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007 O Espiao que Me Amava-abertura

Os elaborados créditos de abertura da série James Bond são uma tradição tão forte que nem a repaginada da era Daniel Craig os derrubaram (em comparação, lembremos que o tiro no olho-cano de revólver que sempre abriu os filmes foi escanteado para o final na era Craig, até Spectre devolvê-lo ao começo). É um top 10 das aberturas, não das músicas-tema. Então, a música é levada muito em conta, claro, mas também elementos como originalidade, bom humor quando for o caso, visual e narrativa. Os créditos de abertura sempre têm uma boa dose de abstração, o que deixa tudo ainda mais subjetivo.

10 – 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (1965)

O quarto filme da série iniciou uma tradição: as aberturas com silhuetas femininas nuas, criadas por Maurice Binder (que havia ficado de fora dos dois filmes anteriores, mas voltou aqui e exigindo o nome nos créditos). Aqui, como faria depois Somente para Seus Olhos, o tom é submarino evocando as sequências embaixo d’água que o público assistiria no filme. A música-tema é cantada por Tom Jones, com um instrumental bem bondiano.

9 – 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (1962)

O primeiro filme da série tem uma abertura bem no estilo dos anos 1960: predominantemente gráfica, com os créditos interagindo (no ritmo e visual) com as bolinhas piscando. Inclui também o icônico tiro inicial desenhado por Maurice Binder (a cena antes dos créditos só viria a partir do segundo filme) e o antológico tema da série composto por Monty Norman. No meio, há uma quebra meio brusca para uns temas caribenhos, já que o plot principal do filme é na Jamaica.

8 – 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (1969)

A abertura mais psicodélica da série, bem no espírito do final dos anos 1960. É visível também a preocupação em minimizar a mudança do ator principal (Sean Connery havia saído e era a estreia de George Lazenby, que acabou fazendo só esse mesmo) usando imagens dos vilões e bondgirls dos filmes anteriores. Também é a terceira e última abertura apenas com trilha instrumental (as outras foram a dos dois primeiros filme). E é mais uma de Maurice Binder.

7 – 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1977)

A abertura do terceiro 007 com Roger Moore, de Maurice Binder, absorve a autoparódia do filme. As silhuetas agora fazem uma espécie de ginástica olímpica (destaque para a evolução na barra formada pelo cano do revólver) e há elementos soviéticos, evocando o romance entre Bond e a espiã russa no filme. Há uma bela imagem inicial, com as mãos capturando o para-quedas de Bond. E a música é uma das melhores da série toda: “Nobody does it better”, com Carly Simon.

6 – 007 – CASSINO ROYALE (2006)

A repaginada que a série recebeu em 2006 refletiu na abertura. Não há mulheres, com a exceção de uma discretíssima aparição do rosto de Eva Green. Ao invés disso, muito tiro, muita luta e muito sangue. Um tom muito mais claro que o usual também, com essa ambientação no mundo do baralho e seus elementos. Daniel Kleinman, que desenhou os créditos, integrou, depois de 43 anos, a sequência do tiro à abertura, se aproximou da pop art e usou muito a imagem de Daniel Craig para reforçá-lo como o novo Bond. A música, ótima, é “You know my name”, com Chris Cornell.

5 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1964)

Uma das imagens famosas do filme é a morte de Shirley Eaton com o corpo pintado de dourado. A abertura (de Robert Brownjohn) aproveita a ideia: o corpo da atriz e modelo Margaret Nolan pintado de dourado, nos quais são projetadas cenas deste e dos dois filmes anteriores da série. Na música-tema (foi a primeira vez que a abertura ganhou uma canção como tema), a inigualável Shirley Bassey. No vídeo abaixo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

4 – 007 CONTRA GOLDENEYE (1995)

Fazia seis anos que não Bond não dava as caras nas telas, quando veio a estreia de Pierce Brosnan no papel. Junto com ele, a estreia de Daniel Kleinman, diretor de clipes e vídeos de shows, como designer dos créditos de abertura (substituindo Maurice Binder, que morreu em 1991). Ele segue a herança de Maurice Binder (principalmente no que diz respeito à silhueta feminina), mas aposta firme nos efeitos por computador: os símbolos soviéticos, já que o filme tem relação com o fim da guerra fria. A música-tema tem Tina Turner cantando música de Bono & The Edge. No vídeo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

3 – 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985)

Maurice Binder de cabeça nos anos 1980. O som dançante do Duran Duran na trilha e detalhes coloridos explodindo do fundo negro: o batom, a arma, uma mulher dançando no fogo (claro). As mulheres esquiadoras são uma imagem bonita, mas o que se sobressai é a sensação divertida de não se levar a sério.

