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A VERDADE
⭐⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 14

Quatro anos antes, Brigitte Bardot apareceu para o mundo (e como veio ao mundo) em E Deus Criou a Mulher. Em A Verdade, ela tentou dar um passo para um desafio dramático maior. Esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, ainda com doses generosas do corpo de Bardot.

Onde ver: DVD, YouTube

La Verité, 1960.
Direção: Henri-Georges Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

ROSAS DE SANGUE
⭐⭐½
Diário de Filmes 2021: 12

Roger Vadim aborda a história insinuante de Carmilla, a vampira de Karnstein, com a esposa da vez, a dinamarquesa Annette Stroyberg (na época, Annette Vadim). Vadim era ótimo em revelar atrizes lindas, mas não era lá um grande diretor. O filme é correto, tem um certo ar erótico entre suas duas atrizes, mas pouco mais que isso. Carmilla voltou outras vezes ao cinema, como a principal representante do filão das vampiras lésbicas.

Et Mourir de Plaisir, 1960
Direção: Roger Vadim. Elenco: Annette Stroyberg, Mel Ferrer, Elsa Martinelli.

PSICOSE
⭐⭐⭐⭐⭐
Diário de Filmes 2021: 7

As histórias em torno da concepção, filmagem e recepção de Psicose são tantas que renderam até uma dramatização em filme (Hitchcock, 2012). O material original chocante, a decisão de filmar rápido com a equipe de sua série de TV, o risco financeiro, matar a estrela antes da metade do filme, a procura pelo som ideal da faca entrando na pele, um quarto da filmagem dedicada à cena do chuveiro, a rancorosa desglamourização de Vera Miles, o sutiã branco/ sutiã preto, o quanto ou não mostrar de nudez, a música de Bernard Herrmann, as jogadas de marketing no lançamento (“Ninguém será admitido no cinema após o começo”, “Não conte o final”)… E, mais que tudo, a direção não só do filme, mas também do espectador, levado por Hitch para onde o diretor quer.

Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play

Psycho, 1960
Direção: Alfred Hitchcock. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, Martin Balsam

Haya Harareet, em “Ben-Hur” (1959)

A atriz Haya Harareet, a Esther de Ben-Hur (1959), morreu ontem, dia 3, na Inglaterra, aos 89 anos. Nascida na Palestina, em 1931, ela começou a se destacar em concursos de beleza e fez seu primeiro filme em Israel: Colina 24 Não Responde… (1955). Quatro anos depois, estava no principal papel feminino de Ben-Hur, filmado em boa parte na Itália, onde Haya fez alguns filmes antes de encerrar sua curta carreira como atriz de cinema: seu último longa, o oitavo, é de 1964 (ela ainda apareceu em um curta britânico de 1974). Ela ainda co-escreveu o roteiro de Todas as Noites às Nove (1967), dirigido por seu segundo marido, Jack Clayton, com quem passou a morar na Inglaterra.

20 – A VERDADE (La Verité)

Brigitte Bardot, esplendorosa, é a jovem de vida livre que está sendo julgada pelo assassinato do amante. A moralidade entra na balança, enquanto a história trágica de amor (ou não) é contada em flashback, com doses generosas do corpo de Bardot.
França/ Itália. Direção: Henri-Georges Clouzot. Roteiro: Henri-Georges Clouzot, Simone Drieu, Michèle Perrein, Jérôme Géronimi, Christiane Rochefort e Véra Clouzot. Elenco: Brigitte Bardot, Sami Frey, Marie-Jose Nat.

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19 – O PASSADO NÃO PERDOA (The Unforgiven)

Audrey Hepburn, índia? John Huston a escalou como a filha de uma família do velho oeste que pode ter sido roubada de uma tribo. Um ajuste de contas se avizinha. É um faroeste acidentado, mas de charme estranho.
Estados Unidos. Direção: John Huston. Roteiro: Ben Maddow, baseado em livro de Alan le May. Elenco: Burt Lancaster, Audrey Hepburn, Audie Murphy, Lillian Gish.

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18 – VIDA DE ARTISTA (The Entertainer)

Laurence Olivier é o veterano artista de music hall que faz de tudo para se manter nos palcos, sem perceber que seu tempo está chegando ao fim. Sua decadência é testemunhada pela filha (Joan Plowright, em seu segundo filme). Há metáforas aí com o poder da Inglaterra no mundo e com o próprio Olivier, que fez a peça original na estratégia de não ficar ultrapassado (ele pediu ao dramaturgo rebelde John Osborne que escrevesse esta peça especialmente para ele).
Reino Unido. Direção: Tony Richardson. Roteiro: Nigel Kneale e John Osborne, baseado em peça de Osvorne. Elenci: Laurenfe Olivier, Joan Plowright, Brenda de Banzie, Roger Livesey, Alan Bates, Shirley Anne Field.

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17 – ZAZIE NO METRÔ (Zazie dans le Metro)

Uma garotinha solta em Paris quando passa dois dias com o tio (para que a mãe possa passar algum tempo com um namorado). Malle não economiza nonsense e recursos de desenho animado para criar uma fábula louca e encantada.
França. Direção: Louis Malle. Roteiro: Louis Malle e Jean-Paul Rappeneau, baseado em Raymond Queneau. Elenco: Catherine Demongeot, Philippe Noiret, Hubert Deschamps, Carla Marlier.

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16 – DUAS MULHERES (La Ciociara)

Sophia Loren foi a primeira pessoa a ganhar um Oscar de atuação num papel que não era falado em inglês. Aos 25 anos, ela interpreta a mãe de uma adolescente tentando livrá-la dos horrores da II Guerra: naquela região, aconteciam estupros em massa. De Sica e Zavattini foram mestres do neo-realismo italiano, cerca de dez anos antes, e voltam um pouco àqueles tempos.
Itália, França. Direção: Vittorio De Sica. Roteiro: Cesare Zavattini e Vittorio De Sica, baseado em romance de Alberto Moravia. Elenco: Sophia Loren, Eleonora Brown, Jean-Paul Belmondo.

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15 – A TORTURA DO MEDO (Peeping Tom)

Michael Powell, que filmes que marcaram pela beleza visual nos anos 1940, surpreendeu todo mundo com esse conto macabro de um serial killer que filma suas vítimas mulheres no momento do assassinato, para registrar suas expressões de terror. O sexo (o filme foi o primeiro britânico a mostrar nudez) e a violência não foram perdoados: o filme foi cortado e censurado, e a carreira de Powell ficou em apuros. Mas hoje é cult: sobressai-se o modo perturbador de ver a câmera como uma arma.
Reino Unido. Direção: Michael Powell. Roteiro: Leo Marks. Elenco: Karlheinz Böhm, Anna Massey, Moira Shearer.

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14 – A MÁQUINA DO TEMPO (The Time Machine)

A viagem para o futuro de um homem visionário revela uma sociedade muito mais sombria do que ele esperava. Charmosa adaptação do romance de H.G. Wells, um clássico da ficção científica, nas mãos de um grande artista dos efeitos especiais.
Estados Unidos. Direção: George Pal. Roteiro: David Duncan, baseado no romance de H.G. Wells. Elenco: Rod Taylor, Alan Young, Yvette Mimieux.

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13 – ARUANDA

O curta de Linduarte Noronha ganhou lugar de honra na história do cinema brasileiro quando Glauber Rocha o apontou como precursor do cinema novo. O documentário apresenta o cotidiano de um quilombo isolado usando também recursos de encenação. A autoria do roteiro, creditado na tela unicamente ao diretor, é alvo de debate: Vladimir Carvalho e João Ramiro Mello, creditados como assistentes de direção, também seriam co-autores.
Brasil. Direção e roteiro: Linduarte Noronha.

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12 – O VENTO SERÁ TUA HERANÇA (Inherit the Wind)

Atualíssimo, embora se passe nos anos 1920: professor é processado por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies e não a fantasia do criacionismo. O julgamento na cidadezinha atrai atenção nacional para o duelo visceral entre o promotor fundamentalista e o advogado de  defesa. O “julgamento do macaco” aconteceu mesmo e o filme, além se socialmente contundente, tem grandes atuações e a curiosidade de ver Gene Kelly num papel não musical.
Estados Unidos. Direção: Stanley Kramer. Roteiro: Nedrick Young e Harold Jacob Smith, baseado na peça de Jerome Lawrence e Robert E. Lee. Elenco: Spencer Tracy, Fredric March, Gene Kelly, Dick York.

