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20 – BOM MOMENTO PARA UMA MOEDA (A Good Time for a Dime)

Depois de ser coadjuvante do Mickey de 1934 a 1938, Donald passou a “estar mais focado” na carreira solo. Era um personagem que provou segurar sozinho um curta animado, como este em que experimenta as diferentes atrações de um parque. O destaque é o surpreendente striptease da Margarida no nickelodeon da “Dança dos Sete Véus”. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King, Dick Lundy (não creditados). Roteiro não creditado. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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19 – UMA NOITE NO RIO (That Night in Rio)

Alice Faye e Don Ameche são os protagonistas dessa comédia de identidades trocadas, passada num Rio de Janeiro de fantasia. Mas o filme, até pela locação, foi feito para Carmen Miranda, em sua segunda produção em Hollywood. Ela canta quatro músicas e o diretor finalmente descobre como filmá-la, dando espaço para sua dança, em vez de “prendê-la” em closes. Onde ver: DVD, YouTube (dublado).
Estados Unidos. Direção: Irving Cummings. Roteiro: George Seaton, Bess Meredyth e Hal Long, com diálogos adicionais de Samuel Hoffenstein, adaptação de Jessie Ernst, baseado em peça de Rudolph Lothar e Hans Adler. Elenco: Alice Faye, Don Ameche, Carmen Miranda, S.Z. Sakall, Bando da Lua, Maria Montez.

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18 – MADEIRA (Timber)

Outro ótimo curta do Donald dirigido por Jack King. Desta vez com o Bafo-de-Onça como antagonista e patrão, o forçando a trabalhar como lenhador. Muito movimentado e com ótimas gags. Onde ver: DVD Disney Treasures – Cronologia do Donald, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Jack King (não creditado). Roteiro: Carl Barks e Jack Hannah (não creditados), com argumento de Frank Tashlin (não creditado). Vozes na dublagem original: Clarence Nash, Billy Bletcher.

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17 – SARGENTO YORK (Sergeant York)

A história real de um rapagão do interior que se torna um católico fervoroso e, depois (contra a vontade até o momento decisivo) em herói de guerra é dirigida cheia de solenidade por Hawks. Um herói relutante é um personagem que não é o habitual do diretor, mais chegado aos profissionais do perigo. A trama da I Guerra foi levada ao cinema, claro, de olho na entrada americana na II Guerra. Cooper ganhou aqui seu primeiro Oscar. Acima da idade para o papel, ele relutou em aceitar o personagem que tinha uma bondade irreal – até conhecer o verdadeiro York, que pediu pessoalmente ao ator para interpretá-lo. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Abem Finkel, Harry Chandlee, Howard Koch e John Huston, com Sam Cowan (não creditado), baseado no diário de Alvin C. York. Elenco: Gary Cooper, Walter Brennan, Joan Leslie, Margaret Wycherly, Ward Bond.

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16 – SEU ÚLTIMO REFÚGIO (High Sierra)

Bogart faz um bandido que sai da cadeia e aceita o serviço de um assalto. Mas ele está cansado, pensando em parar. Tem aspirações de um vida classe média ao lado de uma menina virginal de uma família que conhece e à qual se afeiçoa. Mas ele tem futuro? O filme vende firme a redenção do bandido, que só faz mal a outros bandidos. E Bogart e Ida Lupino estão ótimos. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Raoul Walsh. Roteiro: John Huston e W.R. Burnett, baseado em romance de Burnett. Elenco: Humphrey Bogart, Ida Lupino, Arthur Kennedy, Henry Travers.

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15 – SUPERMAN ou SUPER-HOMEM ou O SUPER-HOMEM Nº1 (Superman)

A animação dos Estúdios Fleischer foi a primeira adaptação para o cinema do personagem de Jerry Siegel e Joe Shuster, contando com as vozes do programa de sucesso no rádio, e as introduções “Mais rápido que uma bala…” e “É um pássaro! É um avião!”. Feita através de rotoscopia, a animação é de encher os olhos, mas ainda melhoraria nos episódios seguintes, assim como a trama que, aqui, enfoca um cientista louco. Onde ver: extra no DVD Superman – O Filme (edição tripla); DVD Superman de Max Fleischer – 1941-1942; DVD Superman em A Humanidade em Perigo; YouTube (som original e dublado).
Estados Unidos. Direção: Dave Fleischer e Steve Muffati (não creditado). Roteiro: Seymour Kneitel e Izzy Sparber, e Jay Morton (não creditado), baseado em personagens criados por Jerry Siegel e Joe Shuster. Vozes na dublagem original: Bud Collyer, Joan Alexander, Jack Mercer.

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14 – AMOR À PRIMEIRA VISTA (The Nifty Nineties)

Mickey, símbolo máximo da Disney, vinha perdendo espaço nos curtas animados do estúdio, sendo ofuscado por seus coadjuvante (Donald, Pateta e Pluto). Passou por uma pequena reinvenção em 1941, com um visual mais rebuscado, mais magro e com cabeça, mãos e pés maiores. Esse curta é um charme só: Mickey e Minnie num encontro romântico no final do século 19. A atmosfera é um encanto: o par vai a um show de vaudeville (cujos artistas homenageiam os animadores Ward Kimball e Fred Moore), veem um melodrama contado em slides (antepassado do cinema), passeiam em um carro cuja velocidade máxima é tipo 20km/h. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman, Ward Kimball, Fred Moore, Clarence Nash.

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13 – DIVERSÃO DE HOLLYWOOD (Hollywood Steps Out)

Este curta animado da Warner satiriza vários astros e estrelas do cinema dos anos 1940: Bing Crosby, James Stewart, Greta Garbo, Cary Grant, Dorothy Lamour, Groucho Marx e muitos outros. Uma inspirada alopração. Onde ver: DVD Aventuras com a Turma Looney Tunes – Volume 3; YouTube (som original).
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Melvin Millar. Vozes na dublagem original: Dave Barry, Sara Berner, Mel Blanc.

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12 – QUE ESPERE O CÉU (Here Comes Mr. Jordan)

Divertida fantasia sobre o além, em que um boxeador morre, mas, na verdade, é levado antes da hora. Porém, não pode voltar ao seu corpo, porque foi cremado. É feito um arranjo para que retorne em outro corpo: o de um milionário assassinado. Bem divertido, consegue naturalizar seus absurdos, apoiado em um elenco carismático. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Alexander Hall. Roteiro: Sidney Buchman e Seton I. Miller, baseado na peça de Harry Segall. Elenco: Robert Montgomery, Claude Rains, Evelyn Keyes, Edward Everett Horton.

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11 – O PEQUENO FURACÃO (The Little Whirlwind)

Esse foi o curta em que o Mickey estreou seu novo visual, mais magro, com cabeça, mãos e pés maiores e com as célebres orelhas com efeito de relevo. O ratinho segura o desenho sozinho, tentando limpar as folhas de um quintal para ganhar um bolo da Minnie, mas enfrentando um furacãozinho bagunceiro. Muito movimentado, com um visual muito bonito. Onde ver: DVD Disney Treasures – Mickey Mouse em Cores Vivas – Volume 2, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Riley Thomson (não creditado). Roteiro não creditado. Vozes na dublagem original: Walt Disney, Thelma Boardman.

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10 – AO COMPASSO DO AMOR (You’ll Never Get Rich)

Depois de encerrar a série de filmes em parceria com Ginger Rogers na RKO, Fred Astaire encontrou outra parceira à altura em Rita Hayworth, na Columbia. Eles produziram magia juntos em dois filmes, este foi o primeiro. Toda a trilah é de Cole Porter, com destaque para “So near and yet so far”, o melhor momento de Astaire e Rita no filme. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Sidney Lanfield. Roteiro: Michael Fessier e Ernest Pagano. Elenco: Fred Astaire, Rita Hayworth, Robert Benchley.

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9 – SUSPEITA (Suspicion)

O quase sempre afável Cary Grant aqui é escalado por Hitchcock como o ameaçador marido de Joan Fontaine (que levou o Oscar de melhor atriz). Ela desconfia que ele quer matá-la e, para ressaltar isso, Hitch cria alguns momentos antológicos, como Grant subindo a escada com o copo de leite, cuja iluminação, através de um truque, chama a atenção do espectador diretamente para ele. Onde ver: DVD, Belas Artes a la Carte, Looke.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Samson Raphaelson, Joan Harrison e Alma Reville, baseado em romance de Anthony Berkeley. Elenco: Cary Grant, Joan Fontaine, Cedric Hardwicke.

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8 – DUMBO (Dumbo)

Depois que os ambiciosos Pinóquio e Fantasia não foram bem nas bilheterias, Walt Disney apostou em um longa mais simples e infantil, basicamente uma Silly Symphony estendida. Dumbo é isso, uma fantasia leve e sentimental de um elefantinho desprezado por ter orelhas imensas, mas que uma hora descobre que consegue voar por causa delas. Funciona bem demais e ainda tem aquela cena pré-psicodélica do delírio dos elefantes rosa, provocado por um porre. Onde ver: DVD, blu-ray, Disney +.
Estados Unidos. Direção: Ben Sharpsteen (supervisão), Samuel Armstrong (sequência), Norman Ferguson (sequência), Wilfred Jackson (sequência), Jack Kinney (sequência), Bill Roberts (sequência), John Elliott (não creditado). Roteiro: argumento de Joe Grant e Dick Huemer, com desenvolvimento de história de Bill Peet, Aurelius Bataglia, Joe Rinaldi, Vernon Stallings e Webb Smith, com direção de história de Otton Englander, baseado em livro de Helen Aberson e Harold Pearl. Vozes na dublagem original: Edward Brophy, Cliff Edwards, Sterling Holloway, Verna Felton.

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7 – O DIABO E A MULHER (The Devil and Miss Jones)

O diabo é um magnata tão rico que nem lembra que é dono também de uma loja de departamentos. A mulher é a
Srta. Jones, uma funcionária da loja, do setor de sapatos. Quando ele se emprega lá secretamente para descobrir quem está liderando protestos dos trabalhadores contra o dono, por melhores condições de trabalho, ela acolhe o “novato”. E o patrão acaba vendo na pele os problemas de seus funcionários. Um dos vários filmes da época sobre as questões trabalhistas, aqui ancorado em elenco sólido e ótimos roteiro e direção. Onde ver: DVD digipack Comédias Clássicas.
Estados Unidos. Direção: Sam Wood. Roteiro: Norman Krasna. Elenco: Jean Arthur, Charles Coburn, Robert Cummings, Spring Byington, Edmund Gwenn, S.Z. Sakall.

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6 – COMO ERA VERDE MEU VALE (How Green Was My Valley)

Na virada do século, no País de Gales, o cotidiano de uma família onde pai e filhos, assim como toda a vila, trabalham na mina local. A história é vista em retrospectiva pelo filho mais novo, já adulto. De novo John Ford alia a força dos laços familiares a um trama sobre a vida e desafios dos trabalhadores. Nostálgico e sentimental, mais até do que o normal para o diretor, que de novo compõe belas imagens míticas. Onde ver: DVD, YouTube (dublado), YouTube (som original, com legendas).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Philip Dunne, baseado no romance de Richard Llewellyn. Elenco: Walter Pidgeon, Maureen O’Hara, Roddy McDowall, Sarah Allgood, Anna Lee, Donald Crisp, Barry Fitzgerald.

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5 – AS TRÊS NOITES DE EVA (The Lady Eve)

Barbara Stanwyck em estado de graça com uma golpista que tem um jovem e ingênuo milionário (Henry Fonda) na mira durante uma viagem de navio. Só que ela se apaixona de verdade por ele, mas ele descobre a farsa inicial e a despreza. Tempos depois, ela consegue a oportunidade de se vingar, reaparecendo na mansão da família dele como uma lady inglesa. Grande comédia, cheia de idas e vindas, num ano especial tanto para Barbara quanto para o diretor Preston Sturges. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção: Preston Sturges. Roteiro: Preston Sturges e Monckton Hoffe, baseado em peça de Hoffe. Elenco: Barbara Stanwyck, Henry Fonda, Charles Coburn.

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4 – ADORÁVEL VAGABUNDO (Meet John Doe)

Um Frank Capra em ótima forma, mais uma vez em seus temas humanistas. A abertura já é sensacional: o jornal que troca de direção, simbolizado pela placa original sendo retirada à britadeira, com close na expressão “free press” sendo detonada letra por letra. Em seguida, o garoto que sai da sala do novo editor e “convida” os jornalistas da vez a serem demitidos simplesmente apontando o dedo, fazendo um assovio e o gesto de garganta cortada. Barbara Stanwyck é um deles, mas vira o jogo quando inventa, em sua última coluna, um desempregado em desespero que afirma que vai se atirar de um prédio em protesto contra a as condições sociais no país. A repercussão a faz não só recuperar seu emprego, mas manter a farsa junto com o jornal, encontrando no pobretão vivido por Gary Cooper alguém para personificar o “João Ninguém” fictício. Surge um movimento social que os poderosos não demoram a querer manipular. Onde ver: DVD, YouTube.
Estados Unidos. Direção: Frank Capra. Roteiro: Robert Riskin, com contribuições aos diálogos de Myles Connolly, de um argumento de Richard Connell e Robert Presnell Sr. Elenco: Gary Cooper, Barbara Stanwyck, Walter Brennan.

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3 – CONTRASTES HUMANOS (Sullivan’s Travels)

Preston Sturges faz um belo tributo a seu gênero de ofício, a comédia, na trama do diretor de cinema que faz muito sucesso divertindo as plateias com seus filmes, mas que acha que, naquele momento de crise nos EUA, precisa dizer algo importante: quer fazer um épico dramático sobre os desvalidos. Mas o que ele sabe sobre ser pobre? Resolve, então, passar alguns dias vivendo como um dos inúmeros sem teto que vagam pelo país. Sturges surpreendentemente vai da comédia rasgada ao drama e, através do drama, mostra a importância da comédia. Onde ver: DVD.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Preston Sturges. Elenco: Joel McCrea, Veronica Lake, Robert Warwick.

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2 – RELÍQUIA MACABRA ou O FALCÃO MALTÊS – RELÍQUIA MACABRA (The Maltese Falcon)

Estreia na direção de John Huston e estreia também do filme noir como gênero. Huston pescou o livro de Dashiell Hammet dos direitos de adaptação que a Warner já tinha (e que já havia filmado duas vezes) e construiu uma narrativa direta como o próprio detetive Sam Spade, que podia até podia até estar de caso com a mulher do sócio, mas não ia deixar barato o assassinato dele. Desvendar o crime implica em se envolver na caçada internacional de uma turma de golpistas por uma estatueta lendária, histórica e de ouro. George Raft declinou do papel principal porque achou que o filme não tinha importância. Mas ele acabou se revelando feito do “material do que são feitos os sonhos”. Onde ver: DVD, blu-ray, Apple TV.
Estados Unidos. Direção e roteiro: John Huston, baseado em romance de Dashiell Hammett. Elenco: Humphrey Bogart, Mary Astor, Peter Lorre, Sydney Greenstreet.

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1 – CIDADÃO KANE (Citizen Kane)

Consagrado através dos anos como “o mais importante filme já feito”, muito do que era um compêndio de revoluções narrativas em Cidadão Kane já foi absorvido, reprocessado e subvertido pelo próprio cinema. O que fica é a arte maravilhosa de contar uma história, começando pela opção de começar pela morte do protagonista, para depois resumir sua vida e então ver o que está por trás dos fatos pelos depoimentos de quem o conheceu. Mas também pela disposição feroz de fazer cada cena algo inspirado, criativo, inteligente. Orson Welles e seus colaboradores (principalmente o co-roteirista Herman J. Maniewicz e o diretor de fotografia Gregg Toland) buscaram ferozmente soluções imaginativas. Planos-sequência (com vários planos dentro do plano), profundidade de campo (combinando megacloses e personagens minúsculos ao fundo, criados na câmera ou combinados com projeção de fundo), o uso expressivo do forte contraste entre luz e sombra, os pontos de vista de baixo pra cima, o humor de comédia maluca alternando com o melodrama. Uma maravilha na qual em cada segundo há algo para se comentar: do “Proibida a entrada” do começo ao “Proibida a entrada” do final. Onde ver: DVD, blu-ray, Telecine Play, Google Play, YouTube Filmes, Looke, Microsoft Store, Apple TV.
Estados Unidos. Direção: Orson Welles. Roteiro: Herman J. Mankiewicz e Orson Welles. Elenco: Orson Welles, Joseph Cotten, Everett Sloane, Dorothy Comingore, Agnes Moorehead.

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* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente. Esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS DE MELHORES:

2. ‘BEGIN THE BEGUINE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Eleanor Powell e Fred Astaire. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Cole Porter.