2 – 007 – O AMANHÃ NUNCA MORRE (1997)

Como no anterior, Daniel Kleinman se inspira fortemente no tema do filme: aqui, o mundo da comunicação e da computação e mulheres e armas, claro. São belas imagens, muita produção digital e a música bem bondiana cantada por Sheryl Crow. O visual também prefere imagens em negativo e sensação de raio-x.

Antes do primeiro lugar, algumas enções honrosas: Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) e seus temas japoneses (de Maurice Binder); Moscou contra 007 (1963), com os créditos (de Robert Brownjohn) projetados na pele feminina; Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973), de Maurice Binder, com os temas vudu e Paul McCartney cantando.

1 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Deu tudo certo na abertura de Skyfall, a sexta com design de Daniel Kleinman. Partindo do momento final da cena pré-créditos (baleado sobre um trem, Bond desaparece sob a água), somos encaminhados no que às vezes parece uma experiência subconsciente de 007 à beira da morte (principalmente um certo conflito consigo mesmo: tiros nas sombras e nos espelhos), outras vezes a antecipação de elementos que o espectador só vai ver mais à frente (o vilão vivido por Javier Bardem, a Skyfall do título). Isso com um ponto de vista que está indo sempre para a frente (ou mais para dentro). Há mais símbolos sinistros de morte (túmulos, sangue e caveiras, que podem tanto remeter ao desenrolar da primeira sequência quanto ao que vem pela frente) mais do que as tradicionais armas e mulheres. Coroando tudo, a espetacular canção de Adele, num estilo muito bondiano.

Vencendo Susan Sarandon, Meryl Streep e Emma Thompson, Sharon Stone levou o Globo de Ouro de melhor atriz/ drama por Cassino em 1997. Sem fala, ela acabou sendo supersincera: “Ok, é um milagre”.

Parece incrível, mas Madonna tem um prêmio de melhor atriz em sua estante. Foi o Globo de Ouro na categoria comédia ou musical por Evita em 1997. R não foi falta de concorrência: ela derrubou Glenn Clone (101 Dálmatas), Frances McDormand (Fargo, que ganhou o Oscar depois), Debbie Reynolds (Mãe É Mãe) e Barbra Streisand (O Espelho Tem Duas Faces).

Para uma matéria publicada domingo no Correio da Paraíba, lembrando o Dia do Rock (que foi ontem), perguntei a alguns convidados: quais seus cinco discos de rock internacional preferidos? E os cinco preferidos do rock nacional? Não exigimos ordem de preferência e nem estabelecemos uma definição do que é o rock.

A capa, com a lista de cada um (inclusive a minha), está reproduzida aqui. Em seguida, todos os discos citados na área internacional e o número de citações de cada um (em outro post, vem a relação do rock nacional).

Não é uma eleição científica dos melhores discos (repare na pergunta), mas fica como sugestão do que ouvir nessa semana do Dia do Rock, e depois. 63 discos diferentes foram citados e apenas 14 mais de uma vez. 49 apareceram apenas uma vez. Pra ver a amplitude do gênero: os favoritos de cada convidado abrangeu muito mais do que concentrou.

07.12 - C1 - Dia do rock

DISCOS INTERNACIONAIS:

7 citações:

Rock - Sgt Pepper's Lonely Hearts Club Band

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, The Beatles (1967)

6 citações:

Rock - Nevermind

Nevermind, Nirvana (1991)

4 citações:

Pink Floyd - The Dark Side of the Moon

The Dark Side of the Moon, Pink Floyd (1973)

3 citações:

Pink Floyd - The WallThe Beatles - Revolver

The Wall, Pink Floyd (1979)
Revolver, The Beatles (1966)

2 citações:

Queen - A Night at the OperaGuns 'n Roses - Appetite for  DestructionThe Doors - The DoorsRadiohead - Ok ComputerThe Rolling Stones - Exile on Main StLed Zeppelin - Physical GraffitiThe Jimi Hendrix Experience - Are You ExperiencedThe Beatles - Abbey RoadU2 - The Joshua Tree