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11 – SETE HOMENS E UM DESTINO (The Magnificent Seven)

Adaptação (muito mais curta) do épico japonês Os Sete Samurais. Muito justo, já que Akira Kurosawa se inspirou nos faroestes para seu clássico. Às vezes simplifica demais, mas tem muito charme, um elencaço e uma trilha sensacional (de Elmer Bernstein).
Estados Unidos. Direção: John Sturges. Roteiro: William Roberts, com Walter Bernstein (não creditado) e Walter Newman (não creditado), baseado no filme Os Sete Samurais, escrito por Akira Kurosawa, Shinobu Hashimoto e Hideo Oguni. Elenco: Yul Brynner, Eli Wallach, Steve McQueen, Horst Buchholz, Charles Bronson, Robert Vaughn, James Coburn.

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10 – TUDO COMEÇOU NUM SÁBADO (Saturday Night and Sunday Morning)

O free cinema inglês mostrando uma Londres muito longe dos castelos e nobres. Albert Finney já começa fazendo uma manifesto de sua visão revoltada de mundo: tudo o que não for diversão “é propaganda”. Nisso, se apaixona por uma garota certinha, mas engravida a amante casada. A vida é dura num filme que é algo bruto e cheio de vitalidade, como seu protagonista.
Reino Unido. Direção: Karel Reisz. Roteiro: Alan Sillitoe, baseado em seu romance. Elenco: Albert Finney, Shirley Anne Field, Rachel Roberts.

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9 – A FONTE DA DONZELA (Jungfrükällan)

Bergman visita uma lenda medieval escandinava, de uma virgem que é atacada por bandidos. É um filme trágico, mas menos pesado que outros carregados de inquietações psicológicas que Bergman dirigiu. Aqui, há relações com a mitologia nórdica e inspiração declarada do diretor sueco no japonês Kurosawa.
Suécia. Direção: Ingmar Bergman. Roteiro: Ulla Isaksson. Elenco: Max von Sydow, Birgitta Valberg, Gunnel Lindblom.

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8 – A AVENTURA (L’Avventura)

No Mediterrâneo, uma mulher desaparece. Seu amante e sua melhor amiga a procuram e acabam ficando atraídos um pelo outro. A partir de certo momento, o desaparecimento dela deixa de importar? O filme é o primeiro da Trilogia da Incomunicabilidade de Antonioni, seguido por A Noite (1961) e O Eclipse (1962) e foi atacado por moralistas bobocas.
Itália/ França. Direção: Michelangelo Antonioni. Roteiro: Michelangelo Antonioni, Elio Bartolini e Tonino Guerra, de argumento de Antonioni. Elenco: Monica Vitti, Gabriele Ferzetti, Lea Massari.

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7 – SPARTACUS (Spartacus)

Kirk Douglas produziu, Anthony Mann começou a dirigir e acabou parando nas mãos de Stanley Kubrick. Em muita coisa, a cara ainda é de um filme de Mann, mas Kubrick se defendeu bem num épico de modelo clássico. E Kirk ainda bateu na cara do macartismo ao não só empregar Dalton Trumbo no roteiro como colocar os créditos na tela.
Estados Unidos. Direção: Stanley Kubrick. Roteiro: Dalton Trumbo, com contribuições não creditadas de Peter Ustinov e Calder Willingham, baseado no romance de Howard Fast e registros de Plutarco. Elenco: Kirk Douglas, Laurence Olivier, Jean Simmons, Tony Curtis, Charles Laughton, Peter Ustinov, John Gavin, Nina Foch, Herbert Lom, Woody Strode.

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6 – O MENSAGEIRO TRAPALHÃO (The Bellboy)

Em seu primeiro filme como diretor, Jerry Lewis mostrou que não queria apenas sentar no trono de astro da comedia. O prólogo satiricamente pomposo já avisa que trata-se de um filme “sem história”. De fato, não há uma trama central: apenas uma coleção de gags sobre o cotidiano de um mensageiro de um hotel de luxo em Miami. Lewis ainda faz um personagem que não diz uma palavra (bem quase), uma homenagem aos cômicos do cinema mudo. Ele arranca o motor de um Fusca achando que é a bagagem do hóspede. Em outra cena: rege uma orquestra inexistente, um de seus grandes momentos de pantomima.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Jerry Lewis. Elenco: Jerry Lewis, Alex Gerry, Milton Berle.

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5 – ROCCO E SEUS IRMÃOS (Rocco i Suoi Fratelli)

Até onde é bom ser bom? Esta é a questão que acompanha a jornada de Rocco, que vai tendo que escolher entre “o que é certo” e a família, com quem migrou para Milão. O maior dilema: a disputa pela bela prostituta com o irmãos malandro e agressor. Os Parondi vão tentando sobreviver cada um ao seu modo na metrópole sob o olhar duro de Luchino Visconti. Leia a crítica.
Itália/ França. Direção: Luchino Visconti. Roteiro: Suso Cecchi D’Amico, Pasquale Festa Campanile, Massimo Franciosa, Enrico Medioli e Luchino Visconti, a partir de argumento de Visconti, D’Amico e Vasco Pratolini, baseado em romance de Giovanni Testori. Elenco: Alain Delon, Renato Salvatori, Annie Girardot, Katina Paxinou.

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4 – ACOSSADO (À Bout de Souffle)

Godard estreia na direção sacudindo o mundo do cinema. Forçado a reduzir a duração de seu filme, resolveu não cortar uma ou outra sequência inteira, mas retirar trechos de dentro de cada cena. Não importou que o filme ficasse todo saltado — o cinema agradeceu essa liberdade na montagem. Jean-Luc mostrou seu amor ao filme de gangster americano, filmou escondido Jean Seberg oferecendo o Herald Tribune no Champs-Elysées, e consagrou de vez a nouvelle vague.
França. Direção: Jean-Luc Godard. Roteiro: Jean-Luc Godard (não creditado), baseado no roteiro original de François Truffaut e Claude Chabrol (não creditado). Elenco: Jean-Paul Belmondo, Jean Seberg, Daniel Boulanger.

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3 – A DOCE VIDA (La Dolce Vita)

Marcello flana por Roma, entre os ricos e famosos. E, entre muitos episódios, vai encontrando muitos vazios – inclusive o dele próprio. Longo e melancólico, com final enigmático e uma sequência que entrou para a história (Anita Ekberg na Fontana di Trevi), com fotografia de Otello Martelli e música de Nino Rota, é um dos mais emblemáticos filmes de Fellini. O que passa longe de ser pouco.
Itália/ França. Direção: Federico Fellini. Roteiro: Federico Fellini, Ennio Flaiano, Tullio Pinelli, Brunello Rondi, Pier Paolo Pasolini (não creditado). Elenco: Marcello Mastroianni, Anouk Aimée, Anita Ekberg, Yvonne Funeaux, Magali Noël.

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2 – SE MEU APARTAMENTO FALASSE (The Apartment)

Após o esfuziante Quanto Mais Quente Melhor, Billy Wilder levou o filme seguinte mais para o melancólico: o solitário Baxter é tão solitário que empresta seu apartamento para os chefes se esbaldarem com as amantes (enquanto ele espera na rua fria para usar a própria casa). Em troca, aquela forcinha para subir na firma. Quando o dono da empresa faz uso do serviço, Baxter descobre que a amante é Miss Kubelik, a ascensorista de quem ele gosta. Billy reduz o tom e sobe ao sublime, culminando no final, com o famoso “Cale a boca e dê as cartas”. Minha crítica.
Estados Unidos. Direção: Billy Wilder. Roteiro: Billy Wilder e I.A.L. Diamond. Elenco: Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Fred MacMurray.

