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Coluna Cinemascope (#7). Correio da Paraíba, 2/11/2016.

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“Doutor Estranho” (2016)

 

Super-heróis, lado B

por Renato Félix

Quando eu era ainda um menino e via os filmes do Super-Homem com Christopher Reeve ainda na primeira dublagem brasileira na TV preto-e-branco dos meus pais, nunca imaginei que veria uma época como esta: vários filmes de super-heróis por ano, não raro muito bons e com chance até para personagens que não são aqueles mais populares entre não-leitores.

Naquela época, eu ainda estava começando a ler gibis do gênero (lia o Batman de Neal Adams e Denny O’Neill, basicamente, e logo viria O Cavaleiro das Trevas, Watchmen, que mudariam tudo nas HQs de heróis). De filmes, só havia mesmo os do Super-Homem. Fora isso, os heróis só apareciam de carne-e-osso em séries de TV em geral sofríveis. O Batman de Tim Burton em 1989 apareceu como honrosa exceção nos cinemas.

A coisa mudou mesmo quando X-Men – O Filme se tornou um grande sucesso em 2000 (eu sei, teve Blade pouco antes, mas que não-leitor já ouviu falar de Blade?). Homem-Aranha (2002) consolidou o gênero em ascensão. E Homem de Ferro (2008) deu o ponta-pé nos filmes interligados da Marvel.

E, com eles, a Marvel se tornou uma marca tão conhecida dos não-leitores que passou a ser avalista até de filmes de heróis pouco conhecidos além das páginas dos gibis. O garoto daqueles tempos, os anos 1980, nunca imaginaria assistir a um filme do Homem-Formiga, do Deadpool, dos Guardiões da Galáxia…

Ou Doutor Estranho, que teve pré-estreia com toda a pompa nesta madrugada, e já entra em horários à tarde nesta quarta em JP, Campina e Patos, embora a estreia oficial seja só na quinta. Quem sabe no futuro o público não-leitor acabe íntimo de personagens como o Homem-Elástico (da DC) ou da Ms. Marvel (da Marvel)?

FOTO: Doutor Estranho (2016)

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por Renato Félix

Não é uma atualização (ainda). É a mesma lista que foi publicada aqui no blog em 2014, mas reunida em um mesmo infográfico. Abaixo dele, a lista dos filmes, só com o texto. Lembrando que a lista não reflete a minha opinião: é uma combinação da média ponderada das avaliações dos usuários do IMDb e das cotações do Metacritic e do Rotten Tomatoes, sites que compilam avaliações dos críticos americanos.

A partir do 50º lugar, a lista indica opções de leitura referentes ao filme em questão. Como foi feito em 2014, pode haver naturais desatualizações e, claro, não inclui os filmes de 2014 para cá, que ficam para uma futura nova lista.

Detalhes e a lista parte a parte? Clique aqui.

Ranking completo 3

 

Os 100 primeiros:

