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Mulher-Maravilha - 07

Choque de realidade: Gal Gadot em “Mulher-Maravilha”

‘MULHER-MARAVILHA’
Estrelas-03 e meia juntas-site

O universo da DC Comics é muito caro pra mim. São os super-heróis da minha infância, são os cânones dos quais todos os outros são derivados (por aproximação ou oposição). São os modelos primordiais. Por isso tem doído bastante vê-los tão maltratados nos quadrinhos e no cinema. Desisti dos quadrinhos quando a editora tentou enfiar goela abaixo aquela coisa triste chamada “Novos 52”. E no cinema, um festival de tranqueiras tentando montar aos trancos e barrancos um universo compartilhado, como o que a Marvel construiu (com bem mais paciência e inteligência).

Isto posto, a alegria de constatar que conseguiram fazer de Mulher-Maravilha um filme. E não um amontoado de ideias ruins ou mal executadas, como os três exemplares anteriores desse universo compartilhado.

A ambientação na I Guerra Mundial provou-se um grande acerto. Nascida e criada na idílica Themiscyra (antes conhecida como Ilha Paraíso), povoada só por amazonas e isolada do mundo, Diana (Gal Gadot) socorre o aviador Steve Trevor (Chris Pine) que cai ali. E toma conhecimento da guerra que está consumindo o mundo. E decide deixar a ilha para ajudar acabar com a guerra no “mundo dos homens”.

A partir daí, o filme combina um humor leve ancorado na estranheza com que a princesa amazona vê os costumes do mundo de 1918 – especificamente em Londres. As roupas, o papel da mulher na sociedade, ver um bebê (o último em sua ilha havia sido ela mesma).

Ao entrarmos na guerra, Diana vai tomando contato com as complexidades da humanidade. Mesmo que o filme trate várias delas de leve, é quando ele cresce: o sofrimento de pessoas humildes, o racismo, não poder salvar a todos, as mortes gratuitas. Em certa medida, um índio diz que seu povo “foi morto pelo povo dele”, referindo-se ao branco Trevor, aliado de ambos. Como compreender coisas assim? O filme lida muito bem com o impacto disso na personagem.

O mundo é meio o inimigo, e isso compensa um pouco as fragilidades dos vilões do filme. Danny Huston faz o que pode, mas seu personagem é pobre e não ajuda. E, quando o deus Ares se revela, nunca convence, nem seu estratagema. Pior, a sequência final direciona desnecessariamente o filme para o simplismo quando ele navegava bem em mares mais complexos. Também parece um clímax de combate grandioso posto ali meio que por obrigação.

A espanhola Elena Anaya, como a Doutora Veneno, se sai melhor fazendo um tipo propositalmente caricato, mas o filme não a aproveita bem. Sua participação é bem menor do que poderia.

Mas, enfim, o filme também se vale bem do carisma de Gal Gadot e Chris Pine e da boa química entre eles. Há um clima de romance bem conduzido, equilibrando bem com o humor e as cenas de ação.

Cenas de ação, aliás, que exageram nas câmeras lentas: nenhuma amazona pode dar um pulo sequer que para no ar. Esses momentos são incontáveis, de bonitos tornam-se logo banais e repetitivos e, curiosamente, só dão um descanso justamente no combate final.

Felizmente, a construção da personagem é que é o motor do filme: quando ela destrói uma torre para parar um atirador alemão que ataca seu grupo e surge depois lá em cima, é difícil não ver que ali está a Mulher-Maravilha. Em termos de DC no cinema, ultimamente, isso já é muita coisa.

Mulher-Maravilha. Wonder Woman. Estados Unidos, 2017. Direção: Patty Jenkins. Roteiro: Allan Heinberg, baseado em história de Heinberg, Zack Snyder e Jason Fuchs. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Connie Nielsen, Robin Wright, Danny Huston, Elena Anaya, David Thewlis, Saïd Taghmaoui, Ewen Bremner, Eugene Brave Rock, Lucy Davis, Lilly Aspell.

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