBIT OF SEVILLE/ O COELHO DE SEVILHA (1950)

Em sua eterna perseguição, Pernalonga e Hortelino vão parar no palco de uma ópera que está para começar. Quando a cortina sobe e a orquestra ataca, a confusão se dá ao som da abertura de O Barbeiro de Sevilha. A dupla transforma esse trecho inicial da obra-prima de Rossini em uma ópera à parte, cantada e subvertida por eles. Cada piada é melhor que a outra, num exemplo magnífico da conjunção entre música e animação.

Em DVD: Aventuras com Pernalonga – Volume 1.

Trecho no YouTube, com o som original.

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Antes do primeiro lugar, algumas MENÇÕES HONROSAS: Duck! Rabbit! Duck! (1953), terceiro da Trilogia da Caça; Ali-Baba Bunny (1957), com Pernalonga e Patolino na caverna de tesouros de Ali Babá; Water, Water Every Hare (1946), com o monstro cabeludo depois conhecido como Gossamer; Baby Buggy Bunny (1954), em que Pernalonga adota um bebê sem saber que é um gangster; Mississipi Hare (1949), “Eu tenho cinco ases, filho”, “Eu tenho só seis ases, filho”; 8 Ball Bunny (1950), em que Pernalonga atravessa o mundo para levar um pinguim à Antártida e esbarra com Humphrey Bogart, “um semelhante americano um pouco sem sorte”; Rabbit Punch (1950), no mundo do boxe; Baton Bunny (1959), onde o coelho é um maestro.

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Rabbit Fire

“Rabbit Fire” (1951)

1. RABBIT FIRE/ TEMPORADA DE CAÇA (1951)

O primeiro da Trilogia da Caça marcou a primeira vez em que Pernalonga e Patolino contracenam. Até então duas estrelas da Warner com suas próprias séries de curtas, o coelho e o pato combinaram de maneira espantosa. Jones e Maltese redefiniram aqui a personalidade do Patolino, que deixava de ser o pato maluquete do começo da carreira para se tornar mais sofisticado e complexo: vaidoso, ganancioso, egoísta, vingativo e se achando mais esperto do que de fato é. Os diálogos são brilhantes, partindo, claro, da cena “Duck season! Rabbit season!”. Um show particular do dublador Mel Blanc, que fazia as vozes tanto do coelho quanto do pato.

Em DVD: Aventuras com Patolino e Gaguinho.

Trecho no YouTube, com dublagem da Cinecastro.

Trecho no YouTube, com dublagem da Herbert Richers.

O desenho dublado por mim.

Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

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19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

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18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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Ferias do Sr Hulot

Diário de Filmes 2020: 17

As Férias do Sr. Hulot é o segundo longa de Jacques Tati e o primeiro com o personagem que ele interpretaria aí e em mais três filmes posteriores. Como ele também voltaria a fazer, não há bem uma história, mas uma situação estabelecida na qual ele desfila uma série de esquetes e personagens, observando com humor a relação entre as pessoas, convenções sociais e modismos.

Ancorado pelo gentil e desengonçado Hulot vai, como tanta gente, a um balneário. Não é um filme mudo, mas os diálogos são muito poucos e quase nenhum com alguma importância.

Mesmo a trilha é franciscana: consiste basicamente de um mesmo tema musical que se repete ocasionalmente. O humor é basicamente visual e, nisso, muito preciso.

Como a cena em que Hulot tenta pintar um bote à beira-mar e nunca acha a lata de tinta porque o mar a leva para o outro lado do barquinho. Ou sua luta para segurar as rédeas de um cavalo, que o faz aparecer e desaparecer de cena por trás de um casebre — uma aula de pantomima.

AS FÉRIAS DO SR. HULOT (Jacques Tati, 1953)

Cantando na Chuva - 33

Donald O’Connor, Debbie Reynolds e Gene Kelly, em “Cantando na Chuva”

30. ‘JE CHERCHE APRÈS TITINE’, de Tempos Modernos (1936)
Com Charles Chaplin. Direção: Charles Chaplin. Canção de Léo Daniderff, Marcel Bertal e Louis Maubon.

