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A situação melhorou muito no circuito pessoense, com a volta do Cine Banguê, a sessão de cinema de arte do Cinépolis e com o Cinespaço botando em cartaz vários dos filmes do Festival Varilux. Ainda assim, aqui vai nossa lista de 50 filmes que entraram em cartaz no Brasil, mas não entraram em cartaz comercialmente nos cinemas pessoenses.

Ah, eu sei que alguns deles entraram em cartaz nestes meses de janeiro e fevereiro. Mas a lista é referente ao que entrou em cartaz no Brasil em 2016 e não passou no mesmo ano.

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1 – O QUARTO DE JACK

Brie Larson ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta, o SAG e o Independent Spirit de melhor atriz. O garotinho Jacob Tremblay cativou meio mundo. E não foi o suficiente para O Quarto de Jack entrar em cartaz nos cinemas paraibanos. Restou o DVD, a TV paga, o streaming, o download. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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2 – AVE, CÉSAR!

O filme dos irmãos Coen, com George Clooney e Scarlett Johnasson, é um retorno dos diretores à comédia, com uma história que se passa na Hollywood dos anos 1950. Estreou no Brasil em 14/2/2016.

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3 – ANOMALISA

Animação em stop motion dirigida por Charlie Kaufman, elogiadíssimo, chamado de obra-prima e o escambau. Estreou no Brasil em 28/1/2016.

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4 – A ASSASSINA

Filme chinês de Hou Hsiao-Hsien, indicado ao Bafta, se passa na China do século XVIII: Shu Qi é a assassina que deve matar um político. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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5 – BLOW-UP – DEPOIS DAQUELE BEIJO

O clássico de Michelangelo Antonioni, com David Hemmings e Vanessa Redgrave,  ícone da swinging London, completou 50 anos em 2016 e voltou aos cinemas. Mas não na Paraíba. Reestreou no Brasil em 8/12/2016.

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6 – MUCH LOVED

Muito comentado filme marroquino de Nabil Ayouch que mostra a vida de prostitutas no país e arrumou problemas com a censura de lá e alguns imbecis. Concorreu à Palma de Ouro em Cannes. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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7 – BR 716

O filme de Domingos de Oliveira versa sobre a boemia em uma Copacabana às vésperas do golpe (o de 1964, não o do ano passado). Ganhou o Festival de Gramado e acabou entrando aqui este ano, no Banguê. Estreou no Brasil em 17/11/2016.

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8 – SR. SHERLOCK HOLMES

Ian McKellen interpretando o detetive na velhice. Só isso já deveria ser o suficiente para colocarem esse filme em cartaz. Estreou no Brasil em 13/1/2016.

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9 – QUE VIVA EISENSTEIN! – 10 DIAS QUE ABALARAM O MÉXICO

O delirante Peter Greenaway mergulha no período em que o cineasta russo Sergei Eisenstein passou no México. Estreou no Brasil em 1/1/2016.

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10 – ESTRANHOS NO PARAÍSO

Outro clássico relançado, desta vez do muito pessoal cineasta Jim Jarmusch. Reestreou no Brasil em 3/11/2016.

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11 – EU SOU CARLOS IMPERIAL

Documentário sobre esta folclórica e polêmica figuraça da nossa música, cinema e TV, dos mesmos diretores de Uma Noite em 67. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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12 – O LOBO DO DESERTO

Este filme da Jordânia foi indicado ao Oscar de filme de língua não inglesa, sobre um garoto que guia um oficial britânico pelo deserto, na I Guerra. Estreou no Brasil em 18/2/2016.

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13 – BROOKLIN

Indicado ao Oscar de melhor filme, também teve Saorise Ronan indicada a melhor atriz. Estreou no Brasil em 11/2/2016.

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14 – O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO

Provocativo filme anti-racista de Nate Parker, que se propõe um contraponto ao fundamental (mas racista) clássico de D.W. Griffith, de 1915. Foi um sucesso em Sundance, mas o retorno à baila de um julgamento por estupro (no qual o diretor foi absolvido) em 2001 minaram o filme. Estreou no Brasil em 10/11/2016.

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15 – SIERANEVADA

Co-produção do Leste Europeu sobre acerto de contas familiar foi selecionado para Cannes. Acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

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16 – CAPITÃO FANTÁSTICO

O filme teve a interpretação de Viggo Mortensen indicada ao Globo de Ouro e ao Oscar. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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17 – O QUE ESTÁ POR VIR

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (1). Este acabou entrando no Banguê este ano. Estreou no Brasil em 22/12/2016.

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18 – ANIMAIS NOTURNOS

O filme de Tom Ford fez barulho, embora tenha chegado fraco à temporada de prêmios. E tem uma elogiada interpretação de Amy Adams. Acabou entrando em cartaz este ano, no Cinépolis. Estreou no Brasil em 29/12/2016.

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19 – CONSPIRAÇÃO E PODER

Com Cate Blanchett e Robert Redford, uma história real de jornalismo e poder: uma produtora do 60 Minutes desencava uma história polêmica do serviço militar de George W. Bush em campanha pela reeleição e sofrem uma campanha de descrédito. Estreou no Brasil em 24/3/2016.

