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O começo do filme francês Intocáveis (2011) mostra a polícia abordando um carrão em alta velocidade. Um negro dirige. Ele tenta se justificar: ele está levando ao hospital o amigo branco ao lado, um tetraplégico que está tendo um ataque. A polícia se redime e presta ajuda: se propõe a escoltar a dupla. Aí, de novo dentro do carro…

O passageiro é realmente tetraplégico, mas fingiu o ataque para despistar a polícia. O dramalhão vira comédia, agora sabemos o que esperar e os créditos de abertura aparecem sobre a escolta, na maior farra, com os dois personagens ouvindo alto e cantando “September”, clássico dos anos 1970 do Earth, Wind and Fire.

A tela dividida dá um charme gráfico todo especial e ainda mais ritmo a essa abertura que já é uma assinatura do filme. E ainda há os carismas de François Cluzet e Omar Sy.

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O designer gráfico americano Saul Bass teve papel de destaque na revolução dos créditos de abertura nos anos 1950. Ainda hoje as sequências que criou para grandes cineastas estão entre as melhores já vistas, indo de animações bem humoradas a mergulhos abstratos e psicológicos no clima e tema do filme que viria a seguir.

É neste segundo caso que entra Um Corpo que Cai (1958), o primeiro (aqui, junto com o animador John Whitney) dos memoráveis créditos que fez para Hitchcock. Bass usa os motivos espirais para antecipar a vertigem emocional e psicológica do filme.

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Uma maravilhosa arte em extinção, os créditos de abertura dos filmes ganharam muito em charme nos anos 1950 e 1960. Deixaram de ser unicamente cartelas com o nome do elenco e da equipe e se tornaram uma peça artística em particular dentro do filme.

Hoje em dia, nessa era apressada, os filmes empurram os créditos para o fim e às vezes o filme não tem nem título no começo, quanto mais créditos.

Enfim, começo por um dos mais emblemáticos: A Pantera Cor-de-Rosa (1963), de Blake Edwards. Muita gente conhece a pantera da série animada, sem se dar conta de que ela não surgiu ali, mas na abertura do filme homônimo (que era uma comédia de Blake Edwards sobre o roubo de um diamante chamado “pantera cor-de-rosa”).

A animação é da De Patie-Freleng, onde o “Freleng” diz respeito a Friz Freleng, célebre animador do Pernalonga em tempos anteriores na Warner Bros. Com a música-tema de Henry Mancini, o sucesso foi tão grande que a Pantera começou a estrelar curtas de animação no ano seguinte e voltou nas aberturas de outros oito filmes da série.

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007 O Espiao que Me Amava-abertura

Os elaborados créditos de abertura da série James Bond são uma tradição tão forte que nem a repaginada da era Daniel Craig os derrubaram (em comparação, lembremos que o tiro no olho-cano de revólver que sempre abriu os filmes foi escanteado para o final na era Craig, até Spectre devolvê-lo ao começo). É um top 10 das aberturas, não das músicas-tema. Então, a música é levada muito em conta, claro, mas também elementos como originalidade, bom humor quando for o caso, visual e narrativa. Os créditos de abertura sempre têm uma boa dose de abstração, o que deixa tudo ainda mais subjetivo.

10 – 007 CONTRA A CHANTAGEM ATÔMICA (1965)

O quarto filme da série iniciou uma tradição: as aberturas com silhuetas femininas nuas, criadas por Maurice Binder (que havia ficado de fora dos dois filmes anteriores, mas voltou aqui e exigindo o nome nos créditos). Aqui, como faria depois Somente para Seus Olhos, o tom é submarino evocando as sequências embaixo d’água que o público assistiria no filme. A música-tema é cantada por Tom Jones, com um instrumental bem bondiano.

9 – 007 CONTRA O SATÂNICO DR. NO (1962)

O primeiro filme da série tem uma abertura bem no estilo dos anos 1960: predominantemente gráfica, com os créditos interagindo (no ritmo e visual) com as bolinhas piscando. Inclui também o icônico tiro inicial desenhado por Maurice Binder (a cena antes dos créditos só viria a partir do segundo filme) e o antológico tema da série composto por Monty Norman. No meio, há uma quebra meio brusca para uns temas caribenhos, já que o plot principal do filme é na Jamaica.

8 – 007 A SERVIÇO SECRETO DE SUA MAJESTADE (1969)

A abertura mais psicodélica da série, bem no espírito do final dos anos 1960. É visível também a preocupação em minimizar a mudança do ator principal (Sean Connery havia saído e era a estreia de George Lazenby, que acabou fazendo só esse mesmo) usando imagens dos vilões e bondgirls dos filmes anteriores. Também é a terceira e última abertura apenas com trilha instrumental (as outras foram a dos dois primeiros filme). E é mais uma de Maurice Binder.

