You are currently browsing the tag archive for the ‘Cineport’ tag.

"O Som ao Redor"

“O Som ao Redor”

Terceiro dia do Cineport, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Veja aqui os destaques da programação desta terça.

A entrada para a Usina Cultural é R$ 2. Lá dentro, todas as atrações são gratuitas. Para as sessões de cinema, é preciso pegar senhas, devido à lotação das salas. Cada pessoa pode pegar duas.

9h – Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi

Está na sessão Andorinha Criança, mas parece aquela velha relação simplista entre “animação” e “coisa de criança”. O filme mostra um romance que atravessa a história do Brasil do descobrimento ao futuro, passando pela luta pela abolição e a ditadura militar. (Sala Vladimir Carvalho)

17h – Prêmio Energisa de Estímulo ao Audiovisual Paraibano

Segunda sessão com os curtas paraibanos: Amador, de Nathan Cirino; Capela, de Ramon Batista; Monturo Invisível, de Leonardo Gonçalves da Silva; O Matador de Ratos, de Arthur Lins; O Terceiro Velho, de Marcus Vilar; e A Cópia, de Rodolpho Cavalcanti de Barros. (Tenda Andorinha)

17h – Sessão Cinema de Animação Guianima

Curtas de animação portugueses – com palestra da curadora Manuela Silva. São nove curtas. (Sala Vladimir Carvalho)

19h – Lançamentos de livros (Livraria)

19h – O Som ao Redor, de Kléber Mendonça Filho

Está no festival por ter ganho o Troféu Andorinha de melhor som. É o já consagrado filme pernambucano que faz uma análise da classe média nordestina através de vários personagens de uma rua e tem destaque na atuação para W.J. Solha. (Tenda Andorinha)

19h – Sessão Andorinha Curtas – Animação

São dez curtas – brasileiros e portugueses – incluindo o multipremiado Linear, de Amir Admoni, já exibido aqui no Curta Coremas e no Fest Aruanda. (Sala Vladimir Carvalho)

21h30 – Feio, Eu?, de Helena Ignez

Dando prosseguimento à sua carreira como diretora, a musa do cinema udigrudi brasileiro dos anos 1970. E mantém aquele espírito, de certo modo: foi feito a partir de uma oficina de formação de atores, com várias mídias, se chama de “filme-manifesto” na sinopse… (Tenda Andorinha)

21h30 – Rastro, de César Schofield Cardoso

Documentário sobre a questão do lixo em Cabo Verde. (Sala Vladimir Carvalho)

23h – Show de Seu Pereira e Coletivo 401

Show da banda paraibana, já bem popular. (Tenda Música)

Anúncios
"Virgem Margarida"

“Virgem Margarida”

Terceiro dia do Cineport, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Veja aqui os destaques da programação desta segunda.

A entrada para a Usina Cultural é R$ 2. Lá dentro, todas as atrações são gratuitas. Para as sessões de cinema, é preciso pegar senhas, devido à lotação das salas. Cada pessoa pode pegar duas.

9h – O Menino e o Mundo, de Alê Abreu

Animação com prestígio o suficiente para entrar em programação adulta e infantil. (Sala Vladimir Carvalho)

17h – Sessão Guimarães, Capital da Cultura Europeia

Um média, Torres & Cometas, de Gonçalo Tocha, e um curta A Mesa Ferida, de Marcos Barbosa. (Tenda Andorinha)

17h – Sessão Andorinha Curta-metragem

Três curtas portugueses: Vamos Tocar Juntos para Ouvirmos Melhor, de Tiago Pereira; Sobre Viver, de Cláudia Alves; e O Canto da Rocha, de Helvécio Marins Jr. (Sala Vladimir Carvalho)

19h – A Vingança de uma Mulher, de Rita Azevedo Gomes

No século XIX, um bom vivant entediado tem a vida mudada quando conhece uma certa mulher. Rita Durão ganhou o Andorinha de melhor atriz. Ela foi indicada também ao Globo de Ouro português. (Tenda Andorinha)

19h – Sessão Andorinha Curta-metragem

Seis curtas, brasileiros e portugueses (e um britânico): Gambozinos, de João Nicolau (PT); A Descoberta, de Ernesto Molinero (BR); Tejo Mar, de Bernard Less (PT); Solo, de Maria Galvão (PT); Carosselo, de Jorge Quintela (PT); e Água para Tabatô, de Pedro Carneiro (Reino Unido). (Sala Vladimir Carvalho)

19h30 – Lançamento de livros (Livraria)

20h30 – Virgem Margarida, de Licínio Azevedo

Após a independência em Moçambique, em 1975, prostitutas são enviadas para campos de reeducação na selva em um “processo de limpeza” das ruas. Uma menina de 16 anos também é mandada para lá por engano, quando estava escolhendo o enxoval de seu casamento. Ganhou o Andorinha de atriz coadjuvante (Rosa Mário). (Tenda Andorinha)

20h45 – Werther Effect, de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira

O filme parte de O Sofrimento do Jovem Werther, de Goethe. (Sala Vladimir Carvalho)

22h – Prêmio Energisa de Estímulo ao Audiovisual Paraibano

Primeira sessão de curtas paraibanos. São seis: Não Tão Longe, de Ian Abé; A Queima, de Diego Benevides; Ato Institucional, de Helton Paulino; Além do Túnel, de Natan Pedroza; Abúzu, de Cacília Bandeira; e Sophia, de Kennel Rógis. (Sala Vladimir Carvalho)

23h – Show com Os Gonzagas

O forró do jovem grupo paraibano. (Tenda Música)

"Por Aqui Tudo Bem"

“Por Aqui Tudo Bem”

Terceiro dia do Cineport, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Veja aqui os destaques da programação deste domingo.

A entrada para a Usina Cultural é R$ 2. Lá dentro, todas as atrações são gratuitas. Para as sessões de cinema, é preciso pegar senhas, devido à lotação das salas. Cada pessoa pode pegar duas.

