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Filme Benzinho
Credito: Bianca Aun/Divulgação

BENZINHO (Gustavo Pizzi, 2018)
Diário de Filmes 2019: 9

Irene está às voltas com muita coisa. Mãe em uma família de classe média, mora em uma casa velha cuja porta nem abre, o marido pressiona para vender outra casa na praia que é emocionalmente cara a ela, a irmã tenta se desvencilhar de um marido abusivo, está tentando terminar uma faculdade. E, agora, o filho mais velho recebe uma proposta para jogar handebol na Alemanha. Lidar com essa novidade vai ser especialmente difícil. O filme retrata bem os conflitos internos da personagem, sem recorrer ao melodrama, mas também sem pose de indiferença artística. Karine Teles, roteirista e atriz principal, brilha. E a direção de Gustavo Pizzi, também roteirista do filme com Karine, com quem foi casado, dá espaço para todos os personagens e busca planos bem elaborados. 

Em download.

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Homem-Aranha no Aranhaverso

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO (Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, 2018)
Diário de Filmes 2019: 7

Nos quadrinhos, a saga do Aranhaverso foi um fan service gigante que brincava com encontros de inúmeras versões do Homem-Aranha, já existentes ou criadas para a história. A adaptação da ideia para o cinema organiza e simplifica a coisa – e a aproveita para apresentar ao público alheio aos quadrinhos o Homem-Aranha alternativo mais popular: Miles Morales. Negro e latino, é para o universo dele que convergem outros cinco Aranhas, que se juntam para impedir a destruição de seus universos paralelos através de uma máquina fatal, etc. Para o leitor aficcionado por cronologia, um prato cheio para debater referências e se o Parker veterano que aparece é ou não o “nosso” Peter Parker. Para o espectador comum, isso não tem muita importância: o filme é ágil, divertido, a animação investe num ar cartunesco, a narrativa explora bem os diferentes heróis aracnídeos (com alguns mais protagonistas e outros mais coadjuvantes) e há boas sacadas como evocar a textura de quadrinhos antigos e recontar as origens dos heróis várias vezes, com suas particularidades.

 

ET o Extraterrestre - 20

ET, O EXTRATERRESTRE (Steven Spielberg, 1982)
Diário de Filmes 2019: 6

Uma das maiores qualidades de Spielberg como cineasta é que ele pensa em imagens. Até em seus filmes menores há momentos em que fica evidente que o que a câmera mostra foi arquitetado, desenhado, para tentar contar alguma coisa a mais ou fugir do lugar comum. Com um movimento de câmera, ou um enquadramento ou a movimentação dos atores dentro do quadro. Se é assim em seus filmes menores, imagine nos maiores, como ET. Pegue o fato de que, com exceção da mãe de Elliot, todos os adultos só aparecem sem mostrar o rosto até cerca de 1h30 de filme. Apenas da cintura para baixo, de costas, por baixo de máscaras, escondidos pelos para-brisas dos carros em movimento (como em Encurralado) ou apenas através de sombras ou detalhes do corpo. Para as crianças do filme, ET é um deles; os adultos é que são os alienígenas. E há planos incríveis como as mãos das crianças soltando as rãs pela janela ou a câmera rente ao chão enquanto passam velozes as bicicletas perseguidas pelos carros de polícia. Ando revendo muito por causa do Arthur, que virou fã do filme – mas não cansa nunca.

Em DVD.

Trama Fantasma - 01

TRAMA FANTASMA (Paul Thomas Anderson, 2018)
Diário de Filmes 2019: 5

A narrativa espelha seu protagonista: um extremo rigor visual, uma busca pela beleza que chega a ser opressiva. É, principalmente, um meticuloso estudo de personagem. Na verdade, de dois personagens obsessivos: o “sexo” após o primeiro encontro é o personagem de Day-Lewis fazendo a garçonete experimentar vestidos que ele desenhou e tirando as medidas dela. A diferença é que a nova musa não será passiva e Isso vai abalar progressivamente o mundo milimetricamente controlado e sempre ao dispor do estilista.

Em download.

Boas Maneiras - 02

AS BOAS MANEIRAS (Marco Dutra e Juliana Rojas, 2018)
Diário de Filmes 2019: 4

Um filme mutável, que vai adquirindo novas faces ao longo da projeção. O drama social se revela um filme de horror, a trama ganha um “capítulo 2” dentro do próprio filme, namora inesperadamente o musical. Se encanta demais com as possibilidades dos efeitos especiais e acaba ficando desnecessariamente explícito em certos momentos, mas esse coquetel de elementos tem personalidade, bons atores, muita força dramática.