Como todo mundo sabe, Charles Chaplin resistiu o quanto pôde ao cinema falado. Quando Tempos Modernos estreou, já fazia nove anos da estreia de O Cantor de Jazz. E o filme, genial, continua praticamente sem diálogos. Há duas exceções. Uma são as ordens ásperas do chefe da fábrica. A outra é o único momento em que Carlitos fala. Contratado para cantar em um restaurante, ele esquece em cena a letra da canção. “Cante! Deixe as palavras pra lá!”, orienta, em socorro, a personagem de Paulette Goddard. O que vem a seguir só podia ser obra de um gênio como Chaplin: ouve-se a voz de Carlitos, mas as palavras são inventadas, não fazem sentido. O sentido da música, o que ela conta, está na coreografia que ele faz, na pantomima, como Carlitos se comunicava desde que surgiu no cinema, em 1914.

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29. ‘MEIN HERR’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de John Kander e Fred Ebb.

“Mein herr” é a primeira aparição de Liza Minnelli em Cabaret, e que introdução! Sexy, ela mostra logo que esse não é um musical como os que sua mãe, Judy Garland, fazia. A canção foi feita para o filme – não estava na versão original para os palcos.

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28. ‘GET HAPPY’, de Casa, Comida e Carinho (1950)
Com Judy Garland. Direção e coreografia: Charles Walters. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

O inferno de Judy Garland com o vício em remédios já afetavam seu trabalho na Metro, e o estúdio a demitiu após esse filme. Nas filmagens, Judy passou por alterações de peso, de humor, incapacidade de trabalhar. Este número foi rodado três meses depois do resto do trabalho do filme ter sido concluído. É um verdadeiro canto do cisne de sua obra na Metro. Judy perdeu peso e está absolutamente espetacular. Seu figurino virou uma assinatura (a ideia foi resgatada de um número de Desfile de Páscoa que acabou cortado). A canção (escolhida por Judy) parece dizer mais do que todo mundo ali sabia no momento (ela morreria muito jovem, apenas 19 anos depois). Judy passou dois dias aprendendo e ensaiando a coreografia, gravou a canção num take só e perfeito e a sequência levou outros dois dias para ser filmada. Foi seu último número na Metro. E foi uma obra-prima.

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27. ‘EVERY SPERM IS SACRED’, de O Sentido da Vida (1983)
Com Michael Palin, Terry Jones, Andrew MacLachlan, Jennifer Franks, Graham Chapman e Eric Idle. Direção: Terry Jones. Coreografia: Arlene Phillips. Canção de Michael Palin, Terry Jones, André Jacquemin e Dave Howman.

Uma família católica fervorosa tem uma multidão de filhos porque não pode usar métodos contraceptivos. Dessa proposta aloprada, surge um dos números musicais mais inacreditáveis do cinema: “Todo esperma é sagrado/ Se o esperma é desperdiçado/ Deus fica muito irado”. As crianças não tinham ideia sobre o que estavam cantando (algumas palavras sujas foram mudadas na filmagem e dubladas depois). Um número alto astral, embora as crianças estejam para ser vendidas para experimentos científicos! Terry Jones gastou a maior parte do orçamento do filme neste número implacável e demolidor, que diz animadamente sobre ser católico: “Você não precisa ter um grande cérebro/ você é católico desde que o papai gozou”.

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26. ‘SILK STOCKINGS’, de Meias de Seda (1957)
Com Cyd Charisse. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Eugene Loring. Música de Cole Porter.

Uma magnífica Cyd Charisse interpreta uma espiã russa durona que acaba seduzida pelo luxo de Paris (o musical é uma refilmagem de Ninotchka, com Greta Garbo). Seu momento de virada é aqui: um número solo antológico onde sua roupas sisudas de comunista dão lugar às meias de seda do título e ao vestido suntuoso. Cyd (com suas pernas lendárias) é tão sublime que a gente quase não percebe estar assistindo a um strip-tease de uma belíssima mulher (mentira).