15h – Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi

Animação que não passou nos cinemas paraibanos (só foi exibida aqui na Mostra de Direitos Humanos). O filme – com vozes de Selton Mello e Camila Pitanga – atravessa a história do Brasil indo até o futuro mostrando um romance em reencarnações e as lutas do país. (Tenda Andorinha)

15h – Casa de Lava, de Pedro Costa

Costa é homenageado com uma retrospectiva no festival. Este é seu segundo filme, de 1994, sobre o relacionamento de uma enfermeira (Inês Medeiros) e um imigrante de Cabo Verde. (Sala Vladimir Carvalho)

16h30 – Hereros Angola, de Sérgio Guerra

Documentário sobre o grupo étnico Hereros, que habita o sudoeste de Angola. (Tenda Andorinha)

18h – Curtas portugueses

Quatro curtas na sessão Cinema Contemporâneo Português: O Lago, de André Marques; Luminita, de André Marques; Canal, de Rita Nunes; e Menos Nove, de Rita Nunes. (Sala Vladimir Carvalho)

19h – Paixão e Virtude, de Ricardo Miranda

A morte recente de Miranda entristeceu o cinema brasileiro. Ele deixou Paixão e Virtude pronto, às vésperas do lançamento: o filme mostra a relação entre uma aristocrata de meia idade com problemas no casamento e um químico. (Tenda Andorinha)

20h30 – Lura, de Luís Brás, e Versailles, de Carlos Conceição

O longa português Lura é sobre um homem em uma casa isolada reflete sobre passado, presente e futuro.  O programa inclui o curta Versailles. (Tenda Andorinha)

20h – Por Aqui Tudo Bem, de Pocas Pascoal

A angolana Pocas Pascoal foi premiada no Festival de Los Angeles com este Por Aqui Tudo Bem, que fala de duas irmãs que chegam a Lisboa fugindo da guerra civil em Angola. Há uma entrevista com a diretora aqui. (Sala Vladimir Carvalho)

21h45 – Show do grupo paraibano Os Trilhas

Rock, jazz e trilhas sonoras. (Tenda Música)

"Kadjike"

“Kadjike”

Segundo dia do Cineport, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. Veja aqui os destaques da programação de sábado.

A entrada para a Usina Cultural é R$ 2. Lá dentro, todas as atrações são gratuitas. Para as sessões de cinema, é preciso pegar senhas, devido à lotação das salas. Cada pessoa pode pegar duas.

17h – Sessão Guimarães, Capital da Cultura Europeia

A cidade portuguesa de Guimarães (eu me lembro do Vitória de Guimarães, time português) foi escolhida capital da cultura europeia em 2012. A efervescência gerou, entre outras coisas, filmes. Essas produções são mostradas nessas sessões. Hoje, três curtas: O Bravo Som dos Tambores, de João Botelho; A Palestra, de Bruno de Almeida; e Em Honra de São Gualter, de Rui Simões. (Tenda Andorinha)

17h – Caminhos da Paz, de Sol de Carvalho

O documentário (co-produção entre Moçambique e Itália) fala da guerra civil em Moçambique, após a independência do país – um conflito que durou 16 anos até o acordo de paz. (Sala Vladimir Carvalho)

Não encontrei um trailer, mas ouça aqui uma entrevista com o diretor.

18h45 – O Menino e o Mundo, de Alê Abreu

Um menino do campo vai para a cidade grande em busca do pai, mas o lugar não é o que ele esperava. Uma animação nacional criativa e cheia de grafismo, que foi muito elogiada. Passou no cinema aqui, mas é uma oportunidade de ver de novo (ou pela primeira vez) em tela grande. (Tenda Andorinha)

18h45 – Ossos, de Pedro Costa

Costa é homenageado com uma retrospectiva no festival. O filme de 1997 é sobre um casal paupérrimo que tem um filho e o bebê fica sempre em risco por causa do desespero dos pais. Ganhou o prêmio de fotografia no Festival de Veneza. (Sala Vladimir Carvalho)

20h30 – Quase Samba, de Ricardo Targino

A cantora baiana Mariene de Castro interpreta uma cantora de samba no Rio que, sem sucesso e com um filho, vai trabalhar em uma cooperativa de táxi. Até que reencontra um antigo amor. No vídeo abaixo, o diretor fala sobre o filme. (Tenda Andorinha)

20h45 – Kadjike, de Sana N’Hada

O diretor de Guiné Bissau fala da influência estrangeira no país, partindo dos habitantes do arquipélago Bijagós que precisam enfrentar traficantes de droga que ocupam sua terra sagrada. (Sala Vladimir Carvalho)

23h – Osso Vaidoso

Show da dupla portuguesa Ana Deus, cantora, e Alexandre Soares, guitarrista, um projeto de rock alternativo. (Tenda Música)

1h – DJ White Haus

Projeto de João Vieira, DJ português há 15 anos. (Sala Vladimir Carvalho)

"The Lovebirds". de Bruno de Almeida

“The Lovebirds”. de Bruno de Almeida

Começa hoje mais uma edição do Cineport, o Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa. É a sexta edição do festival, a quarta em João Pessoa.

Bienal, o festival teve um atraso para esta edição – a última foi em 2011. Mas voltou ao primeiro semestre e voltou a ter 10 dias de duração, na expectativa de que a um tanto tumultuada quinta edição continue sendo uma exceção.

A entrada para a Usina Cultural é R$ 2. Lá dentro, todas as atrações são gratuitas. Para as sessões de cinema, é preciso pegar senhas, devido à lotação das salas. Cada pessoa pode pegar duas.

Veja aqui os destaques da programação de hoje.

18h – Abertura, com a inauguração das exposições Exposição Fábrica, de Daniel Blaufuks, Visagens Nordestinas, de Augusto Pessoa, e Eu Sei que Não São Bandeirinhas, Volpi, de Pedro Bastos. (Galerias)

19h – Sessão Guimarães, Capital da Cultura Europeia

A cidade portuguesa de Guimarães (eu me lembro do Vitória de Guimarães, time português) foi escolhida capital da cultura europeia em 2012. A efervescência gerou, entre outras coisas, filmes. Essas produções são mostradas nessas sessões. Hoje, três curtas: O Bravo Som dos Tambores, de João Botelho; A Palestra, de Bruno de Almeida; e Em Honra de São Gualter, de Rui Simões. (Tenda Andorinha)

20h – Sopro, de Marcos Pimentel

O documentário mostra uma vila rural no meio do nada, onde há pessoas isoladas de maiores contatos com o mundo exterior. (Sala Vladimir Carvalho)

21h – O Grande Kilapy, de Zezé Gamboa

Lázaro Ramos é o astro desse filme do diretor angolano, filmado parcialmente em João Pessoa. Ele interpreta um bon vivant de Luanda, que é alto funcionário de um banco na Angola ainda colônia de Portugal, que desvia dinheiro para amigos que lutam pela independência. (Tenda Andorinha)

21h30 – The Lovebirds, de Bruno Almeida

Co-produção entre Portugal e Estados Unidos, o filme conta seis histórias simultâneas no decorrer de uma noite em Lisboa. O filme foi premiado no Fantasporto. (Sala Vladimir Carvalho)

23h – Show de A Troça Harmônica

O grupo paraibano  comemora um ano na Usina Cultural, onde fez seu show de estreia. (Tenda Música)

Rapidinho que vou ali trocar meus ingressos pro show do Paralamas do Sucesso!

– Último dia da programação teve Como Desenhar um Círculo Perfeito às 14h, com a atriz Joana de Verona (confira um papo com ela alguins posts atrás). O filme ganhou o prêmio de melhor música e trata de um rapaz que sente uma atração forte pela própria irmã. Na Tenda Andorinha.