Em download.

Roma - 01

ROMA (Alfonso Cuarón, 2018)
Diario de Filmes2019: 3

Nostalgia embalada em estética poderosa, Roma é um canto a um lugar e época bem específicos: um bairro da capital mexicana nos anos 1970. E se apoia num microcosmo que engloba questões de classe, étnicas, turbulência política, dramas pessoais. É uma narrativa que, mais que contar uma história que vai de um ponto inicial a uma conclusão, é uma observação emotiva sobre eventos episódicos, que mudam tudo e não mudam nada. E elevou a produção de longas para streaming a outro patamar.

Na Netflix.

bumblebee

BUMBLEBEE (Travis Knight, 2018)
Diário de Filmes 2019: 1

Uma mistura de ET’ King Kong e Se Meu Fusca Falasse, esse prelúdio é, de longe, a melhor coisa da franquia Transformers (pelo menos do que vi: desisti no terceiro, porque não aguentei mais). Não é só um amontoado de cenas de ação mal dirigidas e com um humor questionável, como os anteriores. Tem coração, um diretor competente (que veio do mundo da animação) e uma jovem grande atriz que faz muita diferença. Hailee Steinfeld interpreta, na prática, monólogos em boa parte do filme e está sempre muitíssimo bem.

No cinema (Cinépolis Manaíra).

wall-e

DIÁRIO DE FILMES 2018: 15 – WALL-E
Sem borda - 05 estrelas

A Terra tomada pelo lixo e deserta: apenas um robozinho permanece limpando lixo, que forma montanhas maiores que os arranha-céus. Como uma animação de premissa tão deprê poderia funcionar numa produção a princípio infantil? Mas o protagonista tem tanto de Chaplin e de Buster Keaton que sustenta 40 minutos praticamente sem falas. Uma visão do futuro tão aterradora quanto divertida. Uma obra-prima desde o primeiro segundo, estabelecendo a relação com o musical Alô, Dolly (1969) que depois vai nortear a relação romântica com a mais avançada Eva.

Wall-E. Wall-E. Estados Unidos, 2008. Direção: Andrew Stanton. Elenco: Fred Willard. Vozes na dublagem original: Ben Burtt, Elissa Knight, Jeff Garlin, John Ratzenberger, Kathy Najimi, Sigourney Weaver. Vozes na dublagem brasileira: Cláudio Galvan, Sylvia Salustti, Reginaldo Primo, Guilherme Briggs, Priscila Amorim. Em DVD.

Ratatouille

DIÁRIO DE FILMES 2018: 14 – RATATOUILLE
Sem borda - 05 estrelas

Mais de dez anos após o lançamento, Ratatouille permanece um dos melhores filmes da Pixar. Há originalidade na história de um ratinho cozinheiro, mas, sobretudo, há um roteiro bem desenhado e uma narrativa com momentos brilhantes. Como a sequência em que em um plano rápido o filme mostra que os diálogos que ouvimos dos ratinhos são “traduzidos”, a sequência em que Remy sobe por dentro das paredes de um prédio, a fuga com os documentos pelas ruas de Paris, o momento proustiano do crítico Anton Ego, sua crítica e as imagens que a acompanham.

Ratatouille. Ratatouille. Estados Unidos, 2007. Direção: Brad Bird. Vozes na dublagem original: Patton Oswalt, Lou Romano, Ian Holm, Janeane Garofalo, Peter O’Toole, Brian Dennehy. Vozes na dublagem brasileira: Philippe Maia, Thiago Fragoso, Márcio Simões, Samara Felippo, Lauro Fabiano, Carlos Gesteira. Em DVD.

Culpa E das Estrelas

DIÁRIO DE FILMES 2018: 13 – A CULPA É DA ESTRELAS
Sem borda - 03 estrelas

Doenças potencialmente fatais e romance estão por aí desde, pelo menos, A Dama das Camélias. Ingredientes embalados para leitores e espectadores jovens, a adaptação para filme funciona bem. Tem dois bons atores nos papeis principais e uma cena bonita no Museu Anne Frank.

A Culpa É das Estrelas. The Fault in Our Stars. Estados Unidos, 2014. Direção: Josh Boone. Elenco: Shailene Woodley, Ansel Elgort, Willem Dafoe, Laura Dern. Na TV.