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25. ‘SHAKIN’ THE BLUES AWAY’, de Ama-me ou Esquece-me (1955)
Com Doris Day. Direção: Charles Vidor. Coreografia: Alex Romero. Canção de Irving Berlin.

Doris Day fazia musicais na Warner, com resultados oscilantes. Dois anos antes, tinha conseguido um gol com Ardida como Pimenta (1953), no qual cantou a vencedora do Oscar “Secret love”. Ama-me ou Esquece-me, no entanto, foi na Metro — e aí era “ôto patamá”. Ela interpreta Ruth Etting, cantora dos anos 1920 que, para chegar ao sucesso, se envolve com um gangster (James Cagney). Marcada por papéis virtuosos que renderam a ela o apelido de “virgem profissional de Hollywood”, Doris nunca esteve tão sensual como neste filme. E neste número, a bordo de uma produção de primeira e uma canção otimista toda-vida de Irving Berlin, ela seduz cantando e dançando.

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24. ‘UNDER THE SEA’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Samuel E. Wright. Direção: Jon Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Ariel quer se meter com os humanos na superfície e o caranguejo Sebastião tenta convencê-la que é muito melhor no fundo do mar. É difícil não concordar com ele, nesta maravilhosa canção vencedora do Oscar que inspirou esse número colorido e movimentado que diz que, lá, peixe termina no aquário — e este tem até sorte, porque se o chefe fica com fome… “Lá eles tem um monte de areia, aqui temos uma banda de crustáceos da pesada”. Não adianta: a sereia já se mandou no meio da música. Mas o espectador fica.

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23. ‘WELL DID YOU EVAH?’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Frank Sinatra. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Esses dois monstros sagrados da música popular americana nunca tinham aparecido juntos num longa-metragem. Nesta refilmagem de Núpcias de Escândalo (1940), eles dão uma escapada de uma festa chique para beber mais do que a elegância permite. Sinatra é o jornalista que está lá para cobrir o casório para sua revista de celebridades e ricaços. Crosby é o ex-marido da tempestuosa noiva, que ainda gosta dela. Juntos, os dois homens desfilam más notícias de brincadeira, ironias, bebem mais, falam besteira e resumem suas impressões sobre aquilo tudo: “Bem, quem diria? Que festa legal essa é!”. O número, originalmente do musical de palco Du Barry Was a Lady, foi acrescentado ao filme para dar a Crosby e Sinatra um momento em que pudessem cantar junto. Decisão mais que acertada: um número divertidíssimo com dois caras com grandes vozes e carismas ainda maiores.

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22. ‘REMEMBER MY FORGOTTEN MAN’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Joan Blondell, Etta Moten e côro. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

O musical geralmente é um gênero indentificado com o escapismo, o romance, o sonho, o humor. O que dizer de “Remember my forgotten man”, então? Em 1933, o número que encerra grandiosamente Cavadoras de Ouro dá um tapa na cara da sociedade americana, falando dos desvalidos que foram mandados à guerra como soldados e voltam esfolados e sem encontrar seu lugar. E que terminam marginalizados pelo mesmo país que foram defender. Busby Berkerley em estado de graça: um momento mostra uma fila de garbosos soldados parte para o conflito e outra ao lado, com os homens retornando feridos. Mas o final é que é brilhante: com o desfile militar de silhuetas ao fundo, Joan Blondell quase fazendo uma oração cercada pelos “forgotten men” e o incrível plano sequência final, que começa no rosto da atriz e termina com a cena inteira. Sensacional.