A Night at the Opera, Queen (1975)
Appetite for Destruction, Guns n’ Roses (1987)
The Doors, The Doors (1967)
Ok Computer, Radiohead (1997)
Exile on Main St., The Rolling Stones (1972)
Physical Graffiti, Led Zeppelin (1975)
Are You Experienced?, The Jimi Hendrix Experience (1967)
Abbey Road, The Beatles (1969)
The Joshua Tree, U2 (1987)

1 citação:

the Smiths - The Queen Is DeadREM - New Adventures en Hi-FiArctic Monkeys - At the ApolloPink Floyd - RelicsREM - MonsterRush - A Farewell to Kingsbob Dylan - Bringing It All Back HomeBlind Faith - Blind FaithBob Dylan - Highway 61 RevisitedCreedence Clearwater Revival - Willie and the Poor BoysU2 - Rattle and HumREM - Out of TimePearl Jam - VsMichael Jackson - ThrillerCake - Fashion NuggetGorillaz - GorillazRed Hot Chili Peppers - CalifornicationRush - A Show of HandsIron Maiden - Somewhere in TimeAlanis Morrisette - Jagged Little PillQueen - Rock You from Rio LiveTina Turner - Foreign AffairAmy Winehouse - Back to BlackAerosmith - Get a gripThe Clash - London CallingThe Beach Boys - Pet SoundsThe Doors - L.A. WomanBangles - A Differente LightPaul McCartbey e Wings - Band on the runCyndi Lauper - She's so unusualThe Cranberries - Bury the HatchetPearl Jam - TenRage Against the Machine - Evil EmpireDavid Bowie - The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from MarsThe Velvet Underground - The Velvet Underground & NicoNew Order - SubstanceThe Jesus and Mary Chain - DarklandsThe Smashing Pumpkins - Mellon Collie and the Infinite SadnessBig Star - #1 RecordThe Modern Lovers - The Modern LoversBlondie - Parallel LinesThe Dream Syndicate - The Days of Wine and RosesThe Mice - ScooterMetallica - MetallicaSystem of a Down - ToxicityThe Beatles - The BeatlesYes - RelayerCream - Wheels of FireThe Rolling Stones - Sticky Fingers

The Queen Is Dead, The Smiths (1986)
New Adventures in Hi-Fi, REM (1996)
At the Apollo, Arctic Monkeys (2009)
Relics, Pink Floyd (1971)
Monster, REM (1994)
A Farewell to Kings, Rush (1977)
Bringing It All Back Home, Bob Dylan (1965)
Blind Faith, Blind Faith (1969)
Highway 61 Revisited, Bob Dylan (1965)
Willie and the Poor Boys, Creedence Clearwater Revival (1969)
Rattle and Hum, U2 (1988)
Out of Time, REM (1991)
Vs, Pearl Jam (1993)
Thriller, Michael Jackson (1982)
Fashion Nugget, Cake (1996)
Gorillaz, Gorillaz (2001)
Californication, Red Hot Chili Peppers (1999)
A Show of Hands, Rush (1989)
Somewhere in Time, Iron Maiden (1986)
Jagged Little Pill, Alanis Morissette (1995)
Rock You from Rio – Live, Queen (2009)
Foreign Affair, Tina Turner (1989)
Back to Black, Amy Winehouse (2006)
Get a Grip, Aerosmith (1993)
London Calling, The Clash (1979)
Pet Sounds, The Beach Boys (1966)
L.A. Woman, The Doors (1971)
A Different Light, Bangles (1986)
Band on the Run, Paul McCartney & Wings (1973)
She’s So Unusual, Cyndi Lauper (1983)
Bury the Hatchet, The Cranberries (1999)
Ten, Pearl Jam (1991)
Evil Empire, Rage Against the Machine (1996)
The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, David Bowie (1972)
The Velvet Underground & Nico, The Velvet Underground (1967)
Substance, New Order (1987)
Darklands, The Jesus and Mary Chain (1987)
Mellon Collie and the Infinite Sadness, The Smashing Pumpkins (1995)
#1 Record, Big Star (1972)
The Modern Lovers, The Modern Lovers (1976)
Parallel Lines, Blondie (1978)
The Days of Wine and Roses, The Dream Syndicate (1982)
Scooter, The Mice (1987)
Metallica, Metallica (1991)
Toxicity, System of a Down (2001)
The Beatles (White Album), The Beatles (1968)
Relayer, Yes (1974)
Wheels of Fire, Cream (1968)
Sticky Fingers, The Rolling Stones (1971)

Sting - All this time

“All this time”, Sting (1991)
Álbum: The Soul Cages.