Silencio

DIÁRIO DE FILMES 2018: 12 – SILÊNCIO
Estrelas-03 e meia juntas-site

Silêncio é filme mais institucionalmente católico de Scorsese. Mostra dois jovens padres no século XVII em busca de um outro, mais velho, que desapareceu no Japão, numa época em que o Cristianismo era proibido e perseguido. Sobre o desparecido, surgem histórias de que teria renegado a fé cristã. O filme tenta muito nos convencer da importância dessa epopeia, mas esse Apocalypse Now cristão parece ter mais vontade de ser grandioso do que ter méritos para se apresentar assim. Mas visualmente é bonito e tanto o silêncio de Deus quanto a voz da fé se fazem presentes.

Silêncio. Silence. EUA/ Taiwan/ México, 2016. Direção: Martin Scorsese. Elenco: Andrew Garfield, Adam Driver, Tadanobu Asano, Issei Ogata, Liam Neeson, Ciarán Hinds. Download.

Eu Daniel Blake

DIÁRIO DE FILMES 2018: 11 – EU, DANIEL BLAKE
Estrelas-04 e meia juntas-site

Em uma poderosa denúncia sobre um sistema que esmaga pessoas, Ken Loach mostra a crueldade da lógica da desumanização dos serviços em uma sociedade tida por muitos como um paraíso desejado. Daniel Blake é jogado em um labirinto burocrático kafkiano, onde sua médica o proíbe de voltar ao trabalho após um ataque cardíaco, mas a empresa que avalia o seguro-saúde para o governo britânico nega a ele o benefício. Ainda assim, ele encontra tempo e disposição para ajudar uma mãe e os filhos dela que parecem em situação ainda pior. Sóbrio, mas muito contudente.

Eu, Daniel Blake. I, Daniel Blake. Reino Unido/ França/ Bélgica, 2016. Direção: Ken Loach. Elenco: Dave Johns, Hayley Squires, Brianma Shann, Sharon Percy. Na Netflix.

Capitalismo - Uma Historia de Amor - 02

DIÁRIO DE FILMES 2018: 7 – CAPITALISMO – UMA HISTÓRIA DE AMOR
Estrelas-03 e meia juntas-site

Michael Moore investiga o que esteve por trás da crise americana provocada pela bolha habitacional e as tramoias dos bancos atrás de cada vez mais lucros – uma história de terror que depois gerou o filme A Grande Aposta (2015). Sempre combinando opiniões fortes e provocações com doses de bom humor, Moore escancara as engrenagens de um sistema que privilegiou as corporações em um momento crítico do país a um alto custo social. Para mostrar que o problema não é de hoje, o cineasta volta, em alguns momentos, a seu primeiro filme, Roger & Eu (1989).

Capitalismo – Uma História de Amor. Capitalism – A Love Story. Estados Unidos, 2009. Direção: Michael Moore. No Netflix.

Com Amor Van Gogh 2

DIÁRIO DE FILMES 2018: 6 – COM AMOR, VAN GOGH
Sem borda - 04 estrelas

Todo animado a partir de pinturas a óleo, o filme da polonesa Dorota Kobiela e do britânico Hugh Welchman é um evento visual. A narrativa bebe na fonte de Cidadão Kane para recontar os últimos dias do pintor holandês. Mais detalhes na minha crítica.

Com Amor, Van Gogh. Loving Vincent. Reino Unido/ Polônia, 2017. Direção: Dorota Kobiela, Hugh Welchman. Vozes na dublagem original: Douglas Booth, Robert Gulaczyk, Saoirse Ronan. No cinema.

Ultimo Desafio - 01

DIÁRIO DE FILMES 2018: 4 – O ÚLTIMO DESAFIO
Sem borda - 2,5 estrelas

Me lembro quando Rodrigo Santoro falou sobre este filme, que quis fazer porque era um sonho de fã fazer um filme com Schwarzenegger. Todo o filme, na verdade, emite essa aura de fã pelo velho Schwarza, dando a ele algumas frases legais (“Você ferrou o meu carro!”, diz o bandido; “Você ferrou o meu dia de folga”, ele responde) e o situando numa atmosfera de faroeste: um xerife que, com seus poucos ajudantes, tenta impedir a fuga de um bandido. Não dá pra não pensar em John Wayne em Onde Começa o Inferno (1959).