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1 – PSICOSE (Psycho)

Dirigir um filme também é dirigir o espectador. Ninguém foi melhor nisso que Alfred Hitchcock. E ele nunca foi melhor nisso que em Psicose. Arriscado, e com a equipe de seu programa de TV para ter agilidade, Hitch reservou uma semana das quatro de filmagens só para rodar a xena do chuveiro, recomendou que ninguém fosse admitido nos cinemas após o início do filme e que ninguém contasse o final. Faz o público acompanhar uma personagem antes de subverter tudo, usa posições e movimentos de câmera para revelar e esconder o que quer sem que o espectador perceba. Cinema purissimo (e ainda tem a trilha sensacional de Bernard Herrmann).
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Joseph Stefano, baseado no romance de Robert Bloch. Elenco: Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

SE MEU APARTAMENTO FALASSE
The Apartment, 1960
Direção: Billy Wilder. Elenco: Jack Lemmon, Shirley MacLaine, Fred MacMurray.
Diário de Filmes 2021: 1
⭐⭐⭐⭐⭐

“Agridoce” é o adjetivo ideal. Billy Wilder e I.A.L. Diamond escreveram essa comédia romântica com tintas fortes de drama, e entregaram um dos melhores filmes da dupla (vencedor de cinco Oscars, incluindo Filme, Direção e Roteiro).

Baxter (Jack Lemmon) é um solteiro que empresta seu apartamento para que executivos da empresa tenham encontros com as amantes. Sua expectativa é que isso o ajude a subir na empresa. Um dia, o chefão descobre o esquema e pede a chave. E Baxter descobre que a amante dele é a ascensorista da empresa (Shirley MacLaine), de quem ele gosta.

Mas essas coisas, a decepção e o dilema moral que se seguem e suas consequências são costuradas num roteiro fantástico, que sempre elabora as informações, as revelações, os porquês. Nada é narrado da maneira mais fácil. Até o desfecho, onde Wilder e seus parceiros sempre brilham, evita o óbvio e se tornou um clássico particular: “Cale a boca e dê as cartas”.

Lemmon, quase um Jerry Lewis no filme anterior que fez com Billy (Quanto Mais Quente Melhor), aqui está mais contido. Engraçado, mas melancólico, frequentemente patético tendo que andar na rua sem destino, no frio, enquanto seus superiores se esbaldam no seu apê e deixam a má fama de festeiro e mulherengo pra ele.

Já Shirley MacLaine, como a Srta. Kubelik, passa longe da mocinha ingênua e melodramática. Mesmo suas atitudes mais drásticas tem uma cobertura de razão, como se tivessem sido pensadas com cuidado, mesmo quando, na verdade, não são.

Em preto-e-branco e Cinemascope, Wilder evoca a infinidade de mesas de trabalho do clássico mudo A Turba, de 1928, torna a época natalina lúgubre e a festa de ano novo sombria. Na história de seus dois solitários esmagados pela corporação onde trabalham, Wilder reduziu o tom para alcançar algo maior.

Onde ver: DVD, Telecine Play.

4. ‘DO RE MI’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner, Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Música de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

“Do re mi” mudou de lugar na história, na transposição da peça de teatro para o cinema. Nos palcos, esse número já aparece na cena em que a fraulein Maria conhece os sete filho do capitão Von Trapp. O roteirista Ernest Lehman a colocou mais à frente, fez a relação entre a babá e as crianças ter algumas turbulências até que, após finalmente conquistá-las e longe das vistas do pai severo, ela descobre que os pequenos não conhecem nenhuma música. Isso acontece em um piquenique nas montanhas, um local significativo: foi ali que, na abertura do filme, Maria cantou todo seu amor pela música. Julie Andrews começa no “dó re mi” e, no fim, com algumas passagens de tempo, as crianças já estão estrelas da Broadway. Muitos momentos da edição são fabulosos, nos quadros simétricos de Wise que aproveitam ao máximo a paisagem de Salzburgo. As bicicletas, a carruagem, a borda do monumento, a corrida, o portal com as estátuas, o final em que cada degrau corresponde a uma das notas musicais).

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Lolita, o livro, havia saído apenas sete anos antes e foi aquele escândalo que todo mundo sabe. O filme Sue Lyon tinha 14 anos quando o filme foi rodado e 16 quando lançado, interpretando a personagem que, no romance de Vladimir Nabokov, tinha 12. Mesmo com Kubrick produzindo de maneira independente na Inglaterra, o tema explosivo foi amenizando até onde deu. A relação entre Humbert Humbert (vivido por um bravo James Mason) e Lolita nunca é gráfica e basicamente quase sempre insinuada. Com personagens difíceis ou impossíveis de simpatizar, é narrado com elegância e perícia por Kubrick.

Diário de Filmes 2020: 20
LOLITA (Stanley Kubrick, 1962)
⭐⭐⭐⭐

Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

***

19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

***

18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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Lawrence da Arabia - 07

Um monumento do cinema. Para contar a história do inglês que trabalhou para unir tribos árabes para enfrentarem juntas os turcos no front do Oriente Médio da I Guerra Mundial, David Lean levou sua equipe inteira ao deserto.

Filmou em regiões que ficavam a dias da civilização, colocando na terra uma vastidão de deserto intocado. “Eu ficava pensando: ‘como eles fizeram o take 2?’, pergunta Steven Spielberg, num dos extras da edição dupla em DVD (a produção baniu copinhos plásticos porque eles voavam para dentro das cenas e arruinavam a filmagem: para tirá-los de lá, a marca do copo e as pegadas da areia?). A visão aérea em plano-sequência do ataque à cidade de Aqaba exigiu que se erguesse 300 construções cenográficas.

E há o que o filme contém: um protagonista complexo, tortuoso, grandes diálogos (roteiro de Robert Bolt e Michael Wilson), atores incríveis (o filme revelou Peter O’Toole e Omar Sharif, e ainda tinha Anthony Quinn e Alec Guinness, entre outros) e soberbas fotografia (de Freddie Young) e música (de Maurice Jarre). Uma das cenas antológicas é a entrada de Omar Shaif em cena, vindo em seu camelo lá do horizonte: o filme simplesmente fotografa a miragem!

LAWRENCE DA ARÁBIA (David Lean, 1962)

OS 15 MELHORES DE 1969

Butch Cassidy - 01

1 — BUTCH CASSIDY (Butch Cassidy and the Sundance Kid)

Na linhagem dos “bandidos simpáticos”, poucos se comparam à dupla formada por Newman e Redford em Butch Cassidy. O filme é de uma época em que o faroeste passava por uma revisão. Menos glamour, um pouco mais de sujeira, abraçando um pouco o que vinha sendo feito na Itália. Butch e Sundance também ganhavam uma releitura menos interessada na fidelidade histórica e mais em inseri-los no simbolismo da rebeldia dos anos 1960, um pouco como havia sido feito em Bonnie & Clyde, dois anos antes. Newman, Redford e Katharine Ross desfilam charme pelo filme todo.
Estados Unidos. Direção: George Roy Hill. Roteiro: William Goldman. Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross, Strother Martin.

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Meu Odio Sera Sua Heranca - 01

2 — MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA (The Wild Bunch)

Zack Snyder devia assistir a esse filmes três vezes por dia até aprender como usar a câmera lenta para propósitos dramáticos. Numa época em que sangue não era gasto em galões no cinema, Peckinpah era conhecido como o mestre da violência. Mas também por causa de sua carga dramática. Aqui, ele um canto do cisne do faroeste, com a missão final de pistoleiros veteranos.
Estados Unidos. Direção: Sam Peckinpah. Roteiro: Walon Green e Sam Peckinpah, argumento de Walon Green e Roy N. Sickner. Elenco: William Holden, Ernest Borgnine, Robert Ryan, Edmond O’Brien, Warren Oates, Strother Martin.

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Z - 02

3 — (Z)

Costa-Gavras se tornou conhecido por um cinema fortemente político. E aqui ele denuncia a ditadura militar grega, através de um jornalista que investiga o assassinato de um líder da oposição. Foi o primeiro filme de língua não inglesa indicado ao Oscar de melhor filme.
França/ Argélia. Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Costa-Gavras e Ben Barzman, dialogos de Jorge Semprún, baseado em romance de Vasilis Vasilikos. Elenco: Yves Montand, Irene Papas, Jean-Louis Trintignant, François Pérrier, Jacques Perrin.

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Perdidos na Noite - 01

4 — PERDIDOS NA NOITE (Midnight Cowboy)

Jon Voight chega a Nova York para ganhar a vida como prostituto. O ingênuo caipira encontra um trapaceiro de rua, o “Ratso” Rizzo vivido por Dustin Hoffman. Os dois atores comandam este, que foi o primeiro filme para maiores de 18 a vencer o Oscar. Um filme sobre amizade na sarjeta. E tem aquele improviso maravilhoso de Hoffman com o taxi: “Hey, I’m walking here!”.
Estados Unidos. Direção: John Schlesinger. Roteiro: Waldo Salt, baseado em romance de James Leo Herlihy. Elenco: Jon Voight, Dustin Hoffman, Sylvia Miles, Brenda Vaccaro, Jennifer Salt.