1 – Persépolis (2007)
2 – Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008)
3 – O Fantasma do Futuro (1995)
4 – Anti-Herói Americano (2003)
5 – Azul É a Cor Mais Quente (2013)
6 – Ghost World – Aprendendo a Viver (2001)
7 – Guardiões da Galáxia (2014)
8 – Superman – O Filme (1978)
9 – Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012)
10 – O Castelo de Cagliostro (1979)
11 – Nausicaa – A Princesa do Vale dos Ventos (1984)
12 – Homem-Aranha 2 (2004)
13 – Homem de Ferro (2008)
14 – Charlie Brown e Snoopy (1969)
15 – Expresso do Amanhã (2013)
16 – X-Men – Dias de um Futuro Esquecido (2014)
17 – Cor da Pele: Mel (2012)
18 – Superman II (1980)
19 – Volte para Casa, Snoopy (1972)
20 – Akira (1988)
21 – Os Vingadores – The Avengers (2012)
22 – Marcas da Violência (2005)
23 – O Reino dos Gatos (2002)
24 – Batman – A Máscara do Fantasma (1993)
25 – Capitão América 2 – O Soldado Invernal (2014)
26 – Batman Begins (2005)
27 – Oldboy (2003)
28 – Death Note (2006)
29 – Hellboy II – O Exército Dourado (2008)
30 – Homem-Aranha (2002)
31 – Metropolis (2001)
32 – MIB – Homens de Preto (1997)
33 – Sin City, a Cidade do Pecado (2005)
34 – Contos do Além (1972)
35 – Estrada para Perdição (2002)
36 – Death Note – The Last Name (2006)
37 – X-Men 2 (2003)
38 – X-Men – Primeira Classe (2011)
39 – O Corvo (1994)
40 – Asterix e Obelix – Missão Cleópatra (2002)
41 – Gen Pés Descalços (1983)
42 – Scott Pilgrim contra o Mundo (2010)
43 – Batman – O Retorno (1992)
44 – Lobo Solitário – Espada da Vingança (1972)
45 – Ping-Pong (2002)
46 – Meus Vizinhos, os Yamada (1999)
47 – Hellboy (2004)
48 – Kick-Ass – Quebrando Tudo (2010)
49 – X-Men – O Filme (2000)
50 – As Aventuras de Tintim (2011)
51 – V de Vingança (2005)
52 – As Múmias do Faraó (2010)
53 – Batman, o Homem-Morcego (1966)
54 – Mind Game (2004)
55 – Homem de Ferro 3 (2013)
56 – A Família Addams 2 (1993)
57 – Batman (1989)
58 – Capitão América, o Primeiro Vingador (2011)
59 – Frango com Ameixas (2011)
60 – Superman – O Retorno (2006)
61 – Os Sem-Floresta (2006)
62 – O Espetacular Homem-Aranha (2012)
63 – Sakuran (2006)
64 – Nana (2005)
65 – Flash Gordon (1980)
66 – Dredd (2012)
67 – Noé (2014)
68 – O Fantasma do Futuro 2 – A Inocência (2004)
69 – Creepshow – Show de Horrores (1982)
70 – Thor (2011)
71 – O Procurado (2008)
72 – RED – Aposentados e Perigosos (2010)
73 – O Máskara (1994)
74 – Homem de Ferro 2 (2010)
75 – Sparks (2013)
76 – Gainsbourg, o Homem que Amava as Mulheres (2010)
77 – Perigo: Diabolik (1968)
78 – Homens de Preto III (2012)
79 – Wolverine Imortal (2013)
80 – O Incrível Hulk (2008)
81 – Watchmen – O Filme (2009)
82 – Barbarella (1968)
83 – O Palácio Francês (2013)
84 – O Retorno de Tamara (2010)
85 – A Família Addams (1991)
86 – Thor – O Mundo Sombrio (2013)
87 – Transformers (2007)
88 – Conan, o Bárbaro (1982)
89 – 300 (2006)
90 – Dose Dupla (2013)
91 – Dick Tracy (1990)
92 – Rocketeer (1991)
93 – Homem-Aranha 3 (2007)
94 – Quase Super-Heróis/ Heróis Muito Loucos (1999)
95 – X-Men – O Confronto Final (2006)
96 – O Homem de Aço (2013)
97 – Heavy Metal – Universo em Fantasia (1981)
98 – Do Inferno (2001)
99 – O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro (2014)
100 – Blade II – O Caçador de Vampiros (2002)

 

 

Batman V. Superman: Dawn Of Justice

Ben Affleck e Henry Cavill: a luta do título tem motivo tolo e sua resolução virou piada

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, o primeiro encontro no cinema dos  dois principais super-heróis dos quadrinhos, é um filme cheio e vazio ao mesmo tempo.  É soterrado por referências a histórias clássicas dos personagens, mas faltou uma história que as ligasse bem. É repleto de ideias de tramas, mas não consegue desenvolver razoavelmente bem uma sequer.