Às vezes, tudo o que é preciso é um casal incrível e uma grande música. Eleanor Powell, a melhor entre as mulheres, e Fred Astaire, o melhor entre os homens, só se encontraram em um filme, esse filme. E nem é um filme muito bom, não deve estar nem entre os 50 melhores musicais da MGM. Quase tudo de Melodia da Broadway de 1940 poderia ser descartado, menos (e jamais!) as cenas em que Fred e Eleanor trocam passos, olhares, sorrisos, carisma e talento puro. Já vimos uma dessas cenas (a cena da jukebox) nessa lista, mas essa daqui é inigualável. Eles não cantam. Não há cenário, além de um palco basicamente vazio e escuro, com umas luzinhas e um espelho ao fundo, e com um chão que os reflete. Nem é uma dança romântica como as de Fred e Ginger. Eles até fazem isso em outro momento, mas aqui Fred e Eleanor são mais é espelhos um do outro, se convidam, se desafiam. Fazem tudo o que fazem em dois únicos e impressionantes planos-sequência. Por 46 segundos, nem de música precisam: ela é cortesia unicamente do ritmo e da velocidade dos pés da dupla. Que gigantes! E olhe que Eleanor nem gostava de sapateado no início da carreira, teve que aprender a contragosto. Esse número é para se revisto várias vezes: olhando o conjunto, depois só os pés, depois só as mãos, depois só os rostos… E até prestando atenção no reflexo ao fundo, que mostra de costas os dois dançando. Quando esse número é apresentado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), Frank Sinatra o introduz dizendo: “Vocês nunca vão ver algo assim de novo”. E ele estava absolutamente certo.

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5. ‘PICK YOURSELF UP’, de Ritmo Louco (1936)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Música de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Os personagens de Fred usaram desse truque muitas vezes. Fingia que tinha dois pés esquerdos, fazia a garota ensinar uns passos de dança para se aproximar dela e, no meio da aula – zás! – ele mostrava tudo o que sabia. Aqui, ele se revela para ajudar a moça, professora prestes a ser despedida da escola de dança. “Como era mesmo aquele passo que estava me ensinando? Ah, sim”, ele pergunta, na frente do dono do lugar. E o show começa. É a quintessência de Fred e Ginger: leves, charmosos, com uma química fundamental entre eles, como uma extensão natural um do outro, tirando onda ao caminhar de braços dados no meio da música, fazendo tudo parecer extremamente fácil e natural. E aquela saída fantástica dos pulinhos sobre as cerquinhas. Antes, quando ele levou uns bons tombos com ela, Ginger havia cantado o conselho: “Pick yourself up, dust yourself off”, que poseríamos traduzir com o nosso “levanta, sacode a poeira”.

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9. ‘DANCING IN THE DARK’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Na história de A Roda da Fortuna, os personagens de Fred Astaire e Cyd Charisse se estranham de cara. Ele, um sapateador; ela, uma bailarina clássica; ambos colocados lado a lado para estrelarem um pretensioso musical da Broadway. Este é o momento no qual eles finalmente entram em sintonia. Sem uma única palavra (falada ou cantada), em um Central Park de estúdio. Não pelo diálogo, não pela canção: a comunicação e o entendimento vem exclusivamente através da dança, em um dos mais belos duetos de movimento da história do cinema.

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Ritmo Louco

Fred Astaire e Ginger Rogers em “Ritmo Louco”

20. ‘OVER THE RAINBOW’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Judy Garland. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Uma das canções definitivas do cinema americano, com Judy no papel para o qual a Metro queria Shirley Temple. Ainda no Kansas tão sem graça que é fotografado em sépia, a menina Dorothy sonha com algum lugar mais colorido (que ela conhecerá após o furacão que a levará “além do arco-íris”). Não precisa muito para criar um momento eterno: é Judy cantando, com seu ar de quem precisa de proteção, e apenas com Totó de plateia.

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19. ‘FRIEND LIKE ME’, de Aladdin (1992)
Com Robin Williams. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Escalar Robin Williams como o Gênio de Aladdin foi um jogada de mestre. O comediante improvisou a valer, em imitações, vozes e diálogos. E deu um show na interpretação desta música introdutória de seu personagem. O que inspirou os animadores a também darem um show para acompanhar sua interpretação. É tão fantástico que a versão live action de 2019, com todo o CGI à disposição, simplesmente não consegue acompanhar.

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18. ‘BROADWAY RHYTHM BALLET’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly, Cyd Charisse e elenco. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

“Gotta dance!”. Ao modo do que Sinfonia de Paris fez um ano antes, Cantando na Chuva também reservou um grande balé para perto do seu final. É quase um curta-metragem dançado dentro do filme. No caso, é a imaginação de um número para o filme-dentro-do-filme: um dançarino que tenta começar na Broadway e sua escalada ao sucesso, tendo, no caminho, o encontro com uma sedutora mulher que é namorada de um gangster. Para o número, foi escalada a monumental Cyd Charisse, bailarina que fazia pequenos papeís na MGM. Com pernas intermináveis, este número a catapultou para o primeiro time dos musicais do estúdio. E já estava demorando.

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17. ‘CHEEK TO CHEEK’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Canção de Irving Berlin.

Este talvez seja o momento mais icônico da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. Apareceu em momentos capitais, por exemplo, de A Rosa Púrpura do Cairo (1985) e À Espera de um um Milagre (1999). Muito se fala sobre essa cena, inclusive que Fred odiava esse vestido de Ginger, que ela insistiu em usar, porque as penas o faziam espirrar e se soltavam durante a dança. Ginger acabou ganhando o apelido sacana de “Feathers”, mas a a magia da dança no cinema é isso aí: fazer o difícil parecer sublime. “Anjos… Eles são como anjos no céu”, diz sobre eles o personagem de À Espera de um Milagre.

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16. ‘LET’S CALL THE WHOLE THING OFF’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers tinham sotaques diferentes. E escreveu com irmão letrista Ira uma canção especialmente para brincar com isso. “You say ‘eether’, and I say ‘eyether'”, “You say ‘tomayto’, and I say ‘tomahto'” e por aí vai. Já é uma obra-prima, mas ainda tem a parte da dança, esse impressionante dueto… sobre patins! Número que, fora os ensaios, levou mais 150 takes. No fim, na cena em que os dois se estabanam na grama falsa, Fred e Ginger já estavam mesmo com tudo doendo de tanto repetirem a cena.

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15. ‘AN AMERICAN IN PARIS BALLET’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly, Leslie Caron é elenco. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Música de George Gershwin.

Sapatinhos Vermelhos pegou fundo em Gene Kelly. Ele usou o recurso de um grande como clímax já no ano seguinte, em Um Dia em Nova York. Usaria também, ainda mais elaborado, em Cantando na Chuva. E, entre eles, aqui: um ponto de inflexão em sua carreira como astro e como coreógrafo. Seu personagem é pintor e, neste delírio quando perde a mulher amada, ele entra literalmente dentro de obras de pintores franceses famosos.

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14. ‘SUPERCALIFRAGILISTICEXPIALIDOCIOUS’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews e Dick van Dyke. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

A palavra para se dizer quando não se sabe o que dizer. Dentro de um mundo de desenho animado, Mary Poppins e Bert cantam e dançam com os desenhos, no estilo dos números musicais no teatro de 1910. É uma canção antológica, que ficou em 36º lugar na eleição das 100 canções do cinema americano pelo American Film Institute. É um trava-língua indo e voltando: Julie Andrews diz a palavra de trás pra frente em um momento (e já mostrou que ainda consegue fazê-lo).

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13. ‘DIAMONDS ARE A GIRL’S BEST FRIEND’, de Os Homens Preferem as Louras (1953)
Com Marilyn Monroe. Direção: Howard Hawks. Coreografia: Jack Cole. Canção de Jule Styne e Leo Robin.

1953 foi o ano em que Marilyn explodiu para o mundo. E este permanece até hoje seu número-assinatura: no filme, ela se apresenta para uma plateia, mas também manda um recado irônico para o ex-noivo. É icônico, uma referência visual e auditiva para sempre. Não por acaso, foi citado no clipe de “Material girl”, da Madonna, e nos filmes Moulin RougeAves de Rapina.

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12. ‘YOU’RE ALL THE WORLD TO ME’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Dançando, Fred Astaire era capaz de tudo: até de subir pelas paredes. Nem a gravidade era páreo para ele. Num efeito especial genial ainda hoje, Fred dança nas paredes e no teto de um quarto. Por muito tempo cinéfilos se perguntaram como foi feito. O segredo é que o quarto inteiro girava e a câmera girava junto. Astaire usava a perícia para acompanhar a rotação. Esse exemplo antológico do artesanato do cinema foi usado recentemente com a mesma técnica em A Origem, por exemplo. Mas lembre-se que aqui estamos falando de 1951.

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11. ‘NEVER GONNA DANCE’, de Ritmo Louco (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: George Stevens. Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Dorothy Fields e Jerome Kern.

Fred quer Ginger, Ginger quer ir embora. Ele tenta reconquistá-la, primeiro, cantando. Então, eles estão juntos na pista de dança vazia. O que se segue é uma preciosidade. Do andar desalentado, evolui-se para a dança. Na dança, surgem passos que já foram trocados em momentos mais felizes no filme. É a dança contando a história, sem palavras. Uma dança espetacular em um plano sequência de 2 minutos e 30 segundos, que inclui uma subida de escada e a dança seguindo depois disso. Só há um corte, para um segundo plano, com os muitos giros de Ginger Rogers (que levou 47 takes em um dia e fez os pés de Ginger sangrarem).

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20 — O PÁSSARO AZUL (The Blue Bird)

A Metro quis Shirley Temple para estrelar O Mágico de Oz em 1939, e não conseguiu. A Fox, então, resolveu colocar a estrela mirim em sua própria aventura encantada. Já aos 12 anos, Shirley já não é mais tão novinha e faz um papel antipático. Não é Oz, longe disso, mas o filme marcou uma geração.
Estados Unidos. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Pacal, com Walter Bullocm (diálogos adicionais), baseado em peça de Maurice Maeterlinck. Elenco: Shirley Temple, Spring Byington, Nigel Bruce, Gale Sodeengard.

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19 — A VOLTA DE FRANK JAMES (The Return of Frank James)

O filme fantasia os eventos que teriam acontecido após o assassinato do lendário Jesse James, pelas costas, por homens de seu bando. O irmão Frank sai de seu esconderijo para vingar a morte. É uma continuação de Jesse James (1939), inclusive abrindo com a cena da morte do filme anterior, e vários atores reprisando seus papéis, inclusive Henry Fonda. Lang, bem ajustado aos filmes B americanos, está bem longe de seus dias no Expressionismo Alemão. 
Estados Unidos. Direção: Fritz Lang. Roteiro: Sam Hellman. Elenco: Henry Fonda, Gene Tierney, Jackie Cooper, Henry Hull, John Carradine.

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18 — PICA-PAU ATACA NOVAMENTE (Knock, Knock)

Apesar do título brasileiro falar em novo ataque, essa é a estreia do Pica-Pau, na série do Andy Panda, apenas como uma dor de cabeça ocasional para o pai do ursinho. O personagem ainda nem tinha nome. Seu comportamento alucinado garantiu a ele protagonizar um novo curta no ano seguinte (Pica-Pau Biruta, em que enlouquece um psiquiatra) e o resto é história.
Estados Unidos. Direção: Walter Lantz e Alex Lovy (não creditados). Roteiro: Lowell Elliot e Ben Hardaway. Vozes na dublagem original: Sara Berner, Mel Blanc.

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Wild Hare

17 — COELHO SELVAGEM (A Wild Hare)

Outro curta com uma estreia muito importante: aqui, o Pernalonga surge definido, após alguns protótipos terem aparecido em desenhos anteriores. O coelho subverte a caçada de Hortelino com todos os truques que aprimoraria nos anos seguintes. Pela primeira vez, ele diz o célebre “O que é que há, velhinho?”.
Estados Unidos. Direção: Tex Avery. Roteiro: Rich Hogan. Vozes na dublagem original: Mel Blanc, Arthur Q. Bryan.

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Melodia da Broadway de 1940 - 03

16 — MELODIA DA BROADWAY DE 1940 (Broadway Melody of 1940)

Não é um dos mais inspirados musicais da Metro, mas aconteceu de unir os dois melhores em seu ofício. Fred Astaire e Eleanor Powell, dois gênios absolutos, o melhor dançarino e a melhor dançarina do cinema, se encontraram na tela e entregaram juntos pelo menos dois momentos antológicos. “Jukebox’s dance” e “Begin the beguine” entram em qualquer antologia séria da dança no cinema.
Estados Unidos. Direção: Norman Taurog. Roteiro: Leon Gordon e George Oppenheimer, história original de Jack McGowan e Dore Schary, contribuições não creditadas de Preston Sturges, Walter DeLeon, Vincent Lawrence, Albert Mannheimer, Eddie Moran, Thomas Phipps e Sid Silvers. Elenco: Fred Astaire, Eleanor Powell, George Murphy, Frank Morgan.

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Ponte de Waterloo

15 — A PONTE DE WATERLOO (Waterloo Bridge)

Depois de …E o Vento Levou, Vivien Leigh estrelou esse melodrama que volta aos dias da I Guerra: ela é uma bailarina que se apaixona por um oficial. Tudo vai bem, mas ela perde o emprego e acha que ele morreu em combate. Sem dinheiro e esperança, acaba se tornando prostituta. Refilmagem de um filme de 1931, parece datado na maneira como trata a prostituição (ninguém ousa dizer o nome). Mas, bem, o filme se passa nos anos 1910. Vivien é absolutamente hipnotizante e Robert Taylor é um dos atores mais bonitos que o cinema já viu.
Estados Unidos. Direção: Mervyn LeRoy. Roteiro: S.N. Behrman, Hans Rameau e George Foerschel, baseado em peça de Robert E. Sherwood. Elenco: Vivien Leigh, Robert Taylor, Virginia Field, Lucile Watson, Maria Ouspenskaya.

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Bichano em Maus Lençóis

14 — UM BICHANO EM MAUS LENÇÓIS ou UM GATO TRAVESSO (Puss Get the Boot)

Esse curta é a estreia de dois dos personagens mais amados e de maior sucesso dos desenhos animados: Tom & Jerry. Aqui, ainda sem seus nomes definitivos: Tom é chamado de Jasper, e Jerry nem tem seu nome mencionado. Mas a dinâmica já está toda aí: com o camundongo aproveitando que a dona mandou o gato não fazer bagunça para fazer da vida do bichano um inferno.
Estados Unidos. Direção e roteiro: William Hanna e Joseph Barbera. Voz na dublagem original: Lillian Randolph.

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13 — A CARTA (The Letter)

Bette Davis já surge em cena descarregando uma arma em um infeliz. Depois disso, ela se justifica para o marido e o advogado, mas sua história é ameaçada pela notícia de que há uma carta comprometedora. Wyler mostra sua perícia com a câmera e o uso da luz para contar esse dramão de crime e castigo.
Estados Unidos. Direção: William Wyler. Roteiro: Howard Koch, baseado na peça de W. Somerset Maughan. Elenco: Bette Davis, Herbert Marshall, James Stephenson, Gale Sondergaard.

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12 — VOCÊ DEVIA ESTAR NO CINEMA (You Ought to Be in Pictures)

Patolino convence Gaguinho a romper seu contrato de desenho animado com a Warner e tentar ser ator no cinema. Isso acontece numa divertida mistura de personagens animados em cenários reais, com o produtor Leon Schlesinger interpretando a si mesmo, e o roteirista Michael Maltese como um guarda de estúdio.
Estados Unidos. Direção: Friz Freleng. Roteiro: Jack Miller. Elenco: Leon Schlesinger, Michael Maltese. Voz na dublagem original: Mel Blanc.

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Correpondente Estrangeiro11 — CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO (Foreign Correspondent)

O segundo filme de Alfred Hitchcock em Hollywood é um suspense de espionagem já sobre a II Guerra (os EUA estavam ainda fora do conflito, mas a Inglaterra natal do diretor estava dentro). É daqui a grande cena do avião que cai no mar e acompanhamos a queda de dentro da cabine até a água entrar.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Charles Bennett e Joan Harrison, com diálogos de James Hilton e Robert Benchley, e contribuições de Ben Hecht (não creditado) e Richard Maibaum (não creditado). Elenco: Joel McCrea, Laraine Day, Herbert Marshall, George Sanders, Robert Benchley, Edmund Gwenn.