Oito curtas de Cabo Verde e cinco da Universidade Lusófona compõem a sessão da Vladimir Carvalho às 15h.

América, previsto para o meio da semana, mas, cancelado, passa às 16h na Tenda Andorinha.

– Às 18h, começam as sessões dos homenageados com o Troféu Humberto Mauro. Na Andorinha, o média São Tomé, os Último Contratados, de Leão Lopes, de Cabo Verde, e Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado, de Joel Zito Araújo, pelo Brasil. Na Vladimir Carvalho, O Fato Completo ou À Procura de Alberto, da portuguesa Inês de Medeiros.

– Às 21h, na Andorinha, é a vez de Cartas de uma Ditadura, de Inês de Medeiros.

– E às 22h, na Andorinha de novo, o brasileiro Riscado, ainda inédito aqui nos cinemas.

– A cerimônia de premiação será às 22h30, na Vladimir Carvalho.

Fernando Trevas, Renato Félix, Vladimir Carvalho e Carlos Alberto Mattos

O cineasta paraibano Vladimir Carvalho não está exibindo nenhum filme no festival, mas foi o centro das atenções na primeira noite, segunda, com a inauguração da sala de exibição que leva seu nome na Usina Cultural Energisa. Ele está lançando Rock Brasília – Era de Ouro, já premiado no Festival de Paulínia e que vai abrir segunda o de Brasília antes de entrar em cartaz nos cinemas.

Rock Brasília está pronto e circulando pelos festivais. Ficou do jeito que você queria?

Eu fiquei muito satisfeito com o resultado final. É uma ‘epicrônica’. Ele conta quase como uma odisseia: a saída daqueles jovens de Brasília, vivendo uam certa ralação, largar a família…  Esse sonho foi pintando no processo.

Quando você filmou as bandas brasilienses nos anos 1980, qual era sua relação com o rock? 

Isso remete aos anos 1950. Em 1957, eu assisti a Sementes de Violência, que já tinha rock e esse negócio do comortamento. E meu irmão Walter (Carvalho, o também cineasta) era roqueiro e eu, como mais velho, tinha que acompanhar e cuidar dele. E tem rock no meu primeiro filme, O País de São Saruê, no Conterrâneos Velhos de Guerra e no Barra 68.

Você filmou o histórico show do quebra-quebra do Legião. A entrevista com Renato Russo foi feita antes, imagino.

Foi um dia antes. Ele tava feliz da vida, não havia nada no ar de que aquilo poderia acontecer. Mas o dia começou cedo pra ele, com depredação de ônibus na rodoviária. Ficaram pensando no Gimme Shelter (documentário que mostra um show dos Stones onde os Hell’s Angels, de seguranças, brigaram com o público e mataram uma pessoa). Aquilo foi um desencontro.

Diretor de filmes como Leila Diniz (1987) e For All – O Trampolim da Vitória (1997), Luiz Carlos Lacerda, o Bigode, apresenta hoje no Cineport, às 22 horas, o documentário Casa 9, sobre o conjugado em que ele morou em uma vila de Botafogo e que se tornou um ponto de confluência cultural impressionante – além dele, moraram lá Jards Macalé, Fábio Barreto, Sonia Braga e Lenine, além dos artistas que frequentavam o local.

Você teve a ideia do filme quando passou por acaso em frente à casa, não foi?

Fui bater na rua sem querer. Tentando fugir de um engarrafamento, acabei parando lá. E fui embora pra casa lembrando as histórias que aconteceram ali. Depois, fui conversando com as pessoas e elas foram lembrando mais histórias.

Por que você acha que a casa tinha esse astral? Tem explicação?

Não tem. Era a época mais dura da ditadura. E aquele era um lugar que respirava liberdade absoluta. Era um foco de luz na cidade numa época muito obscura. Depois que morei o Lenine morou e recebeu músicos paraibanos e do Nordeste inteiro. Hoje, lá, moram duas produtoras de cinema e um rapaz que é músico!

O filme está no Festival do Rio. Mas vai ser lançado comercialmente no cinema?

Provavelmente não. Como o Canal Brasil é co-produtor, vai passar lá. Não é um filme para o mercado, é para a memória  brasileira.

Nascida em São Luís do Maranhão, a atriz de pais portugueses foi para Portugal com um ano de idade. Começou a fazer teatro ainda na infância, morou três anos no Rio (dos 10 aos 13, quando estudou na Casa de Cultura Laura Alvim) antes de ir de vez para Lisboa. Hoje, aos 21 anos, é uma requisitada atriz do teatro e cinema lusitano. No Cineport, está com o filme Como Desenhar um Círculo Perfeito, que passa sábado, às 16h.

É uma impressão errada ou a produção cinematográfica em Portugal tem crescido?

Portugal é um país pequeno e não se fazem tantos filmes assim por ano. O que acontece é que tem mais novos realizadores surgindo.

As novelas brasileiras são muito presentes na TV portuguesa, mas o cinema brasileiro, você conhece?

Eu gosto muito do cinema brasileiro. É muito diferente do português, do europeu. O Brasil é um país tão grande que tem vários tipos de cinema. Adoro o Walter Salles.

Você já fez algum trabalho no Brasil?

Fiz um extra em Presença de Anita, apenas. Eu quero vir ao Brasil trabalhar em Cinema, e também em TV, que sei que é um meio muito importante aqui.

SEXTA, 23

– A Sala Vladimir Carvalho começa suas exibições às 14 horas, com a sessão Cell.U.Cine – que inclui um curta de Jorge Furtado (Velázquez e a Teoria Quântica da Gravidade), um de Beto Brant (Nicinha, um Transe Amazônico), um de Lázaro Ramos (Como as Nuvens São…) e um de Hector Babenco (Marechal). Às 15h, dois curtas paraibanos de animação que concorrem ao Prêmio Energisa. Às 16h, quatro curtas que concorrem ao Troféu Andorinha da categoria.

– Às 16h, mais uma sessão na Tenda Andorinha de documentários da sessão DOC-TV CPLP: Tchiloli, Identidade de um Povo, de Felisberto Branco (São Tomé e Príncipe), e Uma Lulik, de Victor Souza (Timor Leste).

– Depois, na mesma Tenda Andorinha, às 18h, começam os longas. Transeunte, de Eryk Rocha (sim, filho de Glauber), passa depois de comentado na estreia nacional e ainda inédito em João Pessoa. É em preto-e-branco e fala sobre a solidão na cidade grande.

– No mesmo horário, na Sala Vladimir Carvalho, é a vez de A Alma do Osso, de Cao Guimarães. O filme ganhou o prêmio de melhor direção de documentário e mostra a vida de um ermitão que mora em uma caverna numa montanha de pedra.