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20 – WHITE GOD

Filme húngaro vencedor de dois prêmios no Festival de Cannes: garota tem que se desfazer de seu cachorro por ele ser mestiço. Enquanto o bicho tenta sobreviver pelas ruas, ela tenta resgatá-lo. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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21 – ROCK EM CABUL

Com Bill Murray e Zooey Deschanel e de Barry Levinson, diretor de Rain Man Bom Dia Vietnã, entre outros. Estreou no Brasil em 2/6/2016.

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22 – ASTERIX E O DOMÍNIO DOS DEUSES

É a primeira animação digital com o personagem, que é sucesso editorial em vários países e já foi adaptado para o cinema em animação tradicional e com atores. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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23 – A SENHORA DA VAN

Maggie Smith foi indicada ao Globo de Ouro por essa comédia, uma idosa que mora em uma van e faz amizade com um escritor em 1970. Estreou no Brasil em 7/4/2016.

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24 – UM BELO VERÃO

Cécile de France (de O Garoto de Bicicleta) e Izïa Higelin (de Samba) são duas mulheres que vivem uma história de amor em 1971, contexto da liberação sexual e de mais liberdades para as mulheres. Estreou no Brasil em 7/7/2016.

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25 – HAVANA MOON – THE ROLLING STONES IN CUBA

O registro do histórico show dos Stones na capital cubana. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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26 – JOVENS, LOUCOS E MAIS REBELDES!!

Richard Linklater, de Boyhood, fez uma continuação de seu Jovens, Loucos e Rebeldes (1993), um de seus primeiros filmes. Estreou no Brasil em 20/10/2016.

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27 – NERUDA

O diretor de No aqui conta a vida de Neruda como perseguido político. Acabou entrando em cartaz no Banguê. Estreou no Brasil em 15/12/2016.

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28 – CURUMIM

Documentário sobre o brasileiro no corredor da morte das Filipinas, condenado por tráfico de drogas. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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29 – O PRESIDENTE

Na co-produção entre Alemanha, França, Reino Unido e Geórgia, um presidente deposto por um golpe foge acompanhado do neto de cinco anos. E entra pela primeira vez em contato com seu povo. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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30 – ELVIS E NIXON

O inusitado encontro entre o Rei do Rock e o presidente que renunciaria. Michael Shannon é Elvis e Kevin Spacey entra para a galeria de intérpretes de Nixon (que já tinha Anthony Hopkins e Frank Langella). Estreou no Brasil em 16/6/2016.

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31 – AS MONTANHAS SE SEPARAM

Uma chinesa entre dois possíveis romances neste filmes do diretor Jia Zhangke, alvo de documentário de Walter Salles. Estreou no Brasil em 23/6/2016.

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32 – DE PALMA

Documentário sobre o grande diretor de Os IntocáveisVestida para Matar O Pagamento Final. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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33 – TUDO VAI FICAR BEM

Filme de Wim Wenders, com Rachel McAdams, James Franco e Charlotte Gainsbourg, sobre o trauma de um escritor para superar uma tragédia. Estreou no Brasil em 10/3/2016.

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34 – MARAVILHOSO BOCCACCIO

Os irmãos Taviani levam á tela cinco histórias do Decamerão, de Boccaccio. Estreou no Brasil em 5/5/2016.

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35 – DEMÔNIO DE NEON

Elle Fanning é uma modelo ingênua no mundo da moda. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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36 – FOGO NO MAR

Documentário sobre o drama dos refugiados na Europa, a partir de uma ilha na Itália. Levou o Urso de Ouro no Festival de Berlim e foi indicado ao Oscar de documentário. Estreou no Brasil em 28/4/2016.

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37 – NOSSO FIEL TRAIDOR

Thriller de espionagem, baseado em John LeCarré, com um elencão: Ewan McGregor, Damian Lewis, Naomie Harris, Stellan Skasgard. Estreou no Brasil em 6/10/2016.

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38 – UM HOMEM SÓ

Uma raríssima ficção científica brasileira, em que Vladimir Brichta contrata uma empres apara produzir um clone para levar sua vida medíocre por ele. Com Mariana Ximenes. Estreou no Brasil em 29/9/2016.

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39 – AMOR POR DIREITO

Julianne Moore é uma policial que descobre que está muito doente. Ela quer que a companheira (Ellen Page) receba a pensão da polícia após sua morte. E aí começa a batalha legal contra a discriminação. Steve Carrell também está no elenco dessa adaptação de uma história real acontecida não faz tanto tempo: em 2002. Estreou no Brasil em 21/4/2016.

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40 – MUNDO CÃO

De Marcos Jorge, diretor de Estômago, uma trama de vingança que o personagem de Lázaro Ramos trama contra Babu Santana, o funcionário de um centro de zoonoses que pegou o cachorro dele, depois sacrificado. Estreou no Brasil em 17/3/2016.