Com uma letra soturna, cheia de referências pessoais (é Sting falando da morte de seu pai) e à história e geografia britânicas, a melodia vai por uma caminho alto astral, que o clipe segue. Sting protagoniza no navio com ares de desenho animado, a cena de uma camarote cada vez mais cheio de gente (referência ao clássico Uma Noite na Ópera, com os Irmãos Marx).

Clipe anterior: “Shaking a tail feather”, Ray Charles e The Blues Brothers

Chaves

Entre as histórias que gosto sempre de contar, está esta: em um certo final de ano, estava em um carro com amigos de Larissa – então só ainda minha namorada – e falávamos sobre o que ainda havia para ser feito até o fim do ano. O amigo que estava dirigindo – que, se não me equivoco, estava conhecendo naquela ocasião – disse algo como “Eu vou deixar tudo pra fazer no bolo do final do ano”. Eu respondi:

– Tudinho no montão do fim do ano?

Disse como uma das piadas mais internas de todos os tempos. Uma frase tirada de um único episódio de Chaves, da qual ninguém teria por que lembrar. Disse para o meu divertimento pessoal e secreto. No entanto, o que ouvi de volta foi:

– É isso! Era isso o que eu queria dizer!

Isso dá a dimensão de como a criação de Roberto Gomez Bolaños, o Chespirito, está enraizada no Brasil. Repito: uma única frase de um único episódio, que eu pensei que ninguém iria reconhecer e, no entanto, era a citação que o amigo estava tentando fazer. Devia ter suspeitado desde o princípio.

Ontem mesmo eu disse “Não se misture com essa gentalha, tesouro” para alguém (e também usei para uma amiga aecista, nas eleições). Não posso ouvir alguém me dizendo “Que milagre você por aqui!” sem responder (e não interessa se a pessoa vai entender ou não) “Vim lhe trazer esse humilde presentinho”. Quando eu cometo um erro bobo, sempre digo pra mim mesmo “Que burro! Dá zero pra ele”.

Este ano ChavesChapolim comemoraram 30 anos de exibição no Brasil. O SBT até tentou tirar Chespirito do ar algumas vezes, mas sempre foi vencido pela verdade dos fatos: nada do que colocava no lugar dava mais audiência do que os episódios reprisados à exaustão, já conhecidos em detalhes pelo público trintão e quarentão e que ainda divertia os menores que iam conhecendo o programa.

Eu acompanhei esses 30 anos de perto. E vi este ano a TV a cabo, onde desenhos modernosos e novíssimos costumam escantear os clássicos, render-se a Chespirito. ChavesChapolim passam não em um, mas em DOIS canais fechados: o TBS e o Boomerang. O horário é o começo da madrugada, o que não podia ser melhor para mim e outros adultos: depois de chegar do trabalho, em casa, já relaxado, o controle remoto sempre acaba parando sem querer querendo em um desses canais.

“Chiquinha, não me ajude!”, “Já chegou o disco voador” e “O senhor não vai morrer. Vão é matar o senhor” foram alguns bordões que Astier Basílio e eu contrabandeamos para as redações em que trabalhamos juntos. Também são frases de episódios isolados.

Assim como “É você, Satanás?”, “Aqui é apenas outro gato!”, “Que bonita a sua roupa”, “Aritmética ou geometria?”… Os bordões, claro, pegaram, muitos por repetição. Mas me espanta mesmo são essas frases ditas uma vez – ou algumas vezes em um único episódio – e que são (aí, sim, em episódios que vão e voltam há 30 anos) imediatamente reconhecíveis por tanta gente.

Também me lembro que, na universidade, o professor Carmelio Reynaldo defendeu a série (então, considerada por muita gente apenas como coisa de baixa qualidade) dizendo que os diálogos faziam brincadeiras inteligentes com a linguagem. Eu acho que, entre as quedas e golpes a la Tom & Jerry, tem mesmo muito isso.

– Chaves, o correto é “O Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?
– “Eu e o Quico”.
– E como é?
– “Quico e eu”.
– E como eu disse?

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– “Quico e eu”.
– Não, o senhor não estava.

Ou:

– Estávamos lá, eu e o Quico.
– O burro vai na frente.
– Pode passar.