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21. ‘GOOD MORNING’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O’Connor. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Depois de muito baixo astral, um boa ideia reanima os ânimos do trio. E como! Don Lockwood, Kathy Selden e Cosmo Brown fazem da casa um palco: dançam na cozinha, pelas escadas, com capas de chuva, no bar, viram sofás, em uma das maiores exibições de sapateado do cinema. E, nisso, um grande destaque para Debbie Reynolds, que, aos 19 aninhos, não era dançarina, teve que dançar com dois monstros do ofício e deu conta do recado olimpicamente. “Cantando na Chuva e dar à luz foram as duas coisas mais difíceis que já fiz”, disse ela em suas memórias, em 2013. Este número levou 15 horas no dia para ser filmado. São três minutos e apenas nove cortes. No fim, Debbie estava com os pés sangrando. Mas ela conseguiu: entregou o momento mais formidável de sua carreira.

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Grease - Nos Tempos da Brilhantina -21

John Travolta em “Grease — Nos Tempos da Brilhantina” (1978)

40. ‘42ND STREET’, de Rua 42 (1933)
Com Ruby Keeler, Dick Powell e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

Depois de uma introdução com Ruby Keeler sozinha no palco, o número começa para valer: a vida na feérica Rua 42 de Nova York é encenada musicalmente, com sua agitação, seu balançado e até suas tragédias humanas. Tudo com a brilhante coreografia de Busby Berkeley.

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39. ‘MY OLD KENTUCKY HOME’, de A Mascote do Regimento (1935)
Com Bill “Bojangles” Robinson e Shirley Temple. Direção: David Butler. Música de Stephen Foster.

Histórico: pela primeira vez um par formado por um homem negro e uma mulher branca dançam juntos no cinema. Esse tabu racista foi quando o ás do sapateado Bill “Bojangles” Robinson, 57 anos, estende a mão para a estrelinha mirim Shirley Temple, 7 anos, e eles sobem e descem os degraus de uma escada de mãos dadas. A dança nos degraus eram uma marca pessoal de Robinson e, nesta cena, ele ensina Shirley a dançar como ele. E ela é uma ótima aluna.

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38. ‘DENTIST!’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Steve Martin, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Howard Ashman e Alan Menken.

Qual seria o emprego ideal para um sádico? Para este filme, a resposta é óbvia: dentista! Steve Martin deita e rola nesta participação especial, fazendo sofrer pacientes e enfermeiras, em um número hilariante e cruel.

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37. ‘SUNDAY JUMPS’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Música de Burton Lane.

Astaire não era só um dançarino. Era praticamente um músico com os pés. Aqui, além da noção impressionante de ritmo, que ele mostra na prática, ainda tem um de seus momentos antológicos: ele dança com um guarda-chapéus e, como disse Gene Kelly em Era uma Vez em Hollywood (1974), “como de costume, ele fez seu parceiro parecer ótimo”.

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36. ‘MOON RIVER’, de Bonequinha de Luxo (1961)
Com Audrey Hepburn. Direção: Blake Edwards. Canção de Henry Mancini e Johnny Mercer.

Em uma reunião de produção, alguém quis tirar essa canção do filme. Audrey Hepburn se levantou e disse: “Só por cima do meu cadáver”. Ela estava absolutamente certa. Sentada em sua janela, dedilhando um violão e observada pelo vizinho que logo estará apaixonado, Holly Golightly mostra um lado menos festeiro, mas encantador. A canção ganhou um Oscar e virou um ícone, associada para sempre à atriz.

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35. ‘NEW YORK, NEW YORK’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Leonard Bernstein, Adolph Green e Betty Comden.

6 da manhã em Nova York. Marinheiros saem em disparada de seu navio loucos para aproveitar suas 24 horas de folga em Manhattan. Nossos três protagonistas não perdem tempo e, num tempo em que os filmes eram sempre rodados dentro do estúdio, eles cantam sua canção nas locações reais da cidade (atenção: não é a mesma “New York, New York” do filme do Scorsese de 1977, que depois virou ícone como parte do repertório de Frank Sinatra). As cenas em locação eram raríssima na época, mas Gene Kelly e Stanley Donen fizeram questão. E os marinheiros vão fazendo planos do que vão aprontar por lá, entre visitar pontos turísticos e arranjar namoradas. Afinal, “New York, New York: it’s a wonderful town!”.