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41 – A DESPEDIDA

Nélson Xavier é o velho doente que se despede dos amigos, incluindo a amante bem mais nova vivida por Juliana Paes, com quem ele vive ainda momentos de amor. Estreou no Brasil em 9/6/2016.

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42 – MILLER & FRIED – AS ORIGENS DO PAÍS DO FUTEBOL

Um documentário que volta ao berço do nosso futebol: Charles Miller, que trouxe a primeira bola ao Brasil, e Arthur Friedenreich, nosso primeiro grande craque. Estreou no Brasil em 28/7/2016.

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43 – A LUZ ENTRE OCEANOS

O título refere-se ao trabalho do personagem de Michael Fassbender, em um farol na Austrália, justo na divisão dos oceanos Pacífico e Atlântico. Alicia Vikander é sua esposa, que o convence a criarem com deles o bebê que surge em um barco, ao lado de um homem morto. Estreou no Brasil em 3/11/2016.

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44 – É APENAS O FIM DO MUNDO

O drama francês mostra uma reunião de família que sai do controle por causa das muitas mágoas. O elenco tem Nathalie Baye, Léa Seydoux e Vincent Cassel. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

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45 – RAINHA DE KATWE

Produção da Disney dirigida pela indiana Mira Nair sobre uma jovem de Uganda que deseja se tornar uma grande jogadora de xadrez. Estreou no Brasil em 24/11/2016.

46 – A CORTE

Fabrice Luchini é o juiz rígido que fica abalado ao reencontrar um antigo amor no tribunal. Chegou a passar no Festival Varilux, mas não entrou em cartaz. Estreou no Brasil em 11/8/2016.

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47 – FIQUE COMIGO

Isabelle Huppert nunca é demais e sempre queremos mais (2). É uma comédia dramática com seis personagens que se cruzam em um edifício. Estreou no Brasil em 3/3/2016.

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48 – ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS

Essa curiosidade une o universo de Jane Austen a um elemento icônico da cultura de terror pop. Estreou no Brasil em 25/2/2016.

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49 – MULHERES NO PODER

Dira Paes é uma senadora tentando se dar bem em uma mamata, mas há outras mulheres também querendo levar vantagem. Estreou no Brasil em 12/5/2016.

Life - Um Retrato de James Dean

 

50 – LIFE – UM RETRATO DE JAMES DEAN

 

A amizade entre James Dean e o fotógrafo Dennis Stock, às vésperas de Dean se tornar um grande sucesso. Estreou no Brasil em 21/7/2016.

***

LEIA MAIS:

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O AMOR EM FUGA

Sem borda - 04 estrelas

 

Truffaut morreu cinco anos após este filme e não sei se pretendia dar continuidade às aventuras de Antoine Doinel. Mas este tem muito uma cara de conclusão. O passado é revisitado o tempo todo por Doinel e as mulheres de sua vida, nos levando a muitas imagens dos filmes anteriores com o personagem: Os Incompreendidos (1959), o média Antoine et Colette (1962), Beijos Proibidos (1968) e Domicílio Conjugal (1970).

E também cenas de A Noite Americana (1973), onde Jean-Pierre Léaud contracenou com Dani e Truffaut marotamente reaproveita as cenas como se fosse do passado de Doinel. Há outras relações com A Noite Americana, como o nome do livro publicado por Doinel, Les Salades de l’Amour, aproximando ainda mais os dois personagens de Léaud.

Aqui, ele está separado há algum tempo de Christine (Claude Jade) e os dois amigavelmente assinam o divórcio. Ele vive uma relação com Sabine (Dorothée, nome da TV francesa que depois se firmou como apresentadora infantil), mas com certa resistência a uma completa entrega. E acaba reencontrando um amor do passado: a Colette (Marie-France Pisier) do média-metragem de 1962. Com um tom leve e nostálgico, Truffaut faz seu personagem acertar as contas com suas mulheres (inclusive a mãe) e fechar um ciclo.

L’Amour en Fuite. França, 1979. Direção: François Truffaut. Elenco: Jean-Pierre Léaud, Marie-France Pisier, Dorothée, Claude Jade, Dani. Visto no Cinépolis Manaíra.

 

06.09 - Estreias

Há três estreias esta semana, dos quais Invocação do Mal 2 parece ser o de maior prestígio. O primeiro Truque de Mestre, sinceramente, acho bem fraco para me empolgar com esse segundo. E Katherine Heigl não inspira a menor confiança. A maior atração da semana, sem dúvida, é o Festival Varilux de Cinema Francês, com 15 filmes ainda inéditos do circuito brasileiro, mais o clássico Um Homem, uma Mulher.