Todo Seu Madruga mesclado com Che Guevara em uma camisa, toda menina chamada de Chiquinha quando faz maria-chiquinha no cabelo, todo refresco de tamarindo que alguém pergunta se tem sabor de groselha, todo aquele que sai no carnaval ou uma festa à fantasia vestido de Polegar Vermelho, toda vez que alguém dá uma dentro e diz “Não contavam com a minha astúcia” – tudo isso é um atestado à imortalidade do Chespirito, que assumiu esse apelido que deriva de “pequeno Shakespeare”.

Imortal quando era vivo, não vai ser a morte que vai atrapalhar. Afinal, é melhor morrer do que perder a vida.

A comédia-romântica é quase tão antiga como o próprio cinema. O que é Luzes da Cidade (1931), de Chaplin, se não uma comédia-romântica? Mas Harry & Sally, Feitos um para o Outro (1989), que está completando 25 anos, redefiniu o subgênero para os filmes que vieram depois.

Mas a comédia-romântica também acabou virando alvo de bastante preconceito. É um cinema pueril? É um cinema bobo? É um cinema “de mulherzinha”?

É verdade que, como em todo gênero,  muitos filmes se escoram em uma fórmula óbvia, uma receita repetida mil vezes, exageram na água-com-açúcar, optam por um humor rasteiro e constrangedor. Mas também há aqueles que conseguem combinar seus dois elementos básicos muito bem, que contam sua história com estilo e talento narrativo.

São romances, são comédias e são ótimos.

10 - "Simplesmente Amor"

O primeiro-ministro e a funcionária: Hugh Grant e Martine McCutcheon, em “Simplesmente Amor”

10 – SIMPLESMENTE AMOR (2003), de Richard Curtis

A la Robert Altman, o roteirista Richard Curtis assumiu a direção aqui também para esse mosaico de histórias de amor natalinas, com um grande elenco (Hugh Grant, Emma Thompson, Alan Rickman, Colin Firth, Keira Knightley, Bill Nighy, Laura Linney, Liam Neeson, Rowan Atkinson e até tem um bom lugarzinho pro Rodrigo Santoro). Como em todo mosaico, há momentos melhores que outros, mas histórias melhores que outras – mas o que é bom, é ótimo: a corrida do garotinho pelo aeroporto só pra dizer “eu te amo”, o casal de stand-ins de filme pornô (que são super tímidos), o drama do casal de meia idade em que o marido está no alvo da funcionária sedutora, a relação do escritor com a empregada portuguesa (um sem falar a língua do outro), o primeiro-ministro apaixonado pela funcionária, o impagável Bill Nighy de roqueiro decadente, e, claro, o momento favorito do público: a declaração de amor com cartazes.

9 - "O Casamento do Meu Melhor Amigo"

“I say a little prayer” no restaurante: Rupert Everett e Julia Roberts, em “O Casamento do Meu Melhor Amigo”

9 – O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO (1997), de P.J. Hogan

P.J. Hogan já tinha feito na Austrália o ótimo O Casamento de Muriel (1994) e voltou ao tema do casório em seu primeiro filme americano. Começa com um número musical totalmente descolado do filme, é centrado na “vilã” vivida por Julia Roberts (que resolve que ama seu melhor amigo – Dermot Mulroney – no segundo em que ele diz estar de casamento marcado com outra – Cameron Diaz – e faz de tudo para conquistá-lo) e tem o grande personagem de apoio de Rupert Everett. Além do número do começo, Hogan reserva momentos musicais ótimos, como o karaokê desafinado de Cameron Diaz, “I say a little prayer” no restaurante, “The way you look tonight” no barco.

8 - "Feito Cães e Gatos"

Meio Cyrano de Bergerac: Ben Chaplin, Uma Thurman e Janeane Garolafo, em “Feito Cães e Gatos”

8 – FEITO CÃES E GATOS (1996), de Michael Lehmann

Uma história meio Cyrano de Bergerac é a base da trama em que Janeane Garofalo é uma radialista por quem Ben Chaplin se interessa. Mas, com vergonha de ser baixinha e gordinha, ela convence a vizinha, uma modelo vivida por Uma Thurman, a se passar por ela. O elenco é todo bom, a trama é engraçada e muito bem narrada, desenvolvendo bem a confusão de indentidades, mas o melhor é que a ótima Janeane Garofalo consegue ser mais interessante que Uma Thurman!

