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Doutor Estranho - 20

DOUTOR ESTRANHO (Scott Derrickson, 2016)
⭐½
Diário de Filmes 2019: 39

Com um herói então pouco conhecido fora do círculo de leitores de quadrinhos, Doutor Estranho introduziu elementos místicos no universo cinematográfico da Marvel. Visualmente, o filme é bem interessante, mesmo que o andamento da trama não fuja muito do padrão. Mas a solução final é engenhosa. Depois de conferir Vingadores — Guerra Infinita e Vingadores — Ultimato, é interessante revisitar este filme e ver sementes plantadas: a joia do tempo e o conceito de multiverso.

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Projeto Florida - 01

PROJETO FLÓRIDA (Sean Baker, 2018)

Diário de Filmes 2019: 38

Consciente disso ou não, Projeto Flórida é herdeiro de Os Incompreendidos, de Truffaut. Ele acompanha a vidinha de uma menina que faz suas travessuras com os amigos na vizinhança do hotel fuleira nos arredores dos parques Disney, em Orlando, onde vive com a mãe cronicamente desempregada. Como no filme de Truffaut, não há propriamente uma história com começo, meio e fim, mas há perigos, falta de perspectiva e um final aberto. Brooklynn Prince, como a protagonista de 6 anos Moonee, é uma pequena joia, tão boa de assistir quanto o veterano e ótimo Willem Dafoe, que interpreta o gerente do hotel, se equilibrando entre rigor e compaixão. Sean Baker, se quisesse, poderia fazer igual a Truffaut e revisitar a vida de Moonee várias vezes, sempre com Brooklynn Prince no papel, como o francês fez com Antoine Doinel/ Jean-Pierre Léaud nos anos 1960 e 1970.

A QUIET PLACE

UM LUGAR SILENCIOSO (John Krasinski, 2018)

Diário de Filmes 2019: 37

Filmes que se propõem uma limitação narrativa podem resultar bem interessantes. Aqui, começamos a acompanhar os personagens já num mundo devastado por monstros cegos que atacam guiados pelo som. Então esta família precisa viver em absoluto silêncio: falar, nem pensar. Os diálogos, então, são quase todos em língua de sinais. É um desafio que ajudou o roteiro e direção a criar cenas de suspense bem eficientes, com um molho diferente.

Jogador Numero 1 - 05

JOGADOR N°1 (Steven Spielberg, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 36

Com mais referências pop do que o espectador é capaz de contar, o filme é mais uma distopia em que a revolução é levada à frente pelos jovens. Mas aqui grande parte da trama se passa dentro de um videogame de realidade virtual. Curioso que o filme, que se passa em 2045, faz parecer que não há nem haverá nada marcante na cultura pop depois dos anos 1980 e 1990, mas, enfim, a sequência dentro de O Iluminado é uma das sacadas muito boas. É divertido, mas está longe de ser um dos melhores Spielbergs. Ou está longe de ser um dos melhores Spielbergs, mas é divertido.

Matador -1950 - 03

O MATADOR (Henry King, 1950)

Diário de Filmes 2019: 35

No começo de O Matador, o pistoleiro Johnny Ringo (Gregory Peck) para numa birosca para tomar um trago. É reconhecido e provocado por um valentão local, que quer saber se Ringo é tão bom quanto a fama. Ringo não quer confusão, mas é pressionado até ter que matar o sujeito em defesa própria. Quantas vezes isso não terá acontecido com o pistoleiro, depois que ficou famoso? Quantas vezes ainda não acontecerá?

Agora, ele só quer chegar à sua cidade e rever um amor do passado e seu filho. Lá, passa o filme quase todo no saloon, à espera da resposta da amada. Do lado de fora, a cidade em polvorosa, com curiosos, gente querendo vingança, inconsequentes querendo se provar.

Faroestão psicológico sobre um homem que é rápido, mas não tanto quanto a própria reputação. Um filme que não fez grande sucesso de público na época (Zanuck, chefão da Fox, culpou o bigodão de Gregory Peck), mas está entre os clássicos do gênero, influenciando muitos filmes que vieram depois.