O Último Desafio. The Last Stand. EUA, 2013. Direção: Jae-woo Kim. Elenco: Arnold Schwarzenegger, Forest Whitaker, Jaimie Alexander, Rodrigo Santoro, Peter Stormare, Johnny Knoxville, Luis Guzman, Eduardo Noriega, Harry Dean Stanton. Na TV, 7/1

Missao Madrinha de Casamento - 03

DIÁRIO DE FILMES 2018: 3 – MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO
Sem borda - 2,5 estrelas

Foi boa a revisão de Missão Madrinha de Casamento, o filme subiu um pouco no meu conceito. A parte referente à trama do casamento, mesmo, aquela rivalidade entre Kristen Wiig (a velha melhor amiga de vida bagunçada) com Rose Byrne (a nova melhor amiga perfeitinha) continua me parecendo bem bobo, rotineiro e sem graça. Mas quando o filme foca só em Kristen melhora muito. Um destaque é a cena em que a personagem, confeiteira que desistiu da profissão e está bem pra baixo em casa, é mostrada preparando a massa, colocando pra cozinhar e decorando um único cupcake pra ela mesma.

Missão Madrinha de Casamento. Bridesmaids. EUA, 2011. Direção: Paul Feig. Elenco: Kristen Wiig, Rose Byrne, Maya Rudolph, Melissa McCarthy, Chris O’Dowd, Ellie Kemper, Wendi McLendon Covey, Jill Clayburgh. Na TV, 6/1

Murder on the Orient Express (2017) Kenneth Branagh

DIÁRIO DE FILMES 2018: 2 – ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE
Estrelas-03 e meia juntas-site

Das dezenas de romances de mistério que Agatha Christie escreveu, Assassinato no Expresso do Oriente é um dos mais populares, e com seu personagem mais popular, Hercule Poirot, detetive que rivaliza com Sherlock Holmes, se não no tamanho da fama além da literatura, certamente em capacidade dedutiva e excentricidades. Mas Kenneth Branagh estava disposto a não retratar este apenas como apenas mais um caso para Poirot. Ao contrário da (ótima) versão de 1974 de Sidney Lumet, o detetive é abalado em suas certezas pela trama que vai descobrindo a partir do assassinato de um sujeito condenável a bordo do Expresso do Oriente, que acaba preso no meio de seu trajeto por uma avalanche. Não por acaso, começa como em um filme de James Bond, com Poirot desvendando um caso em jerusalém que não tem nada a ver com a história central, a não ser por mostrar a absoluta confiança que o detetive tem em si mesmo.

Assassinato no Expresso do Oriente. Murder on the Orient Express. EUA/ Malta, 2017. Direção: Kenneth Branagh. Elenco: Kenneth Branagh, Michelle Pfeiffer, Judi Dench, Daisy Ridley, Penépole Cruz, Willem Dafoe, Johnny Depp, Derek Jacobi. No cinema, 3/1

Roda Gigante

DIÁRIO DE FILMES 2018: 1 – RODA GIGANTE
Sem borda - 04 estrelas

Woody Allen situa seu filme nos anos 1950, em uma decadente, mas ainda barulhenta Coney Island, com seus parques de diversões, neons e praias. Aí, trama um entrelaçado de tragédias humanas centrado principalmente na infeliz Ginny (Kate Winslet). Seu caso com o salva-vidas vivido por Justin Timberlake e a vaga esperança de escapar de sua vida miserável junto ao marido bruto que ela não ama e o parque de diversões que ela odeia passam a ser ameaçada pela aparição da filha do marido, fugindo do marido gangster e que também se interessa pelo salva-vidas. A luz incrível de Vittorio Storaro faz deste um dos filmes visualmente mais bonitos de Allen. O diretor reduz os planos-sequência, usando mais os planos e contraplanos, deixando os planos mais longos para monólogos de Winslet e uma grande de desestabilização da família. A inspiração teatral está sempre presente, assim como o ar de tragédia.