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Charlie Brown e Snoopy-04

5 — CHARLIE E SNOOPY ou CHARLIE BROWN E SNOOPY ou UM GAROTO CHAMADO CHARLIE BROWN (A Boy Named Charlie Brown)

A turma da tira Peanuts, escrita e desenhada por Charles M. Schulz, já aparecia na TV em especiais de pouco mais de 20 minutos desde 1965, com O Natal de Charlie Brown, no ritmo de uma ou duas vezes por ano. Em 1969, Charlie, Lucy, Linus e o cãozinho Snoopy chegavam às telonas em um longa que mantinha o estilo simples das produções para a TV e os mesmos temas recorrentes da frustração e medo da rejeição.
Estados Unidos. Direção: Bill Melendez. Roteiro: Charles M. Schulz, baseado em sua própria tira de quadrinhos. Vozes na dublagem original: Peter Robbins, Pamelyn Ferdin, Glenn Gilger.

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Macunaima - 02

6 — MACUNAÍMA

O romance modernista de Mário de Andrade ganhou uma versão irreverente pelas mãos de Joaquim Pedro de Andrade, com dois atores-ícones do cinema nacional dividindo o papel-título (Grande Otelo e Paulo José) e ainda Dina Sfat.
Brasil. Direção e roteiro: Joaquim Pedro de Andrade, baseado em romance de Mário de Andrade. Elenco: Grande Otelo, Paulo José, Dina Sfat, Jardel Filho, Milton Gonçalves, Joanna Fomm, Zezé Macedo, Wilza Carla.

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007 a Servico de Sua Majestade - 03

7 — 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (On Her Majesty’s Secret Service)

O senso comum aponta George Lazenby como o pior ator a encarnar James Bond. É difícil discordar. O interessante é que isso acontece em um ótimo exemplar da série, que tenta humanizar um pouco o agente 007 e tem Diana Rigg como uma das melhores bondgirls (ou bondwoman, como se diz hoje).
Reino Unido. Direção: Peter Hunt. Roteiro: Richard Maibaum, com diálogos adicionais por Simon Raven, baseado em romance de Ian Fleming. Elenco: George Lazenby, Telly Savallas, Diana Rigg, Gabriele Ferzetti, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn.

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Dragao da Maldade contra o Santo Guerreiro - 01

8 — O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

Glauber voltou aqui ao personagem mítico Antônio das Mortes, de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), alçando-o ao papel principal e fazendo-o refletir sobre sua atividade de matador de cangaceiros. Ganhou melhor direção em Cannes.
França/ Brasil/ Alemanha Ocidental/ Estados Unidos. Direção e roteiro: Glauber Rocha. Elenco: Maurício do Valle, Odete Lata, Othon Bastos, Hugo Carvana, Jofre Soares.

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Sem Destino - 01

9 — SEM DESTINO (Easy Rider)

Emblemático talvez seja a melhor palavra para Sem Destino. Um filme que, em sua história dos motoqueiros que viajam pelos EUA, resume em si um espírito daquela época no que diz respeito à contracultura. A própria produção do filme foi louquíssima, como eram os personagens e aqueles dias.
Estados Unidos. Direção: Dennis Hopper. Roteiro: Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Elenco: Peter Fonda, Dennis Hopper, Jack Nicholson, Phil Spector.

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Assaltante Bem Trapalhao - 01

10 — UM ASSALTANTE BEM TRAPALHÃO (Take the Money and Run)

Primeiro filme valendo pontos de Woody Allen como diretor, é uma comédia rasgada sobre um assaltante de banco que não tinha nada de gênio do crime. Allen já mostrava que tinha vontade de ir além, ao brincar um pouco com a narrativa dos documentários, inserindo depoimentos para contar a história.
Estados Unidos. Direção: Woody Allen. Roteiro: Woody Allen e Michael Rose. Elenco: Woody Allen, Janet Margolin, Michael Hillaire.

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Noite dos Desesperados - 01

11 — A NOITE DOS DESESPERADOS (They Shoot Horses, Don’t They?)

O filme se passa nos anos 1930, época da Grande Depressão nos EUA, e o cenário é uma desumana maratona de dança onde personagem sem qualquer esperança jogam suas últimas fichas em busca de uma virada na vida — ou morrer. Tambpem marcou uma virada na carreira de Jane Fonda em busca de papéis mais fortes — no ano anterior, ela havia feito Barbarella!
Estados Unidos. Direção: Sydney Pollack. Roteiro: James Poe e Robert E. Thompson, baseado em romance de Horace McCoy. Elenco: Jane Fonda, Michael Sarrazin, Susannah York, Gig Young, Red Button, Bonnie Bedelia, Bruce Dern.

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Flor de Cacto-07

12 — FLOR DE CACTO (Cactus Flower)

Adaptação de uma comédia de sucesso da Broadway, revelou Goldie Hawn, que acabou ganhando um Oscar de coadjuvante. Walter Matthau é o protagonista do roteiro maluquete, sobre um dentista que finge que é casado pra não ter que firmar compromisso com a “amante”. Mas aí sua enfermeira, vivida por Ingrid Bergman, precisa fingir que é a esposa.
Estados Unidos. Direção: Gene Saks. Roteiro: I.A.L. Diamond, baseado em peça de Abe Burrows, por sua vez versão da peça francesa de Pierre Barillet e Jean-Pierre Grédy. Elenco: Walter Matthau, Ingrid Bergman, Goldie Hawn.

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Alo Dolly - 01

13 — ALÔ, DOLLY! (Hello, Dolly!)

Barbra Streisand pós Oscar por A Garota Genial é a grande estrela deste musical da Broadway dirigido no cinema por Gene Kelly – um dos maiores astros e coreógrafos do gênero, aqui ele só é diretor (foi indicado ao Globo de Ouro). Barbra e Walter Matthau não se deram e o filme tem coisa demais, mas ainda é bem divertido. E ainda tem a aparição de Louis Armstrong, sua última no cinema.
Estados Unidos. Direção: Gene Kelly. Roteiro: Ernest Lehman, baseado na peça musical de Michael Stewart, por sua vez baseado na peça de Thornton Wilder, por sua vez versão da peça francesa de Johann Nestroy. Elenco: Barbra Streisand, Walter Matthau, Michael Crawford, Marianne McAndrew.

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Matou a Família e Foi ao Cinema - 1969 - 01

14 — MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Exemplar do cinema marginal brasileiro, terceiro longa de Bressane. Parte da premissa literal do título, um rapaz que mata os pais e vai ao cinema, para outros contos curtos de violência, como o das meninas que se apaixonam e matam a mãe de uma delas. Teve uma refilmagem muito ruim em 1991, com Cláudia Raia.
Brasil. Direção e roteiro: Júlio Bressane. Elenco: Márcia Rodrigues, Renata Sorrah, Vanda Lacerda, Antero de Oliveira.

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Bravura Indomita - 1969 - 05

15 — BRAVURA INDÔMITA (True Grit)

Garota determinada procura um profissional que a ajude a prender o homem que matou seu pai. Consegue o xerife bebum, caolho e decadente vivido por John Wayne. Um papel longe dos costumeiros papéis invencíveis do astro, o que rendeu a ele um Oscar. Bem bom, rendeu uma refilmagem ainda melhor, dirigida pelos irmãos Coen em 2010.
Estados Unidos. Direção: Henry Hathaway. Roteiro: Marguerite Roberts, baseado no romance de Charles Portis. Elenco: John Wayne, Kim Darby, Glen Campbell, Robert Duvall, Dennis Hopper, Strother Martin.


Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.


OUTRAS LISTAS:

Grease - Nos Tempos da Brilhantina -21

John Travolta em “Grease — Nos Tempos da Brilhantina” (1978)

40. ‘42ND STREET’, de Rua 42 (1933)
Com Ruby Keeler, Dick Powell e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

Depois de uma introdução com Ruby Keeler sozinha no palco, o número começa para valer: a vida na feérica Rua 42 de Nova York é encenada musicalmente, com sua agitação, seu balançado e até suas tragédias humanas. Tudo com a brilhante coreografia de Busby Berkeley.