– Na Livraria da Usina, Ronaldo Werneck lança três livros: Há Controvérsias 1, Há Controvérsias 2 e Kiryrí Rendáua Toribóca Opé – Humberto Mauro Revisto por Ronaldo Werneck. Ele também vai mostrar dois documentários que fez sobre Humberto Mauro.

– Às 20h, na Tenda Andorinha, é a vez do filme que foi eleito o melhor de ficção pelo júri de longas do Cineport: Morrer como um Homem, de João Pedro Rodrigues. O filme mostra um travesti que vive situações poéticas e bizarras enquanto sofre pela indecisão de fazer ou não uma cirurgia de mudança de sexo (o que iria contra suas fortes crenças religiosas). É um filmes desconcertantes e muitas vezes belíssimo.

– Na Sala Vladimir Carvalho, no mesmo horário, mais sete curtas de ficção do Troféu Andorinha Curta.

– A paraibana Marcélia Cartaxo vai ter hoje sua sessão como homenageada do Troféu Humberto Mauro. O filme é Agreste, de Paula Gaitán. É um filme poético sobre o interior do Nordeste e até sobre a própria Marcélia, pelo que parece.

– A Sala Vladimir Carvalho, também às 22h, reserva o promissor Casa 9, de Luiz Carlos Lacerda. O documentério é sobre uma casa em que ele morou nos anos 1970, em uma vila de Botafogo. Lá também moraram Jards Macalé, Sonia Braga, Fábio Barreto, Lenine… O lugar se tornou um centro de atração cultural, com visitas e histórias variadas e recontadas no doc.

– E a noite termina com a bela voz de Sara Tavares, cantora que diz que é ao mesmo tempo portuguesa e caboverdeana. À meia-noite.

http://universohq.com/quadrinhos/2011/review_BaladaJohnnyFuracao.cfm

QUINTA, 22

Quincas Berro d’Água, a adaptação do livro de Jorge Amado dirigida por Sérgio Machado e que foi bastante elogiada. Paulo José é o boêmio morto que é levado pelos companheiros de farra para uma última noitada. Ganhou o prêmio de direção de arte no Cineport. Vai passar na Tenda Andorinha.

– Na Sala Vladimir Carvalho, uma exibição do Festival Ver e Fazer Filmes, que a Fundação Ormeo Junqueira Botelho (a mesma que produz o Cineport) promoveu no ano passado. Também será feita uma homenagem póstuma à atriz Fernanda Lobo, atriz da cidade mineira de Cataguazes, sede da fundação. E também é de cataguazes o escritor Luiz Ruffato, em que se basearam os filmes. São sete curtas.

– Mais uma sessão Doc-TV CPLP, às 16h: Timbila, Marimba Chope, de Aldino Languana, de Moçambique; e Li Ké Terra, de Filipa Reis, de Portugal.

– O melhor documentário, segundo o júri do Cineport 2011, entra em cena às 18 horas, na Tenda Andorinha. José e Pilar, de Miguel Gonçalves Mendes, aborda o cotidiano de viagens e tentativas de escrever de José Saramago e o apoio da esposa, a jornalista Pilar Del Rio.

– No mesmo horário, na sala Vladimir Carvalho, outro impactante documentário português. 48, de Suzana Sousa Dias, é feito unicamente de fotografias que a polícia política portuguesa fez para cadastro de seus presos durante a ditadura e os depoimentos em off dessas pessoas hoje. Denso.

– Às 19h, na Livraria da Usina, Paulo Rogério Lage lança Cerâmica Saramenha.

– Às 20h, na Tenda Andorinha, mais um português: América, vencedor dos prêmios de melhor direção (para João Nuno Pinto) e ator coadjuvante (para o veterano comediante português Raul Solnado, aqui num papel dramático). A história mostra uma imigrante russa casada com um português e incomodada com os golpes que ele dá em imigrantes, com um grupo do qual faz parte a agitada ex-mulher espanhola.

– Mesmo horário, Sala Vladimir Carvalho: cinco curtas documentários. Às 22 horas, é a vez de seis curtas de ficção.

– Não tem filme às 22 horas na Tenda Andorinha, mas uma performance com música e projeção: “Rita Redshoes e The Legendary Tigerman” com exibição do filme Estrada de Palha, de Rodrigo Areias.

Aos trancos e barrancos, vamos tentando nos atualizar com a programação do Cineport.

QUARTA, 21

-O filme mais premiado do Cineport este ano (com quatro prêmios) é Tropa de Elite 2 – ontem, aliás, o filme foi escolhido pelo MinC para representar o Brasil na tentativa de ser um dos cinco indicados ao Oscar. Enfim, ele dispensa apresentações. No Cineport, ganhou os prêmios de melhor ator (para Wagner Moura), fotografia, roteiro e produtor. Passa na Tenda Andorinha, às 14 horas.

– No mesmo horário, na Sala Vladimir Carvalho, mais uma sessão dos curtas paraibanos que concorrem ao Prêmio Energisa – aqui, os documentários. Oferenda, de Ana Bárbara Ramos, e Família Vidal, de Diego Benevides, estão na lista.

– Mais uma sessão DOC TV CPLP acontece às 16 horas, na Tenda Andorinha. Os docs são Eugenio Tavares, Coração Crioulo, de Júlio Silvão Tavares, de Cabo Verde, sobre estrangeiros presos em São Paulo e suas histórias de vida, e Rio da Verdade, de Domingos Sanca, de Guiné-Bissau, sobre as mudanças climáticas do planeta, do ponto de vista do Parque Natural de Cachéu, situado na fronteira da Guiné-Bissau com o Senegal, ameaçado pelo avanço progressivo do deserto do Saara.

– Mais um dos filmes que homenageiam Cabo Verde será exibido às 16 horas: Some Kind of Funny Porto Rican, de Clare Andrade-Watkins. O filme americano fala sobre os caboverdeanos que vivem em Porto Rico.

– Às 18 horas, na Sala Vladimir Carvalho, dois curtas da sessão Panorama Cineport: Jom Speed, de João Brito (Djon Boss), de  Cabo Verde, e Impunidades Criminosas, de Sol de Carvalho, de Moçambique (na prática, um média-metragem, com 44 minutos).

– No mesmo horário, começa uma seqüência de longas brasileiros inéditos nos cinemas de João Pessoa. O primeiro deles, na Tenda Andorinha, é o documentário O Homem que Engarrafava Nuvens, que recebe o prêmio de melhor fotografia para documentário (para Walter Carvalho) e enfoca a vida e a obra de Humberto Teixeira, autor de clássicos como “Asa branca”, mas sempre à sombra do parceiro Luiz Gonzaga.