Roda Gigante. Wonder Wheel. EUA, 2017. Direção: Woody Allen. Elenco: Kate Winslet, Justin Timberlake, Jim Belushi, Juno Temple. No cinema, 3/1

Estrelas Alem do Tempo - 06

Um ambiente veladamente (mas não muito) hostil: Taraji P. Henson em “Estrelas Além do Tempo”

ESTRELAS ALÉM DO TEMPO
Sem borda - 04 estrelas

A inteligência não tem cor 

É de se pensar que a Nasa, a agência espacial americana, é e sempre foi um lugar à frente de seu tempo. Onde o futuro chega primeiro. Mas Estrelas Além do Tempo (2016), indicado ao Oscar de melhor filme, mostra que, nos anos 1950 e 1960, em certos aspectos, a agência espacial americana era um ambiente tão retrógrado quanto os piores locais dos Estados Unidos na época. O filme é centrado em matemáticas negras que trabalham na agência: em um prédio separado, usando banheiros e bebedores separados dos brancos.

Taraji P. Henson, Janelle Monäe e Octavia Spencer interpretam as três personagens reais em que o filme se concentra: respectivamente Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que são algumas histórias contadas no livro-reportagem homônimo de Margot Lee Shetterly.

São as “hidden figures” do título original, bem melhor que o brasileiro. Johnson é requisitada para ajudar nos cálculos para levar um americano ao espaço pela primeira vez (e trazê-lo de lá em segurança). De repente, é a única pessoa negra em um ambiente veladamente (mas nem tanto) hostil. Vaughan luta para ter a chance de estudar para se tornar engenheira, embora as leis do estado não permitam que ela almeje ir tão longe. E Jackson, chefe da sessão, lida com a ameaça de demissão de todas as matemáticas pela informática, que já está batendo na porta.

Há filmes que se destacam por seus voos narrativos. Não é caso aqui. O diretor Theodore Melfi prefere não ousar, e dar todo o destaque à história que conta, importante e interessante. O filme segue de maneira bastante tradicional, deixando para o elenco e as personagens que interpretam a responsabilidade de elevar o filme. Também seus coadjuvantes dão conta (entre eles, Maheshala Ali. Que ano desse ator! Fez também Moonlight, pelo qual ganhou o Oscar, e ainda foi o vilão da série Luke Cage).

Mas o destaque mesmo é o trio central, que leva a trama com brilho. Se ainda é necessário mostrar, está aí mais uma prova de que a inteligência e o talento não têm cor ou sexo.

Estrelas Além do Tempo. Hidden Figures. EUA, 2016. Direção: Theodore Melfi. Elenco: Taraji P. Henson, Octavia Spencer, Janelle Monáe, Kevin Costner, Kirsten Dunst, Jim Parsons, Mahershala Ali.

Castelo Vogelod - 01

Um crime volta à baila: Arnold Kroff e Olga Tschechowa em ‘O Castelo Vogelöd’

O CASTELO VOGELÖD
Estrelas-03 e meia juntas-site

O alemão F.W. Murnau enfileirou filmes maravilhosos (Nosferatu, 1922; A Última Gargalhada, 1925; Fausto, 1926; Aurora, 1927). O Castelo Vogelöd é de um pouco antes dessa fase. É um filme que parece se interessar menos pela criatividade visual, que veríamos nos filmes seguintes, e mais por sua trama rocambolesca.

É uma história de mistério que se passa numa mansão no campo, onde ricaços reúnem-se para uma caçada. Mas aparece uma visita inconveniente: um conde que é suspeito de matar o irmão. É ainda mais inconveniente porque os anfitriões aguardam a chegada da viúva, que, claro, não gosta nada de estar no mesmo lugar que o conde.

Mas ela é convencida a ficar porque também está para chegar um parente que é padre e com quem ela precisa desabafar. A partir da chegada do religioso, o clima de mistério se estabelece: sobre o passado, com relação ao que realmente aconteceu, e sobre o presente, porque um desaparecimento movimenta a trama. Um pesadelo responde pelo elemento fantástico que surge no filme.

Aos olhos de hoje, milhares e milhares de filmes depois, o mistério é facilmente desvendável e certas motivações parecem inocentes. É difícil imaginar o quanto uma ou outra reviravolta impactou a plateia da época. A restauração da coleção Expressionismo Alemão, que a Obras-Primas do Cinema lançou em DVD, impressiona, mas é verdade também que os filmes que Murnau dirigiu depois se mantiveram bem mais impactantes (um deles, Fausto, também está nesta coleção).

O Castelo Vogelöd. Schloss Vogelöd. Alemanha, 1921. Direção: F.W. Murnau. Roteiro: Carl Mayer, baseado em romance de Rudolf Stratz. Elenco: Lothar Mehrnet, Olga Tschechowa, Paul Bildt, Arnold Korff. 

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