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39. ‘MY OLD KENTUCKY HOME’, de A Mascote do Regimento (1935)
Com Bill “Bojangles” Robinson e Shirley Temple. Direção: David Butler. Música de Stephen Foster.

Histórico: pela primeira vez um par formado por um homem negro e uma mulher branca dançam juntos no cinema. Esse tabu racista foi quando o ás do sapateado Bill “Bojangles” Robinson, 57 anos, estende a mão para a estrelinha mirim Shirley Temple, 7 anos, e eles sobem e descem os degraus de uma escada de mãos dadas. A dança nos degraus eram uma marca pessoal de Robinson e, nesta cena, ele ensina Shirley a dançar como ele. E ela é uma ótima aluna.

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38. ‘DENTIST!’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Steve Martin, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Howard Ashman e Alan Menken.

Qual seria o emprego ideal para um sádico? Para este filme, a resposta é óbvia: dentista! Steve Martin deita e rola nesta participação especial, fazendo sofrer pacientes e enfermeiras, em um número hilariante e cruel.

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37. ‘SUNDAY JUMPS’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Música de Burton Lane.

Astaire não era só um dançarino. Era praticamente um músico com os pés. Aqui, além da noção impressionante de ritmo, que ele mostra na prática, ainda tem um de seus momentos antológicos: ele dança com um guarda-chapéus e, como disse Gene Kelly em Era uma Vez em Hollywood (1974), “como de costume, ele fez seu parceiro parecer ótimo”.

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36. ‘MOON RIVER’, de Bonequinha de Luxo (1961)
Com Audrey Hepburn. Direção: Blake Edwards. Canção de Henry Mancini e Johnny Mercer.

Em uma reunião de produção, alguém quis tirar essa canção do filme. Audrey Hepburn se levantou e disse: “Só por cima do meu cadáver”. Ela estava absolutamente certa. Sentada em sua janela, dedilhando um violão e observada pelo vizinho que logo estará apaixonado, Holly Golightly mostra um lado menos festeiro, mas encantador. A canção ganhou um Oscar e virou um ícone, associada para sempre à atriz.

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35. ‘NEW YORK, NEW YORK’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Leonard Bernstein, Adolph Green e Betty Comden.

6 da manhã em Nova York. Marinheiros saem em disparada de seu navio loucos para aproveitar suas 24 horas de folga em Manhattan. Nossos três protagonistas não perdem tempo e, num tempo em que os filmes eram sempre rodados dentro do estúdio, eles cantam sua canção nas locações reais da cidade (atenção: não é a mesma “New York, New York” do filme do Scorsese de 1977, que depois virou ícone como parte do repertório de Frank Sinatra). As cenas em locação eram raríssima na época, mas Gene Kelly e Stanley Donen fizeram questão. E os marinheiros vão fazendo planos do que vão aprontar por lá, entre visitar pontos turísticos e arranjar namoradas. Afinal, “New York, New York: it’s a wonderful town!”.

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34. ‘SUMMER NIGHTS’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com John Travolta, Olivia Newton-John, Barry Pearl, Dinah Manoff, Didi Conn, Jeff Conaway, Kelly Ward, Stockard Channing, Jamie Donnelly e Michael Tucci . Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A magia do musical: Olivia e Travolta estão separados, mas unidos pela canção. Eles, que se conheceram e se apaixonaram nas férias, agora estão na mesma escola, mas não sabem disso. Contam aos amigos como foi esse namoro (ele, particularmente, exagera ao contar vantagem). O “ele disse, ela disse” vai e volta para um e para outro, com suas versões do que rolou. Apenas uma sobreposição de imagens vai uni-los no final do dueto.

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33. ‘JUKEBOX DANCE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Fred Astaire e Eleanor Powell. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Walter Ruick.

Os personagens de Fred Astaire usaram esse truque mais de uma vez: fingir que não sabe dançar para que a moça o ensine e, aí, ele dá show. O encontro entre Fred, o melhor entre os homens, e Eleanor, a melhor entre as mulheres, só aconteceu neste filme. Como se pode ver neste número, que bom que este filme foi feito. Eleanor Powell era tão genial que até intimidava Astaire, que achava que ela talvez fosse melhor até do que ele.

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32. ‘THE GIRL HUNT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz.

Uma criativa e espirituosa versão musical dos romances policiais de detetives particulares, com um Fred Astaire que resistia a experimentar coisas novas (segundo o coreógrafo Michael Kidd), mas que arrasou como sempre, e uma não menos do que esplêndida Cyd Charisse. O ponto alto é a investigação no nightclub, onde Fred e Cyd traduzem em passos e movimentos o jogo perigoso (mas animado) de sedução entre seus personagens.

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31. ‘MY FAVORITE THINGS’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

Na peça original, a canção que Maria canta para as crianças para afastar o medo da tempestade é “The lonely goatherd”. “My favorite things” é cantada em outro momento por Maria… e com a madre superiora! Foi o roteirista Ernst Lehmann que resolveu rearranjar a posição das canções e ele estava mais do que certo: “My favorite things” é o argumento ideal para afastar os maus pensamentos das crianças. Quando o filme foi feito, a canção já havia virado um clássico também do jazz, depois John Coltrane a gravou em 1961 no álbum homônimo.

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Gilda - 01

Rita Hayworth em “Gilda” (1946)

50. ‘I WANNA BE LOVED BY YOU’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de Herbert Stothart, Harry Ruby e Bert Kalmar.

“Boop-boop-a-doop”. A canção de 1928 é a cara da Betty Boop e não por acaso: a interpretação de Helen Kane, com sua voz meio infantil cantando esse “boop-boop-a-doop” inspirou a criação da personagem dos desenhos animados, em 1930. Como Quanto Mais Quente Melhor se passa em 1929, caiu como uma luva para Marilyn desfilar sua sensualidade brejeira na canção. Como Billy Wilder dizia, filmar com Marilyn podia ser um pesadelo, mas o resultado compensava de longe.

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49. ‘SO LONG, FAREWELL’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II.

O capitão Von Trapp não que transformar sua família num grupo musical, mas está difícil. No final de uma festa em casa, seus sete filhos se despedem dos convidados com este encantador número musical. Uma das forças desse filme é o carisma das crianças. “So long, farewell, auf wiedersehen, adieu”, em um número reprisado mais tarde no filme (e rever sempre é muito bem-vindo).

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48. ‘CABARET’, de Cabaret (1972)
Com Liza Minnelli. Direção e coreografia: Bob Fosse. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Liza, sozinha em cena: e precisa mais? A canção-título do filme estabelece que esse não é um musical inocente como a maioria do que vieram antes dele. E, três anos após a morte da mãe Judy Garland, Liza chama o trono para si com toda a justiça, ao menos nesse filme. A vida é um cabaré, old chum, apesar dos profetas do pessimismo.

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47. ‘A WHOLE NEW WORLD’, de Aladdin (1992)
Com Brad Kane e Lea Salonga (vozes). Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Tim Rice.

Aladdin joga baixo para conquistar a princesa Jasmine: a leva em um passeio de tapete mágico pelo mundo. As maravilhas que vai encontrando são embaladas pela maravilha que é essa canção vencedora do Oscar. A animação é um deslumbre.

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46. ‘THE BALLET OF RED SHOES’, de Sapatinhos Vermelhos (1948)
Com Moira Shearer, Alan Carter, Joan Harris. Direção: Michael Powell e Emeric Pressburger. Coreografia: Robert Helpmann. Música de Brian Esdale.

Bailarina de carreira consolidada nos anos 1940, a escocesa Moira Shearer estreou no cinema no papel principal de Sapatinhos Vermelhos. E o ponto alto do filme é o balé que dá nome ao filme, um número espetacular de quase 15 minutos, que soma recursos cinematográficos à atmosfera da dança no palco para ir além da fábula dançada e representar o turbilhão emocional da protagonista: closes, planos de detalhe, câmera lenta, sobreposição de imagens. Este número impressionou tanto Gene Kelly que o inspirou para Sinfonia de Paris (1951).

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45. ‘ALWAYS LOOK ON THE BRIGHT SIDE OF LIFE’, de A Vida de Brian (1979)
Com Eric Idle. Direção: Terry Jones. Canção de Eric Idle.

Essa música adorável e incrivelmente otimista, com assobios e tudo, é um dos momentos mais clássicos do grupo Monty Python. Contribui para isso, é claro, o fato de ela ser cantada por um grupo que está sendo crucificado na Judeia dos tempos de Cristo. O tipo de nonsense que foi a genialidade do grupo inglês.