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Marca do Zorro10 — A MARCA DO ZORRO (The Mark of Zorro)

Tyrone Power estrela a versão 1940 do herói da literatura que já havia tido uma adaptação antológica no cinema mudo (em 1920, com Douglas Fairbanks). Bem produzida, ágil, é um grande representante do gênero capa-e-espada. Tem um grande herói, um baita vilão (Basil Rathbone) e uma mocinha das mais deslumbrantes (Linda Darnell, aos 16 anos nas filmagens). O duelo final é antológico.
Estados Unidos. Direção: Rouben Mamoulian. Roteiro: John Taintor Foote, com adaptação de Garret Fort e Besse Meredyth para o romance seriado de Johnston McCulley. Elenco: Tyrone Power, Linda Darnell, Basil Rathbone, Gale Sondergaard.

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Sr Pato Sai de Casa

9 — O SR. PATO SAI DE CASA ou DONALD ADORA DANÇAR (Mr. Duck Steps Out)

O curta da Disney mostra Donald e seus três sobrinhos em um inusitado duelo quando o pato visita a namorada. O desenho estabelece de vez a personagem da Margarida, que aqui ganha seu nome. Tem aquele momento safadinho em que, no sofá, ela dá aquela afastada no pato saidinho, mas o chama com o rabinho. Clarence Nash faz todas as vozes (inclusive a da Margarida).
Estados Unidos. Direção: Jack King. Roteiro (não creditados): Carl Barks, Chuck Couch, Jack Hannah, Harry Reeves, Milt Schaffer e Frank Tashlin. Voz na dublagem original: Clarence Nash.

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Loja da Esquina8 — A LOJA DA ESQUINA (The Shop Around the Corner)

A comédia romântica de Lubitsch se passa em uma loja de presentes em Budapeste, com algumas tramas, sendo a principal a do casal de vendedores que vive às turras, mas que, sem saber, são apaixonados um pelo outro. É que eles trocam cartas de maneira anônima. A combinação da direção com os ótimos James Stewart e Margaret Sullavan é perfeita. O filme originou o também bem bom Mensagem para Você, em 1998, já no mundo dos e-mails.
Estados Unidos. Direção: Ernst Lubitsch. Roteiro: Samson Raphaelson, com colaboração de Ben Hetch (não creditado), baseado em peça de Miklós László. Elenco: Margaret Sullavan, James Stewart, Frank Morgan, Joseph Schildkraut.

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Grande Ditador

7 — O GRANDE DITADOR (The Great Dictator)

Chaplin usou música e algumas falas pontuais em seus dois filmes anteriores, mas este é o seu primeiro falado para valer. E ele não desperdiçou sua voz. De um lado há um barbeiro judeu (o último filme de Carlitos?) em um gueto. Do outro, o ditador que parodia Hitler. Na primeira cena, o ditador ridículo discursa histrionicamente num alemão inventado. Na última, o barbeiro que foi parar no lugar do ditador faz o maior discurso pela paz e humanismo no cinema. É bom lembrar que a guerra já estava comendo no centro na Europa e os EUA ainda nem aí.
Estados Unidos. Direção e roteiro: Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goddard, Jack Oakie.

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Núpcias de Escândalo6 — NÚPCIAS DE ESCÂNDALO (The Philadelphia Story)

A primeira cena é de antologia. Cary Grant sai pela porta em direção ao carro. Atrás dele, vem Katharine Hepburn, flutuando, com seus tacos de golfe. Ao chegar perto, os solta no chão. E, com aquela cara de satisfação, parte um dos tacos ao meio. É quando sabemos que estamos assistindo a uma separação. A história começa mesmo quando ela vai casar de novo, o ex reaparece com um repórter e uma fotógrafa de uma revista de fofocas para embaralhar o negócio. Uma comédia de erros de Cukor é cheia de maus entendidos, paixões que vêm e vão, falsas premissas. O elenco é incrível, mas o show é de Kate Hepburn: a peça na Broadway foi escrita para ela; ela comprou os direitos para o cinema; ela apostou no material para reerguer sua carreira em Hollywood, que andava em baixa. Deu certíssimo.
Estados Unidos. Direção: George Cukor. Roteiro: Donald Ogden Stewart, com colaboração de Waldo Salt (não creditado), baseado em peça de Philip Barry. Elenco: Katharine Hepburn, Cary Grant, James Stewart, Ruth Hussey, John Howard.

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Rebecca5 — REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (Rebecca)

A estreia de Hitchcock em Hollywood foi um duelo entre ele e o produtor David O. Selnick pelo controle criativo do filme. A história é a da jovem que se casa com um aristocrata, mas a presença da primeira mulher morta na propriedade é sufocante além da conta. Rebecca é o nome até do próprio filme, a pobre nova Senhora De Winter nem nome tem na história.
Estados Unidos. Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Robert E. Sherwood e Joan Harrison, com adaptação de Philip MacDonald e Michael Hogan para o romance de Daphne Du Maurier. Elenco: Joan Fontaine, Laurence Olivier, Judith Anderson, George Sanders.

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Fantasia

4 — FANTASIA (Fantasia)

Walt Disney pensou bem grande ao conceber Fantasia: um filme-concerto, com curtas animados inspirados em peças da música clássica. E a ideia ainda era ir relançando o filme anualmente, trocando alguns segmentos a cada vez. Não deu porque o filme não foi bem de bilheteria, mas ele acabou encontrado seu público e status de obra de arte ao ser relançado. É a silly symphony definitiva, que vai do Mickey aprendiz de feiticeiro à uma representação ambiciosa do começo da vida na Terra.
Estados Unidos. Direção: James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe Jr., Norman Ferguson, David Hand, Jim Handley, T. Hee, Wilfred Jackson, Hamilton Luske, Bill Roberts, Paul Satterfield e Ben Sharpsteen. Roteiro: Joe Grant e Dick Huemer (diretores de história), Lee Blair, Elmer Plummer, Phil Dike, Sylvia Moberly-Holland, Norman Wright, Albert Heath, Bianca Majolie, Graham Heid, Perce Pearce, Carl Fallberg, William Martin, Leo Thiele, Robert Sterner, John McLeish, Otto Englander, Webb Smith, Erdman Penner, Joseph Sabo, Bill Peet, Vernon Stallings, Campbell Grant, Arthur Heinemann e Phil Dike. Elenco: Deems Taylor, Leopold Stokowski.

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Pinóquio - 023 — PINÓQUIO (Pinocchio)

A animação em Pinóquio é, 80 anos após seu lançamento, de cair o queixo. O conto moral infantil que ainda cala fundo no imaginário coletivo, sobre amor paterno, fadas e os perigos das mentiras e do mundo, é embalado por imagens lindamente confeccionadas, movimentos de câmera elaborados e momentos impactantes (a impressionante aparição da baleia Monstro, a assustadora sequência dos meninos se transformando literalmente em burros).
Estados Unidos. Direção: Hamilton Luske e Ben Sharpsteen (supervisores), Norman Ferguson, T. Hee, Wilfred Jackson, Jack Kinney, Bill Roberts. Roteiro: Ted Sears, Otto Englander, Webb Smith, William Cottrell, Joseph Sabo, Erdman Penner, Aurelius Battaglia, com colaboração não creditada de Bill Peet e Frank Tashlin, baseado em livro de Carlo Collodi. Vozes na dublagem original: Dickie Jones, Cliff Edwards, Christian Rub, Evelyn Venable, Charles Judels. Vozes na dublagem brasileira de 1940: Doraldo Thompson, Mesquitinha, Baptista Junior, Zezé Fonseca. Vozes na dublagem brasileira de 1965: Carlos Alberto Mello, Ênio Santos, Luis Motta, Selma Lopes.

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Jejum de Amor2 — JEJUM DE AMOR (His Girl Friday)

A Primeira Página é uma peça onde os dois personagens principais são um editor de jornal e seu repórter que quer largar o emprego para se casar, mas é empurrado para a cobertura de um preso à beira da execução. Howard Hawks contava que, lendo diálogos numa festa com uma amiga, sacou que ficava muito melhor se um dos personagens fosse uma mulher. E, assim, a peça ganhou sua segunda adaptação para o cinema, na qual “o” repórter passava a ser “a” repórter. Cary Grant e Rosalind Russell, além de parceiros profissionais, agora também seriam ex-casados. À tensão romântica, Hawks ainda acrescentaria o modo de metralhar os diálogos. Rapidíssimos e sobrepostos, com uma técnica ensaiada onde o espectador não ficaria sem entender nada importante, e ainda abertos aos improvisos dos atores, são um marco na maneira de atuar no cinema. E, claro, é muito engraçado.
Estados Unidos. Direção: Howard Hawks. Roteiro: Charles Lederer, com colaboração de Ben Hecht (não creditado) e diálogos adicionais de Morrie Ryskind (não creditado), baseado na peça de Hecht e Charles MacArthur. Elenco: Cary Grant, Rosalind Russell, Ralph Bellamy, Gene Lockhart, Cliff Edwards.

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The Grapes Of Wrath - 1940

1 — VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath)

A saga de uma família americana que é expulsa de sua terra por ricos proprietários e atravessa o país até a Califórnia em busca de trabalho digno em plantações. A miséria nos Estados Unidos durante a Grande Depressão viajou da prosa premiada de John Steinbeck para a narrativa de um cineasta maravilhoso, John Ford. Ele conta esse épico da pobreza, que avança com a formação da consciência social do filho mais velho da família, vivido por Henry Fonda, a respeito de uma sociedade que se vende como justa, mas massacra os pobres com violência, discriminação e mesquinharia. Ganhou os Oscars de direção e atriz coadjuvante (para Jane Darwell, a comovente mãe do clã).
Estados Unidos. Direção: John Ford. Roteiro: Nunnally Johnson, baseado em romance de John Steinbeck. Elenco: Henry Fonda, Jane Darwell, John Carradine, Charley Grapewin, Dorris Bowdon, Ward Bond.

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ATUALIZAÇÕES:

11/2/2021: A lista passa de 15 filmes para 20. Os cinco novos filmes são: O Pássaro Azul (20º), A Volta de Frank James (19º), Pica-Pau Ataca Novamente (18º), A Carta (13º), Você Devia Estar no Cinema (12º). Coelho Selvagem foi de 14º para 17º. Melodia da Broadway de 1940 foi de 15º para 16º. A Ponte de Waterloo, de 13º para 15º. Um Bichando em Maus Lençóis, de 12º para 14º. Correspondente Estrangeiro, de 10º para 11º. A Marca do Zorro, de 9º para 10º. O Sr. Pato Sai de Casa, de 11º para 9º.

* Esta é uma lista pessoal. Com 100% de certeza, você não vai concordar com 100% dela. Tudo bem — eu gostaria de saber a sua lista, que filmes você tiraria e quais incluiria (me diga nos comentários!). Outra coisa: a percepção sobre os filmes mudam com o tempo. Esta é a minha percepção agora, limitada ao que vi, naturalmente — esta lista pode mudar à medida em que for revisitando alguns filmes ou assistir a outros que ainda não conheço deste ano específico.

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OUTRAS LISTAS:

Grease - Nos Tempos da Brilhantina -21

John Travolta em “Grease — Nos Tempos da Brilhantina” (1978)

40. ‘42ND STREET’, de Rua 42 (1933)
Com Ruby Keeler, Dick Powell e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

Depois de uma introdução com Ruby Keeler sozinha no palco, o número começa para valer: a vida na feérica Rua 42 de Nova York é encenada musicalmente, com sua agitação, seu balançado e até suas tragédias humanas. Tudo com a brilhante coreografia de Busby Berkeley.

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39. ‘MY OLD KENTUCKY HOME’, de A Mascote do Regimento (1935)
Com Bill “Bojangles” Robinson e Shirley Temple. Direção: David Butler. Música de Stephen Foster.

Histórico: pela primeira vez um par formado por um homem negro e uma mulher branca dançam juntos no cinema. Esse tabu racista foi quando o ás do sapateado Bill “Bojangles” Robinson, 57 anos, estende a mão para a estrelinha mirim Shirley Temple, 7 anos, e eles sobem e descem os degraus de uma escada de mãos dadas. A dança nos degraus eram uma marca pessoal de Robinson e, nesta cena, ele ensina Shirley a dançar como ele. E ela é uma ótima aluna.

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38. ‘DENTIST!’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Steve Martin, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Howard Ashman e Alan Menken.

Qual seria o emprego ideal para um sádico? Para este filme, a resposta é óbvia: dentista! Steve Martin deita e rola nesta participação especial, fazendo sofrer pacientes e enfermeiras, em um número hilariante e cruel.

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37. ‘SUNDAY JUMPS’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Música de Burton Lane.

Astaire não era só um dançarino. Era praticamente um músico com os pés. Aqui, além da noção impressionante de ritmo, que ele mostra na prática, ainda tem um de seus momentos antológicos: ele dança com um guarda-chapéus e, como disse Gene Kelly em Era uma Vez em Hollywood (1974), “como de costume, ele fez seu parceiro parecer ótimo”.

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36. ‘MOON RIVER’, de Bonequinha de Luxo (1961)
Com Audrey Hepburn. Direção: Blake Edwards. Canção de Henry Mancini e Johnny Mercer.

Em uma reunião de produção, alguém quis tirar essa canção do filme. Audrey Hepburn se levantou e disse: “Só por cima do meu cadáver”. Ela estava absolutamente certa. Sentada em sua janela, dedilhando um violão e observada pelo vizinho que logo estará apaixonado, Holly Golightly mostra um lado menos festeiro, mas encantador. A canção ganhou um Oscar e virou um ícone, associada para sempre à atriz.

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35. ‘NEW YORK, NEW YORK’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra e Jules Munshin. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Leonard Bernstein, Adolph Green e Betty Comden.

6 da manhã em Nova York. Marinheiros saem em disparada de seu navio loucos para aproveitar suas 24 horas de folga em Manhattan. Nossos três protagonistas não perdem tempo e, num tempo em que os filmes eram sempre rodados dentro do estúdio, eles cantam sua canção nas locações reais da cidade (atenção: não é a mesma “New York, New York” do filme do Scorsese de 1977, que depois virou ícone como parte do repertório de Frank Sinatra). As cenas em locação eram raríssima na época, mas Gene Kelly e Stanley Donen fizeram questão. E os marinheiros vão fazendo planos do que vão aprontar por lá, entre visitar pontos turísticos e arranjar namoradas. Afinal, “New York, New York: it’s a wonderful town!”.

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34. ‘SUMMER NIGHTS’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com John Travolta, Olivia Newton-John, Barry Pearl, Dinah Manoff, Didi Conn, Jeff Conaway, Kelly Ward, Stockard Channing, Jamie Donnelly e Michael Tucci . Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A magia do musical: Olivia e Travolta estão separados, mas unidos pela canção. Eles, que se conheceram e se apaixonaram nas férias, agora estão na mesma escola, mas não sabem disso. Contam aos amigos como foi esse namoro (ele, particularmente, exagera ao contar vantagem). O “ele disse, ela disse” vai e volta para um e para outro, com suas versões do que rolou. Apenas uma sobreposição de imagens vai uni-los no final do dueto.

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33. ‘JUKEBOX DANCE’, de Melodia da Broadway de 1940 (1940)
Com Fred Astaire e Eleanor Powell. Direção: Norman Taurog. Coreografia: Bobby Connolly. Música de Walter Ruick.

Os personagens de Fred Astaire usaram esse truque mais de uma vez: fingir que não sabe dançar para que a moça o ensine e, aí, ele dá show. O encontro entre Fred, o melhor entre os homens, e Eleanor, a melhor entre as mulheres, só aconteceu neste filme. Como se pode ver neste número, que bom que este filme foi feito. Eleanor Powell era tão genial que até intimidava Astaire, que achava que ela talvez fosse melhor até do que ele.

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32. ‘THE GIRL HUNT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire e Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Música de Arthur Schwartz.

Uma criativa e espirituosa versão musical dos romances policiais de detetives particulares, com um Fred Astaire que resistia a experimentar coisas novas (segundo o coreógrafo Michael Kidd), mas que arrasou como sempre, e uma não menos do que esplêndida Cyd Charisse. O ponto alto é a investigação no nightclub, onde Fred e Cyd traduzem em passos e movimentos o jogo perigoso (mas animado) de sedução entre seus personagens.

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31. ‘MY FAVORITE THINGS’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Charmian Carr, Nicholas Hammond, Heather Menzies-Urich, Duane Chase, Angela Cartwright, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Oscar Hammerstein II e Richard Rodgers.

Na peça original, a canção que Maria canta para as crianças para afastar o medo da tempestade é “The lonely goatherd”. “My favorite things” é cantada em outro momento por Maria… e com a madre superiora! Foi o roteirista Ernst Lehmann que resolveu rearranjar a posição das canções e ele estava mais do que certo: “My favorite things” é o argumento ideal para afastar os maus pensamentos das crianças. Quando o filme foi feito, a canção já havia virado um clássico também do jazz, depois John Coltrane a gravou em 1961 no álbum homônimo.