– Depois, às 20 horas, é a vez de Viajo porque Preciso, Volto porque Te Amo, de Marcelo Gomes e Karim Ainouz, que ganhou o prêmio de melhor montagem (para Karen Harley). Um dos filmes mais elogiados do ano passado, concorreu ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro (mas perdeu para Tropa de Elite 2). O filme mostra as reflexões de um geólogo enquanto viaja pelo sertão nordestino. O grande lance é a união de imagens documentais e som off ficcional.

– No mesmo horário, na Sala Vladimir Carvalho, o novíssimo filme da Lúcia Murat será exibido no Panorama Cineport. Uma Longa Viagem, com Caio Blat, ganhou o último Festival de Gramado.

– Outro filme inédito nos cinemas é Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha, de Helena Ignez, com o qual ela continua O Bandido da Luz Vermelha original, de 1968, o maior clássico do cinema udigrudi nacional. Helena foi a atriz do filme e era casada com o diretor, Rogério Sganzerla. O novo filme traz Ney Matogrosso e Maria Luísa Mendonça no elenco e teve problemas para ser lançado. Será exibido às 22 hpras, na Tenda Andorinha.

– Enquanto isso, para encerrar a noite, a Sala Vladimir Carvalho apresenta os curtas de animação que concorrem ao Andorinha. São 11, entre eles Menina da Chuva e Os Olhos do Farol, do português Pedro Serrazina.

 

 

Jom Speed

É hora de embaralhar os sotaques. O Cineport, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, começa hoje sua terceira edição em João Pessoa (a quinta no total). Como no anterior vou tentar fazer um dia a dia do que vai rolar aqui.

SEGUNDA, 19

– No primeiro dia, o querido Vladimir Carvalho ganha mais uma homenagem do evento: ele passa a dar nome à sala que, até o Cineport anterior, era chamada de Sala Digital. Será às 19h30. Aproveitando o ensejo lembro a entrevista que o Comic Show fez com ele no Cineport passado:

– A abertura do Cineport será às 20 horas, na Tenda Andorinha. Vai ser exibido também o documentário Fragmentos de Mindelo (2011), produção de Cabo Verde sobre a capital cultural do país, Mindelo. O Carlos Alberto Mattos fala aqui sobre o filme e sobre a experiência do curso de cinema em Cabo Verde. O país é o homenageado do Cineport deste ano, através, inclusive, de seu cineasta mais importante, Leão Lopes.

– Enquanto isso, na Sala Vladimir Carvalho, já começa a primeira sessão dos curtas paraibanos que concorrem ao Prêmio Energisa. São sete, de ficção. No programa de hoje, alguns comentados, como Negócio de Menino com Menina, de Marcus Vilar. Tem outra sessão com mais curtas às 22 horas.

– A grande atração do dia é o português Um Amor de Perdição (2008), a boa versão atualizada do romance de Camilo Castelo Branco, uma espécide de Romeu & Julieta lusitano. Dirigido por Marcos Barroso, é o vencedor do Troféu Andorinha de melhor atriz coadjuvante, para Catarina Wallenstein, jovem atriz portuguesa de 25 anos. Ela é Mariana, a filha de um mecânico que se apaixona pelo Romeu da trama, sofrendo pelo amor da Julieta dele, e mesmo assim acaba servindo de ponte entre os dois. Será na Andorinha, às 22 horas.

TERÇA, 20

– A Sessão Andorinha Criança começa hoje, às 10 horas. O filme é O Mistério de Feiurinha (2009), o mais recente da Xuxa. Continua não sendo essas coisas, mas já é melhor que a média da rainha dos baixinhos. Mas está longe de ser uma coisa que precisa ser conferida.

– Para conferir as produções africanas é preciso recorrer às mostras paralelas. Uma delas é o DOC-TV CPLP. Hoje, há Nos Trilhos Culturais da Angola Contemporânea, na Tenda Andorinha, às 16h. O brasileiro Exterior completa o programa. No mesmo horário, na Vladimir Carvalho, documentários paraibanos em curta-metragem começam a ser exibidos, na disputa pelo Prêmio Energisa (outra sessão acontece às 18h).

– Não há premiados em exibição hoje, abrindo espaço para três sessões Panorama Cineport. A primeira é Éden (Andorinha, 18h), filme português que mostra a relação do povo da Ilha de São Vicente, em Cabo Verde, com o velho e desativado cinema Eden Park.

– Às 20h, também na Andorinha, a sessão é de O País do Desejo (2011), de Paulo Caldas. O filme passou no Festival de Gramado e mostra a paixão de uma pianista que sofre dos rins (Maria Padilha) e um padre (Fábio Assunção), mexendo em alguns temas polêmicos. Bem, o Zanin não gostou tanto.

– Mais um Panorama Cineport às 22 horas: Casa Nove (2011), de Luís Carlos Lacerda, o Bigode. O documentário sobre o sobrado em Botafogo em volta do qual girava uma órbita cultural – além do Bigode, também moraram lá Jards Macalé, Sonia Braga e Lenine. Também giravam nessa órbita gente como Clarice Lispector, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha, Torquato Neto, Gilberto Gil, Gal Costa, Odete Lara, Waly Salomão, Naná Vasconcelos e Helio Oiticica. São histórias deles que compõem esse filme de memórias.

– Pra terminar, começam hoje as exibições dos curtas do Panorama Cineport. São seis documentários na Sala Vladimir Carvalho, às 22 horas.

stars-blue-4-0

Alma exposta

Leandra Leal e Rosanne Mulholland: a vida em frente ao computador

Leandra Leal e Rosanne Mulholland: a vida em frente ao computador

Certos filmes pedem – imploram, até – por grandes atores para conduzi-los por sua arriscada jornada. Nome Próprio (Brasil, 2008) encontrou a sua atriz: Leandra Leal, uma das melhores de sua geração – e, depois deste filme, talvez já se possa dizer sem medo que ela é a melhor. Num registro completamente diferente do que costuma ser exigido dela, ousada e exposta, sem buscar a simpatia imediata do público, ela se consagra de vez.

Leandra é Camila, uma blogueira que almeja ser escritora e vive uma vida autodestrutiva. Impulsiva ao extremo, ela sabota seus relacionamentos e tudo – dores, dúvidas, ideias sobre si mesma e o mundo – vira palavras em seu blog. Sintoma da modernidade: ela é extremamente só, mesmo com uma legião de seguidores on line.

O filme de Murilo Salles acerta a mão na maneira de ressaltar isso. Deixa espaço para que Leandra brilhe e por muito tempo é apenas ela na tela, em um tour de force – não é à toa que ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro como melhor atriz. Nome Próprio começa com sua relação com o namorado sendo rompida, depois que ele a pega na cama com outro. Em determinado momento, ela estará em um apartamento completamente despido de móveis – na sala, só o fundamental computador com linha telefônica.