JOÃO PESSOA

Entram quinta em JP:
– INVOCAÇÃO DO MAL 2 (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira [2D dub])
– TRUQUE DE MESTRE – O 2º ATO (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira [2D dub])
– CASAMENTO DE VERDADE (Cinespaço MAG 1 [2D leg])

Pré-estreia em JP:
– COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ (Cinépolis Manaíra [2D leg]; Cinespaço MAG [2D leg], Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira [2D dub]), apenas quinta a domingo
– AS TARTARUGAS NINJA – FORA DAS SOMBRAS (Cinépolis Manaíra [3D leg, 3D dub]; Cinespaço MAG [2D dub], Cinesercla Tambiá [3D dub]; Cinépolis Mangabeira [3D dub]), diariamente

Especial:
– FESTIVAL VARILUX DE CINEMA FRANCÊS (Cinespaço MAG [2D leg]), diariamente

Até quarta em JP:
– CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub])
– ANGRY BIRDS – O FILME (Cinépolis Manaíra [2D dub, 3D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira [2D dub}

Continuam em JP:
– JOGO DO DINHEIRO (Cinespaço MAG [2D leg]
– X-MEN – APOCALIPSE (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira (2D dub]).
– DE AMOR E TREVAS (Cine Bangüê [2D leg]), apenas sábado e domingo
– SUÍTE FRANCESA (Cinépolis Manaíra [2D leg])
– CEMITÉRIO DO ESPLENDOR (Cine Bangüê [2D leg]), apenas sábado
– MAIS FORTE QUE BOMBAS (Cine Bangüê [2D leg]), apenas quinta
– WARCRAFT – O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS (Cinépolis Manaíra [2D leg, 3D leg, 2D dub, 3D dub]; Cinespaço MAG [2D leg, 2D dub]; Cinesercla Tambiá [2D dub]; Cinépolis Mangabeira [3D dub]
– ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO (Cinépolis Manaíra [2D leg, 2D dub]; Cinespaço MAG [2D leg], Cinesercla Tambiá [2D dub, 3D dub]; Cinépolis Mangabeira [3D dub])
– O CIÚME (Cine Bangüê [2D leg]), apenas domingo
– EXILADOS DO VULCÃO (Cine Bangüê [2D leg]), apenas quinta
– UMA LOUCURA DE MULHER (Cinépolis Manaíra [2D em port]; Cinesercla Tambiá [2D em port])
– PEPPA PIG – AS BOTAS DE OURO E OUTRAS HISTÓRIAS (Cinépolis Manaíra [2D dub]), apenas sábado e domingo

 

CAMPINA GRANDE (Cinesercla Partage)

Entram quinta em CG:
– INVOCAÇÃO DO MAL 2 [2D dub]
– TRUQUE DE MESTRE – O 2º ATO [2D dub]

Pré-estreia em CG:
– COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ [2D dub], apenas quinta a domingo
– AS TARTARUGAS NINJA – FORA DAS SOMBRAS [3D dub], diariamente

Só até quarta em CG:
– CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL (Cinesercla Partage [2D dub])
– ANGRY BIRDS – O FILME (Cinesercla Partage [2D dub]

Continuam em CG:
– X-MEN – APOCALIPSE [2D dub]
– WARCRAFT – O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS [2D dub].
– ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO [3D leg, 3D dub)
– UMA LOUCURA DE MULHER [2D em port]

 

PATOS (Cine Guedes)

Entra quinta em Patos:
– INVOCAÇÃO DO MAL 2 [2D dub]

Pré-estreia em Patos:
– AS TARTARUGAS NINJA – FORA DAS SOMBRAS [3D dub], diariamente

Só até quarta em Patos:
– ANGRY BIRDS – O FILME (Cine Guedes [2D dub])

Continuam em Patos:
– X-MEN – APOCALIPSE (Cine Guedes [3D dub])
– ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO (Cine Guedes [3D dub])

 

REMÍGIO (Cine RT)

Entra quinta em Remígio:
– INVOCAÇÃO DO MAL 2 [2D dub]
– ALICE ATRAVÉS DO ESPELHO [2D dub])

Só até quarta em Remígio:
– X-MEN – APOCALIPSE (Cine RT [2D dub])

Continuam em Remígio:
– WARCRAFT – O PRIMEIRO ENCONTRO DE DOIS MUNDOS [2D dub]

 

O QUE ESTREIA NO BRASIL, MAS NÃO AQUI?

A Despedida, filme brasileiro com Nelson Xavier e Juliana Paes; o francês A Odisseia de Alice; Os Sonhos de um Sonhador – A História de Frank Aguiar, de título autoexplicativo; Vampiro 40 Graus, com Fausto Fawcett (!)

Soy Cuba o Mamute Siberiano

Soy Cuba, o Mamute Siberiano. Brasil, 2005. Direção: Vicente Ferraz. Documentário. Nos primeiros anos da Revolução Cubana, uma equipe cinematográfica soviética aporta na ilha para criar um filme épico sobre o país. Ferraz reconstitui com fartos depoimentos a história de Soy Cuba, o filme que acabou não agradando nem cubanos nem soviéticos e acabou esquecido por décadas, até ser resgatado do limbo por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola. A produção dirigida por Mikhail Kalatozov recebeu, desde então, os devidos elogios pelas belíssimas imagens (que o doc brasileiro usa à vontade).
Sem borda - 04 estrelas

Visto no Canal Curta!