Com Zack Snyder novamente na direção, os personagens da DC Comics voltam a sofrer com a mão pesada do diretor (como O Homem de Aço já havia sofrido em 2013). Dedicado a imprimir um visual de impacto, Snyder é muito pobre de narrativa – suas câmeras lentas em excesso e gratuitas já viraram uma marca do diretor, mas uma marca negativa.

Criatividade também não é o seu forte: ele tem fervor em copiar grandes momentos dos gibis, mas não em transformá-los em grandes momentos cinematográficos. Basicamente, fica na xerox. Aqui, há citações de Batman, o Cavaleiro das TrevasCrise nas Infinitas TerrasA Morte do Super-Homem e outras, mas parecem espalhadas a esmo.

Várias só farão sentido lá na frente, nos próximos filmes e se revelam incompreensíveis para quem não é íntimo do material original nos quadrinhos. E um pouco disso também vale para as cenas brevíssimas em que aparecem outros heróis (Flash, Ciborgue e Aquaman), algo tão gratuito que, se retirado do filme, não faria a menor falta.

E quando Snyder inventa, se sai ainda pior. O exemplo mais claro aqui é o Lex Luthor vivido por Jesse Eisenberg, uma “atualização” que o transformou em um sub-Mark Zuckerberg (que Eisenberg interpretou em A Rede Social, vocês sabem).

Atualização, aliás, em termos. Depois de leitores de HQ chatos reclamarem por anos a fio do Luthor cômico de Gene Hackman nos filmes do Super-Homem dos anos 1970/ 1980, e de sua releitura por Kevin Spacey em Superman – O Retorno, este filme traz um… Luthor engraçado? Ainda não deu para entender qual a intenção do filme com isso.

O filme não é uma perda total. Há um ou outro momento interessante, ou, como está no começo do texto, premissas boas mal desenvolvidas. O conflito central entre Batman e Superman é pífio. A explicação não convence e a luta em si menos ainda, acontecendo por um motivo tolo e podendo ser evitada por uma frase banal.

Sem falar na já famosa resolução do conflito, uma originalmente boa sacada totalmente desperdiçada por falta de um roteiro minimamente inteligente: uma palavra dita de maneira incrivelmente forçada resolve o assunto e muda o status de “ameaça à humanidade” para “amigo”. Acabou virando piada (e com justiça, é uma cena péssima). Essa pressa está presente em muitos momentos, e pode refletir o excesso de ideias (e seu mal aproveitamento). O desfecho do filme, por exemplo, usa uma carta grande como uma ejaculação precoce.

Curiosamente, a vontade de ser épico o leva a uma contradição: mesmo com a pressa, a edição não sabe como terminar o filme, com alguns incômodos “falsos finais” até a verdadeira cena final.

Em termos de representação dos personagens, o Super-Homem é um caso perdido. O que foi feito em O Homem de Aço se reflete da pior maneira aqui: um personagem apático o tempo inteiro. O Batman de Ben Affleck é decente, e chega a ter alguns momentos muito bons, mas equilibrado com outros totalmente sem brilho (sem falar que é enrolado com muita facilidade e seus motivos para rivalizar com o Super-Homem são muito frágeis). A Mulher-Maravilha é um dos bons momentos do filme – Gal Gadot convence, talvez porque apareça pouco, e dá esperanças para seu filme solo.

Batman vs. Superman insiste em querer ser “sério”, mas só consegue ser sisudo e baixo astral. É preciso lembrar que não há de errado em um filme de super-heróis querer ser sério. Nem leve. Há excelentes exemplares de um lado (Batman, o Cavaleiro das TrevasCapitão América – O Soldado Invernal) e de outro (Homem de FerroOs Vingadores – The Avengers). Mas de um lado ou de outro há que se contar uma boa história. E isso Batman vs. Superman – A Origem da Justiça não faz.

Batman vs. Superman – A Origem da Justiça. Batman v. Superman – Dawn of Justice. Estados Unidos, 2016. Direção: Zack Snyder. Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Amy Adams, Jesse Eisenberg, Diane Lane, Laurence Fishburne, Jeremy Irons, Holly HUnter, Gal Gadot, Michael Shannon, Ezra Miller, Jason Momoa.