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34. ‘SUMMER NIGHTS’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com John Travolta, Olivia Newton-John, Barry Pearl, Dinah Manoff, Didi Conn, Jeff Conaway, Kelly Ward, Stockard Channing, Jamie Donnelly e Michael Tucci . Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A magia do musical: Olivia e Travolta estão separados, mas unidos pela canção. Eles, que se conheceram e se apaixonaram nas férias, agora estão na mesma escola, mas não sabem disso. Contam aos amigos como foi esse namoro (ele, particularmente, exagera ao contar vantagem). O “ele disse, ela disse” vai e volta para um e para outro, com suas versões do que rolou. Apenas uma sobreposição de imagens vai uni-los no final do dueto.

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33. ‘JUKEBOX DANCE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Fred Astaire e Eleanor Powell. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Walter Ruick.

Os personagens de Fred Astaire usaram esse truque mais de uma vez: fingir que não sabe dançar para que a moça o ensine e, aí, ele dá show. O encontro entre Fred, o melhor entre os homens, e Eleanor, a melhor entre as mulheres, só aconteceu neste filme. Como se pode ver neste número, que bom que este filme foi feito. Eleanor Powell era tão genial que até intimidava Astaire, que achava que ela talvez fosse melhor até do que ele.

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32. ‘THE GIRL HUNT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz.

Uma criativa e espirituosa versão musical dos romances policiais de detetives particulares, com um Fred Astaire que resistia a experimentar coisas novas (segundo o coreógrafo Michael Kidd), mas que arrasou como sempre, e uma não menos do que esplêndida Cyd Charisse. O ponto alto é a investigação no nightclub, onde Fred e Cyd traduzem em passos e movimentos o jogo perigoso (mas animado) de sedução entre seus personagens.

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31. ‘MY FAVORITE THINGS’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

Na peça original, a canção que Maria canta para as crianças para afastar o medo da tempestade é “The lonely goatherd”. “My favorite things” é cantada em outro momento por Maria… e com a madre superiora! Foi o roteirista Ernst Lehmann que resolveu rearranjar a posição das canções e ele estava mais do que certo: “My favorite things” é o argumento ideal para afastar os maus pensamentos das crianças. Quando o filme foi feito, a canção já havia virado um clássico também do jazz, depois John Coltrane a gravou em 1961 no álbum homônimo.

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Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Matador -1950 - 03

O MATADOR (Henry King, 1950)

Diário de Filmes 2019: 35

No começo de O Matador, o pistoleiro Johnny Ringo (Gregory Peck) para numa birosca para tomar um trago. É reconhecido e provocado por um valentão local, que quer saber se Ringo é tão bom quanto a fama. Ringo não quer confusão, mas é pressionado até ter que matar o sujeito em defesa própria. Quantas vezes isso não terá acontecido com o pistoleiro, depois que ficou famoso? Quantas vezes ainda não acontecerá?

Agora, ele só quer chegar à sua cidade e rever um amor do passado e seu filho. Lá, passa o filme quase todo no saloon, à espera da resposta da amada. Do lado de fora, a cidade em polvorosa, com curiosos, gente querendo vingança, inconsequentes querendo se provar.

Faroestão psicológico sobre um homem que é rápido, mas não tanto quanto a própria reputação. Um filme que não fez grande sucesso de público na época (Zanuck, chefão da Fox, culpou o bigodão de Gregory Peck), mas está entre os clássicos do gênero, influenciando muitos filmes que vieram depois.