Nas noitadas dos bares, Camila também está quase sempre só, esperando que alguma coisa aconteça. Ela quer escrever um livro, mas só consegue postar aleatoriamente no blog. Depois, veremos, é daí que vai sair seu livro (seguindo os passos de Clara Averbuck, em cujos dois livros o filme é baseado) – e, numa sacada visual nem tão original, mas muito boa, as palavras digitadas vão aparecendo na tela, no chão e nas paredes.

Mas até lá, não faltam bebida, cigarro e sexo como válvulas de escape para a sensação de estar perdida. Leandra, de imagem sempre ligada à candura desde A Ostra e o Vento (1997), aparece nua diversas vezes, num paralelo à exposição da alma da personagem na internet.

Nome Próprio. Brasil, 2008. Direção: Murilo Salles. Elenco: Leandra Leal, Gustavo Machado, Rosane Mulholland, David Cejkinski, Alex Disdier, Milhem Cortaz. Exibido no Cineport.

O Cineport passou e dei uma descansada. Nem coloquei aqui os vencedores e uma análise do festival (Estômago foi o melhor filme e Terra Erma o melhor curta paraibano – se ainda não viu, veja a lista dos vencedores no Paraíba1). Façamos o seguinte: aqui vai o texto de acertos e erros que publiquei ontem no Jornal da Paraíba.

O festival acertou:

'Estômago': um dos melhores do ano, de volta

"Estômago": um dos melhores do ano, de volta

Sala digital – Funcionou bem a exibição no novo local e é ainda melhor a proposta de que a Usina Cultural tenha ali uma sala de exibição permanente. O lugar precisa ser agitado e sessões de cinema ajudariam muito.

Concertos – Lindos os concertos da Orquestra de Câmara de João Pessoa com trechos de trilhas de filmes paraibanos, na abertura e no encerramento do festival. Ver o cinema local em perspectiva, daquele modo, mostra o quanto é importante colocar a cara da Paraíba na tela e como se fez e faz coisa boa aqui. É um trabalho que a orquestra deveria apresentar mais vezes, inclusive em escolas.

Melhores do ano – Alguns dos melhores filmes brasileiros do ano passado foram exibidos: Estômago, Chega de Saudade, Nome Próprio e Romance lotaram suas sessões e mostram que o público quer ver o cinema nacional.

Livraria – O espaço literário do Cineport estava agradável e concorrido, mesmo sem expressões da literatura (como aconteceu há dois anos). Os principais lançamentos diziam respeito ao próprio cinema como assunto.

Precisa melhorar:

"Call Girl": anunciado, mas não exibido

"Call Girl": anunciado, mas não exibido

Tela baixa – Bastava alguém mais alto resolver assistir a um filme na Tela Andorinha e pronto: era preciso se contorcer para não perder um bom pedaço da tela. Sem declive e com a tela baixa, o manual de sobrevivência do principal local de exibição do festival mandava: sente-se na primeira cadeira do corredor e, se necessário, arraste-a para o lado.

Premiação para poucos – Não se trata, aqui, da divisão de prêmios. Mas, sim, da cerimônia, realizada na pequena sala digital e excluindo o público do festival, que mal ficou sabendo quem ganhou os prêmios e nem teve direito a comemorar ou mostrar insatisfação com as escolhas ou de se divertir ou se emocionar com os agradecimentos. Por que a cerimônia não foi programada desde o início para a Tenda Andorinha?

Sem legendas – Não adianta. A língua é a mesma, mas os sotaques são tão diferentes que é imprescindível ter legenda nos filmes não brasileiros. Houve uma debandada geral na sessão do premiado Aquele Querido Mês de Agosto porque o público não conseguia entender os depoimentos. Que venham cópias de festivais, com legendas nem que sejam em espanhol ou inglês.

Cancelamentos – Um número acima do normal de sessões canceladas. Os esperados Call Girl e Os Mutantes estão entre os que não foram exibidos.

Atrasos – Já foi bem melhor que a edição anterior, mas ainda houve casos de sessão que atrasou duas horas. Não pode.

SEXTA, 8

– Hoje é o dia de Estômago, de Marcos Jorge, um dos melhores filmes nacionais do ano passado. Passou aqui no MAG, mas muita gente não viu. Então, a chance é essa: não percam! Na Andorinha, às 20h.

– Correndo, vocês ainda pegam Panair do Brasil, de Marcos Altberg, sobre a companhia aérea que simbolizou a modernidade e o desenvovlimento na era JK e que deixou saudades até hoje entre seus ex-funcionários e descendentes. Na sala digital, as 16h.

– Hoje também tem o lançamento de Vladimir Carvalho – Pedras na Lua e Pelejas no Asfalto, de Carlos Alberto Mattos: a biografia do paraibano que é um dos mais importantes diretores de documentário do Brasil. Ele estará lá, assim como o autor, que é um jornalista especializado nos documentários – e que deu um tempo no DocBlog, mas o conteúdo continua lá, à disposição dos leitores. 18h30, na livraria.

Romance, de Guel Arraes, tem mais uma sessão marcada para hoje, às 18h, na Tenda Andorinha. A primeira não aconteceu. Será que dessa vez vai?

– É um dia bom, também, para conhecer o cinema africano. Hóspedes da Noite, de Licínio Azevedo, passa às 17h30, na sala digital; e a Trilogia das Novas Famílias, de Isabel Noronha, às 20h, no mesmo local.

SÁBADO, 9

– A atração do dia é O Mistério do Samba, de Carolina Jabor e Lula Buarque de Hollanda, e produzido por Marisa Monte. Foi o vencedor do prêmio de melhor documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e segue a linha que os cineastas nacionais descobriram dos docs sobre música. Os personagens, aqui, são tudo: a Velha Guarda da Portela. Na Tenda Andorinha, às 18h.

– Às 20h será exibido o português Aquele Querido Mês de Agosto, de Miguel Gomes. O filme esteve na seleção da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, recebeu prêmio da crítica na Mostra Internacional de São Paulo e outros prêmios e outros festivais pelo mundo. O filme funde documentário e ficção e o Luiz Carlos Merten vinha falando do filme desde que o viu, em Cannes 2008. Passa na Tenda Andorinha.

Cruz e Sousa, o Poeta do Desterro, de Sílvio Back, um dos maiores documentaristas do país, será exibido hoje, na sala digital, às 16h. O personagem principal é o poeta fundador do Simbolismo no Brasil.

– Estava marcado para hoje Transe, de Teresa Villaverde. Mas ele foi exibido domingo, no lugar de Os Mutantes, também dela. Será que Os Mutantes é o que passa hoje, ou vão reprisar Transe? Ou ainda: vão finalmente passar Call Girl, anunciado dois dias seguidos e não exibido? Respostas na sala digital, às 22h.

Deserto Feliz, de Paulo Caldas, que passou quinta, será reprisado hoje. Às 16h, na sala digital.