7 - "Enquanto Você Dormia"

Confundida com a noiva de um ricaço em coma: Peter Gallagher e Sandra Bullock, em “Enquanto Você Dormia”

7 – ENQUANTO VOCÊ DORMIA (1995), de Jon Turteltaub

Primeiro filme de Sandra Bullock como estrela, após Velocidade Máxima (1994), este realmente a estabeleceu como “namoradinha da América”. É um filme muito feliz, que combina bem o carisma da atriz com uma história rocambolesca em que ela é uma bilheteira da estação de trem confundida com a noiva de um ricaço em coma – um bonitão que ela sempre desejou em segredo. O problema mesmo é que a família se apaixona por ela e o nó vai ficando mais difícil de desatar.

6 - "Um Dia Especial"

A modernidade da vida adulta: George Clooney e Michelle Pfeiffer, em “Um Dia Especial”

6 – UM DIA ESPECIAL (1996), de Michael Hoffman

Não faltam comédias-românticas em que o casal tem uma antipatia à primeira vista e depois vai descobrindo os encantos um dos outro. Poucos recentes são tão bons como este, em que George Clooney é um jornalista e Michelle Pfeiffer é uma arquiteta, ambos divorciados, e que, por acidente, precisam ficar com seus filhos durante um dia inteiro e especialmente atribulado. É bom como o filme trata de questões da modernidade da vida adulta: a vida após o divórcio, a pressa do mundo atual, a pressão do trabalho e a vida com os filhos no meio disso tudo.

5 - "500 Dias em Ela"

Também sobre o desamor: Joseph Gordon-Levitt e Zooey Deschanel, em “500 Dias em Ela”

5 – 500 DIAS COM ELA (2009), de Marc Webb

Entre as muitas coisas interessantes do filme estão as idas e vindas no tempo, que alternam os bons e os maus momentos de um relacionamento, as sacadas narrativas (o número musical, a imagem de transformando em croqui de arquiteto), a cena que divide a tela em “expectativa” e “realidade”, a ótima trilha sonora, tudo passando pelo muito carismático casal de atores. Mas o grande lance, pra mim, é que é também um filme sobre o desamor. A tradução disso pelo filme é muito inteligente: é difícil alguém que não se identifique.

4 - "Abaixo o Amor"

Como nos anos 1960 (segundo Hollywood): Renée Zellweger e Ewan McGregor, em “Abaixo o Amor”

4 – ABAIXO O AMOR (2003), de Peyton Reed

Este é um recorte especial. É uma história que se passa nos anos 1960, em que uma escritora chega a Nova York para divulgar seu livro que está prestes a bombar e que prega que as mulheres devem ter a mesma atitude dos homens com relação ao sexo: não se apaixonar. Um jornalista galã resolve provar que ela é uma mulher como todas as outras e que pode fazê-la se apaixonar. O grande lance é que o filme é feito como se fosse uma produção de 1962: a reconstituição de época é com o design de sets, figurinos e penteados da Hollywood da época, a trilha sonora também segue aquele estilo, passando pela interpretação dos atores e efeitos como a projeção de fundo nas cenas ao volante e a tela dividida nas cenas de diálogos ao telefone. Tudo lembrando as comédias de Doris Day e Rock Hudson, com uma trama parecida com Médica, Bonita e Solteira (1964), Ewan McGregor evocando Tony Curtis, referências a Kim Novak…

3 - "Sintonia de Amor"

Entre NY e Seattle: Meg Ryan e Tom Hanks, em “Sintonia de Amor”

3 – SINTONIA DE AMOR (1993), de Nora Ephron

O filho legítimo de Harry & Sally nessa lista. Roteirista do filme de 1989, Nora Ephron assumiu também a direção aqui com uma história de amor em que os protagonistas praticamente não se encontram: Tom Hanks é o viúvo com um filho, em Seattle, que ainda não voltou para a pista e conta sua história em um programa de rádio; Meg Ryan é a jornalista de Nova York, noiva de um cara meio sem graça, que ouve o programa e é tomada de uma curiosidade irresistível sobre o sujeito. O filme vai contando suas histórias separadas e os pequenos pontos de interseção entre os dois personagens. E há uma relação umbilical com o dramão Tarde Demais para Esquecer (1957).