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My Fair Lady - 12

Audrey Hepburn em “I could have dance all night”, de “My Fair Lady” (1964)

60. ‘FLESH FAILURES/ LET THE SUNSHINE IN’, de Hair (1979)
Com John DeRobertas, Grand L. Bush, Beverly D’Angelo, John Savage, Treat Williams, Don Dacus, Annie Golden, Cheryl Barnes e coro. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A apoteose do filme – em uma canção forte, que bate direto – mostra os soldados americanos indo para o Vietnã, jovens que marcham até serem engolidos pela completa escuridão representada pela entrada do avião militar. Quem canta, aparece primeiro como um anônimo que nem se identifica na multidão de soldados, até se aproximar da câmera. O drama adicional é do hippie que está lá por engano, tendo tomado o lugar do amigo para que este curtisse um último bom momento com a namorada antes de partir – mas não houve tempo para a troca ser desfeita. Essa troca é uma mudança do filme em relação à peça.

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59. ‘YOU’RE THE ONE THAT I WANT’, de Grease — Nos Tempos da Brilhantina (1978)
Com Olivia Newton-John e John Travolta. Direção: Randal Kleier. Coreografia: Patricia Birch. Canção de John Farrar.

A resolução final do romance entre os personagens de Olivia e Travolta, onde ele resolve ser mais certinho para ficar com ela, mas ela é que deixa de ser a boazinha absoluta para ficar com ele. Sobra carisma e química entre os dois.

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58. ‘AFTER YOU GET WHAT YOU WANT, YOU DON’T WANT IT’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Marilyn Monroe. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

Um dos grandes momentos de Marilyn nesse filme de grande elenco, que incluía Ethel Merman, Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. O número é uma apresentação para uma plateia, mas Marilyn, em ascensão no estrelato, domina a cena completamente. Não dá para tirar os olhos dela. Ainda mais nesse vestido.

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57. ‘EASTER PARADE’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Uma inversão no clichê de gênero: em vez do homem cantar para a garota, ela é quem o corteja. Judy chega a fazer Fred sentar no colo dela! É uma reconciliação, mas a personagem de Judy mostra aos poucos, com muito charme, que está tudo bem. A canção de Irving Berlin é uma delícia e na voz de Judy, é difícil ficar melhor. E tem esses passinhos na escada, no final, uma graça. Era Fred voltando à Metro e para ficar (substituindo aqui Gene Kelly, escalado para o filme, mas que havia quebrado o tornozelo) e Judy em seus últimos anos no estúdio: foi, infelizmente, o único filme em que contracenaram (os dois estiveram no elenco de Ziegfeld Follies, de 1945, mas o filme era em esquetes e eles não apareceram juntos na mesma cena).

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56. ‘ON THE TOWN’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen, Ann Miller e Betty Garrett. Direção: Gene Kelly, Stanley Donen. Canção de Rioger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Pela primeira vez no filme, o sexteto protagonista (os marinheiros e as namoradas que paqueram em suas 24 horas de folga em Nova York) estão juntos na mesma cena. O cenário é o alto do Empire State (de mentirinha, claro, no estúdio da Metro). O encontro não deixa por menos, com uma grande apresentação de humor e dança, com carisma para dar e vender. É o começo de uma grande noite.

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55. ‘FUNNY FACE’, de Cinderela em Paris (1957)
Com Fred Astaire e Audrey Hepburn. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Fred Astaire e Eugene Loring. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

E se Audrey Hepburn fosse contratada da Metro? Pode-se ter boa ideia aqui, nesse musical da Paramount, mas que tem na equipe boa parte da turma da MGM (incluindo o diretor e o astro Astaire). O resultado, na prática, um musical da Metro feito na Paramount. E um momento especial é este, com o fotógrafo vivido por Fred revelando seu trabalho com a livreira vivida por Audrey. A cena de música e a dança no quarto escuro, com o processo de revelação incluído na cena, é para rever mil vezes. Audrey foi bailarina na juventude e mostra toda sua graça aqui.

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54. ‘SHADOW WALTZ’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Dick Powell, Ruby Keeler e côro. Direção: Marvyn LeRoy. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Busby Berkeley parecia não ter limites. Em “Shadow waltz”, ele colocou dezenas de garotas com violinos em um cenário de plataformas curvas. Ao apagar as luzes, o contorno dos violinos se mostram iluminados e aí começam as evoluções, em círculo e até na forma de um violino gigante. Que criador de imagens marcantes ele foi!

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53. ‘THE SOUND OF MUSIC’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Após aquela “overture” pelas montanhas da Áustria e aquela tomada de tirar o fôlego de helicóptero se aproximando daquele pontinho que vira a Julie Andrews, segue-se uma declaração de intenções do filme: a fraulein Maria cantando seu amor pela música. Ainda não sabemos nada dela, mas já sabemos isso, o essencial que vai fazer diferença na vida de todos no filme. O filme também já mostra que não vai economizar nas paisagens embasbacantes.

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52. ‘YOU WERE MEANT FOR ME’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Gene Kelly e Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Arthur Freed e Nacio Herb Brown.

Don Lockwood, o ator vivido por Gene Kelly, quer declarar seu amor para Kathy Selden, a jovem atriz vivida por Debbie Reynolds. Mas diz que não consegue se não tiver o cenário adequado. Num estúdio, uma aulinha de mágica de Hollywood: luz do luar de um refletor, brisa noturna de ventiladores… E um dos mais bonitos números românticos do cinema. Debbie Reynolds penou nas mãos de Gene Kelly, um obcecado pela perfeição. Um dia, Fred Astaire a pegou chorando num canto da MGM e ela contou suas dificuldades. Então, ele ensaiou e deu dicas a ela. Como se vê aqui, ela aprendeu mais do que bem.

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51. ‘I COULD HAVE DANCED ALL NIGHT’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (voz de Marni Nixon). Direção: Geotge Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Logo depois de ‘The rain in Spain’, a pobre e inculta florista Eliza Doolittle está nas nuvens: finalmente mostrou que pode falar direito e potencial para ser uma dama, aos olhos de seu irascível professor. É levada pela governanta para dormir, mas quem conseguiria assim tão rápido? Durante todo o processo (subir escadas, trocar de roupa, se lavar), ela só canta que “poderia dançar a noite inteira”). Audrey, em um de seus pontos  mais altos em ser adorável.

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Hair - 03

Renn Woods em “Aquarius”, de “Hair” (1979)

70. ‘THE SHORTY GEORGE’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Fred Astaire, Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Xavier Cugat e sua orquestra. Direção: William A. Seiter. Direção de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Fred Astaire e Rita Hayworth tinham mesmo alguma coisa mágica entre eles. Basta a graça, a química entre eles, o bom humor e essa grande música para transformar esse número simples numa delícia de ver. Infelizmente o símbolo sexual impressionante que Rita se tornaria dali a pouco parece que eclipsou um pouco esse seu talento como dançarina. Mas olha como ela era ótima! O número é uma homenagem a George “Shorty” Snowden, dançarino negro do Harlem nos anos 1920 e 1930.

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69. ‘LET IT GO’, de Frozen — Uma Aventura Congelante (2013)
Com Idina Menzel. Direção: Chris Buck e Jennifer Lee. Canção de Kristen Anderon-Lopez e Robert Lopez.

Um dos maiores sucesso musicais da Disney dos últimos tempos, inevitável Oscar de melhor canção, é uma poderosa canção de autoafirmação que começa praticamente do zero e vai num crescendo: no ânimo da Rainha Elsa e na animação, que começa numa paisagem gelada de céu e neve para terminar num castelo erguido do gelo e a luz do sol. A sequência da ponte é particularmente bonita.

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68. ‘LULLABY OF BROADWAY’, de Mordedoras de 1935 (1935)
Com Wini Shaw, Ramon & Rosita, Dick Powell, Alice Brady e elenco. Direção e coreografia: Busby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

Há muito a dizer sobre esse impressionante número de 1935, que leva 13 minutos. É outro daqueles números que no filme se passam num palco, mas impossíveis de caber em um de verdade. Um curta-metragem dentro do filme. Começa pelo incrível plano da cabecinha da cantora “flutuando” lá no fundo preto enquanto a câmera lentamente se aproxima até um superclose (recriado com Doris Day em 1951). Um show de iluminação e câmera. Depois, a girada e o rosto que se torna a Broadway. Depois começa o ruge-ruge do dia na cidade grande. Também há quem chegue da noitada. Para estes, o dia só começa de novo à noite e a noite é deles. O nightclub parece que é só do casal vivido por Dick Powell e Alice Brady. Eles são a única plateia para as dezenas de dançarinos que fazem aquelas coreografias gigantescas de Berkeley. E a câmera dança: o diretor-coreógrafo os filma em 90º de cima e até em 90º de baixo, mostrando as solas dos pés. Um delírio que cresce até terminar em tragédia.

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67. STREET DANCE TO RAISE MONEY, de A Pequena Rebelde (1935)
Com Shirley Temple e Bill “Bojangles” Robinson. Direção: David Butler.

Shriley Temple tinha 7 anos, Bill Robinson tinha 57. Eles formaram o primeiro casal de dançarinos inter-racial do cinema em cenas cheias de graça como esta, que nem foi a primeira (que aparecerá na lista mais tarde). Aqui, eles dançam na rua e passam o chapéu para arrumar fundos e salvar o pai da menina, prisioneiro na guerra civil americana. O filme tem sua dose de racismo (aquela coisa do “bom escravo”), mas, ao menos, registra o talento do genial Bojangles e ajudou a quebrar essa barreira: uma branca e um negro dançando juntos.

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66. ‘THE GOLD DIGGERS’ SONG (WE’RE IN THE MONEY)’, de Cavadoras de Ouro (1933)
Com Ginger Rogers e elenco. Direção: Mervyn LeRoy. Direção de dança e coreografia: Burby Berkeley. Canção de Harry Warren e Al Dubin.

“Estamos montadas na grana” é o que basicamente dizem as primeiras palavras de Cavadoras de Ouro, cantadas por Ginger Rogers. Do close de Ginger passamos para as outras as dançarinas e delas para o plano aberto em que vemos que se trata do ensaio de um número de teatro. A dupla ironia é que, sem o espetáculo, as dançarinas estarão quebradas; e o país inteiro estava ainda sobre os efeitos devastadores da Grande Depressão. Detalhe: em determinado trecho, Ginger canta em “pig-latin”, um jogo infantil de mudar palavras para transformá-las em código (meio como fazemos aqui com a língua do P).

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65. ‘STEP IN TIME’, de Mary Poppins (1961)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews e elenco. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Como as pessoas nas casas embaixo não reclamavam do barulho do incrível sapateado dos limpadores de chaminés em seus telhados? Deve fazer parte da magia de Mary Poppins, mas o fato é que a coreografia de extremo vigor tem poucas competidoras no quesito animação. A participação de Julie Andrews, na segunda metade do número, dá um charme extra e mil rodopios extras.

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64. ‘THINK’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Aretha Franklin, Matt Murphy, Carolyn Franklin, Brenda Bryant Corbett, Margaret Branch, Lou Marini, John Belushi, Dan Aykroyd. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Ted White e Aretha Franklin.

A inigualável Aretha Franklin faz uma participação enérgica no filme com nova versão de seu sucesso de 1968. No restaurante meio fuleira do casal, Aretha dá uma prensa no maridão, Matt “Guitarra” Murphy, quando os Blues Brothers aparecem para convocá-lo (e ao sax “Blue” Lou Marini) para voltar à banda. Daqui a pouco, o plano que abre das três garotas do coro para os Blues Brothers participando da coreografia. E, sobre o balcão, Lou Marini fazendo uns passinhos. Tudo muito divertido.

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63. ‘EPILOGUE’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone e Ryan Gosling. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz.

À moda de Sinfonia de Paris (1951), La La Land reservou uma fantasia musical para seu clímax. Aqui, ao reencontrar o amor do passado, a personagem de Emma Stone reimagina a própria história desde o momento em que o conheceu, mas com mudanças em que eles terminam juntos. Como o sonho é dela, ele é que abre mãos dos seus sonhos para segui-la. Diversos segmentos embalados em rebuscamento visual e citações de musicais clássicos. É lindo e é triste: uma lembrança do que poderia ter sido.

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62. ‘AQUARIUS’, de Hair (1979)
Com Renn Woods e elenco. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

A música mais famosa de Hair é uma declaração filosófica na abertura, estabelecendo o que virá pela frente. O que acontecia no palco, ali ganhava o Central Park, com coreografia que inclui ironias contra a autoridade (os hippies fazendo os cavalos dos policiais dançarem). Os protagonistas do filme aparecem no número, mas sem cantar ou dançar. Quem canta é Renn Woods, com flores no cabelo (como mandava aquela canção de Scott McKenzie, mesmo que fosse sobre San Francisco e não Nova York) e câmera sempre girando em torno, ela que havia feito Raízes em 1977, na TV.

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61. ‘STORMY WEATHER’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Lena Horne e Katherine Dunham. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Harold Arlen e Ted Koehler.

A espetacular Lena Horne foi outra vítima do racismo em Hollywood. Grande cantora e muito linda, era relegada pela MGM a participações como cantora nos filmes, para que os números pudessem simplesmente ser cortados quando exibidos para as plateias racistas do sul dos Estados Unidos. Por isso, ela raramente teve a chance de ter um papel, muito menos de protagonista. Isto aconteceu em filmes como este, com elenco negro, dirigido a um “público negro”. Sua interpretação definitiva de “Stormy weather” mostra o que o cinema muitas vezes preferiu perder. O número tem aquela curiosidade de passar de um palco para uma realidade fantasiosa que não caberia num ambiente fechado. É onde aparece a dança de Katherine Dunham. Um dos grandes nomes negros da dança também como coreógrafa, ela fez carreira acadêmica no campo da antropologia da dança.

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Novica Rebelde - 09

Julie Andrews em “I have confidence in me”, de “A Noviça Rebelde” (1965)

80. ‘SPRINGTIME FOR HITLER/ HEIL MYSELF’, de Os Produtores (2005)
Com John Barrowman, Gary Beach, Uma Thurman e coro. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Uma ridicularização implacável do nazismo na figura de um musical da Broadway que o glorifica, a primeira parte é a refilmagem encorpada do número do filme original de 1968, Primavera para Hitler. Quando Hitler entra em cena, interpretado na peça pelo diretor gay Roger DeBris (por sua vez, vivido por Gary Beach), é a parte nova para Os Produtores e igualmente antológica e hilariante. O uso da expressão “Heil myself” é um tributo de Brooks a Ernst Lubitsch, que sacaneou Hitler com essa expressão em Ser ou Não Ser (1942), refilmado em 1983 como Sou ou Não Sou, com o próprio Mel Brooks no papel principal.

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79. ‘WE BOTH REACHED FOR THE GUN’, de Chicago (2002)
Com Richard Gere, Renée Zellweger, Christine Baranski. Direção e coreografia: Rob Marshall. Canção de John Kander e Fred Ebb.

Primor de metáfora, uma coletiva de imprensa manipulada por um advogado espertalhão é retratada como um show de ventriloquismo e marionetes, através de um delicioso ragtime, ritmo muito identificado com a época em que o filme se passa. Como acontece na narrativa de Chicago, o filme alterna entre o registro realista e o de fantasia, como musical.

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78. ‘THE RAIN IN SPAIN’, de My Fair Lady — Minha Bela Dama (1964)
Com Audrey Hepburn (com voz de Marni Nixon), Rex Harrison e Wilfrid Hyde-White. Direção: George Cukor. Coreografia: Hermes Pan. Canção de Frederick Loewe e Alan Jay Lerner.

Massacrada pelo tirânico professor de fonética, a florista pobre Eliza Doolittle finalmente consegue articular uma frase corretamente: “The rain in Spain stays mainly in a plain”. A euforia que toma conta de todos é um momento muito especial de My Fair Lady e o ponto de virada da trama da florista que o professor quer fazer virar dama.

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77. ‘THEY ALL LAUGHED’, de Vamos Dançar? (1937)
Com Ginger Rogers e Fred Astaire. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Harry Losee. Canção de George Gerswhin e Ira Gershwin.

Na trama de Vamos Dançar?, Fred dança balé clássico e finge que é russo. O encontro com Ginger é o choque de dois mundos, e esse choque acontece para valer em “They all laughed”, delicinha de canção dos Gershwin. Ginger canta na primeira parte, depois os dois se estranham na dança, depois Fred mostra quem é e o que sabe. Depois, o que vem é magia.