A seguir, os meus melhores filmes de 2015, apenas entre os que estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa. Antes, como em todo ano, a numeralha em torno do circuitão pessoense.

– 163 filmes estiveram em cartaz nos cinemas de João Pessoa em 2014 (419 estrearam no Brasil, segundo o levantamento da Abraccine). É um a menos que no ano passado, pertinho do recorde de 2007 (165), marca de antes do fechamento do primeiro multiplex do MAG. O Boulevard faz esse acompanhamento desde 2006.

– A participação do cinema brasileiro foi de 25,76% dos filmes em cartaz, só um pouco menor que no ano passado, quando chegou a 26,8%, melhor marca desde que começamos a contar. Em números brutos, são 42 este ano contra 44 em 2014. Em 2013, foram 32.

Divertida Mente

Raiva, Nojinho, Alegria, Medo e Tristeza: confusão de sentimentos

1 – DIVERTIDA MENTE, de Pete Docter

A Pixar deu uma aula de emoção dentro da mente de uma pré-adolescente. Acompanha ao mesmo tempo a vida dessa menina cujo mundo vira de cabeça para baixo quando a família se muda de cidade e suas emoções básicas personificadas. Tudo vira uma bagunça quando a Alegria e a Tristeza somem da sala de comando. O lance genial é justamente descobrir a beleza e a importância da Tristeza na vida de todos nós. Crítica no Boulevard

Que Horas Ela Volta

Camila Mardila e Regina Casé: filha e mãe que pensam diferente

2 – QUE HORAS ELA VOLTA?, de Anna Muylaert

Conseguiu combinar algo dificílimo no cinema brasileiro: a crítica social e o drama de personagens que conquistam o espectador. Regina Casé lembra a grande atriz que é como a Val, empregada em uma casa rica, que recebe a filha que vai prestar o vestibular. A outra mentalidade da moça, que não se acha inferior a ninguém, sacode a vida de patrões e empregados e ajuda o filme a colocar em xeque uma herança social incômoda . Crítica no Boulevard

Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorancia

Michael Keaton e a sombra dele mesmo o atormentando

3 – BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA), de Alejandro González Iñarritu

O falso plano-sequência único (construído a partir de diversos planos-sequência de verdade e efeitos visuais) é de embasbacar. Mas além disso o filme transpira a angústia de seu protagonista e possui grandes interpretações de todo o elenco (Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone à frente) para um mergulho na necessidade e perigos de fazer arte.

Daisy Riodley, John Boyega (e BB8): filme confia (e faz bem em confiar) nos novos personagens

Daisy Ridley, John Boyega e BB-8 sustentam muito bem o filme

4 – STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, de J.J. Abrams

Com cerca de meia hora já adentradas do episódio VII de Guerra nas Estrelas, o espectador pode se dar conta de que nenhum dos personagens clássicos apareceu ainda e ele está acompanhando apenas as aventuras do novos rostos da série (Daisy Ridley, John Boyega, Adam Driver e, claro, o andróide BB-8). Um início corajoso que compensa muito uma rendição excessiva à trilogia original na repetição de certas situações. No fim, há um equilíbrio admirável entre essa herança que nos fez esquecer a trilogia-prelúdio e esperar ansiosamente pelo que o futuro reserva. Crítica no Boulevard

Mad Max - Estrada da Fúria-08

5 – MAD MAX – ESTRADA DA FÚRIA, de George Miller

É incrível pensar que, 30 anos depois, a franquia Mad Max voltaria com o mesmo diretor e uma disposição de se reinventar radicalmente. Semelhante ao segundo filme, o personagem principal é metido em uma situação onde ele é quase testemunha: a fuga de mulheres usadas como reprodutora pelo líder de uma cidade que detém o poder através da posse de um líquido precioso. O que nos anos 1980 era a gasolina, refletindo a crise do petróleo, agora é água. As fugitivas são lideradas por uma feroz Charlize Theron com um braço só. A trama se resume a uma gigantesca fuga sobre rodas pelo deserto, uma estilizada ode ao movimento com o visual alucinado do qual Miller é mestre. Diário de filmes no Boulevard

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6 – O PEQUENO PRÍNCIPE, de Mark Osborne

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há trilha irrestistível, com canções de Camille.

Mistress America-12

7 – MISTRESS AMERICA, de Noah Baumbach

Em geral, a decisão de dividir a história original com uma atual, sobre uma garotinha adultizada pela mãe e que conhece seu vizinho, um velho aviador, seria de torcer o nariz. Mas a verdade é que a nova história se alimenta bem do conto de Saint Exupèry e visualmente o filme acerta muito ao separar a animação digital para a nova história e o stop-motion para a trama do livro. E ainda há a trilha irresistível, com canções de Camille.

Perdido em Marte

8 – PERDIDO EM MARTE, de Ridley Scott

Não é de hoje que Hollywood é fascinada com a paisagem marciana. E Scott não deixa de usar o que pode dessa paisagem em um filme que também se arrisca e acerta ao passar um tempo considerável apenas com Matt Damon em cena. O bom humor de seu personagem faz não só sua vida menos difícil como ajuda também o espectador nessa travessia.