My Fair Lady - 12

Audrey Hepburn em “I could have dance all night”, de “My Fair Lady” (1964)

60. ‘FLESH FAILURES/ LET THE SUNSHINE IN’, de Hair (1979)
Com John DeRobertas, Grand L. Bush, Beverly D’Angelo, John Savage, Treat Williams, Don Dacus, Annie Golden, Cheryl Barnes e coro. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A apoteose do filme – em uma canção forte, que bate direto – mostra os soldados americanos indo para o Vietnã, jovens que marcham até serem engolidos pela completa escuridão representada pela entrada do avião militar. Quem canta, aparece primeiro como um anônimo que nem se identifica na multidão de soldados, até se aproximar da câmera. O drama adicional é do hippie que está lá por engano, tendo tomado o lugar do amigo para que este curtisse um último bom momento com a namorada antes de partir – mas não houve tempo para a troca ser desfeita. Essa troca é uma mudança do filme em relação à peça.

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59. ‘YOU’RE THE ONE THAT I WANT’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com Olivia Newton-John e John Travolta. Direção: Randal Kleier. Coreografia: Patricia Birch. Canção de John Farrar.

A resolução final do romance entre os personagens de Olivia e Travolta, onde ele resolve ser mais certinho para ficar com ela, mas ela é que deixa de ser a boazinha absoluta para ficar com ele. Sobra carisma e química entre os dois.

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58. ‘AFTER YOU GET WHAT YOU WANT, YOU DON’T WANT IT’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Marilyn Monroe. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

Um dos grandes momentos de Marilyn nesse filme de grande elenco, que incluía Ethel Merman, Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. O número é uma apresentação para uma plateia, mas Marilyn, em ascensão no estrelato, domina a cena completamente. Não dá para tirar os olhos dela. Ainda mais nesse vestido.

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57. ‘EASTER PARADE’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Uma inversão no clichê de gênero: em vez do homem cantar para a garota, ela é quem o corteja. Judy chega a fazer Fred sentar no colo dela! É uma reconciliação, mas a personagem de Judy mostra aos poucos, com muito charme, que está tudo bem. A canção de Irving Berlin é uma delícia e na voz de Judy, é difícil ficar melhor. E tem esses passinhos na escada, no final, uma graça. Era Fred voltando à Metro e para ficar (substituindo aqui Gene Kelly, escalado para o filme, mas que havia quebrado o tornozelo) e Judy em seus últimos anos no estúdio: foi, infelizmente, o único filme em que contracenaram (os dois estiveram no elenco de Ziegfeld Follies, de 1945, mas o filme era em esquetes e eles não apareceram juntos na mesma cena).

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56. ‘ON THE TOWN’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen, Ann Miller e Betty Garrett. Direção: Gene Kelly, Stanley Donen. Canção de Rioger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Pela primeira vez no filme, o sexteto protagonista (os marinheiros e as namoradas que paqueram em suas 24 horas de folga em Nova York) estão juntos na mesma cena. O cenário é o alto do Empire State (de mentirinha, claro, no estúdio da Metro). O encontro não deixa por menos, com uma grande apresentação de humor e dança, com carisma para dar e vender. É o começo de uma grande noite.

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55. ‘FUNNY FACE’, de Cinderela em Paris (1957)
Com Fred Astaire e Audrey Hepburn. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Fred Astaire e Eugene Loring. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

E se Audrey Hepburn fosse contratada da Metro? Pode-se ter boa ideia aqui, nesse musical da Paramount, mas que tem na equipe boa parte da turma da MGM (incluindo o diretor e o astro Astaire). O resultado, na prática, um musical da Metro feito na Paramount. E um momento especial é este, com o fotógrafo vivido por Fred revelando seu trabalho com a livreira vivida por Audrey. A cena de música e a dança no quarto escuro, com o processo de revelação incluído na cena, é para rever mil vezes. Audrey foi bailarina na juventude e mostra toda sua graça aqui.

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54. ‘SHADOW WALTZ’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Dick Powell, Ruby Keeler e côro. Direção: Marvyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Busby Berkeley parecia não ter limites. Em “Shadow waltz”, ele colocou dezenas de garotas com violinos em um cenário de plataformas curvas. Ao apagar as luzes, o contorno dos violinos se mostram iluminados e aí começam as evoluções, em círculo e até na forma de um violino gigante. Que criador de imagens marcantes ele foi!