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76. ‘A HARD DAY’S NIGHT’, de A Hard Day’s Night (1964)
Com The Beatles. Direção: Richard Lester. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

A abertura de A Hard Day’s Night é antológica, reproduzindo a histeria da beatlemania com toques de nonsense e dando o tom do que virá no filme: a reprodução cômica do que seria um dia no cotidiano agitado dos Beatles, com um ar meio de documentário. O apuro visual de Richard Lester fez essas imagens ficarem clássicas.

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75. ‘JUMPIN JIVE’, de Tempestade de Ritmos (1943)
Com Cab Calloway e os Nicholas Brothers. Direção: Andrew L. Stone. Direção de dança: Nick Castle. Coreografia: Clarence Robinson. Canção de Cab Calloway, Jack Palmer e Frank Froeba.

Você nunca vai ver no cinema alguma coisa igual aos Nicholas Brothers. De uma agilidade inacreditável eles faziam coisas que nem superstars do calibre de Ferd Astaire e Gene Kelly se atreviam. Infelizmente, o racismo jogava contra: para não incomodar as plateias segregacionistas de alguns estados, os grandes filmes reservavam a eles apenas participações especiais, que podiam ser cortadas nas exibições nesses lugares. Eles tinham melhor espaço em filmes de elenco negro e destinados ao público negro como este Tempestade de Ritmos. Antecedidos pelo inimitável Cab Calloway, os Nicholas sapateiam e saltam um sobre o outro, saltam por cima da orquestra, saltam subindo e descendo uma escada. Um assombro.

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74. ‘BLACK BOYS/ WHITE BOYS’, de Hair (1979)
Com Laurie Beechman, Debi Dye, Ellen Foley, Johnny Maestro, Fred Ferrara, Jim Rosica, Vincent Carella, Nell Carter, Charlayne Woodard, Trudy Perkins, Chuck Patterson, H. Douglas Berring, Russell Costen, Kenny Brawner e The Stylistics. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot.

O número mais irreverente e iconoclasta de Hair faz um paralelo genial entre garotas num parque falando abertamente sobre seus desejos a respeito de rapazes de outra cor… e militares numa junta de alistamento avaliando os novos recrutas. A seriedade na face de alguns dos militares enquanto cantam o que cantam dá ainda mais graça à coisa toda.

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73. ‘SUDDENLY SEYMOUR’, de A Pequena Loja dos Horrores (1986)
Com Rick Moranis, Ellen Greene, Michelle Weeks, Tichina Arnold e Tisha Campbell-Martin. Direção: Frank Oz. Coreografia: Pat Garrett. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Dois sofredores do mundo, o funcionário de uma floricultura testemunha o desencanto da mulher que ama, mas que só se envolve com homens abusivos. Sua declaração de amor é uma pérola de sentimento dentro da galhofa deste ótimo musical cômico. Rick Moranis está ótimo, mas Ellen Greene (reprisando seu papel dos palcos) é sensacional.

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72. ‘ANOTHER DAY OF SUN’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Reshma Gajjar, Hunter Hamilton, Damian Gomez, Candice Coke e elenco (vozes de Angela Parrish, Nick Baxter, Marius De Vries, Briana Lee e Sam Stone). Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Quantos sonhos a chatice de um engarramento esconde? Em outro dia comum de sol e carros parados em Los Angeles, as aspirações ganham vida quando os motoristas saem de seus carros e começam a contar daquilo que os levaram até a cidade: o sonho de vencer em Hollywood. Filmado numa autoestrada real, com três planos-sequência com cortes escondidos para que pareça tudo um único plano. É uma declaração de intenções do filme: abrindo com este número, sem qualquer dos personagens principais, já estão aqui o estilo narrativo, o estilo visual e o tema central.

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71. ‘I HAVE CONFIDENCE’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

O carisma avassalador de Julie é combinado com a paisagem de tirar o fòlego de Salzburgo, captada através dos enquadramentos rigorosos e incríveis de Wise. Reparem, no começo, o recuo da câmera que mostra que a fraulein Maria está enquadrada entre as grades do portão. Ou quando ela vem do fundo do quadro, com os prédios ao fundo, e a câmera faz outro recuo para mostrar o ônibus para onde ela vai. Ou ela cantando na janela, com a paisagem refletida no outro vidro. Ou quando ela desde do ônibus e dá meia volta indo para o fundo do quadro. Fora a música, um canto de otimismo com violão na mão e saltinhos meio desengonçados no ar, que começa na dúvida e termina na autoconfiança plena.

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SOME LIKE IT HOT (1959)

Tony Curtis, Jack Lemmon e Marilyn Monroe em “Runnin’ wild”, de “Quanto Mais Quente Melhor” (1959)

100. ‘I GOT RHYTHM’, de Sinfonia de Paris (1951)
Com Gene Kelly e crianças. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Gene Kelly. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Uma máxima dos grandes dançarinos do cinema é que ele fazem o difícil parecer fácil. Exigente como poucos, Gene Kelly parece uma das crianças com quem ele contracena neste número delicioso, em que ele brinca com o fato de, sendo um americano em Paris, ensinar palavras inglesas aos garotos da vizinhança.

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99. ‘FOOTLOOSE’, de Footloose – Ritmo Louco (1984)
Com Kevin Bacon, Lori Singer, Chris Penn. Direção: Herbert Ross. Coreografia: Lynne Taylor-Corbett. Canção de Kenny Loggins e Keith Pitchford.

Quem nunca tentou repetir esses passos quando “Footloose” toca numa festa? O baile de formatura de uma cidade onde a dança era proibida é um momento de libertação para os jovens e a cena retrata isso muito bem. Não é por acaso que, em Guardiões da Galáxia, o herói espacial egresso dos anos 1980 diz que havia na Terra uma lenda chamada “Footloose”.

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98. ‘KEEP IT GAY’, de Os Produtores (2005)
Com Gary Beach, Roger Bart, Nathan Lane, Matthew Broderick, Brent Barrett, Peter Bartlett, Jim Borstelmann e Kathy Fitzgerald. Direção e coreografia: Susan Stroman. Canção de Mel Brooks.

Os dois produtores que estão tentando garantir que sua próxima peça seja um fracasso tentam convencer o pior diretor da Broadway a pegar o projeto. Retratar a Alemanha nazista parece meio deprimente, então a chave é fazer a trama um pouco mais alegre (gay). Entrecortado por diálogos, o aloprado número é conduzido por um Roger De Bris de vestido longo e termina apoteoticamente numa animadíssima conga.

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97. ‘ALL I DO IS DREAM OF YOU’, de Cantando na Chuva (1952)
Com Debbie Reynolds. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Coreografia: Gene Kelly. Canção de Nacio Herb Brown e Arthur Freed.

Debbie Reynolds é uma das coristas contratadas pra um showzinho numa festa de um chefe de estúdio de Hollywood. Todas lindas, mas que, por mágica do cinema, não competem com, mas, sim, ressaltam a graça de Debbie. A ambientação é fim dos anos 1920, então o charleston marca presença. Num detalhe, Debbie tira uma serpentina que caiu sobre seu rosto, sem deixar a peteca cair. The cat’s meow!

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96. ‘SIXTEEN GOING ON SEVENTEEN’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Charmian Carr e Daniel Truhitte. Direção: Robert Wise. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Liesl, a filha mais velha do Capitão Von Trapp, dá aquela escapadinha depois do jantar para encontrar o namorado mensageiro no jardim. Eles cantam sobre a inocência dela aos 16 e a autopresumida maturidade dele aos 17. Mas, na verdade, é um momento idílico e esplendidamente fotografado que retrata a inocência daqueles dias, antes da ascensão do nazismo, que chega na segunda metade do filme.

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95. ‘GEE, OFFICER KRUPKE’, de Amor, Sublime Amor (1961)
Com Russ Tamblyn, Tony Mordente, Bert Michaels, David Winters, David Bean. Direção: Robert Wise e Jerome Robbins. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim.

A gangue dos Jets tira onda do policial da vizinhança e da sociedade, interpretando juízes, psicólogos e assistentes sociais, que empurram o problema uns para os outros, satirizando várias justificativas clichê para seu mau comportamento com uma letra genial: “nossas mães são drogadas, nossos pais são bêbados: claro que somos marginais”, “não somos delinquentes, somos incompreendidos”, “não sou anti-social, sou é anti-trabalho” e por aí vai. É um distúrbio psicológico? É uma doença social? É um bando de vagabundos que merecem ir presos? No fim, é tudo muito mais complexo e o número mostra que os rapazes não tem noção (ou não querem ter) do próprio problema.

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94. ‘A COUPLE OF SWELLS’, de Desfile de Páscoa (1948)
Com Judy Garland e Fred Astaire. Direção: Charles Walters. Coreografia: Fred Astaire e Charles Walters. Canção de Irving Berlin.

Fred Astaire sempre foi identificado com a extrema elegância. Aqui, ele e Judy Garland aparecem aos farrapos, mas como dois vagabundos cheios de pose. Um número de palco cheio de graça, nos dois sentidos, mostrando mais uma vez o talento para o humor desses dois astros gigantescos do canto e da dança.

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93. ‘THE BABBITT AND THE BROMIDE’, de Ziegfeld Follies (1945)
Com Fred Astaire e Gene Kelly. Direção: Vincente Minnelli. Direção de dança: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Momento antológico, para começar, por ser a única vez em que Fred Astaire e Gene Kelly aparecem dançando juntos num filme valendo pontos (31 anos depois, eles voltaram a trocar uns passos no documentário Isto Também Era Hollywood). Como dois cavalheiros que se provocam, eles estrelam um dos segmentos de Ziegfeld Follies, filme que é uma colagem de números (o número foi encenados originalmente nos palcos por Fred e sua irmã Adele, em 1927). Astaire eram então, um astro consagrado: já fazia seis anos que havia encerrado sua icônica série de filmes com Ginger Rogers na RKO e 15 anos de sua primeira aparição num filme. Kelly era, em comparação, um iniciante: havia estreado no cinema apenas três anos antes. Visto hoje, é o momento encantado de dois monstros sagrados juntos, que a Metro decidiu não reunir de novo nos filmes que fariam no estúdio dali para a frente.

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92. ‘RUNNIN’ WILD’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe, Jack Lemmon, Tony Curtis. Direção: Billy Wilder. Coreografia: Jack Cole. Canção de A.H. Gibbs, Joe Grey e Leo Wood.

É um pouquinho mais de um minuto. Joe e Jerry – ou melhor, Josephine e Daphne – estão atacando no sax e no contrabaixo no ensaio da banda feminina ao bordo do trem que segue para Miami. Aí entra Marilyn como a vocalista Sugar Kane e seu ukelele (tocado, na verdade, por Al Hendrickson) e o mundo para.

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91. ‘LE RENCONTRES’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent), Jacques Perrin (com voz de Jacques Revaux), Gene Kelly (com voz de Donald Burke) e Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Este é o momento em que Duas Garotas Românticas mais se parece com Os Guarda-Chuvas do Amor (1964), musical anterior de Demy e Legrand. A canção é formada por diálogos cantados, com personagens que vão se cruzando pelo caminho, mas os casais que estão uns à procura dos outros ainda não se esbarram. A diferença para o filme anterior é que aqui há alto astral e muito mais humor.

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La La Land - Cantando Estações - 09

Emma Stone, Jessica Rothenberg, Sonoya Mizuno e Callie Hernandez, em “Somewhere in the crowd”, de “La La Land – Cantando Estações” (2017)

110. ‘PART OF YOUR WORLD’, de A Pequena Sereia (1989)
Com Jodi Benson. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

A melhor das canções “eu quero” das animações da Disney: em uma belíssima animação à mão, Ariel mostra seu refúgio secreto com sua coleção de objetos da superfície que atiçam sua curiosidade por esse lugar onde “os pais não repreendem as filhas”.

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109. ‘TICO-TICO NO FUBÁ’, de Alô, Amigos! (1942)
Com José Oliveira. Direção: Wilfred Jackson, Jack Kinney, Hamilton Luske e Bill Roberts. Canção de Zequinha de Abreu.

No Brasil, Zé Carioca apresenta o samba ao Pato Donald, numa combinação magistral do clássico “Tico-tico no fubá” e uma inspirada animação dos estúdios Disney, em que o cenário do Rio de Janeiro vai se desenhando à frente dos personagens.

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108. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Quanto Mais Quente Melhor (1959)
Com Marilyn Monroe. Direção: Billy Wilder. Canção de Matt Malneck, Fud Livingston e Gus Kahn.

“Estou cansada do amor”, canta Marilyn num momento baixo astral de sua personagem. A canção dos anos 1930 está conectada à época em que o filme se passa. A interpretação de Sugar Kane comove Joe, o personagem de Tony Curtis, que acaba revelando seu disfarce de Josephine — de uma maneira e tanto.

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107. ‘MOVIN’ RIGHT ALONG’, de O Mundo Mágico dos Muppets (1979)
Com Jim Henson e Frank Oz. Direção: James Frawley. Canção de Paul Williams e Kenny Archer.

Dois muppets cruzando a América a bordo de um Studebaker: Caco, o Sapo (nada de Kermit aqui) e o urso Fozzy viajam para Los Angeles para trabalhar no mundo do entretenimento. Carisma não falta, de jeito nenhum. O filme era um prólogo do The Muppet Show, da TV, mostrando como os personagens se conheceram.

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106. ‘SOMEONE IN THE CROWD’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Callie Hernandez, Sonoya Mizuno, Jessica Rothenberg e Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Coreografia: Mandy Moore. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

A primeira metade desse número é uma obra-prima: sem cortes, freneticamente através dos cômodos da casa, cada um com uma cor dominante, assim como os vestidos das moças. Um show de direção e coreografia parta ver e rever sempre.

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105. ‘CHIM-CHIM CHEREE’, de Mary Poppins (1964)
Com Dick van Dyke, Julie Andrews, Karen Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Coreografia: Marc Breaux e Dee Dee Wood. Canção de Richard M. Sherman e Robert B. Sherman.

Para tranquilizar os irmãos assustados e perdidos, o agora limpador de chaminés Bert os leva para casa e mostra, na companhia de Mary Poppins, a beleza de Londres à noite vista dos telhados. A canção ganhou o Oscar daquele ano.

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104. ‘TWIST AND SHOUT’, de Curtindo a Vida Adoidado (1986)
Com Matthew Broderick (voz de John Lennon). Direção: John Hughes. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Bert Berns e Phil Medley.

“O que você acha que o Ferris vai fazer agora?”. É a pergunta a ser feita durante todo o Curtindo a Vida Adoidado. Neste momento do filme, ele já está sobre um carro alegórico da Von Steuben Day Parade (que, aliás, existe mesmo: é realizada anualmente em Chicago em homenagem a um barão da Prússia que deu uma força aos americanos na guerra pela independência). Sua dublagem da canção dos Beatles é tão contagiosa que faz dançar todo mundo em volta. Até quem não era ator ou figurante contratado, como os trabalhadores nos andaimes e o lavador de janelas, que se deixaram embalar pela música e foram filmados pela câmera de John Hughes.

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103. ‘THE SPANISH INQUISITION’, de A História do Mundo – Parte I (1981)
Com Mel Brooks, Jackie Mason e Ronny Graham. Direção: Mel Brooks. Coreografia: Alan Johnson. Canção de Mel Brooks e Ronny Graham.

Usar o musical como forma de demolir uma instituição é um talento particular de Mel Brooks. Aqui, o alvo é a inquisição espanhola, onde as maiores atrocidades são narradas sob o ponto de vista de saltitantes religiosos liderados por Mel em pessoa, que tentam converter judeus com citações a O Poderoso Chefão e Busby Berkeley, frades com joelhos à mostra, freiras nadadoras. Antológico.

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102. ‘SOBBIN’ WOMEN’, de Sete Noivas para Sete Irmãos (1954)
Com Howard Keel, Jeff Richards, Russ Tamblyn, Tommy Rall, Marc Platt, Matt Mattox e Jacques d’Amboise. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Gene de Paul e Johnny Mercer.

Ao ver seus seis irmãos de baixo astral porque a paquera com seis garotas da cidade acabou numa monumental briga com outros seis caras, o irmão mais velho Adam ajuda como pode: contando a história que aprendeu num livro, a dos romanos que simplesmente raptaram mulheres sabinas e que, com o tempo, elas acabaram gostando dos raptores (ele confunde “sabine women” com “sobbin’ women”, “chorosas”). Logo, se está na história, basta fazer o mesmo, não é? Um conselho errado, claro, defendido com vigor e talento.

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101. ‘ISN’T THIS A LOVELY DAY (TO BE CAUGHT IN THE RAIN)?’, de O Picolino (1935)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan e Fred Astaire. Direção de dança: William Hetzler. Canção de Irving Berlin.