– E ainda: Pachamana, de Eric Rocha (filho de Glauber), na sala digital, às 18h; Andarilho, de Cao Guimarães, também na sala digital, às 22h; e Última Parada 174, de Bruno Barreto, a versão ficcional do caso do seqüestro do ônibus 174, na Tenda Andorinha, às 22h.

DOMINGO, 10

– É o dia das sessões dos vencedores dos troféus Andorinha Digital e Prêmio Energisa, a partir das 14 horas.

– Foi reservado para hoje a sessão de lançamento de Zé Ramalho, o Herdeiro de Avôhai, de Elinaldo Rodrigues, documentário sobre o cantor paraibano. Na Tenda Andorinha, às 18h.

– E às 21h, também na Tenda Andorinha, a Orquestra de Câmara de João Pessoa interpreta trilhas sonoras de filmes paraibanos.

QUARTA, 6

– Primeiro: Call Girl não passou ontem – parece que a cópia não chegou. Será exibido hoje, às 20 horas, imagino que na mesma Tenda Andorinha. Ainda bem, porque não deu tempo de ver ontem. Lembrando: o filme ganhou três prêmios do Globo de Ouro português – filme, ator e atriz. E, aproveitando, aqui está a crítica da Time Out portuguesa, da qual esqueci de colocar o link ontem.  Por isso, o português Mal Nascida, de João Canijo, previsto para hoje, passou ontem no lugar. Fica aí a explicação para quem o procurar.

– Para quem gosta de cinema trash, tem Encarnação do Demônio, de José Mojica Marins, às 16 horas, na mesma Tenda Andorinha. Aqui, Mojica fecha sua trilogia sobre o Zé do Caixão, embora o personagem tenha aparecido em mais filmes além dos dois primeiros. Eu não gosto mesmo, parece sempre que o cara está recebendo louros simplesmente porque conseguiu fazer um filme. Mas há quem o considere, por alguma misteriosa razão, um gênio – então, é preciso conferir. Como eu já vi no cinema, a bola esta com vocês.

– Da viúva de Glauber Rocha, Paula Gaetan, será exibido hoje Diário de Sintra, que é exatamente sobre os últimos dias do diretor, em Portugal.  Já passou no Fenart e, confesso, entrei no meio, fiquei um pedaço e saí da sala porque não estava entendendo nada. Acho que é preciso pegar do começo – portanto, atenção ao horário: 18h, na Tenda Andorinha.

– No mesmo horário, na sala digital, uma opção para o adeptos de uma narrativa mais tradicional. Todo mundo aqui já deve ter visto Romance, de Guel Arraes, quando passou no cinema – nem que seja para ver como ficou Cabaceiras na tela. Ótimo, com uma bonita declaração de amor ao teatro e shows particulares de Andréa Beltrão e Marco Nanini em papéis coadjuvantes, o filme certamente vai ter espectadores bisando a sessão.

– É uma noite ideal para quem curte documentários. Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski, o filme que ganhou o festival É Tudo Verdade este ano, fala do assassinato do empresário Henning Albert Boilensen pela guerrilha, em São Paulo. Passa na Tenda Andorinha, às 18h45. É Dedra Ser Angolano, do Coletivo Fazuma, passa na sala digital, às 20h30. Eduardo Escorel, um dos importantes diretores de documentários brasileiros, mostra seu O Tempo e o Lugar, às 22h, também na Tenda Andorinha, às 22h. E Só Dez por Cento É Mentira, de Pedro César, sobre a vida do poeta Manoel de Barros, passa também às 22h, na sala digital.

– Os curtas do dia são de ficção, na sala digital, às 16h.

QUINTA, 7

– Hoje é o dia de Nome Próprio, de Murilo Salles, com Leandra Leal. Possivelmente a melhor atriz de sua geração, Leandra tem uma atuação visceral consagrada na imprensa e premiada com o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro este ano. A sessão é às 20h, na Tenda Andorinha.

– Outro destaque imperdível do dia é a exibição de Aruanda, de Linduarte Noronha, com toda a pompa. Ele antecede a reprise de Cineasta da Terra, de Manfredo Caldas, doc que ele dirigiu sobre Linduarte para a série Retratos Brasileiros do Canal Brasil. Como eu não vi domingo, estarei lá, às 16h, na sala digital.

– No mesmo horário, será apresentado Deserto Feliz, do pernambucano Paulo Caldas, sobre uma garota do interior que chega a Recife e entra no mundo do turismo sexual Na Tenda Andorinha.

– Também produzido para a série Retratos Brasileiros, do Canal Brasil, o doc Emiliano Queiroz terá sua primeira exibição aqui, no Cineport. Será às 19h, na sala digital. Antes, às 18h30, será lançado na livraria do festival o livro Emiliano Queiroz – Na Sobremesa da Vida, escrito por Maria Letícia, também diretora do documentário.

– O filme português Body Rice, de Hugo Vieira, é a atração das 22h, na Tenda Andorinha. Dois docs em curta-metragem passam às 17h, na sala digital – um deles é Diário de Aquário, de Luís Carlos Lacerda, o Bigode. E o grupo de videastas paraibanos Las Luzineides recebe uma homenagem com a exibição de seus curtas – boa parte recentíssimos – às 20h, na sala digital.

– E às 22h, na sala digital, uma homenagem ao diretor baiano Aloísio Teixeira de Carvalho, com a exibição de O Batedor de Carteiras (1957). Carvalho foi o cara que lançou Zé Trindade no cinema, com Maluco por Mulher (1957). O Batedor de Carteiras também é com Trindade, um dos símbolos de uma época em que o cinema brasileiro era essencialmente feliz e risonho.

SEGUNDA, 4

– O dia começa mal com os péssimos O Guerreiro Didi e a Ninja Lili (9h) e A Guerra dos Rocha (16h). Eu já analisei os dois em críticas: o primeiro aqui (tem que rolar a página) e o outro aqui. O último filme de Renato Aragão, a despeito do piloto automático em que o humorista se encontra faz tempo, simplesmente esquece que é uma comédia. Está mais para um drama, juro. E A Guerra dos Rocha, francamente, se não fosse pelo Ary Fontoura, seria 100% vergonhoso.

– Felizmente, também às 16h, já há uma opção mais interessante: o documentário KFZ-1348 (2008), de Gabriel Moscaro e Marcelo Pedroso, que traça a curiosa trajetória de um fusquinha – desde a venda, na São Paulo de 1965, até sua última parada, em um ferro velho de Recife, com a placa que dá título ao filme. Na Tenda Andorinha.

– Às 17h30, é a hora do doc português Muitos Dias Tem o Mês (2009), de Margarida Leitão. O filme fala da procura cada vez maior dos portugueses pelas compras a crédito e as crescentes dívidas. Qualquer semelhança… Na Tenda Andorinha.