 

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9 – O CONTO DA PRINCESA KAGUYA, de Isao Takahata

A história da princesinha que nasce em um broto de bambu e é encontrada por um lavrador é contada por delicadeza ímpar nessa produção do Studio Ghibli. Um dos filmes mais bonitos do ano.

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10 – PONTE DOS ESPIÕES, de Steven Spielberg

No auge da guerra fria, o advogado de uma companhia de seguros é jogado dentro de uma trama em que precisa defender um espião soviético capturado nos EUA e depois negociar sua troca por outro, americano, preso na Alemanha Oriental. A recriação de um clima paranoico dos dois lados e descobrir a humanidade no “inimigo” são alguns dos méritos desse thriller.

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Apu com sua mãe e irmã: filmado com comovente verdade

Apu com sua mãe e irmã: filmado com comovente verdade

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Clássico anti-Bollywood

Quando se fala em cinema indiano, muita gente evoca logo Bollywood. Mas também tem gente que pensa primeiro no total oposto deste mundo de fantasia, cores e música: pensa no cinema de Satyajit Ray. Por exemplo, em A Canção da Estrada (Pather Panchali, Índia, 1955), primeiro filme da chamada Trilogia de Apu, que abriu toda uma possibilidade de um novo cinema indiano. Apu, no caso, é o garotinho cuja família é central na trama que mostrava ao Ocidente, pela primeira vez, uma Índia mais realista.

O pai é um religioso que tenta ganhar a vida pregando pelas cidades e deixa a mulher muitos dias sozinha em uma aldeia, chefiando sua casa com o casal de filhos e a velha tia, com quem não se dá muito bem (interpretada por Chunibala Devi, já com 80 anos, antiga atriz que Ray foi reencontrar vivendo em um bordel, segundo contou Roger Ebert). O interesse de Ray, estreando na direção, é com a intimidade da família e os relacionamentos entre eles. É um cotidiano difícil, muito pobre, alternando esperanças, delicadezas e pequenas alegrias com tristezas.

O pai Harihar (Kanu Bannerjee) é um sonhador, em oposição à mãe Sarbojaya (Karuna Bannerjee), que vive na tensão da falta de dinheiro. As crianças tentam incluir algo lúdico entre os afazeres. Durga (Uma Das Gupta) está crescendo, começa a enfrentar a mãe, passa a não ter tanta paciência com o irmão caçula e se vê em um problema quando a joia de uma amiga some e ela é acusada do roubo.

Apu (Samir Banerjee) é testemunha de tudo isso. Ele é a figura central dos três livros de Bibhutibhusan Bandyopadhyay, que tratam de sua infância e amadurecimento. A Canção da Estrada cobre dois terços do primeiro livro. O Invencível (1956) vai desta terça parte final até parte do segundo livro. E O Mundo de Apu (1959), com Apu adulto, já se desvencilha mais da trilogia literária.

Mas os filmes são tão ligados que muitas vezes são considerados juntos em compêndios e enciclopédias de cinema. Mas o primeiro é o primeiro: é aquele que marcou a estreia de Ray, que, contam, nunca tinha dirigido uma cena atpe a câmera rodar em A Canção da Estrada – assim como seu cinegrafista (Subatra Mitra) nunca havia filmado nada, seus atores mirins nunca tinham atuado e mesmo Ravi Shankar, autor da trilha, era verde.

E é A Canção da Estrada que foi feito ameaçado desde o início de parar por falta de dinheiro, rodando com uma câmera 16mm emprestada, mas que conseguiu um financiamento a duras penas para, dali, ser premiado em Cannes e ser indicado ao Bafta. Não é pra menos. O visual do filme impressiona, é lindo e cru ao mesmo tempo (tanto as cenas na floresta quanto dentro do casebre, principalmente a tempestade). Transpira uma comovente verdade. É incrível que seja um trabalho de iniciantes sem dinheiro nenhum.

E isso vale também para o roteiro. O uso do trem como símbolo épico da modernidade, que é tudo o que não existe no povoado de Apu, onde a passagem de um homem que vende doces é um grande evento. E a resolução do plot do roubo das joias é, em si mesmo, uma pequena joia dentro de um tesouro maior.

A Canção da Estrada. Pather Panchali. Índia, 1955. Direção: Satyajit Ray. Elenco: Subir Banerjee, Karuna Bannerjee, Uma Das Gupta, Chunibala Devi, Kanu Bannerjee.

Top 5 - 11.21

Mais uma semana de votação, filmes de abril incluídos, e Capitão América 2 – O Soldado Invernal já entra em segundo no nosso ranking. Com média 4,142, está 0,191 atrás do líder, que ainda é O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. A animação nacional O Menino e o Mundo subiu muito de média e chegou também ao top 5, empatado com o francês (de diretor iraniano) O Passado. É interessante notar a diferença de médias entre os volumes 1 e 2 de Ninfomaníaca: o primeiro tem 3,125; o segundo nem chega ao top 25, com 2,363.