Uma vez Ginger disse: “Eu fazia tudo o que ele fazia, só que de salto alto”. Aqui, ela não está de salto alto, mas a piada nunca foi tão verdadeira. A brincadeira da cena, depois que Fred tenta quebrar o gelo cantando, é que ela aceita dançar com ele, porém imitando-o. De calças, Ginger faz quase um espelho de Fred, é uma dança de casal que não é de casal. Só no final ele a toma nos braços — mas ela também não deixa de conduzir em um momento.

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Encantada-23

Amy Adams em “That’s how you know”, de “Encantada” (2007)

120. ‘I LOVE LOUISA’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Fred Astaire, Nanette Fabray, Oscar Levant, Cyd Charisse. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Fred Astaire havia cantado “I love Louisa” em um musical da Broadway de 1931, que levava o mesmo nome original (The Band Wagon) e que Fred protagonizou com sua irmã, Adele (no último musical que fizeram juntos, antes de ela deixar a carreira para se casar). Foi uma das três canções que sobreviveram da trilha da peça para esta versão do cinema, que criou uma história nova (no teatro, o show era de esquetes). Essa brincadeira alemã, no filme, está na festinha com que a equipe da versão musical de Fausto alivia o clima de uma estreia desastrosa. Às vezes, basta uma música ótima, um grande diretor, um coreógrafo que faça dançar um quarto lotado e um gigantesco talento para que um número seja uma delícia. Só isso. More beer!

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119. ‘SEASONS OF LOVE’, de Rent — Os Boêmios (2005)
Com Anthony Rapp, Adam Pascal, Rosario Dawson, Jesse L. Martin, Tracie Thoms, Idina Menzel, Wilson Jermaine Heredia, Taye Diggs. Direção: Chris Columbus. Canção de Jonathan Larson.

“Seasons of love” é uma canção tão poderosa que, no musical de teatro, está localizada no meio da apresentação e o filme a trouxe para os créditos de abertura (cantada por seus oito personagens principais num palco, diante de uma plateia vazia). Uma decisão que funciona muito bem: a letra funciona como uma carta de intenções do que virá pela frente, nesta modernização de La Bohème para a era da Aids. Como você mede os quinhentos e vinte cinco mil e seiscentos minutos que vive num ano?

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118. ‘HAIR’, de Hair (1979)
Com Don Dacus, Treat Williams e Dorsey Wright. Direção: Milos Forman. Coreografia: Twyla Tharp. Canção de Galt McDermot, Gerome Ragni e James Rado.

Um canto de amor aos cabelos longos que marcavam o movimento hippie, a ponto de ter batizado o musical histórico que o retratou nos palcos e no cinema. No filme, é um momento delirante dentro de um presídio, combinado com cenas da rua com Williams e muitos cabelos ao vento.

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117. ‘CAI CAI’, de Uma Noite no Rio (1941)
Com Carmen Miranda. Direção: Irving Cummings. Canção de Roberto Martins.

Embora as coreografias sejam assinadas por Hermes Pan, muito dificilmente ele deu algum pitaco aqui. Carmen, em seu segundo filme, faz aquilo que sabia fazer como ninguém e fazia desde sua carreira no Rio de Janeiro: movia as mãos, usava expressões faciais, ia pra lá e pra cá e, combinando isso, brilhava. Em Serenata Tropical, seu primeiro filme, o diretor Irving Cummings parece não saber muito como filmar aquilo: a prendia num cenário e desperdiçava closes em vez de flagrar o máximo de seus movimentos. Ele melhora muito no seguinte: ainda é sempre basicamente Carmen cantando para uma plateia, mas Cummings abre a câmera e a mostra inteira ou de meio corpo, com edição e câmera discretas que bastam segui-la.

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116. ‘SHALL WE DANCE?’, de O Rei e Eu (1956)
Com Deborah Kerr (com voz de Marni Nixon) e Yul Brynner. Direção: Walter Lang. Coreografia: Jerome Robbins. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Esta visão eurocêntrica de como uma professora inglesa ajudou o Rei do Sião a se modernizar inclui esta bela cena de aula de dança, onde uma alta voltagem sexual (para a época e para o tipo de filme) aparece.

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115. ‘SHAKE YOUR TAIL FEATHER’, de Os Irmãos Cara de Pau (1980)
Com Ray Charles e The Blues Brothers. Direção: John Landis. Coreografia: Carlton Johnson. Canção de Otha Hayes, Andre Williams e Verlie Rice.

Essa canção dos anos 1960 ganha versão de Ray Charles em uma das participações especiais de Os Irmãos Cara de Pau. A música irresistível tem ótima participação cênica da Blues Brothers Band e “contamina” a vizinhança, com as pessoas numa divertida coreografia na frente da loja do Ray. Seria um flashmob?

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114. ‘THE LONELY GOATHERD’, de A Noviça Rebelde (1965)
Com Julie Andrews, Angela Cartwright, Charmian Carr, Heather Menzies, Nicholas Hammond, Duane Chase, Debbie Turner e Kym Karath. Direção: Robert Wise. Canção de Richard Rogers e Oscar Hammerstein II.

Bil Baird e Cora Baird, famosos manipuladores de marionetes nos EUA, são os grandes protagonistas ocultos desse adorável número em que Maria e as crianças fazem um show de bonecos para uma seleta plateia. Marc Breaux assina a coreografia do filme. Terá feito também a coreografia dos bonequinhos?

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113. ‘CIRCLE OF LIFE’, de O Rei Leão (1994)
Com Carmen Twillie, Lebo M e côro. Direção: Roger Allers e Rob Minkoff. Canção de Elton John e Tim Rice.

Um dos melhores começos de filmes de todos os tempos, “Circle of life” introduz o espectador, sem qualquer diálogo, ao mundo africano onde o leão é o rei, os outros animais são os súditos, e um príncipe é apresentado. Antológico.

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112. ‘THAT’S HOW YOU KNOW’, de Encantada (2007)
Com Amy Adams e Patrick Dempsey. Direção: Kevin Lima. Canção de Alan Menken e Stephen Schwartz.

O barato em Encantada é que é uma sátira, mas também uma afirmação carinhosa dos contos-de-fadas da Disney. E isso implica, claro, em um número musical que invada o mundo real, capitaneado por uma luminosa Amy Adams.

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111. ‘I’M THRU WITH LOVE’, de Todos Dizem Eu Te Amo (1997)
Com Goldie Hawn e Woody Allen. Direção: Woody Allen. Coreografia: Graciela Daniele. Canção de Gus Kahn, Matty Malneck e Fud Livingston.

Esta canção dos anos 1930 (que Marilyn já havia cantado na tela em Quanto Mais Quente Melhor) é recorrente nesse musical leve, divertido e propositalmente meio desajeitado de Woody Allen. E a ela é reservado o belo momento final, cantada por uma adorável Goldie Hawn, que, à beira do Sena, dança e flutua.

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Mary Poppins … the original and best?

Julie Andrews em “A spoonful of sugar”, de “Mary Poppins” (1964)

130. ‘BE OUR GUEST’, de A Bela e a Fera (1991)
Com Jerry Orbach e Angela Lansbury. Direção: Gary Trousdale e Kirk Wise. Canção de Alan Menken e Howard Ashman.

Os longas de animação da Disney quase sempre foram musicais, mas pouco tinham tanta alma de musical como A Bela e a Fera. O filme parece ter nascido como espetáculo da Broadway (para onde efetivamente foi, depois) e “Be our guest” bebe diretamente na fonte de Busby Berkeley e seus delírios musicais nos filmes dos anos 1930, com seus caleidoscópios e balés aquáticos.

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129. ‘STEREOPHONIC SOUND’, de Meias de Seda (1957)
Com Janis Paige e Fred Astaire. Direção: Rouben Mamoulien. Coreografia: Hermen Pan. Canção de Cole Porter.

Em 1957, a tela larga e o som esteofônico eram armas que o cinema ainda estava começando a usar para enfrentar a concorrência da televisão. Este número de Meias de Seda tira onda brilhantemente com isso, dando a receita: diz que “Lassie seria só um cachorro como os outros” se não aparecesse em Cinemascope e latisse em estéreo, ou que antes o dançarino dançava números íntimos e de rosto colado com a parceira “e agora ele nem sabe se ela está por perto”, de tanto que eles precisam se esticar para ocupar a tela toda.

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128. ‘COUNT ON ME’, de Um Dia em Nova York (1949)
Com Frank Sinatra, Betty Garrett, Ann Miller, Jules Munshin, Alice Pearce e Gene Kelly. Direção: Gene Kelly e Stanley Donen. Canção de Roger Edens, Adolph Green e Betty Comden.

Gene Kelly está na pior e seus amigos tentam levantar seu astral com uma série de tolices, do quilate de “como disse a calculadora, pode contar comigo”. Gene não resiste, é claro: no meio do número ele já está dançando com todo mundo. Como resistir a tantas palhaçadas alegres e com esse pessoal?

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127. ‘SCHOOL OF ROCK’, de Escola de Rock (2003)
Com School of Rock. Direção: Richard Linklater. Canção de Mike White e Sammy James Jr.

Rock é coisa de criança nesse ótimo filme, onde Jack Black é um roqueiro frustrado que vira professor numa escola chique e leva os meninos que só tocavam música clássica a montar uma banda. As crianças tocam mesmo e o número, muito divertido, cita visualmente “Boys don’t cry’, do The Cure, apenas uma das inúmeras referências roqueiras do filme. A School of Rock tem Black no vocal, Joey Gaydos Jr. na guitarra, Becca Brown no baixo, Robert Tsai nos teclados, Kevin Alexander Clark na bateria e, nos backing vocals, Maryam Hassan, Caitlin Hale e Aleisha Allen. Város deles seguiram carreira na música.

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126. ‘A SPOONFUL OF SUGAR’, de Mary Poppins (1964)
Com Julie Andrews, Katharine Dotrice e Matthew Garber. Direção: Robert Stevenson. Canção de Robert B. Sherman e Richard M. Sherman.

Mary Poppins chega chegando na vida dos irmãos Jane e Michael. Os coloca de cara para arrumar o quarto, mas faz uma magicazinha pra mostrar que a tarefa pode não ser tão chata: “Com um pouco de açúcar, até o remédio é um prazer”, como diz a versão brasileira da canção. Pode ser que as coisas não se arrumem sozinhas num estalar de dedos, mas sem dúvida o trabalho é bem melhor ouvindo Julie Andrews cantar.

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125. ‘THEY CAN’T TAKE THAT AWAY FROM ME’, de Ciúme, Sinal de Amor (1949)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Charles Walters. Coreografia: Robert Alton. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Fred Astaire e Ginger Rogers se consagraram como a maior dupla de dança da história do cinema em nove filmes na RKO, de 1933 a 1939. Depois, ela foi ser atriz dramática (ganhou um Oscar) e ele seguiu em “carreira solo”, sem outra parceira fixa. Mas se reencontraram para um revival dez anos depois, na Metro. E este número justifica o reencontro. Dançando um número que Fred já havia cantado para Ginger em Vamos Dançar?, em 1937 (sem dançar; usar a canção de novo foi sugestão dela), eles mostram que química maravilhosa não se desfaz facilmente.

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124. ‘THE NIGHT THEY INVENTED CHAMPAGNE’, de Gigi (1958)
Com Leslie Caron, Louis Jordan e Hermione Gingold. Direção: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Alan Jay Lerner e Frederick Loewe.

Gigi, o papel que, na Broadway, revelou Audrey Hepburn em 1951, teve Leslie Caron no filme vencedor de nove Oscars. Bastante requintado e pomposo, para dar uma amaciada na história da garota que é educada para ser uma cortesã e é amiga de um jovem playboy que ainda a vê como criança neste animado número, onde ele promete levá-la à praia depois de perder no baralho (ela rouba)! Leslie foi dublada nas canções do filme por Betty Wand, mas o vídeo abaixo mostra a voz original da atriz cantando. Mas você pode ver a versão original do filme com a voz de Wand dublando Leslie Caron (a imagem widescreen está estreitada e invertida).

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123. ‘HOW COULD YOU BELIEVE ME WHEN I SAID I LOVED YOU WHEN YOU KNOW I’VE BEEN A LIAR ALL MY LIFE?’, de Núpcias Reais (1951)
Com Fred Astaire e Jane Powell. Direção: Stanley Donen. Coreografia: Nick Castle. Canção de Burton Lane e Alan Jay Lerner.

Astaire e Jane Powell interpretam um casal de irmãos que têm uma carreira junto nos palcos – como Fred e sua irmã Adele, antes da carreira dele no cinema. Muito divertido, com Jane Powell substituindo bem Judy Garland, que ia fazer o filme, mas foi demitida pela Metro. O número realmente lembra bastante a química cômica de Fred e Judy em “A couple of swells”, de Desfile de Páscoa (1948).

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122. ‘ZERO TO HERO’, de Hércules (1997)
Com Lillias White, Vanéese Y. Thomas, Cheryl Freeman, LaChanze e Roz Ryan. Direção: John Musker, Ron Clements. Canção de Alan Menken e David Zippel.

As musas gregas contam como Hércules passou de um zero à esquerda a herói e superastro pop (com direito até a merchandising). O longa é irregular, mas esta ideia é ótima: as musas são representadas como um grupo musical, unindo um estilo Supremes e música gospel.

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121. ‘YOUNG AND HEALTHY’, de Rua 42 (1933)
Com Dick Powell e Toby Wing. Direção: Lloyd Bacon. Direção de dança: Busby Berkeley. Canção de Al Dubin e Harry Warren.

No ano de 1933, Busby Berkeley fez as marcantes coreografias de três filmes: Belezas em Revista (com aquele balé aquático), Cavadoras de OuroRua 42. “Young and healthy” é um representante de seus caleidoscópios humanos, mas num crescendo: começa com Dick Powell sozinho em um palco vazio; então, surge uma garota (Toby Wing) para quem ele canta; aí, o banco em que estão sentados desce e eles ficam no chão; de cima, a câmera os mostra girando; então surgem os dançarinos, que, deitados no chão e em volta, giram no sentido inverso; logo, Wing está à frente de uma fila de louras; então, garotas e rapaes evoluem para os caleidoscópios humanos vistos em 90 graus em plataformas giratórias que se movimentam em sentido contrário; por fim, as louras formam outra fila e a câmera passa por um túnel de pernas. Ufa!

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Bonita como Nunca-06

Rita Hayworth e Fred Astaire, em “I’m old fashioned”, de “Bonita como Nunca” (1942)

140. ‘WHEN THE MIDNIGHT CHOO-CHOO LEAVES FOR ALABAM’’, de O Mundo da Fantasia (1954)
Com Donald O’Connor e Mitzi Gaynor. Direção: Walter Lang. Coreografia: Robert Alton. Canção de Irving Berlin.

A delicinha Mitzi Gaynor era limitada por seu próprio estúdio, a Fox, cujo alcance nos musicais não era tanto. Mas ela sempre deu conta do recado, e um de seus momentos especialmente divertidos é esse: com Donald O’ Connor, como dois irmãos que trabalham no teatro musical, fazendo uma paródia caseira de um número apresentado no início do filme por Ethel Merman e Dan Dailey, seus pais no filme.

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139. ‘XANADU’, de Xanadu (1980)
Com Olivia Newton-John. Direção: Robert Greenwald. Coreografia: Kenny Ortega. Canção de Jeff Lynne.

Kitsch até dizer chega, explodindo em neon, Xanadu não é lá essas coisas como filme. Mas o momento bem virada anos 1970/ anos 1980 desse nímero, com uma grande música, tem uma Olivia Newton-John cheia de graça, conseguindo aparecer no meio dessa poluição visual de dançarinos, patinadores, equilibristas…

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138. ‘PUTTIN’ ON THE RITZ’, de O Jovem Frankenstein (1974)
Com Gene Wilder e Peter Boyle. Direção: Mel Brooks. Canção de Irving Berlin.

O doutor Frankenstein vai mostrar sua criatura ao público, seu prodígio científico. E como ele faz isso? Num palco, cantando e dançando com ela um clássico de Irving Berlin! Puro Mel Brooks, um apaixonado por musicais que sempre dava espaço para um número em seus filmes.

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137. ‘AUDITION (THE FOOLS WHO DREAM)’, de La La Land — Cantando Estações (2016)
Com Emma Stone. Direção: Damien Chazelle. Canção de Justin Hurwitz, Benj Pasek e Justin Paul.