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44. ‘CAN’T BUY ME LOVE’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de Paul McCartney (creditada a John Lennon e Paul McCartney).

A Hard Day’s Night acompanha os Beatles no que seria seu cotidiano típico de correrias para fugir das fãs, compromissos comerciais e entrevistas chatas pra caramba. Em um momento de descuido dos outros, eles escapolem por uma porta, dão numa escada externa e se divertem a valer em campo aberto, filmados de helicóptero em patetices de cinema mudo. Sua descida pelas escadas é uma das mais célebres do grupo.

Para assistir, clique aqui.

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43. ‘PUT THE BLAME ON MAME’, de Gilda (1946)
Com Rita Hayworth (voz de Anita Ellis). Direção: Charles Vidor. Coreografia: Jack Cole. Canção de Allan Roberts e Doris Fischer.

Pê da vida com o marido, (“nunca houve uma mulher como”) Gilda irrompe no palco do nightclub que ele dirige e canta “Put the blame on Mame”. Não só isso, como tira uma das luvas — e é o bastante para que seja um dos mais sexy strip-teases da história. O vestido tomara-que-caia ajuda: nos closes é como se Gilda… bem… não estivesse usando nada.

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42. ‘BELLE’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Paige O’Hara, Richard White, Alec Murphy, Mary Kay Bergman, Kath Soucie e coro (vozes). Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Após um breve prólogo, A Bela e a Fera já mostra a que veio: a cena de apresentação da protagonista e seu vilarejo acanhado e o vilão valentão que a deseja é um espetáculo, com todo o jeito de Broadway. Dá para imaginar os cantores e bailarinos pelo palco. Mas aqui é cinema, há planos clássicos e divinos: Bela deslizando pelas prateleiras de livros em direção à câmera, ou a câmera girando em torno dela quando ela diz que quer “mais que essa vida provinciana”.

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41. ‘WOULDN’T BE LOVERLY?’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

A florista pobre Eliza Doolittle tem sua canção de “eu quero” após ser desmerecida pelo irritante professor de dicção. Ela canta nesse momento adorável, errando todas as palavras que pode (canta “ands” em vez de “hands”, por exemplo). Sonha com um mundo de elegância e amor em meio aos restos e aos desvalidos. Audrey, que sempre apareceu como dama nos filmes, brilha como a pobretona inculta que, no fim, vai embora em sua carruagem: uma carroça de lixo.

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Infamia - 1961 - 03

INFÂMIA (William Wyler, 1961)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 41

O lesbianismo não era, claro, um tema comum na Hollywood do começo dos anos 1960, em tempos ainda sob a censura do Código Hays — longe disso. Em parte, isso se reflete na maneira como o tema é tratado nesta adaptação da peça de Lillian Hellman, na qual uma menina maldosa inventa uma mentira sobre as duas donas de sua escola: elas seriam amantes.

Isso torna a vida das duas um inferno. A menina conta a sua avó sussurrando — mesmo com as duas estando em um ambiente onde ninguém as ouve. As professoras, sem saber porque os pais estão levando as crianças embora, forçam um pai a revelar o motivo: a cena é mostrada de longe. Nas duas cenas, não ouvimos as palavras — apenas vemos a reação de quem escuta. Outra razão para isso é que o filme assume o ponto de vista das pessoas conservadoras daquela comunidade — as duas professoras incluídas. É, mais uma vez, “o amor que não ousa dizer seu nome”. Na segunda metade, o filme deixa de lado as meias palavras.

É datado, claro, mas não tanto quanto a versão dos anos 1930 (dirigida pelo mesmo William Wyler), que limou a homossexualidade da trama. O fato desta versão de 1961 ser dirigida por um cineasta classe A como Wyler (recém-saído do multioscarizado Ben-Hur), e com duas estrelas de primeira grandeza como Audrey Hepburn e Shirley MacLaine, não deixa de ser marcante.

My Fair Lady - 12

Audrey Hepburn em “I could have dance all night”, de “My Fair Lady” (1964)

60. ‘FLESH FAILURES/ LET THE SUNSHINE IN’, de Hair (1979)
Com John DeRobertas, Grand L. Bush, Beverly D’Angelo, John Savage, Treat Williams, Don Dacus, Annie Golden, Cheryl Barnes e coro. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A apoteose do filme – em uma canção forte, que bate direto – mostra os soldados americanos indo para o Vietnã, jovens que marcham até serem engolidos pela completa escuridão representada pela entrada do avião militar. Quem canta, aparece primeiro como um anônimo que nem se identifica na multidão de soldados, até se aproximar da câmera. O drama adicional é do hippie que está lá por engano, tendo tomado o lugar do amigo para que este curtisse um último bom momento com a namorada antes de partir – mas não houve tempo para a troca ser desfeita. Essa troca é uma mudança do filme em relação à peça.

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59. ‘YOU’RE THE ONE THAT I WANT’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com Olivia Newton-John e John Travolta. Direção: Randal Kleier. Coreografia: Patricia Birch. Canção de John Farrar.

A resolução final do romance entre os personagens de Olivia e Travolta, onde ele resolve ser mais certinho para ficar com ela, mas ela é que deixa de ser a boazinha absoluta para ficar com ele. Sobra carisma e química entre os dois.

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58. ‘AFTER YOU GET WHAT YOU WANT, YOU DON’T WANT IT’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Marilyn Monroe. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

Um dos grandes momentos de Marilyn nesse filme de grande elenco, que incluía Ethel Merman, Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. O número é uma apresentação para uma plateia, mas Marilyn, em ascensão no estrelato, domina a cena completamente. Não dá para tirar os olhos dela. Ainda mais nesse vestido.

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57. ‘EASTER PARADE’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Uma inversão no clichê de gênero: em vez do homem cantar para a garota, ela é quem o corteja. Judy chega a fazer Fred sentar no colo dela! É uma reconciliação, mas a personagem de Judy mostra aos poucos, com muito charme, que está tudo bem. A canção de Irving Berlin é uma delícia e na voz de Judy, é difícil ficar melhor. E tem esses passinhos na escada, no final, uma graça. Era Fred voltando à Metro e para ficar (substituindo aqui Gene Kelly, escalado para o filme, mas que havia quebrado o tornozelo) e Judy em seus últimos anos no estúdio: foi, infelizmente, o único filme em que contracenaram (os dois estiveram no elenco de Ziegfeld Follies, de 1945, mas o filme era em esquetes e eles não apareceram juntos na mesma cena).

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56. ‘ON THE TOWN’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen, Ann Miller e Betty Garrett. Direção: Gene Kelly, Stanley Donen. Canção de Rioger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Pela primeira vez no filme, o sexteto protagonista (os marinheiros e as namoradas que paqueram em suas 24 horas de folga em Nova York) estão juntos na mesma cena. O cenário é o alto do Empire State (de mentirinha, claro, no estúdio da Metro). O encontro não deixa por menos, com uma grande apresentação de humor e dança, com carisma para dar e vender. É o começo de uma grande noite.

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55. ‘FUNNY FACE’, de Cinderela em Paris (1957)
Com Fred Astaire e Audrey Hepburn. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Fred Astaire e Eugene Loring. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

E se Audrey Hepburn fosse contratada da Metro? Pode-se ter boa ideia aqui, nesse musical da Paramount, mas que tem na equipe boa parte da turma da MGM (incluindo o diretor e o astro Astaire). O resultado, na prática, um musical da Metro feito na Paramount. E um momento especial é este, com o fotógrafo vivido por Fred revelando seu trabalho com a livreira vivida por Audrey. A cena de música e a dança no quarto escuro, com o processo de revelação incluído na cena, é para rever mil vezes. Audrey foi bailarina na juventude e mostra toda sua graça aqui.

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54. ‘SHADOW WALTZ’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Dick Powell, Ruby Keeler e côro. Direção: Marvyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Busby Berkeley parecia não ter limites. Em “Shadow waltz”, ele colocou dezenas de garotas com violinos em um cenário de plataformas curvas. Ao apagar as luzes, o contorno dos violinos se mostram iluminados e aí começam as evoluções, em círculo e até na forma de um violino gigante. Que criador de imagens marcantes ele foi!