Ao todo 36 filmes conseguiram o quórum mínimo até agora. A seguir, nosso top 25:

O Lobo de Wall Street – 4,333
Capitão América 2 – O Soldado Invernal – 4,142
Blue Jasmine – 4,055
O Menino e o Mundo – 4
O Passado – 4

12 Anos de Escravidão – 3,928
Frozen – Uma Aventura Congelante – 3,812
Hoje Eu Quero Voltar Sozinho – 3,8
Azul É a Cor Mais Quente – 3,733
Tatuagem – 3,727

Sem Escalas – 3,5
Walt nos Bastidores de Mary Poppins – 3,4
Trapaça – 3,375
Uma Aventura Lego – 3,375
Eu, Mamãe e os Meninos – 3,25

RoboCop – 3,181
Ninfomaníaca – Volume 1 – 3,125
Caçadores de Obras-Primas – 3
Noé – 3
Uma Relação Delicada – 3

Confissões de Adolescente – 2,8
Divergente – 2,75
A Menina que Roubava Livros – 2,666
Frankenstein – Entre Anjos e Demônios – 2,6
Operação Sombra – Jack Ryan – 2,571

Os seis piores do ano até agora:

300 – A Ascensão do Império – 2
Rio 2 – 2
Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal – 2
Muita Calma Nessa Hora 2 – 1,8
Pompeia – 1,5
S.O.S. – Mulheres ao Mar – 1,25

Cinco filmes estão com três notas, falta uma para o quórum: Caminhando com DinossaurosAs Aventuras de Peabody e ShermanNeed for Speed – O FilmeO Grande HeróiUm Amor em Paris.

stars-blue-3-0½

Zero de atuação

LaSalle e Marika: estreia com desdramatização

LaSalle e Marika: estreia com desdramatização

De todos os filmes em que se diz “não é para todos os públicos”, talvez O Batedor de Carteiras (1959) seja um dos mais restritos, e seu diretor, Robert Bresson, seja o mais restrito dos diretores. O público para este filme é, principalmente, aquele que deseja refletir sobre a linguagem do cinema, seus limites e amplitudes.

Afinal, como um público não interessado especificamente nisso se interessaria – ou toleraria – um filme onde os atores não atuam? E não propriamente por falta de competência, mas por uma decisão ideológica do diretor? Em O Batedor de Carteiras, Bresson dá seguimento à sua tese de que o cinema deveria se diferenciar do teatro e, para isso, buscou uma “desdramatização” da história.

Para isso, já estava escalando atores não-profissionais, os quais chamava de “modelos”. Seu último filme com atores profissionais havia sido As Damas do Bois du Bolougne (1945), que ele mesmo depois desancou como um “detestável filme de atores”. Curiosamente, é deste ano Roma, Cidade Aberta, que inaugurou o neo-realismo na Itália, usando justamente atores não-profissionais.

Ali, o objetivo era outro. Além da falta absoluta de dinheiro, os atores não-profissionais ajudavam no tom de “realidade” na tentativa de retratar a Itália no pós-guerra. Ao contrário do que Bresson faria, no entanto, o drama (e até o melodrama) era um ponto importante desses filmes.

Voltando a Bresson, é de se imaginar que atores profissionais seriam realmente incompatíveis com uma direção que pediria para que eles não atuassem. Assim, ele buscou em não-atores uma maneira mais fácil e moldável de atingir, através da não-competência na atuação, a não-atuação e é isso o que se vê no filme: personagens sem mais do que duas expressões e o tom monocórdio constante nos diálogos.

Onde Bresson queria chegar com isso é difícil dizer. Talvez nem ele soubesse bem, embora tenha escrito sobre suas ideias no livro Notas sobre o Cinematógrafo, que saiu aqui pela Iluminuras. “Cinematógrafo” é como Bresson chamava o que o cinema deveria ser, reforçando que ele estava buscando outra coisa que não o cinema ao qual estamos habituados.

Não li o livro, mas há trechos dele no volume do filme na Coleção Folha Cine Europeu. Em um dos trechos, defendendo essa ideia, ele escreve:

“Nada de atores. Nada de direção de atores. Nada de papéis. Nada de estudo de papéis. nada de mise en scène. E, sim, o emprego de modelos, provenientes da vida. SER (modelos) no lugar de PARECER (atores)”. Mas ser o quê?

“Quando dizem que reduzo os atores a nada, eu digo: ‘Não estou nem aí’. Pois o importante não é representar a vida de uma pessoa. É a vida do filme que importa, antes da vida das personagens”. Mas se até os documentários e os desenhos animados vivem de personagens – sejam eles, pessoas, cachorros, tomates, galinhas e baleias -, o que seria “a vida do filme” onde os personagens são “nada” ?

Sua tese de interiorizar os sentimentos para que os atores sejam mais “verdadeiros” (seja lá o que isso queria dizer) é curiosamente, na base, a mesma que gerou os atores do Actor’s Studio, como Marlon Branco ou James Dean.