Mia conta uma história de sua tia em Paris, que se torna um hino aos “tolos que sonham” — ela própria inclusa. Uma transição delicada e perfeita do diálogo para a canção, do cenário para apenas Emma Stone num foco de luz e uma câmera que, lentamente, vai até ela, dá a volta por trás dela e retorna ao ponto principal. Se feito com talento, não precisa muito mais que isso pra ser brilhante e inesquecível.

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136. ‘I’M OLD FASHIONED’, de Bonita como Nunca (1942)
Com Rita Hayworth (voz de Nan Wynn) e Fred Astaire. Direção: William A. Seiter. Diretor de dança: Val Raset. Coreografia: Fred Astaire e Nicanor Molinare. Canção de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Bonita como Nunca foi o segundo e último filme estrelado por Astaire e Rita Hayworth, mostrando de novo que eles eram perfeitos juntos. É charme que não acaba mais e um final gracinha.

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135. ‘I’M WISHING/ ONE SONG’, de Branca de Neve e os Sete Anões (1937)
Com Adriana Caselotti e Harry Stockwell. Direção: David Hand. Canções de Frank Churchill e Larry Morey.

Sim, claro, é datado: a princesa esperando pelo seu príncipe que vai resgatá-la. Deem um desconto, é 1937. A canção se tornou um ícone que resiste, graças à elegância de uma animação que ainda bota no bolso a maioria do que é feito hoje e a encenação graciosa com o eco do poço e ao pássaro que leva o beijo da Branca de Neve ao príncipe.

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134. ‘IF I ONLY HAD A NERVE/ WE’RE OFF TO SEE THE WIZARD’, de O Mágico de Oz (1939)
Com Bert Lahr, Judy Garland, Ray Bolger, Jack Haley e a voz de Buddy Ebsen. Direção: Victor Fleming. Canção de E.Y. Harburg e Harold Arlen.

Depois de “If I only had a brain”, com o Espantalho, e “If I only had a heart”, com o Homem de Lata, é a vez do Leão covarde cantar sua canção. A diferença é que ela emenda com a icônica “We’re off to see the wizard” (onde a voz do Homem de Lata ainda é a de Buddy Ebsen, que teve alergia à maquiagem e foi substituído na filmagem por Jack Haley). “We’re off to see the wizard” já havia sido cantada três vezes antes, mas esta é a primeira em que estão os quatro juntos, por isso é um momento marcante.

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133. ‘SHALL WE DANCE?’, de Vamos Dançar (1937)
Com Fred Astaire e Ginger Rogers. Direção: Mark Sandrich. Coreografia: Hermes Pan. Canção de George Gershwin e Ira Gershwin.

Depois de ter perdido Ginger, o personagem de Fred lida com isso apresentando um número com várias dançarinas usando máscaras da amada. O que ele não espera é que a verdadeira está lá e ele vai ter que encontrá-la para fazerem, como sempre, mágica juntos. É o delicioso final de Vamos Dançar?, candidato a melhor filme da maior dupla de dançarinos do cinema.

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132. ‘HELLO, DOLLY’, de Alô, Dolly (1969)
Com Barbra Streisand e Louis Armstrong. Direção: Gene Kelly. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Jerry Herman.

O grande momento (grande mesmo: mais de sete minutos) de Alô, Dolly, em que a casamenteira atrevida é recebida com pompa e circunstância no restaurante pela infinidade de garçons do lugar. A cereja é a pequena participação do gigante Louis Armstrong. O vídeo abaixo infelizmente não mostra o número todo, mas a canção dá pra ouvir aqui.

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131. ‘CHANSON D’UN JOUR D’ÉTÉ’, de Duas Garotas Românticas (1967)
Com Catherine Deneuve (com voz de Anne Germain) e Françoise Dorléac (com voz de Claude Parent). Direção: Jacques Demy. Coreografia: Norman Maen. Canção de Michel Legrand.

Irmãs no filme e na vida real e irresistíveis, Deneuve e Françoise Dorleac fazem essa apresentação no palco de uma quermesse. Quem resiste quando, no refrão, elas esquecem a plateia e cantam para nós, do outro lado da câmera? Demy namora muito o musical hollywoodiano nesse filme.

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Rei Leao - 1994 - 03

“Hakuna matata”, de “O Rei Leão” (1994)

150. ‘THAT’S ENTERTAINMENT’, de A Roda da Fortuna (1953)
Com Jack Buchanan, Nanette Fabray, Oscar Levant e Fred Astaire. Direção do filme: Vincente Minnelli. Coreografia: Michael Kidd. Canção de Arthur Schwartz e Howard Dietz.

Uma das canções mais emblemáticas do show business sobre si mesmo (junto com “There’s no business like show business”; ficou em 45º na lista das 100 canções do cinema americano, segundo o American Film Institute) é usada pelo diretor teatral e autores da peça para convencerem o veterano astro vivido por Fred Astaire a interpretar… Fausto! Afinal, tudo é entretenimento e o mundo é um palco.

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149. ‘HAKUNA MATATA’, de O Rei Leão (1994)
Com Nathan Lane, Ernie Sabella, Jason Weaver e Joseph Williams. Direção: Roger Allers, Rob Minkoff. Canção de Elton John e Tim Rice.

A expressão “hakuna matata” existe mesmo na língua suaíli, falada no sudeste da África, e quer dizer “sem preocupações”. É um dos grandes momentos de O Rei Leão, apresentando devidamente os personagens Timão e Pumbaa e servindo como passagem de tempo do pequeno Simba para o Simba adulto. Como a expressão é real, é uma grande tolice a “tradução” brasileira para algo que não existe, “hatuna matata”.

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148. ‘I GOT LIFE’, de Hair (1979)
Com Treat Williams. Direção: Milos Forman. Canção de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado.

O horror da gente de bem: hippies invadem um jantar chique, só para que um amigo que vai para a guerra passe, antes, uns minutos olhando para uma garota bonita por quem ele se apaixonou. Ao serem convidados a sair, o líder faz uma afirmação de identidade daquelas: fazendo da mesa de jantar uma passarela para seu discurso empolgante. Detalhe ótimo de cena: os outros hippies tentando minimizar o estrago tirando os pratos e copos da frente, antes que sejam pisados. Tem um quê de Buñuel esse número.

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147. ‘JAILHOUSE ROCK’, de Prisioneiro do Rock (1957)
Com Elvis Presley. Direção: Richard Thorpe. Coreografia: Alex Romero e Elvis Presley. Canção de Jerry Leiber e Mark Stoller.

Elvis fez muitos musicais no cinema, mas poucos têm prestígio de verdade. Há músicas ótimas, mas os números não são muito inspirados. Aqui é diferente: estamos na Metro, que entendia do riscado. No filme, o número é uma apresentação na TV.

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146. ‘RUN AND TELL THAT’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Elijah Kelley e Taylor Parks. Direção: Adam Shankman. Canção de Marc Shaiman e Scott Wittman.

O que não falta em Hairspray é energia, e esse é um dos números mais vibrantes do filme (começando numa sala da escola, avança pelos corredores, vai para dentro de um ônibus e termina num bairro popular). É também uma afirmação de identidade contra o racismo: encontrar a própria voz, “Quanto mais escura a fruta, mais doce é o suco” e “As pessoas daqui têm que se virar para pagar o aluguel, têm que tirar um dólar de 60 centavos”.

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145. ‘GREASED LIGHTNING’, de Grease — No Tempo da Brilhantina (1978)
Com John Travolta e Jeff Conaway. Direção: Randal Kleiser. Coreografia: Patricia Birch. Canção de Jim Jacobs e Warren Casey.

John Travolta roubou este número de Jeff Conaway. Na Broadway, o personagem de Conaway é quem canta e Travolta usou seu poder para passá-la a seu personagem. Assistindo, dá pra ver o motivo. É um número de grande vitalidade, um daqueles que encarna uma espécie de “realidade paralela”: o conserto de um carro ferrado vira um cenário chique de gosto duvidoso.

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144. ‘PUTTIN’ ON THE RITZ’, de Romance Inacabado (1946)
Com Fred Astaire. Direção: Stuart Heisler e Mark Sandrich (não creditado). Direção de dança: Hermes Pan. Canção de Irving Berlin.

Fred planejou se aposentar como ator de cinema com esse filme da Paramount, onde tem esse solo impressionante (dois anos depois, a MGM o convenceu a voltar). Despedida com um momento antológico. Pés e bengala fazem música. No climax, ele duela com nove cópias dele mesmo. Mas ainda tem essa feitiçaria da bengala subir do chão para sua mão! A bola procura o craque.

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143. ‘DREAMGIRLS’, de Dreamgirls — Em Busca de um Sonho (2006)
Com Beyoncé Knowles, Jennifer Hudson e Anika Noni Rose. Direção: Bill Condon. Canção de Henry Krieger e Tom Eyen.

Moldadas durante o filme, as Dreams (as Supremes, com outro nome) fazem sua retumbante estreia no meio de Dreamgirls. Deslumbrantes, com uma impressionante Beyoncé à frente, elas fazem valer a espera. O filme tenta atrapalhar desviando o foco do número pra um diálogo que poderia ficar para antes ou depois, mas as garotas podem mais.

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142. ‘BY A WATERFALL’, de Belezas em Revista (1933)
Com coro e elenco. Direção: Lloyd Bacon. Coreografia: Busby Berkeley. Canção de Sammy Fain e Irving Kahal.

Um dos famosos caleidoscópios humanos criados e dirigidos por Busby Berkeley. E daí que, na história, esse número impossível se passa num palco? Berkeley nos mostra até debaixo d’água os movimentos organizados e em visões de 90º de cima, com as garotas criando diversas imagens, que seriam a marca de suas coreografias nos anos 1930.

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141. ‘MY RIFLE, MY PONY AND ME/ CINDY, CINDY’, de Onde Começa o Inferno (1959)
Com Dean Martin, Ricky Nelson e Walter Brennan. Direção: Howard Hawks. Canção “My rifle, my pony and me”, de Dmitri Tiomkin e Paul Francis Webster; “Cindy, Cindy” (ou “Cindy” ou “Get along home, Cindy”), de autoria desconhecida.

Um número musical num faroeste? Sim! Howard Hawks não desperdiçou o fato de ter Dean Martin e o ídolo jovem Ricky Nelson no mesmo elenco e separou um momento do filme para mostrar a camaradagem dos homens da lei através da música. Só faltou o John Wayne cantar junto.

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Agora Seremos Felizes - 09

Margaret O’Brien e Judy Garland em “Under the bamboo tree”, de “Agora Seremos Felizes” (1944)

160. ‘GOODNIGHT AND THANK YOU’, de Evita (1996)
Com Antonio Banderas e Madonna. Direção: Alan Parker. Canção de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice.

A ascensão social de Eva Duarte: de modelo para um fotógrafo pobretão (que nem nome ganha na canção, é chamado de “Sr. Qualquer Um”), de amante em amante, até chegar nos homens importantes – o passo seguinte seria Perón. O número chega a incluir lá no meio um jingle de sabão em pó! Banderas canta no papel de narrador, ora uma espécie de consciência do povo argentino, ora da própria Eva.

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159. ‘CELL BLOCK TANGO’, de Chicago (2002)
Com Catherine Zeta-Jones, Susan Misner, Denise Faye, Deidre Goodwin, Ekaterina Chtchelkanova e Mya. Direção do filme: Rob Marshall. Coreografia: Dion Beebe. Canção de John Kander e Fred Ebb.

As presidiárias contam suas histórias, de como foram parar na prisão por causa de homens, alternando o registro realista com o rebuscamento do número musical na mente de Roxy Hart. Para cada uma, foi assassinato, mas não um crime.

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158. ‘THE MAN THAT GOT AWAY’, de Nasce uma Estrela (1954)
Com Judy Garland. Direção: George Cukor. Canção de Harold Arlen e Ira Gershwin.

Judy, depois de demitida da Metro e longe do cinema por quatro anos, volta com tudo neste musical da Warner. Sua não vitória no Oscar daquele ano é um dos maiores escândalos da história do prêmio.

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157. ‘FLASHDANCE… WHAT A FEELING’, de Flashdance Em Ritmo de Embalo (1983)
Com Jennifer Beals. Direção: Adrian Lyne. Canção de Giorgio Moroder, Keith Forsey e Irene Cara.

Um musicaço (que ganhou o Oscar) e um número musical que marcou uma geração. Mas é todo construído na edição: Jennifer Beals tem uma dançarina como dublê de corpo, uma ginasta dá o salto no ar, um dançarino faz o break. Ia longe os dias de Fred Astaire fazendo tudo sem cortes.

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156. ‘I WON’T SAY I’M IN LOVE’, de Hércules (1997)
Com Susan Egan, Lillias White, Vanéese Y. Thomas, Cheryl Freeman, LaChanze e Roz Ryan. Direção: John Musker e Ron Clements. Canção de Alan Menken e David Zippel.

Vilã, mas apaixonada pelo herói, Mégara canta para resistir ao amor, enquanto as musas jogam contra (ou a favor), dizendo ‘confessa, garota’. Susan Egan foi, depois, a Bela da versão da Broadway de A Bela e a Fera.

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155. ‘ON THE ATCHISON, TOPEKA AND SANTA FE’, de As Garçonetes de Harvey (1946)
Com Judy Garland, Ray Bolger, Cyd Charisse e elenco. Direção: George Sidney. Canção de Harry Warren e Johnny Mercer.

A Atchison, Topeka e Santa Fé é a ferrovia por onde chega o trem à cidadezinha do Oeste onde se passa este musical, focado em um grupo de garçonetes da pioneira rede de restaurantes de Fred Harvey. A canção (vencedora do Oscar) tem uma longa introdução até efetivamente Judy Garland chegar e dominá-la. Um momento delicioso é o elenco evocando o movimento do trem no final.

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154. ‘LUCY IN THE SKY WITH DIAMONDS’, de Yellow Submarine (1968)
Com The Beatles. Direção: George Dunning. Canção de John Lennon e Paul McCartney.

Poucas coisas são mais psicodélicas que isso, essa imagens mudando de cor pintadas através de rotoscopia, mas com pinceladas propositalmente irregulares. O diretor George Dunning era um especialista neste tipo de animação a partir de pintura em vidro e supervisionou diretamente a sequência, que usou cenas de Fred Astaire e Ginger Rogers, Ruby Keeler e outros.

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153. ‘WITHOUT LOVE’, de Hairspray — Em Busca da Fama (2007)
Com Zac Efron, Nikki Blonsky, Amanda Bynes e Elijah Kelley. Direção: Adam Shankman. Canção de Marc Shaiman e Scott Wittman.

Em um musical, a canção pode unir personagens distantes. É o caso deste número, que versa com o humor sobre a falta de amor (“é como [a branquela] Doris Day no Teatro Apolo [do Harlem], é como só ter segundas e nunca domingos, é como a mamãe de dieta”), cantado por dois jovens casais — um deles, longe um do outro.

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152. ‘AND THE MONEY KEPT ROLLING IN (AND OUT)’, de Evita (1996)
Com Antonio Banderas e Madonna. Direção: Alan Parker. Canção de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber.

Evita lança uma fundação, que concede de panelas a bolsas de estudo, passando por sapatos e água encanada. Mas também há desvio de dinheiro. O filme de Alan Parker segue nessa balança entre elogiar e criticar a personagem, pela voz de Antonio Banderas, sempre no papel de consciência do povo argentino. Aqui, sobressaem-se a música e a montagem acelerada, que dá a impressão de que há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo.

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151. ‘UNDER THE BAMBOO TREE’, de Agora Seremos Felizes (1944)
Com Judy Garland e Margaret O’Brien. Direção do filme: Vincente Minnelli. Coreografia: Charles Walters. Canção de Rosamond Johnson e Bob Cole.

A estrelíssima Judy une forças com a pequenina Margaret, um pequeno talento como a própria Judy um dia também havia sido. Com muito charme, elas são irmãs se apresentando numa festa para a a família.

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Sete Noivas para Sete Irmaos - 01

A dança-duelo de “Sete Noivas para Sete Irmãos”

ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD – A COLEÇÃO COMPLETA.

DVD sofre com péssimas legendas

. por Renato Félix.

Entre 1929 e 1958, um estúdio de Hollywood desenvolveu uma forma de arte em que se tornou mestre (ou melhor: um celeiro de mestres): o filme musical. Reunindo talentos gigantescos entre atores/ cantores, atores/ dançarinos, compositores, coreógrafos, a Metro-Goldwyn-Mayer construiu um repertório máximo no gênero, autocelebrado no documentário Era uma Vez em Hollywood (1974), que depois teve duas continuações. A trilogia finalmente chegou ao DVD no Brasil, em lançamento pela Classic Line.

Os três filmes seguem basicamente a mesma fórmula, enfileirar trechos antológicos e/ou curiosos dos musicais da Metro. Porém, com particularidades que veremos mais adiante. Continuam uma delícia de ver, mas as legendas da edição tentam muito sabotar esse prazer.