2 - "Quatro Casamentos e um Funeral"

Charmoso, inteligente, engraçado: Andie MacDowell e Hugh Grant, em “Quatro Casamentos e um Funeral”

2 – QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL (1994), de Mike Newell

Quatro Casamentos e um Funeral talvez seja a comédia romântica mais importante desde Harry & Sally porque deu início a uma onda de filmes ingleses do subgênero. E ainda é o melhor deles: o elenco mais coeso (além dos protagonistas, uma turma de coadjuvantes na medida certa, como Kristin Scott Thomas, Simon Callow, John Hannah, uma ótima aparição de Rowan Atkinson), a narrativa mais interessante (divida nos “capítulos” do título) e redonda, surpresas. Quase tudo o que Hugh Grant fez de bom depois descende de seu personagem nesse filme e Andie MacDowell é musa com conteúdo. É charmoso, é inteligente, é engraçado, não exagera nas tintas. Dois pontos (bem) altos: Andie contando todos os homens que teve e o diálogo em linguagem de sinais entre Hugh Grant e seu irmão surdo durante um dos casamentos.

1 - "Muito Barulho por Nada"

Um convite ao ardor da paixão: Keanu Reeves, Denzel Washington, Emma Thompson, Kenneth Branagh, Kate Beckinsale e Robert Sean Leonard, em “Muito Barulho por Nada”

1 – MUITO BARULHO POR NADA (1993), de Kenneth Branagh

Ok, é Shakespeare, mas é um romance contado como comédia: a comitiva do Príncipe Don Pedro (Denzel Washington) chega à cidade de Messina e logo começa a ciranda amorosa dos cavalheiros com as moças locais. Há o jovem e inocente casal (Kate Beckinsale e Robert Sean Leonard) vítima da inveja do irmão do príncipe (Keanu Reeves), mas o melhor está reservado para o duelo verbal entre Benedick (Kenneth Branagh) e Beatrice (Emma Thompson, casada com Branagh na época). A metralhadora de provocações e insultos entre os dois é um primor, assim como a trama dos amigos para fazer com que eles se apaixonem um pelo outro. O filme ainda capta lindamente a paisagem da Toscana, quase um convite ao ardor da paixão.

Menções honrosas: Uma Linda Mulher (1990); Esqueça Paris (1995); Um Lugar Chamado Notting Hill (1997); Mensagem para Você (1998); Como Se Fosse a Primeira Vez (2004); Separações (2004); Letra & Música (2007); O Primeiro Amor (2010)…

Bridget Fonda em "Vida de Solteiro" (1992)

Bridget Fonda em “Vida de Solteiro” (1992)

Há 50 anos nascia Bridget Fonda. Filha de Peter, sobrinha de Jane e neta de Henry, ela faz parte de uma das principais dinastias de atores do cinema. Fez grande sucesso nos anos 1990, quando fez uma sucessão de aparições muito boas, começando com Escândalo (1989) e seguindo com O Poderoso Chefão – Parte III (1990), Mulher Solteira Procura… (1992), Vida de Solteiro (1992), A Assassina (1993), O Pequeno Buda (1993). Porém, depois de Jackie Brown (1997) e Um Plano Simples (1998), sua carreira decaiu. Seu último filme é de 2001 e há algumas aparições em TV, em 2002. Em 2003, ela sofreu um sério acidente de carro, que causou uma fratura na vértebra. Um mês depois, ficou noiva do compositor Danny Elfman, com quem é casada desde então.

Baba Quase Perfeita

Em grande fase na carreira, há 20 anos Robin Williams estrelava Uma Babá Quase Perfeita. Na comédia de Chris Columbus, o comediante teve mais uma oportunidade de usar vozes e combinar humor e sentimentalismo, o que ele já vinha fazendo em Bom Dia, Vietnã (1987), As Aventuras do Barão Munchausen (1988), Sociedade dos Poetas Mortos (1989), Tempo de Despertar (1991), O Pescador de Ilusões (1991) e Aladdin (1992).

04 - Michael Jackson - Black or white-04

4. “Black or white”, Michael Jackson (1991)
Álbum: Dangerous. Direção do clipe: John Landis.

Cheio de efeitos especiais, o clipe encanta mesmo é pelos elementos étnicos e diferentes danças. Mas os efeitos chegaram as raias do inesquecível com o efeito morph, na sequência final, dirigido de maneira vibrante. Esqueça a versão completa com o epílogo da pantera negra, muito ruim.