Bob Esponja - Um Heroi Fora d'Agua - 01

BOB ESPONJA — UM HERÓI FORA D’ÁGUA (Paul Tibbitt e Mike Mitchell, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 34

O trailer e o subtítulo brasileiro me enganaram: fizeram parecer que essa coisa de super-herói iria ocupar o filme todo ou quase todo. Felizmente, não. A trama combina o fundo do mar no estilo tradicional da série, com a aventura fora do mar com os personagens em animação digital contracenando com Antonio Banderas sem medo da canastrice. Muita maluquice e a melhor delas é a engraçadíssima Fenda do Biquíni pós-apocalíptica.

Lino - 02

LINO — UMA AVENTURA DE SETE VIDAS (Rafael Ribas, 2017)

Diário de Filmes 2019: 33

Lino é  uma animação brasileira que se esforça bastante para parecer uma produção padrão de Hollywood. O animador de festas magicamente transformado em gato gigante precisa resolver sua situação enquanto é perseguido pela polícia por um crime que não cometeu. E com uma garotinha a tira-colo, que ele inicialmente não quer por perto, mas que o adora (a dinâmica de Sulley e Bu em Monstros S.A.). É agitado, mas aos personagens falta carisma. Um ponto bom é Selton Mello na dublagem do personagem principal: sua voz é bastante familiar em outras animações, o que não deixa de ser, por tabela, mais um ponto para soar como uma animação americana. Rafael Ribas é filho de Walbercy Ribas, de O Grilo Feliz

Mamma Mia, Here We Go Again!

MAMMA MIA! — LÁ VAMOS NÓS DE NOVO (Ol Parker, 2018)
1/2
Diário de Filmes 2019: 32

As canções do Abba continuam uma delícia, mas isso está longe de ser o suficiente nessa continuação muito forçada do original, que era baseado em um musical do teatro. A estrutura, por incrível que pareça, é a mesma de O Poderoso Chefão  Parte II: a trama da filha e a trama da juventude da mãe são contadas intercaladas, sem ser uma um flashback da outra. Mas ambas são fracas. A juventude de Donna, embora Lily James seja adorável, nem tem coragem de assumir tudo o que era contado do passado da personagem e seus namorados. O sumiço de Meryl Streep é totalmente desnecessário e sua breve aparição torna isso ainda mais evidente. Cher, então, é um desperdício total.

Vinganca de Milady - 01

A VINGANÇA DE MILADY/
OS QUATRO MOSQUETEIROS — A VINGANÇA DE MILADY
(Richard Lester, 1974)

Diário de Filmes 2019: 31

A segunda parte da adaptação de Os Três Mosqueteiros mantém a qualidade do primeiro. Natural: o filme foi rodado como um só e depois dividido em dois (mas os atores só tinham recebido por um, então processaram os produtores). Equilibra ação e humor, entre ironias e patetices, e a vontade de desglamourizar a história. Mas há mais elementos dramáticos e sombrios, com a vingança propriamente dita da Milady de Faye Dunaway e seus desdobramentos. É uma grande conclusão para a melhor adaptação de Os Três Mosqueteiros para o cinema.

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CAPITÃO AMÉRICA — GUERRA CIVIL (Anthony Russo e Joe Russo, 2015)
1/2
Diário de Filmes 2019: 30

Guerra Civil é um dos pontos altos do universo cinematografico da Marvel. Estabelece um conflito entre os super-heróis partindo de uma diferença ideológica: se os heróis devem ou não ser controlados pelos governos. As questões pessoais agravam as tensões, envolvendo, pelo lado do Capitão, a fidelidade ao velho amigo Bucky, acusado de matar um estadista, e, pelo lado do Homem de Ferro, as dores do assassinato do pai no passado. Aqui, antes do conflito há muita discussão e impasse, e peso dramático no conflito. Ninguém quer brigar, mas ninguém vai parar de brigar porque a mãe tem o mesmo nome da mãe do outro.

Pequeno Principe - 1974 - 02

O PEQUENO PRÍNCIPE (Stanley Donen, 1974)

Diário de Filmes 2019: 29

Não é a melhor coisa que Stanley Donen já fez, claro, mas é um filme bastante decente, com canções de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe (dupla de Gigi, 1958, e My Fair Lady, 1964) e criatividade. O Pequeno Príncipe dá voltas completas em seu planetinha, uma variação da engenhosidade que o diretor usou para fazer Fred Astaire dançar pelas paredes e teto de um quarto em Núpcias Reais (1951). Em outros planetas, a imagem é deformada pela lente que aprisiona a imagem num círculo. É audacioso ao simplesmente retratar os animais que dialogam com o personagem com atores, sem muita caracterização, só com um jogo de associação de imagens pela montagem. É estranho no começo, mas Bob Fosse, como a serpente, e Gene Wilder, como a raposa, estão tão bem que compensam.