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53. ‘THE SOUND OF MUSIC’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Após aquela “overture” pelas montanhas da Áustria e aquela tomada de tirar o fôlego de helicóptero se aproximando daquele pontinho que vira a Julie Andrews, segue-se uma declaração de intenções do filme: a fraulein Maria cantando seu amor pela música. Ainda não sabemos nada dela, mas já sabemos isso, o essencial que vai fazer diferença na vida de todos no filme. O filme também já mostra que não vai economizar nas paisagens embasbacantes.

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52. ‘YOU WERE MEANT FOR ME’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Don Lockwood, o ator vivido por Gene Kelly, quer declarar seu amor para Kathy Selden, a jovem atriz vivida por Debbie Reynolds. Mas diz que não consegue se não tiver o cenário adequado. Num estúdio, uma aulinha de mágica de Hollywood: luz do luar de um refletor, brisa noturna de ventiladores… E um dos mais bonitos números românticos do cinema. Debbie Reynolds penou nas mãos de Gene Kelly, um obcecado pela perfeição. Um dia, Fred Astaire a pegou chorando num canto da MGM e ela contou suas dificuldades. Então, ele ensaiou e deu dicas a ela. Como se vê aqui, ela aprendeu mais do que bem.

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51. ‘I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: Geotge Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Logo depois de ‘The rain in Spain’, a pobre e inculta florista Eliza Doolittle está nas nuvens: finalmente mostrou que pode falar direito e potencial para ser uma dama, aos olhos de seu irascível professor. É levada pela governanta para dormir, mas quem conseguiria assim tão rápido? Durante todo o processo (subir escadas, trocar de roupa, se lavar), ela só canta que “poderia dançar a noite inteira”). Audrey, em um de seus pontos  mais altos em ser adorável.

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Amor Sublime Amor - 04

Natalie Wood em “I feel pretty”, de “Amor, Sublime Amor” (1961)

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

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89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

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88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

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87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

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86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

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85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

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84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

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83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

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82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

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81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

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SOME LIKE IT HOT (1959)

Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe em “Runnin’ wild”, de “Quanto Mais Quente Melhor” (1959)

100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

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99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem. Não é por acaso que, em Guardiões da Galáxia, o herói espacial egresso dos anos 1980 diz que havia na Terra uma lenda chamada “Footloose”.

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98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

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97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

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96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

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95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mau comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

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94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

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93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

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92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

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91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

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La La Land - Cantando Estações - 09

Emma Stone, Jessica Rothenberg, Sonoya Mizuno e Callie Hernandez, em “Somewhere in the crowd”, de “La La Land – Cantando Estações” (2017)

110. ‘PART OF YOUR WORLD’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Jodi Benson. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

A melhor das canções “eu quero” das animações da Disney: em uma belíssima animação à mão, Ariel mostra seu refúgio secreto com sua coleção de objetos da superfície que atiçam sua curiosidade por esse lugar onde “os pais não repreendem as filhas”.

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109. ‘TICO-TICO NO FUBÁ’, de Alô, Amigos! (1942)
Com José Oliveira. Direção: Wilfred Jackson, Jack Kinney, Hamilton Luske e Bill Roberts. Canção de Zequinha de Abreu.

No Brasil, Zé Carioca apresenta o samba ao Pato Donald, numa combinação magistral do clássico “Tico-tico no fubá” e uma inspirada animação dos estúdios Disney, em que o cenário do Rio de Janeiro vai se desenhando à frente dos personagens.

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108. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Canção de Matt Malneck, Fud Livingston e Gus Kahn.

“Estou cansada do amor”, canta Marilyn num momento baixo astral de sua personagem. A canção dos anos 1930 está conectada à época em que o filme se passa. A interpretação de Sugar Kane comove Joe, o personagem de Tony Curtis, que acaba revelando seu disfarce de Josephine — de uma maneira e tanto.