10 - Jewel - You were meant for me

10. “You were meant for me”, Jewel (1996)
Álbum: Pieces of You. Direção do clipe: Lawrence Carroll.

Belas imagens, de viés mais poético, em torno de um casal que, querendo ficar junto, está sempre se distanciando. Azul é a cor mais quente.

12 - Sinead OConnor - Nothing compares 2 U

12. “Nothing compares 2 U”, Sinead O’Connor (1990)
Álbum: I Do Not Want What I Haven’t Got. Direção do vídeo: John Maybury.

As lágrimas de Sinead O’Connor.

 

14 - The Cranberries - Animal instinct

14. “Animal instinct”, The Cranberries (1999)
Álbum: Bury the Hatchet. Direção do clipe: Olivier Dahan.

A aventura de uma mãe que sequestra os próprios filhos depois que eles são tirados dela pelo serviço social é a tradução perfeita para a música, que também é sobre maternidade. O clipe tem um prólogo sem música que pode ser visto aqui.

15 - REM e Kate Pierson - Shiny happy people

15. “Shiny happy people”, R.E.M. e Kate Pierson (1991)
Álbum: Out of Time.

Um clipe extraordinariamente colorido e descontraído para a média do R.E.M. A presença de Kate Pierson, do The B-52’s na canção e no clipe não pode não ter a ver com isso. Uma combinação inusitada que funcionou divinamente.

16 - Os Paralamas do Sucesso - Ela disse adeus

16. “Ela disse adeus”, Os Paralamas do Sucesso (1998)
Álbum: Hey Na Na. Direção do clipe: Andrucha Waddington, Breno Silveira e Toni Vanzollini.

Mimetização do cinema mudo (com direito a preto-e-branco, cartelas, interpretação exagerada e tudo o mais), com a banda se saindo muito bem na interpretação de três histórias simultâneas ao lado de uma mesma grande atriz: Fernanda Torres.

23 - Madonna - Rain-04

22. “Rain”, Madonna (1992)
Álbum: Erotica. Direção do clipe: Mark Romanek.

Há uma metalinguagem: é um clipe sobre a filmagem de um clipe. No clipe dentro do clipe é o músico japonês Ryuichi Sakamoto que dirige uma linda Madonna de cabelos curtos e pretos. Foi filmado em preto-e-branco e depois colorido em tons azuis.

23 - Sixpence None the Richer - Kiss me-02

23. “Kiss me”, Sixpence None the Richer (1997)
Álbum: Sixpence None the Richer.

Existe outras duas versões, com a banda sentada em um banco, para divulgar a série Dawson’s Creek ou o filme Ela É Demais, mas esta – a original – é mil vezes melhor: uma homenagem a Jules e Jim, clássico de François Truffaut. Filmado em Paris, o clipe recria várias cenas do filme e, no fim, a vocalista Leigh Nash coloca flores no túmulo de Truffaut. Irresistível.

26 - Frank Sinatra e Bono - I've got you under my skin-02

24. “I’ve got you under the skin”, Frank Sinatra e Bono (1993)
Álbum: Duets. Direção do clipe: Kevin Godley.

Escrita em 1936 por Cole Porter, a canção foi o carro-chefe do disco de duetos de Sinatra. No dia da gravação do clipe, os atrasos irritaram Sinatra e ele se mandou. Sobrou a cena em que os dois artistas se cumprimentam. A edição juntou imagens antigas do cantor interpretando a canção e de outros encontros com Bono para esse belíssimo trabalho que homenageia a longa trajetória do velho olhos-azuis.

29 - Sheryl Crow - Everyday is a winding road-02

27. “Everyday is a winding road”, Sheryl Crow (1996)
Álbum: Everyday is a Winding Road. Direção do clipe: Peggy Sirota.

Nova York em sépia, o avião de brinquedo voando de pessoa em pessoa, o sofá, as bolhas de sabão, o balanço.

32 - George Michael - Freedom-03

30. “Freedom”, George Michael (1990)
Álbum: Listen without Prejudice – Vol. 1. Direção do clipe: David Fincher.

George Michael não aparece no clipe: há cinco supermodelos femininas (como Naomi Campbell, Linda Evangelista e Cindy Crawford) e mais quatro masculinos dublando a canção.

Naomi Campbell, Linda Evangelista, Tatjana Patitz, Christy Turlington, and Cindy Crawford

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