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VINGADORES — ULTIMATO (Anthony Russo e Joe Russo, 2019)

Diário de Filmes 2019: 28

O filme responde bem a tanto mistério e expectativa. É também um dos raros casos em que quanto menos informação o espectador tiver sobre a trama, melhor (então, se preferir, pare agora, antes desta pequena análise). O que se desenhava como um grande contra-ataque contra o vilão Thanos é subvertido logo no início. O filme faz os personagens viverem o luto e joga apressadamente um plot de viagem no tempo que força um pouco a barra, mas o que acontece nela é tão divertido e engenhoso na auto-homenagem, e há surpresas tão boas como a importância da Nebulosa na trama, que não é tão difícil deixar pra lá soluções narrativas fáceis demais, contradições e o sumiço forçado de uma personagem problemática como a Capitã Marvel. Há desfechos comoventes e, sobretudo, muito respeito aos dois personagens centrais dessa saga: o Homem de Ferro e o Capitão América.

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VINGADORES — GUERRA INFINITA (Anthony Russo e Joe Russo, 2018)

Diário de Filmes 2019: 27

O épico que reúne quase todos os heróis do universo cinematográfico da Marvel tem muita coisa e muita gente para dar conta, por isso é uma grande correria, na qual não há muito tempo para considerações psicológicas ou contextualizações detalhadas. A exceção fica basicamente para o vilãozão Thanos, que quer erradicar metade dos seres vivos do universo num estalar de dedos, quando possuir todas as joias do infinito em sua manopla poderosa. Ramificado em quatro linhas narrativas simultâneas, é frenético, intenso e consegue manter a personalidade dos personagens egressos de seus próprios filmes. 

Toy Story 3

TOY STORY 3 (Lee Unkrich, 2010)

Diário de Filmes 2019: 26

11 anos depois do segundo filme, há a recuperação e expansão de um tema que já envolvia a personagem Jessie: brinquedos que precisam encarar uma criança que cresce e os vai deixando de lado. A derivação disso leva ao cenário de uma creche onde a animação ganha ares de filme de prisão. Um “Fugindo do Inferno” com bonecos. O Ken é um ótimo acréscimo, e os resets no Buzz Lightyear são sempre divertidos (chamando os outros de “metrossexual de plástico” ou a versão amante espanhol). A reta final é sensacional (e o momento da aceitação da morte não se vê todo dia numa animação infantil). E a sequência final é uma das melhores já feitas no cinema, sem exagero.

Três Mosqueteiros

OS TRÊS MOSQUETEIROS (Richard Lester, 1973)
⭐⭐
Diário de Filmes 2019: 23

A mais fiel adaptação da obra de Alexandre Dumas é também a última grande versão com algum grau de fidelidade, visto que as seguintes mudam muito a (ou tudo na) história. Acabou dividido em duas partes, com A Vingança de Milady lançado no ano seguinte.

O espírito mantém o bom humor da trama e busca desglamourizar a história. Paris é suja, cheia de pedintes, contrastando com a opulência da corte. Os mosqueteiros são uns pés-rapados que forjam brigas para roubar o almoço. As lutas são agitadas e com peso dramático e cômico, mais “realistas” que as coreografias quase dançadas da versão de 1948 com Gene Kelly e das acrobacias artemarcializadas recentes.

Com elenco estelar (Michael York, Oliver Reed, Richard Chamberlain, Charlton Heston, Faye Dunaway, Raquel Welch fazendo uma Costance meio Jerry Lewis, Christopher Lee, Geraldine Chaplin), é uma aventura de primeira e, com sua continuação, a melhor versão dessa história para o cinema. Os produtores Alexander e Ilya Salkind alguns anos mais tarde produziriam Superman — O Filme, e chamariam Lester para dirigir o II e o III.