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53. ‘THE SOUND OF MUSIC’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Após aquela “overture” pelas montanhas da Áustria e aquela tomada de tirar o fôlego de helicóptero se aproximando daquele pontinho que vira a Julie Andrews, segue-se uma declaração de intenções do filme: a fraulein Maria cantando seu amor pela música. Ainda não sabemos nada dela, mas já sabemos isso, o essencial que vai fazer diferença na vida de todos no filme. O filme também já mostra que não vai economizar nas paisagens embasbacantes.

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52. ‘YOU WERE MEANT FOR ME’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Don Lockwood, o ator vivido por Gene Kelly, quer declarar seu amor para Kathy Selden, a jovem atriz vivida por Debbie Reynolds. Mas diz que não consegue se não tiver o cenário adequado. Num estúdio, uma aulinha de mágica de Hollywood: luz do luar de um refletor, brisa noturna de ventiladores… E um dos mais bonitos números românticos do cinema. Debbie Reynolds penou nas mãos de Gene Kelly, um obcecado pela perfeição. Um dia, Fred Astaire a pegou chorando num canto da MGM e ela contou suas dificuldades. Então, ele ensaiou e deu dicas a ela. Como se vê aqui, ela aprendeu mais do que bem.

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51. ‘I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: Geotge Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Logo depois de ‘The rain in Spain’, a pobre e inculta florista Eliza Doolittle está nas nuvens: finalmente mostrou que pode falar direito e potencial para ser uma dama, aos olhos de seu irascível professor. É levada pela governanta para dormir, mas quem conseguiria assim tão rápido? Durante todo o processo (subir escadas, trocar de roupa, se lavar), ela só canta que “poderia dançar a noite inteira”). Audrey, em um de seus pontos  mais altos em ser adorável.

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Cupido Nao Tem Bandeira

CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA (Billy Wilder, 1961)
Sem borda - 04 estrelas
Diário de Filmes 2019: 20

Eu cresci no fim dos anos 1970 e nos anos 1980. Quando fui abrindo os olhos pro mundo, o Muro de Berlim já estava lá. Vi pela TV e celebrei sua derrubada quando eu tinha 13 anos. Mas houve um período antes, em que Berlim era dividida, mas não havia o muro e era possível transitar de um lado para o outro da cidade. É lá e nesse período que se passa essa comédia maluca de Billy Wilder.

Mais do que isso, o filme explora essa vizinhança geminada entre capitalismo e comunismo para satirizar os dois lados de modo brilhante. James Cagney metralha diálogos como o diretor da fábrica da Coca-Cola na cidade (pode-se representar mais o capitalismo?), que quer comercializar com o lado oriental para ser transferido para um lugar de mais prestigio (“Além do mais, eles já contrabandeiam nossos carregamentos – e nem devolvem os cascos!”). Mas precisa cuidar da filha do chefão e se descuida o suficiente pra ela aparecer casada com um jovem muito comunista (“O capitalismo é como um arenque ao luar: brilha, mas fede”).

Com o pai da moça prestes a aparecer de visita, ele dá um duplo twist carpado após outro para tentar resolver a parada. E não é que, bem quando Billy estava filmando, a Alemanha Oriental começou a construir o muro? Ao que parece, uma coisa não tem a ver com a outra, mas o fato é que parte do filme teve que ser filmado em Munique, num estúdio em que havia a réplica do Portão de Brandenburgo.

Eu acreditaria que o filme tivesse tido um gigantesco product placement da Coca-Cola, não fosse o antológico momento final (aliás, mais um para a impressionante coleção de Billy).

Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

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69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

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68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

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67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

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66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

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65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

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64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

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63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

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62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

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61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

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Novica Rebelde - 09

Julie Andrews em “I have confidence in me”, de “A Noviça Rebelde” (1965)

80. ‘SPRINGTIME FOR HITLER/ HEIL MYSELF’, de Os Produtores (2005)
Com John Barrowman, Gary Beach, Uma Thurman e coro. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Uma ridicularização implacável do nazismo na figura de um musical da Broadway que o glorifica, a primeira parte é a refilmagem encorpada do número do filme original de 1968, Primavera para Hitler. Quando Hitler entra em cena, interpretado na peça pelo diretor gay Roger DeBris (por sua vez, vivido por Gary Beach), é a parte nova para Os Produtores e igualmente antológica e hilariante. O uso da expressão “Heil myself” é um tributo de Brooks a Ernst Lubitsch, que sacaneou Hitler com essa expressão em Ser ou Não Ser (1942), refilmado em 1983 como Sou ou Não Sou, com o próprio Mel Brooks no papel principal.

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79. ‘WE BOTH REACHED FOR THE GUN’, de Chicago (2002)
Com Richard Gere, Renée Zellweger, Christine Baranski. Direção e coreografia: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Primor de metáfora, uma coletiva de imprensa manipulada por um advogado espertalhão é retratada como um show de ventriloquismo e marionetes, através de um delicioso ragtime, ritmo muito identificado com a época em que o filme se passa. Como acontece na narrativa de Chicago, o filme alterna entre o registro realista e o de fantasia, como musical.

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78. ‘THE RAIN IN SPAIN’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (com voz de Marni Nixon), Rex Harrison e Wilfrid Hyde-White. Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Massacrada pelo tirânico professor de fonética, a florista pobre Eliza Doolittle finalmente consegue articular uma frase corretamente: “The rain in Spain stays mainly in a plain”. A euforia que toma conta de todos é um momento muito especial de My Fair Lady e o ponto de virada da trama da florista que o professor quer fazer virar dama.

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77. ‘THEY ALL LAUGHED’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Ginger Rogers e Fred Astaire. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gerswhin e Ira Gershwin.

Na trama de Vamos Dançar?, Fred dança balé clássico e finge que é russo. O encontro com Ginger é o choque de dois mundos, e esse choque acontece para valer em “They all laughed”, delicinha de canção dos Gershwin. Ginger canta na primeira parte, depois os dois se estranham na dança, depois Fred mostra quem é e o que sabe. Depois, o que vem é magia.

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76. ‘A HARD DAY’S NIGHT’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

A abertura de A Hard Day’s Night é antológica, reproduzindo a histeria da beatlemania com toques de nonsense e dando o tom do que virá no filme: a reprodução cômica do que seria um dia no cotidiano agitado dos Beatles, com um ar meio de documentário. O apuro visual de Richard Lester fez essas imagens ficarem clássicas.

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75. ‘JUMPIN JIVE’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Cab Calloway e os Nicholas Brothers. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Cab Calloway, Jack Palmer e Frank Froeba.

Você nunca vai ver no cinema alguma coisa igual aos Nicholas Brothers. De uma agilidade inacreditável eles faziam coisas que nem superstars do calibre de Ferd Astaire e Gene Kelly se atreviam. Infelizmente, o racismo jogava contra: para não incomodar as plateias segregacionistas de alguns estados, os grandes filmes reservavam a eles apenas participações especiais, que podiam ser cortadas nas exibições nesses lugares. Eles tinham melhor espaço em filmes de elenco negro e destinados ao público negro como este Tempestade de Ritmos. Antecedidos pelo inimitável Cab Calloway, os Nicholas sapateiam e saltam um sobre o outro, saltam por cima da orquestra, saltam subindo e descendo uma escada. Um assombro.

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74. ‘BLACK BOYS/ WHITE BOYS’, de Hair (1979)
Com Laurie Beechman, Debi Dye, Ellen Foley, Johnny Maestro, Fred Ferrara, Jim Rosica, Vincent Carella, Nell Carter, Charlayne Woodard, Trudy Perkins, Chuck Patterson, H. Douglas Berring, Russell Costen, Kenny Brawner e The Stylistics. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot.

O número mais irreverente e iconoclasta de Hair faz um paralelo genial entre garotas num parque falando abertamente sobre seus desejos a respeito de rapazes de outra cor… e militares numa junta de alistamento avaliando os novos recrutas. A seriedade na face de alguns dos militares enquanto cantam o que cantam dá ainda mais graça à coisa toda.

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73. ‘SUDDENLY SEYMOUR’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Rick Moranis, Ellen Greene, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Dois sofredores do mundo, o funcionário de uma floricultura testemunha o desencanto da mulher que ama, mas que só se envolve com homens abusivos. Sua declaração de amor é uma pérola de sentimento dentro da galhofa deste ótimo musical cômico. Rick Moranis está ótimo, mas Ellen Greene (reprisando seu papel dos palcos) é sensacional.