– O bom filme de Walter Lima Jr., Os Desafinados (2008), passa às 19 horas, na Tenda Andorinha. Tem crítica minha sobre ele nesta página (está lá embaixo, use a barra de rolagem).

– Às 21h30, se prepare. É a hora de O Signo do Caos (2005), de Rogério Sganzerla. Sganzerla, para quem não sabe, é um dos cineastas referenciais do Brasil. Achava até o Cinema Novo careta e defendia um cinema que fosse “livre da literatura”. Manteve essa postura até o fim – para o bem e para o mal, diga-se. Em todo caso, é um cinema muito particular. Na sala digital.

– Para quem procurar uma atração menos trangressora, digamos, é o caso de Linha de Passe (2008), de Walter Salles e Daniella Thomas. A história da mãe e dos quatro irmãos que procuram melhorar de vida, cada qual a seu modo, na periferia paulistana, foi um dos melhores nacionais do ano passado. E, com ele, Sandra Corveloni ganhou o importantíssimo prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes. Tem crítica minha aqui (tem que rolar a barra de rolagem). Passa às 22h, na Tenda Andorinha.

– Além disso, tem a sala digital tem documentários em curta-metragem às 18h, e o filme português Contrato, às 20h. A programação na Tenda Andorinha termina com o doc africano Sonho de Criança.

TERÇA, 5

– Um dos pouquíssimos longas de animação produzidos nesta Terra de Santa Cruz – na verdade, o único do ano passado, até onde sei -, O Garoto Cósmico (2008), de Alê Abreu, passa às 9 horas, na Tenda Andorinha.

– Inédito nos cinemas pessoenses, Onde Andará Dulce Veiga? (2008) reúne o diretor Guilherme de Almeida Prado e a atriz Maitê Proença, 20 anos depois de A Dama do Cine Shanghai. Ele mais uma vez investe na estética referencial do cinema noir e dos melodramas mexicanos. Na Tenda Andorinha, às 16h.

– É o dia também do documentário Condor (2007), de Roberto Mader, que trata da aliança entre as ditaduras militares da América do Sul para caçar os oposicionistas e sumir com eles. Como resgate histórico, é importantíssimo. Passa na Tenda Andorinha, às 18h.

– O filme português do dia é Call Girl (2007), de Antonio-Pedro Vasconcelos, vencedor de três prêmios no Globo de Ouro português: Filme, Ator e Atriz. A lindíssima Soraia Chaves é louvada em vários parágrafos desta crítica da Time Out Lisboa e, meu amigo, se os prêmios não o convencerem a conferir o filme, talvez ela o convença. Será às 20 horas, na Tenda Andorinha.

– Este dia periga ser o melhor do festival, visto que também exibe Chega de Saudade (2008). O filme da Laís Bodaznky, na minha opinião, foi o melhor brasileiro a passar aqui no ano passado – entrou na minha lista dos dez mais do ano. Passa às 22h, na Tenda Andorinha.

– No mais, mais documentários em curta-metragem (sala digital, 16h), Corrupção, de Alexandre Valente (sala digital, 18h), o doc Acácio (Tenda Andorinha, 20h) e o doc africano Adeus Até Amanhã, de Antônio Escudeiro (sala digital, 22h).

– Ah, e tem também o lançamento de Nação Jaguaribe, livro de fotografias de Gustavo Moura e Wenio Pinheiro, com textos de Sílvio Osías e Pedro Osmar. Na livraria do Cineport, às 18h30. Comunidade de Jaguaribe, uni-vos!

Em vez de comentar agora os destaques de hoje do Cineport, vamos fazer diferente: assistam a entrevistazinha que acabei de conceder no Bom Dia Paraíba a respeito. Assista aí.

Tá, eu escrevo sobre. Mas são 7h30 da manhã e eu não comi nada ainda. Tenham paciência.

stars-blue-4-0

O importante é a viagem

Dois homens reapresentados à vida por uma mulher

Dois homens reapresentados à vida por uma mulher

Em determinado momento de Goodnight Irene (Goodnight Irene, Portugal, 2008), o ator aposentado Alex (Robert Pugh), doente e manco, é levado pela bela pintora Irene (Rita  Loureiro) a subir uma longa escadaria. Mais adiante no filme, depois que Irene já está desaparecida, ele aparece subindo a mesma escadaria sozinho. A dificuldade parece – e é – muito maior. A simetria das duas cenas diz muito sobre o filme português, em termos de idéias e também do domínio da linguagem do diretor estreante em longas Paolo Marinou-Blanco.

Alex é um rabugento de carteirinha: não faz a menor questão de ser simpático com ninguém. Mas isso não impede Irene de irromper em sua vida e estabelecer uma comunicação: mais do que isso, ela traz Alex para o seu mundo. Porém, depois de uma noite especialmente turbulenta, ela desaparece. E o velho ator percebe que não pode mais viver sem ela – porque ela o lembrou o que é a vida.

Nesse ponto, ele descobre que há mais alguém que não sabe viver sem Irene: o serralheiro Bruno (Nuno Lopes). Ele tem o estranho hábito de invadir casas alheias, pegar fotos e papéis para fazer cópias e depois devolver. É assim que lida com sua solidão. A primeira cena mostra a invasão do apartamento de Irene por dentro e o encontro entre os dois: não conta quase nada, mas, intrigante, fisga o espectador de imediato para então contar o que aconteceu antes.

A narração em off de Alex se confunde com seu trabalho de narração de documentários turísticos – logo ele, que tem dificuldades de locomoção e mal sai de casa. É Irene que o reapresenta ao mundo. Depois de seu sumiço, Alex volta a se enclausurar – mas no apartamento dela, em busca de alguma pista sobre seu paradeiro. E, a contragosto, com a companhia de Bruno. A obsessão de ambos por ela vai uni-los e empurrá-los, sem que saibam, para a vida de novo.

Marinou-Blanco mostra essa acomodação com sensibilidade e bom humor, além de bem colocadas citações teatrais. Suas escolhas de planos são bonitas e eloqüentes, principalmente quando Goodnight Irene finalmente se torna o road movie que anuncia ser desde sua meia hora inicial. Aqui, o filme mostra que está de acordo com uma postura que muitos road movies defendem – e a entrega a esse subgênero se torna até necessária para deixá-la clara: o importante não é o ponto de chegada, mas a viagem em si.

Goodnight Irene. (Goodnight Irene). Portugal, 2008. Direção: Paolo Marinou-Blanco. Elenco: Robert Pugh, Nuno Lopes, Rita Loureiro, Amadeu Caronho. Exibido no Cineport.

Sigam-me os bons (no Twitter)

setembro 2017
D S T Q Q S S
« ago    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Cenas da Vida

Páginas

Estatísticas

  • 1,259,820 hits