Capitã Marvel

CAPITÃ MARVEL (Anna Boden e Ryan Fleck, 2019)
½
Diário de Filmes 2019: 22

O primeiro filme do Universo Cinematografico Marvel liderado por uma super-heroína infelizmente não é um dos pontos altos da série. A narrativa até começa bem, com a personagem tendo flashes de memória que vão construindo seu passado. Mas o desenrolar é frouxo, tem uma insistência irritante em certas tolices pra justificar piadas lá na frente, uma protagonista que o filme parece não ter coragem de tornar casca-grossa de verdade e que é uma personagem problemática pelo nível desproporcional de poder. Na questão do empoderamento feminino é bem correto, mas só isso não faz um filme.

GHOSTS OF GIRLFRIENDS PAST

MINHAS ADORÁVEIS EX-NAMORADAS (Mark Waters, 2009)
½
Diário de Filmes 2019: 21

Esse filme é da fase em que Matthew McConaughey repetidamente interpretava o bonitão-mulherengo-irresponsável-descamisado. A premissa (que o título brasileiro deixa pra lá) é um paralelo com o Conto de Natal de Dickens, em que o protagonista é assombrado por ex-namoradas do passado, presente e futuro. Há uma ou outra boa ideia, mas o desenvolvimento infelizmente é pura rotina. Chega ao clichê dos clichês do gênero: a corrida atrás do amor que está indo embora.

Cupido Nao Tem Bandeira

CUPIDO NÃO TEM BANDEIRA (Billy Wilder, 1961)
Sem borda - 04 estrelas
Diário de Filmes 2019: 20

Eu cresci no fim dos anos 1970 e nos anos 1980. Quando fui abrindo os olhos pro mundo, o Muro de Berlim já estava lá. Vi pela TV e celebrei sua derrubada quando eu tinha 13 anos. Mas houve um período antes, em que Berlim era dividida, mas não havia o muro e era possível transitar de um lado para o outro da cidade. É lá e nesse período que se passa essa comédia maluca de Billy Wilder.

Mais do que isso, o filme explora essa vizinhança geminada entre capitalismo e comunismo para satirizar os dois lados de modo brilhante. James Cagney metralha diálogos como o diretor da fábrica da Coca-Cola na cidade (pode-se representar mais o capitalismo?), que quer comercializar com o lado oriental para ser transferido para um lugar de mais prestigio (“Além do mais, eles já contrabandeiam nossos carregamentos – e nem devolvem os cascos!”). Mas precisa cuidar da filha do chefão e se descuida o suficiente pra ela aparecer casada com um jovem muito comunista (“O capitalismo é como um arenque ao luar: brilha, mas fede”).

Com o pai da moça prestes a aparecer de visita, ele dá um duplo twist carpado após outro para tentar resolver a parada. E não é que, bem quando Billy estava filmando, a Alemanha Oriental começou a construir o muro? Ao que parece, uma coisa não tem a ver com a outra, mas o fato é que parte do filme teve que ser filmado em Munique, num estúdio em que havia a réplica do Portão de Brandenburgo.

Eu acreditaria que o filme tivesse tido um gigantesco product placement da Coca-Cola, não fosse o antológico momento final (aliás, mais um para a impressionante coleção de Billy).

Balada de Buster Scruggs

THE BALLAD OF BUSTER SCRUGGS (Joel Coen e Ethan Coen, 2018)
Sem borda - 04 estrelas
Diário de Filmes 2019: 19

Os irmãos Coen falam da inevitabilidade da morte e do acaso nesse faroeste em episódios. A apresentação mostra a capa de um livro abrindo, no modelo dos antigos contos-de-fadas adaptados pela Disney. Livro, aliás, que é, em si mesmo, uma peça de ficção. A atmosfera progride da farsa bem humorada do fanfarrão Buster Scruggs ao sombrio encontro numa diligência onde personagens podem dar uma nova perspectiva a seus problemas quando veem como certas pessoas lidam com a morte. É raro ver um filme em episódios que mantém em cada uma das partes um nível tão bom.

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HAN SOLO (Ron Howard, 2018)
½
Diário de Filmes 2019: 18

Fazer um filme sobre o passado de um personagem tão mítico quanto Han Solo – com outros criadores e outro elenco – é praticamente pedir pra perder. Dificilmente vai se chegar à altura da representação original (no caso, Harrison Ford na trilogia original de Guerra nas Estrelas). Dito isso, não é um filme ruim. É uma aventura honesta e com boa dose de diversão. Mas seria ótimo se fosse tão inspirado quanto os posters setentistas da divulgação do filme.

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