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Lembram daquela história do garotinho com leucemia que queria ser o Batman e toda a cidade de San Francisco se mobilizou para realizar o sonho dele? Isso foi em 2013 e agora a história de Miles Scott, o Batkid, virou um documentário: Batkid Begins. O trailer já emociona:

Com muito atraso – mas é melhor do que faltar – os 10 títulos mais esdrúxulos de 2012, entre os filmes exibidos em João Pessoa em 2012. Lembrando mais uma vez: adaptar o título de um filme para a cultura nacional não é um crime, às vezes é realmente necessário, e pode ser feito com inteligência. Não é bem o caso aqui…

Cada um Tem a Gemea que Merece-02 Cada um Tem a Gemea que Merece-01

1. Cada um Tem a Gêmea que Merece – A velha história: o título brasileiro tem que ser engraçado senão o público burrinho não percebe que é uma comédia – assim parece pensar as distribuidoras. Jack and Jill, os nomes dos personagens de Adam Sandler naquele que foi considerado um dos piores filmes do ano pela nossa eleição anual, virou um trocadalho do qual alguém deve ter inacreditavelmente rido na reunião de marketing da Columbia.

Vingador do Futuro-02 Vingador do Futuro-01

2. O Vingador do Futuro – Aqui a culpa nem é da Columbia. Afinal, já que a refilmagem é produzida se escorando no sucesso que o filme fez no passado, que sentido faria mudar o título brasileiro, mesmo que ele fosse uma chupada cara-de-pau de O Exterminador do Futuro, que o Schwarzenegger tinha estrelado antes? Aqui, Scharwa não está, Colin Farrell não fez O Exterminador do Futuro e o título faz menos sentido ainda – a não ser pela ligação com o anterior, mesmo que o discurso oficial de qualquer refilmagem é que ela deve “ser vista como uma obra independente”. A semiótica explica…

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3. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge – Como é? “Ressurge”? Deve ser a primeira vez que essa palavra é usada em um título de filme no Brasil. “A ascensão do Cavaleiro das Trevas” não chega a ser bom, mas traz muito mais significado ao filme, hein, Warner?

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4. 007 – Operação Skyfall – Historicamente, os títulos originais da série James Bond não usam o 007. Isso é coisa do Brasil. Até aí, tudo bem, nada contra. Como lidar com isso quando o título original é um nome próprio é que são elas. Às vezes, joga-se um “contra” (Goldfinger vira 007 contra Goldfinger; Octopussy vira 007 contra Octopussy), inventa-se algo meio genérico (Moonraker vira 007 contra o Foguete da Morte; Thunderball vira 007 contra a Chantagem Atômica). O que aconteceu com Skyfall, na Columbia, é, no mínimo, curioso: o título não é nem de perto o nome de uma “operação” do agente 007.

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5. Piratas Pirados! – Mais uma dos traduzidores brasileiros tentando ser engraçadinhos no título. O pior é que The Pirates! – Band of Misfists (ou algo como “Os Piratas! – Bando de Desajeitados”) já era engraçado. Mas pra quê sutileza britânica?  (aliás, o título na Inglaterra era The Pirates! In an Adventure with Scientists, o que mais tinha realmente a ver com o filme). No Brasil, ficou o trocadalho – obra da Columbia, já pela quarta vez na lista.

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6. Tinker Bell – O Segredo das Fadas – São dois pontos, e o primeiro é uma questão de princípios: a mudança do nome da personagem Sininho para Tinker Bell. Este é o terceiro longa animado da série estrelada pela personagem saída de Peter Pan e o primeiro a passar nos cinema daqui. O primeiro chegou a ser anunciado nos DVDs com “você sabe o nome dela: Sininho – O Filme“. De repente, ninguém mais sabia o nome dela porque ele foi mudado. A Disney fez isso com o Ursinho Puff/ Pooh, com Caco, o Sapo/ Kermit e daqui a pouco vamos ter que chamar o Pateta de Goofy. O outro ponto é que, sendo todos os personagens fadas, o segredo não é exatamente “das fadas”. Mas, sim, “das asas”, como diz o título original.