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107. ‘MOVIN’ RIGHT ALONG’, de O Mundo Mágico dos Muppets (1979)
Com Jim Henson e Frank Oz. Direção: James Frawley. Canção de Paul Williams e Kenny Archer.

Dois muppets cruzando a América a bordo de um Studebaker: Caco, o Sapo (nada de Kermit aqui) e o urso Fozzy viajam para Los Angeles para trabalhar no mundo do entretenimento. Carisma não falta, de jeito nenhum. O filme era um prólogo do The Muppet Show, da TV, mostrando como os personagens se conheceram.

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106. ‘SOMEONE IN THE CROWD’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Callie Hernandez, Sonoya Mizuno, Jessica Rothenberg e Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

A primeira metade desse número é uma obra-prima: sem cortes, freneticamente através dos cômodos da casa, cada um com uma cor dominante, assim como os vestidos das moças. Um show de direção e coreografia parta ver e rever sempre.

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105. ‘CHIM-CHIM CHEREE’, de Mary Poppins (1964)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews, Karen Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Para tranquilizar os irmãos assustados e perdidos, o agora limpador de chaminés Bert os leva para casa e mostra, na companhia de Mary Poppins, a beleza de Londres à noite vista dos telhados. A canção ganhou o Oscar daquele ano.

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104. ‘TWIST AND SHOUT’, de Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Com Matthew Broderick (voz de John Lennon). Direção: John Hughes. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Bert Berns e Phil Medley.

“O que você acha que o Ferris vai fazer agora?”. É a pergunta a ser feita durante todo o Curtindo a Vida Adoidado. Neste momento do filme, ele já está sobre um carro alegórico da Von Steuben Day Parade (que, aliás, existe mesmo: é realizada anualmente em Chicago em homenagem a um barão da Prússia que deu uma força aos americanos na guerra pela independência). Sua dublagem da canção dos Beatles é tão contagiosa que faz dançar todo mundo em volta. Até quem não era ator ou figurante contratado, como os trabalhadores nos andaimes e o lavador de janelas, que se deixaram embalar pela música e foram filmados pela câmera de John Hughes.

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103. ‘THE SPANISH INQUISITION’, de A História do Mundo – Parte I (1981)
Com Mel Brooks, Jackie Mason e Ronny Graham. Direção: Mel Brooks. Coreografia: Alan Johnson. Canção de Mel Brooks e Ronny Graham.

Usar o musical como forma de demolir uma instituição é um talento particular de Mel Brooks. Aqui, o alvo é a inquisição espanhola, onde as maiores atrocidades são narradas sob o ponto de vista de saltitantes religiosos liderados por Mel em pessoa, que tentam converter judeus com citações a O Poderoso Chefão e Busby Berkeley, frades com joelhos à mostra, freiras nadadoras. Antológico.

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102. ‘SOBBIN’ WOMEN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Ao ver seus seis irmãos de baixo astral porque a paquera com seis garotas da cidade acabou numa monumental briga com outros seis caras, o irmão mais velho Adam ajuda como pode: contando a história que aprendeu num livro, a dos romanos que simplesmente raptaram mulheres sabinas e que, com o tempo, elas acabaram gostando dos raptores (ele confunde “sabine women” com “sobbin’ women”, “chorosas”). Logo, se está na história, basta fazer o mesmo, não é? Um conselho errado, claro, defendido com vigor e talento.

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101. ‘ISN’T THIS A LOVELY DAY (TO BE CAUGHT IN THE RAIN)?’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Direção de dança: William Hetzler. Canção de Irving Berlin.

Uma vez Ginger disse: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto”. Aqui, ela não está de salto alto, mas a piada nunca foi tão verdadeira. A brincadeira da cena, depois que Fred tenta quebrar o gelo cantando, é que ela aceita dançar com ele, porém imitando-o. De calças, Ginger faz quase um espelho de Fred, é uma dança de casal que não é de casal. Só no final ele a toma nos braços — mas ela também não deixa de conduzir em um momento.

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