Sempre conto essa história, mas nunca me lembro quem era o diretor que disse certa vez que Humphrey Bogart era o melhor ator de cinema, simplesmente porque você podia dizer: “Bogart, olhe para a esquerda”. Ele simplesmente olhava, o diretor filmava e “corta! Vamos para a próxima”. Exageros à parte, esse era o modo de cineastas como Hitchcock e Charles Chaplin e era totalmente o inverso da turma do Actor’s Studios. Não por acaso, quando atores de um grupo pegava o diretor de outro problema sempre surgiam.

Mas Bresson ia muito além disso. Enquanto o pessoal do Actor’s Studio interiorizava esses sentimentos e depois explodia, Bresson resolveu conter isso dentro dos atores – desculpe, “modelos”. A expressão do que os personagens sentem, então vem pela narração do personagem principal, dando o tom literário que o cineasta gostava tanto, mas muitas vezes tendo que dar conta de coisas que a imagem poderia (para quem defende que o cinema é sobretudo imagem, deveria) dar conta.

Coisas como “Naquele momento, meu coração deu um pulo”, o que o ator, evidentemente não expressa e o espectador só passa a ter conhecimento por causa da narração. O que nos leva à paixão de Bresson pela literatura e que, curiosamente, ele achava que o cinema deveria se afastar do teatro, mas não via problema algum em aproximá-lo dessa outra arte.

Sem “interpretações”, O Batedor de Carteiras parece mesmo um filme “lido” por alguém. Mas é bom lembrar que os dois protagonistas, que estreiam aqui, fizeram carreira no cinema – tanto Martin LaSalle quanto a sueca Marika Green – que, inclusive (como curiosidade para quem começou no antidrama bressoniano), vai aparecer em uma cena de sexo com Sylvia Kristel em Emmanuelle (1974).

Mas há, em O Batedor de Carteiras, um aspecto visual  que realmente interessa a Bresson: o balé das mãos no ato de bater as carteiras. Nesses momentos, o filme ganha uma elaboração que realmente impressiona, perdendo o ar blasé que mantém durante o resto da duração. A “desdramatização”, em princípio, colabora para o distanciamento do espectador do que ele está vendo na tela e é o que deve acontecer na maioria dos casos durante o filme, mas não nessas cenas rápidas e mostradas muito de perto.

Robert Bresson, em seu estilo único, certamente influenciou cineastas depois dele – fala-se em Abbas Kiarostami e quem vê Através das Oliveiras (1994) encontra certamente muito mais ecos do cineasta francês do que do neo-realismo italiano. Ainda assim, é difícil concordar com a totalidade das teses de Bresson. É mais compreensível lembrar que o cinema é uma arte plural, subjetiva, e que, sim, o rosto “de paisagem” dos atores, o tom de voz sem emoção e a narrativa minimalista causam um misterioso encantamento em uma parcela dos cinéfilos do mundo – e basta isso (sem tantas teses de caminhos tortuosos) para colocar Bresson em um lugar de destaque entre os cineastas.

O Batedor de Carteiras (Pickpocket, França, 1959). Direção: Robert Bresson. Elenco: Martin LaSalle, Marika Green, Jean Pélégri.

 

89. Isabelle Adjani

Em "A Rainha Margot", beleza e talento convivem em harmonia total

Em "A Rainha Margot", beleza e talento convivem em harmonia total

Um dos rostos mais lindos que já se viu, combinação de descendências argelina (do pai) com alemã (da mãe), Isabelle Adjani definitivamente não é só um rostinho bonito. Na verdade, é a única atriz a ganhar quatro vezes o César – o Oscar do cinema francês. Já começou a se destacar bem na juventude, ao ser indicada ao Oscar aos 19 anos – em contrapartida, em 2004, foi escolhida por uma revista francesa como a segunda mulher mais bonita do mundo (a primeira foi a hors concours Monica Bellucci). O talento e a beleza Adjani não é para os “dias de semana”, como diria Shakespeare: depois de dois filmes em 2003, ela só voltou ao cinema em 2008. Mesmo assim, deixou sua imagem registrada em diversas fases da vida (jovenzinha em A História de Adele H., 1975); jovem madura em A Rainha Margot, 1994) para não se esquecer.

Vá atrás: A História de Adele H. (1975); O Inquilino (1976); Nosferatu, o Vampiro da Noite (1979); Luxúria (1981); Possessão (1981); Camille Claudel (1988); A Rainha Margot (1994); Uma Amizade sem Fronteiras (2003).

Cena: momento intenso como a escultora Camille Claudel

Atriz anterior: Deborah Kerr

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  • 'O Batedor de Carteiras' por alguém que não um grande admirador em especial de Bresson (eu). fb.me/36GlEkpVSPublicado há 8 hours ago
  • "Minha Brasília amanheceu pegando fogo. Fogo! Fogo! Foi um golpista que tirou direitos de mim E que me deixou assim"Publicado há 3 days ago
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