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7. Tudo pelo Poder – Vá lá, “Os idos de março” pode ser culturalmente elitista demais para a plateia comum – afinal, é uma citação a Julio Cesar, de Shakespeare. Mas precisava ir para o lado da banalização total, como fez a California…

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8. Battleship – A Batalha dos Mares – A ideia do filme já é ridícula: adaptar para um blockbuster de ação o jogo Batalha Naval – aquele que a geração pré-iPod jogava nos cadernos da escola e o Bozo fazia com o amiguinho de casa pelo telefone. A titulação nacional da Universal esqueceu totalmente que o jogo já tinha um título consagrado no Brasil. Ou não? Alguém iria mesmo assistir um filme porque é baseado naquele jogo? Ou, na verdade, fugiria dele? Então, vamos deixar o título em inglês, pra parecer mais importante, né? E arrematamos com um subtítulo que, redudantemente, diz quase o mesmo que o título em inglês.

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9 . Os Vingadores – The Avengers – Dos mesmos autores de Ponto Final – Match Point e de Tempo de Violência – Pulp Fiction… Qual o sentido de se colocar o título original como subtítulo do filme? Claro que é a Disney querendo familiarizar o nome em inglês do grupo para que, quando o consumidor encontre na loja o produto com o nome “Avengers” saiba do que se trata (que é o mesmo processo de chamar a Sininho de Tinker Bell). Mas pra quê no subtítulo, se em DVD e na TV paga a ordem mudou para The Avengers – Os Vingadores? É redundante, ok, mas é menos estranho.

Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-02 Lorax - Em Busca da Trufula Perdida-01

10. O Lorax – Em Busca da Trúfula Perdida – Se não bastasse ninguém saber o que é um lorax – o livro do Dr. Seuss é desconhecido por aqui – ainda enfiaram a tal trúfula perdida. Não vou ao google saber o que é uma trúfula, desculpa aí, Universal.

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— MAIS RETROSPECTIVA 2012:

Eleição Melhores do AnoMeus melhores do ano
As musas de 2012
50 filmes não exibidos nos cinemas de JP em 2012

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O Homem-Morcego chegou ao cinema pela primeira vez há 70 anos, em 1943, com o seriado em episódios Batman. Em 15 capítulos, naquele estilo “continua na próxima semana”, tinha Lewis Wilson como Batman e Douglas Croft como Robin. Eram os tempos da II Guerra Mundial e o vilão era um certo Dr. Daka, um agente japonês. Foi nesse seriado que surgiu a Batcaverna, com a entrada secreta pelo grande relógio na mansão Wayne. Fez muito sucesso: teve uma continuação em 1949 e foi relançado, em 1965, e esse relançamento foi tão popular que acabou inspirando a mitológica série de TV Batman.

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Heath Ledger morreu há cinco anos, em 2008. Aos 28 anos, sua morte surpreendeu como sempre surpreende a morte de artistas jovens que não pareciam estar constantemente procurando por ela (como, sei lá, Amy Winehouse). Ainda por cima, Ledger estava no melhor momento de sua carreira: havia sido indicado ao Oscar por O Segredo de Brokeback Mountain (2005) e prometia arrasar como o Coringa do então ainda inédito Batman, o Cavaleiro das Trevas (2008), o que aconteceu mesmo e deu a ele um raríssimo Oscar póstumo.

Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge estreia amanh’a. Você lembra (ou sabe) todas as outras vezes em que o Homem-Morcego deu as caras no cinema?

* Quadro publicado hoje no Correio da Paraíba.

Na semana da estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, vamos fazer uma retrospectiva das críticas dos dois filmes anteriores da série. A de Batman, o Cavaleiro das Trevas foi publicada no Minha Vida de Cinéfilo II, em 21 de julho de 2008.