Nas partes 2 e 3, o trabalho assinado pela Studio Mille, cearense como a distribuidora Classic Line, é péssimo. A ponto de parecer ter sido feito grosseiramente no Google Tradutor sem qualquer revisão depois. Não são um ou dois erros, mas dezenas.

Muitas vezes o que se lê está completamente desconectado do que aparece na tela. Gene Kelly mostra um número de Cantando na Chuva em que Cyd Charisse “interpreta uma dessas vamps glamourosas” e a legenda crava “um desses glamourosos vampiros”. Sinatra canta “Old man river” e a legenda traduz como “rio velho” (esquecendo do homem). Alguém diz que Garbo que ficar só e a legenda a transforma em “ele”.

Groucho Marx usa, em Uma Noite na Ópera (1935), a expressão “half Nelson”, que se refere a um golpe de luta, e na legenda: “Ele está meio dormindo e meio Nelson”. É mais de uma vez diz-se que alguém é “cherce”, que nem ganhou tradução (significaria “ótimo”). “Leading man”, que seria o par romântico da atriz, mais de uma vez surge como “condutor”.

E títulos de filmes surgem traduzidos ao pé da letra. Chega a ser engraçado. Salve a Campeã (1953) virou “Perigosa quando Molhada”. Quando as Nuvens Passam (1946) virou “Até as Nuvens Rolam”. Minha Vida É uma Canção (1948) virou “Palavras e música” (e a tradução literal correta do título ainda seria “letra e música”). Bonita e Valente (1950) virou “Annie, pegue sua arma”. Se Você Fosse Sincera (1941) virou “Moça, seja boa”.

Qualquer visita ao IMDb resolve a busca pelos títulos nacionais do filmes. A legenda das partes 2 e 3 nem os deixa no original, nem põe os títulos brasileiros corretos, gerando essa desinformação completa.

Nem a embalagem escapa dos erros. O digipack traz estampadas fotos dos filmes, mas numa delas credita como Gene Kelly uma cena de Sinfonia de Paris (1951), mas com Georges Guétary – sequência que está lá, no volume 2.

É um desleixo que compromete bastante o resultado final desse lançamento, embora os filmes em si continuem sendo um belo resumo para quem gosta dos musicais clássicos.

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ERA UMA VEZ HOLLYWOOD (1974)
Sem borda - 04 estrelas

O tesouro da Metro

Melodia da Broadway de 1940 - 03

Eleanor Powell e Fred Astaire em “Melodia da Broadway de 1940”: você nunca mais verá algo assim de novo

O primeiro filme, por ser o primeiro, tem o privilégio de contar com as principais cenas, dos principais filmes. Estão nele Gene Kelly debaixo d’água em Cantando na Chuva (1952), Fred Astaire dançando nas paredes e tetos de um quarto em Núpcias Reais (1951), Judy Garland em cenas de O Mágico de Oz (1939), a dança-duelo no celeiro em construção em Sete Noivas para Sete Irmãos (1954).

Cyd Charisse brilha ao lado de Astaire em A Roda da Fortuna (1953). Dois mestres da voz, Sinatra e Bing Crosby surgem juntos em Alta Sociedade (1955). Cenas dos primeiríssimos musicais, Melodia da Broadway (1929) e Hollywood Revue (1929) dão bem a medida de como o gênero evoluiu.

É um momento antológico após o outro. E, na época do lançamento original, sem home vídeo, muitas dessas cenas não eram vistas havia décadas. Em determinado momento, Sinatra apresenta o encontro maravilhoso de dois gênios: Fred Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940 (1940). Ele sentencia: “Eu aposto: você nunca mais verá algo assim de novo”. Ele tinha razão.

Os segmentos são apresentados por astros que fizeram história nos musicais do estúdio, como, além de Sinatra, os próprios Astaire e Kelly, e mais Donald O’Connor, Mickey Rooney e Debbie Reynolds.

Outros nomes que brilharam nos musicais da Metro acabaram preteridos em favor de, por exemplo, Bing Crosby. Uma lenda que fez vários musicais, mas apenas dois na Metro (ele foi uma estrela do cinema, mas na Paramount). E de outros astros importantes, mas não muito afeitos ao gênero como Elizabeth Taylor, Peter Lawford e James Stewart.

Liza Minelli é incluída como apresentadora representando a nova geração do gênero (havia acabado de ganhar o Oscar de melhor atriz por Cabaret, 1972) e também, de certa maneira, representando a mãe, Judy Garland (que havia morrido cinco anos antes).

Alguns dos apresentadores ficaram com um bloco temático. Sinatra mostrou os primeiros musicais. Jimmy Stewart, dos atores dramáticos que tiveram que se aventurar nos musicais (ele próprio teve sua vez). Donald O’Connor apresentou os musicais aquáticos de Esther Williams. Mickey Rooney, os musicais que estrelou em dupla com Judy Garland. E Liza lembrou a mãe.

Num lance bem sacado, os dois maiores astros falaram um do outro. Gene Kelly apresenta o segmento sobre Fred Astaire e Astaire a parte dedicada a Kelly.

O filme tem um tom nostálgico e até um pouco melancólico. Os atores surgem nos cenários do estúdio como a reprodução de uma rua de Nova York, ou uma estação de trem, já desgastadas pelo tempo. No período, os anos 1970, a preferência por filmagens em locação fez com que os cenários de fundo dos estúdios saíssem de moda. Ainda assim, Era uma Vez em Hollywood é apresentado como uma celebração dos 50 anos da Metro e de seus “próximos 50 anos”.

O filme, assim como a parte 2, possui dublagem em português. E uma clássica, de quando filmes assim passavam na TV aberta, com Élcio Romar como Gene Kelly e Isaac Bardavod como Fred Astaire. O detalhe é que, mesmo sendo claramente antiga, a dublagem é assinada como “versão brasileira: Studio Mille”, mesma empresa que assina as legendas.

A única explicação razoável é que a empresa tenha editado a dublagem antiga: usado o som em português nos momentos das apresentações e deixado o som original nas cenas de música, privilegiando o som de melhor qualidade nessas sequências. Mas isso não justifica assinar a versão brasileira do áudio.

Um detalhe resultado disso é que a dublagem “some” em alguns pontos do filme. Devem ter esquecido de sobrepor a voz brasileira algumas vezes em que o apresentador falou durante as cenas dos filmes clássicos.

A legenda, aqui, é bastante boa, ao contrário da dos filmes seguintes – incluindo até os títulos corretos em português. E por que essa diferença? Há um motivo: a legenda do primeiro filme é quase exatamente a mesma disponível na internet (em http://www.opensubtitles.org) para acompanhar o download do filme.

Prova disso é que os mesmos erros permanecem. Bing Crosby e Sinatra cantam “It’s in the stars” e as duas traduções dizem “É em Marte”. “Don’t dig that kind of crooning, chum” (“não me venha com essa de crooner, amigo”) vira em ambas as legendas “Não beba assim, amigo”. Coincidência demais.

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ISTO TAMBÉM ERA HOLLYWOOD (1976)
Sem borda - 03 estrelas

Cavando mais um pouco

Era uma Vez em Hollywood - Parte 2 - 05

Gene Kelly e Fred Astaire apresentando a parte 2: dois gênios em forma

O segundo filme chamou-se, nos cinemas brasileiros, Isto Também Era Hollywood (1976). A maior parte dos principais números musicais já tinha sido usada, mas ainda havia munição para gastar: Gene Kelly e Cyd Charisse na sensual dança de Cantando na Chuva; Bing Crosby e Louis Armstrong em Alta Sociedade; outra cena incrível de Astaire e Eleanor Powell em Melodia da Broadway de 1940.

Boa parte, como se vê, outras cenas dos mesmos filmes. Nada de errado nisso, o acervo é grande e rico. Ainda assim, o filme (agora dirigido por Gene Kelly) abriu o leque para apresentar também cenas de dramas e comédias da Metro, como os irmãos Marx no camarote minúsculo de Uma Noite na Ópera (1935) ou um segmento dedicado a Spencer Tracy e Katharine Hepburn, que viveram uma longa história de amor e dividiram muitos filmes juntos.

O filme é apresentado, desta vez, apenas por Kelly e  Fred Astaire, que respectivamente aos 63 e 77 anos, dividem aqui raríssimos passos de dança juntos. A única vez em que Astaire e Kelly haviam dançado juntos num filme, valendo pontos, foi em Ziegfeld Follies, de 1945. Um filme de segmentos de dança, sem história propriamente, que reservou uma sequência para os dois (aqui, inclusa na parte 1).

É difícil dizer, daqui de 2018, qual era a percepção da grandiosidade desse encontro em 1945. Com relação ao cinema, Fred já estava na praça havia 13 anos, Gene apenas três. O fato é que, depois disso, a Metro não os colocou juntos nenhuma outra vez, preferindo fazê-los estrelar seus próprios filmes.

Por isso a apresentação com os dois juntos nesta parte 2 têm um sabor especial – e os dois gênios mostram que estavam em forma.

Não há muitos segmentos temáticos, a maior parte das cenas parece surgir sem muita ligação. Há um momento dedicado a Sinatra, outro aos filmes que se passaram em Paris, mais um sobre filmes em preto-e-branco. Boa parte da apresentação de Kelly e Astaire é cantada, com mais estética e brincadeira que informação.

A edição também vem com a dublagem brasileira clássica. E aqui começa o desastre das legendas já mencionado.

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ERA UMA VEZ EM HOLLYWOOD III (1994)
Sem borda - 04 estrelas

A magia por trás da cortinas

Se Voce Fosse Sincera - 04

Eleanor Powell em “Se Você Fosse Sincera”: enquanto ela sapateia, a equipe se desdobra nos bastidores

18 anos depois, veio Era uma Vez em Hollywood III. Agora na direção estavam Bud Friedgen, que foi montador nos dois anteriores, e Michael J. Sheridan, que é creditado como montador aprendiz no primeiro filme e como assistente no segundo.

A proposta voltou a ser a do primeiro filme: focado só nos musicais e com vários apresentadores. Mas o volume III não fica só no desfile de grandes cenas e se dedica bastante a explorar curiosidades inéditas para o público.

Assim, há várias cenas que foram cortadas dos filmes clássicos, como as que Judy Garland filmou para Bonita e Valente (1950), antes de a atriz ser substituída por Betty Hutton. Ou um número solo de Debbie Reynolds em Cantando na Chuva e outro que era a versão caipira do número glamouroso “A lady loves”, de sua personagem em É Deste que Eu Gosto (1953).

Em outro momento, é revelado que a voz que canta “Two-faced woman” por Joan Crawford em Se Eu Soubesse Amar (1953) é de India Adams e que a gravação que havia sido usada primeiro para dublar um número de Cyd Charisse de A Roda da Fortuna (1953) que acabou cortado. As duas cenas são colocadas lado a lado (com franca vantagem para a cena deletada de Cyd).

Especialmente interessante é o número “Fascinating rhythm”, de Eleanor Powell em Se Você Fosse Sincera (1941). Já tinha aparecido na parte II, mas agora é colocado lado a lado com a filmagem dos bastidores da cena, mostrando o imenso trabalho feito por trás das câmeras para adequar o cenário aos passos do sapateado da genial dançarina.

Ela sapateia para trás, passando por pianistas e cortinas, enquanto blocos do cenário são empurrados por guindastes e pela equipe para dar espaço para a grua se aproximar da dançarina. Um trabalho imenso e milimétrico, tudo em uma tomada contínua. Impressionante.

Fred Astaire aparece refazendo um número inteiro com um figurino diferente em Ver, Gostar e Amar (1952) – colocadas lado a lado, é possível ver nas duas imagens a inacreditável precisão de Astaire na coreografia antes e depois.

Um momento particular da terceira parte é a participação de Lena Horne. A cantora e atriz apresenta sequências sobre ela mesma para dar um depoimento sobre o racismo que enfrentou nos dias em foi contratada pela Metro.

O estúdio nunca a escalava com um bom personagem. Apenas a colocava em participações especiais, cantando, de modo que seu número pudesse ser cortado quando o filme fosse exibido em estados que praticavam a segregação racial e cujas plateias brancas torceriam o nariz ao ver uma negra linda e talentosa brilhando em um dos estúdios mais poderosos de Hollywood.

Dos astros que apresentaram o primeiro Era uma Vez em Hollywood apenas Debbie Reynolds, Mickey Rooney e Gene Kelly reaparecem na mesma função no terceiro, que celebra os 70 anos do estúdio. Dos demais apresentadores, todos também brilharam nos musicais da Metro: além de Lena Horne, Cyd Charisse (que apresenta o segmento sobre Kelly), Ann Miller (a parte sobre Astaire), Esther Williams (sobre si mesma), June Alysson, Howard Keel (um segmento sobre o Cinemascope).

Rooney rende homenagem à sua antiga parceira Judy Garland. E Gene Kelly é encarregado de abrir o filme, mostrando didaticamente a evolução do gênero desde os primeiros filmes sonoros. Ele faz aqui sua última aparição em um filme. Muito apropriado que seja sobre os musicais.

Coleção Era uma Vez em Hollywood. Distribuição: Classic Line.
Era uma Vez em Hollywood. That’s Entertainment!. Estados Unidos, 1974. Direção: Jack Haley Jr. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly, Frank Sinatra, Bing Crosby, Elizabeth Taylor, Donald O’Connor, Mickey Rooney, Liza Minnelli, James Stewart, Peter Lawford.
Isto Também Era Hollywood. That’s Entertainment! – Part 2. Estados Unidos, 1976. Direção: Gene Kelly. Elenco: Fred Astaire, Gene Kelly.
Era uma Vez em Hollywood III. That’s Entertainment! III. Estados Unidos, 1994. Direção: Bud Friedgen, Michael J. Sheridan. Elenco: Gene Kelly, Cyd Charisse, Ann Miller, Mickey Rooney, Lena Horne, Esther Williams, Howard Keel, Debbie Reynolds, June Allyson.

Coluna Cinemascope (#5). Correio da Paraíba, 19/10/2016.

arizona-nunca-mais

“Arizona Nunca Mais” (1987)

Lista, pra que te quero?

por Renato Félix

O cinema completou 120 anos no fim do ano passado e, por isso, publiquei aqui no CORREIO uma lista que chamo pomposamente de “120 filmes para a humanidade”. É uma lista de longas que tentou resumir essa história. Com sua dose de subjetividade, é claro, mas ainda assim tentando dar espaço aos diretores importantes, movimentos, cinematografias de países-chave, gêneros, etc.

Mas aconteceu o seguinte: como havia um prazo, tive que finalizar a lista sem me dar totalmente por satisfeito com ela. Resolvi que faria em seguida uma revisão para publicar no meu blog. Fiz um listão de uns 300 e tantos filmes e fui cortando. O problema é que cheguei a 126, 127 e não consigo mais cortar para fechar nos 120.

Há muita coisa ótima nesse mundão do cinema. E tentar equilibrar tudo é uma tarefa impossível. Como ter menos que quatro Hitchcocks? Quero colocar um irmãos Coen, mas este seria Arizona Nunca Mais (1987), Fargo (1996) ou O Grande Lebowski (1997)? Vale trocar um Kiarostami por A Separação (2012)? É muito ter três George Stevens, mesmo que um deles, Ritmo Louco (1935), seja mais por causa de Fred Astaire e Ginger Rogers?

Curiosamente, em 2001 fiz uma lista de “100 filmes para a humanidade”, para A União. Não me lembro de, 15 anos mais novo, ter muita dificuldade de fechar aqueles 100. Também é verdade que voltei a essa lista recentemente e muitas vezes pensei: “No que diabos eu estava pensando? Como este filme entrou e aqueles não?”.

Listas nunca serão definitivas – nem mesmo as que a gente mesmo faz. A serventia delas é mesmo levantar as discussões e, através delas, das nossas concordâncias e discordâncias, refletirmos mais sobre o cinema (ou o que quer que seja o tema da lista em questão).

Se eu conseguir fechar os 120, aviso.

FOTO: Arizona Nunca Mais (1987)

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“You like potato, I like ‘potahto’/ You like tomato and I like ‘tomahto’”

George Gershwin notou que Fred Astaire e Ginger Rogers pronunciavam as palavras de maneira diferente. E criou para eles esta obra-prima chamada “Let’s call the whole thing off” para o sétimo dos 10 filmes de Fred e Ginger juntos. E a dupla dança sobre patins!

Vamos Dançar? Shall We Dance. Estados Unidos, 1937. Direção: Mark Sandrich. Elenco: Fred Astaire, Ginger Rogers, Edward Everett Horton.

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