7 – 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1977)

A abertura do terceiro 007 com Roger Moore, de Maurice Binder, absorve a autoparódia do filme. As silhuetas agora fazem uma espécie de ginástica olímpica (destaque para a evolução na barra formada pelo cano do revólver) e há elementos soviéticos, evocando o romance entre Bond e a espiã russa no filme. Há uma bela imagem inicial, com as mãos capturando o para-quedas de Bond. E a música é uma das melhores da série toda: “Nobody does it better”, com Carly Simon.

6 – 007 – CASSINO ROYALE (2006)

A repaginada que a série recebeu em 2006 refletiu na abertura. Não há mulheres, com a exceção de uma discretíssima aparição do rosto de Eva Green. Ao invés disso, muito tiro, muita luta e muito sangue. Um tom muito mais claro que o usual também, com essa ambientação no mundo do baralho e seus elementos. Daniel Kleinman, que desenhou os créditos, integrou, depois de 43 anos, a sequência do tiro à abertura, se aproximou da pop art e usou muito a imagem de Daniel Craig para reforçá-lo como o novo Bond. A música, ótima, é “You know my name”, com Chris Cornell.

5 – 007 CONTRA GOLDFINGER (1964)

Uma das imagens famosas do filme é a morte de Shirley Eaton com o corpo pintado de dourado. A abertura (de Robert Brownjohn) aproveita a ideia: o corpo da atriz e modelo Margaret Nolan pintado de dourado, nos quais são projetadas cenas deste e dos dois filmes anteriores da série. Na música-tema (foi a primeira vez que a abertura ganhou uma canção como tema), a inigualável Shirley Bassey. No vídeo abaixo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

4 – 007 CONTRA GOLDENEYE (1995)

Fazia seis anos que não Bond não dava as caras nas telas, quando veio a estreia de Pierce Brosnan no papel. Junto com ele, a estreia de Daniel Kleinman, diretor de clipes e vídeos de shows, como designer dos créditos de abertura (substituindo Maurice Binder, que morreu em 1991). Ele segue a herança de Maurice Binder (principalmente no que diz respeito à silhueta feminina), mas aposta firme nos efeitos por computador: os símbolos soviéticos, já que o filme tem relação com o fim da guerra fria. A música-tema tem Tina Turner cantando música de Bono & The Edge. No vídeo, a vinheta do tiro está incluída, mas, como quase sempre, há uma sequência entre ela e os créditos.

3 – 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985)

Maurice Binder de cabeça nos anos 1980. O som dançante do Duran Duran na trilha e detalhes coloridos explodindo do fundo negro: o batom, a arma, uma mulher dançando no fogo (claro). As mulheres esquiadoras são uma imagem bonita, mas o que se sobressai é a sensação divertida de não se levar a sério.

2 – 007 – O AMANHÃ NUNCA MORRE (1997)

Como no anterior, Daniel Kleinman se inspira fortemente no tema do filme: aqui, o mundo da comunicação e da computação e mulheres e armas, claro. São belas imagens, muita produção digital e a música bem bondiana cantada por Sheryl Crow. O visual também prefere imagens em negativo e sensação de raio-x.

Antes do primeiro lugar, algumas enções honrosas: Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967) e seus temas japoneses (de Maurice Binder); Moscou contra 007 (1963), com os créditos (de Robert Brownjohn) projetados na pele feminina; Com 007 Viva e Deixe Morrer (1973), de Maurice Binder, com os temas vudu e Paul McCartney cantando.

1 – 007 – OPERAÇÃO SKYFALL (2012)

Deu tudo certo na abertura de Skyfall, a sexta com design de Daniel Kleinman. Partindo do momento final da cena pré-créditos (baleado sobre um trem, Bond desaparece sob a água), somos encaminhados no que às vezes parece uma experiência subconsciente de 007 à beira da morte (principalmente um certo conflito consigo mesmo: tiros nas sombras e nos espelhos), outras vezes a antecipação de elementos que o espectador só vai ver mais à frente (o vilão vivido por Javier Bardem, a Skyfall do título). Isso com um ponto de vista que está indo sempre para a frente (ou mais para dentro). Há mais símbolos sinistros de morte (túmulos, sangue e caveiras, que podem tanto remeter ao desenrolar da primeira sequência quanto ao que vem pela frente) mais do que as tradicionais armas e mulheres. Coroando tudo, a espetacular canção de Adele, num estilo muito bondiano.

Nessa época tão apressada em que vivemos, o cinema parece acreditar que o público vai ter um passamento se esperar uns três ou quatro minutos assistindo os créditos iniciais de um filme. Uma arte quase perdida, que o vou de vez em quando lembrar aqui porque acredito que pequenas pérolas assim não deviam deixar de existir.

Começando por Barbarella (1968), com Jane Fonda fazendo um antológico strip-tease na gravidade zero. Jane que, pelo filme, é nossa musa retroativa de 1968 número 1, aliás.

 

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