***

Um jogo de luz e trevas

O Coringa está no filme para testar os limites do herói e da plateia

Como Batman, Bruce Wayne pode ir aonde nenhum outro homem pode. Mas isso dá a ele o direito de ultrapassar certos limites? Em última instância, é sobre isso que trata Batman, o Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, Estados Unidos, 2007), o segundo da série dirigida por Christopher Nolan (e iniciada por Batman Begins, 2005). O Coringa arrasador e desconcertante de Heath Ledger está no filme para isso: para testar o herói, testar o incorruptível promotor público Harvey Dent, testar os habitantes de Gotham City e, por fim, testar a própria platéia do cinema.

A ética e a responsabilidade são fatores fundamentais no filme. Batman (Christian Bale) se pergunta se o que faz é realmente necessário, se está trazendo mais mal ou bem à cidade que quer defender. O Coringa, pelo contrário, aparece para bagunçar o coreto, para ver “o circo pegar fogo”, como diz o mordomo Alfred (Michael Caine). É um anarquista, que não está nessa por dinheiro. Em certo momento, diz que não segue regras ou planos – mas não é bem verdade. O plano do palhaço do crime é enlouquecer uma cidade inteira e suas ações, num crescendo, vão efetivamente levando a isso.

Ledger cria um Coringa para não se esquecer jamais – e, sejamos justos, isso já vinha sendo antecipado muito antes da morte do ator, em janeiro. Com ele, o espectador vai do riso ao choque, e de volta, em vôos sem escalas. Com ele, não há limites ou censura – e para os que querem caçá-lo? Há também os que mantêm os pés no chão em meio à espiral de loucura, as âncoras para os heróis em meio à tempestade: Jim Gordon, Alfred e Lucius Fox, todos esplendidamente interpretados respectivamente por Gary Oldman, Michael Caine e Morgan Freeman, graças também à direção generosa, que deu espaço a todos eles. Bale também está ótimo ao mostrar o super-herói em dúvida – uma humanidade que faz muito bem ao personagem – e Maggie Gyllenhall mostra o quanto Batman Begins perdeu ao escalar equivocadamente Katie Holmes como a mocinha.

O filme é calcado não só na ação, mas nas relações humanas – o principal ponto de realismo do filme, e onde todos esses grandes atores fazem diferença. É isso o que faltava nos dois filmes de Tim Burton, e Nolan já ensaiava no Batman Begins para atingir a plenitude neste Batman, o Cavaleiro das Trevas. Ele se apoiou em duas das melhores histórias do Homem-Morcego, combinando elementos de A Piada Mortal, na qual o Coringa quer provar que basta um dia ruim para enlouquecer alguém, e O Longo Dia das Bruxas, focada em Harvey Dent (Aaron Eckhart, no filme). Os momentos de diálogo entre Batman e Coringa são emblemáticos, explorando o circular jogo de luz e trevas entre eles – só esses momentos já dariam a esse filme o lugar de melhor adaptação do Homem-Morcego já feita para o cinema. Mas há muito, muito mais, em um resultado difícil de ser alcançado por qualquer filme de super-heróis. Ou por qualquer filme e ponto final.

Batman, o Cavaleiro das Trevas. (The Dark Knight). Estados Unidos, 2008. Direção: Christopher Nolan. Elenco: Christian Bale, Heath Ledger, Aaron Eckhart, Michael Caine, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Morgan Freeman, Monique Curnen, Cillian Murphy, Eric Roberts, Anthony Michael Hall.

Na semana da estreia de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, vamos fazer uma retrospectiva das críticas dos dois filmes anteriores da série. A de Batman Begins foi publicada no Minha Vida de Cinéfilo, em 27 de junho de 2005.