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72. ‘ANOTHER DAY OF SUN’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Reshma Gajjar, Hunter Hamilton, Damian Gomez, Candice Coke e elenco (vozes de Angela Parrish, Nick Baxter, Marius De Vries, Briana Lee e Sam Stone). Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Quantos sonhos a chatice de um engarramento esconde? Em outro dia comum de sol e carros parados em Los Angeles, as aspirações ganham vida quando os motoristas saem de seus carros e começam a contar daquilo que os levaram até a cidade: o sonho de vencer em Hollywood. Filmado numa autoestrada real, com três planos-sequência com cortes escondidos para que pareça tudo um único plano. É uma declaração de intenções do filme: abrindo com este número, sem qualquer dos personagens principais, já estão aqui o estilo narrativo, o estilo visual e o tema central.

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71. ‘I HAVE CONFIDENCE’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

O carisma avassalador de Julie é combinado com a paisagem de tirar o fòlego de Salzburgo, captada através dos enquadramentos rigorosos e incríveis de Wise. Reparem, no começo, o recuo da câmera que mostra que a fraulein Maria está enquadrada entre as grades do portão. Ou quando ela vem do fundo do quadro, com os prédios ao fundo, e a câmera faz outro recuo para mostrar o ônibus para onde ela vai. Ou ela cantando na janela, com a paisagem refletida no outro vidro. Ou quando ela desde do ônibus e dá meia volta indo para o fundo do quadro. Fora a música, um canto de otimismo com violão na mão e saltinhos meio desengonçados no ar, que começa na dúvida e termina na autoconfiança plena.

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Faster Pussycat Kill Kill - 01

FASTER, PUSSYCAT! KILL! KILL! (Russ Meyer, 1965)
½
Diário de Filmes 2019: 9

Os admiradores de Russ Meyer costumam admirar as mulheres que botam pra quebrar desse filme: três dançarinas eróticas que também correm em alta velocidade pelas estradas, lutam e matam com as próprias mãos. A influência em Tarantino é conhecida e evidente. Há quem também se divirta com sua estetica trash e sem vergonha, onde, por exemplo, carros estão em alta velocidade, mas, nos closes, as nuvens no céu estão paradíssimas; ou os dialogos quase 100% marrentos.

Amor Sublime Amor - 04

Natalie Wood em “I feel pretty”, de “Amor, Sublime Amor” (1961)

90. ‘NOW YOU HAS JAZZ’, de Alta Sociedade (1956)
Com Bing Crosby e Louis Armstrong. Direção: Charles Walters. Canção de Cole Porter.

Dois monstros sagrados da música popular, Bing Crosby e Louis Armstrong, ensinando o que é o jazz. Não há professores melhores. Bing interpreta um personagem, mas Louis interpreta ele mesmo, como o parceiro faz questão de mostrar quando apresenta a banda: “E ouçam, bem, vocês sabem quem”.

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89. ‘BE A CLOWN’, de O Pirata (1940)
Com Judy Garland e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton, Gene Kelly. Canção de Cole Porter.

Gene e Judy subvertem o esperado final glamouroso do filme com um divertidíssimo número de palhaços — um ” anti Fred & Ginger”. É a reprise de uma canção que é cantada antes no filme por Gene e os Nicholas Brothers. E foi copiada na cara dura por Arthur Freed e Nacio Herb Brown para o espetacular “Make’em laugh” de Cantando na Chuva (1952).

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88. ‘LA VIE BOHEME’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Taye Diggs, Anthony Rapp, Idina Menzel, Adam Pascal, Jesse L. Martin, Rosario Dawson, Wilson Jermaine Heredia, Tracie Thoms, Shaun Earl. Direção: Chris Columbus. Coreografia: Keith Young. Canção de Jonathan Larson e Billy Aronson.

Dividido em A e B, com outras cena no meio, esse número é uma celebração da boemia, da arte, da igualdade de direitos e do sexo sem culpa, com um número sem referências na letra e uma grande agitação rebelde em cena, com grandes passagens como “sermos ‘nós’, pelo menos uma vez, em vez de ‘eles'” ou, no meio da confusão, os personagens principais todos juntos para cantarem “não morrer da doença” (a Aids).

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87. ‘I DREAMED I DREAM’, de Os Miseráveis (2012)
Com Anne Hathaway. Direção: Tom Hooper. Coreografia: Liam Steel. Canção de Herbert Kretzmer, Claude-Michel Schönberg e Alain Boublil.

A decisão de gravar os vocais aos vivo (em vez de filmar sobre o áudio já gravado antes) captou uma interpretação visceral de Anne Hathaway da mais doída das canções de Os Miseráveis e talvez de todos os musicais (“Eu tinha um sonho de como seria minha vida/ Tão diferente deste inferno em que vivo”). São quatro minutos de cortar o coração e que renderam a ela um Oscar — e com toda a justiça.

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86. ‘OS QUINDINS DE IAIÁ’, de Você Já Foi à Bahia? (1945)
Com Aurora Miranda, Almirante, Aloysio de Oliveira e as vozes de Clarence Nash e José Oliveira. Direção: Norman Ferguson. Coreografia: Billy Daniel, Aloysio de Oliveira. Canção de Ary Barroso.

Zé Carioca apresenta a Bahia ao Pato Donald e ele cai de amores pela baiana que vende quindins. Essa baiana é a maravilhosa Aurora Miranda, irmã de Carmen, e a cantora original de “Cidade maravilhosa”, entre outras canções. O malandro é Almirante e o sujeito das tangerinas é Aloysio de Oliveira. Muito divertido, usando e abusando da interação entre atores reais e desenhos animados, do delírio inspirado pela música e com a própria Salvador sendo posta para dançar no final. (No vídeo abaixo, o número começa aos 2min30seg).

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85. ‘THE TYPEWRITER’, de Errado pra Cachorro (1963)
Com Jerry Lewis. Direção: Frank Tashlin. Música de Leroy Anderson.

“The typewriter” é uma peça para máquina de escrever e orquestra (de verdade) que Jerry Lewis transformou em um delicioso show de pantomima com um instrumento invisível. Ele o faz neste grande momento de Errado pra Cachorro e o repetiu em apresentações ao vivo e em programas de televisão.

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84. ‘LE JAZZ HOT’, de Victor ou Victoria (1982)
Com Julie Andrews. Direção: Blake Edwards. Coreografia: Paddy Stone. Canção de Henri Mancini e Leslie Bricusse.

Julie Andrews é uma cantora que finge ser um homem que faz um show de travesti.  E este número é sua entrada triunfal, que dá um nó na cabeça de quem não conhece o seu segredo. Julie, com muito mais malícia do que em seus papéis icônicos de Mary Poppins ou fraulein Maria.

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83. ‘I FEEL PRETTY’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Natalie Wood (com voz de Marni Nixon), Suzie Kaye, Yvonne Wilder e Joanne Miya. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim,.

Na volta do intervalo do filme, Maria canta sua felicidade, de como o amor a faz sentir mais bonita, enquanto as colegas de trabalho na loja de costura acham que ela ficou doida. Os exageros são uma delícia: “Miss América já pode renunciar”, “um comitê deveria ser formado para me homenagear”, “a cidade deveria me dar a chave”. Capitaneando tudo, todo o charme e talento de Natalie Wood.

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82. ‘YOU CAN’T STOP THE BEAT’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Nikki Blonsky, Zac Efron, Amanda Bynes, Elijah Kelley, John Travolta, Queen Latifah. Direção e coreografia: Adam Shankman. Canção de Scott Wittman e Marc Shaiman.

gran finale de Hairspray é a subversão de um concurso de popularidade da TV onde gordos e negros viram protagonistas e derrubam o racismo da emissora. “This is the future”, sentencia o apresentador num palco que une dançarinos negros e brancos. Embalando isso, a incrível vibração que é a marca desse musical, com uma música irresistível.

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81. ‘GOIN’ CO’TIN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Jane Powell, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Jane Powell está decidida a civilizar seus seis cunhados brutamontes. E um dos passos é ensiná-los a paquerar as moças da cidade. E, além das várias estratégias para usar naquele cafundó do velho oeste, existe a dança. E, como é um musical da Metro, é a aula de dança mais rápida e maravilhosa de todos os tempos. Conhecimento que eles vão usar em seguida, naquele número absolutamente sensacional que todos sabemos qual é.

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