***

Batman Begins com o pé direito

Christian Bale, em um filme que entende quem é o Batman

Se existe alguém no mundo que não sabe sequer do que se trata o nome “Batman”, ele não precisará mais do que assistir a Batman Begins (Batman Begins, EUA, 2005) para estar por dentro do que há para saber sobre o assunto. Disparada a melhor adaptação do Homem-Morcego já realizada com atores de carne e osso, o filme de Christopher Nolan – que vendeu 475 mil ingressos em seu primeiro fim de semana no Brasil – vai ao âmago do personagem e é tudo o que o Batman de Tim Burton (1989) deveria ter sido e não foi.

O caráter gótico, por exemplo, com uma cidade cenográfica que nunca inspirava verdade, foi substituído por um ambiente mais realista – com exceção para os inúmeros trens elevados, que dão a Gotham City um ar de Metrópolis (não a do Super-Homem, mas a do filme de Fritz Lang). Esse cenário “de verdade” é ideal para um herói “de verdade” – e é assim que Batman Begins trata o Homem-Morcego.

Tudo o que cerca o início das aventuras do herói é explicado de maneira muito satisfatória e sem grandes exageros (não é o Coringa que mata os pais de Bruce Wayne, na coincidência extremamente forçada que o Batman de Tim Burton quis empurrar, mas um assaltante comum). Sabe-se como Bruce, ainda criança, descobre a caverna embaixo da mansão, como viu a morte de seus pais, como conviveu com bandidos tentando desordenadamente descobrir o modo de pensar e agir de um criminoso, como foi treinado em artes marciais, de onde surgiu o batmóvel e todo o equipamento que usa, como o morcego foi escolhido como imagem para aterrorizar os bandidos, e como finalmente aprendeu a domar sua raiva e usá-la para levar a justiça à cidade e não para se vingar.

Ou seja: o espectador comum entende perfeitamente quem é o Batman, quais são suas motivações, porque ele faz o que faz, se identifica e deixa de pensar que tudo não passa de “mera história em quadrinhos”. E, mesmo assim, as referências estão lá o tempo todo: atenção para o final, que remete diretamente à conclusão da minissérie em quadrinhos Batman: Ano Um e já abre caminho para uma continuação.

O filme é brilhante, sobretudo, ao mostrar que – ao contrário do Super-Homem que, no fundo, é Clark Kent, um bom rapaz que veio do Kansas – Batman não é, na verdade, Bruce Wayne. Bruce é o disfarce: ele é mesmo o Batman, um sujeito que só vive para combater criminosos. A relação com a namoradinha promotora (Katie Holmes, um dos pontos fracos do filme) e, principalmente, com o mordomo Alfred (Michael Caine, extraordinário) mostram isso com perfeição.

Como vilão, o Espantalho não cai no caricato e dá conta do recado, até abrir caminho para o verdadeiro antagonista do filme. Mas até chegar nesse ponto, a história mostra Bruce galgando degraus até encontrar a si mesmo. E na pele de Christian Bale, Bruce Wayne encontrou o ator ideal, apoiado por coadjuvantes primorosos (Morgan Freeman, Gary Oldman, Liam Neeson).

Nolan, um diretor que já mostrou ter personalidade, soube equilibrar o lado sombrio do morcego, sem transformá-lo num psicopata, como aconteceu durante certa época nos gibis. Mesmo assim, Batman nunca esteve tão aterrorizante: dá para entender por que os bandidos têm medo dele.

É um passo definitivo para uma bem-sucedida adaptação de quadrinhos para o cinema: respeito para com os personagens. Trazê-los para a vida real e não fechá-los num mundo de mentirinha foi a chave do sucesso dos dois filmes do Superman (1978/81) e dos dois do Homem-Aranha (2002/04). É também o alicerce para que um longa como Batman Begins não seja construído só como uma aventura divertida de super-herói – mas, acima de tudo, como um ótimo filme.

Batman Begins. Batman Begins. Estados Unidos, 2005. Direção: Christopher Nolan. Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Katie Holmes, Gary Oldman, Cillian Murphy, Morgan Freeman, Tom Wilkinson, Rutger Hauer, Ken Watanabe, Linus Roache, Sara Stewart, Gus Lewis.

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